Mostrando postagens com marcador 1974. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1974. Mostrar todas as postagens

sábado, 9 de maio de 2026

Climax - Gusano Mecánico (1974)

 

O rock latino não goza muito de popularidade em outros continentes tidos como referência do rock n’ roll, como a Europa e a América do Norte, principalmente a terra do Tio Sam, por exemplo. E viajando por alguns países, em especial, da América Latina, o cenário, no que tange a visibilidade, fica ainda pior.

Tirando alguns países como a Argentina e o Brasil, além do México, muito citado quando lembramos dos latinos americanos, apesar de ser da América Central, os demais países sempre caem no ostracismo, sendo, claro, pouquíssimos comentados.

Embora países, como por exemplo, a Bolívia, não seja fértil para o rock n’ roll, sobretudo nas décadas de 1960 e 1970, não se enganem, estimados leitores, que não exista nada de bom nesse país e nos demais também. Querem saber o motivo de ter mencionado a Bolívia? Porque de lá surgiu a banda que eu falarei hoje: CLIMAX.

O Climax não é uma banda tão rara, até traz alguns fãs e adoradores do rock underground, talvez não pudesse até figurar em minhas linhas, mas, em se tratar de um país, como disse, tão pouco difundido para a nossa tão amada e famigerada música, vale e muito a pena falar sobre ela e lá em terras bolivianas o Climax é gigante, um verdadeiro desbravador da música pesada.

E falando em música pesada, não é tão somente pelo fator do país de origem ser pouco conhecido, vale contar a história do Climax pelo único álbum que produziu que é simplesmente sensacional. Válido principalmente para quem aprecia hard rock com nuances blueseiras. Mas acalmem-se, bons amigos leitores, não falarei agora sobre o álbum, mas de sua história e do contexto político e social a qual a banda estava inserida.

Com apenas 16 anos de idade, o baixista Javier Saldias e o guitarrista José A. Eguino formariam, em 1968, a banda “Black Birds”, que mais tarde se tornariam “The Tourtles”. Quando conheceram o prodigioso baterista Álvaro Córdova encontraram o elemento essencial necessário para dar o grande salto para um novo tipo de som e maturidade musical. Um ano depois, começaram a ouvir as novas correntes sonoras pesadas, com viés do blues, que estavam em evidência, como Cream, Steppenwolf e Jimi Hendrix.

Climax

Seria a ruptura com o beat, a psicodelia, para uma veia mais pesada e bluseira. O psicodélico “flower power” estava entediante e demasiadamente pop na transição das décadas de 1960 e 1970 e as influências mencionadas era a porta para uma sonoridade nova e mais arrojada.

A banda ficou tão envolvida nesse som poderoso que estava florescendo que decidiu ir para os Estados Unidos para conhece-lo. Quem sabe seria a chance de tingir com novidades a sonoridade da banda que haviam recentemente formado. Infelizmente na Bolívia não teria como pôr em prática tal audacioso projeto sonoro.

Eles entraram em contato com a prima de primeiro grau de Javier Saldias, que morava em Denver, no Colorado, e ela, gentilmente, ofereceu um lugar para ficarem. Assim, os três, antes de atingirem a maioridade, partiram para os Estados Unidos com a coragem de querer mudar a sua música e trilhar uma nova trajetória. Eles iriam estar dentro do movimento musical, vivendo aquilo tudo!

Denver não era o lugar ideal para respirar a cena psicodélica norte-americana, então foram para São Francisco, na Califórnia e lá puderam assistir aos shows do Jimi Hendrix Experience, The Doors e Steppenwolf e assim puderam participar, ainda como fãs, dos grandes momentos do rock na segunda metade dos anos 1960, marcado por bandas mais pesadas e viscerais. Suas visões musicais mudaram! Foi um arrebatamento sonoro!

Com essa experiência vivida adquirida nos Estados Unidos, a banda, agora com o nome de Climax, faria uma temporada na Argentina e voltaria para a Bolívia se consolidando em torno, claro, de José A. Eguino, na guitarra, teclados e vocais, Álvaro Córdova, na bateria e Javier Saldías no baixo. Os fãs ardorosos de rock n’ roll da Bolívia ficaria impressionados com a sonoridade poderosa do power trio nas suas apresentações ao vivo, onde puderam entregar a potência da guitarra, a sonoridade poderosa do baixo e a energia dinâmica da bateria como nunca antes ouvida na Bolívia.

O público reagiu muito bem, mesmo dentro de um contexto elitista foi totalmente aceito, e a fama de CLIMAX cresceu por todo o país. Já desde suas origens. Nesse sentido, o grupo tinha um estilo poderoso e muito polido, no qual cada membro soava como dois ou três músicos ao mesmo tempo, esse era o segredo do CLIMAX.

O Climax tinha tudo em suas mãos. De uma linguagem sonora muito estridente, muito mais agressiva, onde cada membro tentando impor suas habilidades musicais pessoais, perceberam que juntos eram explosivos se aprendessem os “truques” necessários para trabalharem em equipe.

E com isso logo as ofertas chegaram. A gravadora de La Paz, “Discolandia”, os contratou para a gravação de seu primeiro EP, que foi concebido em apenas três dias e lançado em 31 de março de 1969. Essa primeira obra continha versões de grupos clássicos como Steppenwolf ("Born To Be Wild"), Cream ("Sunshine Of Your Love" / "Tales Of Brave Ulyses)" e uma música tributo ao seu admirado Jimi Hendrix ("Fire").

Capa EP

Naquela época, o CLIMAX já era uma das bandas mais populares da Bolívia e seu estilo muito pessoal de interpretar os grandes do Rock os fez criar, pouco a pouco, sua própria personalidade musical. Esse primeiro EP seria seguido por um segundo, lançado em 24 de maio de 1970, que continha uma nova versão da música "Born To Be Wild", além de suas primeiras músicas originais, "The Seeker", "El Abrigo Café de Piel de Gallina" e "El Ritmo de la Vida". Com esses dois EPs a banda conseguiu ser um dos mais reconhecidos da Bolívia e recebeu ofertas de emprego por todo o país.

Naquela época, um quarto membro entrou para a banda, um fuzileiro naval dos Estados Unidos, chamado Bob Hopkins, que eventualmente ficou responsável pelos vocais e gaita, mas apenas para a gravação do segundo EP e para alguns shows ao vivo. Aqueles que ouviam a música desse trio naquela época perceberam que, em termos qualitativos, o CLIMAX estava anos-luz à frente da concorrência. Nos três anos seguintes, mais precisamente entre 1970 e 1973, os membros do Climax, se reuniram para o que seria, finalmente a gravação do seu debut, do seu primeiro álbum e, para variar, os resultados seriam simplesmente espetaculares, trabalho esse que será esmiuçado por aqui.

"Gusano Mecánico", o álbum que gravaram em 1974, se tornaria uma das primeiras obras conceituais do rock boliviano, marcando um antes e um depois na cena musical latino-americana. Ao ouvi-la, todos os críticos e fãs da Bolívia concluíram que era uma obra-prima e um esforço que até hoje não tem sido igualado em seu país. A música pulsante, majestosa e ousada da banda fala por si só. Dessa forma, o CLIMAX deu um salto gigante em sua evolução artística e musical e se estabeleceu, definitivamente, como a melhor, mais experimental e audaciosa banda do rock boliviano.

Em “Gusano Mecánico” que, em tradução livre significa “Verme Mecânico” a banda ousou explorar os terrenos complexos do rock progressivo e a fusão de elementos da música andina (bem evidente) com o rock mais inovador, mesclando a isso tudo, claro, o hard rock e a blues rock tão em voga à época. Neste álbum a banda não apenas apresentou uma evolução musical incrível, mas também como músicos. Como curiosidade, a arte da capa traz a interpretação colorida da famosa "Relativity", de M.C. Escher, que mostrava uma escadaria labiríntica com minhocas que representavam a trajetória atual da humanidade no mundo da mecanização como uma engrenagem em uma máquina maior.


Cada membro evoluiu instrumentalmente de forma incrível e isso, junto com o fato de que todos levaram o novo desafio muito a sério, os colocou em destaque. Jose A. Eguino forneceu a estrutura inicial, a parte mais clássica, porque naquela época toda a banda estudava música muito a sério, e em um estúdio de piano, um instrumento que Jose A. Eguino estudou na época, algumas melodias do novo álbum foram acopladas. Por sua vez, Javier Saldias também contribuiu com as letras das músicas.

O álbum abre com a faixa de sete minutos “Pachacuttec (Rey de Oro)”, uma composição em duas partes. Uma verdadeira demonstração de potência, começa com uma avalanche de decibéis, riffs acrobáticos e solos jazzísticos com toques de acid house, sustentados por uma batida de bateria convulsiva com influências latinas e um baixo expressivo. A princípio, tudo parece caótico, mas é perfeitamente controlado. Gradualmente, o trio então mergulha em uma sequência psicodélica e nebulosa, oferecendo um contraste marcante antes da explosão final.

"Pachacuttec (Rey de Oro)"

“Transfusión de Luz” tem o destaque da guitarra e os vocais dão um toque psicodélico inevitável, seguindo a veia inaugurada por bandas do naipe do The Who e Jimi Hendrix Experience. Aqui, Eguini faz um solo francamente memorável e o trabalho da bateria também ganha protagonismo, sendo muito cru e pesado.

"Transfusión de Luz"

“Cuerpo Electrico - Embrión de Reencarnación” é a música que encerra o primeiro lado da versão em LP e mais remete a uma estrutura mais melódica, o que, confesso, me parece um tanto quanto incomum, levando em consideração o álbum, como um todo, que traz um hard rock mais sujo, embora bem estruturado, melodicamente falando. Mas ainda assim surpreende pelo peso, pelo arrojo e pela sua importância, tendendo não apenas para o hard típico dos anos 1970, mas para um proto metal. Nada era feito assim na Bolívia!

"Cuerpo Eléctrico - Embrión de Reencarnación"

“Gusano Mecánico”, a faixa título, abre o lado B da versão em LP e pode ser, sem dúvida, a faixa mais progressiva deles, algo como um belo hard prog. As mudanças de andamento nessa música são perceptíveis e trazem lembranças de faixas progressivas pesadas como “Tarkus”, do Emerson, Lake & Palmer. O destaque fica para a bateria de Córdova. Riffs pesados de guitarra, solos “floydianos”. É um espetáculo técnico, de complexidade, mas, por outro lado, é orgânico, traz um trabalho excelente de instrumentistas de mão cheia.

"Gusano Mecánico"

“Prana – Energía Vital”, ainda traz a qualidade da bateria: pesada, seca, dura, contando com um solo que domina toda a música, sem soar enfadonho, muito pelo contrário. O que poderia ser chato e indulgente, agregou maravilhosamente, trazendo, ou melhor, corroborando a capacidade de seu baterista. É somente a cereja do bolo para exibir o típico e direto hard rock dos anos 1970. 

"Prana - Energia Vital"

“Cristales Soñadores” fecha o álbum e aqui há a adição de teclados e talvez me remete a uma pegada progressiva. Não há informações concretas acerca do músico que tocou teclado no álbum, há quem diga ter sido Nicolás Suárez, porque a banda fez turnê com ele, mas traz, repito, um agradável tempero progressivo. Traz também algo melódico, mais uma vez, como se encerrasse uma viagem. O hard rock continua ali, vivo, latente, mostrando aos ouvintes a verdadeira e genuína vocação desse brilhante álbum.

"Cristales Soñadores"

Um brilhante álbum! Toda essa magia, toda essa explosão criativa do Climax, infelizmente, foi quebrada, de forma triste e precoce. “Gusano Mecánico” marcaria o começo do fim da banda. Pouco depois os músicos se separariam. José Eguino e Álvaro Córdova decidiram deixar a Bolívia. Córdova foi para a Venezuela, onde permaneceu por longos dez anos. Em 1984 retornou à Bolívia, cumprimentou amigos e familiares e não demorou muito tempo, embarcando em nova viagem, desta vez para os Estados Unidos, onde permaneceu por mais uma década.

José Eguino, que praticamente cresceu nos Estados Unidos, estava sempre indo e voltando daquele país. O único que permaneceu na Bolívia foi Javier Saldías, que participou de um número ilimitado de bandas e projetos musicais em seu país, incluindo Mago, Mahadma, Luz de América, Años Luz, Comunidad, david Lamar Trio, entre outros. Saldías também é professor no “Conservatório Nacional de Música” e chegou a estrelar o longa-metragem “Nostalgias del Rock”, de produção boliviana.

Em 1990 o Climax teve uma breve reunião, mas passou despercebido de tão rápido e sem sequer uma difusão digna. Já em 1998 seria lançado o álbum, no formato CD, de nome “Climax, Complete Recordings”, uma reedição de todo o material de estúdio, incluindo os dois EPs gravados entre 1969 e 1970 e o LP “Gusano Mecánico”. O guitarrista José Eguino supervisionou pessoalmente a remasterização, mixagem e digitalização do álbum, garantindo que nenhuma essência musical dos primeiros anos da banda se perdesse.

Em 2002 a banda se reuniria novamente para lançar uma nova compilação, agora de nome “Climax de Colección”, que continha o LP “Gusano Mecánico”, juntamente com as músicas gravadas anteriormente a este trabalho, que estavam nos seus dois EPs, como algumas músicas originais como “El Abrigo Café de Piel de Gallina” e “Ritmo de la Vida”.

“Gusano Mecánico” seria relançado, em 2005, na Alemanha, pelo selo World in Sound, seria relançado também no Brasil, em 2018, pelo selo Retro Remasters Plus, no formato CD e o mais recente relançamento seria em 2025, na Espanha, pelo selo Munster Records.





A banda:

José A. Eguino na guitarra, teclados e vocais

Javier Saldias no baixo

Álvaro Córdova na bateria

 

Faixas:

1 - Pachacuttec (Rey de Oro)

2 – Transfusión de Luz

3 - Cuerpo Eléctrico - Embrión de Reencarnación

4 - Gusano Mecánico

a) Invasión

b) Dominio

c) Abandono

5 - Prana - Energia Vital

6 - Cristales Soñadores



"Gusano Mecánico" (1974)





















 





 


sábado, 1 de março de 2025

Uno - Uno (1974)

 

As dissoluções de bandas podem ser duras para os seus integrantes e fãs, mas convenhamos que o fim de uma trajetória pode significar o começo de novos e arrojados trabalhos. As vezes para construir é preciso destruir! Construções edificantes e fortes que podem ficar na história ou simplesmente ter curtas histórias, mas que podem marcar a vida de músicos e apreciadores do bom e velho rock n’ roll.

Divergências sonoras, guerras judiciais por dinheiro, ódio, egos, tantos sentimentos motivados por diversas situações que podem parecer desagradáveis e tristes para os fãs que só se preocupam com a música, podem suscitar novos grandes momentos.

E diante de tantos e tantos casos similares que presenciamos no universo do rock eu citarei um que aconteceu na Itália com uma das seminais bandas daquele país que é um verdadeiro celeiro do hard e prog nos anos 1970: o Osanna.

Osanna

O ano era 1973 e a cena era a prolífica napolitana. O Osanna lançaria talvez o seu mais famoso e representativo álbum de sua arrojada discografia, o “Palepoli”. Esse álbum personificaria o ápice da criatividade sonora do Osanna, porém esse momento épico da banda renderia a sua dissolução, o seu fim. As relações entre os seus integrantes eram delicadas, tempestuosas e já estava em curso esse triste fim.

"Palepoli" (1973)

Mesmo com um trabalho incrível o Osanna estava abalado, na corda bamba com a iminência do fim. Parece, caros leitores, que o sucesso é muito tênue nas vidas das bandas, onde, cada vez que a banda sobre, cresce e está no topo do mundo ou da sua criatividade, o ego fica cada vez mais inflado.

Eles ainda teriam tempo para lançar o vindouro álbum “Landscape of Life”, em 1974, decretando oficialmente o fim do Osanna. Esse último trabalho marcaria uma mudança na banda, onde gravariam músicas em inglês com a clara intenção de ganhar outros mercados internacionais e alçar o Osanna para mundo, o que foi inútil.

Reza a lenda que os integrantes, nas gravações de “Landscape of Life”, estavam com tantas divergências quanto a música do Osanna no futuro que o nascimento da banda que falarei nesta resenha seria a ideia que parte da banda queria para o Osanna e por isso que o UNO poderia ser uma sequência do velho Osanna.

O Uno surgiu, como disse, das cinzas do Osanna e teve na figura emblemática do guitarrista Danilo Rustici e no flautista e saxofonista Ellio D'Anna a sua espinha dorsal. Se juntaria a esses músicos, originalmente o baterista, hoje famoso e exímio, Toni Esposito.

 

O Uno surgiu, como disse, das cinzas do Osanna e teve na figura emblemática do guitarrista Danilo Rustici e no flautista e saxofonista Ellio D'Anna a sua espinha dorsal. Se juntaria a esses músicos, originalmente o baterista, hoje famoso e exímio, Toni Esposito.

No final de 1973 a banda foi apresentada pelas revistas de música italianas e as matérias eram sobre um LP que seria lançado em breve pela recém gravadora Trident. Convém lembrar que Massimo Guarino e Lino Vairetti, a outra parte do Osanna, ficaria pela Itália para colaborar com a banda napolitana Città Frontale, que daria a esta um sopro de vida, lançando o álbum “El Tor”, em 1975, cujo álbum por ser ouvido aqui.

Cittá Frontale - "El Tor" (1975)

Mas antes de qualquer lançamento a primeira baixa. Esposito sairia da banda antes de gravar qualquer material com o Uno e foi para o projeto de outra seminal banda de Nápoles chamada Cervello, gravando o excepcional “Mellos”, ainda em 1973. Para o lugar de Toni Esposito entraria o baterista Enzo Vallicelli, que tocou com o Hellza Poppin e o Osage Tribe e com Claudio Rocchi. Pronto! Nova banda formada e com o desejo de um novo álbum prometido na imprensa especializada da música italiana.

Cervello - "Mellos" (1973)

A expectativa dos executivos da gravadora Fonit Cetra era tão grande que decidiram investir e muito no Uno, tanto que encaminharam a banda para Londres e gravarem no Trident Studios o seu tão aguardado debut. E lá o álbum foi concebido, gravando para o selo Fonit Cetra o seu primeiro e único álbum de estúdio chamado simplesmente “Uno”, em 1974.

“Uno” teve algumas participações relevantes, diria famosas. Por ter sido gravado no mesmo estúdio de “Dark Side of the Moon”, icônico álbum do Pink Floyd, em 1973, o primeiro álbum do Uno teve a ajuda do letrista Nick Sedwick e a cantora Liza Strike, que colaborou com o álbum famoso do Floyd, também tocou em uma faixa de Uno.

 

Liza Strike

As conexões com o Pink Floyd não parariam por aí. A versão das músicas do primeiro álbum do Uno cantada em inglês, teve sua capa projetada pelo influente Hipgnosis, que fez uma capa extremamente surreal e instigante. Esse álbum cantado integralmente em inglês teve a nítida intenção de projetar o Uno para o mercado exterior, fazendo com que a banda ganhasse fama, mas não aconteceu. As tentativas foram inúteis. Mas antes de contar o desfecho triste de Uno, falemos de seu único álbum.

“Uno” não está muito longe do estilo tardio do até então último álbum lançado do Osanna, “Landscape of Life”, com quatro faixas cantadas em inglês e três músicas cantadas em italiano. E para muitos essa semelhança com o álbum do Osanna tenha sido a derrocada do Uno, talvez sendo o “fantasma do passado” assombrando os remanescentes da banda, poderiam assombrar o Uno ou talvez seriam as intenções ou, diria, as tentativas impostas em “Landscape of Life” que queriam implantar em “Uno”.

“Uno” traz um viés mais comercial, mas nada frívolo ou trivial, superficial demais, pois traz uma diversidade sonora que, convenhamos, o Osanna sempre teve, afinal, dois terços do Uno eram do Osanna, o que poderia ser natural. Blues rock, hard rock, prog rock, um rock orquestral capitaneado pelo sax, flauta e moog são as tônicas desse álbum. É um álbum frenético, cheio de energia e caótico, a natureza selvagem típica do Osanna estava em Uno, mas com uma roupagem mais acessível.

O álbum é inaugurado pela faixa “Right Place” que, para o início de um álbum, torna-se muito interessante! Inicia suave, lenta e pastoral com flauta viajante e linda, tocada de uma forma muito particular e emocionante. A guitarra acústica traz essa atmosfera agradável capitaneada pela flauta. A música, cantada em inglês, te remete ao prog britânico. A ideia da banda de internacionalizar o som foi construída nessa música. Mas quem se preocupa com isso? O que importa é a qualidade da música que está bem destacada nela. Bateria marcada, lenta, o conceito de balada se faz presente do início ao fim e o sax traz o “tempero” necessário para a viagem da música. Rápidos solos de guitarra animam. Belo início!

"Right Place"

“Popular Girl” muda um pouco o caminho. Tem uma pegada de blues rock que te remete aos blueseiros norte-americanos dos anos 1960 ou até mesmo dos blues rock do início dos anos 1970, pois tem uma pegada mais pesada e solar. Esqueça o prog rock nessa faixa e, apesar de um tanto quanto deslocada, mostra a capacidade de diversificar a sonoridade de seus belos músicos. E, falando nisso, o destaque fica para os solos de guitarra de Danilo Rustici. Enzo Vallicelli não fica atrás nas baquetas: potente e pesado. As flautas envenenadas. Nesse momento em que os instrumentos ganham destaque, o blues rock é esquecido e o hard rock ganha evidência. As mudanças rítmicas podem ser encaradas como uma música progressiva? Fica a critério de quem ouve chegar a essa conclusão.

"Popular Girl"

A primeira faixa cantada em italiano, “I Cani e La Volpe” e com isso traz a “pegada” italiana, soando mais italiana. É uma melodia cativante, linda, complexa. O uso de teclados e do saxofone faz da música cheia de recursos. E o que dizer dos vocais, uma performance magnífica cantada a plenos pulmões que, em determinados momentos, é gritado. Em alguns momentos soa caótico, lembrando os primórdios do King Crimson. Espetacular!

"I Cani e La Volpe"

“Stay With Me” retorna a língua não nativa de seus músicos e traz consigo novamente a leveza de uma balada progressiva, como na faixa inaugural. A dupla espetacular do violão e da flauta traz a tônica da música e toda a sua proposta. Violão acústico, dedilhado, com a flauta viajante, se encontram em uma simbiose sonora incrível. Mas vai encorpando a música e a bateria se encarrega desse momento. Os vocais agora dão lugar a uma pegada mais emocional. O sax, mais uma vez, é destaque, e nos faz querer bailar, dançar. Fantástico! "Uomo Come Gli Altri" é o tema mais curto aqui, um momento caloroso e relaxante em que podemos desfrutar de seus vocais, é o preâmbulo para a faixa mais longa.

"Stay With Me"

“Uno Nel Tutto”, no auge dos seus dez minutos, é simplesmente épica! Sem sombra de dúvidas é uma das melhores faixas de “Uno”. E ela se torna especial por soas diferente do que estava se ouvindo até então no álbum. É uma música cheia de sentimento, forte e repleta de personalidade. Ela soa experimental e o duelo entre o vocal, mais agressivo e o sax igualmente envenenado, remete ao hard prog, algo mais pesado e underground! E como uma música progressiva, vai mostrando mudanças rítmicas e depois dos quatro minutos de duração, ela fica com uma atmosfera mais eletrônica, me fez lembrar um krautrock germânico. É incrível o quanto esses caras se permitem ousar e deixar a criatividade falar mais alto. Solos de sax são instigantes e mesmerizantes. Não há como não se deixar render e sair dançando loucamente. E já se encaminhando para o final a bateria bate pesado, mas para quem achava que iria ser um desfecho mais hard, enganou-se, porque o piano entra e a balada ganha destaque. Música cheia de recursos e, mais uma vez, revela a capacidade de seus instrumentistas.

"Uno Nel Tutto"

E fecha com a faixa “Goodbye Friend” que traz a pegada das faixas anteriores, a balada dominada pelos violões acústicos. Os dedilhados remetem a algo mais pastoral. Mas logo entra o sax e os vocais que, mais uma vez, se revelam bons “parceiros”. É bem floydiana, não pelo fato do vocal de Liza Strike, sempre emocional e dramático, que participou em “Dark Side of the Moon”, mas que traz aquela mescla de prog com psicodélico e um viés mais radiofônico. É possível? Sim! 

"Goodbye Friend"

O texto, caro e estimado leitor, por ser meu, torna-se inevitável a minha visão acerca do álbum, nada mais natural do que isso e eu faço questão de expô-las. E “Uno” é um álbum fantástico! Quando levantei referências para construir esse texto, sobretudo na sua parte histórica, li críticas muito pesadas, visões negativas deste trabalho único da banda Uno. Merecem todas as análises muito respeito, afinal, as opiniões são pessoais, mas muitos criaram uma expectativa de ouvir em Uno o Osanna, banda mais querida pelos ouvintes de progressivo e hard rock. E é aí que a frustração nasce, pois muitos ouviram Uno como Osanna.

Evidente que os laços que os unem são fortes, afinal, grande parte do Uno veio do Osanna, mas esses ousados e grandes musicistas encararam seu até então novo projeto como algo audacioso, diferente da vertente sonora que o Osanna produzira até então. E eles fizeram! Eles conseguiram, mesmo que, em alguns momentos, eles emularam o som do Osanna em Uno, principalmente pelo que fizeram em “Landscape of Life”, mas não esperem do Uno o Osanna.

E acredito que a rejeição se deu também pelo fracasso comercial e os problemas que o Uno teve em reproduzir as faixas de seu álbum no palco, ao vivo. A turnê promocional foi problemática, devido a complexidade dos arranjos executados no estúdio, sendo difícil tocar ao vivo. Por essa razão um quarto músico foi adicionado para os shows finais da turnê: o irmão de Danilo Rustici, Corrado, que estava tocando no Cervello, na guitarra e baixo. A título de curiosidade a abertura dos shows do Uno foram feitas por Tito Schipa Jr. que tinha acabado de lançar “Lo Ed Io Solo”.

Mesmo com a reação fria e monótona da imprensa especializada e do público, foi lançada uma versão, em inglês, de “Uno”, com uma bela capa surreal projetada pela Hipgnosis, mas também não atraiu nenhum interesse. Ele foi lançado na França, pela Motors e na Alemanha pela Pan, ambos com a capa desenhada pela Hipgnosis. Há um lançamento em CD japonês, em Strange days, com capa de Mini LP. As reedições originais do CD cantado em italiano, excluídas de catálogo há muito tempo, foram finalmente substituídas por um lançamento com capa gatefold e livreto ilustrado bem caprichado.

Capa alternativa de "Uno"

A rejeição da imprensa e o desdém pelo seu álbum, lamentavelmente decretou o precoce fim do Uno! O mercado da música sempre falou mais alto e infelizmente, em virtude desse triste cenário, sempre aliaram o fracasso comercial à qualidade dos trabalhos realizados. A banda se separou e um novo projeto nasceria com os irmãos Rustici e D’Anna que se chamaria “Nova”, apostando em um viés mais fusion. O primeiro álbum se chamaria “Blink”, lançado em 1975. A resenha desta banda e álbum, caro amigo leitor, pode ser lida aqui. Enzo Vallicelli tocaria, por muitos anos, com vários artistas italianos populares e hoje assinando como “Vince Vallicelli”, é um grande baterista de blues.

Nova - "Blink" (1975)

O sucesso comercial não veio, mas aqui neste blog o fracasso ganha destaque, a obscuridade ganha luz e o Uno, com seu único álbum, homônimo, é, sem sombra de dúvidas um clássico do prog rock obscuro. Um trabalho ousado, digno, forte, de alto teor emocional e caráter dramático. Está nos anais da história do rock marginal. Altamente recomendado!



A banda:

Danilo Rustici nos vocais, na guitarra elétrica e acústica, bass pedal, strings pedal, moog e piano.

Elio D'Anna no tenor e barítono e alto e soprano saxofone, flauta e strings pedal.

Enzo Vallicelli na bateria.

 

Com:

Liza Strike no backing vocal

 

E:

Corrado Bacchelli na produção

 

Faixas:

1 - Right Place

2 - Popular Girl

3 - I Cani E La Volpe

4 - Stay With Me

5 - Uomo Come Gli Altri

6 - Uno Nel Tutto

7 - Goodbye Friend



"Uno" (1974) - Ouça aqui!








 






























quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Pandora - Measures of Time (1974)

 

Quando leio alguns textos sobre determinadas bandas ou álbuns observo, nitidamente, que as pessoas buscam algo inovador. Claro que, quando temos um primeiro contato com uma banda, buscamos algo que nos arrebate, perfeitamente natural ter, ou melhor sentir isso. Mas percebo que o nível de exigência tem sido demasiadamente alto a ponto de rejeitar e criticar determinadas bandas e trabalhos por elas produzidas.

A crítica e a rejeição também fazem parte do processo da aceitação ou não de determinados trabalhos, mas penso que buscar sempre algo inovador é demasiado exigir demais de determinadas bandas e principalmente de si mesmo quanto ao seu nível de aceitação e rejeição de determinados trabalhos.

As cenas musicais chegam a níveis de saturação, com um número enorme de bandas que surgem. Percebo isso em movimentos musicais de hoje e do passado e com o rock progressivo não foi diferente, principalmente na primeira metade dos anos 1970, quando viveu sua ebulição criativa, embora nunca tenha sido uma cena palatável e tanto aceita pela indústria fonográfica. E que fique claro que a sua ebulição criativa foi na primeira metade dos anos 1970, mas não significa que em outros tempos não tenha sido.

E, diante desse cenário, que penso ter acontecido, muitas bandas surgiram, algumas viram a luz do sucesso, enchendo arenas, estádios e participando de festivais faraônicos e muitas outras caíram no limbo do esquecimento, vagando pelas sombras obscuras do underground.

E essas últimas sofreram e sofrem com uma investida pesada de ultrajantes cópias das bandas famosas, de sucesso. Evidente que não tirarei os méritos dos medalhões do prog rock que conquistaram suas condições de pioneiras e inovadoras, mas qual o motivo de taxar as obscuras de plagiadores? Qual o motivo de pontuá-las como farsantes ou coisa que o valha?

Essa defesa veemente da minha parte, caros leitores, se dá por uma questão óbvia, afinal, esse reles e humilde blog fala de bandas obscuras, mas não se enganem que a defesa seja cega e alienada. Aqui há espaço para críticas, mas principalmente, modéstia à parte, para grandes álbuns e bandas.

E a banda de hoje eu conheci recentemente em uma dessas incursões, às vezes, confesso, aleatórias na grande rede na caça de álbuns obscuros e quando a ouvi simplesmente adorei, porque alia um progressivo sinfônico, com uma pegada mais pesada, um hard mais acessível, com uma sonoridade, diria, comercial, mas de qualidade. Falo da banda sueca PANDORA.

Pandora

Quando levantei referências para este texto que você, fiel e bom amigo leitor, li algumas críticas pesadas, desconstruindo a sonoridade da banda, dizendo que era cópia de ícones como Uriah Heep, Genesis, entre outras bandas de sucesso. Ao ouvir o único álbum lançado pela banda, há cinquenta anos, em 1974, chamado “Measures of Time”, não se percebe, de fato, nada de inovador, era o que se fazia na primeira metade dos anos 1970, na cena progressiva, mas se trata de um trabalho excepcional, muito agradável de se ouvir e é isso que importa aos ouvidos e a alma.

E falando em referências lamentavelmente pouco encontrei sobre a história do Pandora na web, sobre as suas origens, então vai as minhas famigeradas licenças poéticas acerca de sua história obscura. O nome da banda te remete a conhecida “Caixa de Pandora” com a sua história de que os deuses gregos colocaram todas as desgraças do mundo, entre as quais a guerra, a discórdia, as doenças do corpo e da alma em uma caixa. Talvez a inspiração para o nome da banda seja a música como uma manifestação irrestrita de esperança. Há muito a se falar da “Caixa de Pandora”, mas não entrarei em pormenores.

Vamos ao pouco da história do Pandora, a banda. A banda foi formada na cidade de Norrkoping, no sul da Suécia, em 1971 pelo baterista Bertil Jonsson e pelo guitarrista Urban Gotling. Após algumas mudanças na formação a banda gravou o já informado debut, na realidade único trabalho, “Measures of Time”, de 1974. Com a saída de Gotling, a formação que concebeu esse álbum tinha, além de Jonsson, na bateria, Leif Hellquist e Åke Rolf na guitarra, Peter Hjelm, no vocal principal, Janne "Flojda" Dockner no piano e sintetizador e Björn Malmqvist no baixo.

“Measures of Time”, lançado pelo selo sueco SMA, no formato vinil, traz uma música bem executada, com excelentes arranjos e melodias com uma roupagem progressiva sinfônica, com teclados agradáveis e vocais bem envolventes, com uma textura mais pesada, tendendo para o hard rock que harmoniza muito bem com os sintetizadores e a pegada sinfônica, fazendo de sua sonoridade versátil e que pode certamente agradar aos apreciadores de progressivo e hard rock, além de um viés mais comercial, porém bem executado.

Nuances psicodélicas são percebidas também que te faz remeter naquela transição dos anos 1960 para os anos 1970, que se percebe uma sonoridade que tenta deixar o experimentalismo e a pegada beat indo para algo mais complexo e bem trabalhado. Assim o é “Measures of Time”. Não para por aí: ainda se percebe um blues progressivo e calorosas pegadas de krautrock. A sonoridade do Pandora é bem globalizada e se afasta um pouco do som das bandas suecas meio exóticas e pouco ortodoxas do início dos anos 1970.

O álbum é inaugurado pela faixa título “Measures of Time” que começa meio operística, piano e baixo em total sinergia entregando um progressivo sinfônico com riffs pesados de guitarra e um vocal melódico cheio de dramaticidade. E tudo isso ganha vivacidade e emoção com solos lindos de guitarra que logo tem a companhia do piano dando uma cadenciada e “rivalizando” com a guitarra. É a faixa que define bem o trabalho do Pandora.

"Measures of Time"

Segue com “Dusty Ledger” que também ganha vida com o piano na introdução e baixo trazendo uma textura mais misteriosa o que é corroborado pelo vocal mais fechado e introspectivo. O baixo fica mais pulsante, a música ganha mais corpo, os riffs de guitarra trazem uma roupagem hard rock, bateria é marcada e bate mais forte, o vocal segue a proposta com alcances maiores, os teclados dão um tom mais sinfônico, solos de guitarra são de tirar o fôlego. Não há como negar que a faixa se revela complexa e repleta de mudanças rítmicas.

"Dusty Ledger"

“The Queen” segue com a proposta mais sinfônica com uma introdução de piano, mas dessa vez foi rápida, porque ela já começa animada, enérgica e agitada. Vocais mais nervosos, mas não menos melódico, o que sempre me agrada, riffs de guitarra dão o tom mais solar, bateria as vezes pesada ou com uma discreta pegada jazzística, o piano mais frenético entrega o peso, o baixo pulsante e dançante, solos mais acessíveis de guitarra. Sem dúvida a mais animada faixa do álbum.

"The Queen"

“Life is Good, Life is Bad” começa com uma salutar “rivalidade” entre piano e a guitarra com seus riffs, tendo uma textura rítmica mais dançante, graças, claro, ao baixo mais pulsante e bateria marcada. Vocal, como sempre, em destaque, sempre melódico e agora em um tom mais dramático. As mudanças rítmicas também é a tônica da faixa, trazendo à tona passagens mais sinfônicas. Na sequência tem “Tailor” com o piano em destaque. A roupagem mais progressiva ganha força nessa faixa e os teclados confirmam essa condição com aquela pegada típica do sinfônico, que logo irrompe nos indefectíveis solos de guitarra sempre bem executada.

E fecha com “Mind of Confusion” traz à tona novamente o hard prog, o peso dos riffs e solos da guitarra e as mudanças rítmicas são arrebatadoras e extremamente solares. E nessas mudanças rítmicas não podemos negligenciar o vocal, destacando-o conduzindo perfeitamente os “humores” da faixa. Traz alcances vocais poderosos a sussurros.

Após o lançamento de “Measures of Time” o Pandora teve alguns bons e importantes shows dando a perceber que a banda vingaria, seguiria o seu curso na história. Abriu banda para bandas mais famosas da Suécia como Kaipa e Trettioariga Kriget, entre outras, isso entre 1975 e 1977, durando até 1981, quando a banda se desfez por diferentes razões, de relacionamento a percepções musicais, sendo que alguns músicos já tinham, inclusive, saído do Pandora para outros projetos.

“Measures of Time” permaneceu como uma total raridade até que a Tachika Records o relançou em mini LP. O selo em questão é um tanto quanto nebuloso, pois seu catálogo está na loja virtual “Syn-Phonic”, mas nem eles sabem se totalmente legalizado, apontando um vínculo com outras empresas como a “Progressive Line” e a coreana “Won Sin”, mas o que vale é a qualidade do lançamento e de que o álbum ganhou alguma repercussão, embora pequena. Teve outro relançamento, agora em vinil e CD, pelo selo alemão Press Alemanha, em 2015 e desde então não se tem notícias sobre um novo relançamento deste belíssimo álbum.

Independente se é ou não inovador, o único trabalho do Pandora, “Measures of Time”, é saboroso de ouvir, é agradável e traz uma complexidade em sua sonoridade muito democrática que faz com apreciadores de progressivo e hard rock se junte e ouça esse trabalho da banda sueca. O mais importante das discussões sobre vertentes do álbum e o bom alimento a alma que a boa música pode nos proporcionar.




A banda:

Björn Malmqvist no baixo

Bertil Jonsson na bateria

Leif Hellquist na guitarra

Åke Rolf na guitarra

Peter Hjelm nos vocais

Janne "Flojda" Dockner no piano e sintetizador

  

Faixas:

1 - Measures Of Time

2 - Dusty Ledger

3 - The Queen

4 - Life Is Good, Life Is Bad

5 - Tailor

6 - Mind Of Confusion 



"Measures of Time" (1974