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terça-feira, 16 de julho de 2024

Morte Macabre - Symphonic Holocaust (1998)

 

Será que podemos guardar uma geração, uma vertente sonora em uma caixa, como um produto velho e carcomido e esquecer? Aquele discurso de que está obsoleto e que deve ficar, no mínimo para a história da música e pouco falar sobre, quanto mais executá-la, trazê-la à tona?

Não sou contrário, nobres e estimados leitores, ao novo, aos “testes” geracionais que a vida nos impõe e, claro, com a música que é o nosso assunto por aqui. A mudança, embora temida por tantos, se faz importante, mas a importância não pode ser comparada à obrigações e/ou posturas conservadoras instituídas.

Os anos 1990 foi a “era do grunge”, de Kurt Cobain, das roupas de flanela, de um rock n’ roll mais direto, a necessidade de simplificar diante da arrogância sonora dos músicos de rock progressivo ou ainda dos excessos do glam metal de meados dos anos 1980.

Evidente que podemos questionar as tais gerações, isso é democrático, salutar, diria, mas tudo, consequentemente, é uma questão de opinião. Sob o aspecto comercial o rock progressivo estava, ainda mais, à margem nos anos 1990. As gigantes do estilo até enchiam arenas, mas estavam descaracterizadas sonoramente falando.

Mas não se enganem o rock progressivo ainda tinha sua carga criativa cheia, forte, contundente, consistente e tinha um público que estava ávida por consumi-la. Alguns países, inclusive, via a sua cena ressurgir, como a Itália, que via, aos borbotões, bandas bem interessantes ganharem vida.

No norte da Europa se testemunhavam o surgimento de bandas muito legais e que traziam, revisitavam, os sons ocultos dos anos 1970, mas com roupagens contemporâneas com o rejeitado metal progressivo, por exemplo. Ouso dizer que muitas dessas bandas que surgiram nos anos 1990 e também na década de 2000, podem figurar na história do prog rock recente.

E não podemos negligenciar o que a Suécia tem feito, nesses últimos trinta anos, a serviço, não apenas ao rock progressivo, mas ao rock n’ roll como um todo. Grandes bandas vêm surgindo enaltecendo, em uma espécie bem-sucedida de homenagem aos seus predecessores, a música dos anos 1970, entregando sons novos e relevantes.

E preciso citar o MORTE MACABRE. Essa banda assumiu um caráter de projeto com início, desenvolvimento e fim efêmero, o que, convenhamos, é uma pena, que uniu duas proeminentes bandas suecas dos anos 1990 que são o Landberk e o Anekdoten. E a formação trazia Nicklas Berg no mellotron, fender rhodes, theremin, sampler, guitarra, baixo, Peter Nordins na bateria e percussão, Reine Fiske na guitarra, violino, mellotron, fender rhodes e Stefan Dimie no baixo e moog. Berg e Nordins tocavam no Anekdoten e Dimie e Fiske eram membros do Landberk.

Morte Macabre

E o resultado dessa fusão veio o único álbum da banda chamado “Symphonic Holocaust”, lançado, pelo selo antigo chamado “Mellotronen”, que pertencia ao baixista Stefan Dimie, em 1998, no formato CD, sendo as sessões de gravação no estúdio Largen, na Suécia. Além de ter sido concebido em uma época avessa ao prog rock, sob o aspecto comercial, trata-se de um álbum desafiador para ouvidos mais conservadores do rock progressivo muito acostumado a ouvir as sonoridades setentistas. É um trabalho extremamente nervoso, temperamental, contundente e tem, ouso dizer, tudo para que, daqui a 50 anos, seja celebrado como um clássico esquecido e que será considerado como “cult”.

É um trabalho complexo, de personalidade, avesso aos estereótipos, que entrega beleza, sombras, um trabalho excepcional de occult rock, de dark progressive, que não se via a tempos, desde bandas como Antonius Rex e Goblin. A propósito os temais musicais são oriundas de trilhas sonoras de filmes de terror, majoritariamente europeus, baseando-se exatamente no que o Goblin fez nos anos 1970, com os filmes do cineasta Dario Argento, além de duas faixas originais, compostas pelos integrantes da banda.

Pode não parecer, diante disso, algo novo ou revolucionário, mas o habitat sonoro em “Symphonic Holocaust” é muito bem definido e principalmente bem delineado: o tema de filmes de terror é muito bem explorado, sobretudo o do occult rock, do progressivo de terror é extremamente orgânico e sofisticado, ao mesmo tempo. É uma ode aos desbravadores Jacula, Goblin, Museo Rosenbach e tantos outros undergrounds que lutaram contra uma onda de conservadorismo que persiste até os dias de hoje.

Filmes como “The Beyond”, “The House by the Cemetery”, “City of the Living Dead”, “Cannibal Holocaust”, “Zombie” e "Rosemary's Babe", do grande diretor Roman Polanski, além de duas faixas escritas pelo Morte Macabre. Os filmes, de baixo orçamento, os famosos “Lado B”, também são marginais como a sonoridade desta banda.

Antes de dissecar cada faixa deste álbum convém ressaltar um detalhe muito interessante e que, de alguma forma corrobora a textura sombria de “Symphonic Holocaust”: o Mellotron. Quase todos os membros da banda tocam o instrumento, colocando-o, obrigatoriamente, como ponto central da estrutura sonora deste álbum. A melancolia, a atmosfera densa e particularmente sombria é a tônica deste trabalho do Morte Macabre. Então vamos a elas!

A faixa inaugural é “Apoteosi del Mistero”, que é do filme “City of the Living Dead” e essa faixa já começa para mim arrebatadora! Ondas de mellotron logo no topo, quando um som mais completo e “cheio” já chega logo, em menos de um minuto. A guitarra tem seu destaque, bem como a “cozinha” rítmica, com baixo e principalmente a bateria, marcada e altiva, dando o tom mais pesado à faixa.

"Apoteosi del Mistero"

Na sequência temos a primeira faixa composta pela banda, “Threats of Stark Reality” que traz uma textura sombria e extremamente experimental que remeteu à psicodelia ácida da cena krautrock, com uma aura de space rock também, diria. Uma faixa assustadora e que poderia adentrar em qualquer filme de terror, facilmente.

"Threats of Stark Reality"

"Sequenza Ritmica e Tema", é do filme “The Beyond”. É inegável dizer que bateria, guitarra e baixa atinge com força os ouvidos e o coração, tendo, evidentemente o mellotron entrando gradativamente no contexto sonoro. Um constraste improvável, mas que harmoniza em um caos oculto e tenebroso e assim a música vai seguindo até seu fim louco, docemente louco. Convém lembrar também que cada músico decidiu empreender com solos de seus instrumentos, mesmo assim tudo conectado.

"Sequenza Ritmica e Tema"

Segue com “Lullaby”, tema do clássico filme “Rosemary’s Baby”, de Roman Polanski. É clássico aos ouvidos e parece te colocar dentro do ambiente da trama horripilante construída por Polanski e quando entra finalmente pela primeira vez no álbum um vocal da Yessica Lindkvist com suas suaves e terrivelmente sedutadora vocalização de “la-la”, pronto! Uma música que verdadeiramente dignifica a proposta sonora de “Symphonic Holocaust”. As linhas de baixo esparsas e descontraídas reforça as sombras que permeiam na música, juntamente com a bateria, sem contar, claro, com o mellotron.

"Lullaby"

“Quiet Drops” é sublime, porque aqui o destaque fica para a guitarra, tão focada e poderosa. Uma faixa contemplativa, viajante, chapante, lisérgica, progressiva, linda! A beleza da introspecção a torna única, singular. A bateria vai encorpando, dando mais vivacidade à música. Sem dúvida uma das mais interessantes faixas do álbum. “Opening Theme” soa como uma improvisação informal, que abre os trabalhos para a faixa seguinte...

"Quiet Drops"

“The Photosession” o arrebentar do mar na costa, nas pedras são acompanhados por uma suave e notas de guitarra que reproduz um momento singular e harmônico e aí vem os toques dos pratos da bateria, as notas incidentais de guitarra e baixo se fundem e logo depois o fender rhodes e o mellotron em seguida. Tudo tão conectados, mas orgânico, típico de músicas instrumentais. 

"The Photosession"

E o grand finale é realmente apoteótico e colossal com a faixa-título “Symphonic Holocaust” que, no auge dos seus quase dezoito minutos revela-se a mais pesada e fantasticamente complexa, trazendo uma miscelânea de vertentes percebidas, ou melhor, ouvidas em todas as faixas anteriores do álbum. O mellotron ganha destaque, trazendo uma textura sombria, mas logo o peso do hard prog se faz presente, com riffs pegajosos de guitarra e bateria marcada e pesada.

"Symphonic Holocaust"

O volumoso arsenal instrumental de “Symphonic Holocaust” faz do Morte Macabre e seu único rebento um trabalho singularmente especial. As faixas são sedutoras, suaves em grande parte, como se fosse ninar os ouvintes, os transportando para um sombrio pesadelo. Um clássico que se perde no tempo da música plastificada e sem vida dos anos 1990. Uma ode à temporalidade da carne e à inevitável passagem do tempo. Um álbum emocional, sombrio e humano.




A banda:

Reine Fiske na guitarra, violin, mellotron, fender Rhodes

Nicklas Berg no mellotron, fender Rhodes, theremin, sampler, guitarra e baixo.

Stefan Dimle no baixo, mellotron e moog

Peter Nordins na bateria, percussão e mellotron/ drums, percussion, Mellotron

 

Com:

Yessica Lindkvist na voz na faixa 4

Janne Hansson no waves Fx na faixa 7

 

Faixas:

1 - Apoteosi del Mistero

2 - Threats of Stark Reality

3 - Sequenza Ritmica e Tema

4 - Lullaby

5 - Quiet Drops

6 - Opening Theme

7 - The Photosession

8 - Symphonic Holocaust




"Symphonic Holocaust" (1998)



 


 


























domingo, 19 de fevereiro de 2023

Antonius Rex - Zora (1977)

 

A cena progressiva italiana não é marcada apenas pelas bandas sinfônicas e vocalistas passionais em um alto tom de dramaticidade, embora não podemos negligenciar que tal vertente foi a edificação do bom e velho prog rock italiano. Nós temos, naquelas bandas, uma cena que, mesmo vilipendiada e esquecida, vive e respira, mesmo que a duras penas, sem o menor tipo de apoio e compreensão pela indústria fonográfica, desde sempre e os ardorosos fãs de rock progressivo, que o dark prog.

Eu não sei, ao certo, se existe esta terminologia, mas penso que é maid do que adequada para trazer materialização a bandas como Goblin, por exemplo, que elevou o nível do dark prog italiano e que, depois de persistir, perseverar por décadas e décadas conseguiu notoriedade não apenas na Itália, mas em outros países que abraçam intensamente a cena espalhados pelo planeta progressivo.

O real é que a cena progressiva dark é formada por pequenos guetos, como todo o occult rock, em todas as vertentes sonoras e que hoje, discretamente vem ganhando algum espaço, muito graças a bandas como o Ghost que atualmente até grammy sueco, de onde foi formada, já ganhou. É uma banda que está no mainstream, goza de grande popularidade, mas que ainda mantém a chama do occult rock que foi responsável pela construção de sua música lá para o fim da primeira década dos anos 2000.

O fato é que a cena do progressivo oculto, apesar de escanteada desde sempre, tem bandas que, mesmo esquecidas, tiveram a sua importância quanto ao seu pioneirismo e mesmo que muitas dessas bandas mais recentes, como o próprio Ghost, mencionada aqui neste texto, não fale abertamente, sobre algumas referências, não há como não observar, como perceber a presença, em seu som, de bandas como o Goblin, entre tantas outras como Blue Oyster Cult, Alice Cooper, Kiss, Mercyful Fate, entre tantas outras.

Mas até mesmo o grande e icônico Goblin, com seus anos e anos de estrada também tem, claro, as suas influências e só existe porque outras poucas bandas que o antecederam, sobretudo na Itália, criaram um conceito sonoro, criaram uma base que viria a se tornar definitiva ontem hoje e, sem sombra de dúvida, sempre. São legados que, mesmo reinando na penumbra do esquecimento, se torna referência, porque desbravaram o estilo no estado bruto de sua existência. Falo de bandas como Jacula e Antonius Rex. Já ouviram falar nessas bandas? Não?

E aos desavisados que não conhecem tais bandas, que foram os responsáveis pelo “big bang” do dark prog na Itália e quiçá no planeta, lá para o final dos anos 1960, teve, como mente pensante e importância, a cargo do guitarrista, compositor e mente brilhante Antônio Bartoccetti.

Bartoccetti esteve à frente em vários projetos, em diversas bandas que, pelo norte da Itália, ajudaram a caracterizar o som da Itália progressiva, quando sequer existia direito um som progressivo, diante do modismo do beat italiano. E lá estava Bartoccetti e seus poucos amigos que faziam uma música arrojada e incompreendida desde sempre.

Mas o cume da sua história musical foi com o Jacula, criada em Milão, no final dos anos 1960, mais precisamente no ano de 1969. Poucos meses depois de sua fundação, Bartoccetti, ao lado de Fiamma Dallo Spirito (voz, violino e flauta), Doris Norton (bateria) e Charles Tiring (teclados), Antonius, como era conhecido, lançou o álbum “In Cauda Semper Stat Venenum”, o qual saiu em uma edição limitada de 300 cópias apenas, um álbum cunhado “artesanalmente”, diria. Esse álbum foi produzido em Londres e foram distribuídas apenas entre os produtores, donos das gravadoras, a banda e algumas seitas que Bartoccetti seguia e tinham como base para construir as letras de suas músicas.

Jacula - "In Cauda Semper Stat Venenum" (1969)

A sonoridade, arrojada e totalmente nova, era baseada em composições voltadas para o órgão de igreja que, apesar de erudito, trazia um tom extremamente sombrio e novo no rock, bem como guitarras distorcidas, ao estilo, pasmem Black Metal, onde consideram o Jacula como o pai do Black Metal tão conhecido na Noruega.

Mas o sombrio não fica no conteúdo sonoro não, mas também na arte gráfica deste clássico álbum do dark prog, mostrando uma imagem em preto e branco, de um homem comendo pedaços de um cadáver dentro de um cemitério! Não tem como associar às capas de Black Metal, daquelas mais conhecidas lançadas na década de 1990, período de seu auge, não é?

O segundo álbum do Jacula foi “Tardo Pede In Magiam Versus”, de 1971, também lançado em número limitado de cópias (cerca de 1.000) e por um selo até hoje desconhecido e isso parece ter sido uma constante em toda a história de produção de Bartocccetti. Este trabalho também contou com Norton agora nos vocais e sintetizadores, além de Tiring e da adição de Albert Goodman (bateria), este LP destaca mais a guitarra distorcida e o violino.

Jacula - "Tardo Pede In Magiam Versus" (1971)

A capa de “Tardo Pede in Magiam Versus” é a mesma de “In Cauda Semper Stat Venenum”, porém no formato colorido e, para variar, acabou causando muita revolta na Itália, sendo censurado. Lamentável, não é?

O Jacula se desintegrou, mas Bartoccetti não parou, fundando o grupo Invisible Force, ao lado do eterno colega Charles Tiring, Elisabeth d’Esperance (voz) e Peter McDonald (bateria), com os quais lançou os singles “Morti Vident” e “1999 Mundi Finis”, ambos em 1971. A linha é similar ao que apareceu no segundo disco do Jacula.

Jacula

O Invisible Force mudou de nome, adotando Dietro Noi Deserto, trazendo Bartoccetti no baixo ao lado de Luciano Lura (voz, órgão), Luciano Quaggia (guitarra) e Mauro Baldassari (bateria), que lançou os singles “Dentro Me” e “Aiuto”, canções mais voltadas para o rock clássico italiano do que para o progressivo.

Mas essa introdução toda é para falar de outra banda que humildemente considero como a pedra fundamental da história do dark prog italiano e mundial e que proporcionou Bartoccetti e companhia investir mais na versatilidade de sons e sonoridades, experimentando mais. Falo do ANTONIUS REX, banda esta alvo da resenha de hoje.

Antonius Rex

Levou o seu nome, como o cara que sempre esteve no comando, a liderança das concepções do som seja do Jacula como também do Antonius Rex. Mas contou com o apoio, sempre incondicional, de Doris Norton, nos teclados e vocais, além do baterista Albert Goodman. “Neque Semper Arcum Tendit Rex”, gravado em 1974, primeiro álbum da banda, é tido, por muitos, como um primeiro álbum solo de Antônio Bartoccetti, mas considero como um álbum de banda, de todos os envolvidos, como Doris Norton e Goodman e, como não mencionar essas figuras tão importantes?

Antonius Rex - "Neque Semper Arcum Tendit Rex" 

Mas o álbum não fora lançado naquele ano de 1974, tudo novamente por causa da arte da capa e do seu conteúdo e dessa vez foi a gravadora “Vertigo” que achou a capa ultrajante, porque continha uma mensagem “diabólica” do século XVII e algumas letras fortes, principalmente na faixa “Devil Letter”, o álbum foi engavetado. Depois desse revés tentou lança-lo pelo selo do baterista Albert Goodman, “Darkness”, mas nunca passou por uma questão promocional.

Então somente em 1977 o Antonius Rex conseguiu, à duras penas, lançar o que é considerado o seu primeiro álbum lançado oficialmente: “Zora”. E será esse o álbum a ser comentado, a ser resenhado. “Zora” foi lançado pelo pequeno selo “Tickle” e, para manter o estilo Bartoccetti de ser, com uma capa para lá de excelente e pouco ortodoxa, para a nossa alegria.

Apresenta uma linda bruxa quase nua, com os seios de fora, chicoteando caveiras que estão tocando um concerto em um navio prestes a afundar. Mas também, para variar, gerou repulsa entre os conservadores de plantão, tendo uma nova capa diferente e mais “comportada” no ano seguinte com uma capa diferente, tendo apenas uma pequena imagem de uma das caveiras. O resto, tudo em preto contendo apenas o nome da banda e do álbum.


“Zora” traz a mente inquietante e criativa de Antônio Bartoccetti, sem sombra de dúvida. É fato que trazem à memória o seu trabalho anterior, sobretudo como o Jacula, mas já se observava coisas novas, uma sonoridade mais experimental sim, mas voltada para um progressivo que, no ano em que foi concebido “Zora”, estava mais do que consolidado, apesar de pouco popular, que na realidade, convenhamos, sempre, mas piorou com o surgimento comercial do punk e disco music.

Outro fato interessante é que, quando busquei as referências históricas do álbum e da banda o álbum é tido como fraco e pouco inspirador. Claro e evidente que não podemos criticar e desrespeitar as opiniões alheias, afinal, as opiniões são particulares, mas o que eu não concordo é com algumas alegações de que a linha de Bartoccetti muda muito e fica longe da proposta do Jacula.

Mas é por isso que o álbum, em minha opinião, ganha em qualidade e importância, pois apesar de tais mudanças, o Antonius Rex assume uma um caráter de banda progressiva, mas ainda com a essência obscura e temática ocultista e aquela sonoridade ameaçadora e perigosa, mas com muito mais substância, riqueza em suas melodias e harmonia. A banda, em “Zora”, era formada por Antonio Bartoccetti no vocal e guitarra, Doris Norton nos teclados e vocais e o ex-Jacula Albert Goodman na bateria.

O álbum abre com “The Gnome” mostra um sintetizador, sempre em destaque, fazendo um som de vento, em uma bateria meio dance e uma linha de baixo envolvente tendo uma estrutura pesada, densa no sentido dark, obscuro da palavra, e ainda tem o vocal de Bartocelli bem melódico.

“Necromancer” mostra um rock progressivo mais estruturado, com vocais mais melancólicos com destaque nos teclados dando aquela atmosfera densa e uma guitarra com riffs e solos duros e ameaçadores. No transcorrer da música o que se percebe é um jazz fusion com um destaque instrumental impressionante.

 “Spiritualist Seance” é um épico que tem na melodia sustentada pelos teclados, a sua importância. Com um vocal feminino a música ganha um clima ainda mais pesado, graças também a guitarra alucinada de Bartocelli.

“Zora” assume um progressivo mais convencional com melodias intricadas e muitas passagens. O teclado sempre presente, o violão dedilhado, uma música frenética e progressiva excelente.

O álbum fecha com “Morte Al Potere” que tem a guitarra pegando fogo em uma sequência pesada de riffs e solos com melodias acessíveis, mas sempre com aquela atmosfera dark.

“Zora” e Antonius Rex mostram o lado negro e necessário do progressivo italiano que, apesar de desprezados pelos fãs puristas, faz desta banda e da cena a qual criou e faz parte algo rico e diferente, especial. O Antonious Rex seguia com mudanças em sua sonoridade, tendendo para o rock progressivo com músicas melancólicas, complexas e obscuras. Recomendo também o seu álbum “Ralefun”, onde você pode ler a resenha aqui, sucessor de “Zora”, de 1979.

O Antonius Rex seguiu sua carreira, mudando de formação, mas consolidando a sua história no dark prog italiano e encorpando também a sua história discográfica lançando “Anno Demoni”, de 1979 e “Praeternatural”, 1980. Na primeira década dos anos 2000, com muita dificuldade, mas com muita persistência, voltou a ativa, lançando mais dois álbuns: ”Magic Ritual”, de 2005 e “Switch on the Dark”, de 2006.

Em 2009 foi o ano de lançamento de “Per Viam”, um álbum que marcou também a volta do Jacula. Neste mesmo ano “Zora” foi agraciado com um lançamento comemorativo, apresentando a inédita “Monstery” e resgatando a famosa capa da bruxa nua. O último trabalho do Antonius Rex foi o álbum, de 2013, chamado “Hystero Demonopathy”.


A banda:

Antonio Bartoccetti na guitarra e vocal

Doris Norton nos teclados

Albert Goodman na bateria

 

Faixas:

1 - The Gnome

2 - Necromancer

3 - Spiritualist Seance

4 - Zora

5 - Morte al Potere 


Antonius Rex - "Zora" (1977)







 






 


















 


sábado, 29 de agosto de 2020

L'Impero delle Ombre - L'Impero delle Ombre (2004)


Uma coisa pode puxar a outra e de forma contínua e frenética, dependendo do que se propõe a buscar ou enveredar as suas intenções. Sou um grande apreciador da banda inglesa Black Widow, formada na cidade de Leicester, na Inglaterra no final da década de 1960, inclusive fiz um texto interessante sobre a mesma sobre o seu show de 1970 que pode ser lido aqui: Black Widow - Demons of The Night Gather To See Black Widow (1970)

E, como tenho um ávido interesse pelo contexto histórico das bandas que gosto decidi procurar mais e mais sobre a banda e confesso que sou compulsivo pelas suas histórias e que tem uma relação íntima com as músicas que compõe. E quando fazia meus garimpos avistei um link na grande rede que falava de uma banda italiana que tinha, entre outras, uma influência do grande Black Widow. 

Resolvi, pensando que fosse algo relacionado a banda inglesa, conferir e percebi, logo de cara, não se tratar da mesma, mas sim de uma banda chamada L'IMPERO DELLE OMBRE, formada em meados dos anos 1990, mais precisamente em 1995, na região de Gallipoli, na famosa cidade de Apúlia, conhecida por produzir grandes vinhos. 

L'Impero delle Ombre

Já me interessei de forma imediata, principalmente com a capa do seu primeiro álbum lançado em 2004, autointitulado. Uma linda arte gráfica que, como um headbanger convicto que sempre fui me impactou de cara. Não é à toa que a capa é a porta de entrada para os álbuns, embora não seja uma unanimidade.


Realmente o L'Impero delle Ombre tem uma relação muito forte, sobretudo na questão sonora e estética, com o Black Widow, pois, quando a banda foi formada seu palco era repleto de cruzes e apelo estético voltado para os filmes de terror, com apresentações teatrais e rituais, como nos primórdios dos anos 1970, pela banda inglesa. 

Mas não se enganem, estimados leitores, que as influências da banda está restrito ao Black Widow, o que, se fosse, seria o máximo, mas traz também referências a bandas como Goblin, Jacula, Black Sabbath, Angel Witch, Paul Chain Violet Theatre e Death SS. 

Seu primeiro álbum é muito eclético e flerta com estilos que vai do heavy rock, heavy metal, hard rock oriundo dos anos 1970, a estilos um pouco mais “recentes”, da década de 1980, como doom metal, metal progressivo e algumas pitadas sombrias de rock experimental mesclado ao psicodélico com occult rock que me trouxe à tona bandas como Coven e Comus.


Mas antes de falar do álbum “L’Impero delle Ombre”, falemos um pouco sobre as origens “ocultas” da banda. L’Impero delle Ombre foi um projeto concebido por Giovanni “John Goldfinch” Cardellino e era, na sua gênese, uma banda cover que basicamente tocava músicas de suas maiores influências como Black Widow, Death SS, Angel Witch e Black Sabbath, além de algumas bandas clássicas italianas do gênero. 

Esta formação não vingou, não teve uma sequência de sucesso, afinal era uma banda cover e, como grande músico que é, Giovanni Cardellino tinha a necessidade de fazer músicas autorais e mostrar ao mundo a sua percepção de música. Então convoca o seu irmão, o guitarrista Andrea Cardellino que, na primeira formação do L’Impero dele Ombre, era muito jovem para tocar, se apresentar em pubs e clubes de música. 

Esse hiato da banda fora decisivo para Giovanni colocar em prática o seu trabalho autoral e colocar o L’Impero delle Ombre em um patamar mais importante para a história da cena rock da Itália que estava renascendo na década de 1990, principalmente entre a cena progressiva, mas que acabava por “puxar” outras vertentes. 

Os irmãos Giovanni, no vocal e percussão e Andrea na guitarra é seguido pelos os outros irmãos Dario e Enrico Caroli, que tocaram no Sabotage, e respectivamente na bateria e no baixo fecharia a formação da banda que gravaria o debut “L’Impero dele Ombre” ou “Empire of Shadows”, em inglês pelo emblemático selo “Black Widow Records”, em 2004, dez anos depois de sua formação.


Um exemplo de persistência, mesclado a dificuldades de que essas bandas, com essa proposta sonora e estética sofrem, alheio ao perfeccionismo de Giovanni e seus colegas tiveram ao longo desses anos todos, com a participação de Bud Ancillotti, no vocal da música “Il Giardino dei Morti” e o tecladista Sandro Massa. 

O álbum foi lançado em 2003 e teve alguma repercussão entre os críticos especializados e o público, principalmente aqueles mais atraídos pelo estilo dark rock e doom metal, com texturas de hard rock setentista e umas pegadas experimentais e progressivas da banda e que estava, de forma mesclada, mas bem conectada, as peças muito bem montadas retratada na música deste debut da banda, afinal já eram músicos maduros e experientes e gozavam de muito talento. 

Mas a banda decidiu intitular o seu som como “Rock de Cemitério”, muito impulsionado também pelo aspecto estético de seus músicos, da produção de palco e as suas apresentações teatrais. Diante do resultado surpreendentemente positivo a gravadora sugere que a banda grave o seu segundo álbum, surgindo, em 2011, o “I Compagni di Baal”, baseados em uma série de televisão francesa da década de 1960 divididas entre sete episódios de 50 minutos cada, em preto e branco, feitos por Pierre Prévert, sendo transmitidos de 29 de julho à 9 de setembro de 1968. 

Era feito com poucos recursos e diria ingenuidade, mas com bom gosto e mensagens extremamente atemporais, pois vinha com muita crítica social e comportamental. Muito dessa história e do demônio “Baal” foi responsável pela concepção sonora, estética e artística da banda no seu início, mesmo sendo concretizada somente com o lançamento do segundo trabalho em 2011, com uma obra conceitual sobre a série. Após vários shows para divulgar o seu primeiro álbum, os membros do L’Impero delle Ombre se envolveram em outros projetos como Witchfield e Homo Herectus em 2008, mas nada se revelou tão sublime como o trabalho do “l’Impero dele Ombre”.

"I Compagni di Baal" (2011)

Mas vamos dissecar, faixa a faixa, o primeiro trabalho da banda, afinal ele protagoniza o texto! O álbum começa com “Il canto del Cigno” que, com uma camada soturna e ameaçadora de um órgão e piano abre as portas do inferno para a excelente “Condanna” que, cantado em italiano, que começa introspectivo, praticamente ao som do vocal abafado e melancólico, mas que irrompe com um riff tipicamente sujo e arrastado, típico do doom metal, com uma proposta mais retrô, dos anos 1970, mas que logo fica veloz e avassalador com um heavy metal que lembra Mercyful Fate e Angel Witch e assim vai cadenciando entre hard e heavy lindamente.

"Condanna"

“Rituale” chega com o vocal dissonante e um riff de guitarra pesado, com um trabalho poderoso da “cozinha” instrumental, com baixo agressivo e pulsante e bateria marcada, com uma camada sombria e perigosa de teclado.

"Rituale"

“Tormento ed Estasi (Di Anime Inquiete Attratte dal Nero)” é um exemplo primoroso de um dark progressive, com passagens generosas de metal e hard rock, que lembra Goblin e Antonius Rex em seus novos tempos. O solo de guitarra que inaugura a música te faz viajar e entrega peso a faixa, eficiente e direto, mas trazendo personalidade a essa faixa com destaque instrumental, uma das melhores do álbum.

"Tormento ed Estasi (Di anime inquiete attratte dal nero)"

“Nel Giardino (Intro)” tem um curto momento falado, ao estilo Jacula, tenso e ameaçador que entrega o peso e a agressividade a “Il Giardino dei Morti” com riffs calcados no heavy rock, de bandas clássicas do heavy metal britânico com destaque também para o vocal tenebroso, limpo de dom alcance e um órgão que confere a faixa um clima sombrio.

"Nel Giardino (intro) e Il Giardino dei Morti"

E eis que surge a obra-prima “Ghost”! Um som abafado, com alguns discretos dedilhados de guitarra, explode em um riff ao estilo Black Sabbath alto, imperioso, pesado com a bateria igualmente pesada e marcada, um típico metal progressivo, com a pegada “dark” já tão característica do álbum. Não podemos negligenciar os solos de guitarra sempre limpos e altivos.

"Ghost"

E fecha com “Corpus, Animae et Spiritus” e o órgão volta a toda prova, remetendo bandas como Jacula e Black Widow, uma ode ao dark progressive, uma reverência ao passado com uma proposta contemporânea.

 
"Corpus, Animae et Spiritus"

O frescor dos novos tempos ganha luz com o L’Impero delle Ombre, com o reflexo da escuridão. Uma sonoridade funesta, com sinos, cantos, teclados, define bem essa banda que definitivamente veio para ficar e figurar como o novo clássico obscuro da Itália, trazendo a tona, em uma espécie de reverência e homenagem, as grandes bandas pioneiras do estilo, mas entregando os novos ares da contemporaneidade.






A banda:

Giovanni "John Goldfinch" Goldfinch no vocal e percussão
Andrea Cardellino na guitarra
Dario Caroli na bateria
Enrico Caroli no baixo

Com:

Sandro Massa nos teclados
Bud Ancillotti, no vocal da música “Il Giardino dei Morti”

Faixas:

1 - Il Canto del Cigno
2 - Condanna
3 - Rituale
4 - Tormento ed Estasi (Di Anime Inquiete Attratte dal Nero)
5 - Nel Giardino (Intro)
6 - Il Giardino dei Morti
7 - Ghost
8 - Corpus, Animae et Spiritus



"L'Impero delle Ombre" (2004)


















sexta-feira, 1 de maio de 2020

Antonius Rex - Ralefun (1979)


A Itália tem as suas bandas obscuras de progressivo e que são vilipendiadas e esquecidas nos porões do rock n’ roll. Os subterrâneos do prog rock da Itália estão à margem das bandas conhecidas e consagradas daquele país e se diferem não apenas pela sorte comercial, mas também pelas questões sonoras. 

Mas, por uma grande ironia, foram responsáveis pelo nascimento do rock progressivo, moldando a música que atingiu seu ápice em meados da década de 1970 e que até hoje vem atingindo contornos contemporâneos graças ao arrojo e ousadia de músicos que respeitam a essência dessa vertente sonora.

Uma das grandes bandas responsáveis por esse pioneirismo é o ANTONIUS REX do grande guitarrista, poeta, compositor e multi facetado Antônio Bartoccetti. O Antonius Rex embora hoje tenha o status de banda cult e pouco conhecida entre os apreciadores do rock progressivo, foi pioneira no que tange ao obscurantismo no prog rock, o que se convencionou como "dark prog" e ao experimentalismo dado ao espírito livre de Bartoccetti e sua trupe, a criatividade sem regras e restrições fez da música desta banda singular.

Antônio Bartoccetti

A dramaticidade e a atmosfera ameaçadora faz do Antonius Rex uma banda pouco compreendida. A contra mão sonora desta banda serviu de conceito e pilar para o surgimento do progressivo underground, fugindo do sinfônicodo Premiata Forneria Marconi, Le Orme, entre outros medalhões da velha bota. 

Bartoccetti era bem conhecido na embrionária cena progressiva e experimental no final da década de 1960 na Itália com a sua banda Jacula. Um som denso, obscuro, pré sinfônico com os órgãos sacros fazendo dessa banda nova, ousada e indulgente ao conservadorismo que teimava em existir e que ainda permeia na indústria fonográfica. 

O Jacula trouxe a inspiração necessária ao Bartoccetti dar luz ao Antonius Rex, mas o caminho para isso foi um tanto quanto insólito, afinal o Jacula se desintegrara e, claro, sem êxitos comerciais. Então Bartoccetti tenta investir em sua carreira solo, criando o Invisible Force, mas não vingou. 

Criou finalmente, em 1974, com Doris Norton no teclado e voz e o também ex-Jacula Albert Goodman na bateria o Antonius Rex, tendo, como no Jacula, a figura central de Antonio Bartoccetti. Gravou o seu debut no mesmo ano de nome “Neque Semper Arcum Tendit Rex”, seguindo basicamente a proposta do que fizera no Jacula.


Antonius Rex 

Não teve repercussão até lançarem “Zora”, em 1977 e assume uma característica mais progressiva experimental sem deixar de lado as características ocultistas. A banda assumia uma versatilidade sonora mais arrojada com jazz, hard, progressivo e muito experimentalismo. Mas a banda ainda sofria com a rejeição, a sua originalidade chocava os puritanos do mundo da música. 

A banda vinha em um crescimento de qualidade, apesar dos problemas, a banda encorpava, não era apenas um projeto solo de Bartoccetti, era uma banda constituída por músicos arrojados e competentes. Apesar do pouco reconhecimento, a banda lançaria, em minha opinião, um de seus melhores álbuns, o sucessor de "Zora", “Ralefun”, de 1979, alvo de meu texto de hoje. 


Apesar da crescente melhora sonora do Antonius Rex, os problemas com a rejeição da indústria sempre foram evidentes e mais problemas viriam com a morte misteriosa do baterista Albert Goodman fazendo com que Bartoccetti afundasse em certa melancolia, perdendo o interesse em gravar álbuns. 

Mas a paternidade fez com ele tivesse outro olhar acerca desse complicado panorama. Em 1977 nascera o filho de Antônio e Doris (Sim, eran casados) e isso trouxe novas percepções de Bartoccetti sobre a música e fez com que a banda mudasse a sonoridade de “Ralefun”.

A banda foi reformulada com Doris e Antônio como o sustentáculo sonoro e conceitual e na bateria Jean-Luc Jabouille,além de Marco Batti no baixo e Ugo Heredia na flauta. Com essa formação tornou-se perceptível a nova diretriz da banda. Um progressivo mais maduro, levadas jazzísticas, experimentalismo, uma sonoridade mais rica, complexa e claro, obscuro. 

O álbum abre com “Magic Sadness” com o teclado trazendo um pouco do já conhecido rock sinfônico que frutificara nas principais bandas italianas ao longo da década de 1970, mas ainda trazia a indefectível marca que é indelével dos trabalhos de Bartoccetti: a obscuridade, a atmosfera sombria Excelente música!“Agonia Per Un Amore” traz o canto falado de Bartoccetti, conhecido em tempos de Jacula, uma sonoridade leve, soft, linda, que me remete aos tempos áureos do progressivo psicodélico.

"Magic Sadness", "Agonia Per Un Amore"

“Witch Dance” é uma música mais comercial, acessível, mais radiofônica, diria até dançante e animada. Iria mais longe dizendo que há uma levada "dance", haja vista que estava era o final da década de 1970 e esse tipo de música estava em seu auge. Então seria um "dance dark progressive rock"? Pode parecer galhofa ou um realidade inusitada? Não deveria ousar ou me arriscar para não cair na "vala comum do esteriótipo" e ater-se ao rock n' roll, mas admito ser um bom exercício tentar entender ou interpretar a intenção da banda ao conceber essa música. Tirem as suas conclusões!


"Witch Dance"

Já “Incubus” tem todas as credenciais de um prog obscuro com passagens rítmicas excelentes, com uma atmosfera soturna e ameaçadora. Destaque para o solo simples, mas personificado de Bartoccetti. Certamente o Goblin bebeu da fonte das linhas de guitarra do grande mestre do "dark progressive".


"Incubus"

“In Einsteinesse's Memory” tem o destaque da flauta que traz toda uma roupagem acústica, um ritual, um som pagão, que traz um sedução mesmerizante, com o vocal melodioso de Bartoccetti.


 "In Einsteinesse's Memory"

E fecha com “Enchanted Wood”, uma epopeia sonora, uma viagem que te faz alçar voos, transcende a alma, trazendo aos ouvidos um pouco de experimentalismo e lisergia, sem dúvida o destaque desta música. 

"Ralefun" foi relançado pelo selo "Mellow Records" em 1994 no formato CD e em 2010 foi relançado pela icônica gravadora italiana "Black Widow" no formato LP e um ano depois, em 2011, a mesma gravadora "Black Widow" lanço também no formato CD, trazendo à tona a sonoridade arrojada e deliciosamente ameaçadora do velho Antonius Rex.

“Ralefun” é um clássico esquecido do progressivo italiano e o Antonius Rex, embora tenha sido o trabalho de maior sucesso comercial da banda, mas totalmente desproporcional, nesse sentido, em relação aos medalhões. Um álbum que foi lançado às pressas, mas que está definitivamente na história do progressivo obscuro com grandes serviços a cena tão vilipendiada e desrespeitada pelos puristas da música progressiva.


A banda:

Antônio Bartoccetti na guitarra, vocal, produção e composição
Doris Norton nos teclados
Jean Luc Jabouille na bateria

Com:

Hugo Heredia na flauta
Marco Ratti no baixo


Faixas:

1 – Magic Sadness
2 – Agonia per um Amore
3 – Witch Dance
4 – Incubus
5 – In Einsteinesses’s Memory
6 – Enchanted Wood





 "Ralefun" (1979)