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sábado, 6 de setembro de 2025

Vermilion Sands - Water Blue (1987)

 

É preciso cuidado para com certas bandas no que tange às suas inspirações e principalmente influências. Diria melhor: é preciso separar os dois quesitos mencionados. Afinal qual banda não tem as suas influências que inspiram as suas músicas? Tais manifestações não podem ser consideradas, penso, como plágio ou cópia!

Casos como esse, diante de um cenário onde as redes sociais podem se tornar um fator destrutivo, pode pôr em xeque a história de uma banda, relegar ao fim muitas trajetórias de bandas e músicos que buscam um lugar ao sol no mundo da música.

Não quero advogar pelas bandas que vem sofrendo com essas especulações, mas o fato discussões como essa se tornam totalmente inviáveis quando se tem a música, primordialmente a música, como a mais prazerosa das discussões. E quando se tem bandas que efetivamente lembram aquelas que estão em um patamar de pioneirismo, não se pode minimizar, pelo contrário, mas enaltecer tais lembranças.

E eu preciso trazer à tona uma grande banda, pouco conhecida, é verdade, afinal esse é o cerne do blog que lê, caro leitor, que veio do Japão, mais precisamente de sua capital, Tóquio, que se chama VERMILION SANDS. A banda foi formada em meados dos anos 1980, mais precisamente em 1986 e começou, como tantas outras, tocando covers de seus ídolos, como Renaissance, Illussion, Sandrose etc.

A banda, inicialmente formada por Yoko Royama, nos vocais e Masahiro Yamada, nos teclados, como músicos fundadores, além de Masumi Sakaue, nas guitarras, Kenji Ota, no baixo, Takafumi Yamazaki, na bateria e Hiroyuki Tanabe, nas flautas e teclados, tocava covers dessas bandas famosas em vários festivais ao vivo de bandas amadoras, cuja intenção era para recrutar bandas com potencial de sucesso e parece que as portas se abririam para esses jovens músicos.

Vermilion Sands em sua primeira formação

Algum empresário os viu tocar e não se sabe ao certo se era um empresário de gravadoras ou produtores musicais, o fato é que eles tiveram a oportunidade de estrear como uma banda profissional tocando em um espaço, em uma casa de shows muito importante para a cena progressiva de Tóquio, chamada “Silver Elephant”. Foi o momento ideal para eles começarem a compor material autoral e quem sabe, no futuro próximo, gravá-los em um novo álbum. A banda estava animada e fazendo muitos planos.

A banda escolhe um nome, afinal, seu novo caminho exigia um nome e veio Vermilion Sands. A banda recebe algumas grandes ofertas de shows e começou a construir, pouco a pouco, a sua reputação em uma cena que ainda era prolífica no Japão, a do rock progressivo. A banda se apresentaria no “Progressive Rock Festival”, como disse, realizado no Silver Elephant e outros eventos como o “Made in Japan”.

Como em muitos casos, o Vermilion Sands passaria por mudanças em sua formação, talvez pela necessidade de se construir uma identidade sonora e que dela pudesse personificar nas apresentações, nas futuras gravações, entrando Hisashi Matoba, na bateria, Ryoji Ogasawara, no baixo, após a saída de Tanabe, Yamazaki e Ota. Com uma nova formação a banda lançaria, finalmente, o seu debut, em 21 de dezembro de 1987, chamado “Water Blue”, alvo de minha nova resenha.

Vermilion Sands com a formação que gravou "Water Blue"

Ao ouvir esse primeiro trabalho do Vermilion Sands é notório as semelhanças com a banda icônica britânica Renaissance, mas percebe-se também, além da sua sonoridade sofisticada e agradável e, por vezes, suave, traz também um teclado cheio de energia e quente que remete a bandas como Camel e até mesmo Genesis. Tais reminiscências faz você, enquanto ouvinte e apreciador do rock progressivo, se sentir nostálgico, afinal uma sonoridade calcada no prog genuíno, em pleno anos 1980, é fantástico e ousado por parte da banda.

Então, meu bom e estimado leitor, ao ouvir o Vermilion Sands, com o seu álbum “Water Blue”, permita-se abrir a mente e deixar de lado possíveis posturas pré-concebidas e ouvir uma sonoridade rica, orgânica, sofisticada e muito diversificada trazendo uma diversidade de sons dentro do rock progressivo. É um exemplo vivo e latente de uma sonoridade pautada no rock sinfônico e pastoral, com um vocal limpo, delicado, cristalizado que remete também a Annie Haslam, vocal, claro, do Renaissance.

Com o lançamento de “Water Blue”, o Vermilion Sands intensificaria as suas apresentações, tocando em várias casas de shows, isso entre 1988 e 1989 e, com isso a banda reunia uma base interessante de fãs, ganhando alguma repercussão. Inclusive, em 1989, sairia uma coletânea chamada “Symphonic Rock Collection”, com músicas de várias bandas de rock progressivo que estavam em evidência no Japão, pelo selo Made in Japan Records e uma das músicas do Vermilion Sands seria incluída.

“Ashes of the Time” é a faixa. Mas a versão incluída nesta coletânea foi a versão original, então isso acabou motivando os músicos do Vermilion Sands a gravar uma nova versão dessa música. Naquele mesmo ano de 1989, a banda lançaria “Water Blue” novamente, porém no formato “CD”, por isso que existe uma dúvida com relação ao seu ano de lançamento. 1987 foi o primeiro lançamento em “LP” e, como disse, outro lançamento ocorre em 1989, em “CD”.

O álbum é inaugurado pela faixa “My Pagan Love” que começa com um vocal estupendo e límpido de Yoko Royama, tudo isso com um suporte espetacular dos instrumentos, mostrando destreza e competência, em uma mescla envolvente entre sofisticação e um trabalho orgânico. Essa faixa é de uma tradicional cultura irlandesa do século XIX, do Condado de Donegal.

"My Lagan Love"

Segue com “Ashes of the Time” que te remete a um pouco de prog com um pouco de new wave, mas tendendo para algo mais experimental. É nítido o trabalho de neo prog nessa faixa com mais de 12 minutos de duração. As guitarras vêm mais forte, com notas um pouco mais pesadas, com um vocal mais operístico de Yoko. E com isso entra teclados mais enérgicos, a bateria mais intensa, onde a faixa ganha em uma textura mais hard rock com pitadas bem generosas de sofisticação. É incrível as mudanças rítmicas percebidas nessa música. Vale a audição do início ao fim!

"Ashes of the Time"

Segue com “In Your Mind” que abre melódica, tendo tal textura amparada pela voz de Yoko, com guitarras solares, solos atraentes, com uma seção instrumental avassaladora e de tirar o fôlego. A execução de seus instrumentistas é espetacular. O neo progressivo se faz presente nessa faixa novamente, mostrando que o álbum, como um todo, é sim uma ode aos clássicos progressivos, porém com um olhar no que se fazia de novo em meados dos anos 1980. Não se pode negligenciar, já que falamos de instrumentos, dos solos poderosos de guitarra.

"In Your Mind"

"Coral D - The Cloud Sculptors" abre com acordes de guitarra potentes e inspiradoras, com sintetizadores bem tocados e com alguma energia. As mudanças de andamento continuam constatando a qualidade sonora que varia da guitarra, do bandolim, solos do órgão, vocais pastorais e, com isso, um frenesi sonoro se constitui, mostrando, mais uma vez, um trabalho instrumental invejável.

"Coral D - The Cloud Sculptors"

"Kitamoto" começa com guitarras que fornece uma trama de fundo para Yoko cantar que, logo depois entra um sintetizador com um solo viajante e solar, ao mesmo tempo. Logo entra piano, baixo e bateria se juntam a segunda parte da música, com destaque para o baixo, por vezes, pulsante, juntamente com agora uma guitarra suave, dando um pano de fundo.

"Kitamoto"

"Living in the Shiny Days" traz, como destaque, o prog folk, mas com pitadas mais comercial, diria, algo mais pop, radiofônico, mas sem soar frívolo, lembrando um pouco de Yes, creio. E fecha com “The Poet” que, sem dúvida, é uma das melhores faixas, trazendo um lindo cruzamento entre prog clássico e neo prog, mostrando a versatilidade do Vermilion Sands, com guitarras tocadas de forma magistral, com potência. Os vocais cada vez mais límpidos traz o operístico ao som da banda.

"The Poet"

Em 1989 o Vermilion Sands é sondado pela famosa gravadora francesa “MUSEA” para a gravação de um álbum, digamos, globalizado, ou seja, com músicas de várias bandas, de vários países. O Vermilion Sands representaria o rock progressivo japonês. O nome do álbum? “7 Days of a Life”, um trabalho conceitual que seria lançado em 1993. É um álbum de bandas de sete países, onde cada uma delas contaria uma história sobre uma vida, com uma analogia de sete dias. O nome da música do Vermilion Sands se chama “The Love in the Cage”. Essa música seria incluída, como bônus track, além de versões ao vivo de “Water Blue”, na reedição deste álbum, feita, exatamente pelo selo Musea Records, em 1999.

"The Love in the Cage"

Mas antes desse lançamento do álbum “7 Days of a Life”, o Vermilion Sands entraria em um hiato, mais precisamente em 1990, isso depois de um belíssimo show que fizeram em Tóquio, em maio. Os integrantes deram prioridade para seus projetos solos e bandas cover. Eles tocaram, tendo Yoko como pilar, em uma banda chamada, já que falei em bandas cover, Renaissence of Dreams, tocando músicas do britânico Renaissance, até 1994. Convém lembrar que o nome da banda, lá pelos anos 1982 até 1985 se chamava pelo sugestivo nome de “Scheherazade”. Porém, antes disso, Yoko Royama, lançaria, em 1991, seu primeiro álbum solo, chamado “Sunny Days”.

"Sunny Days" (1991)

Em 1996 Royama e Yamada retomam apresentações ao vivo do Vermilion Sands com novos integrantes: Hideki Kurosawa, no baixo, Shin Yoshimune, na guitarra, Genta Kudo, ex-baterista do De-Já-Vu. Posteriormente se juntariam a Akihisa Tsuboi, no violino e Yasuyuki Hirose, no baixo, ex-Providence. Mas foram shows esporádicos apenas para relembrar a fase do Vermilion Sands.

Apresentações esporádicas e, logo, um tempo curto, pois entrariam em um novo hiato, principalmente por conta da gestação de Yoko que deu à luz ao seu bebê, em 1997. Infelizmente, em 23 de agosto de 2004, Yoko Royama morreria deixando um pequeno, mas significativo legado pela sua voz e seu amor à música progressiva. Em 2013 seria lançado, claro, sem Yoko, o segundo álbum do Vermilion Sands, “Spirits of the Sun”, que pode ser ouvido aqui, mas sem a chama do primeiro trabalho que definitivamente marcou um período importante da história do rock progressivo japonês.

"Spirits of the Sun" (2013)




A banda:

Yoko Royama nos vocais e flauta

Masahiro Yamada nos teclados

Hisashi Matoba na bateria e guitarra acústica

Kenji Ota no baixo

Takafumi Yamasaki na bateria

Hiroyuki Tanabe na flauta e teclados

 

Faixas:

1 - My Lagan Love

2 - Ashes of the Time

3 - In Your Mind

4 - Coral D - The Cloud Sculptors

5 - Kitamoto

6 - Living in the Shiny Days

7 - The Poet 



Ouça "Water Blue", de 1987, aqui!




































domingo, 25 de dezembro de 2022

Sudden Death (Alemanha) - All or Nothing (1987)

 

O rock n’ roll alemão não vive apenas do experimentalismo, do minimalismo e progressivo do krautrock no fim dos anos 1960 e 1970. Evidente que não podemos negligenciar o pioneirismo dessas bandas que, navegando em estilos ainda embrionários naquela época, estavam construindo um processo revolucionário na música alemã, na cultura alemã um tanto quanto despedaçada com o pós-guerra, com a autoestima um tanto quanto abalada no cerne cultural daquele país. Afinal o krautrock surgiu com o sentimento dessa urgência.

Mas veio o heavy metal dos anos 1980 que, penso, trouxe um novo momento para o rock alemão! Foi a redenção do rock germânico que produziu bandas seminais, independente de sucesso comercial ou não, que colocou este país no mapa do heavy rock planetário.

O que dizer do Accept, o que dizer das grandes bandas de thrash metal, as de hard rock que trafegaram na década de 1970 e 1980 como a unânime Scorpions? Tenho até receio de elencar as bandas alemãs de heavy metal, em todas as suas vertentes, e parecer injusto por esquecer algum nome peso pesado.

Mas não podemos esquecer também da atualidade, de bandas de stoner rock, como Kadavar, por exemplo, que vem trazendo um frescor para o rock alemão que, ao mesmo tempo, homenageia as grandes bandas do passado em todas as suas gerações.

Enfim, a cena germânica continua forte, intensa e vívida, o que é mais importante, afinal, não é apenas quantidade, mas qualidade com que estamos testemunhando diante de nossos olhos.

Mas voltando ao passado, mais precisamente a onda heavy metal que estava agitando os anos 1980, precisamos dar luz às bandas obscuras, pouco conhecidas, aquelas que, por algum motivo, não alçou voos maiores, tendo caído no ostracismo, mas que contribui e muito por construir a cena, a edificação da música.

E na Alemanha oitentista não foge à regra e em minhas incursões aos porões escuros e empoeirados do rock, em meus garimpos, descobri, quase que de uma forma totalmente despretensiosa (talvez não seria garimpo se fosse dessa forma) uma banda que definitivamente personificou a agressiva e imponente música pesada alemã.

Falo da banda SUDDEN DEATH com o seu único trabalho chamado “All or Nothing”, de 1987. 1987 é um período meio nebuloso do heavy metal no mundo. O estilo estava mais evidente, ganharam os dials das grandes rádios pelo mundo, canais de TV mostravam clipes das bandas mais badaladas da segunda metade dos anos 1980: era o glam metal.

Sudden Death

Conhecido pejorativamente por aqui no Brasil de “metal farofa” a cena tinha o apelo visual como o carro chefe da música, os personagens andrógenos, cabeludos superava a música, mas é inegável que, comercialmente, foi o grande momento do heavy metal. E o Sudden Death corria por fora, andando pelas sombras da cena, mas que hasteava a bandeira da pureza do estilo, priorizando o peso, a agressividade, que flertava com o peso mais cadenciado do hard rock setentista.

Digamos que o Sudden Death estava um pouco “atrasado” quando produziu um heavy metal em uma época em que o thrash metal ou o speed metal e ainda o hair metal estava em evidência nos anos 1980 e até mesmo aquele hard rock comercial norte americano capitaneado pelo Van Halen. 

Mas ao  mesmo tempo podemos considerar que a banda trouxe à tona ou pelo menos tentou trazer de volta os anos dourados do heavy metal no início dos anos 1980 e acredito que seu trabalho não tenha vingado não pelo questionamento da qualidade de sua sonoridade pelos executivos da música, da indústria fonográfica, mas um mero deslocamento do tempo. E diante desse quadro lamentavelmente não se têm, na grande rede, informações sobre o Sudden Death, tamanha é a sua obscuridade.

O Sudden Death foi formado em Berlin em meados dos anos 1980 e andou pelos caminhos undergrounds e se há poucos materiais da banda, inclusive o seu álbum, deve-se a colecionadores e abnegados que representam alguns selos alternativos que conseguiram lançar, em algumas edições mais do que especiais, o álbum, fazendo com esse magnífico trabalho ao maior número de apreciadores do heavy metal espalhados pelo mundo.

“All or Nothing” foi lançado em 1987 e produzido por Harris Johns entre 1986 e 1987 e teria sido lançado pela “Noise Records”. Digo teria sido lançado, pois reza a lenda de que o álbum teria sido lançado de forma “artesanal”, quase caseira, sem nenhum tipo de apoio por uma gravadora.

“All or Nothing” traz, em sua essência, o mais puro e genuíno heavy metal, com nuances de hard rock setentista em alguns momentos do álbum. Nele se explica verdadeiramente o motivo pelo qual trafegou pelo ostracismo do underground, sobretudo pelo momento mais piegas do glam metal na segunda metade dos anos 1980 no mundo. É um álbum pesado, agressivo, indulgente, perigoso e totalmente despretensioso.

“All or Nothing” foi concebido com a seguinte formação: Frank Barz na guitarra, Arno Schamberg nos vocais e baixo, Michael Köster     na bateria e Detlef Gottmannshausen   na guitarra e vocais e essa formação foi a original e a que deu o ponto final nesta banda em uma carreira curta, mas nada como destrinchar o álbum para corroborar o quão significativo foi para o heavy rock alemão.

O álbum é inaugurado com “Bloody Conclusion” que tem uma introdução mais ao estilo thrash, bem agressivo, com riffs pesados e pegajosos e um vocal rouco e despretensioso, bateria marcada e baixo presente e muito pulsante, mas alterna com algo mais clássico do heavy metal, principalmente no solo de guitarra que, embora curto e direto, traz o que há de mais piegas no heavy rock. Que bom!

"Bloody Conclusion"

A sequência tem a mortal, com o perdão da analogia, “Killer” que já vem com o pé na porta com riff rápido e rasteiro de guitarra e que segue assim em todo o contexto instrumental entregando algo parecido com o speed metal mais muito pesado e agressivo com o vocal sobrepondo, regendo a tudo isso. Há algo de sombrio e perigoso nessa faixa também, que me remete ao occult rock, por incrível que possa parecer. E mais uma vez o solo de guitarra é matador e um pouco mais elaborado que a faixa anterior que me traz à memória o hard rock setentista. Grande faixa!

"Killer"

E eis que chega “Dust in the Wind” que não imprime a agressividade das músicas anteriores, mas o peso, sim, permanece. Essa faixa traz um pouco algumas inspirações das bandas dos anos 1970 como o Motorhead dos primórdios. O Sudden Death aqui mostra mais competência, uma sonoridade mais arrojada, com melodias mais bem trabalhadas e não menos orgânica e poderosa.

"Dust in the Wind"

“Loaded Brain” retoma o caminho poderoso e agressivo do álbum, guitarras distorcidas, bateria marcada e pesada, vocal arrastado e por vezes gutural e pesado. “Loaded Brain” poderia figurar como um dos primórdios da cena black metal.

"Loaded Brain" (Live)

“Backstage Queen” vem ao estilo pé na porta também. A bateria rege o peso e a velocidade da música e com o baixo pulsante e riffs rápidos e intensos de guitarra expõe à máxima potência a capacidade incrível do instrumental da banda e me remete também ao power metal, algo que o rainbow, na fase Dio, fazia nos primórdios da banda. Intensa e poderosa faixa!

"Backstage Queen"

E chega a faixa título “All or Nothing” com mais cadência trazendo as inspirações do hard rock dos anos 1970, com um baixo “cavalgado” e pesado com a bateria seguindo o ritmo, a “cozinha” nesta faixa é avassaladora. Riffs de guitarra dão o tempero, o vocal, mais altivo e limpo, traz a textura que personifica o andamento da música.

"All or Nothing"

“Nightrider” traz aquela mistura do hard mais comercial com o heavy metal, algo como o Accept em seus momentos mais radiofônicos, mas que não traz nenhum tipo de demérito. Vocais bem cantados, guitarras mais “limpas”, faz dessa faixa a mais “acessível” do álbum.

"Nightrider"

E fecha com “I Want It” que retorna ao peso habitual do álbum, mais com uma textura mais complexa, bem trabalhada, diria até um tanto quanto dançante, ao estilo Motorhead com faixas como “Louie, Louie”, por exemplo. Guitarras pesadas, bateria marcada e frenética são os destaques dessa música.

"I Want It"

Em 2020 “All or Nothing” ganhou “vida” novamente com o relançamento da “Golden Core Records”, com um trabalho de acabamento melhor, com uma bela remasterização em LP e CD, com um livreto de cerca de 20 páginas falando sobre a banda e com raras fotos da banda em ação.

Inclusive há uma faixa muito rara de uma apresentação em 1986 Bunderrockfestival, entre outras faixas bônus bem raras e significativas da curta, mas significativa para o heavy metal alemão.

Assim foi o Sudden Death com o seu “All or Nothing’: poderoso, intenso, agressivo, moderno para a época, pois mesmo com audições feitas atualmente nota-se um frescor, um caráter de novidade e de uma sonoridade incrivelmente pesada que faz com que o ouvinte apreciador do estilo se mostre atônito. É uma sonoridade reveladora a cada audição, é a confirmação, a perpetuação de um estilo que, com o passar dos tempos e das gerações, mostra-se vivo e eterno.


 

A banda:

Frank Barz na guitarra

Arno Schamberg nos vocais e baixo

Michael Köster na bateria

Detlef Gottmannshausen  na guitarra e vocais

 

Faixas:

1 - Bloody Conclusion

2 - Killer

3 - Dust in the Wind

4 - Loaded Brain

5 - Backstage Queen

6 - All or Nothing

7 - Nightrider

8 - I Want It

 

Sudden Death - "All or Nothing" (1987)