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sábado, 9 de maio de 2026

Climax - Gusano Mecánico (1974)

 

O rock latino não goza muito de popularidade em outros continentes tidos como referência do rock n’ roll, como a Europa e a América do Norte, principalmente a terra do Tio Sam, por exemplo. E viajando por alguns países, em especial, da América Latina, o cenário, no que tange a visibilidade, fica ainda pior.

Tirando alguns países como a Argentina e o Brasil, além do México, muito citado quando lembramos dos latinos americanos, apesar de ser da América Central, os demais países sempre caem no ostracismo, sendo, claro, pouquíssimos comentados.

Embora países, como por exemplo, a Bolívia, não seja fértil para o rock n’ roll, sobretudo nas décadas de 1960 e 1970, não se enganem, estimados leitores, que não exista nada de bom nesse país e nos demais também. Querem saber o motivo de ter mencionado a Bolívia? Porque de lá surgiu a banda que eu falarei hoje: CLIMAX.

O Climax não é uma banda tão rara, até traz alguns fãs e adoradores do rock underground, talvez não pudesse até figurar em minhas linhas, mas, em se tratar de um país, como disse, tão pouco difundido para a nossa tão amada e famigerada música, vale e muito a pena falar sobre ela e lá em terras bolivianas o Climax é gigante, um verdadeiro desbravador da música pesada.

E falando em música pesada, não é tão somente pelo fator do país de origem ser pouco conhecido, vale contar a história do Climax pelo único álbum que produziu que é simplesmente sensacional. Válido principalmente para quem aprecia hard rock com nuances blueseiras. Mas acalmem-se, bons amigos leitores, não falarei agora sobre o álbum, mas de sua história e do contexto político e social a qual a banda estava inserida.

Com apenas 16 anos de idade, o baixista Javier Saldias e o guitarrista José A. Eguino formariam, em 1968, a banda “Black Birds”, que mais tarde se tornariam “The Tourtles”. Quando conheceram o prodigioso baterista Álvaro Córdova encontraram o elemento essencial necessário para dar o grande salto para um novo tipo de som e maturidade musical. Um ano depois, começaram a ouvir as novas correntes sonoras pesadas, com viés do blues, que estavam em evidência, como Cream, Steppenwolf e Jimi Hendrix.

Climax

Seria a ruptura com o beat, a psicodelia, para uma veia mais pesada e bluseira. O psicodélico “flower power” estava entediante e demasiadamente pop na transição das décadas de 1960 e 1970 e as influências mencionadas era a porta para uma sonoridade nova e mais arrojada.

A banda ficou tão envolvida nesse som poderoso que estava florescendo que decidiu ir para os Estados Unidos para conhece-lo. Quem sabe seria a chance de tingir com novidades a sonoridade da banda que haviam recentemente formado. Infelizmente na Bolívia não teria como pôr em prática tal audacioso projeto sonoro.

Eles entraram em contato com a prima de primeiro grau de Javier Saldias, que morava em Denver, no Colorado, e ela, gentilmente, ofereceu um lugar para ficarem. Assim, os três, antes de atingirem a maioridade, partiram para os Estados Unidos com a coragem de querer mudar a sua música e trilhar uma nova trajetória. Eles iriam estar dentro do movimento musical, vivendo aquilo tudo!

Denver não era o lugar ideal para respirar a cena psicodélica norte-americana, então foram para São Francisco, na Califórnia e lá puderam assistir aos shows do Jimi Hendrix Experience, The Doors e Steppenwolf e assim puderam participar, ainda como fãs, dos grandes momentos do rock na segunda metade dos anos 1960, marcado por bandas mais pesadas e viscerais. Suas visões musicais mudaram! Foi um arrebatamento sonoro!

Com essa experiência vivida adquirida nos Estados Unidos, a banda, agora com o nome de Climax, faria uma temporada na Argentina e voltaria para a Bolívia se consolidando em torno, claro, de José A. Eguino, na guitarra, teclados e vocais, Álvaro Córdova, na bateria e Javier Saldías no baixo. Os fãs ardorosos de rock n’ roll da Bolívia ficaria impressionados com a sonoridade poderosa do power trio nas suas apresentações ao vivo, onde puderam entregar a potência da guitarra, a sonoridade poderosa do baixo e a energia dinâmica da bateria como nunca antes ouvida na Bolívia.

O público reagiu muito bem, mesmo dentro de um contexto elitista foi totalmente aceito, e a fama de CLIMAX cresceu por todo o país. Já desde suas origens. Nesse sentido, o grupo tinha um estilo poderoso e muito polido, no qual cada membro soava como dois ou três músicos ao mesmo tempo, esse era o segredo do CLIMAX.

O Climax tinha tudo em suas mãos. De uma linguagem sonora muito estridente, muito mais agressiva, onde cada membro tentando impor suas habilidades musicais pessoais, perceberam que juntos eram explosivos se aprendessem os “truques” necessários para trabalharem em equipe.

E com isso logo as ofertas chegaram. A gravadora de La Paz, “Discolandia”, os contratou para a gravação de seu primeiro EP, que foi concebido em apenas três dias e lançado em 31 de março de 1969. Essa primeira obra continha versões de grupos clássicos como Steppenwolf ("Born To Be Wild"), Cream ("Sunshine Of Your Love" / "Tales Of Brave Ulyses)" e uma música tributo ao seu admirado Jimi Hendrix ("Fire").

Capa EP

Naquela época, o CLIMAX já era uma das bandas mais populares da Bolívia e seu estilo muito pessoal de interpretar os grandes do Rock os fez criar, pouco a pouco, sua própria personalidade musical. Esse primeiro EP seria seguido por um segundo, lançado em 24 de maio de 1970, que continha uma nova versão da música "Born To Be Wild", além de suas primeiras músicas originais, "The Seeker", "El Abrigo Café de Piel de Gallina" e "El Ritmo de la Vida". Com esses dois EPs a banda conseguiu ser um dos mais reconhecidos da Bolívia e recebeu ofertas de emprego por todo o país.

Naquela época, um quarto membro entrou para a banda, um fuzileiro naval dos Estados Unidos, chamado Bob Hopkins, que eventualmente ficou responsável pelos vocais e gaita, mas apenas para a gravação do segundo EP e para alguns shows ao vivo. Aqueles que ouviam a música desse trio naquela época perceberam que, em termos qualitativos, o CLIMAX estava anos-luz à frente da concorrência. Nos três anos seguintes, mais precisamente entre 1970 e 1973, os membros do Climax, se reuniram para o que seria, finalmente a gravação do seu debut, do seu primeiro álbum e, para variar, os resultados seriam simplesmente espetaculares, trabalho esse que será esmiuçado por aqui.

"Gusano Mecánico", o álbum que gravaram em 1974, se tornaria uma das primeiras obras conceituais do rock boliviano, marcando um antes e um depois na cena musical latino-americana. Ao ouvi-la, todos os críticos e fãs da Bolívia concluíram que era uma obra-prima e um esforço que até hoje não tem sido igualado em seu país. A música pulsante, majestosa e ousada da banda fala por si só. Dessa forma, o CLIMAX deu um salto gigante em sua evolução artística e musical e se estabeleceu, definitivamente, como a melhor, mais experimental e audaciosa banda do rock boliviano.

Em “Gusano Mecánico” que, em tradução livre significa “Verme Mecânico” a banda ousou explorar os terrenos complexos do rock progressivo e a fusão de elementos da música andina (bem evidente) com o rock mais inovador, mesclando a isso tudo, claro, o hard rock e a blues rock tão em voga à época. Neste álbum a banda não apenas apresentou uma evolução musical incrível, mas também como músicos. Como curiosidade, a arte da capa traz a interpretação colorida da famosa "Relativity", de M.C. Escher, que mostrava uma escadaria labiríntica com minhocas que representavam a trajetória atual da humanidade no mundo da mecanização como uma engrenagem em uma máquina maior.


Cada membro evoluiu instrumentalmente de forma incrível e isso, junto com o fato de que todos levaram o novo desafio muito a sério, os colocou em destaque. Jose A. Eguino forneceu a estrutura inicial, a parte mais clássica, porque naquela época toda a banda estudava música muito a sério, e em um estúdio de piano, um instrumento que Jose A. Eguino estudou na época, algumas melodias do novo álbum foram acopladas. Por sua vez, Javier Saldias também contribuiu com as letras das músicas.

O álbum abre com a faixa de sete minutos “Pachacuttec (Rey de Oro)”, uma composição em duas partes. Uma verdadeira demonstração de potência, começa com uma avalanche de decibéis, riffs acrobáticos e solos jazzísticos com toques de acid house, sustentados por uma batida de bateria convulsiva com influências latinas e um baixo expressivo. A princípio, tudo parece caótico, mas é perfeitamente controlado. Gradualmente, o trio então mergulha em uma sequência psicodélica e nebulosa, oferecendo um contraste marcante antes da explosão final.

"Pachacuttec (Rey de Oro)"

“Transfusión de Luz” tem o destaque da guitarra e os vocais dão um toque psicodélico inevitável, seguindo a veia inaugurada por bandas do naipe do The Who e Jimi Hendrix Experience. Aqui, Eguini faz um solo francamente memorável e o trabalho da bateria também ganha protagonismo, sendo muito cru e pesado.

"Transfusión de Luz"

“Cuerpo Electrico - Embrión de Reencarnación” é a música que encerra o primeiro lado da versão em LP e mais remete a uma estrutura mais melódica, o que, confesso, me parece um tanto quanto incomum, levando em consideração o álbum, como um todo, que traz um hard rock mais sujo, embora bem estruturado, melodicamente falando. Mas ainda assim surpreende pelo peso, pelo arrojo e pela sua importância, tendendo não apenas para o hard típico dos anos 1970, mas para um proto metal. Nada era feito assim na Bolívia!

"Cuerpo Eléctrico - Embrión de Reencarnación"

“Gusano Mecánico”, a faixa título, abre o lado B da versão em LP e pode ser, sem dúvida, a faixa mais progressiva deles, algo como um belo hard prog. As mudanças de andamento nessa música são perceptíveis e trazem lembranças de faixas progressivas pesadas como “Tarkus”, do Emerson, Lake & Palmer. O destaque fica para a bateria de Córdova. Riffs pesados de guitarra, solos “floydianos”. É um espetáculo técnico, de complexidade, mas, por outro lado, é orgânico, traz um trabalho excelente de instrumentistas de mão cheia.

"Gusano Mecánico"

“Prana – Energía Vital”, ainda traz a qualidade da bateria: pesada, seca, dura, contando com um solo que domina toda a música, sem soar enfadonho, muito pelo contrário. O que poderia ser chato e indulgente, agregou maravilhosamente, trazendo, ou melhor, corroborando a capacidade de seu baterista. É somente a cereja do bolo para exibir o típico e direto hard rock dos anos 1970. 

"Prana - Energia Vital"

“Cristales Soñadores” fecha o álbum e aqui há a adição de teclados e talvez me remete a uma pegada progressiva. Não há informações concretas acerca do músico que tocou teclado no álbum, há quem diga ter sido Nicolás Suárez, porque a banda fez turnê com ele, mas traz, repito, um agradável tempero progressivo. Traz também algo melódico, mais uma vez, como se encerrasse uma viagem. O hard rock continua ali, vivo, latente, mostrando aos ouvintes a verdadeira e genuína vocação desse brilhante álbum.

"Cristales Soñadores"

Um brilhante álbum! Toda essa magia, toda essa explosão criativa do Climax, infelizmente, foi quebrada, de forma triste e precoce. “Gusano Mecánico” marcaria o começo do fim da banda. Pouco depois os músicos se separariam. José Eguino e Álvaro Córdova decidiram deixar a Bolívia. Córdova foi para a Venezuela, onde permaneceu por longos dez anos. Em 1984 retornou à Bolívia, cumprimentou amigos e familiares e não demorou muito tempo, embarcando em nova viagem, desta vez para os Estados Unidos, onde permaneceu por mais uma década.

José Eguino, que praticamente cresceu nos Estados Unidos, estava sempre indo e voltando daquele país. O único que permaneceu na Bolívia foi Javier Saldías, que participou de um número ilimitado de bandas e projetos musicais em seu país, incluindo Mago, Mahadma, Luz de América, Años Luz, Comunidad, david Lamar Trio, entre outros. Saldías também é professor no “Conservatório Nacional de Música” e chegou a estrelar o longa-metragem “Nostalgias del Rock”, de produção boliviana.

Em 1990 o Climax teve uma breve reunião, mas passou despercebido de tão rápido e sem sequer uma difusão digna. Já em 1998 seria lançado o álbum, no formato CD, de nome “Climax, Complete Recordings”, uma reedição de todo o material de estúdio, incluindo os dois EPs gravados entre 1969 e 1970 e o LP “Gusano Mecánico”. O guitarrista José Eguino supervisionou pessoalmente a remasterização, mixagem e digitalização do álbum, garantindo que nenhuma essência musical dos primeiros anos da banda se perdesse.

Em 2002 a banda se reuniria novamente para lançar uma nova compilação, agora de nome “Climax de Colección”, que continha o LP “Gusano Mecánico”, juntamente com as músicas gravadas anteriormente a este trabalho, que estavam nos seus dois EPs, como algumas músicas originais como “El Abrigo Café de Piel de Gallina” e “Ritmo de la Vida”.

“Gusano Mecánico” seria relançado, em 2005, na Alemanha, pelo selo World in Sound, seria relançado também no Brasil, em 2018, pelo selo Retro Remasters Plus, no formato CD e o mais recente relançamento seria em 2025, na Espanha, pelo selo Munster Records.





A banda:

José A. Eguino na guitarra, teclados e vocais

Javier Saldias no baixo

Álvaro Córdova na bateria

 

Faixas:

1 - Pachacuttec (Rey de Oro)

2 – Transfusión de Luz

3 - Cuerpo Eléctrico - Embrión de Reencarnación

4 - Gusano Mecánico

a) Invasión

b) Dominio

c) Abandono

5 - Prana - Energia Vital

6 - Cristales Soñadores



"Gusano Mecánico" (1974)





















 





 


sábado, 4 de abril de 2026

Grit - Grit (1972)

 

Hornsey, Inglaterra, segunda metade dos anos 1960. Das cinzas da banda Merlyn, nasceria a banda GRIT. O Grit trazia, em sua formação, Frank Martinez, na guitarra solo e vocais, Paul Christodoulou no baixo e vocais, Tom Kelly, na bateria e vocais e Jeff Ball, o vocalista principal.

A origem do nome “Grit” veio, como todas as ideias, de lampejos, de “surtos” criativos. Michael, um antigo membro da banda, estava, juntamente com Frank Martinez, andando pelas ruas de Londres e avistaram uma lixeira, onde é armazenada areia que é usada em estradas geladas, com neve e a partir daí veio o estalo: “Grit”! No dia 20 de outubro de 1970 foram ao cartório para registrar o nome.

As origens dos membros do Grit vieram, claro, de outras bandas. O início da carreira musical de Martinez foi com um teste para Joe Meek em seu estúdio na Holloway Road. Mais tarde ele também tocou com uma banda chamada Grand Union, que abriu para o Pink Floyd em 1968 e com membros da John Dummer Band. O baterista Tom Kelly veio de uma banda chamada “Connexion” e Paul Christodoulou tocou no Merlyn juntamente com Frank, essa trazia a espinha dorsal do Grit. Além de Paul e Frank, a formação do Merlyn trazia George Panteli, na guitarra, John Stevens, nos teclados.

A formação definitiva do Grit nasceu quando Frank e Paul convenceram Tom Kelly a se juntar a eles. Foi difícil, no início, mas ele cedeu quando assistiram a um show da banda escocesa Nazareth. O vocalista Jeff foi o último a se juntar à banda quando esta colocou um anúncio na Melody Maker.

Grit

Diferente do que muitos pensavam à época o Grit não era um “power trio”. De fato, a banda, efetivamente, estava em três músicos, pois Jeff Ball, o vocalista principal, foi o último a entrar. Mas não se podia negligenciar a importância dos irmãos Russell para o Grit. John era um ótimo apoiador da banda, embora não tocasse nenhum instrumento, sempre ajudou no que fosse possível. Porém teve de se afastar quando se casou. Jimmy, seu irmão, assumiu o lugar de John, tornando-se roadie e técnico do Grit.

Agora com essa formação o próximo passo da banda seria, como todas as outras, ensaiar, compor material próprio e gravar um álbum para divulgar e viver da sua arte, da sua música. Cabe aqui uma curiosidade acerca do guitarrista Frank Martinez, já que mencionei sobre viver de música: Martinez, apelidado de "Spider", estudou eletrônica no Southgate Technical College e trabalhou na Nolan Amps e construiu um amplificador PA de 100W (chamado de Spider PA) e duas pilhas de alto-falantes, que mais tarde se tornariam parte do equipamento do Grit.

A gravação, realizada na SWM Studios, foi feita na hora, sem ensaios, apenas configurada e pronta, afinal, a banda não tinha grana para pagar por um longo tempo no estúdio. Eles fizeram isso pouco antes do natal, na véspera de natal e o engenheiro de som, no ritmo das festas natalinas, não se aplicou bem ao trabalho e reza a lenda que estava bêbado. Resumo: além do pouco tempo que o Grit tinha, praticamente concebeu o álbum sem amparo técnico. 

Nos LP's, a banda conseguiu encaixar todas as músicas de um lado, o engenheiro reduziu o nível do baixo. As fitas estavam de acordo. As músicas foram escritas pela banda, exceto "Mineshaft" (Tom), "Child and the Drifter" (Paul), "What do you see in my Eyes" (Frank) e "I wish I was" (Paul). Outra faixa escrita por Tom foi "Surrounded by Four Grey Walls" (não gravada).

“Grit”, o álbum ou melhor um rato acetato ou EP como foi lançado à época, basicamente traz um envenenado hard rock, aquele típico, mas inconfundível, hard rock dos anos 1970, porém com reminiscências do rock psicodélico, com guitarras lisérgicas e pesadas, com uma bateria furiosa, baixo pulsante e um vocal forte e direto. Um álbum do seu tempo, mas ainda assim não deixa de entregar grandes surpresas. Um álbum pesado, forte, volumoso, cheio de vida que nasceu e não ganhou o mundo, como tantos outros que, sem nenhum suporte, perece, não vinga. A falta de estrutura, de uma produção adequada, apenas realçou a volúpia de seu som, mostrando-se cru, arrogante e pesado.

O álbum é introduzido com a matadora faixa de “Mineshaft” que, como um trovão, começa com riffs pegajosos e pesados de guitarra que me remete a um heavy metal, um proto metal poderoso, com um vocal alto, gritado, em alguns momentos e até rouco. Bateria em uma batida forte, intensa, baixo pulsante, galopante. Os solos de guitarra se mostra psicodélico, ácido, mas logo se apura, fica mais alto e límpido trazendo aos tempos do hard rock dos anos 1970. Não há como ficar parado a essa hecatombe sonora.

"Mineshaft"

Segue com “The Child and the Drifter” que inicia mais discreta, com dedilhados de guitarra, mas foi por pouco tempo, a bateria anuncia mais uma força da natureza que varre tudo que está em sua frente. Ela é pesada, marcada, mas cheia de agressividade que encorpa a música, a deixando poderosa, pesada e totalmente despretensiosa. E tudo isso é confirmado pelos riffs de guitarra. Os vocais aqui estão mais contidos, mais discretos, mais apurados. Solos de guitarra variam entre o peso do hard rock e a lisergia do psicodélico. O que dizer do final? Pesada, um doce caos!

"The Child and The Drifter"

“What Do You See in my Eyes/I Wish I Was” começa atípica para o que se ouviu nas duas faixas iniciais. Guitarras dedilhadas, lembrando The Doors, vocais doces e baixos. Ao ouvi-la me remete imediatamente aos tempos do “flower power” dos anos 1960, com uma pegada meio folk, inclusive. Mas não se enganem, caros leitores, porque, logo irrompe em uma explosão de hard rock, mais uma vez, com destaque para a bateria pesada. A proposta da música é trazer variâncias rítmicas, pois, logo se ouve um belíssimo solo de guitarra com uma vibe mais blues, curto, mas viajante e lindo, mostrando que a banda é sim competente. O final é vibrante, intenso, revelando, ainda mais, a competência instrumental de seus músicos. O hard rock é o protagonista no derradeiro e espetacular final dessa faixa.

"What Do I See in My Eyes / I Wish, I Was"

“1000 Miles” começa pesada, a bateria é forte, intensa e caótica. A música, quando ganha velocidade, ganha corpo, peso, se mostra, se revela um verdadeiro proto metal. As arestas da heavy metal estão nas arestas sonoras, na melodia, na dramaticidade de seus instrumentos. Vocais gritados corroboram tal condição. Em determinados momentos ela se torna arrastada, agora percebe-se o proto doom, a sujeira do som. Espetacular!

"1000 Miles"

Segue com “Across the Windowsill” que é a faixa bônus do álbum, em virtude do seu relançamento. Essa faixa foi concebida quando a banda se chamava Merlyn e traz uma pegada mais garageira, com “pitadas” evidentes de uma psicodelia ácida e pesada, com riffs grudentos, mas pesados de guitarra, que confirmam a lisergia. Na sequência do relançamento do álbum traz a já citada por aqui, “What Do You See In My Eyes/ I Wish I Was” e fecha com a pesadíssima, e também já citada faixa que inaugura o álbum original, “Mineshaft”, aqui chamada de “Down in the Mine”. Para registro histórico vale e muito a pena a audição, sobretudo da avassaladora “Mineshaft”.

"Across The Windwsill"

O Grit, munido de seus acetatos de 12", gravadas em um lado só,  visitou alguns agentes musicais e selos em Londres, para tentar lançar seu material e partir para a turnê em divulgação de sua música, mas ninguém se interessou. Contudo enquanto procurava, um gerente, eles encontraram uma empresa que lhes garantiu uma turnê pela Grécia. Era a chance que precisavam, diante de um cenário de total descaso com a sua música. Eles tinham anunciado o seu álbum na famosa “Melody Maker” e essa empresa grega viu e decidiu entrar em contato.

Era a Mantas Production, do grego Kon Mantas! A banda aceitou a oferta e seguiu viagem para a Grécia em 23 de abril de 1973. Foi uma verdadeira aventura e a chance de que o Grit precisava para deslanchar a sua música. E a aventura já se deu na viagem! Cruzaram boa parte da Europa dentro de uma van e, claro, os problemas mecânicos com o carro apareceriam. Se perderiam também no caminho, mas, enfim chegaram.



Em Atenas a banda finalmente conhece Kon Mantas. Era um cara legal, mas não tinha tanta experiência como empresário ou nenhuma experiência. Colocou a banda em um apartamento. Ficaram bem instalados, mas não demorou muito para entrar em atrito com os moradores do prédio, por conta dos ensaios, e logo foram visitados pela polícia e intimados a sair do local. Mantas decidiu, diante disso, instalá-los em um hotel.

Sem muito trabalho, Kon Mantas começou a buscar outras alternativas para trazer um mínimo de renda para si e também para manter o Grit no hotel, pagando as suas diárias. A banda, consequentemente estava com dificuldades de descolar alguns shows. Mas não deixaram de se esforçar na incessante busca de shows, de apresentações e conseguiu alguns shows com as principais bandas de psych rock da Grécia, como Sócrates e Peloma Mpoklou em grandes festivais. Tocaram em um show pop diante de três mil pessoas. Era o auge para o Grit ou melhor do "Bomba", como ficou conhecida a banda em terras gregas. Tocaram também em um show, ao ar livre, no Palais des Sports Festival, Thessalonica. Eram sete mil pessoas. Estava indo bem, apesar de que, neste último show, o promotor não tenha feito o pagamento do cachê à banda. Mas pelo menos conseguiram se apresentar e mostrar a banda a uma multidão.

Apareceram na TV desta vez, no “Top of the Pops”. Um programa famoso e que muitas bandas emergentes tocaram. Os diretores pediram ao Grit para se posicionarem devidamente no palco, era um programa em que as bandas faziam “playback”, mas o Grit não obedeceu e pularam por todo o lugar. Tiveram alguma publicidade na revista “Fantasia”. Apareceram em outro programa de TV chamado “Golden Shot”, onde também tocaram “playback”. Foram quatro aparições na TV do Grit, no total.

Mas tudo tem um fim! O guitarrista e vocalista Frank Martinez recebeu a notícia, de sua mãe, que o seu pai estava gravemente doente. Ele precisava deixar a Grécia para voltar para Londres, mas a banda precisava conversar sobre isso e como no momento não estavam fazendo shows e consequentemente estavam sem dinheiro para se manter na Grécia. Então decidiu retornar à Inglaterra e os demais da banda retornariam duas semanas depois. A aventura durou de maio a julho de 1973. E no final de julho daquele mesmo ano o Grit optou por se separar. Esse era o fim da banda!

Frank Martinez

Martinez deixaria a música em 1974. Mudou-se para a Espanha e decidiu dedicar-se à eletrônica, no que estudou no passado, como autônomo, e com essa profissão aposentou-se. Ao se aposentar voltou a tocar novamente. O baterista Tom Kelly e o baixista Paul Cristodoulou, que tocaram juntos no Merlyn, formaram a banda “Kelly” e depois fizeram uma pausa e, nos anos 1980, Tom se juntaria à banda de heavy metal “Mean Machine”.

Tom se mudaria para Bournemouth e se concentrou na pintura. Ele ainda tem uma bateria em seu estúdio e toca praticamente todos os dias. Paul está atualmente no Chipre tocando com a banda “Reggae Rockers”. O vocalista Jeff continua sua carreira em Benidorm em uma banda de tributo aos Bee Gees.

As gravações e fitas do único álbum do Grit, de 1972, estavam prontas para serem descartadas pela família de Frank Martinez. Ninguém realmente queria aquelas coisas antigas ocupando espaço. Mas antes que isso acontecesse Frank mostrou seu LP, em 2019, para um amigo, fanático por rock e vinis, e ele recomendou que publicasse uma foto e as gravações no Facebook e na internet. O fez de forma totalmente despretensiosa, gostou de compartilhá-lo nas redes sociais, ferramenta esta que não era tão próximo.

E para a sua surpresa veio o primeiro contato da Alemanha comentando que havia comprado um dos acetatos do Grit em um mercado de pulgas e perguntou se poderia usar o material. Martinez não hesitou e autorizou que os usasse. Algum tempo depois um representante da gravadora Guerssen entrou em contato interessado em relançar o álbum. Dessa vez de forma oficial, depois de quase cinquenta anos de sua gravação. Que sorte Martinez não ter descartado as gravações! Então esta foi cedida para o selo que o relançou em 2020. A outra cópia do acetato original, pode ser encontrada em “7001 Record Collector Dreams”, de Hans Pokora, com um ponto máximo dado por raridade. Afinal havia apenas duas cópias pressionadas! Convém lembrar também que tal trabalho foi relançado por selo brasileiro Hellion Records em 2023.

Uma história cheia de aventuras, repleta de obstáculos e muito amor à música, digna de cinema e que mostra uma música forte, intensa, pesada. Uma joia escondida do rock n’ roll que depois de quase meio século na mais pura e genuína obscuridade ganha luz para deleite daqueles que desbravam o lado underground da música de que tanto amamos.





A banda:

Frank Martinez na guitarra e vocal

Paul Christodoulou no baixo e vocal

Tom Kelly na bateria e vocal

Jeff Ball no vocal

 

Faixas:

1 – Mineshaft

2 – The Child and The Drifter

3 – What Do You See In My Eyes / I Wish I Was

4 – 1000 Miles

5 – Across The Windowsill (Merlyn) – Bonus Track

6 - What Do You See In My Eyes / I Wish I Was – Bonus Track

7 – Down In The Mine (Mineshaft) – Bonus Track




"The Grit" (1972)





 




































quinta-feira, 19 de março de 2026

Jenghiz Khan - Well Cut (1971)

 

Sabe aqueles países totalmente inusitados para a cena rock n’ roll? Pois é, é para eles que eu venho mirando as minhas intenções para desbravar e, não se enganem, caríssimos leitores, há muito a encontrar por aí. As cenas podem ser incipientes em quesitos quantitativos, mas qualitativamente falando a situação muda! Há muito material de altíssima qualidade nos países pouco comentados e esquecidos pelo rock!

Então vale e muito o esforço em desbravar e conhecer tais bandas e álbuns e hoje eu pousei na Bélgica e encontrei um espetacular álbum e banda que merece a sua atenção, caro leitor. Como ela se chama? JENGHIZ KHAN! Mas são aquelas bandas que, como verdadeiros cometas, surgem, como uma força da natureza, gerando impacto, mas que, de forma efêmera, sucumbem, desaparecem.

O Jenghiz Khan surgiu, em 1970, no sul da Bélgica, a partir das cinzas do "The Tim Brean Group" e do "Les Partisans". A formação da banda consistia nos seguintes músicos: Tim Brean no piano, órgão, teclados e vocais, “Big” Frisma nas guitarras base, acústica e solo e vocais, Christian “Chris Tick” Servranckx na bateria, percussão e vocal e Pierre “Peter Raepsaet” Rapsat no baixo e vocais.

Jenghiz Khan

Rapsat foi o último músico a integrar o Jenghiz Khan. Ele veio de uma banda que acabara de lançar um álbum, de nome “Laurelie”. Nos anos 1960, Pierre havia feito parte da orquestra de dança chamado “Les Ducs”, porém em sua banda seguinte, a “Tenderfoot Kids”, onde tocou em quatro singles, revelou ser um excelente compositor.

"Laurelie" (1970)

O nome “Jenghiz Khan” foi escolhido pelo terror associado ao líder mongol e, de fato, essa banda de músicos furiosos, liderado por Friswa, teve impacto no público e incendiou as placas dos festivais onde se apresentavam.

Como todas as faixas do primeiro e único álbum do Jenghiz Khan, “Well Cut”, de 1971, já estava praticamente pronta, Rapsat ficou responsável apenas em tocar o seu instrumento, o baixo. Todos os membros da banda eram compositores, então não teve espaço para Pierre demostrar seus dotes de letrista. Mas se mostrou competente empunhando o baixo, trazendo a sonoridade da banda, algo muito atual.

Além dos músicos serem compositores o seu empresário, o conhecido jornalista de rock, da revista “Telemoustic” ou “TéléMoustique”, Pierre “Piero” Kenroll, ajudou a escrever todas as letras e uma música completa.

A capa deste único trabalho do Jenghiz Khan foi desenhada por Jamic, cartunista da TéléMoustique, apresentava as cabeças dos 4 músicos decapitados brandidas por um gigante e alcançou as melhores vendas belgas, algo que nenhuma banda local conseguia fazer há muito tempo.

E diante desse cenário, “Well Cut” foi lançado até rapidamente, pelo selo “Barclay”, com um som majoritariamente pesado, porém cheio de dinâmica, ou seja, vertentes progressivas, conferindo-lhe complexidade, mas com a capacidade única de ser orgânico, mostrando músicos competentes e técnicos, mas dando tudo de si de forma corporal!

Não sou muito afeito às comparações, mas o Jenghiz Khan, reflete muito a música de seu tempo, embora traga uma sonoridade bem atemporal, rasgando as gerações com muita destreza. Ao ouvir “Well Cut” percebe-se a sonoridade de bandas, das mais famosas, claro, como Uriah Heep, Vanilla Fudgie e Iron Butterfly. Mas como coloca-la em condições de inspirada, se esta surgiu praticamente ao mesmo tempo que as mencionadas? O sucesso de algumas diz muito sobre isso, mas não quero falar sobre isso, e sim do quão importante esse tipo de sonoridade foi nas transições das décadas de 1960 e 1970.

“Well Cut” imprime uma sonoridade que é calcada no riff pesado de guitarra e o bom e velho hammond, que muito me agrada e cativa, um heavy progressivo com pitadas psicodélicas generosas, que vai do sofisticado, complexo, sujo, primitivo e áspero. Uma música que se fazia em profusão no início dos anos 1970, mas com competência, criatividade e muita ousadia, pois não se rendiam as bandas ao estereótipo, afinal, era, diria, uma sonoridade que se descobria, se abrochava em experimentalismos e o Jenghiz Khan não fugia à regra. Era uma desbravadora de seu país, pouco conhecido na cena rock, mas que tinha um radar para o mundo.

O álbum começa com a faixa “Pain” que, um vocal, à capela, dá a introdução para a “cozinha” impor seu ritmo pesado, bateria marcada, agressiva, batida poderosa, baixo pulsante, hammond cheio de vivacidade, riffs de guitarra psicodélicos, mas que dá lugar ao violão e a uma balada. Seus quase oito minutos de duração entrega uma sonoridade repleta de mudanças rítmicas, mostrando o heavy prog muito bem executado. Na metade da música os riffs são mais agressivos e sujos, talvez o momento mais pesado da faixa, que logo se sucedem com solos mais pesados ainda. Música de tirar o fôlego!

"Pain"

Segue com a curta “Campus A”, mas que anima pela pegada meio bluesy, um blues rock bem solar com um vocal cadenciado e, por vezes, um pouco rasgado. É tão somente a guitarra e voz. Simples! Para dar entrada para a próxima faixa, “The Moderate” que inicia com um hammond um tanto quanto sombrio, mas que irrompe em um belicoso som de guitarra e bateria bem agressiva. O baixo dá o groove, o balanço e a cadência. Essa música mostra um Jenghiz Khan mais sofisticado, mas não menos pesado e arrogantemente agressivo. Aqui o vocal é mais potente e gritado e conduz a faixa ao que realmente entrega: peso, mas um peso aliado ao balanço, beira o dançante. Faixa animada!

"The Moderate"

Segue com “Campus B” que, entregando a continuação de “Campus A” traz o blues mais eletrificado, com uma pegada mais gospel evocando os primórdios do rock na sua versão mais primitiva. Não podemos negligenciar, claro, a veia blues rock. “The Lighter” começa acústica, dedilhados de violão torna algo mais pastoral, viajante, dando lugar ao hammond e uma bateria mais vagarosa. Eis uma balada com uma característica inteiramente psicodélica, mostrando um produto de seu tempo, verdadeiramente. O trabalho de vocalização me remete ao Uriah Heep nos seus primórdios e também o Vanilla Fudgie. E finaliza com o lindo e direto solo de guitarra!

"The Lighter"

“Hard Working Man” introduz com um solo de bateria e que já denunciaria o peso que viria pela frente! Um solo de guitarra flamejante, mas que logo cadencia, continuando a bateria como profundo destaque. Aqui nesta faixa o hard rock dá o tom, é o carro chefe. Direta, poderosa, intensa, riffs de guitarra se misturam ao toque cavalar como o baixo é conduzido. Traz a “cama” para a sonoridade acontecer, ser tão evidentemente característica.

"Hard Working Man"

Segue com “Mad Lover” que, mais uma vez, inicia, em uma pegada meio flamenca, acústica, meio folk. Aqui percebo que a banda volta aos anos 1960 com um beat psicodélico. O trabalho de vocalização se faz presente e é bem feito. A guitarra, já no fim da faixa, traz uma sonoridade estranha e experimental.

"Mad Lover"

E fecha com a épica “Trip to Paradise” que começa, mais uma vez, com o belo trabalho de vocalização e uma camada soturna de teclados que traz as lembranças psicodélicas. Mas logo termina, porque a explosão do hard rock se faz vivo e latente! Bateria com a já famosa batida pesada, o baixo com aquele groove arrebatador, galopante, por vezes, sem contar com o hammond que me lembrou algo mais sinfônico. Nessa faixa, no auge de seus mais dez minutos, traz de volta o heavy prog, e se mostra capaz de atrair o ouvinte com as inúmeras mudanças de andamento. É no mínimo catártico ouvir essa música. Hard rock, psicodélico e progressivo em um caldeirão de ingredientes misturados, sem nenhuma cerimônia em se rotular. A criatividade ditou as regras que, sem dúvida, faz dessa faixa uma das melhores do álbum! O final, com o solo de guitarra, é simplesmente de tirar o fôlego!

"Trip to Paradise"

Em sua história relativamente curta, o Jenghiz Khan construiu uma boa reputação de banda ao vivo, tocando em muitos festivais e shows. Podemos destacar, como os mais importantes quando dividiram o palco com: "Wallace Collection" (Puzzle P em junho de 1970), "Black Sabbath" (Rock Bilzen em agosto de 1970), "Yes" (Pop Hot Show Huy em 5 de setembro de 1970), "Stray" (Festival de Ghent em 28 de novembro de 1970), "The Tremelous" (Grand Place Ciney em 11 de julho de 1971) e "Genesis" no Festival de Jemelle em 8 de agosto de 1971.

Um segundo álbum estava sendo escrito, mas problemas surgiriam para a banda, culpa de uma cena belga muito restrita, que não permitia que seus músicos ganhassem vida com sua música, bem como também da onda “glam” que varreu o mundo, com furacões como David Bowie, T-Rex, Salde, Sweet entre outros. E o inevitável aconteceu: o fim do Jenghiz Khan, em 1972. Se há resquícios de composição musical que possa ser gravado em um futuro próximo, não sabemos. O fato é que precisamos esperar uma grande novidade a esse respeito! Quem sabe...?

O baixista Pierre Rapsat lançou uma bem-sucedida carreira solo, em 1973. Ele gravou vários álbuns de ouro e platina, transitando entre o rock e a chanson, mas a maioria de suas músicas era cantada em sua língua nativa, o francês. Rapsat faleceu em 21 de abril de 2002, precocemente aos 53 anos de idade.

O vocalista e tecladista Tim Brean juntou-se a banda “The Pebbles”, tocando teclado com eles de 1974 a 1976, enquanto compunha muitas músicas a pedido do selo “Barclay”. Mais tarde tentou a sorte com uma carreira solo sob o nome de “Tim Turcksin”, mas conseguiu lançar apenas algumas músicas em álbuns de compilação.

O guitarrista e vocalista “Big” Frisma juntou-se a banda “Wallace Collection”, fazendo sucesso, posteriormente, com uma banda pop chamada “Two Man Sound”, lançando também dois singles solo. O primeiro, em especial, onde trabalhou novamente Pierre “Piero” Kenroll, recebeu boas críticas. O lado B, chamado “Big Friswa” era uma ótima faixa de rock. Se suicidou em 1988.

O Jenghiz Khan, com seu único trabalho, lançado em 1971, “Well Cut” traz nas raízes, bem como, claro, no teor de suas letras, temas históricos e belicosos, assim como tantas outras bandas de proto metal de sua época. Sim, Jenghiz Khan emulou o som que se fazia em sua época, lá pelos idos dos anos 1970, mas refletiu, com galhardia e competência, aquele rock n’ roll que, das transições das décadas de 1960 e 1970, mostrou-se criativo e catártico.

“Well Cut” teve alguns relançamentos. Além de seu lançamento original, pelo selo Barclay, em 1971, teve lançamento, pelo mesmo selo e ano, no Canadá e na França. Em 1994, teve um relançamento na Coréia do Sul, pelo selo Won-Sin Music Company, outro, dez anos depois, em 2004, pela gravadora Second Life, na Rússia. Mais dois relançamentos, em 2011, na Bélgica, pelo selo Philmarie, um novo relançamento na Coréia do Sul, pela Won-Sin Music Company e vários outros relançamentos por alguns selos europeus.




A banda:

Tim Brean no piano, órgão, teclados e vocais

“Big” Frisma nas guitarras base, acústica e solo e vocais

Christian “Chris Tick” Servranckx na bateria, percussão e vocal

Pierre “Peter Raepsaet” Rapsat no baixo e vocais

Com:

Pierre “Piero” Kenroll nas composições

 

Faixas:

1 - Pain

2 - Campus A

3 - The Moderate

4 - Campus B

5 - The Lighter

6 - Hard Working Man

7 - Mad Lover

8 - Trip To Paradise 



"Well Cut" (1971)