Mostrando postagens com marcador Occult Rock. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Occult Rock. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de junho de 2025

Witchwood - Litanies From The Woods (2015)

 

Atualmente falar que a cena italiana de rock progressivo e também de outras vertentes expandiu de uma forma quantitativa e qualitativa não é novidade para ninguém. Mas não podemos, ainda assim, deixar de falar o quanto os italianos vivem e respiram a cena como uma manifestação cultural, como de fato o é.

É inacreditável a quantidade de bandas que povoam os palcos italianos que vem produzindo músicas, não emulando às bandas dos anos 1970, mas fazendo, de forma arrojada, a sua própria música, contemporânea, com o frescor dos novos tempos, sem se seduzir com o glamour pasteurizado do mainstream e sim, nada menos do que homenageando as bandas que desbravaram a música progressiva dos primórdios anos setentistas.

Nos últimos 30 anos um boom avassalador está impactando as estruturas sonoras do rock italiano construindo uma nova perspectiva de som, trazendo as boas novas de cada ano mágico que o rock italiano tem. Há vida pulsando no hard rock e progressivo da Itália, não há um passado ultrapassado e carcomido.

Diante de uma cena interessada e ávida por consumir a música progressiva a oferta, mesclada a um impacto de criatividade, se faz presente, fomentando, inclusive, o ressurgimento de muitas bandas clássicas e obscuras que a tempos hibernava no berço da sua história, a produzir material novo.

O flerte do passado e o futuro é notório e se entrelaçam em uma cena plena e latente, fazendo do prog italiano uma realidade viva e intensa. Tenho, com fiel atenção, acompanhado esse fenômeno que está longe de ser efêmero e conhecendo grandes bandas que definitivamente está ganhando, não apenas a minha audiência, mas a dos italianos e do mundo.

E uma banda que sempre quis escrever sobre, e eis que foi chegada a hora, personifica, com requintes de originalidade, essa cena. Falo do WITCHWOOD. A banda, com sua sonoridade, abraça a vários apreciadores do hard rock, do rock progressivo, do psych rock e até mesmo do heavy metal, fazendo de sua música uma salada sonora improvável e singular e convincente.

Witchwood

O Witchwood nasceu das cinzas da banda de hard rock Buttered Bacon Biscuits, um nome curioso, que lançou um trabalho, em 2009, chamado “From the Solitary Woods”, pelo emblemático selo Black Widow e relançado pela Jolly Records também no formato LP. O álbum pode ser ouvido aqui!

The Buttered Bacon Biscuits foi uma banda baseada na cidade de Faenza, localidade em uma área chamada Romagna e esteve ativa entre 2008 e 2013 com um estilo enraizado nos anos 1970, tendo uma pegada psicodélica, de hard rock e uma discreta pitada de rock progressivo. Foram ativos em apresentações ao vivo, mostrando-se intenso e enérgico, mas mesmo com o álbum lançado e uma razoável reputação criada, a banda não durou por muito tempo, finalizando as suas atividades em 2014.

"From The Solitary Woods" (2009)

Com o final da banda, ainda no ano de 2014 surgiria o Witchwood, um quinteto que traria três músicos do Buttered Bacon Biscuits, Rick (Riccardo) Dal Pane, nos vocais, guitarras, bandolim e percussão, Stefano Olivi no hammond, piano e sintetizador e Andrea Palli, na bateria e percussão, juntamente com Samuele Tesori, na flauta e gaita e Luca Celotti no baixo.

Em 2015, o Witchwood lançaria o seu interessante e diria, sem medo de errar, épico, álbum de estreia chamado” Litanies from the Woods”, pelo selo independente “Jolly Roger Records”, alvo de meu texto hoje. E nada melhor para falar de uma nova e grande banda, pelo seu debut, pois é por ele, que entendemos a sua importância, o seu real desenho sonoro que alia o glorioso passado do rock italiano com vistas ao futuro.

“Litanies from the Woods” consegue, de forma magistral, mesclar hard rock, progressivo, psicodelia e até mesmo algo de Southern rock, além de pegadas blueseiras, adicionando sons vintages e atmosferas sombrias, obscuras do occult rock dos anos 1970. Mas não se enganem, caros leitores, que se restringe o som do Witchwood a reminiscências dos anos setentistas, trazendo um frescor, uma música contemporânea solar e acessível aos ouvidos mais exigentes e iniciantes, fazendo da banda extremamente competente e versátil sonoramente falando. E assim construíram, sobretudo em seu álbum inaugural, a sua personalidade.

E essa mistura de gêneros e estilos se deu graças a experiência da maioria de seus músicos em outras bandas e também a história que a maioria tiveram juntos em outras jornadas sonoras em outros projetos. Os caras se conhecem, sabem de seus defeitos e qualidades e essas coisas “orgânicas” trazem a verdade do Witchwood em seu debut.

“Litanies from the Woods” é inaugurado com a faixa “Prelude/Liar”, onde a “Prelude” introduz, com uma curta introdução, de guitarra elétrica, mas que logo irrompe com a cáustica “Liar”, com peso de riffs de guitarra que clama por uma “cozinha” bem ritmada e igualmente pesada, com passagens mais acústicas capitaneado pela flauta. A letra fala de uma reclamação sincera e urgente contra um mundo onde as aparências são mais importantes que os valores reais e a democracia não passam de uma ilusão criada por políticos cínicos, um mundo onde as mentiras da mídia escondem os pecados mais sujos e onde os sonhos enchem os túmulos.

"Prelude/Liar"

Na sequência tem “A Place for the Sun” começa introspectiva com sons sombrios de teclados, mas logo ganha energia com a bateria forte, marcada e uma flauta tocada a plenos pulmões ao estilo Jethro Tull, logo surgem os riffs poderosos de guitarra, vocais rasgados e, entre passagens pesadas e mais discretas percebe-se a grandiosidade da faixa, cheia de recursos rítmicos. A letra evoca o poder catártico da música e nos convida a viver dia após dia para enfrentar as adversidades da vida, sempre buscando o lugar escondido em sua alma onde o sol sempre brilha.

"A Place for the Sun" (Official Videoclip)

“Rainbow Highway” traz o protótipo do rock com uma “queda” para os anos 1990, com uma veia mais comercial, riffs de guitarra dançante, baixo pulsante, bateria pesada e solar, teclados dando uma textura radiofônica. Os vocais são apaixonados, melódicos. Faixa animada! A letra denuncia o desejo de liberdade e aventura de um garoto que cresceu em uma cidade pequena, cercado por tédio e velhas tradições. Evoca o sonho de uma vida sem regras, um desejo de liberdade absoluta, um passeio fantástico nos ombros de um demônio do arco-íris para sentir o vento soprando livre e selvagem por todo lado.

"Rainbow Highway" (Live at KFZ, Marburg)

“The Golden King” os caras reduzem as coisas, é uma balada rock e a introdução meio tribal, com a percussão e os teclados juntos, essa “paixão”, essa volúpia sonora é amenizada. O vocal sussurrado corrobora essa condição. A letra fala de uma caravana vinda de um planeta distante, navegando por céus infinitos.

"The Golden King"

A próxima faixa é “Shade of Grey” que abre complexa, com uma guitarra intrincada, enquanto vocais reservados, até discretos se fundem, tendo, inclusive, vocais femininos ajudando nessa faixa. Temos a presença de bandolim e flauta, antes de começar a esquentar, mas se acalma de volta, tornando-a ainda mais contemplativa e pastoral. É sombria e até mesmo assustadora. A letra evoca uma atmosfera gótica e uma criatura inquietante de um mundo oculto se movendo pela floresta.

"Shade of Grey"

A próxima música é outra balada, mais acessível, chamada “The World Behind Your Eyes” com vocais relaxados, violões delicadamente dedilhados, até que entra em ação após os dois minutos e esses contrates continuarão. Essa música é dedicada a Laura, musa do vocalista Rick Del Pane.

"The World Behind Your Eyes"

“Farewellt to the Ocean Boulevard” é a mais longa e complexa. Uma faixa instrumental longa, com pouco mais de quinze minutos de duração, que mostra toda a capacidade instrumental da banda, com músicos competentes e criativos. Começa com um violão dedilhado enquanto a flauta se junta, com um som completo. Um solo de guitarra agradável chega, com teclados mais a frente vem à tona, permanecendo relaxada a faixa, contemplativa, inclusive, juntamente com a flauta e gaita, mas logo a guitarra “ilumina” a música com força e intensidade. Diria, sem medo, que é épica!

"Farewell to the Ocean Boulevard"

“Song of Freedom” apresenta, no início, bandolim e gaita, enquanto os vocais se juntam, forte, imperioso, com alguma percussão. Torna-se mais pesado em torno dos dois minutos de música. Um hard típico irrompe a faixa, mas esses contrastes continuarão até o fim. A letra fala da celebração da vida na estrada, a canção de um viajante apaixonado por sua doce liberdade.

"Song of Freedom"

E fecha com outra faixa muito interessante, “Handfull of Stars”, cheia de mudanças rítmicas caracterizando um hard prog. Trata-se de uma suíte dividida em três partes e que lembra aquelas histórias de terror de HP Lovecraft (sou um leitor assíduo) e que lida com sonhos assustadores e perigosos, diz a letra. Na primeira parte, “The Gates of Slumber” a letra fala da imagem de um sonhador perdido em seu quarto com planetas flutuantes ao redor, enquanto as estrelas enchem sua mente e coração. Ele cai em um abismo atemporal de sonhos sombrios que a música evocativa das próximas duas partes instrumentais, "Nox Erat..." (Era noite) e "Epilogue: Litanies For A Starless Night", deixa sua imaginação livre para construir.   Riffs poderosos de guitarra e teclados sombrios “temperam” a música de um occult rock voluptuoso, além de vocais expressivos e poderosos.

"Handfull of Stars" (Official Videoclip)

Um trabalho engenhoso, com frescor, com traços evidentes de contemporaneidade, com a urgência da perpetuação, em dias atuais, do passado glorioso do rock progressivo italiano dos anos 1970.

O trabalho de estúdio, de composição, de juntar os fragmentos concebidos em momentos de pura liberdade criativa, faz desse primeiro trabalho do Witchwood uma peça de arte que nos remente ao passado com olhares para um futuro não promissor, mas real, latente, de uma cena que não desiste de se reinventar, de mostrar que é forte e que está viva.

O rock n’ roll não está morto. Morto está aquele que não se desprende do passado, sujeitando-se aos encantos mortais da zona de conforto. O Witchwood é a prova cabal de que há vida e que pulsa.

O Witchwood lançaria o ótimo “Handful of Stars”, em 2016 e mais tarde, em 2020 “Before the Winter”, com uma roupagem mais direta, com um hard rock mais visceral e sem firulas. Embora a discografia da banda seja pequena, é gigantesca em termos de qualidade e que, no auge de seus quase 10 anos de vida, possa trazer ao mundo novos rebentos sonoros para o nosso deleite.

A gravadora Jolly Roger Records relançaria “Litanies from the Woods” várias outras vezes, seja no formato CD, como no formato LP, em toda a Itália, entre 2015 e 2019. Não ficaria restrito apenas no país de origem do Witchwood, mas também em vários países da Europa, inclusive na Rússia. Perpetuando um “jovem clássico” do rock italiano.





A banda:

Riccardo "Ricky" Dal Pane: vocal principal, vocal de apoio, guitarra elétrica, slide guitar, violão, bandolim, percussão

Stefano "Steve" Olivi: Hammond C100, Leslie 760, Moog Voyager, piano

Andrea Palli: bateria, percussão

Samuele Tesori: flauta, gaita

Luca Celotti: baixo

 

Faixas:

1 - Prelude / Liar

2 - A Place for the Sun

3 - Rainbow Highway

4 - The Golden King

5 - Shade of Grey

6 - The World Behind Your Eyes

7 - Farewell to the Ocean Boulevard

8 - Song of Freedom

9 - Handful of Stars



"Litanies from the Woods" (2015)


 






 





























sexta-feira, 28 de março de 2025

The Ghost - When You’re Dead – One Second (1970)

 

Quando você lembra da cidade fabril britânica de Birmingham de quais bandas você lembra quase que forma imediata? Claro que o Black Sabbath em primeiro lugar e logo depois o Judas Priest! Bandas que são sinônimos de música pesada, os primórdios do heavy metal.

Mas não se enganem, estimados leitores, a cena desta cidade na Inglaterra não se resume à música pesada dos precursores e famosos Sabbath e Priest, se estendendo a uma rica e diversificada vertente sonora que vai do progressivo ao folk rock.

Evidente que a esmagadora maioria estão no submundo de sua existência, povoando a obscuridade, tendo uma efêmera vida, mas que, como cometas, passaram, causaram algum impacto e sumiram, algumas sem dar vestígios.

A minha caminhada pelo desbravar da música obscura e suas bandas tem me proporcionado a descoberta de algumas pérolas e, quando o blog foi concebido, a explosão se deu, pois, a sua essência é trazer as histórias das bandas marginalizadas pela indústria e seus audaciosos álbuns e isso é motivo de um arrebatamento impressionante, trazendo luz e realidade a cenas que jamais pensei ter um tamanho quase que descomunal.

E uma banda que conheci, há alguns anos atrás, me trouxe, diria descortinou diante da minha retina, um lado da cena rock de Birmingham que jamais esperava que fosse existir: THE GHOST.

Aos aficionados pela música rara e obscura o The Ghost talvez não esteja no patamar de uma banda rara, totalmente desconhecida, porém ainda é inegável dizer que esta banda, principalmente comparando-a aos icônicos filhos da terra, como Sabbath e Priest, esteja em uma condição de underground inclusive de sua cidade natal, quiçá do mundo.

The Ghost

Mas, a meu ver, acredito ser o mais relevante, quando se fala do The Ghost, não seja tanto o “nível” de sua obscuridade e sim a sua sonoridade, que se dispersa totalmente do óbvio que se praticava à época naquela cidade na segunda metade dos anos 1960 e início dos anos 1970. Um som híbrido que trafega no hard rock com pitadas lisérgicas, um progressivo de vanguarda, com a predominância do órgão, a onipresença dos sintetizadores que traz uma versão folk sombria, arrastada e soturna.

Uma “sopa” sonora que tem como pilar o rock psicodélico, mas nada muito experimental, pois traz exatamente o peso, por vez, visceral de riffs de guitarra, de vocais gritados e “cozinha” rítmica enérgica e animada. Nome do álbum: “When You’re Dead – One Second”, de 1970. O único, inclusive! Mas antes de entrar mais detalhadamente na história do álbum, falemos, um pouco mais, do The Ghost e seus primórdios.

O núcleo do The Ghost se formou, em 1969, em torno do ex-guitarrista do Velvet Fogg, Paul Eastment, que era primo de nada menos que Tonny Iommy, guitarrista do Black Sabbath, Charlie Grima, na bateria, Terry Guy, no órgão, piano e vocal e Daniel McGuire, no baixo e vocal. Entrando, um pouco mais tarde a multi-instrumentista e vocalista Shirley Kent. Eis a formação do The Ghost que, quando surgiu, se chamava “Holy Spirit” que, por razões óbvias, decidiram encurtar.

Quando Shirley se reuniu à banda, ainda em 1969, lançaram seu primeiro single, seguido por uma produção completa ainda naquele ano, mais precisamente no final daquele ano. Assim ganharia o mundo o “When You’re Dead – One Second”.

Antes de Shirley Kent ingressar na banda, o The Ghost tocava uma espécie de blues rock em pequenas casas de shows, tendo na figura de Kent a importância na nova concepção sonora que culminou no seu único rebento, que, embora tenho sido finalizado em 1969, foi lançado oficialmente em janeiro de 1970, pelo selo Gemini. Em 1971 o álbum foi lançado no Reino Unido e na Espanha pelos selos Exit / Ekipo Records, respectivamente.

Shirley já gozava de algum reconhecimento na cena musical e havia gravado, em 1966, duas faixas para um EP, “The Master Singers And Shirley Kent Sing For Charec 67 (Keele University 103)”, além de Eastment, o guitarrista, que havia tocado, também pelos idos de 1966, no Velvett Fogg.

Já que mencionei o Velvett Fogg, não podemos negligenciar sua interessante, porém curta história, onde além do Paul Eastment, que fundou o projeto, contou, em seu line-up com Tony Iommi, seu primo, mesmo que tenha sido em apenas um show e o tecladista Frank Wilson que se juntaria ao Warhorse.

A banda lançaria o seu álbum autointitulado, em janeiro de 1969, pelo selo Pye, com uma capa deliciosamente escandalosa, onde a banda estava fotografada juntamente com duas modelos com os seios nus, disfarçados de uma obra de pintura corporal. Será que em dias atuais ela seria “cancelada” pelos pseudo conservadores da internet.

"Velvet Fogg" (1969)

Embora Shirley Kent tenha sido determinante para a nova orientação sonora do The Ghost, percebe-se, ao ouvi-lo, que há contrastes entre as músicas que Kent canta, com uma pegada mais folclórica, mais folk, além da pegada mais ácida, com aditivos de blues rock bem generosos pelo resto da banda, fazendo com que seu único trabalho apresente algo bem diversificado, sonoramente falando.

A capa, a arte gráfica do álbum é deveras assustadora e, embora não goze de uma beleza arrojada, mostra uma imagem translúcida fantasmagórica, daí talvez o nome da banda, dos seus cinco integrantes, em torno de uma grande lápide, encabeçada por uma cruz celta. No mínimo horripilante e muito instigante para os apreciadores de occult rock.

Feitas as devidas apresentações históricas, falemos um pouco de cada faixa, a começar pela “When You’re Dead”, a faixa título, que entrega, de imediato, alguma velocidade na sua condução, algo mais calcado no hard psych, apoiada fortemente pelos teclados de Terry Guy e uma guitarra que, por mais que não soe tão sofisticada e bem elaborada nos seu timbres e solos, se mostra como tem de ser, levando em consideração a sua proposta sonora: lisérgica e áspera. As intervenções vocais têm forte conotação sombria, trazendo momentos mais agressivos, gritados, potentes. Já se revela, na sua introdução, um álbum espetacular e muito diverso em sua sonoridade.

"When You're Dead" (1970)

Segue com “Hearts and Flowers” mostra, além dos impulsos sombrios, traz os riffs ácidos de guitarra, o impulso psicodélico dos teclados e o rock métrico da seção rítmica, bem como a pegada folk de Kent, fechando uma sonoridade diversificada, diria até arrojada, mas ainda assim apresenta uma “compostura” clássica. “In Heaven” une espirais concêntricas de teclados, com coros altos, vocais tenebrosos, com um pouco de emoção perversa dando a textura da faixa. Não se enganem, amigos leitores, com o título da música!

"Hearts and Flowers"

“Time is my Enemy” segue similarmente à proposta de “Hearts and Flowers”, onde gira em torno de todos os instrumentistas, mas com o destaque, para ambas as faixas, inclusive, para o vocal de Shirley Kent, bem definida e diria, sem medo de ousar, poderosa. O destaque também fica para a guitarra igualmente poderosa de Eastment, com seus riffs psicodélicos tendendo mais para o hard rock.

"Time is my Enemy"

Na sequência temos “Too Late to Cry”, onde temos um dos episódios mais cativantes do álbum, que consiste, do começo ao fim, em viradas de guitarra espetaculares, galopantes, que aumenta, com ímpeto, uma veia mais para o occult rock. Não se pode esquecer do suporte robusto do baixo, pulsante e enérgico. Mas o melhor estaria por vir no longo solo de Eastment, na guitarra, que floresce no meio da faixa, simples e intenso, ao mesmo tempo.

"Too Late to Cry"

“For One Second” tenta, e com êxito, entrelaçar seus diferentes humores, para constatar seu viés progressivo, mesmo antes desta vertente sonora ganhar um pouco mais de visibilidade, tendo, como base, a textura dos teclados, criando uma espécie de tensão, além de leve arpejo de guitarra. “Night of the Warlock” traz um curioso country music mergulhado em ácido. Uma lisergia country bem apreciável e instigante, diria. O refrão é sombrio e até atordoante, com alguns dedilhados discretos de guitarra. Me remeteu a alguns rituais, algo pagão.

"For One Second"

“Indian Maid” é primordialmente lisérgica e se torna um tanto quanto sombria no seu refrão, pois me remete a uma invocação de uma missa negra, trazendo, ainda, algo meio teatral a sua estrutura sonora. É tenso, um pouco intenso, é cênica, é vívida. “My Castle Has Fallen” tem uma verve rítmica de sobra, que beira a perfeição, com uma boa dose de ousadia e coragem entre os vocais, mas o órgão, os teclados de Guy definitivamente iluminam a música, sendo contagiante e excitante, dispensando a leveza do que se fazia na música nos anos 1960, sendo enérgica e solar.

"My Castle Has Fallen"

E finalmente fecha com a faixa “The Storm” que traz uma síntese das diferentes peculiaridades da banda, com a voz de Shirley Kent gélida e distante. A faixa bônus, que saiu na reedição do selo Mellotron, no formato CD, “I’ve Got to Get to Know You” entrega uma versão austera, quase que arrogante, com uma pegada folk rock psicodélica bem interessante, além de uma seção rítmica calcada em uma bateria simples e comum, mas um baixo de excelente substância.

"The Storm"

“When You’re Dead – One Second” não foi um sucesso comercial e a tendência, triste e inevitável, era de que a banda pudesse se separar. Existia o interesse, por parte de alguns integrantes, de continuar com a banda, mas pelo simples fato de não ter a unanimidade para manter o The Ghost já suscitava para o início de um iminente fim.

E foi o que aconteceu! Em 1975 Shirley Kent, sob o pseudônimo de Virginia Trees, concretizaria seus desejos de uma carreira solo, gravando o seu primeiro álbum chamado “Fresh Out”. Mas ela contaria com Paul Eastment na guitarra e Terry Guy no piano e teclado em sua banda para a concepção do seu debut.

"Fresh Out" (1975)

Daniel MacGuire morreria de um ataque cardíaco em 1998, deixando em sua filha, Zennor, a herança musical. Hoje ela é um músico que atua no underground e está buscando um lugar ao sol da sua carreira. Charlie Grima, após o The Ghost, tocaria bateria em uma banda chamada Mongrel, participando da gravação de um álbum chamado “Get Your Teeth Into This”, de 1973.

"Get Your Teeth Into This" (1973)

The Ghost, com o perdão da analogia, vagou invisível e obscuramente pela cena rock, no sussurro da psicodelia e no alvorecer do hard rock no início dos anos 1970. Isso não deduz ausência da qualidade sonora que produziu com seu único álbum, afinal muitas bandas pereceram precocemente naqueles longínquos anos, deixando um ótimo trabalho que, por mais que possa parecer incoerente, serviu de referência para a transição do rock psicodélico para o hard rock e rock progressivo, servindo de norte para muitas bandas que viriam a surgir logo depois de sua repentina morte. The Ghost tornou-se necessário, mesmo que tenha sofrido na própria carne, em prol de um novo despertar de vertentes sonoras que revolucionariam o rock na prolífica década de 1970.

Em 1987 o selo Bam-Caruso relançou o álbum do The Ghost, no formato LP, com o título “For One Second”, com a adição do single que não foi lançado no LP de 1970, “I’ve Got to Get to Know You”. Em 1991 o selo UFO Records, da Inglaterra, lançaria o álbum, em CD. O icônico selo italiano Mellotron lançaria, no formato CD, o álbum “When You’re Dead” em 1991, 1999 e 2005.

O selo que lançou o álbum originalmente, Walhalla, o relançaria, em CD, em 2006, o selo espanhol Wah Wah, relançaria, em LP, em 2007, a gravadora Tam-Tam, norte-americana, lançaria, em CDr, em 2007. O Mellotron novamente faria uma série de relançamentos do álbum entre 2010 e 2024, seja no formato LP ou CD. Posteriormente a 2024 tiveram outros relançamentos pirata e outras também do selo Mellotron.

 

A banda:

Terry Guy no órgão e piano

Shirley Kent na guitarra acústica, tamborim e vocal

Paul Eastment na guitarra solo e vocal

Daniel MacGuire no baixo

Charlie Grima na bateria e percussão

 

Faixas:

1 - When You're Dead

2 - Hearts and Flowers

3 - In Heaven

4 - Time is my Enemy

5 - Too Late To Cry

6 - For One Second

7 - Night off The Warlock

8 - Indian Maid

9 - My Castle Has Fallen

10 - The Storm

11 - Me and my Loved Ones

12 - I've Got to Get to Know You




"When You're Dead - One Second" (1970)

 


 

































sexta-feira, 21 de março de 2025

Orchid - Capricorn (2011)

 

Quando eu comecei a ouvir as bandas de stoner rock em meados da primeira década dos anos 2000, eu sempre achei que as bandas que eu ouvia, em especial, era uma espécie de resposta nostálgica dos fãs aos anos 1970 e todas as suas manifestações culturais e/ou comportamentais.

Mesmo assim continuei a ouvir desbravar os sons dessa nova cena que, mesmo sem apoio da indústria fonográfica, e de alguns fãs de rock mais “conservadores”, e fui percebendo, ao ouvir álbuns e bandas, que não era apenas lembranças, reminiscências do passado, mas eram sons mais arrojados, mais destemidos, sonoramente falando.

Muitas bandas começaram a aglutinar sonoridades psicodélicas, de blues e até mesmo de rock progressivo. As viagens sonoras se tornaram mais chapadas e até mesmo sofisticadas, o que pode parecer impossível com o stoner rock, tido como um som mais duro, mais rústico e, por vezes, sujo e despretensioso.

E uma banda, em especial, me apresentou a essa nova cena e não me fez querer sair mais. A banda se chama ORCHID! E quando eu falei que essa cena dos anos 2000, começou a flertar com outros elementos sonoros do rock n’ roll, entre outros o psych rock, o Orchid foi formado em uma das cidades mais importantes para a cena psicodélica dos anos 1960, São Francisco, nos Estados Unidos. Tem algo a ver? Não sei dizer se tem, foi apenas um dado sem muita relevância.

Mas coincidências à parte, a história do Orchid inicia em 2008, aproximadamente com o vocalista Theo Mindell, quando estava construindo, em sua mente, uma ideia do que viria ser o Orchid. Ele não estava tocando em banda nenhuma à época e há muito tempo. Estava cansado do que estava acontecendo nas cenas daquela época e começou a compor, na guitarra, naquele mesmo ano.

Ele tinha tocado em uma banda com o guitarrista Mark Thomas Baker, isso muito anos antes de se juntarem ao Orchid! Theo sabia que Mark era o único cara que poderia materializar o seu projeto, que era capaz de trazer o Orchid à vida. E o incomodou, de forma incansável e determinada, para convencer Mark a participar de sua empreitada, até que finalmente ele aceitou.

Theo Mindell

O próximo passo era buscar mais músicos para compor a banda e a busca foi longa e difícil, principalmente para a escolha de um baixista. Foram muitos baixistas que fizeram audição e muitos que não se encaixavam na proposta da nova banda, alguns entraram na banda, mas ficaram por pouco tempo. Até que Keith Nickel foi escolhido e em seguida entraria na banda o baterista exímio Carter Kennedy. Esse foi o começo do Orchid.

As origens do nome da banda, “Orchid”, claro, veio do título da música do Black Sabbath, do excelente álbum, de 1972, “Vol.4”. A ideia de Theo era um nome que não soasse tão clichê dessas bandas de heavy metal. Ele queria um nome que evocasse sentimentos de psicodelia do final dos anos 1960 e início dos anos 1970 e o Sabbath foi lembrado. Talvez se fosse um nome sombrio ou mau teria soado algo fingido ou forçado.

A ideia de Theo e os demais caras da banda era um nome ambíguo que desse a eles algum espaço para crescer musicalmente e comercialmente falando. E Orchid era ideal, eles sempre gostaram da maneira como o nome da banda estava atrelado a eles.

E, com isso, vem também algumas comparações, um tanto quanto maldosas, com o próprio Sabbath. Mas encaro, bom amigo leitor, como apenas uma influência inevitável. E deixo com os senhores uma declaração do próprio Theo Mendell, em uma entrevista concedida para um blog chamado “Temple of Perdition”, que diz:

“Quanto às comparações com o Sabbath? Eu realmente não me preocupo com isso. Eu amo o Sabbath. Eles têm sido uma das minhas bandas favoritas desde que eu era criança. Eu não sei como eu poderia escrever músicas de rock pesado sem esse som ou identidade. É apenas o que eu acho legal. Eu acho que há muitas outras influências que estão bastante presentes no som do Orchid também. Mas as pessoas sempre pegarão o caminho mais curto para um destino, mesmo que seja prendendo algum tipo de "etiqueta de roubo" em você. Se esse é o pior crachá que eu já tive que usar na minha vida musical, vou usá-lo com orgulho”.

O primeiro trabalho do Orchid sairia em 2009, mas não seria um álbum, mas um EP e, convenhamos, começaram, ainda assim, muito bem, com o “Through the Devils Doorway”. Eram quatro músicas de uma banda avassaladora, que trazia o conceito de hard rock muito fortemente, mas trazia também pegadas de storner, psych e até mesmo de um doom metal. Um começo à altura das ambições desses jovens músicos que queriam fazer música dos anos 1970 com um pé nos anos 2000 e com muito recurso sonoro.

"Through the Devil's Doorway" (2009)

Mas o melhor estava por vir, o tão esperado debut do Orchid e, apesar de ter demorado um pouco, ele viria e com força e impacto na cena stoner underground e o nome dele? “Capricorn”, de 2011. O conceito, a proposta era basicamente a mesma de seu EP, lançado há dois anos antes, mas veio com uma excelente produção, com arranjos e melodias bem-feitas. Era um álbum diversificado, não era datado, o hard rock, o heavy rock, o stoner e o psych rock eclodia a cada nota musical. Se você, bom amigo leitor, aprecia Black Sabbath e aquele som arrastado e sombrio, verá em “Capricorn” a melhor das audições.

Theo Mendell assinaria a arte gráfica de “Capricorn”, bem como também no EP que abriu a história discográfica do Orchid. Nada mais do que natural, haja vista que de Theo que surgiu a concepção da banda e nada mais interessante que o próprio fizesse o trabalho estético e gráfico da banda, o que aconteceu. E é com “Capricorn” que falaremos nessa resenha.

A produção de “Capricorn”, já que comentei sobre o belo trabalho, ficou sob a responsabilidade de Will Storkson e ele foi determinante para a construção sonora desse álbum e lançado pelo selo Nuclear Blast. Há relatos, ainda na entrevista concedida para o blog “Temple of Perdition”, de Theo Mendell onde fala sobre as influências da banda para a concepção de seu debut:

“Se eu fosse deixado por conta própria, nossos discos poderiam acabar soando como uma mistura de Stooges Raw Power e Sabbath Bloody Sabbath ... Eu adoraria, mas pode parecer muito ensopado. Vou continuar empilhando fuzz e reverb até que você não consiga ouvir nada”.

Will ajudou e foi preponderante na produção de “Capricorn” e o fez com um radar direcionado aos longínquos anos 1970, mas sem negligenciar as tendências da contemporaneidade. Quanto ao teor das letras, suas temáticas trafegam no occult rock, mas também em temas sociais e comportamentais.

O álbum é inaugurado com a faixa "Eyes Behind the Wall" que já entrega o ouvinte um estrondoso e poderoso riff de guitarra, um trovão sonoro e potente. Bateria pesada, marcada, batida forte, baixo pulsante. A “cozinha” realmente se destaca e dá o tom, o ritmo, não é à toa que é a seção rítmica. E para aqueles que aprecia o hard dos anos 1970, perceberá uma espécie de gravação “vintage”, com nuances antigas. Sem dúvida a banda e o produtor conceberam a música e todo álbum assim intencionalmente.

"Eyes Behind the Wall"

Segue agora com a faixa título, “Capricorn” e a percepção de que voltamos aos anos 1970 é nítida. A batida cadenciada, tendendo para uma levada meio jazzística é adorável e dançante. O vocal é ameaçador, sombrio e segue também com um timbre cadenciado. Mas logo ela irrompe em uma hecatombe pesada, um volumoso hard rock. O vocal ganha mais alcance, mais potência, a música fica mais rápida, mas logo fica mais lenta e assim alterna, mostrando a capacidade instrumental da banda.

"Capricorn" (Clipe oficial)

“Black Funeral” surge vagarosa, lenta, uma bateria ao fundo, com seus pratos, mas logo depois, por pouco tempo explode em um heavy metal com guitarra tocada ao extremo e bateria igualmente pesada. Logo volta ao clima soturno, sombrio e perigoso, com o vocal dando a tônica. Um occult rock com linhas de heavy metal e pitadas discretas de doom metal.

"Black Funeral"

“Masters of It All” inicia com dedilhados de guitarra ao estilo Sabbath de tocar bem interessantes. Ela é responsável por colocar lenha na fogueira, porque, aos poucos, a faixa vai “encorpando”, ganhando camadas mais pesadas. A bateria é tocada com um pouco mais de agressividade e assim alterna, voltando para os dedilhados de guitarra. Os vocais ficam mais altos no clímax hard.

"Master of it All"

“Down into the Earth” traz um baixo dedilhado ao estilo Sabbath e explode para riffs grudentos e pesados de guitarra te remetendo ao heavy metal. A bateria bem marcada, tocada com técnica, mas orgânica. Riffs de guitarra, na metade da música, são percebidas com uma pegada mais doom, mais suja e despretensiosa.

"Down Into the Earth"

“He Who Walks Alone” é, sem dúvidas, uma das melhores faixas do álbum, pois traz uma mescla de passado e presente com uma incrível sinergia. Te remete ao hard rock dos anos setenta, com o peso e a cadência e o doom metal dos anos 1980, que traz a parte mais suja e arrastada. É agitada, enérgica, animada, encantadora e, claro, pesada. Aqui o Sabbath, juntamente com bandas do naipe de Saint Vitus são devidamente percebidas.

"He Who Walks Alone"

Segue com “Cosmonaut of Three” que começa aterrorizante, um estilo sombrio e ameaçador que parece ser uma trilha sonora de um final de terror. A “cozinha” se destaca novamente. A bateria segue marcada, mas pesada e o baixo pulsa feito um coração em um momento dramático e tenso de pavor. Há riffs de guitarra que corroboram essas condições dando uma camada interessante à música. Uma atmosfera perigosa e que dá aula de occult rock.

"Cosmonaut of Three"

“Electric Father” segue basicamente a mesma proposta sonora de sua antecessora, explodindo em um temperamento de doom metal, mesclado ao heavy rock e o hard rock com pegadas setentistas. Aqui os sintetizadores ganham algum destaque e dão um tom mais sombrio à faixa, além de um solo rápido, direto, mas competente de guitarra que traz mais peso.

"Electric Father"

E fecha com “Albatross” que foge um pouco do tom e da vibe das faixas anteriores. Começa com uma pegada mais viajante e chapante, te remetendo a coisas mais experimentais e psicodélicas. O vocal continua com aquele tom mais ameaçador e soturno, enquanto, aos poucos, a bateria vais surgindo um pouco mais forte e discretos dedilhados de guitarra. Os teclados entregam a condição mais viajante da faixa. E fecha, de forma espetacular e inspiradora, com solos de guitarra lisérgicas. O prog psych se faz presente nessa última faixa de “Capricorn”.

"Albatross"

Em 2012, um ano depois do lançamento de “Capricorn” o Orchid lançaria mais uma EP, o seu segundo, chamado “Heretic”, com quatro faixas, sendo que uma delas era uma faixa de seu debut, “He Who Walks Alone” e, no ano seguinte, em 2013 lançaria outro EP, com três músicas e que se chamou “Wizard of War”.

"Heretic" (2012)

"Wizard of War" (2013)

E finalmente o tão aguardado segundo álbum sairia, intitulado “The Mouths of Madness”, em 2013. A banda, neste novo trabalho, me soou mais polida, a produção mais bem acabada e uma banda nitidamente mais experiente e ciente da sua proposta sonora que não, não mudou em relação ao seu debut, “Capricorn”. A sonoridade poderosa, calcada no hard rock setentista, com pegadas atualizadas de stoner e doom metal, tendo a concepção do occult rock dominando as ações, mostra uma banda coesa e muito competente e coerente no que vinha, até então, fazendo. O álbum pode ser ouvido aqui!

"The Mouths of Madness" (2013)

Naquele mesmo ano, de 2013, a banda lançaria a sua primeira coletânea, “The Zodiac Sessions”, com o que há de melhor nos seus primeiros trabalhos. Atualmente a banda está um tanto quanto parada, não tem realizado lançamentos, mas há informações de que um novo trabalho virá e quando o Orchid se propõe a fazer um novo álbum, aguardem, pois há muita coisa boa pela frente!

"The Zodiac Sessions" (2013)

Theo Mindell, ainda em uma entrevista que concedeu para o blog “Temple of Perdition”, disse não fazer ou pelo menos não ter nenhuma intenção, com a sua música, com o Orchid, de estar em uma cena musical, mas apenas compor as músicas que amam. Mas o fato é que o Orchid, com a sua sonoridade que flerta com o tempo ou com “vários tempos”, trouxe uma nova perspectiva para o rock no início dos anos 2000, o rock como ele era, vivo e genuíno, marginalizado.


A banda:

Mark Thomas Baker na guitarra e sintetizadores

Keith Nickel no baixo

Carter Kennedy na bateria e percussão

Theo Mindell nos vocais, percussão e sintetizadores

 

Faixas:

1 - Eyes Behind the Wall

2 - Capricorn

3 - Black Funeral

4 - Masters of It All

5 - Down into the Earth

6 - He Who Walks Alone

7 - Cosmonaut of Three

8 - Electric Father

9 - Albatross 



"Capricorn" (2011)