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quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Ruphus - Ranshart (1974)

 

Tenho uma queda evidente e escancarada pelas bandas nórdicas! E falo de forma gritante, sou um réu confesso nesse sentido! Tem-se uma profusão de bandas e estilos totalmente arrojados, não tenha dúvida de que há vertentes do rock n’ roll para todos os gostos.

E especialmente falando da Noruega nós temos uma quantidade imensa de bandas que facilmente cai no gosto de muitos a começar, como exemplos, Aunt Mary, Titanic, Lucifer Was, uma das minhas preferidas, mas não podemos negligenciar a história de outra banda que, embora não seja tão obscura, merece figurar entre as grandes bandas pouco conhecidas, cuja sonoridade não é tão popular. Falo do RUPHUS.

Do frio dos Nórdicos vem o som quente e intenso de uma das bandas tidas como pioneira do hard rock, mas que, ao longo de sua trajetória discográfica, foi revendo, remodelando os seus conceitos sonoros e seguindo a sua história ao longo dos anos 1970.

O Ruphus foi fundado em 1970 na cidade de Oslo a partir de um grupo de amigos e é, como disse, tido como um dos precursores do heavy prog na Noruega, surgindo como uma das principais bandas de uma cena, naquela época, não tão grande, mas significativa e que praticamente desprezada pela indústria fonográfica. Mas a formação que se juntou em 1972 é que de fato se solidificou quando Kjell Larsen e Asle Nilsen se conheceram.

Ruphus

Mas mesmo com a pouca visibilidade seguiu forte, bem como as bandas contemporâneas sendo privilegiada por um abnegado público e também por poucos empresários perseverantes que, com toda a dificuldade possível e imaginável, promovia alguns festivais de pequena estrutura em algumas cidades norueguesas, dando a oportunidade a bandas como o Ruphus a seguirem com seus objetivos de levar, ao número máximo de pessoas possíveis, a sua música e arte.

A Noruega definitivamente não estava na rota do rock na década de 1970. Bandas como a Ruphus foram desbravadoras naquele país e simplesmente por este fator, já tem o seu nome na história do rock norueguês.

Mas finalmente, após a sua efetiva formação, em 1972, o Ruphus gravaria, pelo selo “Polydor”, uma gravadora de nome, o seu primeiro álbum chamado “New Born Day”, em 1973, considerado por muitos e, confesso que por mim também, como um dos mais bem-sucedidos da banda em sua pequena, porém importante discografia.


“New Born Day” contou com uma dupla de vocalis femininos e masculinos e fazia uma interessante e avassaladora fusão de hard rock, classic rock e rock progressivo. Combinação essa que acarretou em uma harmonização sofistica, agressiva e intensa, muito intensa. Essa ambientação hard, heavy e prog trouxe ao álbum muita versatilidade e complexidade sonora.

"New Born Day" (1973)"

Mas o destaque fica mesmo para a vocalista Gudny Aspaas com seu grande alcance e talento, um misto de hard rock com tendências heavy de vanguarda que rendeu alguma visibilidade para a banda, porém não obteve sucesso comercial.

Mas, subvertendo o óbvio, não irei falar, em requintes de detalhes, de “New Born Day”, mas do seu sucessor. De um álbum que foi um divisor de águas na história da banda, da curta carreira discográfica do Ruphus. Falarei de “Ranshart”, de 1974.

E essa guinada se deu, claro, na estrutura sonora da banda. E foi, penso, radical! O que era antes um som calcado no hard rock setentista, com viés progressivo e de classic rock, em “Ranshart” o Ruphus se revelou uma banda exclusivamente de rock progressivo com temperos sinfônicos lembrando a cena prog britânica, por exemplo.

E além de ter um grande apreço por este trabalho do Ruphus, a ponto de resenha-lo, terei a árdua missão de defende-lo. Por que defender? Simples! A banda, depois de seu bem-sucedido debut e com a mudança evidente em “Ranshart”, gerou certa rejeição entre os fãs mais puristas e viúvos de “New Born Day” e também dos especialistas que, entre outros comentários, lê-se que no segundo álbum a banda perdeu a identidade, perdeu a força etc.

Mas como perdeu a identidade se o Ruphus, já no primeiro trabalho, já denota predileção pelo prog rock? É notória tais nuances na sua música em “New Born Day”, mesclado, claro, com o hard rock! Como também é notório, admitamos, a drástica mudança.

Se observa, mesmo com a mudança, uma qualidade na sua sonoridade, algo novo e com substância, consistência. E essa nova configuração em seu som se materializa na sua nova formação que também sofreu um forte impacto.

E com esse impacto, logo de cara, atingiu os dois cantores que atuaram em “New Born Day”, saindo Gudny Aspaas e Rune Sundby, bem como o guitarrista Hans Petter Danielsen também estariam fora do projeto do segundo álbum. O Ruphus de sete membros no primeiro álbum passaria a ter cinco músicos, com  Rune Østdahl como a nova vocalista em “Ranshart”. 

Vale também falar da arte gráfica de “Ranshart”, da concepção muito bem feita e arrojada, não apenas do segundo álbum, mas também do primeiro trabalho, “New Born Day”. As ideias partiram do baixista e flautista Asle Nilsen, onde a capa do debut do Ruphus, com aquela sombria paisagem de inverno e quando, na versão do LP, abre a capa tem a mesma paisagem nas cores das flores do verão, por isso que o nome é “New Born Day”, já o segundo álbum, o alvo de nossa resenha, o “Ranshart” é inspirado por um conto de fadas de um livro que Nilsen leu de Frans Werfel chamado “Song of Bernadette”.

Então a formação em “Ranshart” tinha: Rune Østdahl nos vocais, Kjell Larsen na guitarra, Håkon Graf nos teclados, Asle Nilsen no baixo e flauta e Thor Bendiksen na bateria. E outro ponto positivo deste álbum do Ruphus é a arte gráfica, da capa: exuberante e que fora concebida por Kathinka Rasch Halvorsen.

O álbum é inaugurado com a faixa “Love Is My Light” que começa com piano, Mellotron, órgão Hammond e os vocais muito diferentes de Rune. Definitivamente o destaque para o teclado dando o ritmo e tom da música com uma levada mais sinfônica seria a tônica de todo o álbum da banda.

"Love is My Light"

"Easy Lovers" oferece um lindo violão das linhas de baixo vigorosas de Larsen e Nilsen, sintetizadores majestosos flutuando no fundo, o genuíno rock progressivo no seu mais lindo ápice.

"Easy Lovers"

Tem sequência com a grandiosa “Fallen Wonders” com guitarras saborosas, com lindos solos que nos faz flutuar, sair do ponto comum e viajar a um doce desconhecido, sem contar com tons de baixo que acompanham fielmente a bateria bem cadenciada e, claro, os teclados em vertentes sinfônicas lembrando bandas como o Yes, por exemplo.

"Fallen Wonders"

“Pictures Of A Day” mostra uma atmosfera mais viajante, mais psicodélica, com sons eletrônicos e a presença marcante da flauta e sintetizadores mostra a forte realidade sinfônica deste álbum. Uma bela música instrumental.

"Pictures of a Day"

Finaliza o álbum com “Back Side” uma linda e poderosa balada sinfônica com destaque para os vocais e belo instrumental, intricado e complexo, fechando com chave de ouro. Um ritmo suingante com corridas alucinantes de hammond, violinos, uma faixa definitivamente dinâmica.

"Back Side"

Para divulgação de “Ranshart” o Ruphus fez uma turnê com uma razoável quantidade de shows e foi convidado para tocar no festival mais importante da Noruega, o “Ragnarock Festival”, em 1974. Teve três edições, o festival, acontecendo em 1973, 1974 e 1975. O Ruphus, além de ter participado da segunda edição, tocou também em 1975.

Festival Ragnarock (1974)

A sua discografia, depois de 1976 modifica muito, tendo a banda flertando com a música negra, inclusive. Foram convidados para tocar em um festival na Alemanha chamado “Brain Festival”, promovido pela emblemática gravadora que sempre apoiou o rock alemão underground, principalmente pela nova cena sinfônica alemã, e se apresentar ao lado de bandas como Guru Guru, Novalis, Jane, Release Music Orchestra, Gate e Message, tendo até certo sucesso na Alemanha e em seu país natal apenas, o que ocasionou em seu fim, em 1981.

Porém a maioria dos membros do Ruphus ou pelo menos aqueles que se destacaram na banda ao longo de sua discografia, ainda são músicos ativos. Håkon Graf vive em Los Angeles e é muito ativo como músico de estúdio. Kjell Larsen também é muito ativo e tem muitos projetos em andamento. 

Thor Bendiksen tocou por um longo tempo, mas infelizmente ficou com zumbido no ouvido e teve que parar de tocar. Gudny Aspaas, vocalista da banda em “New Born day”, ainda está cantando e Jan Simonser também está tocando, exceto o baixista e flautista Asle Nielsen que construiu uma carreira como engenheiro de som e chefe de áudio profissional na “Bright Norway”.

Todos os álbuns do Ruphus foram relançados, em 2017, pelo selo “Karisma Records” e essa aproximação se deu devido a uma apresentação da banda em um festival de progressivo em Haugesund, na Noruega, nessas voltas da banda, em 2017 e lá estavam alguns representantes do selo. 

Eles conversaram com a banda que tinham o interesse de relança-los e a banda não hesitou, autorizando. Foi um processo de reativação da história da banda para as novas gerações e foi um sucesso, com vendas significativas.

“Ranshart” traz um rock progressivo sinfônico dos anos 1970 do jeito que deveria soar. Para aqueles que valorizam os dois lados da moeda dos dois primeiros álbuns do Ruphus entenderão que são momentos distintos de inquietude criativa, mostrando que nunca se renderam às linearidades da carreira e dos clichês dos rótulos, da temível e silenciosa zona de conforto. E vai valorizar sem sombra de dúvida o segundo e grande álbum do Ruphus.

Por mais que a crítica norueguesa não tenha recebido bem, à época, “Ranshart”, para contrariedade do Ruphus, foi sem sombra de dúvida um ponto de virada para a banda, que mesmo com a rotatividade de músicos que, sem sombra de dúvidas influenciou na sua sonoridade ao longo de sua discografia, mostrou também que o Ruphus, mesmo sem o sucesso comercial, tornou-se grande por não se escravizar por uma determinada sonoridade, abrindo asas para a música e tudo o que ela pode proporcionar. Uma grande banda norueguesa e, claro, altamente recomendado.




A banda:

Asle Nilsen no baixo e flauta

Thor Bendiksen na bateria

Kjell Larsen na guitarra

Håkon Graf nos teclados

Rune Østdahl no vocal

 

Faixas:

1 - Love Is My Light

2 - Easy Lovers, Heavy Moaners

3 - Fallen Wonders

4 - Pictures of a Day

5 - Back Side 





"Ranshart" (1974)



















 





 




quarta-feira, 27 de maio de 2020

The Devil and the Almighty Blues - The Devil and the Almighty Blues (2015)


Sou um entusiasta dessa nova (nem tanto mais) cena de bandas de stoner rock, doom metal, rock psych que vem crescendo nos últimos 20 anos, desde o início da década de 2000 e ainda mais na segunda década de 2010. 

Vem crescendo tanto que já está saturada e, como costuma acontecer nesses casos algumas bandas se tornam um tanto quanto repetitivas, uma redundância sonora inconveniente, mas ainda assim, formada por bandas, em sua maioria, consistentes e que estão resgatando as origens do rock n’ roll, genuíno, aquele que se faz com o colhão, da forma mais visceral e despretensiosa possível, sem amarras, no seu formato mais marginal, como em tempos gloriosos de outrora. 

Conhecidos como “rock retrô”, talvez de forma pejorativa, pois trazem, além da sonoridade característica da década de 1970, tem um apelo estético muito evidente daquela época. Mas não se enganem, caros amigos leitores, pois apesar de tudo isso, da saturação e tudo mais, ela traz consigo um frescor, um odor de novidade, um toque de contemporâneo, diante de grandes entressafras criativas que costumamos ver e ouvir na cena maisntream

Tenho dada a devida atenção a essa cena, a essas bandas que fazem um som orgânico, real, sem máquinas eletrônicas que precisam apenas de botões para emitir sons desconexos para dar o título de músicos a charlatões que pregam uma pseudo revolução da música. 

Mas confesso que quando conheci o THE DEVIL AND THE ALMIGHTY BLUES, uma banda que veio da Noruega, mais precisamente da cidade de Oslo e li as suas influências musicais, tais como: doom metal, hard rock e blues, fiquei relutante e confesso que subestimei os caras. 

The Devil and The Almighty Blues

Afinal, essas referências vem de bandas como Black Sabbath e essa cena está repleta de bandas com influência do Sabbath. Pensei: Ah, mais uma que soa como o Black Sabbath! Dei uma chance e decidi ouvi-la. Uau! Como pude ter tido uma visão tão pré-concebida? 

Uma banda tão vigorosa, arrogantemente poderosa, com uma sonoridade tão crua, direta, mas dotada de tanto virtuosismo, ao mesmo tempo. Pois é, a terra do black metal pode te entregar algo além e de muito peso também e que, claro, traz influências das bandas sujas e pesadas dos anos longínquos da década de 1970, mas com o arrojo de mesclar o hard rock, o blues, o doom metal e o stoner rock, em uma sopa contemporânea, o frescor dos novos tempos com o pé no passado sem soar datado. 

A banda foi formada foi em 2015 e logo neste mesmo ano lançou o álbum, que ouvi e será alvo desta resenha, o homônimo “The Devil and the Almighty Blues” e contava com a seguinte formação: Arnt O. Andersen, nos vocais, Petter Svee e Torgeir W. Engen nas guitarras, Kim Skaug no baixo e Kenneth Simonsen na bateria. 


Um álbum impossível de ficar parado, porque é poderoso e vivaz e que começa soturno, arrastado, com o riff característico do doom metal e um baixo pulsante e marcado de "The Ghosts of Charlie Barracuda", mas que logo irrompe em um hardão alto com vocal gritado e frenético e aquele tempero bluesy para dar o sabor a comida sonora. 

"The Ghosts of Charlie Barracuda", live at Sonic Blast Moledo

“Distance” já começa dando um murro na porta, com um hard rock direto e cru, com solos de guitarra bem elaborados, um som que te remete aos anos 1970. “Storm Coming Down” começa com um riff de guitarra, algo repetitivo, mas os outros instrumentos como o baixo e uma bateria mais marcada e forte vêm sendo adicionada, uma a uma compondo uma sonoridade agressiva e pesada, aqui o doom e o stoner ganham destaque. 

"Distance"

“Root To Root” se apresenta com um doom sujo, com um riff pesadão de guitarra, um contexto instrumental ameaçador e sombrio, com o blues inserido de uma forma dilacerada e inusitadamente homenageado, assim segue a faixa seguinte, “Never Darken my Door”, mais com um pouco de groove, um pouco dançante, animada e cadenciada.

"Root to Root, live at Desertfest, Berlim, 2019

E fecha com “Tired Old Dog” com a característica introdução de um riff pesado e sujo de guitarra e com a apresentação gradativa dos outros instrumentos formando uma camada densa e soturna em uma combinação explosiva entre hard e blues em um duelo salutar em prol da música. 

"Tired Old Dog"

O The Devil and the Almighty Blues, que vem da fria Noruega, apresenta, em seu debut, o calor borbulhante do rock autêntico e sujo, que parece ter minado das profundezas do inferno fazendo jus ao seu nome. Uma pérola bruta mais do que recomendada.





A banda:

Arnt O. Andersen no vocal
Petter Svee na guitarra
Torgeir W. Engen na guitarra
Kim Skaug no baixo
Kenneth Simonsen na bateria


Faixas:

1 - The Ghosts of Charlie Barracuda
2 – Distance
3 - Storm Coming Down
4 - Root to Root
5 - Never Darken My Door
6 - Tired Old Dog




"The Devil and the Almighty Blues" (2015)


Versão do álbum para Bandcamp acesse aqui


segunda-feira, 4 de maio de 2020

Lucifer Was - Underground and Beyond (1997)


Esse “clássico” obscuro vem dos Nórdicos, vem da Noruega! Uma área fria, gélida da Europa que fervilha para a cena rock, uma diversidade que irrompe em grandes bandas, muito delas obscuras que, rejeitadas, precisam, como pré-requisito, estar no polo da música do Velho Mundo como a Inglaterra, para ter reconhecimento.  

Uma das primeiras bandas de rock daquele país e que, com muita galhardia, dedicação e respeito pela sua essência e música sobreviveu as agruras do vilipêndio da indústria fonográfica, ao esquecimento e que, com muita dificuldade, sobrevive atualmente sem se corromper as maravilhas perigosas do dinheiro que o mundo pop, totalmente descartável e perecível, impõe as bandas. 

Falo do LUCIFER WAS e o seu primeiro álbum lançado em 1997, “Underground And Beyond”. Agora vem a pergunta: Como pode ser o Lucifer Was uma das primeiras bandas de rock da Noruega e lançar seu primeiro álbum somente em 1997? A resposta: dedicação, crença, amor incondicional a música e persistência.

Lucifer Was

O Lucifer Was remonta o longínquo ano de 1969, sua história é digna de um livro, mas que conta as dificuldades de muitas bandas em mostrar, disseminar a sua arte. Foi formada na cidade de Oslo e se chamava originalmente de Ezra West, nome extraído da literatura inglesa. 

Mas, como era difícil de pronunciar, passou a se chamar Lúcifer. Mas havia bandas que tinham o mesmo nome então mudaram novamente seu nome para Lucifer Was que, traduzindo, significa “Era Lúcifer”. O Lucifer Was na época era formado pelo guitarrista Thore Engen e o baixista Einar Bruu, que se conheceram, ainda crianças e criaram fortes laços de amizade. E que se juntaram a Kai Frilseth, Tor Langbråten e Arild Larsen, que também tocavam juntos. 

Arild e Bruu tocavam baixo, então Arild saiu da banda e entrou Dag Stenseng, que além de vocalista era flautista. O Lucifer Was começou a se apresentar em festivais na Noruega e até conseguiu relativo sucesso, entre os anos de 1970 e 1974, mas não conseguiam gravadora para registrar oficialmente suas composições, que eram gravadas em fitas demo apenas.

Lucifer Was nos primórdios ao vivo

Ainda em meados dos anos 70, o Lucifer Was decidiu pôr fim às atividades, com a saída de Jan Ødegård. Em 1995, portanto, Einar Bruu, o baixista, revisitou aquelas fitas e percebeu que era muito bom, o material era bom, então. 

Então reuniu os seus antigos amigos, exceto Jan Ødegård que não quis participar, para realizar alguns shows e despertou o interesse de alguns empresários de gravadoras que decidiu, finalmente, depois de décadas no ostracismo, contratar a banda saindo o seu debut, o excelente “Underground and Beyond”, em 1997. A capa é uma incógnita. 

Parece um anjo obscuro entrando em uma caverna ou de frente para um túnel, algo bem intangível aos olhos, abstrato, como uma manifestação artística marginal, dando ao espectador e o ouvinte a capacidade de chegar a sua própria conclusão do que vê, uma arte gráfica tão obscura quanto o seu som.



As faixas desse álbum eram as músicas das velhas fitas demo, mas gravado com a tecnologia da década de 90, mas a essência estava lá. A formação, portanto, que gravou “Underground and Beyond” foi: Thore Engen na guitarra e vocal, Dag Stenseng na flauta e vocal, Anders Sevaldson na flauta e backing vocals, Einar Bruu no baixo e Kai Frilseth na bateria. 

O som do Lucifer Was é difícil de se catalogar, de se rotular, ainda bem, afinal uma banda que preza pela inquietude criativa tem de alçar voos cada vez maiores e não se permitir repetir a cada trabalho e assim é o Lucifer Was. A banda flerta com progressivo, hard rock e com pitadas inclusive de heavy metal. 

Analisem a possibilidade de uma banda que te remeta ao Jethro Tull e o peso do Black Sabbath! Assim é o Lucifer Was genericamente falando. Essas referências são percebidas, ou melhor, ouvidas nas faixas inaugurais "Teddy’s Sorrow" e "Scrubby Maid” que mostra uma curiosa e fantástica simbiose entre guitarra e flauta, dando uma dose generosa de peso e suavidade. 

"Teddy's Sorrow"

Em “Song for Rings” permanece o som da guitarra e das flautas, mas em “Out of the Blue” tem uma levada bem cadenciada e a melodia de flautas "harmoniza" muito bem com a guitarra.

 "Out of the Blue"

“The Green Pearl” é certamente a mais pesada do álbum e lembra muito Black Sabbath, mas com nuances evidentes de rock progressivo, com alternância rítmica e muito virtuosismo instrumental.

 "The Green Pearl"

Tarabas” tem uma atmosfera sombria e lembra, sobretudo nos riffs, também lembra o Sabbath. Com “Fandango” tem aquele clima bem hardão setentista clássico, bem pesadão com a mesma proposta de "Tarabas", sendo bem introspectiva. “The Meaning of the Life” conta com riff bem marcante e pegajoso.

"The Meaning of the Life"

“Light My Cigarette” vem esmurrando a porta, pesada, com riffs pegajosos e agressivos de guitarra, tendo momentos de suavidade com a flauta com um lindo trabalho vocal, limpo e de grande alcance. Neste faixa percebemos um pouco de heavy metal também. 

"Light my Cigarette"

Na sequência tem "In the Park" corroborando um salutar duelo entre guitarra, com riffs sombrios e flautas que cadencia suavidade e frenesi descontrolado. “Asterix” fecha o álbum um com uma sonoridade mais contemplativa, introspectiva, uma balada poderosa com riffs e solos fantásticos. 

"Asterix"

O Lucifer Was é uma banda que sempre respeitou a sua história, um verdadeiro exemplo para essas bandas volúveis de hoje em dia que mudam de acordo com a maré a sua vertente musical. 

A formação da banda sofreu muitas alterações e atualmente tem, como remanescentes, Thore Engen e Einar Bruu em um total de nove pessoas no palco, com quatro músicos como convidados. Até hoje está na ativa e lançando grandes álbuns protagonizando grandes capítulos de sua longeva e persistente história.





A banda:

Thore Engen na guitarra e vocal
Dag Stenseng na flauta e vocal
Anders Sevaldson na flauta e backing vocals
Einar Bruu no baixo
Kai Frilseth na bateria


Faixas:

1 - Teddy's Sorrow
2 - Scrubby Maid
3 - Song For Rings
4 - Out of the Blue
5 - The Green Pearl: 
      - The Mountain King
      - Fairy Dance
      - Belongs to the Sky
      - Pearlhall
6 - Tarabas
7 - Fandango
8 - The Meaning of Life
9 - Light My Cigarette
10 - In the Park
11 - Asterix




"Underground and Beyond" (1997)