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quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Flyte - Dawn Dancer (1979)

 

Breda, pequena cidade no sul da Holanda, perto da fronteira com a Bélgica, 1972. Jovens estudantes decidiram montar uma banda. Inicialmente era formada pelo baixista Rob Overdijk, o guitarrista Arnold Hoekstra, o baterista Freek Peeters, a cantora Kitty Maanders e o percussionista Hans Marynissen que também era poeta e escritor. Hans era um precoce músico! Tocava percussão desde os cinco anos de idade e participava da banda de metais conduzida pelo seu pai. E os outros membros da banda sondava Hans exatamente por conta de suas habilidades como músico, principalmente como escritor. Ele, inclusive, publicou alguns poemas e ainda escreveu uma peça para uma revista do ensino médio. Era um prodígio!

Após vários meses de ensaio a banda compôs um repertório interessante, autoral com música de Rob e letras, em inglês de Hans. Seguia com uma pegada meio country rock e isso os diferenciava da cena local cujas bandas optavam por tocar músicas de bandas famosas, cover. Eles adotaram o nome “Matrix”, sugestão de Hans e fizeram, finalmente, seu primeiro show em uma festa da escola em maio de 1973, antes de fazer uma turnê pela região com alguma repercussão.

Hans Marynissen

Em outubro de 1973, Jack van Liesdonck e seu irmão, Pim, se juntaram ao Matrix como roadies. Jack, que havia aprendido a tocar violão e recebido aulas de piano desde os 15 anos de idade, antes de começar a tocar jazz, reforçou a banda. As mudanças na formação aconteceriam pela primeira vez. E não ficou apenas com a entrada de Jack. No início de 1974 Hans Hoekstra emigrou para o Canadá, Kitty largou a música e Freek deixou a banda para se tornar baterista profissional, entrando no lugar o exímio baterista e percussionista Hans Boeye.

Hans Boeye

Complicou! Os músicos restantes procuraram substitutos e fizeram um teste com o guitarrista Ruud Wortman. O cara tinha uma reputação, por ser autodidata e ter tocado em algumas bandas locais. Claro foi recrutado ao Matrix.

Ruud Wortman

Até o nome da banda mudou! Por sugestão de Hans, novamente, a banda mudou seu nome para “Grace”. Era uma homenagem a namorada dele. Entrou também para o agora Grace o baterista Frank Berkers, outro atuante da cena local e do guitarrista e vocalista Theo van der Holst.

A banda começaria do zero, tudo de novo. Músicos novos, nome novo, tudo novo. Até mesmo a vertente musical foi modificada, talvez pela entrada de músicos mais arrojados, o country rock deu lugar para o rock progressivo, hard rock e classic rock e essas novas sonoridades permeavam nas suas novas composições, mas alternavam com algumas músicas covers, que variava de Santana, The Allman Bros., Camel, King Crimson etc. Sua primeira música autoral composta, “Brain Damage” foi composta por Ruud, Jack e Hans e, a partir daí, o Grace começou a se apresentar em Breda e Roosendaal e colocou seu novo show em prática.

Jack van Liesdonck

Em maio de 1975 descobriram que existia uma banda inglesa que se chamava Grace também e foram obrigados a mudar novamente seu nome. Eles optaram por “Flight”, mas o soletraram FLYTE para destacar em material de divulgação. Uma grafia diferente poderia gerar um impacto no seu início. E será essa banda que falarei na resenha de hoje. Duas semanas após a mudança do nome o Flyte abriria o show para uma banda conhecida da Holanda chamada Alquin em Nieuwendijk, mas, uma nova baixa: Theo van der Holst deixaria banda, logo em seguida.

Em julho de 1975 uma banda chamada “Space”, que tocava músicas dos Rolling Stones, Led Zeppelin e Bad Company, além de blues rock diversos, fez um show de despedida em Stabroek, no lado belga da fronteira.

Space

O vocalista Ludo Cools e o tecladista Leo Cornelissens, que eram do Space, foram abordados pelos caras do Flyte que fizeram um convite para Ludo e Leo entrarem na banda. Convite aceitos pelos dois! Foi fácil a negociação afinal compartilhava das mesmas predileções musicais. Ludo era um belo vocalista, tinha um vocal forte capaz de flertar entre tons graves e agudos e Leo trouxe à banda muitas composições originais. A participação deles foi determinante para a postura da banda nos palcos, no estúdio, fazendo com que a banda amadurece.

Ludo Cools

No verão de 1975 a nova formação do Flyte, com Ludo e Leo, abriu o festival ao ar livre de Essen, na Bélgica e tocou ao lado da banda holandesa Earth and Fire, um pouco mais famosa. Com um microônibus Mercedes personalizado com o novo logotipo da banda, feito por Hans, o Flyte embarcou em uma pequena turnê pelas cidades que faziam fronteira com a Holanda e a Bélgica, são elas: Antuérpia, Roosendaal, Dorst e Essen.

Durante essa série de shows, a banda apresentou suas novas músicas escritas por Leo, enriquecendo seu repertório. Eles tiveram até uma ideia de uma ópera rock chamada “Into the Mounth of the Night”. Com isso, com essa temática conceitual, seus shows costumavam durar cerca de duas horas e meia com vários efeitos de luz e fumaça. O aspecto teatral da banda também estava no ritual com Ludo se adornando com fantasias.

Flyte

As novas músicas provocaram um forte trabalho da banda com enfoque intensivo de ensaios, com novas ideias testadas, com uma estrutura razoável para boa onde se gravavam até os shows para servir como apoio para novas ideias. Músicas como “I Am Beautiful”, “Slower Than Clouds and Bigger” e o instrumental “Ceremonies” foram inteiramente concebidos a partir dessas improvisações e ideias.

O Flyte estava ganhando projeção e abriu o festival de Breda, aparecendo no mesmo projeto que Focus, Kaz Lux e The Flying Burrito Bros. Em janeiro de 1977 as revistas holandesas “Music Maker” e belga “Joepie” destacavam espaço em suas edições a artigos sobre a banda. Mais mudanças aconteceram! Gijs havia saído a essa altura e Vic Storm, um baterista voltado para o jazz, o substituiu, Rob Overdijk voltaria à banda, depois que a banda triunfou no Festival de Tilburg, aparecendo com Herman Brood e Sweet D’Buster, abrindo ainda para Alquin em Roermond. Eles adicionaram ao som da banda um mellotron e um clavinete para enfatizar um aspecto mais sinfônico a sua música.

Novas fitas demos foram gravadas na Bélgica com um amigo do Flyte, Roel Röring que ainda participando com vocais de apoio. Kees van Gool substituiu Maurice Fraeymann como operador de PA. Como Toon havia emigrado para Portugal, Arnold van Walsum se tornou o novo empresário da banda. Um novo design do logotipo da banda foi impresso em pôsteres, adesivos e camisetas. Nos shows a banda começou a ensaiar material para o seu álbum de estreia, finalmente e que provisoriamente foi intitulado “Cast of the Stars”.

Eles selecionaram suas músicas favoritas para esse momento, incluindo composições mais antigas como “Dawn Dancer” e “Woman”. Seus shows estavam se tornando cada vez mais espetacular, profissional mesmo. O público estava adorando todo o aspecto sonoro e de produção de palco.

Em outubro de 1977 o Flyte tocou alguns sets em uma escola secundária de Antuérpia, sendo transmitido, ao vivo, pela rádio belga chamada BRT. Nessa ocasião eles deram uma exibição a algumas seções da ópera projetada, integrando-as habilmente em novas músicas como “You’re Free” e “I Guess”. Eles tocariam músicas mais recentes como “The Doors Inside”, Millions of Mornings” e “How she Dances”.

Em janeiro de 1978, Hans Boeye, um renomado baterista belga, substituiu Vic Storm. Filho de um respeitado músico flamengo, ele estudou música desde cedo e teve uma bateria profissional aos 15 anos. Depois de uma curta temporada com uma banda do ensino médio, ele se juntou ao Llamb, uma banda com o violinista americano Michael Zydowsky que tocou com Flock.

Em março de 1978 demos das faixas do álbum foram gravadas nos estúdios Just-Born, em Hekelgem. Esses estúdios eram de propriedade de Luc Ardyns, empresário da lendária banda belga Isopoda. Nesse ponto, nova baixa na banda! Rob deixaria definitivamente o Flyte, sendo substituído pelo vocalista e baterista Peter Dekeersmaeker.

Peter Dekeersmaeker

Em maio de 1978 o Flyte tocou trechos de seu repertório para Fritz Valcke, dono do estúdio Kritz, em Kuurne, na Bélgica. Valcke e seu engenheiro de som, Michel Barez, foram conquistados pela qualidade da música do Flyte e decidiram produzir o primeiro álbum da banda.

Os caras entraram em estúdio em julho de 1978. Eles conseguiram gravar todos os padrões rítmicos de suas músicas ao vivo em uma tomada! Gravações adicionais foram feitas sob a direção de Michel Barez e as sessões foram distribuídas por vários meses, dependendo da disponibilidade do estúdio. Hans Marinyssen saiu em outubro, mas continuou como letrista da banda. Ludo assumiu as funções de percussão no palco e no estúdio.

A banda assinou um acordo de distribuição com uma empresa holandês chamada Oldway e publicou as músicas pela Oldmill, que era dona do pequeno selo Don Quixote. A Oldmill impôs seu produtor interno, Geoff Hardisty, à banda, mas ironicamente sua parte no processo de gravação provou ser insignificante. Eqnaunto isso, Fritz Valcke passou a ser o novo empresário do Flyte.

Novas músicas foram gravadas e mixadas durante novembro e dezembro de 1978. No dia seguinte ao Natal, Flyte tocou em um festival em Breda ao lado de Jan Akkerman, Solution e Fruit, uma banda composta por seu ex-baterista Frank Berkers e o cantor Roel Roring. Até fevereiro de 1979, a banda trabalhou na produção de seu álbum, que apresentou sua primeira composição, "Brain Damage". Peter também havia criado esboços para uma nova música intitulada "Aim at the Head".

A banda decidiu chamar seu álbum de "Dawn Dancer", mas renomeou a faixa "Dawn Dancer" para "Your Breath Enjoyer", para evitar confusão. Ludo escolheu ser creditado na capa sob o nome de sua mãe, Rousseau. Um grupo de apoio feminino, o Emily Delen Singers foi convidado por Leo para cantar em "Heavy Like a Child", enquanto Roel Röring cuidou de todo o resto dos vocais de apoio. A capa foi desenhada por um amigo de Geoff Hardisty, representando o personagem "Dawn Dancer", enquanto o logotipo da banda também foi retrabalhado de forma estilizada.

“Dawn Dancer” foi finalmente lançado em março de 1979, mas a banda ficou insatisfeita com a prensagem considerando um número insuficiente. No entanto o álbum teve muita repercussão nas rádios holandesas e as críticas à imprensa foram altamente elogiosas.

Não sou muito afeito a comparações, acho demasiado arriscado e suscita discussões, em dado momento, totalmente desnecessárias, mas ouvir o Flyte, com seu “Dawn Dancer”, me remeteu à cena Canterbury, principalmente ao Camel, mas não se enganem estimados leitores, não podemos traduzi-lo como plágio. Sempre foco na questão da inspiração, na influência, levando em consideração, principalmente, na influência que foi o Camel para o prog rock. Nota-se texturas evidentes de progressivo sinfônico e de classic rock, em alguns momentos.

O álbum é inaugurado com a faixa “Woman” já começa solar com solos vibrantes e diretos de guitarra. O vocal logo entra melódico e dramático, cantado de forma cristalina e competente. A música, com algumas mudanças rítmicas, vai de uma contemplativa balada a sons mais pesados capitaneados pela guitarra, tendo a textura excelente dos teclados. Na metade da faixa o solo de guitarra é mais proeminente e os teclados trazem notas sinfônicas. Excelente!

"Woman"

Segue com “Heavy Like a Child” que traz o vocal, igualmente melódico e dramático, praticamente à capela, mas logo entra a bateria altiva, marcada, cheia de viradas e baixo mais vívido. Surge um solo de guitarra e logo em seguida uma viagem meio psicodélica vocais em coro determina uma faixa mais austera e cheia de recursos sonoros, corroborados pelo teclado meio experimental e logo se traveste de um intenso prog sinfônico. Uma música bem versátil!

"Heavy Like a Child"

“Grace” começa suave, viajante e contemplativa, com dedilhados sutis de guitarra e teclas que trazem essa textura, mas entra a “cozinha” com sua boa sessão rítmica que encorpa a faixa, mas que logo volta ao ponto de partida. E assim alterna e entre essas mudanças rítmicas tem solos avassaladores de guitarra que é de tirar o fôlego. Não podemos negligenciar a pegada meio dançante entre essa “salada” sonora. Fantástica faixa!

"Grace"

“You’re Free, I Guess” começa mais simples e direta, diferente da complexidade das faixas anteriores, talvez uma introdução mais comercial. Teclados induz uma veia meio dançante, vocal ecoam na mente, melódico e por vezes meio soturnos é um destaque à parte. Talvez não seja a faixa mais inspiradora do álbum, mas, ainda assim, é válida a audição.

"You're Free, I Guess"

“Aim at the Head” vem intensa, pesada! Riffs de guitarra trazem tal textura, mas logo fica mais cadenciada, com, mais uma vez, uma pegada dançante. O vocal nessa faixa é desconstruído, um pouco mais rasgado e até sarcástico, em alguns momentos. Os solos de guitarra trazem de volta o peso inaugural. Mais uma vez as mudanças de andamento se tornam destaque nessa bela música.

"Aim at the Head"

“Your Breath Enjoyer” começa mais operística, ao estilo Genesis, mas é estranha, porque segue em uma vibe mais jazzística, dado momento. Fica mais pesada com riffs de guitarra e solos mais básicos, porém que são peso à faixa. Os teclados dão sustentáculo à música e as suas mudanças de ritmo.

"Your Breath Enjoyer"

“King of Clouds” começa quase angelical, suave, discreta, mas logo entra o teclado que, em um clima contemplativo, entrega uma balada, com o vocal suave e melódico corrobora esse clima de balada rock, com a adição de solos limpos de guitarra. E esse solo se estende e traz a sensação de leveza, de que a alma sai do corpo e viaja a dimensões jamais vistas e sentidas. Incrível!

"King of Clouds"

E fecha com “Brain Damage” que vem mais pesada, com riffs de guitarra mais agressivo, tendo nos teclados seu belo “rival” trazendo um pouco mais de leveza à faixa. O vocal determina essa leveza e a guitarra logo surge límpida e viajante. O embate entre leveza e peso está na “dosagem” certa, perfeita, diria.

"Brain Damage"

Infelizmente, a distribuição da Oldway foi ruim e, para piorar as coisas, a gravadora faliu depois que apenas 2.000 cópias do disco foram prensadas. O disco foi imediatamente excluído. No entanto, algumas outras centenas de cópias foram prensadas e vendidas alguns anos depois pela empresa que comprou o material (e que encontrou uma cópia de uma fita master do álbum de Flyte) da Oldway. Com “Dawn Dancer” fora do mercado, a banda conseguia poucos shows Contra as gravadoras que não tolerariam o lançamento de um segundo álbum, Ludo e Ruud deixaram a banda, desencantados.

Em abril de 1980, Flyte se estabeleceu em Kalmthout, Bélgica, e recrutou o vocalista Rudi Fabeck e o guitarrista Walter Meuris. Em maio, essa nova formação do Flyte fez seu primeiro show em Essen antes de embarcar em uma curta turnê com shows em Antuérpia, Hamme, Brugge, Eeklo, Breda e Gent.

Em agosto de 1980 a banda gravaria uma fita demo com suas novas músicas: "Shoreline Castle", "The Battle of Forever", "Killer Cure" e "Weld and Amazing", todas destinadas à inclusão em um segundo álbum. Este deveria ter sido chamado de "Cast of the Stars", assim como seu primeiro disco, mas nada aconteceu. Uma última tentativa de sucesso foi lançada em novembro de 1980, quando a banda retornou ao Kuurne Studio para gravar um single às suas próprias custas. Este apresentava "Killer Cure" e uma nova versão de "Aim at the Head". Foi distribuído por uma subsidiária da Don Quixotte chamada Assekrem, mas embora essas faixas tivessem uma pegada bem rock n’ roll, passaram despercebidos em uma época em que a new wave estava em ascensão. Cansados de tantas frustrações, o Flyte decidiu se separar após um show de despedida em Essen, em 13 de fevereiro de 1981.

Três anos depois, no entanto, em 1984, um show de reunião ocorreu em Essen. A banda tocou todo o seu primeiro álbum e o material que havia sido reservado para o segundo. Mais tarde, Hans Marynissen se tornou o percussionista de uma banda de metais chamada Vsop, que lançou um álbum. Ele também trabalha como empresário e engenheiro de som. Leo emigrou para a Inglaterra, onde trabalha para uma empresa agrícola.

Hans Boeye tocou com várias bandas e aparece no segundo álbum do Kitchen of Insanity, uma banda fortemente influenciada pelo The Doors. Atualmente, ele toca com Ben Crabbé e The Floorshow. Ruud se tornou um guitarrista de estúdio, indo para os EUA, onde tocou com uma banda chamada Sea Breeze antes de retornar à cena holandesa. Jack é um disc jockey, Peter se tornou advogado e Ludo um funcionário público.

As músicas dizem muito o que o Flyte se propôs a criar em seu “Dawn Dancer”: Um rock progressivo genuíno que trazem muitas inspirações dos períodos iniciais do prog rock lá pelos anos 1970, 1971 e 1972. Visões de música clássica, prog sinfônico, jazz rock são sustentações de sua música. Por mais que não possa soar como algo revolucionário, principalmente levando em consideração o seu período de lançamento, trazem estruturas bem edificadas de um genuíno rock progressivo e suas vertentes. Aos apreciadores do estilo, “Dawn Dancer” é uma pérola, uma excelente pedida.

O famoso selo underground “Musea” relançou, no formato CD, “Dawn Dancer” para a alegria de fãs aficionados pelo prog rock e que, de certa forma, ajudou, claro, a difundir essa pérola perdida do fim dos anos 1970. Tal relançamento completou 30 anos em 2024 e fica a espera e a expectativa de possíveis novos relançamentos para que o maior número de pessoas possíveis possa ter esse trabalho magnífico em mãos, ao que apreciam mídia física. E quem sabe também as novas músicas que comporia o segundo álbum possa vir à tona algum dia. Pérola mais do que recomendada!




A banda:

Lu Rousseau nos vocais e percussão

Ruud Wortman na guitarra acústica e elétrica, além dos vocais

Jacky Van Liesdonk no piano acústico e elétrico, clavinete e sintetizadores

Leo Cornelissens no órgão, Mellotron, String Ensemble e vocais

Peter Dekeersmaeker no baixo e vocal

Hans Boeye na bateria e percussão

Hans Marynissen na percussão

 

Com:

The Emily Delen Singers nos backing vocals na faixa 2

 

Faixas:

1 - Woman

2 - Heavy Like a Child

3 - Grace

4 - You:Re Free I Guess

5 - Aim at the Head

6 - Your Breath Enjoyer

7 - King of Clouds

8 - Brain Damage 



"Dawn Dancer" (1979)














 




































sexta-feira, 26 de abril de 2024

Finch - Glory of the Inner Force (1975)

 

A cena progressiva holandesa é definitivamente prolífica! Embora pareça uma afirmação tola eu estou descobrindo-a a cada banda que tenho conhecido nesses últimos meses, anos.

Não há como se estabelecer na vasta e brilhante discografia do gigante Focus. Lamentavelmente grande parte das bandas não atingiram o êxito comercial do Focus, sendo difícil destas chegarem aos ouvidos dos fãs.

A não ser que os fãs sejam ávidos por desbravar, por conhecer bandas obscuras, que trafegam na escuridão do underground e que difundem, por intermédio dos mais variados veículos de comunicação, tais bandas, fazendo com que estas saiam do mais profundo ostracismo.

E a banda de hoje se enquadraria no grupo dos subestimados, não sendo apenas uma banda obscura, alternativa, pouco conhecida. Parece que um complementa o outro. Se é esquecida, logo incorre no risco de ser ruim, porque ainda aliam a falta de sucesso a qualidade sonora da banda.

Falo do FINCH. O nome, confesso, me parece ser bem, digamos, atípico. Em tradução livre significa “passarinho”. Não sei se os caras do Finch eram ornitólogos ou tinham algum apreço especial pelos pássaros, mas o fato é que a banda foi batizada com esse nome. Reza a lenda que o baixista fundador da banda, Peter Vink, alegou que a tradução de seu sobrenome, em inglês, era “Finch” e assim batizou o nome da banda.


Finch

Além de Peter Vink, no baixo, a banda contou, na sua formação inaugural com o forte apoio do virtuoso guitarrista Joop Van Nimwegen, Paul Vink, nos teclados e Beer Klaassena bateria. O Finch teve uma vida curta, saindo precocemente da cena progressiva sem deixar rastros, gravando também pouquíssimos álbuns, com três trabalhos, lançados entre 1975 e 1977, sendo formada em 1974. O álbum que falarei é o seu debut: “Glory of the Inner Force”, de 1975.

Mas antes de falar nesse petardo cheio de energia e entusiasmo instrumental, falemos no embrião do Finch que, como muitas outras bandas, surgiu das cinzas de outras bandas e geralmente com “pequenas tragédias”.

A banda se chamava Q65. O Q65 estava estabelecido na cidade de Haia Het Paard. Peter Vink era o baixista e Klaassen Beer era o baterista. Quando a banda acabou, ambos os músicos decidiram ficar juntos e criar em novo projeto chamado KJOE. Além deles ingressou o vocalista Johnny Fredericks e o guitarrista Frank Nyuyens. O último não ficou por muito tempo porque na época quebrou o braço e foi substituído Ronnie Mayer.

O KJOE tocou em vários clubes durante as noites, as madrugadas. Claro que bandas novas era sempre mais difícil conquistar espaços maiores, públicos e o caminho foi muito tortuoso, até que Ronnie Fredericks abandonaram a banda para tocar em bandas já estabelecidas.

O prejuízo aumentou. O KJOE precisava de recrutar novos músicos. Audições foram feitas com vários músicos, até que Vink e Beer descobriram um garoto de 19 anos chamado Joop Van Breukelen Nimvegen, tido atualmente como um dos mais influentes guitarristas da Holanda, que adorava jazz, blues e art-rock.

Joop Van Breukelen Nimvegen

Muito técnico e rápido o jovem logo ocupou o cargo de guitarrista da banda. O KJOE passou a ensaiar como um trio, quando Clem Determeijer assume a vaga de tecladista da banda. Convém ressaltar que Clem substituiu Paul Vink nos teclados, antes do lançamento do primeiro álbum já com o nome “Finch”.

O conteúdo instrumental foi tão bom, os ensaios surtiram um efeito tão positivo que decidiram ficar sem vocalista. Essa decisão não foi aleatória, mas tinham a intenção de focar, aprimorar a sua estrutura instrumental. Eis o embrião do Finch. Em 1974 a banda decide mudar de nome trazendo “Finch”.

A EMI holandesa estava disposta a investir em bandas novas de rock progressivo, afinal, era meados dos anos 1970 e o estilo estava um tanto quanto em alta e repassou recursos para o selo local, a “Negram” e a nova banda Finch estava à disposição para ser reparada e conseguiu, assinando contrato em 1975.

As gravações foram realizadas em apenas três dias, afinal custava caro bandas novas ficar muito tempo em estúdio, no “Intertone Studios”, em Heemstead, mixando e masterizando nesse período, com a produção de Roy Beltman e engenharia de Pierre Geoffroy Chateu. Assim nasceu “Glory of the Inner Force”.

Há apenas quatro faixas, mas o suficiente para impor virtuosismo, intensidade e muita energia. São composições dignamente empolgantes, com interações incríveis entre os músicos e seus instrumentos, tendo como sustentáculo os teclados e riffs e solos catárticos de guitarra, em uma espécie de salutar duelo entregando um progressivo sinfônico carregado de complexidade, mas muito orgânico.

São realmente performances bombásticas onde arrisco dizer que há peso nas composições, com um Finch calcado no hard rock. Algo um tanto quanto atípico ver, ou melhor ouvir, um progressivo sinfônico com tamanha originalidade tendo no peso e na energia o seu viés sonoro.

Enquanto algumas bandas holandesas flertavam com a improvisão o Finch trazia elementos mais complexos, técnicos ao seu som. Em “Glory of the Inner Force” tudo parece estar meticulosamente no lugar, mas ainda assim não soa mecânico ou sem vida, muito pelo contrário, é uma música cheia de vivacidade, de um virtuosismo orgânico.

Adicione ao combo prog sinfônico e pitadas de hard rock, a pegada jazzística, jazz rock e fusion, em um caldeirão improvável e fantástico de um rock n’ roll enérgico e poderoso. É definitivamente algo solar neste trabalho inaugural do Finch.

E sem mais delongas vamos destrinchar faixa a faixa e não se enganem, caros e estimados leitores, são longas faixas que, diante dessa energia instrumental, não se torna nem um pouco enfadonha.

E começa com “Register Magister”! Aqui a composição, além de intensa, vívida e bombástica, traz muita inspiração, com o fogo do hard rock com a sofisticação do jazz rock, com riffs de guitarra, solos mais diretos, porém atraentes e inspiradores. Outro detalhe e que detalhe navega nas intensas variações e reviravoltas sonoras que definitivamente é e tirar o fôlego. É incrível o humor e o ritmo impresso na sonoridade dessa faixa. Ah não podemos negligenciar o prog sinfônico presente, com linhas cavalares de baixo. A “cozinha” nessa faixa é magistral.

"Register Magister"

Segue com “Parodoxical Moods” já te cativa com um mellotron assustador, avassalador que propicia as “travessuras” de guitarra de Joop. Aquele clima salutar de duelo tão presente em todo o álbum. Mas o melhor estaria de por vir, com um solo incrível de órgão com a cortesia de Determeyer. São compassos rápidos e loucos, algo atípico demais para um prog rock sinfônico que alternam em seções lentas, por vezes temperamentais que saltam sem forçar para os momentos mais animados. Não preciso dizer, com isso, das lindas alternâncias rítmicas.

"Paradoxical Moods"

E agora vem a majestosa “Pisces”, que pega um pouco mais leve nos andamentos, mas não foge muito à proposta estrutural do álbum. Aqui se, evidentemente, o frenesi das teclas com solos mais longos e a guitarra apenas dando uma textura, com o trabalho mais eloquentes da “cozinha” com uma levada mais jazz rock.

"Pisces"

E encerra com “A Bridge to Alice” que inicia mais soturno, sombrio, com um baixo mais pesado e bateria marcada. Riffs de guitarra são ouvidos e corroboram o peso da faixa. O peso “rivaliza” com passagens mais jazzísticas constatando as já percebidas, em todo álbum, variações rítmicas.

"A Bridge to Alice"

“Glory of the Inner Force” teve alguma repercussão pela imprensa local, não apenas pelos veículos especializados, mas pela mídia holandesa ampla, sendo, alguns meses depois sendo lançado nos Estados Unidos pela ATCO Records (subsidiária da Atlantic), onde impressões positivas também pipocaram, afinal, não era para menos, tratava-se de um excelente e arrojado álbum. Em 1994 o álbum foi relançado, sendo remasterizado por Peter Vink com a inclusão de duas faixas bônus: “Colossus Part I” e “Colossus Part II”.

O Finch lançou o seu segundo álbum, em 1976, chamado “Beyond Expression” e no ano seguinte traria ao mundo seu terceiro e último álbum de estúdio o “Galleons of Passion”, de 1977. A banda encerrou as suas atividades, precocemente, em 1978 sem deixar rastros.

"Beyond Expression" (1976)

"Galleons of Passion" (1977)

O Finch traz uma sonoridade complexa, com temas inspirados e arrojados e de extremo bom gosto, mas sem deixar de lado a presença humana, orgânica de seus músicos. “Glory of the Inner Force” traz quatro faixas que são primordialmente músicas de um hard prog sinfônico. São músicas densas, fortes e técnicas, sobretudo.

A conclusão que se tira desse excelente trabalho do Finch é de um trabalho múltiplo de vertentes do rock n’ roll recheadas de surpresas mais do que agradáveis, com evoluções técnicas e orgânicas que faz dessa obra, apesar de alternativa, uma das mais importantes da Holanda. Definitivamente trata-se de uma pérola mais do que recomendada!



A banda:

Joop Van Nimwegen nas guitarras elétricas e acústicas

Cleem Determeijer no piano de cauda, ​​piano honky tonk, piano elétrico, órgão Hammond, Mellotron, sintetizador Arp Pro-Soloist

Peter Vink no baixo, pedais de baixo

Beer Klaasse na bateria

 

Faixas:

1 - Register Magister

2 - Parodoxical Moods

3 - Pisces

4. A Bridge to Alice


"Glory of the Inner Force" (1975)


 






 











 










quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Light - The Story of Moses (1972)

 

Quando você fala do rock progressivo holandês quais as bandas que vem à cabeça? Essa é uma resposta fácil e curta e grossa: Focus! Não há como negligenciar a história desta banda para o rock holandês e que ganhou o mundo com a sua música e a sua vasta e rica discografia que, anos após anos ganha frutos consistentes e de grande relevância.

E posso dizer isso com a certeza de ter visto essa banda tocar no Rio de Janeiro há alguns anos atrás e, apesar de não ter a formação clássica que gravou os grandes álbuns setentistas ela continua com a mesma chama e a mesma força dos tempos de outrora. Sem contar que o Brasil sem sombra de dúvida é um dos fãs mais ardorosos do Focus.

Mas é claro que essa é a deixa para dizer que não é só do Focus que é feito o rock n’ roll holandês, sobretudo a do bom e velho rock progressivo. Eu me lembrei do Focus também porque a banda que falarei agora eu descobri e, lembro muito bem disso, poucos dias depois desse inesquecível show do Focus que assisti no emblemático e histórico Teatro Rival, no Rio de Janeiro.

Eu pensei: Poxa, conheço pouquíssimas bandas de prog rock holandês e gostaria de sanar esse “problema” conhecendo e ouvindo um pouco mais das bandas existentes nesse país. Então quando se quer conhecer um pouco mais sobre algo, você tem que ir para o garimpo, para a pesquisa e, meio que aleatoriamente, com algumas palavras chaves nos sites de busca me pus a pesquisar.

E algumas bandas foram aparecendo diante dos meus olhos e logo fiz algumas seleções e não demorei muito a começar a ouvir algumas bandas e álbuns, na maioria, claro, obscuras, pouco conhecidas. Algumas eu gostei muito, outras nem tanto, descartando das minhas pretensões de audições futuras, outras me arrebataram de uma forma que eu não poderia ficar apenas nas audições e escrever, buscar mais informações, conhecer a sua história.

Nessa época eu não tinha o blog, mas escrevia em alguns grupos temáticos nas redes sociais e escrevi sobre a banda holandesa de hoje. E atualmente detentor de um blog eu precisava reeditar esse texto, que eu havia arquivado dando, claro, a devida recauchutada para compartilhar com os amigos leitores.

Então sem mais delongas vamos às apresentações! Falo da banda LIGHT com o seu único álbum lançado, há cinquenta anos, em 1972, chamado “The Story of Moses”. E ouvindo esse álbum não tem como não fazer aquele comentário que eu sempre faço e, apesar de ser redundante, de que por mais que conhecemos, por mais que o nosso leque de opções aumenta, descobrimos que ainda estamos no ponto de partida, pois quase nada sabemos. O universo é vasto e pouco explorado.

O Light foi formado na cidade de Gouda, uma cidade neerlandesa que fica na província da Holanda do Sul e se chamava inicialmente de “Light Formation” no final da década de 1960 e tinha na formação os seguintes músicos: Joop Slootjes (baixo), Adrie Vergeer (teclados), Sjaco van der Speld (bateria) e Gerard Steenbergen (guitarra). Em seguida, o nome foi reduzido para Light e adicionado Hans de Bruin (saxofone, flauta) e o baterista Sjako van der Speld (da banda Avalanche).

E como muitas bandas que recebem quase pouco ou nada de apoio da indústria fonográfica e dos seus empresários, sofreu em sua caminhada até o lançamento do seu primeiro álbum que só veio em 1972.

“The Story of Moses” ou na tradução livre, “A história de Moisés”, esse mesmo, o personagem bíblico que libertou os israelitas da escravidão do Egito e os guiou para a terra prometida, Canaã. Parecia que na virada dos anos 1960 para os anos 1970 era um tanto quanto moda se produzir peças conceituais com temas da bíblia. 

Temos o "Jesus Christ Superstar" ou "666" da excelente banda grega Aphrodite Child ou o disco do Rovescio dela Medaglia, de 1971, o “La Bibbia”, cuja resenha pode ser lida aqui, entre outros álbuns, filmes e peças teatrais que, de forma arrojada e pouco convencional, contaram algumas passagens da bíblia e de alguns personagens que compõe o livro sagrado.

O único rebento do Light é de fato a síntese do que é o rock progressivo: um rock conceitual, calcado no mellotron, dos teclados e nas letras que reforçam veemente o tema proposto. E esse trabalho começou a ser cunhado no final de 1970 com o pianista e compositor holandês Adri Vergeer que, além de ter sido o fundador da banda, também foi a espinha dorsal para a peça conceitual baseada nos feitos de Moisés e, seguindo o exemplo de E. Lloyd Webber decidiu contar a história do Êxodo do Egito percorrendo, com requintes de detalhes os seus episódios-chave.

No final do ano de 1971, o épico de quase quarenta minutos foi concebido pela banda, contando também com alguns vocalistas e músicos convidados. E agora precisava de uma gravadora e de uma boa estrutura de estúdio para materializar em música o seu álbum. Essa é a parte mais difícil sempre, sobretudo em se tratando de temas complexos e intricados, mas o tema poderia ajudar a atiçar a curiosidade de um figurão da indústria.

Por sugestão do caçador de talentos e chefe da Barclay Records Eddie Barkley, o Light chamou a atenção do produtor de som Bert Schouten. Este último estudou cuidadosamente o trabalho dos músicos e acabou assinando um contrato com eles. Então faltava muito pouco para incorporar a história de Moisés nas condições de estúdio. Em 1972, “The Story of Moses”, foi gravado no Phonogram Studio em Hilversun.

A formação do Light quando “The Story of Moses” foi gravado tinha: Adri Vergeer no paino, órgão, mellotron e vocal, o Light, quando concebeu “The Story of Moses”, era formado por Gerard Steenbergen na guitarra acústica, Joop Slootjes no baixo, Hans de Bruin no saxofone e flauta e Sjaco Van Der Speld na bateria e vocal. Contou como convidados o guitarrista Hans Hollestelle (que mais tarde tocou na banda Spin) e do baixista Guus Willemse, excelente banda Solution e Marian Schatteleyn e Robbie Dale nos vocais.

“The Story of Moses” mostra um rock progressivo sinfônico muito bem executado tendo um grande destaque na parte instrumental, sobretudo nos teclados, como todo e qualquer álbum de prog sinfônico. Tendo destaque também na guitarra acústica, baixo, saxofone, flauta compondo um complexo álbum de rock progressivo. Tem uma levada jazzística e erudita, inspirada em música clássica e o peso do hard rock.

O álbum é inaugurado com a faixa linda “The Water” cuja introdução tem uma bela orquestração, regida por um teclado tocado de forma simples com muita emoção e qualidade e um vocal que segue em um timbre que complementa a atmosfera da faixa, sem contar com o solo de guitarra meio jazzística.

“The Blackberry Bushes” tem uma levada latina, com percussões que me remete a Santana nos áureos momentos em uma mescla com teclados tocados freneticamente, uma bela combinação. Destaques também para o vocal e a bateria bem jazzística.

Em “White Turns Into Black” prevalece o teclado dando a tônica da faixa, bem como segue em todas as músicas do álbum com teclas bem energéticas mas com muita qualidade sonora, mas trazendo uma mescla mais pesada assemelhando-se a um hard rock cadenciado.

“The Nuisances” tem a introdução mais leve do teclado, ao estilo psicodélico, meio beat, com passagens mais acessíveis, mais comerciais, com vocais melosos e bem entrosados. Lembra e muito os primeiros álbuns, mais lisérgicos, mas mais comerciais, do Iron Butterfly.

“The Desert” começa com os teclados mais distorcidos, traduzindo em uma atmosfera mais densa e pesada, mas os vocais protagonizam uma virada mais leve na condução da música, tornando-a mais contemplativa e intimista, dando aquele caráter mais psicodélico também como na faixa anterior e os instrumentos de sopro trazendo todo o ambiente que versa a letra e o álbum, como um todo.

E fecha com “The Red Sea” que se anuncia com os teclados bem sombrios e introspectivos e com uma pegada hard com uma bateria um pouco mais forte e marcada, com algumas passagens jazzísticas e um baixo mais pulsante.

Poucas são as informações que circulam na grande rede sobre o Light e o seu único álbum, o “The Story of Moses”, mas o que pude apurar com o trabalho de pesquisa para ajudar a construir este texto que o amigo leitor está apreciando é de que o álbum, apesar de ter sido gravado na Holanda, não foi lançado por um selo daquele país, mas por um selo francês e alemão em 1972, “Barclay” e “Brain”, respectivamente.

Somente em 1993, vinte e um anos depois de seu lançamento o álbum foi lançado, no formato CD, por um selo holandês, o “15HKK” e em 2006, também em CD por uma gravadora espanhola chamada “Estrella Roquera”. Outras fontes dão conta de que sequer o álbum fora lançado em 1972 e que a fita máster que continha as músicas foi encontrada por um selo espanhol que finalmente a lançou.

O fato é que a música do Light, embora não traga nada de inovador à época, foi capaz de criar as suas próprias composições, diferente de bandas como Ekseption, por exemplo, outro clássico do prog rock holandês. 

Não há como negar que a infinidade de teclados utilizados, violão, baixo, saxofones, flauta e bateria, que a música desta banda trouxe complexidade para que construísse com êxito um álbum conceitual cujo tema era extremamente exigente. Trata-se de um álbum obscuro, mas clássico quando se trata da concepção mais evidente e veemente do que se convenciona como rock progressivo.


A banda:

Adrie Vergeer no piano, órgão, mellotron, teclados e vocais.

Gerard Steenbergen na guitarra acústica

Joop Slootjes no baixo

Hans de Bruin no saxophone e na flauta

Sjaco van der Speld na bateria e vocais

Músicos convidados:

Guus Willemse no baixo

Hans Hollestelle na guitarra elétrica

Marian Schatteleyn no vocais

Robbie Dale nos vocais


Faixas:

1 - The Water

2 - The Blackberry Bushes

3 - White Turns Into Black

4 - The Nuisances

5 - The Desert

6 - The Red Sea


Light - The Story of Moses (1972)