quarta-feira, 27 de maio de 2020
The Devil and the Almighty Blues - The Devil and the Almighty Blues (2015)
Biglietto Per L'Inferno - Live 1974 (2005)
O Biglietto Per L’Inferno, com o seu “Live 1974”, era o oposto: peso, temas de composições densos, atmosfera obscura, todos os aditivos para um show diferente e avassalador para uma época de sofisticação progressiva. Esse show antológico fora gravado na sua cidade natal, Lecco, situada na região da Lombardia e, apesar da baixa qualidade na gravação deste, o que lamentavelmente era a tônica na Itália, não apaga a já presença poderosa do Biglietto Per L’Inferno como um track list que contemplaria as músicas do seu até então primeiro álbum, de 1975 e com uma música nova que entraria no seu segundo trabalho que não seria oficialmente lançado à época que se chamava “Il Tempo Della Semina”. O Biglietto Per L’Inferno já tinha gravado as faixas, com a produção de Eugenio Finardi e ainda tinha um contato forte com o músico Klaus Schulze para impulsionar o seu lançamento caso necessitasse, mas com a falência do selo "Trident", o projeto fora deixado para trás, tendo uma limitada distribuição, em formato de fita cassete, recebendo finalmente, por intermédio da Mellow Records, no ano de 1992, um lançamento oficial com o nome “Il Tempo Della Semina”. O fim da gravadora também ocasionou o fim das atividades da banda, sem total apoio para seguir em frente. A formação do Biglietto Per L’Inferno, no álbum “Live 1974” era: Claudio Canali no vocal e flauta, Giuseppe "Baffo" Banfi no órgão e moog, Giuseppe Cossa no piano e moog, Marco Mainetti na guitarra, Fausto Brachini no baixo e Mauro Gnecchi na bateria.
No registro ao vivo não há espaço para muitas improvisações, segue quase que fielmente a estrutura gravada no seu álbum de estúdio, mas revela toda a força e identidade arrasa quarteirão do velho Biglietto. Começa com “Il Tempo Della Semina”, faixa título do álbum que sucederia o debut “Biglietto Per L’Inferno”, de 1974 que fora gravado em 1975, mas somente lançado em 1992. Começa com um poderoso hard rock e um desfile de moogs e teclados e instrumentos de sopro, como o saxofone, entoados de forma caótica, que logo abre caminho para riffs e solos de guitarra que confirmam o peso e agressividade da faixa.
“Ansia’, do primeiro álbum, traz à tona a flauta que alterna em ritmos suaves, lentos e mais agitados, assim seguindo a música, alternando em camadas introspectivas e mais pesadas com o vocal teatral e dramático de Cláudio Canali, um belo progressivo sinfônico com pitadas generosas de hard rock.
“Confessione” explode com riffs pegajosos e raivosos do mais puro e genuíno hard rock com solos envolventes de guitarra de Mainetti e um vocal rasgado de Canali, é um petardo sonoro. “Una Strana Regina” começa com um vocal abafado, meio sombrio de Canali, mas que irrompe em explosões de riffs e solos de guitarra de Mainetti que culminam com teclados viajantes e sinfônicos, com a flauta suavizando o caos.
“Il Nevare” é o ponto alto do show, ao vivo ela ganhou ainda mais peso, agressividade e vivacidade, uma música orgânica, a camada instrumental garante a sua condição plena de um autêntico hard rock. Fecha com a obscura, sombria “L’Amico Suicida” que, com o vocal cênico de Canali com camadas tenebrosas de teclado interpretam a mensagem da letra e que ao vivo ganhou em sua expansão dramática. Cláudio Canali com seu vocal é o destaque, sem sombra de dúvida.
O “Live 1974” não fora lançado na época em que a apresentação ocorreu, sendo lançado em uma caixa comemorativa do trigésimo aniversário do primeiro álbum de estúdio, com versões remasterizadas em CD dos dois álbuns oficiais, além, é claro, do “Live de 1974”, além de um DVD contendo vídeos dos músicos e entrevistas e ainda um livro com fotos, letras de músicas e entrevistas. O “Live 1974” também fora lançado separadamente, em 2005, com uma capa mini-LP. Uma curiosidade: Este show do Biglietto Per L’Inferno teve a participação de outra grande banda de hard rock, o UFO, onde na realidade o Biglietto abriu para a banda inglesa. O “Live 1974”, apesar de não ser um registro ao vivo conhecido mundialmente mostra um Biglietto Per L’Inferno no auge de sua força e entrosamento.
segunda-feira, 25 de maio de 2020
Circus 2000 - An Escape From A Box (1972)
sábado, 23 de maio de 2020
Jumbo - DNA (1972)
E como não podemos deixar de falar de história, o Jumbo foi formado em 1969 na cidade de Milão tendo o vocalista Alvaro Fella, como figura central, tanto que o nome da banda vem de seu apelido, Álvaro “Jumbo” Fella. Fella era baixista de uma banda de pouco nome quando foi notado por produtores de uma gravadora, assinando contrato em 1970. Gravou uma música chamada “Due Righe Da Te” e dois covers. No primeiro single tocou com gente do naipe de Franz Di Cioccio e Flavio Premoli, ainda componentes do Quelli, depois passando a se chamar Premiata Forneria Marconi, e Mario Lavezzi, mais tarde tocando no Il Volo.
Já em outra gravadora, de mais renome, a Phillips, gravou em 1971 o primeiro álbum com a ajuda dos músicos que teriam constituído a primeira formação da banda, tais como: Daniele Bianchini na guitarra, Sergio Conte nos teclados e vocais, Dario Guidotti na flauta, violão, gaita e percussão, Vito Balzano na bateria e percussão e o baixista Alberto Agazzi, mas sendo substituído logo por Aldo Gargano. O seu debut, de nome “Jumbo”, lançado em 1972 também, é um belo álbum, muito influenciado pelo blues, um pouco acústica na sua concepção, com muito instrumento de sopro e percussão e o destaque fica com o vocal de Fella, excepcional, potente, de grande alcance, um rosnado ameaçador, sem dúvida um dos melhores vocalistas que eu vi e ouvi até o momento.
Trata-se de um belo álbum, com uma bela produção, mas a grande mudança do Jumbo e a mais significativa, pois levaria como identidade até o fim, seria no álbum “DNA” também de mesmo ano. Mudança essa que se daria devido a um trabalho simbiótico e de grande parceria entre os seus integrantes. É o que disse em uma entrevista que o guitarrista Daniele "Pupo" Bianchini concedeu a um veículo de comunicação na Itália: "Eu diria que uma mudança quase natural: afinal de contas entre o primeiro e o segundo LP passou quase um ano. O tempo que passamos juntos e o trabalho duro feito por todos os membros do grupo criam as condições para se conhecerem melhor. Compreensão e confiança são coisas que precisam de tempo para amadurecer, ele se materializou em um trabalho de grupo cada vez mais unida."
“DNA” foi realmente uma busca a uma nova identidade, mostrando uma vertente totalmente progressiva da banda, combinando um hard prog, com folk e blues, lembrando e muito o Jethro Tull, mas sem soar plágio, pelo contrário, uma banda que tem no vocal de Alvaro Fella a síntese de obscuridade e experimentalismo viajante do Jumbo. O álbum começa com a suíte de mais de vinte minutos de nome “Suite Per Il Sig. K” que combina um heavy progressivo e um blues rock com referências clássicas, com instrumentais acústicos com piano, violão e flautas para poderosos riffs de guitarra e ótimos vocais de Fella.
“È Brutto Sentirsi Vecchi” é uma faixa mais sombria, introspectiva, beirando a viagens experimentais, assinando o nível estratosférico de criatividade desta banda.
“DNA” fecha com a música “Hai Visto...” mostra muita delicadeza, uma bela música acústica depois ficando um pouco mais frenético. “DNA” mostra uma banda amadurecida, o marco zero de sua nova jornada progressiva que infelizmente durou até o término da década de 1970.
O Jumbo merecia uma melhor sorte e ser reconhecido com uma grande banda do celeiro de grandes nomes do rock progressivo italiano, mas hoje é só uma pérola perdida da cena.
quinta-feira, 21 de maio de 2020
Atomic Rooster - Live At The Marquee (1980)
Entrando na nova onda do heavy metal britânico, a New Wave of a British Heavy Metal, a banda decide tocar ainda mais pesado, com mais agressividade, mais um ponto de reinvenção da banda, capitaneado por Crane e sem sombra de dúvida o guitarrista John du Cann que traz, em seu DNA, o peso do hard rock e que provou isso no próprio Atomic Rooster, no segundo trabalho da banda: "Death Walks Behind You", de 1970.
Claro que tais propostas sempre foi o cerne do Atomic Rooster, mas, mais uma vez, em sua inquietude criativa, Crane e Cann não se ancoraram em estereótipos, embora o ano, 1980, tenha caracterizado o "boom" do heavy metal, sobretudo londrino e o trabalho do Atomic Rooster seja fortemente inspirado no peso do heavy metal.
Ainda em 1980, a banda se apresentou no lendário Marquee Club, em Londres e nele se percebe a agressividade, a nova vertente do Atomic Rooster, com clássicos setentistas de sua áurea fase sendo executada de uma forma avassaladora, poderosa e visceral. Esse registro ao vivo, alvo dessa resenha, definitivamente é um obscuro trabalho da banda e surpreende pela intensidade e força do Atomic Rooster que voltaria a todo o vapor.
Mas nessa apresentação, como de costume, tem uma nova (velha) formação. O baterista, Preston Heyman, que participou da gravação do até então novo álbum de estúdio, sai da banda e dá lugar ao velho dono do posto, o excelente Paul Hammond.
Talvez a intenção de Crane era voltar as origens, trazer as raízes clássicas do Atomic Rooster e que foram responsáveis por entregar ao mundo uma pérola da história do heavy rock chamada “Death Walks Behind You”, de 1970, por exemplo. Claro que com Hammond esse registro ganhou em brilhantismo.
Uma curiosidade sobre esse show é que não existiam gravações conhecidas da mesa de som ao vivo da linha de 1980, as fitas cassetes faziam parte dos arquivos pessoais de John du Cann e foi, de certa forma, com o lançamento, em um formato quase que em bootleg, dado a algumas imperfeições na qualidade da produção, responsável pelo retorno do Paul Hammond.
E pasmem, amigos leitores, o show foi gravado por intermédio de um único microfone no palco! Inacreditável como conseguiu captar tanta energia de uma banda como o Atomic Rooster. Essas gravações foram as últimas ao vivo dessa formação clássica, com Du Cann, Crane e Hammond feitas no Marquee Club, onde tocavam regularmente.
Era um Atomic Rooster puro, genuíno, sem filtros, energética, a versão power trio de outrora, com a roupagem heavy metal que faria, facilmente, qualquer headbanger balançar incessantemente a cabeça. Era o tecladista Vincent Crane, era o guitarrista John du Cann e o baterista Paul Hammond, afinal de contas.
O line up trazia músicas dos primeiros trabalhos da banda e outras mais recentes à época. A começar com “They Took Control Of You” que é um verdadeiro petardo que faria qualquer banda heavy metal dizer “amém”, peso e agressividade são as palavras que definem.
“Seven Lonely Streets” ressuscita o Atomic Rooster setentista, um poderoso hardão. “Gershatzer” traz uma eficácia ao set, carismática e poderosa, cativa aos fãs apreciadores do estilo mais hard n’ heavy. “I Can’t Take No More”, outra clássica, segue a mesma proposta da faixa anterior, é excelente ao vivo, ganha mais força e peso, em qualquer época.












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