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segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Alphataurus - Alphataurus (1973)

 

50 anos! O que é o tempo quando se tem a eternidade? Mensurar tempo parece ser irrelevante para definir a história de um álbum para a música, para o rock n’ roll. E o que dizer de trabalhos icônicos para bandas obscuras? A arte vence! O tempo não enferruja, não torna datado, mas atemporal na concepção sonora e de suas mensagens, o que pode ser bom ou ruim, depende do tema abordado.

O fato é que o rock progressivo italiano sempre promoveu momentos improváveis, sobretudo nos anos 1970. Como determinados álbuns foram destinados a entrar para a história e não ter tido um impacto comercial, grandes vendas e resultados de sucesso e glamour?

Parece uma combinação inviável, diria inusitada, mas a banda de hoje conseguiu tal feito, mesmo com uma trajetória calcada na precocidade de sua história que, logo ao lançar seu debut, saiu de cena da mesma forma que entrou: timidamente, sem alardes. Falo do ALPHATAURUS.

E falar do seu primeiro trabalho, homônimo, de 1973, é como falar da minha história com o rock progressivo. Não é apenas a história e a relevância desse álbum para a cena progressiva italiana e mundial, mas uma relação afetiva, pois foi com ele que a Itália progressiva descortinou-se diante dos meus olhos. E começar com essa obra prima é ter, ouvir e sentir o que o prog rock pode de melhor proporcionar a pobres mortais como eu.

O Alphataurus, nome astronômico da primeira estrela da constelação de Touro também conhecida como "Aldebaran", foi formado na cidade de Milão em 1970 a partir da reunião do tecladista Pietro Pellegrini com o vocalista Michele Bavaro, o violinista Guido Wasserman, o baixista Alfonso Oliva e o baterista Giorgio Santandrea.

Apesar da intensa atividade ao vivo, com várias apresentações em festivais importantes da Itália, como o “Davoli Pop” e o “Palermo Pop 72”, o Alphataurus nos dois anos anteriores ao lançamento de seu primeiro álbum, de 1973, permaneceu sem contrato, sem nenhuma gravadora interessada em tê-los em seu “cast”.

Mas foi exatamente no Festival Pop de Palermo que Vittorio De Scalzi, que tinha saído da icônica banda New Trolls e impressionado com nível sonoro e técnico dos músicos, os convida para praticamente inaugurar o recém-fundado selo “Magma”, fundado em conjunto com o seu irmão, Aldo.

E assim o Alphataurus começaria a fazer história, mesmo que a base de muitas adversidades, típicas de bandas undergrounds, com o seu primeiro álbum, lançado em 1973, sendo também o primeiro trabalho concebido com a ajuda da nova gravadora. Era novidade para os jovens produtores, os irmãos De Scalzi.

Vittorio de Scalzi

Como muitas das bandas italianas, “Alphataurus” tem influências do rock progressivo britânico, com destaque para o Emerson, Lake & Palmer, King Crimson, Yes e Van der Graaf Generator, porém como algumas grandes bandas do “país da bota” desenvolveram, a partir de suas influências, seu próprio estilo, sua própria proposta sonora, usando primordialmente a sua língua pátria, abrangendo também uma textura instrumental invejável, ampla, tendo a base do órgão e moog, entregando pegadas jazzísticas até ao hard rock e contemplações sinfônicas dando o caráter ao prog rock.

Não só as teclas ganham destaque no primeiro trabalho do Alphataurus, mas a começar pelo vocal com uma voz extremamente poderosa e original, certamente uma das mais competentes surgidas naquele longínquo ano de 1973, com uma guitarra bem cuidada e tocada com destreza e a seção rítmica criando um fundo poderoso. Não há indulgência, é um trabalho orgânico, fiel ao conceito do rock progressivo em voga naqueles anos. O álbum do Alphataurus é sofisticado? Sim, mas não caem na armadilha do pedantismo.

Mas esse resultado tem um motivo primordial: quando a banda entrou em estúdio, logo no início de 1973 para a gestação do álbum o Alphataurus ensaiava as músicas por muito e muito tempo. Reza a lenda que ficavam no estúdio por até seis horas consecutivas, podendo assim gravar as músicas e aproveitar o tempo restante para aperfeiçoar os sons, adicionar overdubs e mixar tudo também.

“Alphataurus” foi gravado nos estúdios SAAR Records e Sax Records em Milão. A linda e instigante arte gráfica, no formato LP, pode ser aberta em três partes e foi criada por Adriano Marangoni e que representa fielmente os conceitos da obra: simplesmente a perda da identidade do homem e os perigos da nascente sociedade tecnológica. Um tanto quanto atual, não acham amigos leitores? A guerra tecnológica envolta em um discurso demagógico da paz.

A faixa "Peccato d'orgoglio" sintetiza muito bem o conceito do álbum e esse tema em sua letra:

"Você já está indo em direção ao vazio sem objetivo / Não tenha medo, volte entre nós / Você experimentou tudo, uma vida inteira / Sob uma luz falsa você usou para construir sua realidade... Foi um pecado de orgulho / Lembre-se que você é um homem / Você ainda pode viver... ".

Na letra é perceptível o clima entre sonho e pesadelo, o medo da guerra nuclear e a esperança de um mundo melhor. Apesar de um tema manjado, é fato que a tratativa é perfeita entre a letra e a música.

“Alphataurus” é sombrio, pesado, intenso, poderoso, que flerta entre o rock progressivo com as suas passagens sinfônicas e o hard rock típico dos anos 1970. Guitarras pesadas e de solos contemplativos, seção rítmica contundente e teclados frenéticos e viajantes. Temos um potente heavy prog e passagens melódicas cativantes, tudo isso envolto em uma textura de arranjos garantidos pelas ótimas seções instrumentais.

São cinco músicas todas assinadas pelo tecladista Pietro Pellegrini em um total de quarenta minutos. As letras, no entanto, foram desenvolvidas por toda a banda em conjunto com Vittorio de Scalzi que usou, para os créditos no álbum, com o pseudônimo de “Funky”.

A faixa inaugural é a grande “Le Chamadere (Peccato d'Orgoglio)” no auge de seus pouco mais de doze minutos é a encarnação, creio, mais representativa do estilo que o Alphataurus imprimiu neste álbum, sendo extremamente cativante, repleta de mudanças rítmicas, com um toque orquestral que predomina, mas tocados em uma atitude hard rock e até raivosa, em alguns momentos. A guitarra e o teclado são pesados, bem como os vocais que trafega para a sensibilidade em alguns momentos. Os teclados trazem a textura sinfônica e progressiva, com o trabalho fenomenal da bateria muito arrojada com o baixo seguindo o ritmo. Mas não podemos deixar de destacar o momento acústico e contemplativo garantido pelos dedilhados do violão.

"La Chamadere (Peccato d'Orgoglio)"

Segue com a “Dopo L'Uragano” que traz a predominância destacada da guitarra em uma versão blues, um blues rock muito bem executado. As cadências entregues nos acordes básicos da guitarra acústicas e os riffs de guitarra elétrica fazem com que o protagonismo do instrumento se faça. Não se pode negligenciar os intervalos de boogie intercalados por preenchimentos fortemente efetuados pela bateria. Vale lembrar também que essa faixa retrata fielmente o humor sombrio e apocalíptico do álbum:

"À luz do sol, as sombras, o furacão é apenas passado. Volto para minha cidade, sozinho e com dor. Eu não vejo o meu povo, as estradas estão desertas, eu olho ao meu redor e vejo que a vida se esvai ..."

"Dopo L'Uragano"

A faixa instrumental “Croma” é excelente e traz alguns toques jazzísticos com a alternância de passagens de órgão encontrando um fundo perfeito nas enormes camadas de moog e riffs e solos de guitarra, que eclodem em uma explosão majestosa em seu clímax final. Não se pode negar a simbiose entre o sintetizador e a guitarra.

"Croma"

“La Mente Vola” surpreende pelo arranjo muito moderno, bem executado, parece ser descolado daqueles tempos de outrora dos anos 1970. Tem uma batida sobreposta com sintetizadores, parecendo ser consensual para uma faixa forte e poderosa. Teclados exemplares, com solos de vibrafone e passagens misteriosas de moog, vocais emocionais e dramáticos, assim se resume essa música. E já que falei em vocal, não podemos deixar de destacar a poesia da letra, falando do homem que entende a importância de se falar com o divino para cessar as suas dores e sofrimentos.

"La Mente Vola"

E fecha brilhantemente com a faixa “Ombra Muta” que traz a estrutura fina e melódica com toques de guitarra elétrica e teclados mais fortes e cativantes, com aquele “tempero” sombrio que permeou todo o álbum. O baixo é pesado, contundente, os vocais altivos e de grande alcance, além de bateria marcada e moogs frenéticos e animados.

"Ombra Muta"

Logo após o lançamento de “Alphataurus”, a banda se dissolve e inclusive estavam envolvidos nas gravações de um segundo álbum. Não há informações precisas sobre o que teria ocasionado o fim da banda, talvez questões ligadas a divergências sobre a concepção do álbum ou ainda as baixas vendas do primeiro trabalho, pois lamentavelmente o trabalho não teve a divulgação necessária, haja vista que a gravadora, por ser nova, não tinha recursos necessários para um trabalho adequado de disseminação e promoção do álbum.

O projeto do segundo álbum ficou inacabado, não foi concluído, inclusive os vocais não foram inseridos nas composições. Ainda assim o material foi lançado, pela Mellow Records, intitulado “Dietro L’Uragano” (Leia texto desse álbum aqui), no ano de 1992 e digo, meus caros leitores, que mesmo sendo um projeto inacabado traz a essência e a força de uma banda seminal que é o Alphataurus.

"Dietro L'Uragano" (1992)

Após um longo período com a banda hibernando, no ano de 2009, Guido Wassermann e Pietro Pellegrini decidiram que era o momento de trazer o Alphataurus de volta à cena. O baterista Giorgio Santandrea também voltou à banda e em novembro de 2010 eles anunciaram oficialmente a reunião, após mais de trinta anos de ausência.

O Alphataurus se apresentou no “Progvention”, no mesmo ano de 2010, na sua cidade natal, Milão. A formação, que incluiu ainda o vocalista Cláudio Falcone, o tecladista Andrea Guizzetti e o baixista Fabio Rigamonti permaneceu também para outras apresentações no ano seguinte, em 2011.

Um álbum ao vivo, “Live in Bloom”, foi lançado em março de 2012, mas antes do final de 2011 o baterista Giorgio Santandrea deixaria a banda, sendo substituído por Alessandro “Pacho” Rossi. Em setembro de 2012 seu segundo álbum de estúdio, “AttosecondO”, incluindo temas revistos a partir do segundo álbum incompleto, bem como novas músicas.

Alphataurus - "Live in Bloom" (2010)

Com o retorno aos palcos o álbum “Alphataurus” ganharia maior evidência recebendo ótimas críticas e consequentemente novas reedições, com uma, no formato CD, pelo selo “Vinyl Magic”, em 1995, remasterizado pelo tecladista Pietro Pellegrini e outra, uma em 2009 pelo selor AMS/BTF e outra em 2011, também pela Vinyl Magic” no formato CD. Teve também, inclusive, uma reedição coreana feita com 1.000 cópias e uma japonesa.

Muito se questiona sobre a concepção de “Alphataurus” e a sua relação com os irmãos De Scalzi, donos de selo Magma. Atribuiria a estes os “donos” do projeto do álbum do Alphataurus, não tendo um investimento pesado em divulgação exatamente por esta questão.

Mas não percebo como tal, mas sim como um trabalho genuinamente autoral de músicos tarimbados que definitivamente sabiam do caminho que estavam seguindo, da sua capacidade, de seu repertório. 

Por mais que os envolvidos nesse álbum não possam ter tido a dimensão do tamanho desta obra para a cena progressiva, mas o fato é que, independente da ausência do sucesso comercial, o primeiro álbum do Alphataurus está nos anais da história do rock progressivo italiano e mundial. Um trabalho altamente recomendado! 




A banda:

Guido Wasserman na guitarra

Pietro Pellegrini no órgão, piano, moog, spinetta, vibrafone

Michele Bavaro no vocal

Alfonso Oliva no baixo

Giorgio Santandrea na bateria

 

Faixas:

1 - Peccato D'Orgoglio

2 - Dopo L'Uragano

3 - Croma

4 - La Mente Vola

5 - Ombra Muta



"Alphataurus" (1973)












 














 





segunda-feira, 9 de maio de 2022

Alphataurus - Dietro L' Uragano (1992)

 

Atualmente ou diria desde sempre muitos materiais esquecidos de algumas bandas, que, por algum motivo, caíram no ostracismo, estão ganhando a luz, sendo lançados. Músicas inacabadas, demos tapes, momentos de descontração dos músicos que foram captados etc, são lançados com aquela promessa de algo inesquecível, com aquele discurso de pérola esquecida.

Não se sabem os motivos pelas quais essas músicas são lançadas: caça-níquel? Talvez! O dinheiro ganhando relevância na indústria da música em detrimento da música. Para amenizar a “dor” dos fãs, carentes, viúvos de materiais inéditos de suas bandas preferidas? Bem possível! Alguns álbuns são lançados com aquele título de “edição de colecionador”, pois sabem que, avidamente consumirão esses materiais.

Agora será que a qualidade sonora é ou pelo menos deve ser colocada como possibilidade, haja vista que sobras de estúdio, ensaios e momentos de descontração deve se pontuar com momentos de criação, de criatividade? Quem sabe!

O fato é que não custa conferir tais materiais e tirar as suas próprias conclusões, pois as percepções de música são particulares, afinal o que pode ser ruim para alguns, pode ser muito bom e proveitoso para outros. Mas será que somos influenciáveis? O que quero dizer com isso? Será que, quando amamos uma banda e, claro, sua sonoridade, quaisquer comentários e análises podem vir carregadas de fanatismo, pela cegueira desmedida de “fã”.

Mas não quero aqui levantar, o tempo todo, conjecturas, e deixar o meu depoimento textual de álbum que ouvi, há algum tempo, que fez com que eu revisse os meus conceitos em relação a esses álbuns.

Falo do segundo álbum da banda italiana ALPHATAURUS chamado “Dietro L’Uragano”, lançado há trinta anos atrás, em 1992. Conheci, como outras pessoas, o Alphataurus pelo seu estupendo debut, de nome “Alphataurus’, de 1973 que, apesar de não ter tido aquela visibilidade à época, atualmente está em um status de grande importância para a cena progressiva italiana e que serve, sem dúvida de referência para muitas bandas novas que surgem fortemente na Itália, sobretudo nos últimos 20 anos.

“Dietro L’Uragano” foram esboços, alguns diriam “sobras” deste álbum de 1973 e que seriam usados para o novo trabalho da banda que seria lançado naquela época, ou ainda composições que estavam sendo empreendidas mas que, por algum motivo deixou de ser, essa última é a história mais difundida na história obscura dessa grande banda que merecia, à época, mais credibilidade pelo que produziu.

Esse que vos fala, ou melhor, escreve, é um amante do Alphataurus e que, quando conheci seu debut foi como que uma nova janela de perspectivas sonoras se abrindo diante dos meus olhos, abrandando o meu coração e deleitando os meus ouvidos. E quando ouvi “Dietro L’Uragano, afinal, nada mais natural, quando conhece uma banda e aprecia, você busca mais materiais desta para se aventurar em sua sonoridade, foi igualmente arrebatador.

Mas antes de mergulhar fundo em “Dietro L’Uragano” falemos um pouco da história da banda. O Alphataurus Surgiu na cidade de Milão, em 1970, e foi tida como uma das bandas obscuras que povoa a cena progressiva italiana nos anos 1970.

Apesar de atingir essa condição de banda desconhecida conseguiu um contrato com uma nova gravadora chamada “Magma” e lançou seu primeiro grande álbum, “Alphataurus”, em 1973. Provavelmente o conseguiu tal contrato por não ser conhecida e, como o selo era novo, estava investindo em bandas novas e desconhecidas.

"Alphataurus", de 1973

O fato é que “Alphataurus” não conseguiu atingir o êxito comercial esperado apesar de apresentar todas as características típicas do rock progressivo italiano: camadas fantásticas de teclado, vocais dramáticos e bem elaborados, cantados em italiano, claro, uma mistura excepcional de seções leves e pesadas, com viradas instrumentais de tirar o fôlego, até levadas blueseiras e jazzísticas.

A formação da banda neste álbum tinha Michele Bavaro, nos vocais, Guido Wasserman na guitarra, Pietro Pellegrini no piano, hammond, vibrafone, moog, Alfonso Oliva no baixo e Giorgio Santandrea na bateria.

Alphataurus

Reza a lenda que, quando eles estavam se preparando para gravar o segundo álbum, que não tinha nome, ainda em 1973, onde Iniciara os trabalhos de composição, de produção do mesmo, ocorre algum infortúnio que ninguém sabe ao certo, a banda se separa, some da cena progressiva da Itália sem deixar rastros. Os vocais não foram gravados, não foram inseridos nestas composições e tudo indica que o vocalista abandonou a banda ou não teve tempo para gravar a sua parte. Tudo que girou em torno desse “esboço” foi em uma aura de mistérios e incertezas.

O projeto ficou inacabado, não foi concluído. Foi esquecido. A banda finalizou as suas atividades, precocemente. Os músicos seguiram, cada um, as suas carreiras individualmente. O baterista Giorgio Santandrea esteve por um breve período na banda Crystals, enquanto que o tecladista Pietro Pellegrini colaborou, entre outros, com Riccardo Zappa e Premiata Forneria Marconi.

O vocalista Michele Bavaro gravou um disco solo, de viés comercial, no fim dos anos 1970, inclusive esse trabalho teve o foco de exportar a música italiana para o mercado sul americano, tendo visitado o Brasil, inclusive e cantado em algumas cidades, como Cuiabá e Belo Horizonte.

Em 1992, a gravadora Mellow descobriu esse material esquecido, perdido e o lançou, quase dez anos depois do lançamento de “Aphataurus” com o nome “Dietro L’Uragano” e digo, com toda a força de minha alma e coração, de que este álbum, embora tenha uma carga de críticas não muito boas, traz a força e a proposta sonora do Alphataurus, sobretudo impressa no seu primeiro álbum.

As faixas bem elaboradas, com uma “nitidez” absurda que expõe todas as características do rock progressivo italiano: peso, personalidade, alto teor de dramaticidade, com viés sinfônico, com ênfase nos teclados, em solos viajantes de guitarra e uma “cozinha” bem sinérgica e definida.

O álbum traz a seguinte formação: Guido Wasserman na guitarra, Pietro Pellegrini, nos teclados, Alfonso Olive no baixo e Giorgio Santandrea na bateria e vocal.

Então dissequemos, faixa a faixa, esse belo trabalho sim, do Alphataurus e se preparem para a viagem sem passagem de volta, pois sem dúvida trata-se de um trabalho excepcional da banda, mesmo que incompleto, sem vocal.

O álbum é inaugurado logo com uma pedrada, com um arrasa quarteirão: “Ripensando E...”. O trabalho do moog, das teclas emociona, é contemplativa, te tira do chão, faz flutuar. A bateria entra, marcada, seguindo o ritmo viajante, o progressivo italiano se faz presente, é a personificação timbrada nesta música. Pode ser sentida a ausência do vocal, podemos, sem sombra de dúvida, encará-la como um clássico instrumental, a beleza dos instrumentos é inquestionável.

"Ripensando E..."

A “situação” não muda com a faixa seguinte: “Valigie Di Terra”. A introdução agora fica a cargo da bateria, em um estágio meio experimental, entrando e mantendo tal atmosfera os teclados e, gradativamente, vai ganhando substância, corpo, peso, se tornando mais solar, animada, as viradas rítmicas ganhando protagonismo. Outra música digna de reverências.

"Validgie Di Terra"

Na sequência tem a curta “Idea Imcompiuta” que se destaca, em uma espécie de introdução, os teclados, com a participação da bateria dando uma textura jazzística, mostrando o Aphataurus tal perícia desde os seus primórdios.

E fecha com a excelente “Claudette” que começa lindamente com um piano que depois nos conduz a uma seção estupenda de inspirações sinfônicas avassaladoras e nesse emaranhado de fragmentos sinfônicos tem no fundo um baixo forte, pulsante e vivaz marcando plenamente essa faixa com uma riqueza instrumental invejável. É simplesmente de tirar o fôlego, tantas viradas, tantas percepções sonoras em uma única faixa. Mas na metade da faixa finalmente surge um vocal, a voz do baterista Giorgio Santandrea, discreto, sem tanta potência.

"Claudette"

De fato “Dietro L’Uragano” pode ter sido conhecido como o “projeto inacabado”, sem dúvida, mas com a sensibilidade e a competência de músicos que afloram de forma singular. Há de se deleitar com os instrumentos, a viagem instrumental é garantida e por mais que seja sentida a ausência de um vocal conduzindo todos esses soberbos instrumentos, sobretudo depois de um álbum anterior com um vocal marcante, podemos encarar esse trabalho como uma exibição, sim, instrumental e de grande inspiração.

Em 2010, três dos componentes originais (Pellegrini, Wassermann, Santandrea) reformaram a banda para participar do Progvention de Mezzago, um festival conhecido na Itália. A formação, que inclui o cantor Claudio Falcone, o tecladista Andrea Guizzetti e o baixista Fabio Rigamonti, permaneceu também para alguns shows em 2011. 

E em 2012 finalmente é lançado um álbum de inéditas chamado “AttosecondO”, com a inclusão do baterista Alessandro "Pacho" Rossi e em 2022, após esse período pandêmico, a banda retorna com nova formação e fazendo shows pela Itália. Mas isso é outra história.



A banda:

Guido Wasserman na guitarra

Pietro Pellegrini nos teclados

Alfonso Oliva no baixo

Giorgio Santandrea na bateria e vocal


Faixas:

1 - Ripensando E....

2 - Valigie Di Terra

3 - Idea Imcompiuta

4 - Claudette