Mostrando postagens com marcador 1982. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1982. Mostrar todas as postagens

sábado, 25 de janeiro de 2025

Alma da Terra - Alma da Terra (1982)

 

Anos 1980, Brasil. A cena “Brock” começava a despontar. Bandas como Paralamas do Sucesso, Titãs e músicos como Lobão e Lulu Santos, ambos ex- Vimana, despontava com suas músicas ao estilo new wave e pós punk se tornando uma febre da música no Brasil e deve-se muito a rádios como a Fluminense, sediada no Rio de Janeiro, mais precisamente na minha cidade, Niterói, que, de forma abnegada, divulgava seus trabalhos inaugurais que ganhava repercussão, tendo o carinho e interesse de alguns críticos musicais, programas de TV como do apresentador Raul Gil, por exemplo.

O mercado, ávido por “novidades” absorvia, sugava ao máximo essas bandas que, com a notoriedade faziam shows e mais shows tendo, como palco emblemático, o Circo Voador, também no Rio de Janeiro. Mas o mercado segmenta, é perverso, colocando a música em último lugar, afinal o rock brasileiro não se resumia a essa cena, apenas.

Muitas bandas que seguiam propostas menos ortodoxas à época, ou seja, aquelas que não executavam a tão falada new wave e pós punk, seguiam vilipendiadas, esquecidas, marginalizadas, perecendo sem quaisquer apoios, vivendo apenas da sua criatividade e persistência, um amor à sua música.

O que dizer do rock progressivo dos anos 1970 no Brasil? O que dizer do hard rock, do psicodélico? Não gozaram de credibilidade, caíram no mais escuro ostracismo, vivendo, como disse, da sua verdade e criatividade. O rock Brasil dos anos 1980 atingiu o êxito de um pseudo pioneirismo, de uma falácia ufanista, esquecendo de um período que desbravou o rock na sua gênese, inclusive. E nada ganhou, não teve sequer um reconhecimento até hoje!

O discurso pode parecer de vitimismo, mas é histórico. Estruturas de gravação aquém do esperado, obscuridade era a tônica. Mas convenhamos a influência de uma indústria fonográfica perversa e manipuladora poderia envenenar essas bandas e a ausência de apoio, por pior e mais inusitado que seja, foi bom, sob o aspecto criativo, mas comercialmente foi alarmante.

E eu não posso deixar de citar, já que mencionei a minha cidade, de Niterói, de uma banda oriunda dessa cidade que duvido que muitos apreciadores de rock n’ roll dessa cidade, que tanto colaborou e ainda colabora para o estilo, conheçam. Falo do ALMA DA TERRA.

Alma da Terra

Em breve vou tecer comentários mais detalhados do seu único álbum, homônimo, lançado em 1982, mas a banda certamente esteve deslocada do seu tempo, pois, predominantemente seu trabalho é calcado no hard rock setentista, com pitadas psicodélicas e de um belo blues rock. Como que uma banda, em pleno ano de 1982, ápice da new wave no mundo inteiro, inclusive, claro, no Brasil, vingasse? Culpa da banda? Culpa da cena? Culpa da indústria fonográfica? Tudo isso? 

Cabe aqui uma contextualização do cenário do rock àquela época, mas não é de meu desejo falar disso, mas dedicar tempo e linhas a essa seminal e rara banda brasileira e niteroiense. Até porque, até aqui, expus, de forma pessoal, as minhas opiniões acerca da new wave brasileira e do comportamento da indústria fonográfica, haja vista que se fez sucesso é porque tinha um mercado que consumiu essa música.

Mas voltando ao Alma da Terra a banda, quando foi formada, também gozou de alguma repercussão, pasmem, quando a “Maldita FM”, como também era conhecida a Rádio Fluminense, sediada em Niterói, no Rio de Janeiro chegou a divulgar seu álbum. O ponto positivo da rádio, inteiramente independente, era que tocava, sem maiores preconceitos, muitos álbuns e demos que eram entregues à rádio e assim o foi com outras bandas que não executavam a new wave, como o seminal Bacamarte, por exemplo, que, ao lançar seu debut, “Depois do Fim”, de 1983, que foi gravado em 1977, ganhou repercussão graças a rádio.

Contudo por mais que tenha sido independente, a Rádio Fluminense FM, acabou, instintivamente, segmentando seu som de acordo com os anseios de consumo do seu público dando destaque às bandas dessa new wave que culminou, com a participação de algumas delas em um novo festival, cuja primeira edição aconteceu em 1985, chamado “Rock in Rio”, dando alguma projeção, primeiramente às bandas participantes e as demais que beberam do momento.

O álbum “Alma da Terra” foi gravado e mixado no Estúdio da Sono-Viso do Brasil, no Rio de Janeiro entre os meses de dezembro de 1981 e janeiro de 1982, lançado em 1982 pelo selo Vento de Raio Produção Artística Ltda, com a produção de Toninho Barbosa e da própria banda, tendo também a banda no comando da direção musical e arranjos, mostrando que os jovens músicos à época já mostravam talento e competência e isso pode ser confirmado no álbum, na sua sonoridade.

A prensagem do LP ficou à cargo de Ivan Lisnik, da Polygram e a arte da capa ficou sob responsabilidade de Raul Varady, tendo ainda Sônia Regina no projeto gráfico e fotos da banda que figuraram no encarte do álbum. A banda trazia na sua formação Fábio Mattos Agra (vocal, guitarra, violão), Paulo Fernandes Martins (vocal, baixo) e Antônio Augusto Ventura (bateria). Das dez faixas compostas para esse único trabalho do Alma da Terra trazia a predominância da composição o vocalista e guitarrista Agra e o baterista Ventura, com Paulo Fernandes tendo uma tímida apresentação no processo de criação deste álbum.

O álbum transita entre o hard rock, a psicodelia, bebendo da fonte dos anos 1970, mas trazendo uma roupagem mais básica, diria até “moderna”. Pode parecer um tanto quanto contraditório, mas sim, é um rock n’ roll básico, porém vigoroso, cujo instrumental é direto e bem executado, ao mesmo tempo, mostrando uma incrível versatilidade e mesmo que esteja descolado do seu tempo, a banda conseguiu produzir um álbum que, de alguma forma, poderia atingir um público mais jovem e que não se aproximasse do hard rock setentista ou da sofisticação do rock progressivo.

E já que falei do instrumental, não podemos negligenciar os riffs de guitarra de Agra, com solos marcantes, acompanhado pela bela “cozinha”, com alguns momentos acústicos que nos remete, inclusive, ao folk rock. As letras são todas em português e bem elaboradoras trazendo temas sociais e comportamentais da época, mas que podem ser conduzidas a uma atemporalidade assombrosa. Outro ponto determinante pelo Alma da Terra ter figurado pouco nas FMs brasileiras pode ter sido exatamente o teor de suas letras, trazendo à tona temas poucos confortáveis para uma sociedade conservadora e podre.

O álbum é inaugurado pela faixa “Solto no Ar” que traz a “cozinha” como destaque, baixo pulsante e bateria pesada e marcada, com riffs que, pasmem, lembra um pouco o pós punk e a new wave. Mas o contexto é pesado e tem no hard rock como sustentáculo. Na metade da faixa corrobora isso, pois é pesada, chegando a ser agressiva, capitaneada também pela pegada áspera e dura da bateria. Os solos de guitarra de Agra surgem, logo em seguida, irrompendo no típico “hardão”.

"Solto no Ar"

Segue com “Vivença” que começa como um trovão, com destaque para um duelo arrepiante de baixo, cheio de peso e groove, e a guitarra com riffs pegajosos e pesados. A bateria segue marcada, mas discreta. Mas ela, ao longo de sua execução, vai ficando mais pesada, mais arrastada. O hard rock é o rei nesta faixa. Solos de guitarra trazem mais sofisticação e complexidade à música.

"Vivença"

“Prá John” inicia meio intimista, soturna, a guitarra com dedilhados vagos e estranhos. Irrompem em uma pegada mais discreta, mais leve, uma balada melódica e dramática. A letra melancólica corrobora a condição, mas a bateria, pesada e agressiva, dá um tom mais pesado, fazendo com que a música tenha algumas mudanças de tempo e assim alterna entre momentos súbitos de peso e de uma linda e sombria balada.

"Prá John"

“Tente mais uma Vez” é mais animada, dançante e solar. Remete ao rockabilly dos anos 1950 e algo como The Rolling Stones nos seus primórdios. Os riffs de guitarra se afastam do peso do hard rock setentista e estimula a qualquer um afastar o sofá e dançar e dançar e dançar sem parar. Baixo e bateria trazem a textura rítmica dos anos 1950, mas os solos de guitarra de Agra revelam um lado pesadão e a bateria segue a proposta com uma batida mais aguda e pesada também.

"Tente Mais uma Vez"

“Natural” começa meio contemplativa e pastoral, mas por pouco tempo porque o peso da seção rítmica apavora com um baixo pesado, tocado com raiva, bateria igualmente pesada, mas o vocal nos remete ao rock psicodélico, algo como uma tropicália eletrificada, um psych rock ácido e lisérgico. Música cheia de momentos e que pode cativar a todos os gostos!

"Natural"

“Cante Comigo” começa com a mesma proposta da faixa anterior, uma balada, com lindos dedilhados de guitarra em solos mais diretos, porém interessantes. E assim se mantém, linear durante grande parte da faixa, com a bateria em uma pegada mais leve, baixo acompanhando o ritmo. Mas o destaque ficaria guardado para o solo de guitarra de tirar o fôlego que fecha a música. Excelente!

"Cante Comigo"

“Cabeça Feita” traz de volta aquela pegada de rock dos anos 1960, lembrando The Rolling Stones, é dançante e animada. Uma faixa solar que tem um viés comercial e radiofônico bem evidente. Sem dúvida foi composta com a intenção de ser a música para divulgar o álbum. Os solos são igualmente animados que faz qualquer um dançar.

"Cabeça Feita"

Segue com “Anjos de Cristal” que volta com o peso e a agressividade do hard rock! Riffs pegajosos de guitarra, baixo pulsante e bateria marcada, mas com uma batida pesada. A “cozinha” ganha destaque nessa faixa. Vocal cheio de melodias, melancólico, sombrio, ancorados por um instrumental invejável. Eu costumo dizer que, músicas como essa, são de banda, porque todos participam e tem um protagonismo importante. Mas não podemos negligenciar, claro, o solo de guitarra. Uma das melhores faixas do álbum, sem dúvida!

"Anjos de Cristal"

A faixa título, “Alma da Terra”, vem com uma pegada bluesy, um blues rock volumoso, com uma pegada de rock psych, lisérgico, ácido que me remete a bandas da transição dos anos 1960 para o 1970, como Cream, Steppenwolf e o peso do Blue Cheer. O blues com o rock, com o hard rock. A bateria agressiva, o baixo com aquele groove, riffs de guitarra que pedem solos excelentes.

"Alma da Terra"

E fecha com a música “Não Morra de Susto” que entrega, logo de cara, um riff duro, áspero, sujo, de guitarra que irrompe em uma faixa veloz, pesada e agressiva que me fez lembrar de um belo heavy metal. A bateria, mais uma vez, ganha em destaque, pela batida pesada e agressiva. Baixo pulsante e guitarra com solos diretos, curtos e grossos. O heavy rock é a tônica dessa faixa. Intensa e arrastada, em alguns momentos, mostra o lado mais pesado do Alma da Terra nesse álbum.

"Não Morra de Susto"

Reza a lenda que o Alma da Terra já teria novas músicas compostas já para um segundo álbum e que, por algum motivo obscuro, o projeto do segundo trabalho não teria vingado. Mas a realidade nós sabemos o motivo pelo qual esse segundo álbum não teria sido lançado. O fato é que a banda produzia uma música totalmente marginal e que não seguia os interesses da demanda de mercado animada com a new wave oitentista.

Se de fato esse material novo existe claro que aos apreciadores do velho hard rock estariam ávidos por ouvir esse material. Mas infelizmente pouco se sabe também do paradeiro dos músicos e se eles ainda estão na ativa, trabalhando com música. Esse fator também seria determinante, além, claro, do interesse de alguma gravadora para registrar oficialmente esse novo e perdido trabalho. É preciso, também, saber onde estariam essas fitas para trazer à tona um novo trabalho do Alma da Terra.

Uma pérola perdida e que teria um potencial enorme para se ter uma longevidade na história do rock brasileiro. Um representante, mesmo que obscuro, fiel de uma cidade que sempre respirou o que sempre teve de melhor no período marginal do rock brasileiro, sobretudo dos anos 1970 e que até os dias de hoje, luta contra as “novidades” e modismos dos dias atuais. Alma da Terra, com seu álbum de 1982, mostra, com arrojo e personalidade, um tempo que foi vilipendiado com o que havia de verdadeiramente melhor da nossa música. Você pode fazer o download de "Alma da Terra" aqui. Ou se você quiser ouví-lo pelo YouTube clique aqui.


A banda:

Fabio Mattos Agra na guitarra, violão e vocal

Paulo Fernando Martins no baixo e vocal

Antônio Augusto Ventura na bateria

 

Faixas:

1 - Solto no Ar

2 - Vivença

3 - Pra John

4 - Tente Mais Uma Vez

5 - Natural

6 - Cante Comigo

7 - Cabeça Feita

8 - Anjos de Cristal

9 - Alma da Terra

10 - Não Morra de Susto






 



 










 





 











 




quinta-feira, 23 de maio de 2024

Ocean - Sunrise (1982)

 

Afirmo, de forma categórica e até mesmo entusiasmada, que não sou eclético, que apenas aprecio o bom e velho rock n’ roll! Apenas? Sim, apenas tudo isso! Evidente que os amantes e quase unânimes apreciadores do ecletismo musical combatem duramente contra a minha máxima de amor incondicional ao rock simplesmente, mas que espécie de motivação tenho para gostar de outras músicas se o universo do rock é amplo e cheio de possibilidades?

Quando comecei a desbravar as matas selvagens e quase intocáveis do rock obscuro, a “tese” de que tanto defendo começou a ganhar contornos mais fortes, ganhando vida. Percebi que, com as inúmeras bandas, esquecidas, jogadas em um profundo ostracismo, também traziam vertentes, até conhecidas pelo grande público, porém pouco “exploradas” e até pouco compreendidas.

Não quero cair na teia do estereótipo e me prender a estilos, mas sim a música, mas as nuances sonoras de cada banda e álbum nos faz entender um pouco a proposta e história de cada banda e seus trabalhos e de história, amigos leitores, como podem perceber, aprecio e muito.

E assim foi com o “jazz fusion”. Por ser uma música híbrida do famoso jazz com a pegada mais forte do rock e muito apreciada entre os apreciadores do rock progressivo, eu pude ter acesso graças a uma profusão de bandas do estilo que flertam com as bandas progressivas que, claro, absorveu fortemente o jazz e outras músicas eruditas, diria ser oriunda do jazz.

E assim foi! Os primeiros contatos, como tudo que é novo, gera incertezas, algumas rejeições, mas a sonoridade arrojada foi, aos poucos me cativando: um som complexo, mas, ao mesmo tempo solar, pesado, energético. Claro que muito antes de qualquer banda de rock experimentar o jazz temos os movimentos culturais musicais e músicos engajados que se tornaram pioneiros, como  Dizzy Gillespie, Miles Davis, o jazz afro cubano e tantos outros, precisam ser enaltecidos, mas o jazz rock elevou o nível.

E eu não poderia negligenciar hoje essa ramificação da frondosa árvore do rock progressivo com uma banda que seja e, nas minhas infindáveis e saborosas incursões pela grande rede, ouvindo um já satisfatório número de bandas, gostaria de destacar uma banda norte americana que ouvi quase que aleatoriamente, sem intenção prévia, sem roteiros, sem absolutamente nada e simplesmente me arrebatou: a banda se chama OCEAN.

Depois de uma árdua e obcecada busca por referências a respeito de sua história foi muito difícil encontrar algo sobre a banda, apenas algumas linhas sobre a sua trajetória e pouco replicada em sites especializados, mas é, dada as devidas proporções, normal, levando em consideração que o Ocean, por exemplo, gravou sem único álbum, de jazz rock, no início dos anos 1980, em uma década dominada pelo pós punk, pela new wave e o heavy metal, quando o prog rock estava em declínio, sob o aspecto comercial.

E o álbum, gravado mais precisamente em 1982, com o nome de “Sunrise”, foi o único de sua meteórica passagem por este mundo, o que também é, digamos, normal, diante do cenário de rejeição mercadológica ao estilo em pleno anos 1980. Diante da escassez de informações do Ocean, muito pode se especular, encarando essa banda, como um mero projeto de estúdio, desses que se reúne músicos, geralmente de estúdio, grave-se um álbum e por lá finaliza a sua trajetória, algo com início e fim, mas se há um álbum e músicos, pode-se considerar uma banda na sua real acepção da palavra.

"Sunrise" (1982)

O pouco que se tem a respeito do Ocean é de que a banda foi formada no início dos anos 1980 em Cincinnati, em Ohio, nos Estados Unidos e que gravou um álbum, o “Sunrise”, que trazem teclados totalmente analógicos, uma bela guitarra “fuzzy”, o que mais me cativou neste trabalho, com composições inegavelmente originais, diria arrojadas. Não querendo tornar “Sunrise” datado, sua sonoridade me remete aos anos 1970 e traz a sensação de que estava descolado do seu tempo.

Mas prefiro dizer que os músicos simplesmente deixaram a sua criatividade e a sua verdade pela música simplesmente aflorar, sem amarras e preocupações com tendências e modismos ditados pelo mercado fonográfico, não é à toa, claro, que caiu no ostracismo, se tornando deveras obscura. E ainda no campo das especulações, “Sunrise” foi gravado por um selo de nome, adivinhem, Ocean Sounds Records, levando a crer que seja um produto, um projeto de curta duração e de estúdio, sem pretensões de “ganhar o mundo” com turnês ou coisas que o valha.

E falando também em músicos, a banda era formada por Bruce Fox, guitarrista e produtor do álbum, Rick Snyder (Dennis DeYoung) nos teclados e sintetizadores, Michael Sharfe no baixo e baixo acústico e Chris Erickson, na bateria e percussão. Com a participação de Curt Ramm, no trompete (Chic, They Might Be Giants, Levon Helm, Jon Batiste, William Shatner, Bruce Springsteen).

Músicos perfilados, vamos dissecar as suas faixas! O álbum é inaugurado com a música “Hickey” que já começa enérgica, intensa, vívida, a bateria jazzística, trompete dita o ritmo. A faixa é extremamente dançante e os solos de guitarra traz um “tempero” muito atípico e arrojado, tornando a música mais pesada e solar.

Segue com “Of Birdland Fame” e a introdução fica mais introspectiva com os teclados, a bateria, mais contida, entra anunciando uma levada mais prog rock, o trompete traz uma textura mais contemplativa. O teclado domina as atenções e deixa a faixa mais dançante. Mas na metade da música o que era contemplativo fica mais animado graças ao próprio trompete, o jazz fusion ganha destaque. A bateria muito bem executada, ganha corpo até a música retornar a sua vibe mais contemplativa. Complexa, cheia de viradas rítmicas. Excelente faixa!

“The Bubble” já entrega algo mais pesado! Bateria marcada e mais pesada e um solo mais direto de guitarra destaca um hard rock inicial, mas que logo fica cadenciada, com baixo pulsante com algum groove e solos de guitarra ao fundo e que, aos poucos, ganham destaque, mas que vai finalizando meio experimental. Definitivamente é a faixa mais “rock n’ roll” do álbum.

“Tidal Wave” tem uma pegada meio comercial, pop, mas muito bem executada e capitaneada pelo trompete. Traz uma “latinidade” muito dançante e que nos remete a música brasileira. A guitarra dedilhada é um “tempero” a mais a energia da música.

“Just One of Those Little Things” começa com o som de mar, os pássaros, sintetizando a estética e nome da banda e álbum e o trompete continua ditando as regras sonoras dessa faixa, mas os solos de guitarra são mais elaborados e longos, dando um caráter mais pesado à música e nesse interlúdio tem a bateria trazendo a pegada mais latina a faixa. Mais uma faixa complexa e cheia de viradas rítmicas.

E fecha com “Ocean Sunrise (Sara’s Elegy) traz de volta a versão mais contemplativa, com um violão acústico ditando o ritmo, com um baixo meio groovado e o trompete “rivalizando” com o piano traz uma harmonização perfeita à faixa.

“Sunrise” pode não ser nada inovador entre as bandas de jazz fusion, para muitos pode soar até manjado ou algo pior, como plágio, por exemplo, tema tão em voga para se polemizar, mas não podemos negligenciar que o Ocean foi, primeiramente ousado em produzir um material esquecido em pleno anos 1980 de jazz rock e prog rock e segundo trata-se de um álbum arrojado sim, embora não seja nada novo. A pegada jazzística com riffs e solos de guitarra mais pesado definitivamente caiu muito bem aos meus ouvidos. Altamente recomendada!


A banda:

Bruce Fox na guitarra e produção do álbum

Rick Snyder nos teclados e sintetizadores

Michael Sharfe no baixo e baixo acústico

Chris Erickson na bateria e percussão

Com

Curt Ramm no trompete

 

Faixas:

1 - Hickey

2 - Of Birdland Fame

3 - The Bubble

4 - Tidal Wave 5:52

5 - Just One of Those Little Things

6 - Ocean Sunrise (Sara's Elegy)



"Sunrise" (1982)