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sábado, 29 de agosto de 2026

Messa - The Spin (2025)

 

Aos saudosistas que acham que o rock italiano se limita ao progressivo, está totalmente equivocado ou não quer aceitar que aquele país está trafegando em outras vertentes do rock n’ roll. E não se enganem também de que se tratam de bandas “retrô” que emulam fielmente sonoridades dos anos 1970 e 1980. São bandas que trazem o frescor de um rock mais arrojado e pouco ortodoxo.

Claro que ouvimos referências de cenas de outrora, mas que entregam mesclas totalmente inusitadas para os ouvidos demasiadamente conservadores e que traz um tempero totalmente novo e sedutor aos ouvintes sedentos por sons novos. Preciso falar do MESSA.

A banda, oriunda de Veneza, foi fundada em 2014, banda extremamente nova e que, com seus quatro álbuns de estúdio lançados, em um curto período de nove ou dez anos, trouxeram uma sonoridade calcada no heavy metal, doom metal mais épico e cheio de camadas que vai do new wave ao black metal, carregados de uma atmosfera sombria e marcada pelo experimentalismo e post metal. Loucura, não é? Talvez sim, pelo fato de trazer esses rótulos sonoros, mas na prática, a magia acontece.

Acontece de uma forma nem um pouco datada, deixando a criatividade falar mais alto, sem amarras, sem constrangimento algum de sentir medo da rejeição, muito pelo contrário, haja vista que, diante de tantas vertentes percebidas, a chance de absorver fãs dos mais diversos sons que floresce no rock, é grande, muito grande.

Messa

Evidente que a banda ainda navega pelas águas do underground, mas o faz com maestria, ganhando olhares interessados e arrebatadores. É uma sonoridade consistente, cheia de alma, de sua verdade na mais pura e genuína concepção. Apesar de absorver várias vertentes é nítido e cristalino que existe uma sonoridade bem definida, bem delineada e que edifica a banda a um status que, a médio e longo prazo, de inovadora. Não sei se estou em um estado tamanho de catarse que me impede de ser mais racional. O fato é que a banda, em uma curta trajetória discográfica, está dizendo a que veio.

E falando em discografia preciso, mesmo que de forma bem resumida e rápida, falar sobre seus petardos sonoros, a começar pelo seu debut, “Belfry”, de 2016, com um desenho mais voltado para o doom metal, com aquela atmosfera de occult rock densa e pesada. Depois surgiu para o mundo o segundo trabalho da banda, chamado de “Feast for Water”, de 2018. Aqui ele traz também a pegada doom, mas com uma dose louca e inusitada de blues e post metal, com nuances sutis de progressivo, um metal progressivo volumoso e potente.

"Belfry" (2016)

"Feast for Water" (2018)

O terceiro, lançado somente em 2022, chamado de “Close”, já traz algumas mudanças, diria, significativas, importantes na sonoridade do Messa. Há algo hipnótico e imediatamente nostálgico, mas com o pé da vanguarda fincado no chão. O rock progressivo está mais vívido nas suas composições, fazendo deste álbum o passo mais significativo para a evolução de seus músicos e de sua música.

"Close" (2022)

E esse momento culmina com seu mais recente lançamento, de 2025, chamado de “The Spin”. Aqui o Messa atinge, a meu ver, o nirvana sonoro, aqui a banda se aventura em mais vertentes do rock, aliando tudo que, até então, tinham produzido nos seus três primeiros álbuns, e mostrando para o seu público, para o mundo uma sonoridade calcada no heavy metal, no black metal, no doom metal, no post metal, no metal progressivo, com a new wave.

“The Spin” é um álbum sedutor, deliciosamente atraente, nostálgico, mas com a criatividade dando o norte para o um futuro promissor do rock, sem amarras, sem estereótipos, sendo simplesmente a música pela música. E será nessa viagem louca e necessária que tentarei falar sobre o mais recente trabalha da banda veneziana.

Eu confesso, estimados leitores, que esteja “contaminado” pela euforia de ter feito, desde que esse trabalho do Messa foi lançado, inúmeras audições de “The Spin” e que esteja movido pela passionalidade sendo, consequentemente, incapaz de traduzir em texto, uma crítica construtiva e sem emoções deste álbum. Mas que se dane! Afinal música traz uma dose de emoção e passionalidade e aqui, pelo menos nesse momento, é o que virá à tona.

Mas como não permitir vir à tona quando se, além das vertentes mencionadas, você ainda perceber jazz, blues, o peso seco e direto do stoner, tendo a aura melancólica do doom em sua dança mais épica e menos suja, como típico de sua gênese. E por mais que se revele sombria, oculta, mostra também, por outro lado, suas emoções mais ousadas e declarativas. É incrível o quanto esse mais recente trabalho do Messa é complexo, dramático, melancólico, pesado e contemplativo.

A formação do Messa, para “The Spin”, cuja gravadora é a Metal Blade Records, traz: Sara Bianchin, nos vocais, Mark Sade no baixo e guitarra. Alberto Piccolo, na guitarra e Rocco na bateria, além de Michele Tedesco, no trompete e Andrea Mantione nos sintetizadores, que também foram determinantes para a construção sonora deste álbum. Essa formação, a propósito, é a única desde o início da trajetória discográfica da banda, claro, exceto aos músicos contratados. Digo de Sara, Mark, Alberto e Rocco.

A faixa de abertura é “Void Meridian” que dedica um momento a desenvolver um estilo sério, girando seus motores movidos a sintetizadores até que a força da música tenha uma progressão digna de um doom metal que remete ao Trouble, como desfecho. Um começo meio rocker, com zumbidos etéreos, antes do bálsamo mais pesado e rasgado do seu fim. Aqui a banda mostra a sua incrível conexão emocional com a alma de um blues rock pesado, com um doom mais melancólico e sombrio.

"Void Meridian" (Live in Athens, 2025)

Segue com “At Races” que se mostra cativante, embora se apresente um occult rock e até mesmo algo como um hard psych, bem lisérgico, arriscaria dizer. Ela me traz a sensação latente de um tom embriagante, empolgante, que forja um fio convincente e sombrio ou pelo menos reverente. Tem refrão potente, tempos viciantes e vocais arrebatadores e extremamente delirantes.

"At Races" (Official Video)

“Fire on the Roof” se mostra igualmente cativante, o vocal de Sara é admirável, sendo forte, alto, mas cristalino e muito competente. Aqui se percebe, além do peso do doom metal arrastado, porém épico, um synth-rock que te remente imediatamente aos anos 1980, onde o Messa evoca influências que vai do Sisters of Mercy ao Mercyful Fate. O peso do doom e do heavy metal mesclado ao gótico com tempero da new wave dos anos 1980. É simplesmente incrível essa faixa e que nos faz querer ouvir e ouvir novamente.

"Fire on The Roof" (Official Video)

“Immolation” já chega mudando um pouco a dinâmica do álbum. Trata-se de uma balada, linda, contemplativa, sombria. E embora não seja exatamente inédito em termos de instrumentalização, principalmente visto em seu álbum anterior, “Close”, tudo, nessa faixa, é reduzido às estruturas tradicionais de um hard rock que vai evoluindo, encorpando, tendo, consequentemente uma abrupta transformação. Fica o destaque para o slide guitar de Alberto!

"Immolation" (Live in Locomotiv Club, 2026)

Eis que surge talvez a faixa destaque do álbum, “The Dress”! A começar com as harmonias vocais de Sara que entrega um nível de ressonância incrível, isso tudo alinhado a experimentação destemida de toda a banda. Aqui a ousadia instrumental beira a complexidade com um solo de trompete assombroso de Michele Tedesco, fundindo a intensidade lenta do doom, com a fluidez estranha do jazz, criando algo único e intenso aos ouvidos e a alma.

"The Dress" (Official Video)

“Reveal” surge hasteando a bandeira do heavy metal! É impossível não passar incólume nessa faixa, sendo extremamente animada, pesada, com um groove totalmente diferente do que se ouve no álbum. Timbre rítmico envolvente, uma guitarra elástica, com movimento acelerado, que lembrou, penso, algo como death e black metal.

"Reveal" (Official Video)

E fecha com “Thicker Blood” que traz a combinação mais do que completa do rock gótico dos anos 1980 em sintonia com o doom metal mais tradicional, arrastado e sujo. Na realidade aqui nesta faixa percebemos a versão mais evidente do Messa nos seus primeiros álbuns, com uma música mais pesada e direta, trazendo elementos-base de sua música, calcada no heavy metal e no doom metal.

"Thicker Blood" (Live in Italy, 2025)

A arte da capa de “The Spin” é assinada por Nico Vascellari e, à primeira vista, se revela discreta, mas curiosa com um olhar mais profundo. Trata-se de um “ouroboros” metálico emergindo das sombras. Embora eu não possa dizer que entendo o simbolismo diretamente, ele combina com a mentalidade clássica do rock gótico que está bem presente na estrutura sonora deste álbum.

Penso que as escolhas da banda para a arte do álbum parecem ser motivadas por emoção, talvez por um senso de lugar ou movimento que funciona com cada lançamento e suas particularidades. Mas agora o simbolismo parece, ao mesmo tempo, contemplativo e até conflituoso.

“The Spin”, com esse pensamento, se mostra extremo, um exorcismo do “underground extremo” até as raízes rock não tão terrosas assim. O Messa quis mostrar, com seu mais novo recente trabalho, uma profundidade maior ao “esculpir” tais ideias às músicas, mostrando uma nítida mudança de paradigma sonoro, sobretudo nas suas melodias, entregando para os seus ouvintes uma audição dignamente memorável, mas também mostrando ao mundo a que veio.

As fusões das vertentes sonoras, as emoções mais variadas, a sonoridade orgânica e rebuscada faz de “The Spin” um álbum surpreendente, inventivo, transcendendo o metal e mergulhando o ouvinte em um mundo de beleza assombrosa e emoção extremamente carregada e cheia de nuances imprevisíveis. Para apreciadores de algum tempo da banda, “The Spin” trará uma revelação e para os novatos poderá ser uma introdução arrebatadora.







A banda:

Sara Bianchin nos vocais

Mark Sade no baixo e guitarra

Alberto Piccolo na guitarra

Rocco na bateria

 

Com:

Michele Tedesco no trompete

Andrea Mantione nos teclados, pianos e sintetizadores

 

Faixas:

1 - Void Meridian

2 - At Races

3 - Fire on the Roof

4 - Immolation

5 - The Dress

6 - Reveal

7 - Thicker Blood 



"The Spin" (2025)




 



















 










sexta-feira, 21 de março de 2025

Orchid - Capricorn (2011)

 

Quando eu comecei a ouvir as bandas de stoner rock em meados da primeira década dos anos 2000, eu sempre achei que as bandas que eu ouvia, em especial, era uma espécie de resposta nostálgica dos fãs aos anos 1970 e todas as suas manifestações culturais e/ou comportamentais.

Mesmo assim continuei a ouvir desbravar os sons dessa nova cena que, mesmo sem apoio da indústria fonográfica, e de alguns fãs de rock mais “conservadores”, e fui percebendo, ao ouvir álbuns e bandas, que não era apenas lembranças, reminiscências do passado, mas eram sons mais arrojados, mais destemidos, sonoramente falando.

Muitas bandas começaram a aglutinar sonoridades psicodélicas, de blues e até mesmo de rock progressivo. As viagens sonoras se tornaram mais chapadas e até mesmo sofisticadas, o que pode parecer impossível com o stoner rock, tido como um som mais duro, mais rústico e, por vezes, sujo e despretensioso.

E uma banda, em especial, me apresentou a essa nova cena e não me fez querer sair mais. A banda se chama ORCHID! E quando eu falei que essa cena dos anos 2000, começou a flertar com outros elementos sonoros do rock n’ roll, entre outros o psych rock, o Orchid foi formado em uma das cidades mais importantes para a cena psicodélica dos anos 1960, São Francisco, nos Estados Unidos. Tem algo a ver? Não sei dizer se tem, foi apenas um dado sem muita relevância.

Mas coincidências à parte, a história do Orchid inicia em 2008, aproximadamente com o vocalista Theo Mindell, quando estava construindo, em sua mente, uma ideia do que viria ser o Orchid. Ele não estava tocando em banda nenhuma à época e há muito tempo. Estava cansado do que estava acontecendo nas cenas daquela época e começou a compor, na guitarra, naquele mesmo ano.

Ele tinha tocado em uma banda com o guitarrista Mark Thomas Baker, isso muito anos antes de se juntarem ao Orchid! Theo sabia que Mark era o único cara que poderia materializar o seu projeto, que era capaz de trazer o Orchid à vida. E o incomodou, de forma incansável e determinada, para convencer Mark a participar de sua empreitada, até que finalmente ele aceitou.

Theo Mindell

O próximo passo era buscar mais músicos para compor a banda e a busca foi longa e difícil, principalmente para a escolha de um baixista. Foram muitos baixistas que fizeram audição e muitos que não se encaixavam na proposta da nova banda, alguns entraram na banda, mas ficaram por pouco tempo. Até que Keith Nickel foi escolhido e em seguida entraria na banda o baterista exímio Carter Kennedy. Esse foi o começo do Orchid.

As origens do nome da banda, “Orchid”, claro, veio do título da música do Black Sabbath, do excelente álbum, de 1972, “Vol.4”. A ideia de Theo era um nome que não soasse tão clichê dessas bandas de heavy metal. Ele queria um nome que evocasse sentimentos de psicodelia do final dos anos 1960 e início dos anos 1970 e o Sabbath foi lembrado. Talvez se fosse um nome sombrio ou mau teria soado algo fingido ou forçado.

A ideia de Theo e os demais caras da banda era um nome ambíguo que desse a eles algum espaço para crescer musicalmente e comercialmente falando. E Orchid era ideal, eles sempre gostaram da maneira como o nome da banda estava atrelado a eles.

E, com isso, vem também algumas comparações, um tanto quanto maldosas, com o próprio Sabbath. Mas encaro, bom amigo leitor, como apenas uma influência inevitável. E deixo com os senhores uma declaração do próprio Theo Mendell, em uma entrevista concedida para um blog chamado “Temple of Perdition”, que diz:

“Quanto às comparações com o Sabbath? Eu realmente não me preocupo com isso. Eu amo o Sabbath. Eles têm sido uma das minhas bandas favoritas desde que eu era criança. Eu não sei como eu poderia escrever músicas de rock pesado sem esse som ou identidade. É apenas o que eu acho legal. Eu acho que há muitas outras influências que estão bastante presentes no som do Orchid também. Mas as pessoas sempre pegarão o caminho mais curto para um destino, mesmo que seja prendendo algum tipo de "etiqueta de roubo" em você. Se esse é o pior crachá que eu já tive que usar na minha vida musical, vou usá-lo com orgulho”.

O primeiro trabalho do Orchid sairia em 2009, mas não seria um álbum, mas um EP e, convenhamos, começaram, ainda assim, muito bem, com o “Through the Devils Doorway”. Eram quatro músicas de uma banda avassaladora, que trazia o conceito de hard rock muito fortemente, mas trazia também pegadas de storner, psych e até mesmo de um doom metal. Um começo à altura das ambições desses jovens músicos que queriam fazer música dos anos 1970 com um pé nos anos 2000 e com muito recurso sonoro.

"Through the Devil's Doorway" (2009)

Mas o melhor estava por vir, o tão esperado debut do Orchid e, apesar de ter demorado um pouco, ele viria e com força e impacto na cena stoner underground e o nome dele? “Capricorn”, de 2011. O conceito, a proposta era basicamente a mesma de seu EP, lançado há dois anos antes, mas veio com uma excelente produção, com arranjos e melodias bem-feitas. Era um álbum diversificado, não era datado, o hard rock, o heavy rock, o stoner e o psych rock eclodia a cada nota musical. Se você, bom amigo leitor, aprecia Black Sabbath e aquele som arrastado e sombrio, verá em “Capricorn” a melhor das audições.

Theo Mendell assinaria a arte gráfica de “Capricorn”, bem como também no EP que abriu a história discográfica do Orchid. Nada mais do que natural, haja vista que de Theo que surgiu a concepção da banda e nada mais interessante que o próprio fizesse o trabalho estético e gráfico da banda, o que aconteceu. E é com “Capricorn” que falaremos nessa resenha.

A produção de “Capricorn”, já que comentei sobre o belo trabalho, ficou sob a responsabilidade de Will Storkson e ele foi determinante para a construção sonora desse álbum e lançado pelo selo Nuclear Blast. Há relatos, ainda na entrevista concedida para o blog “Temple of Perdition”, de Theo Mendell onde fala sobre as influências da banda para a concepção de seu debut:

“Se eu fosse deixado por conta própria, nossos discos poderiam acabar soando como uma mistura de Stooges Raw Power e Sabbath Bloody Sabbath ... Eu adoraria, mas pode parecer muito ensopado. Vou continuar empilhando fuzz e reverb até que você não consiga ouvir nada”.

Will ajudou e foi preponderante na produção de “Capricorn” e o fez com um radar direcionado aos longínquos anos 1970, mas sem negligenciar as tendências da contemporaneidade. Quanto ao teor das letras, suas temáticas trafegam no occult rock, mas também em temas sociais e comportamentais.

O álbum é inaugurado com a faixa "Eyes Behind the Wall" que já entrega o ouvinte um estrondoso e poderoso riff de guitarra, um trovão sonoro e potente. Bateria pesada, marcada, batida forte, baixo pulsante. A “cozinha” realmente se destaca e dá o tom, o ritmo, não é à toa que é a seção rítmica. E para aqueles que aprecia o hard dos anos 1970, perceberá uma espécie de gravação “vintage”, com nuances antigas. Sem dúvida a banda e o produtor conceberam a música e todo álbum assim intencionalmente.

"Eyes Behind the Wall"

Segue agora com a faixa título, “Capricorn” e a percepção de que voltamos aos anos 1970 é nítida. A batida cadenciada, tendendo para uma levada meio jazzística é adorável e dançante. O vocal é ameaçador, sombrio e segue também com um timbre cadenciado. Mas logo ela irrompe em uma hecatombe pesada, um volumoso hard rock. O vocal ganha mais alcance, mais potência, a música fica mais rápida, mas logo fica mais lenta e assim alterna, mostrando a capacidade instrumental da banda.

"Capricorn" (Clipe oficial)

“Black Funeral” surge vagarosa, lenta, uma bateria ao fundo, com seus pratos, mas logo depois, por pouco tempo explode em um heavy metal com guitarra tocada ao extremo e bateria igualmente pesada. Logo volta ao clima soturno, sombrio e perigoso, com o vocal dando a tônica. Um occult rock com linhas de heavy metal e pitadas discretas de doom metal.

"Black Funeral"

“Masters of It All” inicia com dedilhados de guitarra ao estilo Sabbath de tocar bem interessantes. Ela é responsável por colocar lenha na fogueira, porque, aos poucos, a faixa vai “encorpando”, ganhando camadas mais pesadas. A bateria é tocada com um pouco mais de agressividade e assim alterna, voltando para os dedilhados de guitarra. Os vocais ficam mais altos no clímax hard.

"Master of it All"

“Down into the Earth” traz um baixo dedilhado ao estilo Sabbath e explode para riffs grudentos e pesados de guitarra te remetendo ao heavy metal. A bateria bem marcada, tocada com técnica, mas orgânica. Riffs de guitarra, na metade da música, são percebidas com uma pegada mais doom, mais suja e despretensiosa.

"Down Into the Earth"

“He Who Walks Alone” é, sem dúvidas, uma das melhores faixas do álbum, pois traz uma mescla de passado e presente com uma incrível sinergia. Te remete ao hard rock dos anos setenta, com o peso e a cadência e o doom metal dos anos 1980, que traz a parte mais suja e arrastada. É agitada, enérgica, animada, encantadora e, claro, pesada. Aqui o Sabbath, juntamente com bandas do naipe de Saint Vitus são devidamente percebidas.

"He Who Walks Alone"

Segue com “Cosmonaut of Three” que começa aterrorizante, um estilo sombrio e ameaçador que parece ser uma trilha sonora de um final de terror. A “cozinha” se destaca novamente. A bateria segue marcada, mas pesada e o baixo pulsa feito um coração em um momento dramático e tenso de pavor. Há riffs de guitarra que corroboram essas condições dando uma camada interessante à música. Uma atmosfera perigosa e que dá aula de occult rock.

"Cosmonaut of Three"

“Electric Father” segue basicamente a mesma proposta sonora de sua antecessora, explodindo em um temperamento de doom metal, mesclado ao heavy rock e o hard rock com pegadas setentistas. Aqui os sintetizadores ganham algum destaque e dão um tom mais sombrio à faixa, além de um solo rápido, direto, mas competente de guitarra que traz mais peso.

"Electric Father"

E fecha com “Albatross” que foge um pouco do tom e da vibe das faixas anteriores. Começa com uma pegada mais viajante e chapante, te remetendo a coisas mais experimentais e psicodélicas. O vocal continua com aquele tom mais ameaçador e soturno, enquanto, aos poucos, a bateria vais surgindo um pouco mais forte e discretos dedilhados de guitarra. Os teclados entregam a condição mais viajante da faixa. E fecha, de forma espetacular e inspiradora, com solos de guitarra lisérgicas. O prog psych se faz presente nessa última faixa de “Capricorn”.

"Albatross"

Em 2012, um ano depois do lançamento de “Capricorn” o Orchid lançaria mais uma EP, o seu segundo, chamado “Heretic”, com quatro faixas, sendo que uma delas era uma faixa de seu debut, “He Who Walks Alone” e, no ano seguinte, em 2013 lançaria outro EP, com três músicas e que se chamou “Wizard of War”.

"Heretic" (2012)

"Wizard of War" (2013)

E finalmente o tão aguardado segundo álbum sairia, intitulado “The Mouths of Madness”, em 2013. A banda, neste novo trabalho, me soou mais polida, a produção mais bem acabada e uma banda nitidamente mais experiente e ciente da sua proposta sonora que não, não mudou em relação ao seu debut, “Capricorn”. A sonoridade poderosa, calcada no hard rock setentista, com pegadas atualizadas de stoner e doom metal, tendo a concepção do occult rock dominando as ações, mostra uma banda coesa e muito competente e coerente no que vinha, até então, fazendo. O álbum pode ser ouvido aqui!

"The Mouths of Madness" (2013)

Naquele mesmo ano, de 2013, a banda lançaria a sua primeira coletânea, “The Zodiac Sessions”, com o que há de melhor nos seus primeiros trabalhos. Atualmente a banda está um tanto quanto parada, não tem realizado lançamentos, mas há informações de que um novo trabalho virá e quando o Orchid se propõe a fazer um novo álbum, aguardem, pois há muita coisa boa pela frente!

"The Zodiac Sessions" (2013)

Theo Mindell, ainda em uma entrevista que concedeu para o blog “Temple of Perdition”, disse não fazer ou pelo menos não ter nenhuma intenção, com a sua música, com o Orchid, de estar em uma cena musical, mas apenas compor as músicas que amam. Mas o fato é que o Orchid, com a sua sonoridade que flerta com o tempo ou com “vários tempos”, trouxe uma nova perspectiva para o rock no início dos anos 2000, o rock como ele era, vivo e genuíno, marginalizado.


A banda:

Mark Thomas Baker na guitarra e sintetizadores

Keith Nickel no baixo

Carter Kennedy na bateria e percussão

Theo Mindell nos vocais, percussão e sintetizadores

 

Faixas:

1 - Eyes Behind the Wall

2 - Capricorn

3 - Black Funeral

4 - Masters of It All

5 - Down into the Earth

6 - He Who Walks Alone

7 - Cosmonaut of Three

8 - Electric Father

9 - Albatross 



"Capricorn" (2011)



















 


























sábado, 11 de março de 2023

Witchcraft - Witchcraft (2004)

 

Não há dúvidas, pelo menos para mim, de que a cena stoner/doom que eclodiu no início dos anos 2000 é o que de melhor aconteceu no rock n’ roll desde os anos 1990 com o grunge na cidade de Seattle nos Estados Unidos. Lembrando que esta última teve grande visibilidade com o lançamento do álbum do Nirvana, “Nevermind”, em 1991 culminando com o seu fim comercial quando seu vocalista, Kurt Cobain, foi encontrado morto em 1994.

Já a cena stoner rock e doom metal, bem como também o psych rock, vem crescendo e se saturando de tanta banda que vem surgindo, ganhando vida, desde 2000 e que, mesmo sem tanta popularidade e entrada nas rádios e televisões de massa, vem divulgando, graças as redes sociais e o talento e fazendo turnês pelo mundo.

E a pelo menos 20 anos eu venho acompanhando, de perto, e com afinco e verdadeiro entusiasmo, a caminhada das bandas que vem ganhando notoriedade e credibilidade, bem como aquelas que ainda, de forma obstinada e persistente, segue seu caminho para buscar um lugar ao sol.

E entre essas bandas que vem ganhando algum sucesso, reconhecimento pela sua arte, pela sua discografia, não podemos negligenciar a alemã Kadavar, Radio Moscow, Wucan e tantas outras que levariam horas e dias, ou melhor, páginas e páginas dessa humilde resenha caso decidisse escrevê-las aqui. Algumas delas acompanhei shows, outras cada material novo lançado, mas nunca as perdi de vista.

Mas tem uma banda, em especial, que foi a grande responsável ou um das grandes responsáveis por ter me apresentado ou pelo menos me estimulado a conhecer esse mundo, esse universo vastíssimo e ainda, pasmem, inexplorado das bandas de stoner e doom metal que povoa o mundo de um rock n’ roll que homenageia o passado, mas que traz uma dose cavalar de contemporaneidade sonora extremamente arrojada e que vem, não poderia deixar de ser, da Suécia e se chama WITCHCRAFT.

Witchcraft

Ela me fez abrir os olhos para um mundo, para um universo que não se limitava, ouso dizer, às grandes e imaculadas bandas setentistas, pois era a nova e consistente safra do rock que corroborou o que sempre acreditei apesar de alguns equivocados críticos dizerem que o estilo morrera. Não! Não morreu, pode ter agonizado em alguns momentos, sofrido umas tocaias, mas sempre se mostrou inoxidável e essa cena foi e tem sido responsável por essa capacidade do rock se reinventar.

Hoje o Witchcraft goza de alguma popularidade, goza de alguma fama principalmente na Europa, participando de vários festivais, dos mais undergrounds aos mais mainstream mostrando que a banda, a cada álbum que lançou, reviu seus conceitos sonoros, flertou com algumas vertentes, mas sempre se mostrando relevantes e fortes a cada trabalho.

Mas hoje eu falarei dos primórdios, do passado do Witchcraft, quando a banda era apenas um projeto que denotava algo passageiro, com início, meio e fim, mas que dura mais de vinte anos. E vamos viajar no tempo com uma sonoridade declaradamente “vintage” e que procurou, com maestria, homenagear não apenas um estilo, uma vertente do rock, que teve o pilar nos longínquos anos 1970, mas uma banda que foi e é sinônimo de persistência e que ajudou, apesar de tudo, a construir a cena hard, a cena doom metal, o occult rock: falo do Pentagram.

Mas o que tem a ver o Witchcraft com o Pentagram? O que os une além do doom metal, do occult rock, do hard rock? Talvez os mais jovens ou aqueles que passaram a conhecer o Witchcraft nos seus trabalhos mais recentes, não se lembram da história que gira em torno do seu primeiro e singular álbum, homônimo, de 2004.

E nessa época o Witchcraft era uma banda totalmente “retrô” e o propósito dos seus integrantes à época era recriar o psych-hard dos anos 1970, de bandas cujas sonoridades eram revolucionárias e pouco ortodoxas já naquela época. E o responsável se chamava Magnus Pelander, vocalista, guitarrista e principal compositor do Witchcraft que a criou em 2000 na cidade de Örebro, com cerca de 120 mil habitantes e duas horas a oeste da capital sueca, Estocolmo.

Magnus Pelander

A intenção de Pelander era criar um projeto para homenagear o frontman do Pentagram, o grande Bobby Liebling e Roky Erickson icônico líder do 13th Floor Elevators. Para a empreitada ele chamou seu amigo John Hoyles, na guitarra e os irmãos Ola no baixo e Jens Henriksson na bateria. A banda estava pronta!

Bobby Liebling

Roky Erickson

O single “No Angel or Demon” com “You Bury Your Head” no lado B, já com o nome da banda de Witchcraft (feitiçaria em inglês), foi lançado pelo pequeno selo independente “Primitive Arts Records”, em 2002. Já com essas músicas a banda atingiu alguma visibilidade e ainda com a oferta de contrato do selo de Londres “Rise Above Records”, do líder da banda Napalm Death, Lee Dormian, Pelander ganhou um estímulo para continuar a compor outras músicas.

A banda deu uma hibernada e os demais músicos seguiram as suas vidas enquanto Pelander continuou a compor e compor de forma voraz e intensa. Até que finalmente em 2004 “Witchcraft” ganhou a luz, de uma forma tão original, tão “vintage”, tão autêntico. É evidente que Magnus Pelander, com as suas letras, queria trazer à tona, dos escombros do vilipêndio, o passado de bandas de hard psych dos anos 1970. Cabe aqui também uma curiosidade sobre a capa do álbum. A imagem da capa do álbum foi uma versão ligeiramente alterada da gravura “Merlin”, de Aubrey Beardsley, para a capa do livro "Le Morte d'Arthur" (1485), de Sir Thomas Malory.

Lembro-me que quando ouvi “Witchcraft” pela primeira vez e me deleitando de um passado que não vivi, de ter visto no Witchcraft bandas como Black Sabbath, Blue Oyster Cult, Coven e evidente o próprio Pentagram. Lembro-me também, apesar das redes sociais não serem tão atuantes em 2004, um feedback não muito agradável por parte dos especialistas de músicas e de alguns ouvintes e até hoje esse álbum não figura entre os melhores do estilo ou é pouco lembrado dizendo que é pouco original ou pior, uma cópia das bandas do passado.

Claro que os fãs do moderno doom metal e stoner rock torceram o nariz, talvez pelo simples fato de não estarem inteirados pela história desta vertente do rock e, sobretudo pela proposta e história da banda para com esse álbum, em especial. Ele vislumbra definitivamente a homenagear as bandas clássicas dos anos 1970.

Outro detalhe importante que convém lembrar no debut do Witchcraft e redução drástica da batida, acentuando os graves, enfatizando as guitarras solos cheia de riffs alucinados, lisérgicos e pesados com vocais entoando letras angustiadas e com fantasias macabras. Hoje nesta cena é praticamente impossível vermos bandas com essa proposta sonora. Lembremos que, dada as devidas proporções, o próprio Black Sabbath adotou essa vertente sonora em seu primeiro álbum não sendo tão pesado assim, com viés blueseiros e psicodélicos.

Então a formação do Witchcraft para o lançamento de seu primeiro álbum, de mesmo nome, em 2004 trazia nos vocais e guitarra Magnus Pelander, John Hoyles, na guitarra, agora com um novo baterista, Jonas Arnesén, no lugar de Jens Henriksson e seu irmão Mats Arnesén no baixo, no lugar de Ola Henriksson que também não seguiu na empreitada.

No álbum inaugural do Witchcraft traz a versão de "Please Don't Forget Me", música composta por Bobby Liebling, quando tinha 16 anos, na banda que é considerada como o “Pré-Pentagram”, chamada Stone Bunny, de um álbum, único, lançado em 1970 de nome “Nothing Left” e “Yes, I Do” que aparece na versão original do LP lançado no Japão, apenas.

Stone Bunny - "Nothing Left" (1970)

“Witchcraft” entrega basicamente arranjos soltos, quase jazzy, com riffs de guitarra maravilhosamente simples, porém muito efetivos e vocais dramáticos e sombrios que lembram os de Ozzy Osbourne no Black Sabbath. Uma sonoridade densa, de atmosfera densa, por vezes, pesado, lisérgicos, arrastado como um doom primitivo, dos primórdios evocando Sabbath, evocando Pentagram. Enfim, o primeiro álbum do Witchcraft engloba tudo o que havia de bom na cena proto doom e hard rock dos anos 1970: estruturas minimalistas, riffs carregados de reverberação, bateria descontraída, linhas de baixo intensas e vocais limpos e assustadores.

O álbum é inaugurado com a faixa título “Witchcraft” com uma bateria marcada e de poderosa batida com riffs de guitarra alucinantes e aterradores em uma atmosfera garageira, alternativa com uns vocais limpos e por vezes gritados, um tanto quanto meticulosamente abafados. Do peso fica mais arrastado e sombrio, com o vocal perigoso e uma bateria ao fundo com riffs ocasionais. Mudanças de ritmo mostram o quanto são grandiosos.

"Witchcraft"

Segue com “The Snake” um tanto quanto teatral que impõe a realidade de um proto doom, uma sonoridade arrastada, riffs pegajosos e pesados de guitarra, vocal mais despretensioso, que se revela arrogante e, por vezes, agressivo.

"The Snake"

E eis que surge o clássico obscuro do Stone Bunny “Please Don't Forget Me”, composto por Bobby Liebling, que segue fielmente como na versão original, revelando o peso e a psicodelia muito comum em um ano que foi tido como a fase de transição entre o psych rock e o hard rock. E assim se mostra a música: um voluptuoso hard psych cheio de vida e intensidade.

"Please Don't Forget Me"

“Lady Winter” é pesado e nos remete a outro projeto de Liebling chamado Bedemon, com uma sonoridade cadenciada, com a “cozinha” muito bem entrosada, com a bateria batendo forte e marcada e um baixo pulsante. O destaque também fica para o solo, simples, mas pleno de guitarra.

"Lady Winter"

“What I Am” segue basicamente a mesma proposta da faixa anterior: bateria pesada, riffs de guitarra trazendo uma textura sombria e indulgente, sendo corroborada pelo vocal perigoso e docemente louco de Pelander, com um baixo pesadão e muito vivaz.

"What I Am"

“Schyssta Logner” já bate com o pé na porta, riffs arrogantes e lisérgicos, poderosos e tocados muito alto, seguindo com a bateria na mesma levada, com alguma cadência sendo capitaneada pelo vocal mais rasgado.

"Schyssta Logner"

“No Angel or Demon”, que foi o primeiro single da banda e uma das mais antigas composta por Magnus Pelander realmente sintetiza a proposta “retrô” do Witchcraft e que traz o hard rock mais abrangente, sonoramente falando, com algo mais jazzy, mais bluesy também. Uma sonoridade mais bem elaborada.

"No Angel or Demon"

“I Want You to Know” abre com riffs mais pegajosos, mais pesados, a bateria segue em uma jornada que encorpa a sonoridade e que, em uma salutar disputa com a guitarra, faz da música mais plena e viva. Solos de guitarra preenchem espaços de forma simples e direta, mas efetivas.

"I Want You to Know"

“It's So Easy” começa particularmente solar, intensa, vivaz e plena e o destaque fica para o vocal que eleva toda essa condição, cantado de forma límpida e alta, com grande alcance, por vezes, gritado. Nessa faixa temos uma síntese fiel da influência de bandas como Pentagram e Bedemon.

"It's So Easy"

“You Bury Your Head” começa avassaladora com os pratos da bateria explodindo em intensidade e agressividade, irrompendo logo em algo mais cadenciado trazendo à tona o doom metal, sendo tocada de forma pegajosa e arrastada.

"You Bury Your Head"

E fecha com “Her Sisters They Were Weak” é maravilhosamente obscura, minismalista e arrisco dizer que traz alguns elementos progressivos, pois se torna contemplativa e com algumas mudanças de ritmo. É pesada, é densa, é sombria, é aterrorizante. Uma das grandes faixas do álbum e que o finaliza perfeitamente.

"Her Sisters They Were Weak"

Embora tenha sido lançada apenas no LP na versão japonesa, convém falar um pouco da faixa “Yes, I Do”, também de Bobby Liebling, que é extremamente pesada, com riffs ultrajantes e solos de guitarra curtos e grossos que torna a faixa pesada e intensa.

"Yes, I Do"

Reza a lenda que “Witchcraft” foi gravado em um porão. Se isso de fato aconteceu, tenho certeza que não foi por uma circunstância de uma eventual falta de dinheiro, de pouca verba. Não, não foi. Certamente foi para manter a aura que o álbum entrega e ao ouvi-lo é notório que era como se o mesmo tivesse sido gravado há quase cinquenta anos atrás, afinal essa era a vibe, essa era a intenção, afinal trata-se de uma homenagem às bandas esquecidas, muitas delas, que compunham a cena occult rock nos primórdios dos anos 1970.

“Witchcraft” traz instrumentos tocados de forma nebulosa, está além das superproduções e gravações com mega estrutura tecnológica que já tinha à disposição de muitas bandas no início dos anos 2000. A bateria soando distante e oca, as guitarras difusas e arrastadas, o baixo, por vezes pulsante, é discreto e sombrio. “”Witchcraft” parece surgido de uma época distante e antiga, de tempos perdidos e esquecidos, empoeirados.

Quase vinte depois de seu lançamento o Witchcraft lançaria outros álbuns, mas sem o “charme” de seu debut, mas não me entendam mal, caros leitores, a banda foi encorpando, trafegando por outros estilos, do hard rock ao heavy metal, mas vejo como evidente esse aperfeiçoamento sonoro nos lançamentos posteriores, mostrando que a banda não pararia no tempo se revelando madura, grandiosa.

Nada será como antes e ver uma banda como o Witchcraft, em plenos anos 2000, voltar em um tempo esquecido e até desprezado por alguns “conservadores” do rock n’ roll, e gravar um álbum que homenageia bandas do naipe de Black Sabbath, Coven, Pentagram, Bedemon e tantas outras do estilo, é levar ao jovem e, as vezes, perdido fã de rock uma fatia essencial da história desse estilo que parece que fazem questão de enterrar. Músicas essas que foram também produzidas por músicos jovens mostrando que o discurso funesto de algumas figuras destrutivas que trafegam no universo do rock, que insistem em dizer que o rock morreu. Não morreu para o Witchcraft.



A banda:

Magnus Pelander nos vocais e guitarra

John Hoyles na guitarra

Jonas Arnesén na bateria

Mats Arnesén no baixo

Ola Henriksson baixo (Em “No Angel or Demon”)

 

Faixas:

1 - Witchcraft           

2 - The Snake         

3 - Please Don't Forget Me

4 - Lady Winter       

5 - What I Am          

6 - Schyssta lögner

7 - No Angel or Demon     

8 - I Want You to Know     

9 - It's So Easy        

10 - You Bury Your Head 

11 - Her Sisters They Were Weak


"Witchcraft" (2004)

Audição do álbum pela "Last.fim" aqui