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sábado, 6 de junho de 2026

P₂O₅ - Vivat Progressio - Pereat Mundus (1978)

 

Muito se fala em bandas “cult”, atribuindo tal termo, principalmente às bandas que tiveram um impacto significativo na história de seu gênero, de seu estilo, de sua sonoridade, de sua cena. Geralmente decretam bandas cult aquelas mais famosas, que atingiram uma faraônica credibilidade no rock n’ roll.

Não quero, prezados e estimados leitores, com isso demonizar tais bandas que trafegam no mainstream, pois merecem sua condição de cultuadas, a sua importância para catapultar tais cenas e tudo mais, porém gostaria de trazer à tona a importância também de algumas bandas que foram ou se colocaram em uma condição de marginalização da cena e discutir se podem ou não serem consideradas “cult”.

O que acham, nobres leitores? É possível atribuir-lhes tal título, mesmo que que tenham sido relegadas ao ostracismo? É difícil ou inconsistente coloca-las, por exemplo, em uma condição de pioneirismo dentro de seu estilo? O que realmente isso, efetivamente, importa para tais bandas?

Talvez seja um assunto deveras desnecessário, mas tendo em vista a razão de ser deste reles e humilde blog que visa, majoritariamente, difundir as bandas raras e obscuras, uma faísca desse assunto pode ganhar uma explosão de linhas, evidenciando um surto passional deste que vos fala ou melhor, escreve.

Em alguns textos meus, caso vocês, leitores, acompanhem, sempre venho com esse assunto e geralmente, dada, provavelmente as suas variáveis tão complexas, não consigo chegar a uma conclusão, mas tento efetivá-las trazendo o que sempre faço neste blog: histórias de bandas e seus álbuns. Creio que as suas histórias dizem mais do que mil argumentos e hipóteses acerca do tema espinhoso da representatividade dessas bandas no universo das cenas rock.

Então para não perder o costume vou trazer mais um aporte, ou pelo menos tentar, às minhas difusões da importância de trazer essas bandas a um patamar de importância para as cenas rock: E quando digo que vou tentar é porque, mais uma vez e, por razões óbvias, essa banda que falarei hoje, não goza de tantas informações para encorpar tais hipóteses e fundamentações. Que se dane, ao falar dela, já será um ponto preponderante para disseminar a sua história. Falo do P2O5.

Essa banda, de curioso e inusitado nome, alemã foi fundada em 1970, em Wendelstein, perto de Nuremberg e trazia, na sua base sonora, o que muitas bandas traziam naquela época, principalmente de transição entre as décadas de 1960 e 1970: rock progressivo, hard rock e também um belo e poderoso rock n’ roll. E muitos desses estilos, convém ressaltar, ainda eram embrionários, ainda estavam crescendo, ganhando contornos, o que pode se atribuir em importância, sobretudo na Alemanha, para o P2O5, apesar de ter uma profusão de bandas, naquele país, que tocavam tais vertentes. Era o tempo do auge do krautrock germânico.

Os membros da banda, que a fundou e traziam Wolfgang Burkhard nos teclados, Rainer Häuser na guitarra, Helmut Hiebel, no baixo e vocais e Edwin Lotter, na bateria, foram colegas de escola lá por Wendelstein e Nuremberg e foi nos bancos escolares que a inspiração, para o nome da banda, surgiu: “P2O5”, mais precisamente nas aulas de Química.

P2O5

Para aqueles que fugiram das aulas de Química no passado, “P2O5” é a nomenclatura do pentaóxido de difsforo ou óxido de fósforo ou ainda como se dizia, em tempos mais remotos, anidrido fosfórico, que vem a ser um componente fundamental na fotossíntese vegetal. Rezava a lenda, a boca miúda, de que tal fórmula era para explosivo, o que não confere. Acalmem-se, estimados leitores, não darei aula de Química, até porque, se o fizesse, seria um completo desastre. Vamos à música que já está de bom tamanho!

E por falar em explosivos, o que se pode afirmar era que seus shows eram explosivos e chamativos, apelando para algo cênico, teatral, caraterizados por apresentações pirotécnicas, além de figurinos e rostos pintados, tochas acesas, cruz de mármore entre outros apetrechos. E contar que começaram a ensaiar em vestiários, quartos, porão e alguns pontos dentro das escolas onde estudavam.

Os primeiros shows foram realizados em 1971, a maioria, localmente, em Wendelstein e, claro, também em Nuremberg. E, graças as suas performances, a fama da banda cresceu, a ponto de tocarem, naquele mesmo ano, em um concerto para a UNICEF. E com isso ofertas de shows maiores vieram em Tischenreuth, Amberg, Schweinfurt, Aschaffenburg e repetidas vezes em Wendelstein. Um dos destaques foi participar de uma competição, entre bandas, ao vivo do SWR (Südwestfunk) uma conhecida rádio alemã, em Baden-Baden, onde a banda conquistou um incrível segundo lugar.

O nível de popularidade, claro, cresceu, a banda ganhou evidência e em 1978 o primeiro álbum do P2O5 ganhou vida, pelo selo Brutkasten, o “Vivat Progressio - Pereat Mundus”. O álbum foi gravado em novembro, com uma tiragem muito pequena, pasmem, de 300 cópias! Mesmo com a banda em evidência, com relativo sucesso, ainda não teve o apoio necessário na produção e disseminação e divulgação de seu álbum.

Convém, antes de falar do álbum e suas faixas, de forma dissecada, como de costume, que a banda, entre a sua formação e lançamento de seu álbum, entre 1970 e 1978, teve algumas mudanças de formações, a começar por Rainer Häuse, guitarrista, em 1972, voltando, paraum curto período, em 1975, sendo substituído por Konny Hempel que participou da gravação do álbum.

Entrou também, para a banda, o vocalista Werner Weiss, em 1977. Então o line up que participou da gravação de “Vivat Progressio - Pereat Mundus”, de 1978, foi: Helmut Hiebel, no baixo e vocal, Eddy Lotter, na bateria, Konny Hempel na guitarra, Wolfgang Burkhard, nos teclados e no vocais principais Werner Weiss.

“Vivat Progressio - Pereat Mundus” nos entrega de bandeja faixas puras de heavy psych com aquela tipicidade crua alemã, com o típico hard rock e viagens progressivas realizadas com muita qualidade sonora. Ouso dizer que suas faixas, suas músicas, podem adentrar, com relativa facilidade, em qualquer álbum de banda de heavy metal dos anos 1980 que a torna, sem dúvida, uma referência em um estilo que, lá pelo fim da década de 1970, estava ganhando relevância com a sua “New Wave of British Heavy Metal” lá na Inglaterra. E ouso dizer ainda, graças a também fama do punk rock, que o P2O5 também absorveu um pouco da simplicidade e crueza do estilo. Ou seja, um banquete sonoro para todos os gostos!

O que há de melhor neste álbum fica para a parte instrumental, mas o destaque centraliza-se no impecável trabalho de guitarra de Hempel com seus riffs pesados mesclados aos trabalhos progressivos mais viajantes que remete ao Pink Floyd e o trabalho do tecladista Burkhard que realmente é digno de aplausos. Um sopro sonoro que vai do sombrio ao solar em um estalar de dedos, mostrando o quão complexo e orgânico o P2O5 foi com este álbum.

O álbum é inaugurado com a faixa “Comin' Over Again” que, logo de início, com seus grudentos riffs de guitarra sugerem uma pega punk rock, mas as veias do hard rock estão lá, com vocais meio roucos e ásperos, bateria pesada em uma batida frenética, um baixo pulsante e enérgico, mostrando uma “cozinha rítmica” poderosa e solar. Traz uma sútil, mas interessante camada de teclados, trazendo lembranças de um progressivo mesclado ao hard rock. O solo de guitarra é tirar o fôlego e, nesse momento, o teclado não deixa de ser tão sútil, mostrando uma atmosfera sombria. A faixa é espetacular e fecha em uma velocidade nos remetendo a um heavy rock volumoso!

"Comin' Over Again"

“Morning of the Ants” foge, em sua introdução, da volúpia sonora da faixa inaugural, trazendo certa calmaria, uma balada que começa ao dedilhar de guitarra, mas que, ao longo do tempo, vai ganhando corpo, a música fica encorpada, devendo a isso a batida da bateria, marcada e pesada, mas logo retorna a balada rock. Um hard rock mais cadenciado e que me remeteu, em alguns momentos, a algo como new wave, um pouco antes da explosão da cena nos anos 1980 e isso, a meu ver, se revela perceptível, com o solo de guitarra e até mesmo no seu dedilhar nos momentos mais calmos.

"Morning of the Ants"

“I Didn't Care” também começa discreta, uma balada mais viajante, contemplativa, um solo de guitarra típica de bandas progressivas, com uma camada, ao estilo space rock, de teclados, dando textura mais intimista. Aqui a estrutura sonora é sombria e psicodélica, com temperos progressivos. Mais uma vez a bateria entrega o lado mais pesado, mais hard rock desta faixa. O vocal colabora para o “humor” da música, trazendo introspecção. O que dizer do solo de teclados? Mais uma faixa espetacular que mostra, até então, uma banda extremamente versátil em sua sonoridade.

"I Didn't Care"

“Undumufu (All Right)” começa pesada, riffs de guitarra pesados e grudentos, vocais raivosos e, mais uma vez, a bateria ditando o ritmo desse hard rock com uma pegada punk. A sonoridade é descompromissada, despretensiosa, indo meio que contra maré da versatilidade das faixas anteriores. Aqui se percebe também a pegada new wave com sintetizadores bem animados e dançantes. Baixo pulsante, cheio de groove, entra em um salutar duelo com solos de guitarra. E segue assim, até o fim, com essa pegada pesada, meio new wave.

"Undumufu (All Right)"

“Smash” traz, logo de cara, o som denso do hard rock, com um riff inaugural de guitarra, denso, pesado, lembrando os primeiros trabalhos do Black Sabbath. Ouso dizer que nesta faixa temos algo arrastado, sujo que lembra o doom metal. Mas curiosamente o vocal aqui é límpido, transparente e de belíssimo alcance. Não podemos aqui negligenciar a “cozinha” rítmica dessa faixa: bateria marcada, igualmente cadenciada e, claro, pesada e um baixo pulsante e poderoso.

"Smash"

“Hangman” começa com aquela camada de teclados trazendo reminiscências de uma psicodelia perdida e esquecida na transição dos anos 1960 e 1970, mas que logo irrompe em uma hecatombe pesada, do hard rock, do hard psych típico do início dos anos 1970 que ainda sofria influências do movimento psicodélico. É deliciosamente pesado nos momentos mais “hard” e lisérgico nos momentos “psicodélicos”. Essas mudanças rítmicas, essa gangorra sonora é excelente para os amantes de psicodelia e hard rock dos anos 1970. Solos de guitarra competente, técnicos, orgânicos, contrastam com a estranheza dos teclados, que mostram o lado mais soturno da faixa.

"Hangman"

“Step On My Face” traz de volta o lado mais heavy rock com riffs de guitarra mais pesado, mais arrastado, em alguns momentos. Mas logo traz uma pegada de hard rock mais radiofônico, até mesmo comercial, uma sonoridade mais acessível. Teclados são ouvidos de uma forma mais animada e solar, corroborando uma sonoridade mais acessível, como disse. O encerramento da faixa é de tirar o fôlego com solos de guitarra técnicos, porém orgânicos e a bateria em uma pegada mais arrojada.

"Step On My Face"

E fecha com “Memories” e não poderia fechar melhor: animada, pesada, estrondosa! Aqui o hard rock se revela na sua essência, pesada, solar, riffs de guitarra pesados, bateria que levita de tão latente e altiva, baixo pulsante, vivo, intenso! A faixa é veloz, lembrando o heavy metal que estava engatinhando para o mundo. O vocal é alto, quase gritado, corroborando a sua condição sonora. E o fim é um transborde instrumental, teclados que lembra new prog, guitarras potentes, bateria e baixo em uma sintonia rítmica incrível. Que música!

"Memories"

Mesmo com as suas apresentações ao vivo explosivas e arrojadas, que lhe conferiu certa visibilidade e que culminou também com a gravação de seu único rebento, o P2O5 continuou a fazer suas apresentações ao vivo, mas, foi, aos poucos se desintegrando, enquanto banda.

Diante do entra e sai de tantos músicos pós lançamento de álbum, o que causou um grande impacto à banda foi definitivamente do tecladista Wolfgang Burkhard que deixou o P2O5 em 1980. O baque foi grande, mas a banda ainda conseguiu sobreviver por dois anos mais, decretando seu derradeiro fim em 1982.

É notório que o P2O5, com seu único álbum “Vivat Progressio - Pereat Mundus”, esteve muito à frente do seu tempo, sobretudo quando levamos em conta o que estava em evidência na música à época, comercialmente falando, com o punk, a disco music e até mesmo um prelúdio da new wave que, de alguma forma, engatinhava.

Sem contar com as suas apresentações teatrais, com seus cenários cheios de fantasia, com uma cruz de mármore gigante, tochas acesas, figurinos e um som místico, sem dúvida deixaria uma marca importante, uma pavimentação importante para as bandas de heavy metal fazerem sucesso nos anos 1980.

Em 1993 o selo Ohrwaschl Records lançou um álbum do P2O5 com faixas, digamos, “perdidas” e outras que entrariam no álbum oficial da banda, gravadas entre os anos de 1975 e 1976. Tais músicas foram concebidas antes do lançamento de “Vivat Progressio – Pereat Mundus”, que foi lançado oficialmente em 1978. Este último poderia, até 1993, ser considerado como o único trabalho, lançado oficialmente até então, mas, para a alegria de todos, “P2O5” veio ao mundo recuperando faixas que certamente estavam em algum baú empoeirado, em algum local inóspito, esperando ganhar a luz.

"P2O5 (1975/1976 - 1993)"

“Vivat Progressio – Pereat Mundus” não teve tantos relançamentos. O primeiro foi pelo selo Amber Soundroom, em 2004, no formato LP. Mais tarde, em 2007, foi relançado, no formato CD, pelo valoroso selo alemão, o Garden of Delights, , com duas faixas bônus inéditas. A mais recente, em 2018, foi relançada, em LP, pelo Golden Pavilion, La Pelote Records, em Portugal.




A banda:

Helmut Hiebel nos vocais e baixo

Eddy Lotter na bateria

Konny Hempel na guitarra

Wolfgang Burkhard nos teclados

Werner Weiss no vocal principal

 

Faixas:

1 - Comin' Over Again

2 - Morning Of The Ants

3 - I Didn't Care

4 - Undumufu (All Right)

5 - Smash

6 - Hangman

7 - Step On My Face

8 - Memories



"Vivat Progressio - Pereat Mundus" (1978)









 


















 



 


sábado, 26 de julho de 2025

Starchild - Children of the Stars (1978)

 

Quando você pensa e fala do rock canadense o que te lembra de imediato? Claro! RUSH! Com o devido merecimento, afinal, a banda não colecionou ou coleciona, até hoje, uma legião de fãs aleatoriamente, há um fundamento simples e capital para isso: a sua vanguardista sonoridade.

Mas como este simples, humilde e reles blog fala sobre bandas raras, esquecidas, vilipendiadas e obscuras, trarei o “lado oculto” do rock daquele país, corroborando que sim, o Canadá tem uma profusão de bandas sejam elas comerciais ou undergrounds.

E eu falarei de uma que me cativou e me arrebatou por seu som potente, pesado e extremamente arrojado e sofisticado. Falo da banda STARCHILD. A banda foi formada em 1975 em Cambridge, Ontário, quando Bob Sprenger, Rick Whittier e Neil Light, que tocavam em uma banda chamada “Gaslight”, decidiram reformular a sua sonoridade, algo mais pesado.

Mas não apenas as mudanças na música que aconteceram, o nome também foi modificado, passando a se chamar “Starchild”. A inspiração para este nome veio da Trilogia “Starchild”, escrita por Frederik Pohl e Jack Williamson. A maioria dos membros da banda eram fãs de ficção científica, e quando o seu produtor, Greg Hambleton, que também assinou com o SteelRiver para a sua gravadora, a Tuesday Records, queria algo mais futurista do que o nome anterior, “Thorne”. Sim, entre “Gaslight” e “Starchild” teve outro nome que durou pouco tempo, porque quando optaram por “Starchild” o desejo foi unânime.

Ainda faltava algo: um baterista! Porque depois de passar por alguns bateristas, eles decidiram contratar Greg “Fritz” Hinz que, quando assumiu de fato o posto, o Starchild caiu na estrada para uma longa turnê. Apenas para perfilar os demais integrantes e suas funções no Starchild, Rick era vocalista, um belo vocalista, diga-se de passagem, Neil era baixista e Bob era um belíssimo guitarrista.

O primeiro registro, a primeira gravação da Starchild foi uma demo de duas músicas, a “Party of the Toads” e “Tough Situation” e que foi produzida e projetada por um jovem chamado Daniel Lanois, no porão da casa de sua mãe, em Ancaster, no ano de 1976! Para título de curiosidade Lanos viria, no futuro, a produzir gigantes do rock como U2, Peter Gabriel, Brian Eno, entre tantos outros figurões do mercado da música.

O primeiro trabalho do Starchild, “Children of the Stars”, foi gravado em Toronto, no outono de 1977 e lançado oficialmente na primavera de 1978. Levou certo tempo para lançar um tão sonhado álbum, depois da quase artesanal gravação de suas fitas demo lá no ano de 1976. Após o lançamento o Starchild tornou a volta para a sua turnê, abrindo shows de grandes bandas da época, como Triumph, Goddo, Moxy entre outras.

O álbum teve um recebimento positivo e moderado em todo o Canadá, graças as aparições ao vivo da banda, afinal foram muitos shows e aberturas de shows de bandas grandes e famosas que, de certa forma, acaba gerando certa visibilidade, mas suas músicas não ganharam as paradas musicais. Claro, uma sonoridade calcada no hard rock e rock progressivo, pode não ser muito palatável para os empresários da música sempre ávidos por músicas mais radiofônicas e acessíveis. E precisamos pensar também que era virada dos anos 1970 para os anos 1980, com o punk rock um pouco mais em evidência e a new wave.

“Children of the Stars” mostra uma banda com muito potencial, embora seja um álbum sendo concebido por músicos jovens que, até então, nunca tiveram contato com um estúdio, apenas com apresentações ao vivo. Ainda assim são faixas agitadas e os esforços de complexidade sonora são relevantes e extremamente apreciáveis, mesmo com uma produção simples. E tal esforço se personificou em uma música calcada no hard rock com investidas progressivas.

E falando na banda, nada mais merecedor apresenta-los, agora mostrando também a importância de cada um na construção do seu som: tinha Bob Sprenger na guitarra, Richard Whittier, nos vocais, Gregory Hinz, na bateria, o último a entrar na banda e fechando trazia, no baixo, Neil Light. Essa foi a formação responsável por trazer à tona “Children of the Stars”.

O álbum é inaugurado com a faixa “Long Shot” e o típico riff poderoso e grudento de guitarra introduz a música, a pegada genuína do hard rock dos anos 1970, que nos remete ao Scorpions em transição da década de 1970 para os anos 1980. O vocal é elegante, limpo, de ótimo alcance já se mostrando como tendência para a cena do heavy metal que florescia no fim dos anos 1970. A “cozinha” rítmica dá o tom, o groove, tornando a música mais dançante.

"Long Shot"

“Groove Man” entra animada, com os riffs de guitarra e baixo bem ritmados, juntamente com a bateria marcada e pesada. O hard rock mais solar, o rock de “festa” se revela na faixa, certamente traz uma roupagem mais comercial. Solos de guitarra e baixos mais pulsantes na metade da faixa a deixa mais pesada e veloz, trazendo uma versão mais heavy rock. É versátil!

"Groove Man"

Em “Wizard Woman” o vocal ganha destaque, mas o instrumental não fica atrás. Aqui as mudanças de andamento são a tônica, com um viés mais voltado para o hard progressivo, com pegadas mais pesadas, graças aos riffs de guitarra elétrica e momentos mais acústicos, mas intimistas, com alguns solos mais viajantes e espaciais. Momentos de space rock também são percebidos e nos traz percepções mais contemplativas.

"Wizard Woman"

“No Time for Fools” já inicia com solos mais solares de guitarra que emendam em riffs mais pesados, baixo pulsante e bateria pesada, quase surrada! Aqui o heavy rock assume a dianteira, novidades do heavy metal são percebidas, com velocidade e muito peso. O momento mais sujo e despretensioso do álbum.

"No Time for Fools"

“Worlds in Which We Live” vem também pesada e agressiva! Baixo galopante, pesado, cheio de groove, “rivaliza” com riffs de guitarra mais pesado, vocais de grande alcance, gritados e rasgados, já tendendo, com sucesso, para o heavy metal. Não podemos negligenciar o solo de guitarra que é simplesmente de tirar o fôlego! A sequência mais pesada se revela neste momento do álbum.

"Worlds in Which We Live"

“Wooden Steaks and Mash Potatoes” começa com groove, com balanço, mas sem deixar de lado o peso que ostenta todo o álbum, representado pelos riffs indefectíveis de guitarra que logo entregam a destreza de um solo extremamente pesado e solar. O hard rock se mostra vivo e latente nessa faixa, com alguns momentos mais suaves, em que o vocal, limpo e transparente, se revela competente e orgânico.

"Wooden Steaks and Mash Potatoes"

E fecha com a faixa título, “Children of the Stars”, que segue predominantemente com o hard rock, capitaneado pelo riff de guitarra, e por uma típica velocidade que a torna pesada. Em dado momento percebe-se uma cadência no verso na música, que faz da faixa mais dançante e animada. Embora não traga traços de rock progressivo na faixa, se mostra versátil e repleta de mudanças de andamento.

"Children of the Stars"

Embora o álbum tenha recebido certa visibilidade, suas músicas não figuraram nas paradas musicais e sequer foram tocadas nas rádios, afinal, como que um álbum calcado no hard rock e progressivo, em uma época em que o punk rock, a disco music e a new wave tinham a prioridade do mercado e da indústria fonográfica? Definitivamente o Starchild estava “descolada” do seu tempo, com as suas músicas.

E para variar o contrato com a Axe Records foi encerrado porque a gravadora queria que o Starchild mudasse seu visual e sonoridade para o new wave. A banda não aceitou essa condição e decidiu seguir uma direção mais voltado para o heavy metal, sendo influenciado por bandas como Judas Priest e Iron Maiden. Definitivamente o Starchild não estava inserido no seu tempo, sonoramente falando.

O término do contrato com a gravadora não foi o único entrave que o Starchild teve. O baixista Neil Light deixaria a banda, em 1979, por motivos familiares, sendo substituído por Bill Mair e mais tarde Wayne Brown, nativo de Toronto. E ainda teve mais! Hinz, o baterista, também sairia da banda. Ele saiu para se juntar à banda Helix alguns meses depois e foi substituído por Dixie Lee.

Depois dessas mudanças tão radicais, o Starchild continuou a fazer turnês pelo Canadá e, embora a banda nunca tenha chegado à Europa, seus álbuns venderam melhor lá do que no Canadá, inclusive o single “No Control for Rock n’ Roll”, que não entrou originalmente no álbum, foi regravada por uma banda holandesa na década de 1980.

"No Control for Rock n' Roll"

No início de 1982 o Starchild entrou no Metalworks Studios, de propriedade de Gil Moore, da banda Triumph, e gravou uma demo tape de duas músicas (“Steamroller Rock” e “I Need a Woman Tonight”), mas não teve progressos para gravar um novo trabalho, um segundo álbum. Mas havia surgido uma luz no fim do túnel...

A Attic Records, com sede em Toronto, estava interessada em assinar com o Starchild, mas o cansaço da estrada, devido aos inúmeros shows que a banda estava fazendo e principalmente as divergências, cobrou seu preço e a banda se separou no verão de 1982, pouco antes de sua audição, em Toronto, para a Attic. Nos sete anos, entre a formação da banda e a sua fatídica separação, em 1982, o Starchild excursionou pelo Canadá incessantemente, constantemente.



Bob Sprenger e Neil Light formariam uma banda, de nome “Thief in the Night”, em 1985, fazendo vários shows e participando de vários festivais, mas se separaram em 1990. Sprenger gravou dois álbuns com a banda “Distant Thunder” no início dos anos 1990 e se reuniu, novamente, com o baixista Neil Light para formar a banda cover de rock “Wake the Giants”, em 2001. Com o comediante canadense Ron Pardo, na bateria e seu irmão Jason, nos vocais, bem como o novo baixista Sam Barber, que substituiria Light, em 2011, a banda fez principalmente covers, além de tocar material do álbum “Children of the Stars”, mas se separaram em 2014.

Sprenger também é guitarrista de uma vocalista e tecladista de London, Ontário, chamada Kathryn Marquis. Eles gravaram um álbum ao vivo chamado “Your Kingdo Come”, em 2011, além de um trabalho de estúdio chamado “Fire”, que inclui música por ele composta chamada “Purest Love”, sendo a sua primeira música gravada e lançada desde os dias de Starchild. O vocalista e membro fundador do Starchild, Rick Whittier, morreria em 18 de setembro de 2015, após uma longa batalha pulmonar obstrutiva crônica. Já o baterista original da banda, Greg Fritz Hinz, tmbém faleceria de câncer, em 16 de fevereiro de 2024.

Sprenger, depois de ser contatado no verão de 2023, pela gravadora grega Sonic Age/Cult Metal Classics, enviou algumas demos que o Starchild gravou no início dos anos 1980 que nunca foram lançadas para o selo. Eles as lançaram, no formato LP e CD, chamado “Steamroller”, em 2024! O álbum pode ser ouvido aqui!

"Steamroller" (2024)

O LP contém oito faixas, incluindo a demo de três músicas gravadas na Metalworks Studios”, além de cinco músicas gravadas em uma sala de ensaios alguns meses depois. O CD também contém algumas faixas bônus, incluindo um solo de bateria e baixo. De uma forma o Starchild continua, por intermédio desse álbum mais recente, vivo!


A banda:

Rick Whittier nos vocais

Bob Sprenger na guitarra

Neil Light no baixo

Greg Hinz na bateria

 

Faixas:

1 - Long Shot

2 - Groove Man

3 - Wizard Woman

4 - No Time For Fools

5 - Worlds in Which We Live

6 - Wooden Steaks and Mash Potatoes

7 - Children of the Stars


 
































sexta-feira, 9 de maio de 2025

Medusa - Medusa (1978)

 

Eu não preciso dizer que este reles e humilde blog dedica-se a dar luz ao rock obscuro, o nome já denuncia isso. Trazer à tona as bandas obscuras e raras é o mote desse site. A banda que falarei hoje empunhará a temática de forma eloquente, porém parte dos músicos que a conceberam gozaram de notório sucesso em suas carreiras.

Para muitos os dois músicos que apresentarei criaram essa banda com o intuito de buscar novos mercados que não fosse do habitual Jazz-Rock Fusion que faziam parte e eram qualificados. Falo de John Lee e Gerry Brown, falo também da banda norte americana MEDUSA. Antes de falar um pouco da banda, torna-se relevante falar das mentes por detrás do projeto “Medusa”, principalmente dos seus currículos invejáveis.

Gerald D. Brown, conhecido como “Gerry Brown”, nascido na Filadélfia, Pensilvânia, é um baterista renomado de jazz e já tocou com os baixistas Stanley Clarke e, claro, John Lee. Foi membro da banda do exímio pianista, também de jazz, Chick Corea e esteve na banda Return to Forever, banda esta que Corea também esteve.

Brown trabalhou também com Phil Collins, Julee Cruise, Roberta Flack e Marvin Gaye, além de ter sido baterista de turnê de Steve Wonde por muitos anos. Ele também trabalhou na Alemanha.

John Gregory Lee, conhecido como “John Lee”, nascido em Roxbury, Massachusetts, é um baixista, engenheiro e produtor de jazz. Fundou a “Jazz Legacy Productions” e a “Alleycat Studios”, com sede em West Orange, Nova Jersey.

Lee se apresentou em Nova Iorque no início dos anos 1970, com Joe Henderson Pharoah Sanders e o Max Roach Quartet, antes de se mudar para a Europa em 1972, onde conheceria Gerry Brown.

Gerry Brown e John Lee

Foi a partir desse momento que o elo artístico de Lee e Brown aconteceria. Os dois começaram a trabalhar juntos na banda de fusion do flautista holandês Chris Hinze, “The Chris Hinze Combination”. E, em 1974 lançariam o seu álbum de estreia, chamado “Infinite Jones".

"Infinite Jones" (1974)

Em 1975, John Lee juntou-se ao Eleventh House de Larry Coryell, permanecendo até 1977, e foi ouvido em "Motherland" de Earl & Carl Grubbs, "Hip Elegy" de Joachim Kuhn, "Esoteric Funk" de Hubert Eaves, "New Love" de Carlos Garnett, "However" de Jasper Van't Hof, "Poussez! Leave That Boy Alone" e "Symphony Sessions" de Dizzy Gillespie.

Lee foi baixista de Dizzy Gillespie de 1984 a 1993. Ele se apresentou e gravou no Dizzy Gillespie Quintet, Dizzy Gillespie Big Band, Dizzy's United Nation Orchestra, Dizzy Gillespie All-Stars, Dizzy Gillespie All-Star Big Band e Dizzy Gillespie Afro-Cuban Experience.

Lee também trabalhou nas bandas de Gary Bartz, Jon Faddis, Aretha Franklin, Roberta Gambarini, Roy Hargrove, Jimmy Heath, Gregory Hines, Claudio Roditi, Sonny Rollins e McCoy Tyner.

Depois do debut, de 1974, “Infinite Jones”, a parceria de Gerry Brown e John Lee, continuou forte e frutífera com mais lançamentos como “Sunrise”, de 1975, “Still Can’t Say”, de 1976, “Chaser”, de 1979, “Fancy Glance”, de 1979, com a participação de Stu Goldberg, um pianista americano de jazz, entre outros trabalhos.

Entre esses álbuns que Lee e Brown lançaram nos anos 1970, surgiu aquele que falarei, “Medusa”, de 1978. Esse trabalho foi introduzido ao mercado com a nítida tentativa de buscar um público mais diversificado, tendendo para o AOR. Neste álbum vislumbra-se uma pegada mais para o rock, diria o hard rock, soul music e até mesmo para o funk. Uma miscelânea sonora pouco improvável, mas que surtiu um efeito bem interessante e até mesmo arrojado. Eles se reuniram em Nova Iorque após assinar contrato com a Columbia Records (Zembu Records) e começaram a gravar.

Arrojado e talvez, para muitos conservadores, como algo delirante, pois nota-se que John Lee e Gerry Brown queria criar um nicho dentro de uma concepção, de um conceito comercial, de uma música diversificada, plural, que pudesse contemplar vários públicos. É notável a musicalidade em “Medusa” e o risco também. O álbum foi produzido por John e Gerry com a ajuda de Skip Drinkwater para a Zembu Records, subsidiária da Columbia.

A formação da banda, quando gravou e lançou “Medusa” trazia, além de Gerry Brown na bateria e percussão e John Lee no baixo, Eric Tagg nos vocais, Charyl Alexander também nos vocais, Jim Mahoney na guitarra, James Batton nos vocais e teclados, Darryl Thompson, na guitarra elétrica e acústica. Contou com algumas participações como David Sancious no órgão e sintetizador, Bobby Malach, no saxofone e Peter Robinson no ARP Odyssey on.

O álbum é inaugurado com a faixa “Soul Free” que proporciona logo ao ouvinte o peso da bateria, o hard rock mais refinado, mas com uma pegada AOR, soando radiofônico, pop. Traz o “classic rock”, o sinfônico personificado nos teclados tocados freneticamente, repleto de energia. Um misto de musicalidade fina, mas acessível. Solos de guitarra animados, solares corroboram a sua condição, dando-lhe o peso identificado. Já começa intenso e animado.

"Soul Free"

Segue com “Heartburn” que chuta a porta com um riff pegajoso, típico do hard rock dos anos 1970! A diversidade da faixa anterior não se encontra em “Heartburn”, que, de forma avassaladora, abre as cortinas do velho e bom hard rock. Os riffs são elegantes e atraentes e nos faz bater a cabeça, mas dançar também. Os vocais, para seguir a proposta, vem rasgado, quase gritado. Solos de guitarra são bem elaborados e põe a música em seu lugar: pesada!

"Heartburn"

"Second-Hand Brain" traz de volta o arrojo de seus músicos tentando diversificar e mesclar os sons. E consegue com êxito! Aqui se percebe, com nitidez, o heavy rock com uma dosagem bem temperada de R&B. Nota-se a produção excelente, a qualidade das melodias. É dançante, é pesado, os teclados são arrebatadores, enérgicos, os solos de guitarra, embora simples e diretos, são solares e conduz o formato animado e diversificado dessa faixa.

"Second-Hand Brain"

"Our Love Is Surely Gospel" começa com uma pegada mais voltada para o progressivo sinfônico, mesclado com um balanço, extremamente dançante e um vocal límpido e bem executado. Há um toque de exaltação nessa música que talvez se confirme o “Gospel” no nome da faixa. É cheia de luz e vida. Os instrumentos de sopro entram discretamente, como o saxofone, e deixa tudo mais rico e diversificado sonoramente falando.

"Our Love Is Surely Gospel"

A faixa título chega, “Medusa”, com riffs poderosos de guitarra, que a torna pesada e que me remete a um Southern Rock com uma pitada bem generosa de R&B e soul music. Se tornou inevitável lembrar de Trapeze no auge, com Glenn Hughes. Aqui não se enquadraria em uma faixa que tende para o AOR, uma música comercial. Ela é ousada e pouco compreendida para um público menos exigente.

"Medusa"

"Hit And Run Lover" começa animada e linda com doses cavalares de piano e riffs de guitarra. O hard rock, com uma pegada mais radiofônica, se mostra aqui novamente. O vocal, com um viés mais R&B se faz presente também. Esse é um risco adorável que a banda assumiu fazer. Um cantor de R&B cantando hard rock. E falando no hard rock, o solo de guitarra chega e vem poderoso, trazendo, ainda mais, textura de um hard rock mais comercial.

"You Leave Me Hangin'" tira um pouco o pé do freio e entrega um pouco de jazz rock calcado no piano e na “cozinha” rítmica simples, mas trazendo uma camada bem forrada de balanço no formato balada rock. O vocal retorna aqui com uma limpidez incrível, límpido, delicado, sem exageros, mas eloquente pela sua beleza, juntamente com um backing vocal que nos remete a música negra. Fecha lindamente com solos de guitarra e saxofones viajantes.

"You Leavin Me Hangin"

E termina o álbum com "Mr. C.T." que traz de volta o hard rock que logo se inicia com solos de guitarra e bateria marcada e pesada. Um hard rock instrumental com belíssimos solos de guitarra, com passagens sinfônicas do teclado que dá o tom de prog rock em discretos momentos.

"Mr. C.T."

Infelizmente a Columbia Records assinou com a banda com base no valoroso histórico de jazz fusion de Gerry Brown e John Lee, as mentes por detrás do Medusa. Mas, como podemos ouvir em “Medusa” o material é extremamente diversificado e arrojado em sua sonoridade, mais orientada para o rock clássico, para o hard rock e nuances de soul music, R&B e até mesmo para o funk com pegadas bem dançantes e pesadas. Essa era a atenção evidente de Brown e Lee, que decidiram sair um pouco de seus trabalhos voltados para o jazz fusion.

Só não se sabe exatamente se esse projeto foi delineado, de forma detalhada, com os executivos da Columbia. Se não o fez, certamente não agradou muito a gravadora que não fez um trabalho de difusão do projeto, muito ajudado também pela banda que não decidiu promovê-lo por intermédio de apresentações.

Então não era de se esperar de que o álbum tenha passado despercebido entre o mercado da música, entre os fãs, caindo na mais total obscuridade, ficando esquecido, nas poeiras do rock, até ser redescoberto, muito graças a reputação de Lee e Brown, na cena jazz fusion, e por conta das redes sociais, da internet.

A dupla Gerry Brown e John Lee retornaria, no ano seguinte, mais precisamente em 1979 para gravar o álbum “Chaser” que, de alguma forma continuou com a pegada jazz fusion, crossover, funk e soul e hard rock, tanto que contou, inclusive, com alguns músicos do Medusa.

"Chaser" (1979)

“Medusa” foi lançado inicialmente pela Columbia Records, no Canadá, onde se criou uma confusão da banda ser daquele país, sendo, claro, concebida nos Estados Unidos, onde o álbum foi lançado no mesmo ano de 1978. A CBS lançaria o álbum também pela Europa, por alguns países de lá, em 1979 e o relançando, também em 1979, pelos Estados Unidos, pela Columbia Records.

O único álbum do Medusa pode não ter tido o reconhecimento do público, pode ter sido considerado esquisito, estranho, com a sua diversidade sonora pouco ortodoxa, mas é exatamente por conta desse arrojo, trouxe um projeto audacioso e solar. Um clássico obscuro e improvável!




A banda:

Eric Tagg - vocal

Charyl Alexander - vocal

Jim Mahoney - guitarra

James Batton – teclados e vocal

Darryl Thompson – guitarra acústica e elétrica

John Lee – baixo

Gerry Brown – bateria

 

Com:

David Sancious - sintetizadores (1,3,4,5,7,8), órgão (1,6)

Bobby Malach – Tenor Saxofone (4)

Peter Robinson - ARP Odyssey on (8)

Eef Albers – Guitarra acústica e elétrica

 

Faixas:

1 - Soul Free

2 - Heartburn

3 - Second-Hand Brain

4 - Our Love Is Surely Gospel

5 - Medusa

6 - Hit And Run Lover

7 - You Leave Me Hangin'

8 - Mr. C.T.



"Medusa" (1978)