sábado, 29 de agosto de 2026

Messa - The Spin (2025)

 

Aos saudosistas que acham que o rock italiano se limita ao progressivo, está totalmente equivocado ou não quer aceitar que aquele país está trafegando em outras vertentes do rock n’ roll. E não se enganem também de que se tratam de bandas “retrô” que emulam fielmente sonoridades dos anos 1970 e 1980. São bandas que trazem o frescor de um rock mais arrojado e pouco ortodoxo.

Claro que ouvimos referências de cenas de outrora, mas que entregam mesclas totalmente inusitadas para os ouvidos demasiadamente conservadores e que traz um tempero totalmente novo e sedutor aos ouvintes sedentos por sons novos. Preciso falar do MESSA.

A banda, oriunda de Veneza, foi fundada em 2014, banda extremamente nova e que, com seus quatro álbuns de estúdio lançados, em um curto período de nove ou dez anos, trouxeram uma sonoridade calcada no heavy metal, doom metal mais épico e cheio de camadas que vai do new wave ao black metal, carregados de uma atmosfera sombria e marcada pelo experimentalismo e post metal. Loucura, não é? Talvez sim, pelo fato de trazer esses rótulos sonoros, mas na prática, a magia acontece.

Acontece de uma forma nem um pouco datada, deixando a criatividade falar mais alto, sem amarras, sem constrangimento algum de sentir medo da rejeição, muito pelo contrário, haja vista que, diante de tantas vertentes percebidas, a chance de absorver fãs dos mais diversos sons que floresce no rock, é grande, muito grande.

Messa

Evidente que a banda ainda navega pelas águas do underground, mas o faz com maestria, ganhando olhares interessados e arrebatadores. É uma sonoridade consistente, cheia de alma, de sua verdade na mais pura e genuína concepção. Apesar de absorver várias vertentes é nítido e cristalino que existe uma sonoridade bem definida, bem delineada e que edifica a banda a um status que, a médio e longo prazo, de inovadora. Não sei se estou em um estado tamanho de catarse que me impede de ser mais racional. O fato é que a banda, em uma curta trajetória discográfica, está dizendo a que veio.

E falando em discografia preciso, mesmo que de forma bem resumida e rápida, falar sobre seus petardos sonoros, a começar pelo seu debut, “Belfry”, de 2016, com um desenho mais voltado para o doom metal, com aquela atmosfera de occult rock densa e pesada. Depois surgiu para o mundo o segundo trabalho da banda, chamado de “Feast for Water”, de 2018. Aqui ele traz também a pegada doom, mas com uma dose louca e inusitada de blues e post metal, com nuances sutis de progressivo, um metal progressivo volumoso e potente.

"Belfry" (2016)

"Feast for Water" (2018)

O terceiro, lançado somente em 2022, chamado de “Close”, já traz algumas mudanças, diria, significativas, importantes na sonoridade do Messa. Há algo hipnótico e imediatamente nostálgico, mas com o pé da vanguarda fincado no chão. O rock progressivo está mais vívido nas suas composições, fazendo deste álbum o passo mais significativo para a evolução de seus músicos e de sua música.

"Close" (2022)

E esse momento culmina com seu mais recente lançamento, de 2025, chamado de “The Spin”. Aqui o Messa atinge, a meu ver, o nirvana sonoro, aqui a banda se aventura em mais vertentes do rock, aliando tudo que, até então, tinham produzido nos seus três primeiros álbuns, e mostrando para o seu público, para o mundo uma sonoridade calcada no heavy metal, no black metal, no doom metal, no post metal, no metal progressivo, com a new wave.

“The Spin” é um álbum sedutor, deliciosamente atraente, nostálgico, mas com a criatividade dando o norte para o um futuro promissor do rock, sem amarras, sem estereótipos, sendo simplesmente a música pela música. E será nessa viagem louca e necessária que tentarei falar sobre o mais recente trabalha da banda veneziana.

Eu confesso, estimados leitores, que esteja “contaminado” pela euforia de ter feito, desde que esse trabalho do Messa foi lançado, inúmeras audições de “The Spin” e que esteja movido pela passionalidade sendo, consequentemente, incapaz de traduzir em texto, uma crítica construtiva e sem emoções deste álbum. Mas que se dane! Afinal música traz uma dose de emoção e passionalidade e aqui, pelo menos nesse momento, é o que virá à tona.

Mas como não permitir vir à tona quando se, além das vertentes mencionadas, você ainda perceber jazz, blues, o peso seco e direto do stoner, tendo a aura melancólica do doom em sua dança mais épica e menos suja, como típico de sua gênese. E por mais que se revele sombria, oculta, mostra também, por outro lado, suas emoções mais ousadas e declarativas. É incrível o quanto esse mais recente trabalho do Messa é complexo, dramático, melancólico, pesado e contemplativo.

A formação do Messa, para “The Spin”, cuja gravadora é a Metal Blade Records, traz: Sara Bianchin, nos vocais, Mark Sade no baixo e guitarra. Alberto Piccolo, na guitarra e Rocco na bateria, além de Michele Tedesco, no trompete e Andrea Mantione nos sintetizadores, que também foram determinantes para a construção sonora deste álbum. Essa formação, a propósito, é a única desde o início da trajetória discográfica da banda, claro, exceto aos músicos contratados. Digo de Sara, Mark, Alberto e Rocco.

A faixa de abertura é “Void Meridian” que dedica um momento a desenvolver um estilo sério, girando seus motores movidos a sintetizadores até que a força da música tenha uma progressão digna de um doom metal que remete ao Trouble, como desfecho. Um começo meio rocker, com zumbidos etéreos, antes do bálsamo mais pesado e rasgado do seu fim. Aqui a banda mostra a sua incrível conexão emocional com a alma de um blues rock pesado, com um doom mais melancólico e sombrio.

"Void Meridian" (Live in Athens, 2025)

Segue com “At Races” que se mostra cativante, embora se apresente um occult rock e até mesmo algo como um hard psych, bem lisérgico, arriscaria dizer. Ela me traz a sensação latente de um tom embriagante, empolgante, que forja um fio convincente e sombrio ou pelo menos reverente. Tem refrão potente, tempos viciantes e vocais arrebatadores e extremamente delirantes.

"At Races" (Official Video)

“Fire on the Roof” se mostra igualmente cativante, o vocal de Sara é admirável, sendo forte, alto, mas cristalino e muito competente. Aqui se percebe, além do peso do doom metal arrastado, porém épico, um synth-rock que te remente imediatamente aos anos 1980, onde o Messa evoca influências que vai do Sisters of Mercy ao Mercyful Fate. O peso do doom e do heavy metal mesclado ao gótico com tempero da new wave dos anos 1980. É simplesmente incrível essa faixa e que nos faz querer ouvir e ouvir novamente.

"Fire on The Roof" (Official Video)

“Immolation” já chega mudando um pouco a dinâmica do álbum. Trata-se de uma balada, linda, contemplativa, sombria. E embora não seja exatamente inédito em termos de instrumentalização, principalmente visto em seu álbum anterior, “Close”, tudo, nessa faixa, é reduzido às estruturas tradicionais de um hard rock que vai evoluindo, encorpando, tendo, consequentemente uma abrupta transformação. Fica o destaque para o slide guitar de Alberto!

"Immolation" (Live in Locomotiv Club, 2026)

Eis que surge talvez a faixa destaque do álbum, “The Dress”! A começar com as harmonias vocais de Sara que entrega um nível de ressonância incrível, isso tudo alinhado a experimentação destemida de toda a banda. Aqui a ousadia instrumental beira a complexidade com um solo de trompete assombroso de Michele Tedesco, fundindo a intensidade lenta do doom, com a fluidez estranha do jazz, criando algo único e intenso aos ouvidos e a alma.

"The Dress" (Official Video)

“Reveal” surge hasteando a bandeira do heavy metal! É impossível não passar incólume nessa faixa, sendo extremamente animada, pesada, com um groove totalmente diferente do que se ouve no álbum. Timbre rítmico envolvente, uma guitarra elástica, com movimento acelerado, que lembrou, penso, algo como death e black metal.

"Reveal" (Official Video)

E fecha com “Thicker Blood” que traz a combinação mais do que completa do rock gótico dos anos 1980 em sintonia com o doom metal mais tradicional, arrastado e sujo. Na realidade aqui nesta faixa percebemos a versão mais evidente do Messa nos seus primeiros álbuns, com uma música mais pesada e direta, trazendo elementos-base de sua música, calcada no heavy metal e no doom metal.

"Thicker Blood" (Live in Italy, 2025)

A arte da capa de “The Spin” é assinada por Nico Vascellari e, à primeira vista, se revela discreta, mas curiosa com um olhar mais profundo. Trata-se de um “ouroboros” metálico emergindo das sombras. Embora eu não possa dizer que entendo o simbolismo diretamente, ele combina com a mentalidade clássica do rock gótico que está bem presente na estrutura sonora deste álbum.

Penso que as escolhas da banda para a arte do álbum parecem ser motivadas por emoção, talvez por um senso de lugar ou movimento que funciona com cada lançamento e suas particularidades. Mas agora o simbolismo parece, ao mesmo tempo, contemplativo e até conflituoso.

“The Spin”, com esse pensamento, se mostra extremo, um exorcismo do “underground extremo” até as raízes rock não tão terrosas assim. O Messa quis mostrar, com seu mais novo recente trabalho, uma profundidade maior ao “esculpir” tais ideias às músicas, mostrando uma nítida mudança de paradigma sonoro, sobretudo nas suas melodias, entregando para os seus ouvintes uma audição dignamente memorável, mas também mostrando ao mundo a que veio.

As fusões das vertentes sonoras, as emoções mais variadas, a sonoridade orgânica e rebuscada faz de “The Spin” um álbum surpreendente, inventivo, transcendendo o metal e mergulhando o ouvinte em um mundo de beleza assombrosa e emoção extremamente carregada e cheia de nuances imprevisíveis. Para apreciadores de algum tempo da banda, “The Spin” trará uma revelação e para os novatos poderá ser uma introdução arrebatadora.







A banda:

Sara Bianchin nos vocais

Mark Sade no baixo e guitarra

Alberto Piccolo na guitarra

Rocco na bateria

 

Com:

Michele Tedesco no trompete

Andrea Mantione nos teclados, pianos e sintetizadores

 

Faixas:

1 - Void Meridian

2 - At Races

3 - Fire on the Roof

4 - Immolation

5 - The Dress

6 - Reveal

7 - Thicker Blood 



"The Spin" (2025)




 



















 










sexta-feira, 14 de agosto de 2026

The Blues Right Off - Our Blues Bag (1970)

 

Nas transições das décadas de 1960 e 1970 o blues rock estava em alta em alguns grandes centros do rock n’ roll, como os Estados Unidos e a Inglaterra, por exemplo. Bandas como Cream e Led Zeppelin estavam entre as maiores e mais famosas bandas do planeta e traziam, em seu DNA sonoro, o blues mesclado ao hard rock.

Porém em alguns países não estava nas intenções das bandas essa vertente do rock e podemos colocar no rol a Itália que, sobretudo na primeira metade da década de 1970, respirava o rock progressivo. Não se pode pontuar que o blues era inexistente, é bem verdade, mas era difundido entre jovens músicos iniciantes que queriam manter certa proximidade com o público.

A tal proximidade era em virtude das apresentações das bandas que, ao término de seus repertórios, para cativar o público, faziam os famosos bises, emendando algum blues rock ou aquele blues mais antigo, primitivo mesmo.

Em 1970, o blues era a herança de poucos na Itália: apresentado principalmente em pequenos locais, limitado a um público muito pequeno e geralmente para os estrangeiros que visitavam a Itália. Era a “música para estrangeiros” do que um “produto” que poderia ser importado para a Itália.

Mas não significava que não existissem bandas e ouvintes de blues rock na Itália, claro, que em um número extremamente reduzido e uma das primeiras bandas italianas de blues rock, veio de Veneza e se chamava THE BLUES RIGHT OFF, surgida no final dos anos 1960. É difícil pontuar se esta banda foi a pioneira, mas certamente foi uma das primeiras a praticar o blues rock na Itália, seguramente.

O fundador da banda era o guitarrista Claes Cornelius que, claro, era um estrangeiro, um dinamarquês chegado à Itália na metade dos anos 1960 e que logo foi muito bem inserido na cena beat daqueles anos. Participou também da formação o que seria o futuro engenheiro de som do único álbum do The Blues Right Off, Ermanno Velludo, que também juntos criariam os estúdios de gravação “Suono”. Os demais músicos eram: Giancarlo Salvador, no baixo, Fuffi Panciera, na bateria e Paolo Zanella na flauta e guitarra, além de Velludo como engenheiro de som.

Claes Cornelius

O único álbum da banda, de nome “Our Blues Bag”, foi lançado, de forma quase que “artesanal”, em 1970.  Foi editado, privadamente, em 500 cópias e guardado em uma bolsa, com o nome da banda e do álbum, e também continha uma litografia do artista veneziano Vittorio Basaglia. A cópia original é numerada à mão, indicando um total de 500 cópias e assinada pelo artista, portanto nem todos os álbuns lançados continham tais informações. Nem mesmo a bolsa de alça provavelmente estava presente em todas cópias vendidas ou distribuídas.


Essa forma, um tanto quanto inusitada, de ter uma bolsa de alça guardando o vinil da banda, deve ser destacado por ser uma embalagem inovadora e particular, além, claro, muito raro e, embora não seja uma obra progressiva, antecipou as loucuras promocionais do prog rock nos próximos anos.

Apesar do baixo número de cópias prensadas de “Our Bag Blues”, existem três variantes diferentes da capa não gatefold: junto com a versão padrão com abertura do lado direito, há cópias que tem o disco inserido pelo lado esquerdo e outras cuja capa é feita por uma única folha dobrada ao meio e não colada. Isso se confirma o quão “artesanal” esse trabalho foi concebido. E ainda para corroborar tal condição, este único trabalho do The Blues Right Off foi gravado em cerca de dois dias e muitas das faixas em “primeiras tomadas”. É essencialmente um álbum ao vivo, gravado no ateliê de um pintor e não em um estúdio de gravação profissional!

“Our Bag Blues” é, no geral, um trabalho semiprofissional, sendo gravado para o pequeno selo Paplirnaplano em um Tandberg de 2 faixas e mixado com Binsons de dois tubos. A gravação, embora comprimida nas frequências médias, é agradável e não diminui, nem um pouco o bom nível técnico da banda.

E falando no álbum, o mesmo contém sete músicas originais escritas pela banda, todas cantadas em inglês e na melhor tradição do blues elétrico, do blues rock, baseadas em solos de guitarra, na veia hard rock e uma voz bastante aguda e potente.

O álbum é inaugurado pela faixa “One Mint Julie” que é extremamente sedutora, graças ao vocal quase cantado ao pé do ouvido, com a intenção do flerte sonoro. Uma cadência bluesy envolvente, guitarra com riffs lisérgicos e uma bateria bem marcada ditando o ritmo do blues rock.

"One Mint Julie

“Rushing Wish” começa com uma levada espetacular no jazz rock e uma flauta doce e o vocal que também protagoniza. Aqui eu arriscaria dizer que traz uma versão jazz prog com pitadas sutis do blues, cerne sonoro do álbum. Ousado, animado, solar e dançante e, por vezes, mais pesado, graças aos riffs de guitarra.

"Rushing Wish"

“Black Angel” traz de volta o blues rock! O baixo é pulsante, a bateria segue marcando o groove. Um balanço com caráter de balada blues e o “choro” da guitarra endossa o blues tendendo para algo mais pesado, mas contido. E assim segue, uma balada blues, com mudanças de andamento para o hard com guitarras limpas e lisérgicas.

"Black Angel"

“Love’s Gonna Show Up Someday” já começa avassaladora, arrebatadora para os apreciadores do bom e velho blues rock com um pé no primitivo do blues. Um solo de guitarra limpo, eloquente, espetacular e vocal, agudo, traz o contraste bem interessante e pouco ortodoxo. A sessão rítmica entrega a textura bluesy e faz da faixa uma das mais enraizadas no blues.

"Love's Gonna Show Up Someday"

“Leaving My Hometown” segue a mesma proposta e traz a nítida impressão de que é, ou pelo menos poderia ser, uma continuação da música anterior. O baixo pulsa, a bateria, marcada, bate forte, a guitarra impulsiona o blues rock com uma pegada, embora cadenciada, do hard rock. E não tem como não bailar nessa faixa!

"Leaving my Hometown"

“Born On The Highway” retorna à pegada meio jazzística. A sedução e a qualidade com que essa música foi concebida é espetacular! Vocal límpido, quase doce aos ouvidos, a guitarra entrega solos mais diretos, porém competentes, a bateria insinua idas ao jazz e blues, simultaneamente. Mas quando a música se encaminha para o final o solo de guitarra é envolvente e de tirar o fôlego. E finalmente fecha com “Miss D” que introduz meio enigmática, com distantes sons de flauta e, em curto espaço de tempo, finaliza em poucos segundos de duração.

"Born on the Highway

“Our Bag Blues”, um álbum autoproduzido, graças aos pedidos de um pequeno, mas sólido público que a banda conquistou tocando ao vivo vendeu suas cópias nas ruas de Veneza e em shows e o rótulo que ostenta de “raríssimo” é mais do que apropriado, já que sequer não foi distribuído em lojas. Hoje se tornou cult e pode ser encontrado valendo cifras estratosféricas.

Logo que esse álbum foi concebido, a banda se dissolveu! Cornelius continuou como músico de estúdio, vivendo nos Estados Unidos, por um ano e depois, de volta a Veneza contribuindo para o álbum da banda “Venetian Power”, chamado “The Arid Land”. Depois, ele se estabeleceu na Dinamarca em 1974 e permanece na indústria musicam desde então, tanto como produtor quanto como músico.

Existem algumas lendas urbanas que giram em torno do The Blues Right Off e que merecem aqui destaque. Foi, por um fã, que inclusive escreve em um blog especializado em rock progressivo italiano, de nome “John’s Classic Rock” que aqui coloco a informação na íntegra, de que fora encontrado um vinil do The Blues Right Off que teria sido adulterado.

Este teria sido riscado, ocultando algumas informações, e inseridas, de forma tosca, escrito a caneta, o nome “Blues Society” com o ano de 1972. Todas as referências do The Blues Right Off foram excluídas, como o nome da banda, o de Cornelius, que escreveu todas as músicas do álbum e de Ermanno Veludo, que era o engenheiro de som.

Ainda segundo o editor deste blog que adquiriu esse vinil adulterado o baixista do The Blues Right Off, Giancarlo Salvador, havia entrado para a banda “Blues Society”, de Guido Toffoletti, um “bluesman” já ativo na cena veneziana desde os tempos do beat.

Este traz a possibilidade, nada, evidente, confirmação, apenas uma especulação, de que Salvador poderia ter usado a cópia ou as cópias do raro “Our Bag Blues” como demos pela Blues Society, em 1972. Se isso de fato se confirmar um dia, poderia explicar o motivo pelo qual todas as referências a “Our Blues Bag” terem sido deletadas, porque todos os créditos relacionados ao álbum e à banda foram desaparecidos. Quanto exemplares teriam sido adulterados dessa forma?          

O fato é que o Blues Right Off deixou, mesmo que usado indevidamente, um legado para o rock italiano dos anos 1970, navegando contra a maré que inundava aquele país do rock progressivo que estava ganhando certa notoriedade quando este “Our Bag Blues” foi concebido em 1970. O blues rock, em evidência nos principais polos do rck n’ roll, também tinha um obscuro, mas significativo representante na Itália.

O álbum foi relançado, pela primeira vez, em 2009, no formato CD, pela AMS, sendo, muito provavelmente a primeira chance de muitas pessoas em ouvi-lo e de colecionadores ter em seu acervo. Essa reedição, feita com a ajuda de Claes Cornelius e Ermanno Velludo, vem em uma edição numerada à mão de 500 cópias, guardada em uma capa de mini-LP e inclui um livreto com notas em italiano e inglês. Em 2012, a primeira reedição em vinil já feita para este álbum foi lançada na Inglaterra, produzida pelo selo português Pavilion Records, também em 500 cópias com capa gatefold.


A banda:

Claes Cornelius no vocal e guitarra

Giancarlo Salvador no baixo

Fuffi Panciera na bateria

Paolo Zanella na flauta e guitarra

 

Faixas:

1 - One Mint Julie

2 - Rushing Wish

3 - Black Angel

4 - Love's Gonna Show Up Someday

5 - Leaving My Hometown

6 - Born On The Highway

7 - Miss D




"Our Blues Bag" (1970)