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sábado, 25 de abril de 2026

Lyd - Lyd (1970 - 1992/2000)

 

Os álbuns concebidos e lançados, na transição das melhores décadas do rock n’ roll, décadas de 1960 e 1970, gozam de uma peculiaridade especial: você percebe o beat, o experimentalismo do rock psicodélico e as nuances pesadas embrionárias do hard rock dos anos 1970. É pitoresco as bandas que se aventuram em sonoridades novas, experimentais, deixando simplesmente a criatividade e a liberdade musical falar mais alto.

Mas pagavam, com isso, um preço alto pela “audácia” sonora, fugindo das tendências e modas construído por um mercado fonográfico que decididamente está contra a arte manifestada como ela deve ser: pura, genuína e desprendida de estereótipos.

Claro que neste reles e humilde blog, marginal e independente, essas bandas surgem e em profusão, mostrando um lado esquecido e empoeirado do rock n’ roll que até mesmo os apreciadores do estilo desconhecem e arrisco em dizer que rejeitam. Aqui essas bandas ganham vida e tem as suas histórias contadas, por mais que elas sejam escassas de informações.

E todo esse texto introdutório, do jeito que eu gosto, é para anunciar ou melhor escrever sobre mais uma banda esquecida, engavetada pelos burocratas da música que torceram o nariz para o seu pequeno, mas significativo material lançado ou diria que não foi oficialmente lançado. Falo da banda THE LYD ou LYD.

The Lyd ou Lyd (denominado assim nos relançamentos) foi formada em Los Angeles, a meca da psicodelia e contracultura norte americana e mundial, no final dos anos 1960, mais precisamente no ápice do rock psicodélico norte americano, em 1969. A banda era formada por: Jack Linerly na guitarra e vocais, Frank Tag na guitarra, piano e vocais, Rob Weisenberg no baixo e vocais e Chet Desmark na bateria, percussão e vocais.

Reza a lenda que o The Lyd ou Lyd não era necessariamente uma banda, mas um grupo de músicos que, eventualmente eram reunidos em estúdios para gravar uma música e outra e só entrava sob efeito de alguma substância, algum psicotrópico, mais precisamente um LSD, o famoso ácido lisérgico.

E por falar em estúdios, nada da banda foi lançado, de forma oficial, àquela época, mas quando entraram no estúdio de Pat Boone, em Hollywood, Califórnia, chamado Sunset Recording Studios, algumas músicas foram concebidas, algumas músicas foram gravadas, mas apenas isso. Sim! Não passou de algumas cópias de acetatos, que totalizaram apenas 21 minutos de duração, apenas um lado utilizado, sem capas, sem arte gráfica, até mesmo os nomes das músicas não foram escritos nesses acetatos, estava apenas descrito como “faixa número um”, “faixa número dois” etc. Era como se tudo estivesse ainda em estado puro, ainda por lapidar, no início do projeto, talvez.

O ano era 1970! Outra lenda que circula é de que apenas uma cópia original desse acetato, com um total de seis músicas, foi concebida. Outras escassas fontes dão conta de que três ou quatro cópias desse material foram feitas. E, para não dizer que não havia capas ou uma arte gráfica minimamente feitas, o que teria sido feito ou melhor produzido naquela época, em 1970, era uma capa, em preto e branco, com a ilustração, adivinhem, de um cara fumando maconha no centro. O verso era completamente branco. No selo dizia: “Sunset Recording Studios, Inc 5539, Sunset Boulevard, Hollywood, Califórnia, The Lyd Side 1. Essa é a comprovação cabal de que era um trabalho ainda bruto, a ser lapidado e em processo de feitura e que, por algum motivo, não foi dada sequência.

Outra informação que circula, acerca do único trabalho produzido do The Lyd ou Lyd, os tais acetatos teriam saído ou roubados dos arquivos dos estúdios e ganhado o mundo, sendo pirateados e assim, dessa forma, lançados, mas falemos disso depois, porque precisamos falar dessa pepita de ouro no seu estado puro e brutal. Assim eu, de imediato, descreveria o álbum ou acetato do The Lyd, homônimo: sujo, brutal, selvagem para os parâmetros da época, o que, claro, me deixou entusiasmado quando fiz a primeira audição.

“The Lyd” trazia a estética dos anos 1960 em transição para a década de 1970: Um poderoso álbum, de 21 minutos, de hard psych, sujo, selvagem, um rock de garagem sensacional. Acredito que aquelas substâncias utilizadas possam ter tido, claro, além da criatividade e talento de seus músicos, influência sobre essa música tão pesada, lisérgica e poderosa do The Lyd. Aqui a atmosfera intensa, típica de porão úmido e escuro, com guitarras crocantes e pesadas, cheias de distorção, com longas excursões de fuzz é a tônica deste trabalho.

As músicas, como estavam descritas, nos seus acetatos originais, estavam apenas numeradas, os nomes destas podem ter sido alterados de acordo com os tais relançamentos, então vamos a elas! O trabalho é inaugurado pela faixa “The Time Of Hate And Struggle” ou “Part One” que inicia viajante, psicodélica, guitarras mais dedilhadas. Os vocais são dramáticos, de atmosfera sombria, seguindo a proposta sonora, mas não demora muito para se ouvir um riff mais pesado e denso e assim alterna, entre o peso e o sombrio. Uma faixa estranha, lisérgica e pesada, mostrando o melhor das décadas de 1960 e 1970.

"The Time of Hate and Struggle" ou "Part One"

“Need You” ou “Part Two” já começa animada, solar, com riffs pesados e grudentos de guitarra, solos simples e diretos faz da música algo sujo, despretensioso e garageiro. Os vocais assumem um belo alcance, algo mais alto e limpo, seguindo a tônica mais enérgica da música. Aqui o hard rock parece ganhar vida e ter certo protagonismo. Mas aquela pegada dançante, típica dos anos 1960, ainda está lá.

"Need You" ou "Part Two"

“Stay High / Fly Away Is Still Ok” ou “Part Three” me remeteu a algo como The Stooges, por exemplo. Aqui a sonoridade é mais suja e pesada e traz reminiscências do proto punk e do heavy metal. A bateria tem uma pegada mais dura e pesada e o baixo é evidentemente galopante. As nuances do heavy e punk estão aqui como se fosse uma maquete do que ganharia vida na segunda metade dos anos 1970 e início dos anos 1980.

"Stay High / Fly Away is Still OK" ou "Part Three"

“Double Dare” ou “Part Four” é uma faixa de tiro curto e vem com um vocal meio falado (seria os primórdios do hip hop?), mas forjado com um hard rock típico, com bateria dura, marcada e pesada e riffs e solos de guitarra de tirar o fôlego. “Think It Over Twice” ou “Part Five” começa estrondosa, com riffs poderosos de guitarra, solos grudentos e sujos e variavelmente com alternâncias de uma sonoridade, que vai do hard para uma música mais sulista, no mínimo intrigante e interessante. Mas aqui o peso e a audácia são protagonistas. Vocais gritados, solos bem elaborados de guitarra, em alguns momentos. Aqui o hard rock ganha vivacidade e não há sequer sinal da psicodelia. Nesta música o The Lyd mostra o seu lado mais arrojado e complexo.

"Think it Over Twice" ou "Part Five"

E fecha com “Trash Pad” ou “Part Six” que traz à tona novamente o lado psicodélico do álbum. Nessa faixa há a percepção do psych underground, mais com uma pegada mais dançante, porém os riffs de guitarra fazem questão de mostrar que o peso típico da banda ainda estava lá. Vocal meloso e mais limpo são os destaques da faixa.

"Trash Pad" ou Part Six"

Muitos apreciadores e colecionistas de vinis atribuem ao selo Akarma o lançamento oficial do álbum do The Lyd ou Lyd, em 2000, na Itália. Mas, de acordo com algumas escassas referências que há na web, o primeiro relançamento foi feito selo belga Fanny, também conhecida como Fanny Records, em 1992, especializada em lançamentos de álbuns raros, nem sempre oficiais, com capa diferente dos relançamentos posteriores. Entre 2000 e 2012 outros relançamentos aconteceram, a maioria na Itália, também, claro, outros relançamentos foram piratas.


“The Lyd” pode ser encarado como um trabalho original? Diria que não! Um marco na história do rock? Talvez. Mas não estou aqui a decidir isso, tão pouco estipular ou definir quaisquer coisas a esse respeito! Mas é inegável dizer que bandas como The Lyd trouxe ao rock o frescor da novidade, como tantas outras, que caíram no ostracismo, que trouxeram uma música arrojada, perigosamente underground e viva, latente aos ouvidos e ao coração daqueles que sempre buscaram e buscam algo novo para as suas audições.






A banda:

Jack Linerly na guitarra e vocal

Frank Tag na guitarra, piano e vocal

Rob Weisenberg no baixo e vocal

Chet Desmark na bateria

 

Faixas:

1 - The Time Of Hate And Struggle

2 - Need You

3 - Stay High / Fly Away Is Still Ok

4 - Double Dare

5 - Think It Over Twice

6 - Trash Pad 




"The Lyd" ou "Lyd" (1970)





























 


sábado, 18 de abril de 2026

Mount Rushmore - High On (1968)

 

São Francisco, na Califórnia, definitivamente foi o epicentro da contracultura norte americana e, arrisco dizer, mundial, na segunda metade dos anos 1960. O movimento hippie e sua proposta de paz e amor ecoava em cada canto daquelas ruas e tinha, como principal difusor, a música e as suas inúmeras bandas que ganharam o mundo com os seus hinos beat e dançantes. E aqui podemos destacar, de imediato, bandas do naipe de Big Brother and The Holding Company, Janis Joplin, The Grateful Dead, The Doors, e tantas outras.

A sonoridade lisérgica, por vezes experimental, dançante e até mesmo minimalista, era o cerne da cena que pulsava em shows e personificava em protestos anti-guerra e contra um conservadorismo imposto pelo status-quo. Mas a música lisérgica, psicodélica, com um viés criativo calcado na revolução jovem, também tinha nas drogas a possibilidade da expansão da mente e da liberdade tão ardentemente propagada.

Mas as revoluções não eram apenas ditadas no comportamento, mas se revelava também na sonoridade das músicas ouvidas àquela época, e não tão apenas naquela que a cena entregou para o mundo com as suas bandas famosas, com o beat dançante, experimental, e sim às músicas ditas “garageiras”, comumente consideradas como mais pesadas, distorcidas, eletrificadas, com um proto hard rock que destoava do que se fazia em profusão naquela terra.

E não podemos negligenciar o blues eletrificado do grande Blue Cheer, que foi o grande representante de “peso”, literalmente falando, daquela época, na terra do Tio Sam. E, ouvir o seu debut “Vincebus Eruptum”, de 1968, ápice da psicodelia paz e amor, é como ouvir uma bomba poderosa e devastadora de blues elétrico que definitivamente não se adequava ao som massivamente propagado em sua época. Não foi à toa que o Blue Cheer, com seu trabalho, não só inaugural, mas discográfico, não viu a luz do sucesso e trafegou pelo underground.

Blue Cheer - "Vincebus Eruptum" (1968)

Essa “revolução” sonora me agrada imensamente e tem me colocado em uma posição de garimpo incessante e eis que descubro uma pérola que lamentavelmente não ganhou a luz do glamour e o sucesso de pertencimento de uma cena tão proeminente como a de São Francisco nos idos dos anos 1960. Falo do MOUNT RUSHMORE.

O blues rock pesado é a espinha dorsal de sua sonoridade, claro, que a atmosfera psicodélica teria de ser inerente, afinal, inserida em um contexto sonoro tão forte e latente como esse, torna-se inevitável, mas o hard rock, ainda um tubo de ensaio no rock, estava definitivamente delineado, desenhado e vivo em sua sonoridade. Um som cru, direto, sem firulas, se via, ou melhor, ouvia no som do Mount Rushmore.

Mas acalmem-se, estimados leitores, não falemos ainda de sua música e de seu debut, de 1968, centro do texto de hoje, chamado “High On’, mas tentarei contar um pouco dos primórdios da banda que talvez possa corroborar ou ainda incrementar o status de banda cult e, diria, sem medo, revolucionária que estava totalmente dissociada de seu tempo. Dizem por aí que o tempo é relativo, o que dizer da música daquela época, capitaneada por bandas esquecidas e obscuras como o Mount Rushmore?

A banda se formou no final de 1966, na 1915 Oak Street, uma grande pensão vitoriana no distrito de Haight-Ashbury. Em junho e julho de 1967, eles apareceram em cartazes de shows, no Avalon Ballroom, com outras, incluindo o Quicksilver Messenger Service e Big Brother and The Holding Company. Não precisa dizer que a banda ganhou certa atenção devido a sua sonoridade sendo potencializada em performances ao vivo. Assim ganhou certa reputação ou no mínimo atenção entre os ouvintes e conhecida, naquela época, como uma banda ao vivo.

E no período entre a sua fundação e a gravação do seu debut, em 1968, a banda teve muita movimentação em sua formação, até se constituir nos seguintes músicos que gravariam “High On”: Mike Bolan (“Bull”) nas guitarras, Glenn Smith “Smitty” nos vocais e guitarras, Travis Fullerton na bateria e percussão e Tery Kimball no baixo.

Esse certo destaque na cena local graças ao seu som um tanto quanto deslocado que se fazia na segunda metade dos anos 1960, lhe rendeu um contrato com a Dot Records, de onde saiu o já mencionado debut, “High On”, de 1968. E esse som garageiro, tão evidente na sonoridade blues eletrificado deste álbum, traz a sensação de que o seu acabamento está mais adequado para uma demo do que para um álbum convencionalmente finalizado.

Porém, como não estou muito preocupado com sonoridades convencionais e ortodoxas, muito me fascina, ou pelo menos tem me fascinado nos últimos anos, e sim, me pautará pelos próximos mil anos (risos)! Mas creio que essa deliciosa sensação se explique pelo fato da sua produção, afinal, uma banda pouco conhecida, com uma sonoridade pouco, digamos, arrojada, não se espera que tenha um financiamento alto para a produção de seu álbum. Essa produção dá o charme ao som do Mount Rushmore, definitivamente harmoniza e catapulta o seu som metálico, com habilidades mais simples, diretas e orgânicas, com riffs de guitarras carregados e pesados, com uma “cozinha” igualmente pesada e cheia de groove.

O álbum é inaugurado pela faixa “Stone Free”, clássico do Jimi Hendrix, que aqui soa mais animada, mais comercial, diria, com uma pegada mais hard e menos bluesy, mas, ainda assim, se percebe que a banda estava estabelecendo o território que queria explorar, sonoramente falando, haja vista que Hendrix, com suas músicas, também ajudou a pavimentar o blues rock pesado nos Estados Unidos e no mundo! Sim foi ousado pela parte do Mount Rushmore, mas mostrou personalidade ao “descaracterizar”, o clássico de Hendrix. Os riffs pegajosos e pesados de guitarra ornamentam o conceito fundido de hard rock, a bateria pesada e marcada, o baixo dançante e galopante. O vocal alto, por vezes é gritado. É inegável perceber que é uma versão solar e extremamente dançante.

"Stone Free"

Segue com “Without No Smog” que já traz, sem sua sonoridade, a pegada blues rock mais vívida. A guitarra “chora” em solos curtos, a seção rítmica acompanha, dando um tempero mais hard rock, à faixa. O vocal segue os dedilhados da guitarra e se revela mais melódico e dramático. Na metade da música a lisergia devolve a banda ao seu tempo, a guitarra, ácida, destila peso indulgentemente. Experimentalismo mostra uma banda mais sombria na segunda metade da música.

"Without No Smog"

“Ocean” continua na mesma pegada que a faixa anterior, mas aqui o hard rock puro e genuíno se mostra mais vivo, com requintes de detalhes no vocal rasgado, nos riffs sujos de guitarra e na bateria com batida forte e pesada. E tudo fica mais perigoso e dançante com a percussão, algo tribal invade o rock n’ roll direto da música.

"Ocean"

“I Don’t Believe in Statues” tem uma pegada mais beat, psicodélica, mas com o sabor do peso, com riffs de guitarra carregados e gordurosos, é aquela aspereza típica do álbum, sem nenhum refinamento, ainda bem. Aqui torna-se mais perceptível uma camada, embora sútil, mas bem significativo, do teclado, do órgão, dando-lhe um direcionamento para o psicodélico, para a acidez e lisergia.

"I Don't Believe in Statues"

“Looking Back” chega, no auge dos seus quase dez minutos de duração como uma louca e deliciosa epopeia calcada em um colapso de jam bruta, áspera, pautada na lisergia de riffs encarnados de guitarra, com uma bateria mais cadenciada e um baixo que, apesar do caos sonoro desorientado, se mostra fiel a batida da percussão. Momentos de experimentalismo e viagem sonora são percebidas dentro desse contexto, tornando tudo ainda mais caótico e estranho. Uma batida surge mais dançante que, loucamente, me remeteu a uma bossa nova, se não estou insano em perceber isso! Mas a música é insana e pouco rotulável ou nada estereotipada. Uma música espetacular!

"Looking Back"

“('Cause) She's So Good to Me” vem animada, com alguma velocidade, onde ouso dizer que me remete a um heavy metal, antes do heavy metal. Bateria arrogantemente pesada, os pratos parecem que vão explodir, os riffs de guitarra continuam a ser sujos, quase indecentes aos ouvidos e bom senso pretencioso dos ortodoxos do rock. Os gritos vocais abraçam ou corroboram o peso da música e anarquicamente encaram o status quo com desdém e arrogância. Espetacular!

"('Cause) She's So Good to Me"

A derradeira faixa é um “medley” das faixas “Fanny Mae” e “Dope Song” e tudo indica ter sido captada em uma dessas pequenas e fedorentas casas de shows, mas a vibração de um pequeno público pode ter sido colocada mecanicamente em estúdio, enfim...O fato é que nessas faixas o que impera é o blues rock. A essência da banda saí pelos poros dessa música. Peso cadenciado, animado, solar se faz presente em cada riff e melodia. Aqui o som me parece ser mais polido, a banda se “esforça” para ser mais técnica e prudente. Ainda assim são faixas especiais e que fecham brilhantemente esse belíssimo álbum.

"Fanny Mae / Dope Song"

Há breves notas do encarte do álbum “High On” que diz que a banda se autoproclama os “rapazes do interior” que adoram levar seu caminhão cinza e funky para a estrada, se encarando como “caipiras”, cheios de confiança e arrogância, mas com apenas habilidades mais simples. E não me parece nem um pouco arrogante essa percepção, muito pelo contrário. Assim é “High On”, assim é o Mount Rushmore. Perigoso, pesado, diferente em sua sonoridade em um universo do beat e do “flower power”.

"Mount Rushmore '69 (1969)

E essa linhagem sonora traria um custo muito adverso para o Mount Rushmore. Após o lançamento de “Mount Rushmore 69”, a banda não teve a adesão comercial de muito dos seus contemporâneos e, no mesmo ano de lançamento, do segundo álbum, 1969, a banda sucumbe e finaliza as suas atividades. É o preço que se paga por serem aventureiros, os “rapazes do interior, no ápice de sua ingênua arrogância, onde se renderam à criatividade.

Não consegui apurar, com devida precisão, se “High On” teve outros relançamentos. O que se sabe é que há um relançamento importante, talvez no formato CD, dos dois álbuns juntos pelo selo Lizard Records em tiragem bem limitada.

Pouco se sabe sobre o paradeiro dos músicos, o que lamentavelmente se torna mais do que normal, levando em consideração o que produziram com seus dois únicos álbuns, apenas se soube do “paradeiro” do baterista Travis Fullerton que alcançou um reativo sucesso posteriormente como membro do Sylvester And The Hot Band.




A banda:

Mike Bolan (“Bull”) nas guitarras

Glenn Smith “Smitty” nos vocais e guitarras

Travis Fullerton na bateria e percussão

Tery Kimball no baixo

 

Faixas:

1 - Stone Free

2 - Without No Smog

3 - Ocean

4 - I Don’t Believe In Statues

5 - Looking Back

6 - (‘Cause) - She’s So Good To Me

7 - Medley: Fanny Mae / Dope Song 




"High On" (1968)


























sábado, 17 de janeiro de 2026

Charge - Charge (1973)

 

Alguns tesouros demoram a se revelar. As pérolas ficam escondidas sempre disponíveis para garimpo e este reles e humilde blog está aqui para fazer esse árduo, porém prazeroso trabalho, de descobrir as pepitas de ouro do rock n’ roll. E a Inglaterra, como um dos gigantes produtores de rock e, mais especificamente da música pesada, traz bandas em profusão, das mais famosas e, claro, as obscuras.

E de lá surgiu um power trio extremamente raro e underground chamado CHARGE que gravou uma demo, com apenas, pasmem, 99 cópias no início de 1973, porém não culminou em fama, fortuna e todo tipo de excesso típico das estrelas de rock. O álbum foi ignorado por várias gravadoras para quem as cópias foram enviadas. Reza a lenda que teve, não 99 cópias, mas apenas uma cópia! Isso mesmo que você, meu bom amigo leitor, leu! O que reforça, ainda mais, o conceito de raridade desta banda e seu único rebento sonoro.

Mas antes de entrar nos pormenores do álbum e suas faixas, convém falar um pouco da história da banda, que também não traz tanta informação por razões óbvias. O Charge evoluiu a partir do “Baby Bertha, uma banda de hard rock psicodélico, formada pelos idos de 1971 por membros de outra banda da Costa Sul chamada “Relative” que surgiu para o mundo em 1969 fundada por Dave Ellis. Em 1972 o Baby Bertha era formado pelo vocalista e guitarrista Dave Ellis, o guitarrista Roger “Proff” Perry, o baixista Ian McLaughlin e o baterista Des Law.

O Relative, como um nome inspirado em “Family” (que havia sido disfarçado de Relative no notório romance groupie de Jenny Fabian, foi concebido quando Ellis retornou do exterior, onde havia servido para o exército britânico, sendo membro ativo do mesmo e isso explica e muito a sonoridade, tanto do Relative quanto do Baby Bertha e futuramente do Charge, com faixas conceituais sobre guerras entre outros eventos e comportamentos ligados ao belicismo. Eram tempos de guerra e de agitação social muito grande.

A banda foi produto do “boom” do blues rock britânico, mesclado a uma lisergia pesada e ácida, trazendo o embrião do que viria a se convencionar de hard rock, mas também com pitadas do também embrionário rock progressivo com suas temáticas conceituais, sobretudo. As mudanças de formação, tanto no Relative quanto no Baby Bertha, foram constantes tendo na figura de Ellis, a criatividade sonora dessas bandas. Isso mudou quando chegou Ian MaLaughlin, onde os dois criaram relação pessoal e musical muito azeitada e perdurando uma amizade até os dias de hoje.

Creio firmemente, nobres leitores, que o Baby Bertha é o pai do Charge não apenas pelo fato de trazer grande parte dos seus músicos, mas também pelo aspecto sonoro da coisa. As músicas gravadas, lá no SRT Studios, sediada em Luton, para o único álbum da primeira banda, flerta e muito com os anseios da cena blues rock da Inglaterra, tão vívida e latente por bandas do naipe do Cream e Jimi Hendrix. Da versão dura e pesada de “Looking for Somebody”, do Fleetwood Mac, acompanhada por uma versão mais solar de “Blueberry Hill”, do Fats Domino, percebe-se, nas faixas compostas por Ellis, uma orientação do Baby Bertha para o blues pesado, corroborando a mesma condição para o Charge.

Baby Bertha - "Just the Beginning" (1972)

E agora o álbum! “Charge” é um álbum de hard rock com pitadas generosas de blues rock e garage prog muito bem executados, com reminiscências de psych rock com guitarras lisérgicas e um tempero experimental. A banda, com seu único álbum, não se rotula e revela uma versatilidade mostrando-se aberta às sonoridades que estavam em voga na primeira metade dos anos 1970.

É uma sonoridade tipicamente underground, porque não assume estereótipos, é cru, é latente, um som vivo é singular, seja em seus feitos ou em suas deficiências de produção e tudo mais. É um álbum artesanalmente concebido, sem arestas, é como ele é: autêntico!

O álbum é inaugurado com a faixa “Glory Boy From Whipsnade”, abreviada, em algumas reedições não autorizadas, que traz uma encapsulação perfeita do som da banda: um turbilhão de hard rock com riffs pesados de guitarra, ao estilo Hendrix, com aquela pitada generosa de blues rock ácido. Aqui é lisergia pura! Mas ainda é perceptível algo sombrio nessa música que a torna arrastada e por vezes introspectivas. Os solos de guitarra não ficam atrás, corroborando a psicodelia ainda viva e latente, mesmo que tenha sido concebida em 1973.

"Glory Boy From Wipsnade"

E falando em sombrio, espere até ouvir a próxima faixa: “To My Friends”. Um vocal grave, soturno e melancólico introduz a faixa com certa austeridade e dramaticidade. Um dedilhado de guitarra, que continua lisérgica, mas dá sustentação a esse tom sombrio e ameaçador, que, por vezes, me remete a algo contemplativo. O destaque fica também para baixo que, embora discreto, traz algo denso e a tão perceptível atmosfera sombria, com a bateria cadenciada. Aqui a “cozinha” se faz presente e com talento.

"To my Friends"

"Rock My Soul" começa com um balanço, uma pegada soul graças a guitarra, mas com uma marca ao estilo “beat”, algo dançante que gradativamente vem assumindo um tom mais pesado, com a guitarra assumindo uma levada mais psicodélica, os riffs lisérgicos vão ficando mais estridentes e pesados. Aqui a seção rítmica é mais pesada, o baixo é espetacularmente galopante remetendo ao heavy metal dos anos 1980. A bateria é pesada, marcada, intensa.

"Rock my Soul"

E fecha com a impressionante e incrível “Child of Nations” que traz um vocal mais rouco, mais dramático de Ellis, com um dedilhado ao fundo de guitarra contemplativo e que nos entrega solos curtos e viajantes. Aqui é o rock progressivo que se mostra relevante! A música vai ganhando, gradativamente, corpo, o vocal, antes abafado, vai ganhando alcance, os solos de guitarra, entre a lisergia e o contemplativo, mostra o salutar duelo entre o prog rock e o rock psicodélico. E como todo bom prog rock tem as mudanças rítmicas e se mostra, em uma segunda etapa (a música é fragmentada em subfaixas como: “Soldiers”, “Battles” e “Child Of Nations”) mais pesada e experimental, lembrando, inclusive um krautrock alemão: pesado e cheio de ruídos. Depois irrompe em um típico hard rock. Uma faixa que agrada a todos os gostos, extremamente complexa e versátil.

"Child of Nations"

As 99 cópias que foram feitas do álbum foram distribuídas entre os familiares dos músicos da banda, amigos próximos e as cópias que restaram foram entregues às gravadoras que, lamentavelmente, não demonstraram interesse em distribuir e consequentemente divulgar o som do Charge mundo afora. É o preço que se paga por fazer música arrojada e que não se “encaixa” a nenhuma tendência de mercado.

A tentativa vã de um contrato de gravação, segundo a banda, pode ter sido também por conta da forma breve de seu álbum, com cerca apenas de trinta minutos de duração e também por terem sido fabricados sem nenhuma capa externa, aquele formato extremamente artesanal onde a banda não tinha nenhum recurso financeiro. Foi pensado, para enriquecer o LP regravar algumas músicas do Baby Bertha, a banda que encarnou no Charge, mas, no fim das contas, os caras não optaram por isso.

Mas apesar das dificuldades de se conseguir um contrato com gravadoras o Charge construiu, com algum êxito, uma boa reputação com as suas apresentações ao vivo e abocanhou uns bons fãs com shows bombásticos na Costa Sul nos dois ou três anos em que continuaram ativos, até serem atingidos por uma tragédia.

Em meados de 1975, o baterista Pete Gibbons, ainda com apenas 25 anos de idade à época, sofrei um terrível ataque fatal de asma, morrendo precocemente. Dave e Ian, seus amigos de banda, arrasados, sequer poderiam considerar continuar a banda sem ele e, diante da morte de Pete e da frustração de não ter conseguido um contrato de gravação para divulgar a sua grande música, decidiram pôr fim a trajetória, também de forma precoce, do Charge.

Apesar do álbum demo que gravaram na juventude, lá em 1973, já estar à venda em vinil e CD, com as reedições, os membros sobreviventes do Charge, Ian MacLaughlin e Dave Ellis, permaneceram, pasmem, completamente alheios a tudo isso. Até que, um dia, no ano de 2010, Ian decidiu, por impulso, visitar uma dessas feiras de discos pela primeira vez.

E folheando distraidamente os estandes de vinil, ele ficou surpreso ao encontrar um álbum de uma banda que compartilhava o mesmo nome de sua antiga banda. Aquilo o deixou no mínimo intrigado, não é para menos. Ele ficou ainda mais surpreso ao virar a capa e descobrir, pelos títulos das músicas, que na realidade era o álbum que ele, Dave e Pete haviam gravado lá no estúdio em Luton quase quarenta anos atrás. E mesmo isso não se comparou à surpresa que tece quando, ao contar ao dono da banca que era membro da banda que o gravou, descobrindo que custaria £15 para comprar uma prensagem pirata do próprio álbum! Uma loucura!

Mas parece que tudo acontece por um motivo, dizem que é destino, algo está escrito para acontecer, não sei dizer sobre essas questões sobrenaturais, mas o fato é que, creio eu, que essa história precisou ser contada ou melhor ter acontecido para que, mais de quarenta anos depois do lançamento do álbum único do Charge, em 1973, ter sido relançado agora de forma oficial e como bônus foi incluída as músicas que compuseram na época do Baby Bertha. Um genuíno presente para os alucinados pela música obscura e esquecida nos porões empoeirados do bom e famigerado rock n’ roll.


Dave e Ian seguiram suas trajetórias na música em várias outras bandas, mas deixaram a história do Charge por aí que, do extremo anonimato de sua curta carreira, no início dos anos 1970, ganhou luz quando Ian descobriu que estavam comercializando seus álbuns de forma não autorizada. Que bom que aconteceu, não importa a forma, para que todos nós pudéssemos ter acesso a essa pérola bruta devidamente lapidada para deleitar nossos ouvidos e corações de uma música real, criativa e atemporal. Afinal, música tão boa realmente merece alcançar o maior número possível de pessoas.


A banda:

Dave Ellis na guitarra e vocal

Ian MacLaughin no baixo e vocal

Pete Gibbons na bateria

 

Faixas:

1 - Glory Boy From Whipsnade

2 - To My Friends

3 - Rock My Soul

4 - Child of Nations

           a. Soldiers

           b. Battles

           c. Child Of Nations



"Charge" (1973)























quinta-feira, 21 de março de 2024

Andrew - Woops (1973)

 

A existência deste blog não efetiva meramente conteúdos de bandas obscuras e raras que caíram no mais puro ostracismo, não é apenas para seguir questões temáticas, mas para contar, primordialmente, histórias.

Histórias que, embora tragam especificidades comuns às bandas e álbuns, mas que contam momentos em comum que são, no mínimo, pitorescos: o fracasso. Ao amigo leitor que lê deve achar que eu estou um tanto quanto louco para achar interessante o fracasso.

A questão é trazer o submundo da música, que pode trazer algo de genuíno à essas bandas, algo de verdade em sua sonoridade, pois não se curvaram aos ditames comerciais, carregados de modismos que sempre perecem, cedo ou tarde.

Não há glamour sempre, não há referências de sucesso sempre, não há cases de sucesso sempre, mas o fracasso comercial que entregam histórias fabulosas, de persistência que denota pura e simplesmente o amor à música que faz, logo a crença nela.

E isso nos revela sonoridades que deveriam revolucionar, que deveriam deixar uma história indelével para o rock n’ roll e servir de referência para tantas outras bandas novas, tantos outros músicos jovens que queiram subverter o mercado e suas músicas pasteurizadas.

A missão deste humilde e reles blog que você, estimado leitor, lê é trazer o alternativo, é trazer algo arrojado, que suscite em todos o exercício do exorcismo à temível zona de conforto que parece teimar em pairar, como nuvens negras, nas nossas cabeças. Afinal o rock traz a capacidade de subverter, em todos os aspectos da vida!

E recentemente, graças às minhas incessantes aventuras desbravando a grande rede, descobri uma banda que personifica, de forma evidente e clara, tais características por mim mencionadas até agora, bem como o cerne deste blog e que, além de ser extremamente rara, apresenta um país que não tem tradição para o rock n’ roll, a Islândia.

E o que me levou a essa banda foi uma relação com outra, de mesmo país, que já conhecia a algum tempo e de que sou imensamente fã pela sua relevância sonora, que é o Icecross que, inclusive fiz um texto e que pode ser lido aqui.

O nome da banda em questão é o ANDREW surgida na fria Islândia. Um nome louco e atípico para uma banda extremamente rara até mesmo em seu país de origem e que, corroborando essa máxima, pouco se tem de informações sobre o seu passado.

Não se tem informações, para variar, do início da banda, de quando foi formada, mas tudo indica, se me permitem a “licença poética”, se tratar de um projeto de estúdio, sem maiores pretensões, tanto que lançaram apenas um álbum, de nome “Woops”, em 1973, que foi gravado no “Incognito” e remixado no Morgan & Soundtek Studios e lançado pelo selo Najö Productions, com uma tiragem privada e limitada, em torno de 500 a 600 cópias. Atualmente não se sabe se há álbuns originais disponíveis no mercado, mas os que tem e querem vender estão oferecendo, reza a lenda, em uma bagatela de US$ 600! Pasmem!

E a relação do Andrew com o Icecross de que me referi e que propiciou para que eu conhecesse o Andrew se deu porque dois integrantes do Icecross estiveram envolvidos na banda, são eles: Omar Oskarsson, baixista e vocalista e Asgeir Oskarsson, baterista e vocalista.

Mas não se enganem que em “Woops” encontrará as mesmas características sonoras do álbum homônimo do Icecross, que é predominantemente o peso do hard rock. O que podemos encontrar no único rebento do Andrew é uma miscelânea de sons, o que, lamentavelmente justifica o desdém do público e da crítica “especializada”, que certamente não entenderam a proposta que é exatamente não ter uma proposta.

Omar Oskarsson

Acalmem-se, estimados leitores, que eu me explicarei: não há proposta definida, não há estilo determinado, mas um flerte evidente à várias vertentes do rock que estavam em evidência, variando entre hard psych, pela sofisticação do rock progressivo, pela viagem lisérgica do space rock, do funky, variando entre baladas acústicas, guitarras estranhas e divagações psicodélicas instrumentais, com jams instrumentais. Tudo em uma abordagem enigmática e underground.

Não há nada de excepcional ou vanguardista, o Andrew colocou em sua sonoridade o que se ouvia no rock n’ roll em meados dos anos 1970, mas o que faz de seu único álbum especial é exatamente o flerte com tudo o que se ouvia à época, sem soar deslocado.

“Woops” é sólido, é intenso, é um álbum vívido e solar e mostra uma banda totalmente azeitada, embora traga, pelo que parecia, apenas um projeto de estúdio. Esse é o charme deste trabalho, porque é estranho, diversificado e que não se prende a estereótipos.

E já que falamos da banda, vamos elenca-los! Além dos ex-integrantes do Icecross, Omar Oskarsson, no baixo, Asgeir Oskarsson, na bateria, que tocou também no Pelican, apresenta ainda o tecladista Björgvin Gíslason, que tocou nas bandas Náttúra e Pelican, o guitarrista Julius Agnarsson, que também era responsável pela execução do moog, o vocalista Andri Clausen, o pianista e violinista Egill Ólafsson, que tocou nas bandas Thursaflokkurinn e Spilverk Þjóðanna.

“Woops”, que é cantado todo em inglês, é introduzido com a faixa “Rockin and Rollin” que explode em um hard rock potente e cheio de riffs de guitarra e solos desconcertantes e vocais de grande alcance. Nada melhor para abertura de álbum do que um “hardão” tipicamente setentista.

"Rockin and Rolling"

Segue com a faixa “Himalaya”, que muda consideravelmente o andamento, uma balada viajante com atmosfera sombria, com o teclado ditando todo a sua estrutura sonora. Solos de guitarra são igualmente viajantes e bem executados, apesar de simples.

"Himalaya"

“I Love You (Yes I do)” segue na linha mais balada, algo mais radiofônico que me remete aos beats dos anos 1960, com solos lindos de guitarra, límpidas, solares. Um exemplo típico de uma música um tanto quanto pop, mas bem executada.

"I Love You (Yes I do)"

A sequência traz a faixa “Look” que retoma ao hard rock com uma introdução típica com riffs pesados de guitarra, bem pegajosos, vocais despojados, solos diretos e bem cru. A famosa música de “festa”, bem animada e solar. Mas ainda me traz algo de lisérgico, de psych.

"Look"

“Dawning” inicia progressiva, o destaque do moog traz a sensação de viagem, de contemplação. O vocal é dramático e melódico, e entrega uma atmosfera lisérgica, que suscita a uma introspecção.

"Dawning"

“Sweetest Girl” rememora os anos 1960 e que remete a coisas do Animals ou coisa parecida. É dançante, a guitarra te lembra algo meio funky. O sax corrobora tal momento da música. Impossível não ficar parado com essa faixa.

"Sweetest Girl"

Segue com “Heathens” que retoma a “ala” mais pesada do álbum. Os riffs de guitarra são pesados, indulgentes, agressivos que faz jus a um heavy metal de vanguarda. Vocal rasgadão, de bom alcance. A “cozinha” rítmica se mostra entrosada, baixo pulsante, bateria marcada. Excelente!

"Heathens"

“Ballad of Herby Jenkins” é meio engraçada, algo de sarcástico se ouve na música e a brincadeira é para estereotipar a música sessentista. Piano alegre, vocal debochado.

"Ballad of Herby Jenkins"

“Purple Personality” é lisérgica, guitarras distorcidas e estranhas, meio aleatório, um típico som de rock psicodélico, mas com peso, sobretudo nos riffs de guitarra. Uma faixa que personifica o álbum: que flerta com algumas vertentes do rock.

"Purple Personality"

E finalmente fecha o álbum com “Age” talvez a mais progressiva de todas as faixas, mas que introduz com sons espaciais, um space rock curto e grosso, mas evidente e que vai e vem de uma forma mais discreta ao longo da música. Teclados ao estilo The Doors são percebidos e entrega uma vibe mais psicodélica e dançante. Solos traz uma textura mais complexa e corrobora o quão é prog rock essa faixa.

"Age"

Esquecido, obscuro, raro...Palavras que, no show bussiness da música podem sintetizar o fracasso, para muitos abnegados e apreciadores da música underground, isso pode ser o suprassumo do que há de melhor no rock n’ roll. O fracasso comercial não inviabiliza a qualidade do que está contido em um determinado álbum. O Andrew sintetiza fielmente tudo isso e nos revela um caminho oposto ao glamour e o equívoco de sempre o que faz sucesso ter a melhor música.

O Andrew e seu álbum único, “Woops”, corrobora a necessidade premente e urgente de que há e muito a se desbravar nessa selva intocável que é o rock n’ roll. Permitir-se desbravar significa render-se às músicas empoeiradas que, por um infortúnio comercial, caiu no ostracismo. Pérola mais do que recomendada!


A banda:

Asgeir Oskarsson na bateria

Julius Agnarsson na guitarra e moog

Omar Oskarsson no baixo

Andri Clausen nos vocais

Egil Olaffson no piano e vocais

Bjornvin Gislason no moog

 

Faixas:

1 - Rockin and Rollin

2 - Himalaya

3 - I Love You (Yes I Do)

4 - Look

5 - Dawning

6 - Sweetest Girl

7 - Heathens

8 - Ballad of Herby Jenkins

9 - Purple Personality

10 - Age



"Woops" (1973)