Mostrando postagens com marcador França. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador França. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de maio de 2026

Shylock - Gialorgues (1976/1977)

 

A década de 1970 foi prolífica para o rock francês, sobretudo para a cena progressiva. Pode parecer óbvio e, de fato, é, haja vista que o rock progressivo em toda a Europa, teve um terreno fértil. Mas voltando à França, foi a época da explosão, de um dia para outro, muitos álbuns soberbos foram lançados, seja por grandes e famosas bandas ou pelas bandas obscuras, que trafegavam pelo underground.

E a moda estava focada nas composições complexas, trabalhos conceituais, trazendo como referência bandas como King Crimson, Gentle Giant, Van Der Graaf Generator e não aqueles ritmos binários tradicionais do rock inglês ou norte-americano, por exemplo. Não era música para intelectuais, era uma música mais reflexiva, mais contemplativa, mais complexa, mas, ainda assim, acessível.

E eu preciso falar de uma banda que, apesar de não ter gozado de sucesso comercial, foi muito importante para a cena progressiva francesa, apesar também de não ter tido uma trajetória longeva e uma discografia vasta. Falo do SHYLOCK.

A história do Shylock começou no final de junho de 1974, quando dois músicos da região de Nice, então com apenas dezoito anos, Didier Lustig e André Fisichella, decidiram deixar a banda local “Fusion”. Tal banda tocava covers dos consagrados Deep Purple e Uriah Heep. Eles achavam que era a hora e o momento de criar a sua própria música, fazer música autoral e mais: desbravar a música progressiva!

Lustig teve aulas de piano desde os oito anos de idade e no Fusion tocava órgão elétrico, que rapidamente dominou aos dezesseis anos. Fisichella aprendeu a tocar mais tarde, somente aos quatorze anos de idade. Quando entrou no Fusion sua experiência como músico era de apenas dois anos!

Eles começaram a procurar outros músicos para materializarem seu projeto de fazer música progressiva. Foi quando notaram um anúncio em uma loja de instrumentos musicais de um jovem guitarrista que procurava outros músicos para montar também uma banda de rock progressivo. Esse guitarrista era Fredéric L’Epee.

Fredéric, um músico autodidata, tocava em outra banda local chamada Highway Park que também se dedicava a tocar músicas de bandas covers inglesas e esses três jovens músicos se conheceram, finalmente, em 1º de julho de 1974 e se deram bem imediatamente, afinal tinham as mesmas aspirações, de tocar um rock n’ roll incomum e ambicioso. E não faltava, aos jovens, energia e inspiração para isso.

E foi assim que surgiu o Shylock, exatamente um dia depois desses três caras se conhecerem na casa de Fredéric, em 2 de junho de 1974. Fredéric também tinha um sintetizador Elka, no qual ele mesmo ensaiava, mas ao ouvir como Didier tocava, imediatamente confiou o instrumento a ele.

Cabe aqui uma curiosidade: “Shylock” é um personagem fictício da peça de William Shakespeare, “O Mercador de Veneza” (1600). Um judeu veneziano, Shylock é o principal antagonista da peça. Sua derrota e conversão ao cristianismo são o ápice da história. E essa história migraria do palco teatral para o campo do rock progressivo da França dando nome a uma banda que nascia.

No dia 4 de julho, eles saem de férias de verão para a pequena vila de St. Dalmas-Le-Selvajs, onde Didier passou a sua infância, para ensaiar e já desenvolver seu repertório. Eles convenceram o prefeito a deixá-los ensaiar na igreja local pelos próximos dois meses, período que duraria as suas férias. Assim a igreja foi o primeiro ponto de ensaio do Shylock em sua história.

A igreja

Assim, em um cantinho do paraíso nos Alpes, longe de todas as vaidades mundanas, os jovens músicos começaram a criar a sua própria música. A combinação de improvisações constantes, natureza exuberante e isolamento completo resultou em uma verdadeira fonte de ideias e criatividade ilimitada. As suas principais músicas surgiram de longas e frutíferas improvisações, não havia objetivos estilísticos específicos. Todos propuseram ideias para os amigos, todos trabalharam juntos, mudaram algo, adicionaram, removeram, até que a composição assumisse a forma que todos gostariam.

No fim, a banda tinha várias composições, que os próprios caras distinguiam apenas pelos números. O fato é que os músicos tocavam música instrumental, e desde as primeiras apresentações as chamavam de “Primeira”, “Segunda”, “Terceira”, entre si. Ao mesmo tempo, uma composição podia fluir suavemente para outra e poucas pessoas conseguiam separá-las com precisão.

Quando o verão acabou e os jovens retornaram para Nice, onde todos estudavam na universidade, começaram a procurar o quarto músico para a banda, um baixista. Procuraram por muito tempo, mas sem sucesso. Então decidiram que o formato de um trio tinha seu próprio estilo e entusiasmo. E assim ficou a formação do Shylock: Frédéric L'Épée na guitarra e baixo, Didier Lustig nos teclados, piano e sintetizadores e André Fisichella na bateria e percussão.

Shylock

Na mesma época a banda foi contatada pelo ex-empresário do Fusion, Christian Guttennoir, que lhes ofereceu a chance de se tornar se empresário. Ele tinha experiência e parte da banda já conhecia o trabalho dele e confiavam em Christian. Então a resposta deles era óbvia.

A terceira visita à vila ocorreu durante as férias da Páscoa, quando as composições “Quinta” e “Sexta” foram criadas. Enquanto isso Crristian já havia planejado, negociado os primeiros shows do Shyock e que aconteceriam no mesmo clube da cidade. A primeira aparição, a primeira apresentação oficial aconteceu em 7 de abril de 1975, diante de uma plateia de 300 pessoas na Maison des Jeunes de Magnan, em Nice. 

Em junho daquele mesmo ano seria na Faculdade de Letras, nos arredores de Nice e Cannes. O feedback do público foi positivo e até mesmo entusiasmado, mesmo com o lado complexo e as longas improvisações das músicas. Os soundchecks pré-show são feitos por amigos da banda. Os músicos até tinham alguma grana para custear seu próprio show de luzes, embora eles próprios preferissem se concentrar na performance.

O álbum também foi mixado várias vezes, até que a versão final deste foi editada em Lyon. Tudo terminou simplesmente com o fato de que as pessoas responsáveis pela mixagem decidiram não convidar os músicos, assim haveria menos disputas. De todo o longo repertório, apenas as composições “Quarta”, “Quinta” e “Sexta” foram preservadas, descartando as três primeiras, que foram consideradas “ingênuas” demais. E o “Quarto” ficou principalmente porque Didier fez maravilhas com o sintetizador Elka, emulando os sons do cravo e dos violinos logo no início da composição.

No entanto, os próprios músicos não gostaram do que ouviram. Eles sentiram que o espírito e o som da banda não foram transmitidos de forma convincente. Músicos perfeccionistas eram eles! Mas decidiram conviver com isso e seguir! O álbum foi chamado de “Gialorgues” e é dele que falaremos nesse texto. O nome foi em homenagem à montanha cujo pico era visível pelas janelas da igreja em St. Dalmas-Les-Selvajs, onde toda a música aparecia. E na capa colocaram a imagem da igreja onde compuseram as músicas que o amigo da banda, Jean Charles Cohen, havia desenhado para eles.

Após a gravação a banda começou a procurar uma gravadora para lançar o álbum. Enquanto isso eles autoproduziram e imprimiram 1.500 cópias. Assim o lançamento foi inteiramente independente, feito pela própria banda, em 1976. O Shylock ofereceu parte dessas cópias para as lojas na Costa e para rádios locais. A recepção foi boa e a imprensa especializada do Sul dedicou alguns artigos e matérias a eles. O álbum também foi enviado para as revistas especializadas em rock n’ rollBest, Extra, Rock & Folk”. O Shylock apareceria na TV, em Monte Carlo.

Christian, o empresário, que havia se ausentado por conta do serviço militar, em 1976, retorna e vai à Paris apresentar o álbum para os grandes selos. A CBS decidiu lançar o álbum. A negociação com este selo, mais precisamente com o seu gerente, Eric Brücker, foi tão proveitosa que o mesmo ofereceu aos músicos um contrato para álbuns futuros. Assim a CBS relançaria “Gialorgues” no início de 1977, mantendo tanto a mixagem quanto a capa intacta. E como propaganda, lançaram um single onde colocaram alguns trechos das composições "Quarta" e "Sexta". Foram 3.000 cópias lançadas no mercado.

“Gialorgues” entrega uma música bela e complexa ao mesmo tempo, rica em melodias poderosas que se rompem para se reformar melhor, atmosférica em suas criações, encantadora, melancólica, hipnótica, repetitiva. Um progressivo sinfônico, experimental, calcado no excelente instrumental de seus músicos, mostrando uma habilidade técnica que os colocava acima da maioria dos seus contemporâneos. Um álbum soberbo, sombrio, orgânico, mas complexo, vivo, latente, intenso e dramático.

A abertura do álbum se dá com a faixa "Le Quatrième" (A “Quarta”) e faz uma viagem exuberante de música clássica, com os teclados melódicos e tilintantes que fornecem a base para a dissonância da guitarra e os exercícios técnicos da bateria, em uma levada meio jazz, em seguida. Aqui se percebem ganchos melódicos adoráveis, que me remeteu a algo leve e arejado, contrastando com a arte da capa sombria e até mesmo ameaçadora, mesmo se tratando da igreja em que a música foi concebida.

"Le Quatrième"

Na sequência tem a faixa "Le Sixième" (A “Sexta”) que, curta, é basicamente uma marcha militar de quase quatro minutos de duração. Os teclados me pareceram abafado nessa música, com uma guitarra pesada sobrevoando baixo e bateria. Para uma música curta, tem até um impacto sério à medida que a faixa acelera de andamento e, junto com as teclas atmosféricas, entra em um rock completo com solos de guitarra pesados. Exceto por um pequeno momento de “caos”, a marcha percussiva, a marcha militar, não perde o ritmo. Uma faixa enérgica, considerando que é algum tipo de intervalo.

"Le Sixième"

O apoteótico fim chega com a faixa "Le Cinquième" que se estende por quase 19 minutos e começa com uma sessão de teclado monótona e alguns movimentos percussivos. Mas, por outro lado, depende extremamente dos tons selvagens e dissonantes e traz texturas musicais que lembra o King Crimson. É uma faixa que não se poupa e revela os talentos extraordinários dos seus músicos. Nela se percebem mudanças de andamento, clímax e fundamentos melódicos de tirar o fôlego, que envolve progressivo sinfônico, experimentalismo e até mesmo o avant-prog. É técnico, complexo, porém orgânico.

"Le Cinquième"

Quando pretendem começar a gravar o segundo álbum, chega o período de serviço militar para todos os membros da banda. Os três, portanto, congelaram as atividades da banda por um tempo para, claro, cumprir com as suas obrigações para com a pátria. Quando retornaram, gravaram rapidamente o segundo trabalho, “Île de Fièvre”, em 1978. O álbum é um pouco diferente do debut, pois começa a banda a se inclinar para o jazz rock, mas mantém o ritmo minimalista durante a gravação do álbum. A banda agrega um novo baixista chamado Serge Summa.

"Ile De Fièvre" (1978)

Em 2012, André Fisichella, Frédéric L'Épée e Didier Lustig se reuniram a pedido de um festival nos Estados Unidos que infelizmente não aconteceu. Porém se apresentou, no mesmo ano, no Gouveia Art Rock Festival em Portugal e depois no Prog'Sud, no Pennes Mirabeau, perto de Marselha. Laurent James substituiria Serge Summa no baixo.

"Shylock live at Gouveia Art Rock, 2012"

Em 2014, um álbum "best of" foi gravado no Studio Arion, em Nice, foi lançado e Luca Mariotti substituiria Didier Lustig nos teclados. Tal coletânea teve as músicas escolhidas dos dois primeiros álbuns em um formato mais modernizado. E em 2016 foi lançado nova coletânea, de nome “The Sum of the Parts”, que traziam as mesmas faixas do primeiro “The Best Of” com mais duas faixas bônus, este para o mercado japonês.

Embora sejam comparados ao King Crimson há muito tempo, o Shylock é na verdade uma banda com seu próprio estilo. Claro que eles trazem uma referência muito forte da banda inglesa, mas trazer uma abordagem como a cópia do King Crimson é considerada, no mínimo, um insulto inaceitável ao Shylock. Entre 1988 e 2026, o selo Musea relançaria “Gialorgues” por quatro vezes, em 1988, 1989, 1994 e 2026.







A banda:

André Fisichella na bateria

Frédéric L'Épée – na guitarra e baixo

Didier Lustig nos teclados

 

Faixas:

1 - Le Quatrième

2 - Le Sixième

3 - Le Cinquième

 

 

 

"Gialorgues" (1976/1977)

 

























 


sábado, 12 de abril de 2025

Satan - Satan (1975 - 2016)

 

Julien Thomas era um pequeno francês de 4 anos de idade e já tinha contato com o rock n’ roll. As lembranças, embora antigas, estavam vivas em sua memória, das bandas e músicas que ouvia em casa ou até mesmo no banco de trás de carro de sua família. E uma banda, em especial, lhe marcou e muito. Esquecida, pouco conhecida, obscura na cena musical francesa. Era o SATAN!

Dentre tantas bandas que Julien, tão jovem, ouvia, o SATAN era a que mais ouvia em sua casa. E ele ganhou, na realidade os seus pais, o único álbum da banda, gravado em um K7 simples pelo tecladista Jérôme Lavigne, um dos membros da banda e que nela esteve de 1972 até 1976, ano em que foi extinta.

E foi com essa cópia que, décadas depois, o Satan viveria a sua redenção! Na década de 1990, aquele garotinho, que ouvia as músicas do Satan, entre outras bandas, no banco de trás do carro dos seus pais, tornou-se um estudante do ensino médio e descobriu as grandes bandas da cena progressiva mundial, como King Crimson, Magma, Genesis, Pink Floyd etc.

Mas o que estava na mente dele, era aquela banda, cujas músicas estavam gravadas naquele K7 simples, aquela banda de nome tenebroso, mas de uma sonoridade cativante e envolvente: Satan! Em uma galáxia musical, mais precisamente nos anos 1990, tomada por Gun’s N’ Roses, música eletrônica, grunge e a Eurodance, para um jovem avesso à essas sonoridades, a incompreensão reinava em sua percepção de música.

Se colocou a pesquisar sobre o Satan, buscou onde podia referências sobre ela em toda a parte: bibliotecas de mídias, enciclopédia do rock francês... Nada! Nada! A difusão da internet veio, talvez com ela Julien conseguisse buscar informações sobre a obscura banda, mas nada mudou. Não se tinha vestígios daquela sonoridade que embalou a sua infância por tanto tempo. Será que teria salvação para o Satan?

Chegou a óbvia conclusão de que teria que fazer o exaustivo trabalho sozinho de reparar uma injustiça histórica e trazer à luz o rock obscuro do Satan e tentar colocar a banda na história do rock francês. O que teria acontecido com os jovens músicos do Satan nos anos 1970? Ingenuidade, idealismo, a indústria fonográfica? O que o tornaram anônimos?

Fundada em 1968, por estudantes da école Normal du Mans sob o nome de “Heaven Road”, a começou, como tantas outras, tocando covers de Colosseum, The Who, Jethro Tull, Soft Machine entre outras que faziam sucesso na segunda metade dos anos 1960. Depois de um tempo decidiram compor material próprio, explorando camadas experimentais e atmosféricas, musicando poemas de Verlaine, Soleils, Couchants, por exemplo.

Depois de pouco mais três anos, os futuros e promissores funcionários públicos deixaram de lado suas carreiras emergentes como professores e as promessas de estabilidade no emprego para se dedicarem integralmente à música. Em uma França no auge das revoltas estudantis e dos movimentos sociais, parecia ser bem revolucionário sair da “École Normale”.

E assim o foi. Os jovens músicos, na faixa dos seus vinte anos, se estabeleceram em uma comunidade no interior de Sarthe e passaram a viver a utopia do rock n’ roll. Uma vida ditada pela moda, pela convicção, talvez não seja utopia...

Satan

Distante da civilização, em uma espécie de “bolha impermeável”, a banda desenvolve sua identidade, por um método peculiar de composição, com alicerce na “ilustração sonora”. E Macson, ao conceder uma entrevista, explicou esse processo:

"Sempre construímos nossas músicas a partir de um roteiro, um pouco como um filme. Primeiro escrevemos uma história e adaptamos músicas e textos para ela".

A banda tinha uma ambição latente e real de transmitir imagens e história por intermédio das músicas que compunham e ainda tinha outro detalhe importante, outra característica marcante que a banda tinha e que ficou exposta nas músicas que continham em seu único álbum: texturas sonoras, mas bastante simples e pouco se fazia isso na cena progressiva francesa! Talvez o Ange pudesse imprimir esse tipo de sonoridade, mas o único talvez.

Apesar das dificuldades financeiras da banda, da precária condição de vida e dos seus instrumentos musicais, eles, com muita persistência, começaram a conquistar uma reputação séria no palco e foi notado várias vezes durante as suas apresentações no Golf Drouot, um templo parisiense do pop e do rock. O Heaven Road, o antigo Satan, se tornou o “rei” do local, tornando-se o queridinho do dono da casa de show, Henri Leproux.

Se aproximaram do produtor Jacky Chalard, baixista da banda Dymasty Crisis, que na época abria para Michel Polnareff. Com um pé no show-biz, o Heaven Road seguiu o conselho de seus patrocinadores e decidiu adotar um nome francês para adequar ao mercado fonográfico local, mais comerciável à época, com a esperança de galgar degraus, buscar a fama. A lista submetida a eles se resumiu em dois nomes: “Sarah”, que parecia algo meio glam ou andrógeno e “Satan”. A segunda opção foi escolhida no verão de 1973. Macson, o guitarrista, argumentou o seguinte, em uma entrevista:

"Bem, nós gostamos e então, como na época havia Ange que estava indo bem, pensamos que isso poderia tornar possível fazer a troca".

Mas essa onda de surfar na notoriedade da banda carro-chefe da cena rock da França e torcer o nariz para ela e seu nome não seria, claro, bem recebida. Esse nome, em breve, seria uma bola de ferro acorrentada em seus pés. E o gerente que os acompanhou por alguns meses fez um grande alarde disso, fomentando sessões de fotos em cemitérios, por exemplo, para personificar esteticamente o nome sombrio da banda adotado recentemente. Fora outros detalhes sórdidos, como kits impressos descrevendo “o mestre do inferno se expressando através da violência”, entre outros detalhes subversivos.

Mas esse não era o desejo da banda de buscar sucesso, tanto que, com a saída de seu gerente, os jovens músicos insistiram mais nas noções de imaginação, devaneio e mistério, tema esses já presentes em suas composições. E com isso sua produção de palco muda também, com os caras subindo neste escuro, com apenas as lâmpadas dos amplificadores e seus pregos fosforescentes como fontes de luz. As “peças” são apresentadas como pinturas, apoiadas por projeção de vídeo. Eram verdadeiros shows multimídia antes de seu tempo. E com isso, de volta ao Golf Drouot, em dezembro de 1973, eles foram coroados com o curioso título de “melhor banda semiprofissional francesa”.

Apesar das satisfatórias incursões em Paris, o Satan decidiu manter-se a distância desse glamour e volta a se isolar em sua fazenda. Porém na primavera de 1974 eles embarcaram em uma turnê com a banda Caravan, que já gozava de uma pequena notoriedade no embrionário “underground” da época. Mas a turnê se tornou um fracasso para ambas as bandas. Em Orléans o show foi boicotado por uma história sombria de rivalidade entre os organizadores, ocasionando a interrupção da turnê e o retorno à Inglaterra do Caravan, além da volta do Satan à Sarthe.

Levados ao limite e sem fôlego, financeiramente falando, André “Macson” Beldent, guitarrista, Jerome Lavigne, tecladista, Christian Savigny, baterista e Richard Fontaine, baixista, os membros do Satan, criaram o “Ciel d'été”, um projeto paralelo que tinha a intenção primordial de trazer dinheiro. E surtiu efeito! O Ciel d'été foi tão bem-sucedido no oeste da França que os músicos acumularam dinheiro o bastante para comprar equipamentos e, um ano depois, fazer uma residência de um mês no “Studio 20”, em Angers. É nesse momento que o trabalho do Satan seria concebido.

Ciel D'Été antes e atualmente

Ciel D'Été - "Father of Night, Fight of Day"

Cinco dias por semana os músicos trabalharam incansavelmente, fazendo e refazendo tomadas até obter o resultado desejado. E finalmente com o rolo debaixo do braço, com as suas músicas prontas o Satan retorna à Paris para oferecer seu álbum para as gravadoras. Sem sucesso! Tentaram os relacionamentos que construíram, mas nada! Questionaram, indagaram para si mesmos se as pessoas que receberam as cópias de seu álbum realmente ouviram, mas logo se entediaram e, depois de mais três ou quatro recusas, ainda com o projeto “Ciel d'été”, a banda deu o seu último suspiro, em 1976.

O álbum que foi esquecido do Satan trazia um “prog rock envenenado”, repleto de recursos sonoros, com uma vibe jazzística e pegada pesada, lembrando, por vezes um hard rock. Um limiar entre peso, prog, simplicidade, envolto em um som orgânico e complexidade, devido a tamanha ousadia em trazer esses elementos e tirar deles uma massa sonora incandescente e solar.

O álbum é inaugurado com a faixa “Le Voyage” que tem como destaque as texturas de teclado que acompanham uma seção rítmica frenética e solar, com solos diretos e pesados de guitarra, tudo isso envolto uma atmosfera sideral, uma pegada space rock ao estilo Pink Floyd. Uma faixa viajante e estilosa.

"Le Voyage"

Segue com a faixa “OS” que inicia com um vocal falado, mas logo entrega um teclado sombrio e depois mais sinfônico, mostrando uma incrível versatilidade em um curto espaço de tempo na música. As viradas rítmicas não param por aí: percebe-se uma vibe jazzística, uma pegada mais hard, depois contemplativa, algo pastoral, depois fica mais experimental e soturno. O vocal retorna com risadas doentias e paranoicas. Definitivamente é uma faixa sombria e estranha.

“Le Robot” começa com riffs mais pesados de guitarra com teclados tendendo para o progressivo sinfônico e que me remeteu imediatamente ao krautrock e o rock progressivo britânico. Pode parecer uma “mistura” improvável, mas essa é a percepção. O vocal entra e uma pegada mais viajante e estranha se faz ouvida. Essa proposta mais viajante se une aos riffs mais pesados de guitarra e formam um contraste envolvente e intrigante, ao mesmo tempo. Uma das melhores faixas do álbum.

"Le Robot"

“La Nuit Des Temps”, a faixa mais longa do álbum, começa com um ruído meio sideral e sombrio, mas logo fica solar e deslumbrante com um lindo e límpido solo de guitarra, mas não por muito tempo. Os teclados tornam a música mais experimental e minimalista, com a “cozinha” rítmica ditando o humor da música. Bateria delicada e bem executada, baixo pulsante. Entre momentos mais soturnos e solares, a música se revela versátil e cheia de mudanças de tempo. Excelente!

"Las Nuits des Temps"

E fecha com a faixa “L’Aigle” que inicia com uma pegada folk, ao estilo pagão de ser, uma pegada celta, com uma atmosfera sombria e ameaçadora, mas logo é “encorpada” com o progressivo sinfônico e depois algo mais psicodélico, um beat que nos remete aos anos 1960. Inacreditável como a versatilidade aliado à simplicidade se faz presente nesta e nas demais músicas do único álbum do Satan.

"L'Aigle"

Voltando a Julien e já adulto ele relatou, também em entrevista que concedeu, que o Satan tomou o caminho ao contrário:

"...porque quando uma banda chamava a atenção, a gravadora primeiro a confiava a um diretor artístico que orientava o trabalho, que procedia com uma espécie de formatação para que fosse mais assim ou aquilo, para que pudesse ser tocada no rádio, etc. Eles gravaram primeiro, era arriscado. E então, talvez devamos reconhecer uma falta de combatividade da parte deles, em comparação com uma indústria que já havia feito o suco desse tipo. Basicamente, havia o Ange que vendia muito e então todas as gravadoras tinham sua banda progressiva como Magma ou Mona Lisa..., mas atrás deles, as portas estavam fechadas. Você também tem que lembrar que bandas como Magma ou Gong estavam morrendo de fome na época! Comercialmente, o gênero estava em declínio e Satan chegou no final da onda, no momento em que o negócio estava começando a mudar para a onda rock/punk que veria o surgimento de artistas como Little Bob, Bijou, Starshooter, Téléphone, Asphalt Jungle... A cena estava mudando e eles realmente chegaram à dobradiça”.

De acordo com o baterista da banda, Christian “Kicks” Sauvigny, que mais tarde faria carreira como produtor e programador musical no rádio (Chérie FM, Europe 2, Nostalgie...), o “máster” original do álbum foi colocado em segurança em um cofre de banco. O que resta saber é: Em qual banco? Em qual cidade? Ninguém sabe, ninguém soube de absolutamente nada! O carretel, com as gravações da música nunca ressurgiu. Os demais membros da banda não tinham mais uma cópia, nem mesmo o Studio 20, em Angers, onde foram gravadas as músicas, não tinha nada arquivado.

O baterista Savigny tinha uma cópia, a única conhecida, até então. Foi ele quem falou sobre o Satan pela primeira vez para Serge Vincendet, dono da loja de discos e gravadora de Paris, a Monster Melodies, especializada nesse tipo de pequenos “tesouros” perdidos, obscuros. Mas a fita estava em condições precárias, praticamente destruídas.

Mas é nesse momento que entra na história Julien. Julien, com seu antigo K7, agora digitalizado no estúdio, feito no início dos anos 2000, tentou se aproximar de algumas marcas especializadas, principalmente na França e na Itália. Mas o risco financeiro parecia demais para ele, afinal uma banda virtualmente desconhecida da qual ninguém tinha ouvido falar. Uma coisa levando a outra e o encontro finalmente aconteceu, em outubro de 2015, entre Julien, aquele ex-adolescente fã de Satan e o chefe da Monster Melodies.

A famosa cópia que o menino Julien ouvia na casa dos pais, no banco de trás de seu carro foi usada para a gravação do álbum no formato vinil. Com uma tiragem de 1.000 cópias, o LP do Satan, homônimo, que apresenta cinco das sete faixas gravadas em 1975, foi distribuído em lugares distantes da França, como Espanha, Alemanha, Holanda, Itália e até mesmo os Estados Unidos.

A persistência e os encontros fizeram com que algo, totalmente perdido e improvável para ganhar a luz, veio a vida quarenta anos depois de sua concepção. Um belo consolo para o fundador do Satan, o guitarrista André “Macson” Beldent que, até hoje, ainda vive uma vida intensa de rock n’ roll, no auge dos seus quase 75 anos de idade, com sua banda de blues tocando todo fim de semana em bares.

Como esperar um efeito positivo, no que tange ao seu lançamento, quarenta anos depois, de uma música que pouco se encaixaria atualmente, mas que ganhou, mesmo que tardiamente a sua redenção tardia, embora a banda jamais iria tirar proveito de seu verdadeiro valor sonoro. Richard “Sam” Fontaine se afastou da música e as últimas informações que pude obter, buscando na web sobre a banda, é de que estaria muito doente. Quanto o tecladista Jérôme Lavigne, seu fim foi trágico. O mesmo se suicidaria em 1987, alguns anos após ter entregado a cópia, o K7, ao jovem Julien que possibilitou livrar o Satan do “purgatório” e do esquecimento eterno. 

Se você quiser ouvir o álbum na íntegra com mais duas faixas que não entraram no lançamento pelo selo Monster Melodies, clique aqui. Há também um show da banda, de 1974, que pode ser ouvido aqui. Há reportagens também do Satan, afinal esse é o canal do YouTube de Julien Thomas.




A banda:

André “Macson” Beldent na guitarra

Jérôme Lavigne nos teclados

Christian Savigny na bateria

Richard “Sam” Fontaine no baixo e vocal


Faixas:

1 - Le Voyage

2 - O.S.

3 - Le Robot

4 - La Nuit Des Temps

5 - L'aigle

 



"Satan" (1975 - 2016)


























quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Triode - On n' a Pas Fini D'Avour Tout Vu (1971)

 

A cena progressiva da França não goza de muita popularidade, não sendo muito respeitada, ficando, por conta disso, aquém do que realmente representa, em termos de qualidade, para a cena progressiva global.

E não se enganem, caros amigos leitores, a França entrega um punhado de grandes bandas, não apenas do prog rock, mas do rock n’ roll em todas as suas vertentes.

Infelizmente fatores mercadológicos impactam nesse triste cenário, sem sombra de dúvida, haja vista que a França não está no centro da música progressiva como a Inglaterra, Alemanha e até mesmo a Itália. Talvez fatores culturais que se “aplicam” na música, mas acredito, este último, se tratar de meras especulações sem nenhuma sustentação.

E falando em grandes centros da música progressiva, bem como em peculiaridades sonoras que variam de país para país, a banda que escolhi para falar ou melhor escrever traz uma sonoridade bem típica da Inglaterra, por exemplo, celeiro de bandas que executavam, flertavam com o jazz rock, o prog rock entre outros sons pagãos bem interessantes. Falo do TRIODE.

O Triode, como tantas bandas de sua geração e flerte sonoro, teve um precoce fim, um desfecho anormal quando se trata de qualidade de música, gravando apenas um álbum, no longínquo ano de 1971, chamado “On n'a Pas Fini d'avoir Tout Vu”.

A banda foi formada na “capital luz”, em Paris, no início de 1970 e teve seu álbum lançado pelo selo “Futura Records” com uma tiragem mínima de cópias. Algo que intriga é que “On n'a Pas Fini d'avoir Tout Vu” não possui um teclado, o que surpreende em se tratando de um álbum que traz, na sua base sonora, o prog rock e o jazz rock.

Talvez a palavra certa a se usar não seja “intriga”, mas “ousadia”, afinal uma banda de rock progressivo não ter em sua formação um tecladista e ainda assim soar com uma imensa qualidade, é digno de reverências.

E falando em formação, o Triode, quando gravou “On n'a Pas Fini d'avoir Tout Vu”, tinha o já exímio Michel Edelin na flauta, Pierre Chereze na guitarra, Pierre Yves Sorin no baixo e Didier Hauck na bateria. Edelin apesar de ser responsável apenas por tocar a flauta, é dono de uma importância grande, afinal a alma da banda passa por seu instrumento.

O Triode imprimiu em seu único trabalho lançado, além da já mencionada veia progressiva com generosas pitadas picantes de jazz rock, traz nuances bem evidentes de psicodelia, lisergia graças ao trabalho extremamente versátil de Edelin e claro, dos demais integrantes.

Ao buscar referências da banda pela “web” observei que muitos analisavam ou melhor, comparavam o Triode ao Jethro Tull, por conta do protagonismo da flauta em seu álbum. Mas ao ouvir “On n'a Pas Fini d'avoir Tout Vu é nítido que essa comparação, além de ser um tanto quanto perniciosa, é equivocada, penso. Trata-se de uma comparação carregada de estereótipos, somente pelo fato do Tull trazer também na flauta de Ian Anderson o protagonismo que no Triode também possui. Evidente que, por conta do uso do instrumento, algumas similaridades são percebidas, mas o Triode tem o que o Jethro Tull quase não tem: o jazz rock.

“On n'a Pas Fini d'avoir Tout Vu” é enérgico, solar, um álbum vivo, pleno e intenso. É totalmente instrumental o que evidencia tal questão. E convém ressaltar que, além da forma fascinante de tocar flauta de Michel Edelin, que harmoniza perfeitamente com o seu psicodélico, lisérgico da guitarra de Pierre Cherez, além da seção rítmica totalmente descolada e envolvente de Didier Hauck e Pierre-Yves Sorin.

O álbum é acelerado, em boa parte de sua execução, nenhuma faixa é fraca ou, digamos, enfadonha, traz uma musicalidade de extrema qualidade, mostrando músicos em excepcional sinergia e ainda assim permaneceram tão esquecidos, desconhecidos, envoltos em uma obscura bolha, inclusive nos circuitos do prog rock ficaram no mais puro ostracismo, sem contar com a linda arte gráfica que já nos convida a ouvir o seu conteúdo.

E foi exatamente assim que me aproximei do álbum do Triode: em minhas incursões, desbravando o mundo encantado da obscuridade que, confesso não lembrar como, cheguei ao álbum desta banda francesa. A arte gráfica foi mesmerizante e, claro, logo me pus a ouvir e o resultado e de total frenesi que relato neste texto.

Trata-se um álbum versátil ou que se convencionou de “eclectic rock” e confesso que, apesar de ser um tanto quanto reticente com esses “rótulos musicais”, esse realmente se encaixa, se adequa ao estilo de som do Triode: um jazzy prog com interlúdios quentes de flauta, com a guitarra ácida, lisérgica e uma “cozinha” competente e audaciosa, dando a textura ideal para a sua vertente sonora.

"Magic Flower"

“Misomaque” de imediato se percebe que é mais acelerada que a música anterior e quem dita esse ritmo é a bateria, mostrando-se mais dinâmica e enérgica, logo depois vem o baixo pulsante e solos rápidos e diretos de guitarra dando mais peso ao conjunto. Uma sopa sonora intensa e dançante!

"Misomaque"

“Moulos Grimpos” já começa contemplativo, com uma pegada mais psicodélica, graças também ao instrumento percussivo. A flauta entra nos momentos mais leves da música, com guitarras dedilhadas e baixo e bateria, mais uma vez, em extrema e competente harmonização. Solos de guitarra limpas e lindas se ouvem e me remete algo meio bluesy.

"Moulos Grimpos"

Segue com “Blahsha” que é a síntese do jazz rock! Bateria swingada e frenética, em alguns momentos, a flauta “duela” com os riffs de guitarra. O todo logo se mostra único com peso e irreverência. Nota-se ao fundo gritos de êxtase, a música é envolvente e plena, texturas pesadas com solos lisérgicos de guitarra. Sem dúvida uma das melhores músicas deste belo álbum. Baixo pulsante de forma louca, bateria pesada, flauta rasgando. Tudo nessa música é intensa!

"Blahsha"

“Lilie” é uma faixa em que se corrobora a qualidade da flauta, tendo o apoio da seção rítmica, baixo e bateria apoiam firmemente, deixando a música mais dançante. A flauta cede lugar ao solo jazzy de guitarra que, embora simples, é extremamente emocional e igualmente dançante. Mas a flauta logo retoma a sua condição de protagonista.

"Lilie"

“Ibiza Flight” anuncia a excelente introdução de baixo enquanto a bateria segue apoiando e a flauta, excelente, “rivaliza” salutarmente com o pulsante baixo. A sintonia é perfeita! O solo de guitarra entra na festa e ganha as atenções, com peso, solo que me remete a um poderoso hard rock.

"Ibiza Flight"

 “Adeubis” é uma faixa mais curta com o predomínio da flauta, mas logo vem os riffs meio dançantes de guitarra, algo entre jazz rock com groove que, mesmo com simplicidade, traz todo o zelo pela riqueza instrumental.

"Adeubis"

“Come Together”, clássico dos Beatles, ficou bem interessante na versão instrumental, nada muito especial, é bem verdade, mas, para variar, é extremamente interessante ouvir a flauta substituir o vocal e a guitarra distorcida, ao estilo acid rock, conferindo a faixa um pouco mais de peso.

"Come Together"

E fecha com “Chimney Suite” é de longe a faixa mais longa, no auge de seus mais de nove minutos de duração e é basicamente conduzida pela flauta, percussão e baixo, tendo a guitarra, em uma versão mais pesada, se junta rapidamente, vindo rasgada, com solos pesados, fazendo o contraponto com a suavidade da flauta que sempre se mostra viva e presente.

"Chimney Suite"

O Triode se separou um ano após o lançamento de “On n'a Pas Fini d'avoir Tout Vu” se separou. O flautista Edelin lançou alguns trabalhos solos, ganhando notoriedade e um deles é o “Michel Edelin Trio/Quartet. Mais tarde Edelin iria se consagrar como uma das lendas da flauta citado, inclusive no “Dicionário do Jazz” (Laffond), como um dos “"The Great Creators of Jazz", autêntico especialista do jazz-flute e um dos quatro na lista do Jazz Hot Prize (ao lado de Dave Valentin, James Moody e Sonny Fortune).

Chereze lançou vários singles e álbuns como artista solo, enquanto Pierre-Yves Sorin tocou como “session man” ao lado de grandes nomes do jazz, se unindo com o exímio baterista Didier Hauck no Jazz Sextet.

“On n'a Pas Fini d'avoir Tout Vu” teve, ao longo do tempo, vários relançamentos com o primeiro pelo famoso selo italiano, a Mellow Records, entre 2000 e 2001, pelo Futura Records, na versão LP, em 2012, sendo que este selo foi o responsável pelo lançamento do álbum em 1971, no mesmo ano outro selo italiano, o Luna Nera Records lançaria o álbum em LP e por fim, até o momento, o selo francês “Souffle Continu Records”, o lançaria em LP.

Um álbum instrumental uniforme, com músicas de excelente qualidade, com a flauta e guitarra fuzzed que se revezam na “liderança” sonora deste obscuro trabalho, com uma seção rítmica que dão o apoio e uma textura pesada e percussiva que faz desse trabalho do Triode, mesmo não sendo uma obra-prima, mas uma pérola do jazz rock. Recomendado!


A banda:

Pierre Chereze na guitarra

Pierre Yves Sorin no baixo

Didier Hauck na bateria

Michel Edelin na flauta

 

Faixas:

1 - Flower

2 - Misomaque

3 - Moulos Grimpos

4 - Blahsha

5 – Lilie                                                                                      

6 - Ibiza Flight

7 - Adeubis

8 - Come Together

9 - Chimney Suite


Download de “On n’a Pas Fini d’Avoir Tout Vu pode ser feito aqui!


Triode - "On n'a Pas Fini d'Avoir Tout Vu" (1971)