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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Tempest - Tempest (1976)

 

Como falar de uma banda que não tem um rastro de história? Pode parecer difícil quando se tem, como essência, neste reles e humilde blog, a história como mote, como mola propulsora. Mas temos de admitir que a matéria-prima desse site são as bandas obscuras, raras. E quando falamos desses tipos de bandas, a tendência é de que não tenha tanta referência, na web, para se construir um texto de cunho histórico e informativo.

Entre fazer valer a essência e o propósito do blog e a ausência de informação para se montar um texto, claro, eu optarei sempre por apresentar a vocês, dedicados e estimados leitores, por trazer para todos as bandas obscuras e esquecidas por tudo e todos, que estão à margem, nos escombros do rock n’ roll.

E essa banda faz jus a este blog que, de forma hercúlea e desafiadora, porém prazerosa, ao tema “obscuridade” e “raridade”. O nome dela? TEMPEST. Talvez você tenha lembrado da seminal banda do icônico baterista Jon Hiseman, que se notabilizou tocando bateria no Colosseum, que se chamava “Tempest” ou ainda, aos aficionados pelo heavy metal / speed metal que lembrou do Tempest alemão, da segunda metade dos anos 1980. Não, não é!

O TEMPEST que falarei hoje por aqui veio de Houston, no Texas. Ah, queridos leitores, o que dizer da cena hard rock obscura, underground, dos Estados Unidos da América? Eu sou um enamorado por essa cena! Nem só de Aerosmith e Van Halen vive o hard rock estadunidense.

Há muito a se desbravar essa cena, é interminável. A cada descoberta parece que as suas possibilidades se expandem, tamanha é a quantidade de bandas que surgem diante de nossos olhos, onde a grande maioria, não passou de um álbum e que sequer saiu de sua cidade de origem, ou seja, bandas predominantemente regionais.

O nosso Tempest texano não foge à regra. A banda é rara, o lançamento de seu único álbum, homônimo, de 1976, também é raro e teve pouquíssimos relançamentos o que reforça a sua condição. E já que falei em relançamentos e lançamento de álbum, cabe aqui uma informação importante e uma das poucas que pude identificar, com o escasso quantitativo de informações que achei na internet sobre o Tempest.

Este álbum teve apenas duas edições ou diria um relançamento deste álbum: a original, claro, em Houston, no Texas, em 1976 e a mais conhecida, pelo menos me pareceu isso, uma da Alemanha, pelo selo Earth Records, de 1979. Por que digo que essa é a mais conhecida: Porque a segunda edição alemã, para muitos, parece ser a única. Inclusive há a confusão de que o Tempest seja uma banda alemã e que seu único trabalho tenha sido concebido, originalmente, no ano de 1979 e não em 1976 nos Estados Unidos.

Independente disso, convém aqui trazer os músicos que compuseram o Tempest, umas das poucas informações que há na web. São eles: Pat McClain / Scott Davis, no baixo, Nick Harris no baixo e vocais, Fred Drake na bateria e percussão, na guitarra solo, violão acústico e piano trazia Jeff Wells, nos vocais principais trazia Barbara Pennington e nos teclados e sintetizadores tinha Mark Richardson. A produção, sem sombra de dúvida, pela audição, caseira e caráter artesanal ficou a cargo da própria banda.

E, como disse, pelas características da produção mostra uma banda, com a permissão da “licença poética”, sem recursos e sequer apoio para a construção desse álbum em estúdio, fazendo tudo por conta própria. Isso pode não personificar ou potencializar a capacidade da banda, de sua técnica, mas por outro lado traz o charme de um trabalho despretensioso e livre de quaisquer amarras tendenciosas e modistas, rendendo-se apenas à criatividade e ao que acreditam como a sua genuína música.

E falando no único álbum do Tempest, nele predomina o hard rock volumoso, voluptuoso, pesado, agressivo, com nuances e temperos de blues rock e recheados de faixas, em um total de doze músicas, curtas, em sua maioria, corroborando a sua condição de despretensiosidade, de peso e agressividade. Então sem mais delongas, vamos às descrições de cada uma delas, para não perder o costume.

O álbum é inaugurado pela faixa “Toll” que começa sombria, com ruídos estranhos, mas isso é curto, porque entra a faixa seguinte, a “Can't Be Too Strong When You're Losing”, que se revela totalmente distinta da anterior, que é mais uma introdução do que qualquer coisa. A segunda é um hard rock forte, vibrante, com alguma cadência e é regida por riffs pesados e grudentos de guitarra e uma sessão rítmica bem dançante. Mas não se engane apenas com os riffs, há também solos, embora curtos, é extremamente pesado.

“Nothing To Lose Blues”, como o nome sugere e inspira, traz um blues rock com nuances evidentes de hard rock e ganha uma característica bem interessante com o vocal feminino predominando dessa vez, diferente da faixa anterior que revezava com um vocal masculino. É uma faixa animada, solos de guitarras mais competentes, bem elaborados, como pede um bom e velho blues rock.

Segue com “We Can Flow” que começa com um dedilhado de guitarra, meio acústica, mas que logo se engrandece, ganha corpo, com uma pegada pesada de bateria, de baixo pulsante e riffs agressivos de guitarra. Mas logo fica lenta e o vocal de Barbara ganha destaque quase cantado à capela. Mostra um vocal melódico e de grande alcance. A bateria ganha destaque também, é pesada. É um hard rock com toques de balada, uma balada poderosa regida pelo vocal competente, riffs de guitarra que apimentam e a bateria sempre pesada e agressiva.

"We Can Flow"

“Mama” começa como um som de “festa”, com riffs dançantes, a bateria segue a mesma linha, te faz balançar. Me remete a um som mais comercial, mais acessível e aqui, mais uma vez, o vocal de Barbara ganha destaque, mas a faixa não me parece ser a mais inspirada, ainda assim salva para animar. “The Lady” começa com aquele típico riff de guitarra de hard rock dos anos 1970: pesado, com um groove agressivo, arrastado, até chega a ser meio sujo. A bateria, mais uma vez, vem pesada e agressiva, bem marcada. A guitarra tem um solo rápido, simples, mas que cumpre seu papel de peso e agressividade, potencializando a sua condição de hard rock genuíno. Para os amigos leitores que apreciam peso, um proto metal essa é a faixa. Uma das melhores de todo o álbum!

"The Lady"

“This Shouldn't Happen To Me” começa diferente: ao piano, meio sedutora, dançante e que me fez lembrar da banda norte americana de occult rock Coven. Riffs ocasionais de guitarra, sintetizadores trazem uma textura misteriosa à música, solos de guitarra ao estilo psych, algo um tanto quanto lisérgico. “We Will Always Have Our Fears” também começa diferente, um tanto quanto soturna e sombria. Os vocais de Barbara ganham outra nuance e me traz à memória, o que definitivamente me agrada, um típico occult rock com pitadas generosas de psicodelia. Mas aqui há de volta o revezamento entre os vocais femininos e masculinos. Não é uma música pesada, não é tão hard rock, mas igualmente uma faixa sedutora. Não há como se deixar dançar e envolver por ela.

"We Will Always Have Our Fears"

“What You Got” continua na sequência de faixas mais dançantes e aqui o baixo ganha destaque, pulsante, cheio de balanço, de groove, me remete até mesmo a um dance music, que estava começando a ficar em voga na segunda metade dos anos 1970 e o vocal de Barbara corrobora essa condição sonora. A bateria também cheia de groove e balanço faz da sessão rítmica o grande destaque dessa faixa.

"What You Got"

“Working Band Blues” traz uma balada que me transportou diretamente para o “flower power” da segunda metade dos anos 1960. Um clima de “paz e amor” tomou conta dessa faixa. É uma música simples, psicodélica, mas traz um solo bonito de guitarra que te faz bailar ao seu som. “Feel Fine” devolve ao álbum o seu lado hard rock! Riffs inaugurais de peso, mas que não deixou de lado essa sequência mais dançante e psicodélica. Mas aqui tem a lisergia, o peso e o balanço que me fez lembrar, ao som da bateria, um pouco do rockabilly dos anos 1950. Uma faixa bem interessante!

Working Band Blues"

E fecha com “Long Way From Home” que permanece com os pés fincados no hard rock. Ela começa com o peso habitual da bateria, bate pesadamente, com os riffs grudentos e igualmente pesados da guitarra e o revezamento bem interessante e competente entre os vocais femininos e masculinos. Solos de tirar o fôlego de guitarra entregam de bandeja aos ouvintes o peso e a personificação do mais puro e genuíno hard rock. Aqui o peso domina e fecha magistralmente o álbum.

"Long Way From Home"

Nada se sabe do paradeiro dos músicos que fizeram parte do Tempest. Da mesma forma que surgiram, desapareceram, como uma força da natureza que chega e devasta, mas logo de dissipa e desaparece. Assim foi o Tempest. Uma sonoridade, comprovada pelo seu único trabalho, muito arrojada e complexa, mas por outro lado orgânica, mostrando a verdade da banda em todas as suas nuances e detalhes. Pouco se sabe sobre eles, pouco se falou sobre eles, mas graças ao advento da disseminação da informação e das grandes redes sociais que permeiam a nossa vida, abnegados divulgaram esse trabalho obscuro e que também escrevem sobre ela, como esse humilde e simples blog. O fato é que, ao ouvir esse álbum, ele se revela solar e multifacetado. Pérola altamente recomendada.

 


A banda:

Pat McClain e Scott Davis no baixo

Nick Harris no baixo e vocal

Fred Drake na bateria

Barbara Pennington no vocal principal e percussão

Mark Richardson no piano e sintetizador

 

Faixas:

1 - Toll

2 - Can't Be Too Strong When You're Losing

3 - Nothing To Lose Blues

4 - We Can Flow

5 - Mama

6 - The Lady

7 - This Shouldn't Happen To Me

8 - We Will Always Have Our Fears

9 - What You Got

10 - Working Band Blues

11 - Feel Fine

12 - Long Way From Home




"Tempest" (1976)

















 





quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Epizootic - Daybreak (1976)

 

Por que os anos 1970 é o melhor período do rock n’ roll em termos de qualidade sonora? Tudo bem, estimados leitores, que essa frase, essa pergunta tem um caráter de opinião, afinal há de ter outras pessoas que contestarão dizendo que os anos 1960 foram prolíficos ou ainda os anos 1980.

Mas é inegável que a década de 1970 deixou uma marca indelével para o rock n’ roll descortinando vertentes tão especiais para os nossos ouvidos e alma, como hard rock, rock progressivo, jazz rock, blues rock entre tantos outros.

A resposta? Era a capacidade de algumas grandes bandas de flertar, com grande facilidade, com várias vertentes sonoras em um álbum ou mais arrojadamente ainda, em uma música. Tantas nuances, tantas mudanças de ritmo que confesso me arrebatamento a cada audição desse tipo.

E aí eu preciso retomar a importância dessa década para o rock! Somente ela foi capaz de nos proporcionar esse momento singular. Os estilos estavam nascendo, eram embrionários, as doses de experimentalismo eram cavalares, não havia, ouso dizer, nomenclaturas identificando tais vertentes, não havia rótulos, nada.

As bandas ousavam, experimentavam, a criatividade era latente, não havia receios, medos, o que comandava as pretensões musicais era pura e simplesmente o amor pela música, a verdade que ela trazia personificadas nos músicos e primordialmente, a criatividade. A subserviência era por ela, sem preocupações com o mercado fonográfico.

E muitas dessas bandas padeceram pelo simples fato de não sucumbirem ao glamour e facilidades do sucesso comercial e suas músicas plásticas com prazo de validade. Não é à toa que essas muitas bandas caíram no limbo do esquecimento, nos escombros da obscuridade, mergulhadas em um fracasso comercial. Mas são únicas, singulares, importantes para um nicho de fãs que sempre apreciaram tais músicas de vanguarda.

Podemos elencar inúmeras bandas que se enquadram nessa condição, mas gostaria de falar de uma banda que conheci recentemente e que veio da sempre surpreendente Suécia chamada EPIZOOTIC e que, para variar, lançou apenas um álbum, em 1976, chamado “Daybreak”.

Epizootic

O nome da banda, meio doido, atípico, entrega, com seu álbum, uma sonoridade vivaz, cheia de recursos sonoros, que vai do peso do hard rock, a sofisticação do rock progressivo, a lisergia do psicodélico. Uma sonoridade arrojada, mesmo não apresentando nada de revolucionário surgia na segunda metade dos anos 1970 que estava despertando para o punk rock que, mesmo não gozando de tanta popularidade, estava atraindo olhares interessados da indústria, deixando de lado as bandas que privilegiavam uma sonoridade mais rebuscada e complexa.

As origens do Epizootic remontam de meados dos anos 1970 na cidade sueca de Gotemburgo, quando quatro garotos decidiram se juntar e formar uma banda de rock com viés sinfônico, cantando em inglês e com certas conotações pesadas, de hard rock. O desejo incondicional de jovens, ávidos por ganhar o mundo, era evidente na sonoridade do Epizootic. As letras em inglês, com a intenção de atingir o mercado externo, parece que tudo estava meticulosamente calculado para o sucesso ou será que tudo não passou de um sonho febril? Pois é, o desfecho parece revelar o segundo cenário.

“Daybreak” foi concebido de uma forma totalmente independente, por um selo que parecia pertencer aos próprios músicos, de nome “Fejl” e, apesar de ser um álbum com dez faixas complexas e arrojadas, nota-se clara falta de produção. Mas isso não parece ser nenhum demérito, pelo contrário, bandas e álbuns obscuros de “formato garageiras”, quando lançam trabalhos com essas características, passam a se um charme, algo que agrega a sua sonoridade.

Aqui cabe uma curiosidade referente ao nome da gravadora: “Fejl”. Tal termo é uma grafia sueca da palavra inglesa “fail” que significa “falha”, “falhar”. Sinceramente não conseguir interpretar o motivo pelo qual leva esse nome, mas, licenças poéticas à parte, talvez seja pelo fato do álbum não ter atingido o status de sucesso.

Não podemos negligenciar o fato de que “Daybreak” é um ambicioso trabalho, mesmo que "artesanal", por conta da produção. Ah são jovens e como tal querem ganhar o mundo, serem donos deles, custe o que custar. E não há como se render a essa crueza que entrelaça com uma complexidade e nos deixa um tanto quanto perdidos quando tentamos classificar uma sonoridade. Então, caros leitores amigos, esqueça as formalidades da nomenclatura e se deixe levar pelo som de Epizootic.

E como não apreciar essa “dúvida”: guitarra pesada, elementos de jazz fundamentado pelo tecladista e toques de música progressiva evidentes na flauta. O vocal, embora não seja um primor, dá o seu recado e mostra um trabalho de banda muito firme, coeso e complexo, porém orgânico. A formação que gravou “Daybreak” traz: Pär Ericsson nos vocais, baixo, flauta, Bengt Fischer na guitarra, Lars Liljegren no piano, sintetizadores e vocais e Lars Johansson na bateria e percussão.

“Daybreak” é um hard prog que lembra mais uma produção de porão do que uma gravação propriamente dita. Mas a música é poderosa e extremamente cativante e interessante, com excelentes ideias instrumentais, extremamente arrojadas, complexas e orgânicas. Um trabalho obscuro que merece reverências, que merece crédito pela sua sonoridade.

O álbum é inaugurado com a faixa “Epizootic”. Um som de águas agitadas no início, mas que logo irrompem em solos rápido e pesados de guitarra trazendo o prenúncio de um hard rock cadenciado com teclados em uma sequência animada, que volta a guitarra, com riffs duros, sombrios e agressivos. Segue com “Sunset, Emotion” que tem, mais uma vez, o destaque dos riffs pesados e solos curtos e diretos da guitarra. É igualmente cadenciado pelos teclados enérgicos e uma seção rítmica bem coesa, com bateria marcada e baixo pulsante. Mas o que mais estimula na faixa é a salutar “rivalidade” entre teclados e guitarra.

"Sunset, Emotion"

“Eye Ball” os teclados inauguram a faixa e remete a uma pegada mais progressiva sinfônica aliada ao hard rock que se mostra presente do início ao fim do álbum. O vocal é mais rasgado, direto. Os riffs de guitarra são destaque e traz uma textura mais pesada e suja à música. E a doce “rivalidade” entre a guitarra e o teclado, mais uma vez, ganha destaque também e no meio termo, o baixo fica mais galopante ainda. “Fantacy” começa mais branda, mais leve. Dedilhados de guitarra e vocais mais doces trazem uma balada, com momentos mais pesados protagonizados por riffs de guitarra e assim vai alternando com um solo mais elaborado da guitarra no meio.

"Eye Ball"

O álbum segue com a faixa título, “Daybreak”, instrumental, ganha, mais uma vez, protagonismo a guitarra. Solos pesados, arrastados, em alguns momentos, e outros com uma pegada hard blues, tendo a “cozinha” dando uma textura mais bluesy também, sem deixar de lado, o agora discreto teclado. “What Mercy is This” já começa intensa, pesada! Os riffs de guitarra são pesados, agressivos, mas que ficam cadenciados com a bateria, cheia de groove e o baixo vívido e igualmente pesado. É extremamente animado a “batalha” entre os solos de guitarra e os teclados.

"What Mercy is This"

“Indian Reservation” começa introspectiva, contemplativa. Os dedilhados de guitarra reaparecem. Os vocais sussurrados, mas o peso já assume a dianteira da música. Bateria agressiva, os pratos parecem fazer a música levitar. Os teclados tocados com uma energia incrível, o baixo é esmurrado! Todo esse roteiro pesado logo devolve o posto para o ambiente anterior, de balada, com flautas. Repleta de recursos sonoros, de mudanças rítmicas. “Pictures of an Ordinary Life” começa pesado. A bateria dá o tom, o ritmo com os teclados em uma pegada sinfônica, mas descamba para uma sonoridade curiosamente radiofônica, meio dançante, inclusive. As flautas aparecem ao estilo Jethro Tull, com vivacidade. Mais uma faixa cheia de mudanças rítmicas mostrando a versatilidade da banda.

"Indian Reservation"

A penúltima faixa se chama “Pluto” que inicia curiosamente com um riffs que me remeteu ao heavy metal, pesado e rápido! O típico, porém, ousado, hard rock com uma evidente pegada heavy metal que ainda era embrionário. Mas as ousadias do Epizootic não param por aí. O peso inaugural dá lugar, mais uma vez, a flauta que, juntamente com a seção rítmica entrega um groove, algo dançante, mas que logo dá lugar ao peso capitaneado pela guitarra. E fecha com “Sinbad” já começa revelando o que foi o álbum: riffs agressivos de guitarra “rivalizando” com o teclado. Mas essa música retrata também o que foi o álbum na reta final: músicas pesadas e muito mais agressivas.

"Sinbad"

Embora o Epizootic não tenha atingido o sucesso comercial o seu único álbum ganhou “nove estrelas”, uma classificação de raridade na "Enciclopédia da Música Progressiva Sueca". São esses fatos que fazem de determinadas bandas e álbuns atingiram o status de “cult”, ou seja, um nome bonitinho para esquecemos de você no passado e envergonhados decidimos atribuir um status de importância para você.

E falando em sucessos e fracassos, após a experiência curta e precoce com o Epizootic o vocalista e baixista Pär Ericson e o guitarrista Bengt Fischer alcançaria o sucesso com a famosa banda de heavy metal EF Band, durante os anos 1980, quando se mudaram para o Reino Unido, gravando uma boa quantidade de álbuns. Infelizmente, em 2001 Fischer morreria devido a complicações com o câncer. O pianista Lars Liljegren mais tarde tocaria com Ragnarök e Triangulus. 

Além, claro, do lançamento original de "Daybreak", em 1976, pelo selo sueco, dos próprio músicos, Fejl, há alguns poucos relançamentos, como um de 1999, no formato CD, na Alemanha provavelmente não oficial e outro, no formato LP, pelo selo germânico "Long Hair", de 2020. O fato é se tratar de um clássico obscuro!





A banda:

Pär Ericsson nos vocais, baixo, flauta

Bengt Fischer na guitarra

Lars Liljegren no piano, sintetizadores e vocal

Lars Johansson na bateria e percussão

 

Faixas:

1 - Epizootic

2 - Sunset, Emotion

3 - Eye Ball

4 - Fantacy

5 - Daybreak

6 - What Mercy is This

7 - Indian Reservation

8 - Pictures of an Ordinary Life

9 - Pluto

10 - Sinbad



"Daybreak" (1976)




 



 

















 


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Plus (Argentina) - No Pisar El Infinito (1976)

 

Amigos leitores hoje finalmente irei reparar um erro, que considero deveras grave, deste blog: esquecer das bandas argentinas! E não se enganem não foi reflexo de rivalidades futebolísticas ou coisa que o valha, mas talvez a falta da devida oportunidade, até pelo fato de ser ainda um blog jovem e que tem muito a progredir.

É sabido que a cena rock argentina é extremamente diversa, no que tange às vertentes sonoras, sobretudo nos anos 1970: prog rock, hard rock são os estilos mais difundidos pelas bandas e com essa prolífica qualidade, as cenas corroboram, com um público ávido em consumir esse produto desde sempre.

E a banda de hoje representou com extrema fidelidade e competência a cena pesada do rock n’ roll argentino e felizmente e finalmente escreverei algumas linhas acerca dessa seminal e pouco difundida banda. Falo do PLUS.

Plus

O nome é mais do que sugestivo para essa banda que soube honrar, com a sua curta, porém efusiva discografia, a cena hard rock sul americana, com particularidades bem visíveis, bem sentidas em sua sonoridade, a tal da latinidade é peculiar.

Mas como aqui cabe um pouco de história, falemos dos primórdios do Plus. O embrião da banda surgiu, como sempre costuma ser, da dissolução de outra banda, a “Escarcha. Três de seus integrantes, Julio Sáez, guitarrista, Hugo Racca, baixista e Cacho D’Aria, baterista, juntaram-se a Saúl Blanch, vocalista, para formar o Plus, isso em 1975.

O Plus surgiu em um momento convulsivo na política argentina, pouco antes do golpe de Estado, onde o país cairia nas mãos da ditadura militar, tirando Isabel Perón do poder, em 24 de março de 1976 chefiada pelo Tenente General Jorge Rafael Videla, Almirante Emilio Massera e o Brigadeiro General Orlando Ramón Agosti.

Um período de repressão se instauraria na Argentina e, claro, algumas expressões ou manifestações contraculturais seriam alvos de ataques e censuras e o Plus, bem como toda a cena rock, sofreria com esses reveses, tendo poucas ofertas de shows e incentivo por parte de gravadoras que, com medo, evitaria contratar e/ou financiar os “famosos subversivos” ou “hippies” que poderiam colocar à prova a harmonia do governo opressor.

E foi exatamente no turbulento ano de 1976 que o Plus lançaria seu debut intitulado “No Pisar el Infinito”, alvo de minha resenha de hoje. A Plus representaria, além dos entraves de falta de oferta de shows, o rock alternativo, cuja cena abundava em bandas progressivas, de jazz rock, fusion etc, sendo uma das principais bandas de seu estilo, juntamente com bandas do naipe de El Reloj e Vox Dei.

Essa era efetivamente a intenção quando da transição do Escarcha para o Plus. Era criar um projeto que privilegiasse a pegada de clássicas e medalhonas bandas do estilo espalhadas pelo mundo, tais como: Deep Purple e Led Zeppelin. Não sou um entusiasta das comparações, mas é inegável que o Plus traz essas inspirações em seu álbum de estreia.

“No Pisar el Infinito” foi gravado no Film Records Studios entre 20 de julho e 4 de outubro de 1976 e lançado pela “TK Discos” de uma forma quase que “artesanal”, sem um grande orçamento e também não teve o devido apoio quando a banda seguiu em turnê.

Porém mesmo com as baixas ofertas para se apresentar devido ao opressor cenário político com a censura militar, a banda conseguiu realizar alguns shows e se mostrou bastante enérgica em palco, afinal, a sua música ajuda e muito para essa condição.

O público curtiu muito “No Pisar el Infinito”, a banda, a cada show, pelo menos os poucos que teve, ganhava experiência, uma consistência e uma sinergia incrível. O álbum é primordialmente calcado no típico, porém indefectível, hard rock setentista, cru, com levadas latinas bem peculiares, sendo agressivo, pesado, mas cadenciado e radiofônico em algumas faixas. A formação do Plus para este álbum tinha: Julio Saéz na guitarra e vocal, Saúl Blanch no vocal, Hugo Racca no baixo e vocal e Horácio D'Arias na bateria.

O álbum é inaugurado com a faixa monstruosa de “Noches de Rock and Roll” que já introduz como um soco na jugular com riffs pesados de guitarra, baixo pulsante e bateria em uma batida agressiva e pesada. É um “exemplar” não apenas de hard rock, mas é perceptível o peso mais voltado para o heavy metal. A seção rítmica traz o groove, a guitarra o peso e vocal engloba tudo sendo alto e gritado. Abre o álbum dizendo a que veio e representando a sua proposta devidamente.

"Noches de Rock and Roll"

“Tomame como Soy” é mais cadenciada, suja, traz à lembrança “Master of Reality”, do Black Sabbath, diria sem medo, apesar de não ser tão taxativo, afinal essas percepções são muito particulares. O vocal soa mais melódico, mais bem trabalhado juntamente com os backing vocals. Os riffs de guitarra continuam sendo destaque juntamente com os seus solos, apesar de simples, mas diretos.

"Tomame como Soy"

“Ya Tenés por quién Luchar” muda o “humor”, o ambiente do álbum, com uma linda balada, com um lindo vocal, bem mais melódico do que faixa anterior, algo meio dramático, emocional, com um violão ao fundo, mas logo entra a seção rítmica que deixa a música mais agitada, mas que não foge à sua proposta.

"Ya Tenés por Quién Luchar"

A sequência traz “La Chance Sutil” retorna ao hard rock com a rápida introdução de bateria que abre para riffs de guitarra pegajosos e baixo mais pesado, além de pulsante. O vocal, melódico, implementa um alcance maior. Um hard rock mais ao estilo Purple e Rainbow.

"La Chance Sutil"

“Hablan de Tiempos Mejores”, com seus vinte segundos, abre com um trabalho vocal que abre para a sequência com a faixa “El Mago del Tiempo” que traz o habitual peso do álbum, com uma pegada latina e meio psicodélica que traz à memória Carlos Santana, mas mais eletrificado, com os riffs de guitarra pesados e dançantes. O mais legal é ouvir os bongôs com os solos de guitarra. Convergem maravilhosamente, apesar de atípicos.

“Lo Único que Es” é melancólico, é sombria. O violão dedilhado na introdução que traz essa nítida percepção da música, logo irrompe em uma explosão hard rock e o vocal logo se transforma, sendo gritado, esgoelado. A seção rítmica, a “cozinha” ganha, mais uma vez, destaque, entregando groove, vida à faixa.

"Lo Único que Es"

“Occúltame Hermano” traz de volta aquela sensação de uma música arrastada, algo relacionado ao doom, ao Sabbath dos primórdios. É uma faixa com a guitarra suja, que me remete ao occult rock do início dos anos 1970, a bateria marcada, bem executada. Definitivamente uma das melhores e mais versáteis do álbum.

"Occúltame Hermano"

E fecha com a faixa “Zapada Final” e não poderia fechar melhor. O retorno do hard rock típico extremamente pesado. A bateria é indulgente, arrogante, pesada e os riffs de guitarra muito agressivos. A música segue em uma velocidade incrível e lembra um heavy rock de vanguarda que entraria em qualquer álbum de uma banda de heavy metal oitentista. Exemplar perfeito do hard rock!

"Zapada Final"

As apresentações ao vivo, o impacto midiático de “No Pisar el Infinito” e o antigo, mas eficaz, trabalho de boca a boca dos novos fãs, rendeu um contrato com o RCA e o Plus para lançamento do seu segundo álbum, em 1978, simplesmente chamado de “Plus”. Ele foi renomeado pelos fãs com o nome de "Melancholic Girl", por causa de uma música que contém mais de onze minutos de duração. Neste trabalho participaram Celeste Carballo nos corais e o violinista Fernando Suárez Paz, do Quinteto Astor Piazolla.

Mas essa segunda tentativa não foi tão eficaz e o sucesso que a banda adquiriu, a duras penas, diminuiu drasticamente. Chegaram a fazer uma turnê razoavelmente grande pela América do Sul, com destaque na Colômbia, e quando já tinham um contrato novo com a gravadora “Tonodisc” para gravar o terceiro álbum intitulado “Escuela de Rock n’ Roll”, já em 1981, as diferenças internas, as brigas tornaram a vida do Plus insustentável, inclusive o guitarrista Julio Saéz tinha saído antes da gravação deste álbum, entrando em seu lugar León Vanella. A separação definitiva do Plus aconteceria um ano após o lançamento do terceiro álbum, em 1982.

"Escuela de Rock and Roll (1981)

Saéz, o baixista Hugo Racca e o baterista Cacho D’Arias posteriormente se juntaria a uma banda de nome “Dr. Silva”, do tenista Guillermo Vilas, que admirava a sonoridade do Plus. De todos os integrantes do Plus o único que conseguiu algum êxito comercial foi o vocalista Saul Blanch que se tornou com quem o Rata Blanca gravou seu primeiro álbum autointitulado, em 1988.

Hugo Racca morreu em 1988 e Julio Saéz se tornou, após a separação de Patrício Rey y Sus Redonditos da Ricota, empresário e guitarrista de Indio Solari. Em 2016 morreria o baterista Cacho D’Arias. Em 2011 o álbum “No Pisar El Infinito” foi relançado e remasterizado com duas faixas adicionais: “A Thousand Options” e “Hoy Te Wonderas”.

Um álbum monstruoso e obrigatório para qualquer fã das obscuridades do hard rock progressivo dos anos 1970. Este vai surpreender até mesmo aqueles que não são tão afeitos à música pesada. Altamente recomendado!




A banda:

Julio Sáez na guitarra e vocal

Horacio Darías na bateria

Saúl Blanch no vocal

Hugo Racca no baixo e vocal

 

Faixas:

1 - Noches de Rock and Roll

2 - Tomame Como Soy

3 - Ya Tenés por Quien Luchar

4 - La Chance Sutil

5 - Hablan de Tiempos Mejores

6 - El Mago del Tiempo

7 - Lo Unico Que Es

8 - Ocúltame Hermano

9 - Zapada Final


"No Pisar El Infinito" (1976)


































quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Joker's Memory - Joker's Memory (1976)

 

Quando falamos em uma banda rara e obscura, não se enganem, amigos leitores, não traz e não deve trazer, em hipótese alguma, a percepção de falta de qualidade, de algo ruim.

Quando falamos em banda que não atingiu sucesso e automaticamente associamos a também falta de qualidade, não se enganem também, não é porque a mesma é ruim. É só a ausência do sucesso comercial, que deve ser dissociado da qualidade.

É sabido que o conceito de qualidade é subjetivo, depende de quem “consome o produto”, mas essa máxima, carregada de estereótipo e visões pré-concebidas, não devem, penso, ser levadas em consideração sempre e servir como parâmetro de concepção de qualidade ou coisa que valha.

Mas na música e na arte como um todo devemos “carimbar” um padrão de qualidade, algo pré-determinado, algo definido por um “distinto” e magnânimo grupo seleto que foram escolhidos, sabe-se lá por quem, para escolher o que é melhor para todos?

A arte não pode ser concebida e entendida dessa forma. Ela é viva e latente e ela satisfaz ou deve satisfazer a todos da forma que cada um achar conveniente. E com a música, uma particular forma de arte, não foge à regra.

Mesmo que bandas sejam obscuras ou que, por algum motivo, não atingiu êxito comercial, podem sim promover grandes feitos sonoros e o único entrave, além do vilipêndio da indústria fonográfica, são os parcos recursos tecnológicos de que goza por conta exatamente desse ostracismo por parte dos executivos das grandes gravadoras.

E, mais uma vez, não se enganem amigos, mesmo diante dos poucos recursos a seu favor bandas conseguem, à duras penas, na base da persistência e amor à música, gravar seus álbuns, independente das péssimas e adversas condições de produção.

Essa é a diferença das bandas que imprimem as suas verdades aos seus trabalhos, que deixam aflorar as manifestações criativas e a essas se rendem magistralmente, onde mesmo diante das dificuldades produzem grandes obras.

E perante a tudo que produzi nessas linhas eu preciso falar de uma banda que muito pouco se sabe, essa é verdadeiramente uma banda que podemos dizer que é obscura, rara ao extremo, mas que aqui, neste reles e humilde blog, merece a luz, a luz ao seu exuberante rock progressivo sinfônico.

A banda que me refiro é a JOKER’S MEMORY. Banda sediada na cidade de Ottawa, capital do Canadá, gravou apenas um álbum, homônimo, em 1976 e simplesmente desapareceu sem deixar rastros. Há fontes, poucas, diga-se de passagem, que dizem que o álbum fora lançado em1975. Teria sido gravado entre agosto de 1975 e janeiro de 1976. Não há registro de fotos, de imagens da banda atuando em estúdio, absolutamente nada, o que impõe a sua condição de obscura e rara.

O álbum, que contém apenas uma faixa de vinte minutos no total, é dividida em três partes, cujos nomes das músicas trazem o nome da banda, como: “A Joker’s Memory Part One”, “A Joker’s Memory Part Two” e “A Joker’s Memory Part Three”.

A faixa, a música foi escrita e arranjada por James Arthur Holt e Christopher Arthur Ellis, sendo concebido no estúdio “MARC”, em Ottawa. Este último, Chris Ellis, era da banda sendo o pianista, o técnico e o engenheiro de som.

A arte da capa, linda, por sinal, trazendo uma figura um tanto quanto primitiva e que, me perdoem a licença poética, me remete a uma figura que pensa, reflete ao estilo “O Pensador”, de Claude Monet e que talvez explique o nome da banda: “A memória do palhaço” ou “A memória do coringa”.

A arte apresenta uma pasta na capa e na contracapa, com uma tiragem mínima, de cerca de 100 cópias, pasmem! Vejam o tamanho da obscuridade dessa banda que produziu um álbum quase que artesanalmente e que hoje certamente se tornou um artigo de luxo, de colecionador e que deve valer uma fábula de dinheiro.

O projeto de “Joker’s Memory” é do baterista Steve Hollingworth, oriundo de Ottawa. A banda, numerosa, era formada por: Steve Hollingworth na bateria, percussão, sinos e vocal, Peter Fredette no baixo e vocal, Dave Binder na guitarra, Brian Sim na guitarra e vocal, Chris Ellis no piano, órgão elétrico e sintetizadores, Floyd Bell no vocal, Joey Hollingworth no vocal, Jim Ounsworth no backing vocal e Jim Holt também no vocal.

“Joker’s Memory” foi um trabalho majoritariamente de rock progressivo sinfônico com passagens comerciais denunciadas principalmente por vocais melódicos e melodiosos que vagam pelo rock clássico e o soft rock.

“Joker’s Memory Part One” inaugura com a predominância dos teclados e piano, com um forte viés do progressivo sinfônico, bem como comercial, algo acessível, mas de qualidade superior, primando pelo instrumental, com discretas passagens de guitarra, com apenas alguns dedilhados que me trazem à recordação um folk music e um vocal extremamente melódico. A música trafega em mudanças de ritmo, com boas e simples variações tendo sempre o sinfônico como o carro-chefe.

"Joker's Memory Part One"

"Joker’s Memory Part Two” começa mais intenso com guitarras mais vívidas e intensas, mas ainda com discretos riffs com a companhia de baterias mais secas e batidas igualmente fortes e marcadas, tendo ainda a presença do piano que traz uma textura mais evidente de um soft rock com passagens de folk rock também, evidenciando, diria, algo mais psych com viés radiofônico.

"Joker's Memory Part Two"

“Joker’s Memory Part Three” traz um vocal bem melódico e dramático quase que à capela, apenas acompanhado por delicado piano em uma concepção acústica e de atmosfera psicodélica, mas pouco experimental. O vocal vai ficando mais intenso e descortina um solo de teclado viajante denunciando a sua faceta sinfônica.

"Joker's Memory Part Three"

“Joker’s Memory” lamentavelmente não conta com uma boa produção, soa um pouco “abafado”, mas que, em momento algum denuncia a má qualidade na música, pelo contrário. Um som cativante, solar, introspectivo e sombrio, às vezes, e assim trafega em vários aspectos que vai do soft rock, ao prog rock e a rock psych.

A obscuridade merece luz, o rock obscuro precisa sair do ostracismo e ganhar vida, alçar voos e pousar nos nossos ouvidos, corações e almas e o trabalho abnegados de seus apreciadores são preponderantes para essas movimentações ganhando corpo, substância e barreiras como o estereótipo e intolerância a questões “técnicas” como produção e sucesso comercial e deixar a arte falar por si só em suas várias encarnações.




A banda:

Steve Hollingworth na bateria, percussão, sinos, vocal

Peter Fredette no baixo, vocal

Dave Binder na guitarra

Brian Sim na guitarra, vocal

Chris Ellis no piano, órgão elétrico, sintetizadores

Floyd Bell no vocal

Joey hollingworth no vocal

Jim Ounsworth no backing vocal

Jim Holt no vocal

 

Faixas:

1 – Joker’s Memory Part One

2 – Joker’s Memory Part Two

3 – Joker Memory Part Three


Para ouvir o álbum na íntegra acesse aqui!