Mostrando postagens com marcador Proto Punk. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Proto Punk. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Medusa - Calling You (1977)

 

Nessa minha saga desbravando os “escombros” empoeirados do rock n’ roll, por intermédio deste reles e humilde blog que você, caríssimo leitor, tem lido e que eu eternamente agradecerei pela audiência e credibilidade, tenho feito algumas loucas, estranhas e doces descobertas.

Porque a minha atual realidade, ou melhor, a minha realidade há anos nas minhas audições é exatamente trazer algo mais arrojado e pouco usual para a minha vida “sonora”. Não é tão somente a complexidade sonora que me cativa mais, mas a loucura despretensiosa e nitidamente suja. Sabe aquelas produções “artesanais” repletas de defeitos? É isso!

E mesmo diante disso tudo, ainda consigo ouvir e apresentar, em meu blog, as sonoridades de que sempre apreciei e “degustei”, como prog rock, hard rock, psych, stoner rock, entre tantos outros. É possível “harmonizar” todas essas vertentes ao que estou desbravando? Sim, caros leitores! E consegue com um prog rock, por exemplo, tido como uma sonoridade tão sofisticada? Sim, porém com nuances mais, digamos, underground, garageira mesmo.

E hoje eu gostaria de apresentar a todos os amigos leitores algo totalmente inusitado, louco e pouco, pouquíssimo normal para a realidade pasteurizada e previsível do rock, logo raro, muito rara, afinal, como que uma sonoridade como essa pode ser encarada como algo potencialmente “consumível” para um público ortodoxo do rock, de um mercado conservador. Falo da banda alemã MEDUSA.

Essa obscura banda germânica eu descobri recentemente e que, como disse, me trouxe uma doce loucura calcada na liberdade criativa e totalmente desprendida de uma projeção mercadológica. E é mais uma “Medusa”, diante de tantas outras que surgiram na mesma condição que esta banda: obscura e que, diante desse cenário, pereceram todas precocemente. Por aqui neste blog há algumas “Medusas”, como a norte americana e mexicana que valem a pena conferir.

E como tantas outras bandas raras e obscuras, o Medusa alemão percorreu um caminho no ostracismo, na escuridão e com uma caminhada efêmera e um fim esquecido e triste, mas são essas histórias fracassadas, comercialmente falando, que entregam os melhores e mais pitorescos episódios.

E como tal poucas são as informações disponíveis sobre as suas origens e sua história, mas tentarei arduamente trazer o máximo que posso sobre o Medusa. A banda, formada na segunda metade dos anos 1970, surgiu em Nordrhein-Westfalen; Parte dos músicos vieram de Wuppertal e de outras cidades mais próximas, como Velbert.

E falando nos músicos a sua formação original trazia Peter Bolling, no baixo, Detlev Orthey, na bateria e percussão, Nobert Labgensiepen, na guitarra, Ingo Klich nos teclados e Volker Kappelmann nos vocais e guitarra.

Em janeiro de 1977 o Medusa lançaria o seu primeiro e único trabalho chamado “Calling You” em uma prensagem privada e extremamente limitada, pelo selo Schnecke Records.

“Calling You” traz uma miscelânea sonora extremamente incomum e arrojada, com influências, pasmem, de punk rock e krautrock e rock progressivo, além de elementos claros de hard rock com discretas pitadas de blues rock. Um tecido psicodélico cobre toda essa sopa sonora com guitarras lisérgicas e batidas beat e pesadas.

Talvez estejam, bons e estimados leitores, se perguntando como pode ser provável ter o rock progressivo e punk rock juntos em um mesmo álbum? Bem não negarei a loucura disso, mas não nego também que é no mínimo atraente ter ouvido “Calling You”!

Claro, o ano de lançamento, 1977, era o período emergente do punk e, como toda banda alemã que se preze, tem de ter um “tempero” prog rock e krautrock e esses caras tiveram a audácia de fundir essas vertentes sonoras e fazer desse álbum estranho, louco e incomum. O prog rock não traz aquela complexidade e sofisticação, mas o que importa? É muito bom ter descoberto e feito a audição dessa sopa bem nutrida de sons arrojados e sem nenhum tipo de carimbo ou rótulo.

Então já que trouxe um pouco do que significa o álbum do Medusa, “Calling You”, vamos trazer um pouco do que cada música oferece? Vamos a elas! E começa com a faixa “Go Kids Go” que já começa com a louca mistura entre punk ou até diria um pré-punk, proto punk com um psych, bem veloz e sujo. O peso se entrelaça com o órgão, com a gaita, com a guitarra eletrificada e vocal meio gritado. O que dizer da gaita no meio do peso, do frenesi da música, dando uma cadência...?

"Go Kids Go"

Mas tudo muda um pouco, ou diria muito, com a faixa seguinte: “The Change”. A música mais longa do álbum, que conta com pouco mais de onze minutos de duração, traz um rock psicodélico, com discretas passagens de krautrock e que mostra algo mais bem elaborado, musicalmente falando, com uma introdução, embora breve, bem linda de guitarra com um solo bem viajante, mas que logo fica pesado com uma bateria marcada e agressiva com um órgão enérgico. Mas logo fica tudo mais introspectivo, trazendo também as variâncias rítmicas do rock progressivo. Há um toque épico nessa música e faz dela o destaque do álbum. É lírico, é vibrante, é viajante.

"The Change"

A sequência traz a faixa “Hey Rock 'n Roll”, já traz, até o fim do álbum, em um total de três músicas, uma pegada mais voltada para o hard rock e blues rock, além do inusitado punk rock também. E nessa música começa com o órgão dando uma camada mais sombria que logo fica mais sinfônico e depois surgem os riffs de guitarra e a bateria pesada e marcada e tudo se funde em uma psicodelia lisérgica e pesada, um hard psych cheio de voluptuosidade. E quando surge o vocal, este traz uma pegada mais proto punk. É espetacular essa faixa, porque mostra arrojo e a vocação dessa banda contra o estereótipo!

"Hey Rock and Roll"

“Medusa´s Calling You” começa com dedilhados de guitarra que me remete a uma balada de heavy metal, algo sombrio, soturno, mas, no decorrer da música, vai ganhando corpo e assumindo seu “lado hard rock”, com a bateria mais agressiva, o órgão mais energético, o baixo mais pulsante...Aqui o hard rock é mais heavy e punk, mas também progressivo, é também repleto de variâncias rítmicas, mostrando um Medusa mais encorpado, mais contundente, musicalmente falando. Mesmo com um álbum despretensioso e por vezes inocente em sua sonoridade, revelou-se complexo e arrojado. As teclas, de uma energia cativante, vão mostrando seu lado mais kraut, com alguma introspecção. O que dizer dessa faixa? Louca e vibrante!

"Medusa's Calling You"

E fecha com “QQ 10” que traz a introdução, cheia de ruídos, ao estilo hawkwind, meio psicodélico, meio space rock, que logo se mistura ao peso lisérgico, com bateria marcada e pesada, com riffs de guitarra mais sujos e viscerais e um baixo mais rasgados e potentes. Mas o peso dá lugar também a viagem progressiva do teclado mais pastoral e contemplativo, mas logo retorna ao peso que alia hard, punk e lisergia. Loucura sonora!

"QQ 10"

O Medusa, ainda em 1977, mais precisamente falando na segunda metade daquele ano lançaria um single, em maio, no Horst Burghardt – Tonstudio - Engelsmann & Burghardt em Castrop-Rauxel, com as faixas “Ocean Dream” e “Freedom”, pelo selo Life Records, da Alemanha, mas muito difícil de achar para audição.


E com essa nova gravação a banda traria também uma nova formação, trazendo a vocalista Njoschi Weber, o baterista Gerd Elsner, o guitarrista base e vocalista Peter Eckert, o baixista Pi Klein e o único membro da formação original Volker Kappelmann. A intenção era trazer novos tempos para o Medusa e gravar um novo álbum, mas não conseguiram seguir e pereceram de forma precoce.

Não se sabe se tiveram relançamentos, pouco consegui apurar a respeito dessa obscura banda, mas é informação de que a prensagem original de 1977 é disputado a tapas pelos colecionadores de vinis raros e que reza a lenda de que alguns foram colocados à venda na bagatela dos 600 euros, pasmem! O fato é que a sua sonoridade é arrojada, inusitada e louca, um doce e original loucura que é digna de audição.




A banda:

Peter Bölling no baixo

Detlev Orthey na bateria e percussão e sinos tubulares

Norbert Langensiepen na guitarra

Ingo Klich nos teclados

Volker Kappelmann na guitarra solo, vocais e gaita

 

Faixas:

1 - Go Kids Go

2 - The Change

3 - Hey Rock 'n Roll

4 – Medusa’ s Calling You

5 - QQ 10 



"Calling You" (1977)














 











sábado, 3 de maio de 2025

Stonewall - Stonewall (1972 - 1976)

 

As histórias no rock n’ roll são fascinantes! Principalmente aquelas tomadas por revezes e cheias de percalços. Evidente que a música é o cerne, mas temos de admitir que os conceitos sonoros partem das histórias que estão por detrás delas. E este blog, que muito preza pelas histórias, trazem aquelas que fogem do glamour do sucesso, dos cases de sucesso, de palcos faraônicos e gigantescos, aquelas cuja tônica é o fracasso, os finais precoces, entre outros obstáculos.

A essência deste blog é trazer o avesso dos holofotes, as obscuridades das bandas marginalizadas, vilipendiadas pela indústria fonográfica, pela cena conservadora e seletiva ou destruídas pelos infortúnios e pelas inexperiências de seus jovens músicos que, ávidos ou escravos pela sua criatividade personificam em suas músicas as suas verdades.

E a banda de hoje trará um pouco de tudo o que disse, que passou por vários obstáculos, mas ainda assim, conduziu com galhardia a beleza e arrojo de sua obra totalmente a frente de seu tempo. Falo da banda norte americana STONEWALL.

As raízes do Stonewall vieram da cidade de Flushing, em Nova Iorque. A cena, lá pelos anos 1960, naquela cidade era tímida, poucas bandas de rock n’ roll se exibiam, mas os jovens aspirantes à rockers sempre foram impactados pelas grandes bandas britânicas dos anos 1960, bem como as psicodélicas dos Estados Unidos. As igrejas locais realizavam bailes e os jovens protagonizavam timidamente uma cena que nascia, uma cena rock composta também por bandas que, embrionárias, tingiam uma nova história.

O guitarrista Bob Dimonte e o baterista Anthony Assalti moravam no mesmo bairro. Dimonte tocava em uma banda local chamada “VIP’s”. Eles se conheceram e se tornaram logo grandes amigos. À medida que a cena musical começou a mudar e o ácido se tornou mais popular, os jovens começaram a deixar o cabelo crescer e não foi diferente com Dimonte e Assalti.

Stonewall

Se tornaram diferentes da banda, até então mais conhecida da região, os Greasers, com seus cabelos penteados para trás. Então a separação se fez: Os Greasers contra os hippies. Bob e Anthony se juntaria a Ray Dieneman, que tocava baixo. Se tornaram um “power trio”! Mas precisavam de um vocalista, afinal os caras não eram bons no vocal. E foi diante dessa necessidade que Bruce Rapp apareceu e se tornou o vocalista da banda que nascia.

Começaram a tocar blues pesado e hard rock e a influência desses jovens músicos era o Led Zeppelin. E por intermédio dessa forma sólida e pesada que tocavam, queriam um nome para a banda que personificasse a sua sonoridade e veio “Stonewall”!

Os primeiros ensaios da banda foram insanos e até perigosos! Um gerente alugou para os garotos do Stonewall um porão, em Nova Iorque, chamado “Little Italy”. Bruce, o vocalista, estava usando downers na época e subiu à rua até o bar local para tomar uma bebida. Bob, Ray e Anthony ficaram no porão ensaiando. Depois de uma hora, houve uma batida forte na porta. Os jovens músicos abriram a porta e dois bandidos disseram que Bruce estava no beco ao lado do bar e pediram para que não saíssem do porão por uma hora. Claro que ficaram com medo!

Esperaram por uma hora e foram encontrar Bruce. Encontraram ele no fundo do beco ao lado do bar sob algumas latas de lixo. Estava em péssimo estado, espancado! Levaram o vocalista para o hospital e nunca mais voltaram a ensaiar por lá.

Depois dessa experiência difícil e perigosa a vida seguiu e eles precisavam gravar as músicas que tinham criado em seus ensaios. Já tinham músicas ou esboços suficientes para gravar o tão esperado primeiro álbum. Então surgiu a conexão com Jimmy Goldstein, dono de um estúdio de gravação em Manhattan. Ele gostou do material que o Stonewall mostrou e ofereceu a eles um tempo de gravação gratuitamente após o expediente do estúdio.

A banda ia de carro para a cidade onde estava localizado o estúdio todas as noites. Revezavam a direção do carro para ninguém ficar cansado. No caminho se drogavam, cortesia do haxixe que o vocalista Bruce levava. Chegavam no estúdio totalmente chapados e por lá ainda fumavam com o próprio Jimmy e depois disso tomavam seus instrumentos e começavam a tocar. Jimmy também participou da construção do álbum tocando todas as partes de teclado.

O álbum foi finalmente gravado no estúdio de Jimmy Goldstein, em Manhattan, Nova Iorque, em torno da 57th Street e 3rd Avenue. Essa conexão do Stonewall com Jimmy foi pelo gerente desonesto da banda. Os caras da banda ficaram por quase seis meses no estúdio experimentando diferentes riffs e sons. Isso foi em 1972, porém nunca fora lançado naquele ano.

Jimmy Goldstein falou com banda, logo após a gravação do álbum, que ninguém estava interessado na música da banda e nunca foi oferecida à banda qualquer tipo de contrato de gravação ou dinheiro. E o pior dos golpes não seria esse. O selo Tiger Lily lançaria o álbum em 1976 sem o consentimento e permissão da banda!

Capa alternativa

Quando o álbum foi gravado Jimmy e o gerente desonesto da banda prometeram ao Stonewall que pegariam as gravações e que dariam a eles um contrato. Isso não aconteceu e disseram aos músicos que ninguém estaria interessado em conceder um contrato. A banda tentou por conta própria por um tempo, mas sem sucesso.

E após o lançamento do álbum pelo selo Tiger Lily, o Stonewall acabaria, decepcionada, sem ganhar um centavo por este lançamento e sem ter nenhum contrato, se separando. Todas as seções de gravação, os seis longos meses, que começavam às nove horas da noite e invadia a madrugada, parece ter sido em vão. As longas das várias jams que fizeram foram a base para as músicas que foram gravadas.

“Stonewall”, o álbum, traz, na sua essência, o hard rock, com uma veia potente no blues eletrificado e psicodélico, com riffs de guitarra avassaladores e potentes, com vocais altos e gritados, com uma “cozinha” rítmica pesada e arrojada. Se pode ouvir neste único trabalho do Stonewall uma pegada de proto punk, proto metal, uma música de vanguarda. Um som cru, original, ardente e pouco convencional e que não apresentou nem um pouco a intenção de ser polido.

O álbum é inaugurado com a faixa “Right On” tipicamente apresentando, em sua introdução, uma pegada dos anos 1970, com aquele hard rock impecável, com bateria pesada, baixo pulsante, não podemos negligenciar a seção rítmica, riffs pegajosos e pesados de guitarra são ouvidos, que dão peso e a torna dançante. Os vocais são altos e rasgados, em alguns momentos, rasgados. Pesado, arrogante, sujo, intenso, dançante. Assim começa o álbum.

"Right On"

Segue com “Solitude” e aqui a banda traz algo mais soturno, uma sonoridade também pesada, mas arrastada, com uma dose cavalar de dramaticidade, que vai do peso a momentos mais intimistas e lentos, com dedilhados de guitarra que tornam a música até mais viajante. E nessa variância rítmica a música segue até o fim, tendo ainda uma gaita bem interessante.

"Solitude"

“Bloody Mary” começa diferente do que estava se ouvindo até então no álbum. A gaita introduz a faixa e me remete ao country music, mas logo irrompeu em um potente hard rock capitaneado pelos riffs poderosos de guitarra, uma guitarra mais psicodélica e lisérgica. Peso, gaitas e hammonds em uma harmonização improvável, porém perfeitas.

"Bloody Mary"

“Outer Spaced” começa meio glam rock, meio T-Rex, os riffs de guitarra continuam pegajosos e pesados. A bateria assume a direção e vem pesada e agressiva, depois solos de guitarra são ouvidos e os vocais de Bruce lembram Iggy Pop e a música nos traz nuances de punk e heavy metal. Sem dúvida é uma das melhores músicas do álbum!

"Outed Spaced"

“Try & See It Through” tem uma pegada mais psicodélica, os teclados e o piano, juntamente com a gaita, assumem a dianteira e traz uma faixa totalmente “descolada” da proposta do álbum. O vocal trafega entre gritos e algo mais límpido. Não há a mínima chance de ficar parado ouvindo essa faixa, é dançante e fica mais pesada, em alguns momentos, com solos e riffs de guitarra. São muitas mudanças rítmicas nessa faixa, onde ouso dizer que tem uma inspiração progressiva nela. Diria ser um heavy psych prog de muito respeito!

"Try & See It Through"

E a faixa que fecha o álbum traz algo mais voltado para o Led Zeppelin. “Suite” lembra Zeppelin, porém mais pesado e sujo. Os riffs sujos e pegajosos de guitarra torna a faixa muito pesada e o vocal é mais gritado e despretensioso. Até o momento mais calmo da música lembra a banda de Jimmy Page, mas com a assinatura do Stonewall: suja, pesada e de longe pouco polida como o Zeppelin.

"Suite"

Nunca se soube exatamente quem teria levado ao selo Tiger Lily as gravações das músicas do Stonewall. Talvez o famigerado gerente desonesto ou até mesmo Jimmy Goldstein. Reza a lenda que a Tiger Lily tinha conexões com a máfia e teria lançado o álbum também na Europa! O álbum foi lançado na Europa e usado como imposto para proteger uma gravadora maior com a qual a Tiger Lily estava conectada.

Muitos anos depois, quando Anthony Assalti se casou e se mudou para a Flórida, começou a receber telefonemas da Alemanha e da Suíça e um cara que ligou para ele se apresentou como um colecionador de álbuns raros e que tinha uma cópia do disco do Stonewall. Outro cara se apresentou como um dono de um estúdio de gravação e queria saber se Asslati teria mais gravações que não estavam no álbum e queria lançar “outro” álbum da banda.

Depois desse choque Assalti se fixou na Flórida, começou um próprio negócio naquela cidade e passou a viver por ele e sua família. Tocava bateria, por diversão, nos finais de semana, mas nunca mais voltou a trabalhar na música. Uma carreira musical estava longe dos seus planos. Ele não lembra se teria mais materiais inéditos, mas acabou comprando o álbum no E-Bay que não era original.

Vários foram os relançamentos não oficiais e sem o consentimento do Stonewall e esses telefonemas que Assalti recebeu de pessoas da Europa se confirmam nos lançamentos não oficiais registrados. Um lançamento não oficial, de um selo não identificado, aconteceu em 1992. Nos anos 2000 tiveram cerca de dois ou três lançamentos, claro, também não oficiais, por um selo de nome Kismet, entre 2010 e 2012, no Reino Unido, tudo no formato LP. O mais recente, de 2019, finalmente foi oficial, também no formato LP, pelo selo dos Estados Unidos, de nome Permanent Records, foi lançado.

A história, envolvente e de tirar o fôlego, teve um final triste para quatro jovens músicos que foram roubados e nunca receberam o reconhecimento que mereciam, pois o seu único álbum é arrojado, pouco ortodoxo, intenso, pesado e vanguardista. Esse talvez, diria certamente, é o alento que nós, amantes da boa música, tem, diante de uma indústria destrutiva.




A banda:

John T. Milani (Anthony Assalti) na bateria

Francis Crabb (Bruce Rapp) no vocal

Lewis Whittaker (Robert Dimonte) no baixo e back vocals

Robert Ronda (Ray Dieneman) na guitarra, harmônica e back vocals

 

Faixas:

1 - Right on

2 - Solitude

3 - Bloody Mary

4 - Outer Spaced

5 - Try & See It Through

6 - Atlantis

7 - Suite

a/ I'd Rather Be Blind

b/ Roll Over Rover



"Stonewall" (1972 - 1976)