sábado, 23 de maio de 2026

Shylock - Giarlorgues (1976/1977)

 

A década de 1970 foi prolífica para o rock francês, sobretudo para a cena progressiva. Pode parecer óbvio e, de fato, é, haja vista que o rock progressivo em toda a Europa, teve um terreno fértil. Mas voltando à França, foi a época da explosão, de um dia para outro, muitos álbuns soberbos foram lançados, seja por grandes e famosas bandas ou pelas bandas obscuras, que trafegavam pelo underground.

E a moda estava focada nas composições complexas, trabalhos conceituais, trazendo como referência bandas como King Crimson, Gentle Giant, Van Der Graaf Generator e não aqueles ritmos binários tradicionais do rock inglês ou norte-americano, por exemplo. Não era música para intelectuais, era uma música mais reflexiva, mais contemplativa, mais complexa, mas, ainda assim, acessível.

E eu preciso falar de uma banda que, apesar de não ter gozado de sucesso comercial, foi muito importante para a cena progressiva francesa, apesar também de não ter tido uma trajetória longeva e uma discografia vasta. Falo do SHYLOCK.

A história do Shylock começou no final de junho de 1974, quando dois músicos da região de Nice, então com apenas dezoito anos, Didier Lustig e André Fisichella, decidiram deixar a banda local “Fusion”. Tal banda tocava covers dos consagrados Deep Purple e Uriah Heep. Eles achavam que era a hora e o momento de criar a sua própria música, fazer música autoral e mais: desbravar a música progressiva!

Lustig teve aulas de piano desde os oito anos de idade e no Fusion tocava órgão elétrico, que rapidamente dominou aos dezesseis anos. Fisichella aprendeu a tocar mais tarde, somente aos quatorze anos de idade. Quando entrou no Fusion sua experiência como músico era de apenas dois anos!

Eles começaram a procurar outros músicos para materializarem seu projeto de fazer música progressiva. Foi quando notaram um anúncio em uma loja de instrumentos musicais de um jovem guitarrista que procurava outros músicos para montar também uma banda de rock progressivo. Esse guitarrista era Fredéric L’Epee.

Fredéric, um músico autodidata, tocava em outra banda local chamada Highway Park que também se dedicava a tocar músicas de bandas covers inglesas e esses três jovens músicos se conheceram, finalmente, em 1º de julho de 1974 e se deram bem imediatamente, afinal tinham as mesmas aspirações, de tocar um rock n’ roll incomum e ambicioso. E não faltava, aos jovens, energia e inspiração para isso.

E foi assim que surgiu o Shylock, exatamente um dia depois desses três caras se conhecerem na casa de Fredéric, em 2 de junho de 1974. Fredéric também tinha um sintetizador Elka, no qual ele mesmo ensaiava, mas ao ouvir como Didier tocava, imediatamente confiou o instrumento a ele.

Cabe aqui uma curiosidade: “Shylock” é um personagem fictício da peça de William Shakespeare, “O Mercador de Veneza” (1600). Um judeu veneziano, Shylock é o principal antagonista da peça. Sua derrota e conversão ao cristianismo são o ápice da história. E essa história migraria do palco teatral para o campo do rock progressivo da França dando nome a uma banda que nascia.

No dia 4 de julho, eles saem de férias de verão para a pequena vila de St. Dalmas-Le-Selvajs, onde Didier passou a sua infância, para ensaiar e já desenvolver seu repertório. Eles convenceram o prefeito a deixá-los ensaiar na igreja local pelos próximos dois meses, período que duraria as suas férias. Assim a igreja foi o primeiro ponto de ensaio do Shylock em sua história.

A igreja

Assim, em um cantinho do paraíso nos Alpes, longe de todas as vaidades mundanas, os jovens músicos começaram a criar a sua própria música. A combinação de improvisações constantes, natureza exuberante e isolamento completo resultou em uma verdadeira fonte de ideias e criatividade ilimitada. As suas principais músicas surgiram de longas e frutíferas improvisações, não havia objetivos estilísticos específicos. Todos propuseram ideias para os amigos, todos trabalharam juntos, mudaram algo, adicionaram, removeram, até que a composição assumisse a forma que todos gostariam.

No fim, a banda tinha várias composições, que os próprios caras distinguiam apenas pelos números. O fato é que os músicos tocavam música instrumental, e desde as primeiras apresentações as chamavam de “Primeira”, “Segunda”, “Terceira”, entre si. Ao mesmo tempo, uma composição podia fluir suavemente para outra e poucas pessoas conseguiam separá-las com precisão.

Quando o verão acabou e os jovens retornaram para Nice, onde todos estudavam na universidade, começaram a procurar o quarto músico para a banda, um baixista. Procuraram por muito tempo, mas sem sucesso. Então decidiram que o formato de um trio tinha seu próprio estilo e entusiasmo. E assim ficou a formação do Shylock: Frédéric L'Épée na guitarra e baixo, Didier Lustig nos teclados, piano e sintetizadores e André Fisichella na bateria e percussão.

Shylock

Na mesma época a banda foi contatada pelo ex-empresário do Fusion, Christian Guttennoir, que lhes ofereceu a chance de se tornar se empresário. Ele tinha experiência e parte da banda já conhecia o trabalho dele e confiavam em Christian. Então a resposta deles era óbvia.

A terceira visita à vila ocorreu durante as férias da Páscoa, quando as composições “Quinta” e “Sexta” foram criadas. Enquanto isso Crristian já havia planejado, negociado os primeiros shows do Shyock e que aconteceriam no mesmo clube da cidade. A primeira aparição, a primeira apresentação oficial aconteceu em 7 de abril de 1975, diante de uma plateia de 300 pessoas na Maison des Jeunes de Magnan, em Nice. 

Em junho daquele mesmo ano seria na Faculdade de Letras, nos arredores de Nice e Cannes. O feedback do público foi positivo e até mesmo entusiasmado, mesmo com o lado complexo e as longas improvisações das músicas. Os soundchecks pré-show são feitos por amigos da banda. Os músicos até tinham alguma grana para custear seu próprio show de luzes, embora eles próprios preferissem se concentrar na performance.

O álbum também foi mixado várias vezes, até que a versão final deste foi editada em Lyon. Tudo terminou simplesmente com o fato de que as pessoas responsáveis pela mixagem decidiram não convidar os músicos, assim haveria menos disputas. De todo o longo repertório, apenas as composições “Quarta”, “Quinta” e “Sexta” foram preservadas, descartando as três primeiras, que foram consideradas “ingênuas” demais. E o “Quarto” ficou principalmente porque Didier fez maravilhas com o sintetizador Elka, emulando os sons do cravo e dos violinos logo no início da composição.

No entanto, os próprios músicos não gostaram do que ouviram. Eles sentiram que o espírito e o som da banda não foram transmitidos de forma convincente. Músicos perfeccionistas eram eles! Mas decidiram conviver com isso e seguir! O álbum foi chamado de “Gialorgues” e é dele que falaremos nesse texto. O nome foi em homenagem à montanha cujo pico era visível pelas janelas da igreja em St. Dalmas-Les-Selvajs, onde toda a música aparecia. E na capa colocaram a imagem da igreja onde compuseram as músicas que o amigo da banda, Jean Charles Cohen, havia desenhado para eles.

Após a gravação a banda começou a procurar uma gravadora para lançar o álbum. Enquanto isso eles autoproduziram e imprimiram 1.500 cópias. Assim o lançamento foi inteiramente independente, feito pela própria banda, em 1976. O Shylock ofereceu parte dessas cópias para as lojas na Costa e para rádios locais. A recepção foi boa e a imprensa especializada do Sul dedicou alguns artigos e matérias a eles. O álbum também foi enviado para as revistas especializadas em rock n’ rollBest, Extra, Rock & Folk”. O Shylock apareceria na TV, em Monte Carlo.

Christian, o empresário, que havia se ausentado por conta do serviço militar, em 1976, retorna e vai à Paris apresentar o álbum para os grandes selos. A CBS decidiu lançar o álbum. A negociação com este selo, mais precisamente com o seu gerente, Eric Brücker, foi tão proveitosa que o mesmo ofereceu aos músicos um contrato para álbuns futuros. Assim a CBS relançaria “Gialorgues” no início de 1977, mantendo tanto a mixagem quanto a capa intacta. E como propaganda, lançaram um single onde colocaram alguns trechos das composições "Quarta" e "Sexta". Foram 3.000 cópias lançadas no mercado.

“Gialorgues” entrega uma música bela e complexa ao mesmo tempo, rica em melodias poderosas que se rompem para se reformar melhor, atmosférica em suas criações, encantadora, melancólica, hipnótica, repetitiva. Um progressivo sinfônico, experimental, calcado no excelente instrumental de seus músicos, mostrando uma habilidade técnica que os colocava acima da maioria dos seus contemporâneos. Um álbum soberbo, sombrio, orgânico, mas complexo, vivo, latente, intenso e dramático.

A abertura do álbum se dá com a faixa "Le Quatrième" (A “Quarta”) e faz uma viagem exuberante de música clássica, com os teclados melódicos e tilintantes que fornecem a base para a dissonância da guitarra e os exercícios técnicos da bateria, em uma levada meio jazz, em seguida. Aqui se percebem ganchos melódicos adoráveis, que me remeteu a algo leve e arejado, contrastando com a arte da capa sombria e até mesmo ameaçadora, mesmo se tratando da igreja em que a música foi concebida.

"Le Quatrième"

Na sequência tem a faixa "Le Sixième" (A “Sexta”) que, curta, é basicamente uma marcha militar de quase quatro minutos de duração. Os teclados me pareceram abafado nessa música, com uma guitarra pesada sobrevoando baixo e bateria. Para uma música curta, tem até um impacto sério à medida que a faixa acelera de andamento e, junto com as teclas atmosféricas, entra em um rock completo com solos de guitarra pesados. Exceto por um pequeno momento de “caos”, a marcha percussiva, a marcha militar, não perde o ritmo. Uma faixa enérgica, considerando que é algum tipo de intervalo.

"Le Sixième"

O apoteótico fim chega com a faixa "Le Cinquième" que se estende por quase 19 minutos e começa com uma sessão de teclado monótona e alguns movimentos percussivos. Mas, por outro lado, depende extremamente dos tons selvagens e dissonantes e traz texturas musicais que lembra o King Crimson. É uma faixa que não se poupa e revela os talentos extraordinários dos seus músicos. Nela se percebem mudanças de andamento, clímax e fundamentos melódicos de tirar o fôlego, que envolve progressivo sinfônico, experimentalismo e até mesmo o avant-prog. É técnico, complexo, porém orgânico.

"Le Cinquième"

Quando pretendem começar a gravar o segundo álbum, chega o período de serviço militar para todos os membros da banda. Os três, portanto, congelaram as atividades da banda por um tempo para, claro, cumprir com as suas obrigações para com a pátria. Quando retornaram, gravaram rapidamente o segundo trabalho, “Île de Fièvre”, em 1978. O álbum é um pouco diferente do debut, pois começa a banda a se inclinar para o jazz rock, mas mantém o ritmo minimalista durante a gravação do álbum. A banda agrega um novo baixista chamado Serge Summa.

"Ile De Fièvre" (1978)

Em 2012, André Fisichella, Frédéric L'Épée e Didier Lustig se reuniram a pedido de um festival nos Estados Unidos que infelizmente não aconteceu. Porém se apresentou, no mesmo ano, no Gouveia Art Rock Festival em Portugal e depois no Prog'Sud, no Pennes Mirabeau, perto de Marselha. Laurent James substituiria Serge Summa no baixo.

"Shylock live at Gouveia Art Rock, 2012"

Em 2014, um álbum "best of" foi gravado no Studio Arion, em Nice, foi lançado e Luca Mariotti substituiria Didier Lustig nos teclados. Tal coletânea teve as músicas escolhidas dos dois primeiros álbuns em um formato mais modernizado. E em 2016 foi lançado nova coletânea, de nome “The Sum of the Parts”, que traziam as mesmas faixas do primeiro “The Best Of” com mais duas faixas bônus, este para o mercado japonês.

Embora sejam comparados ao King Crimson há muito tempo, o Shylock é na verdade uma banda com seu próprio estilo. Claro que eles trazem uma referência muito forte da banda inglesa, mas trazer uma abordagem como a cópia do King Crimson é considerada, no mínimo, um insulto inaceitável ao Shylock. Entre 1988 e 2026, o selo Musea relançaria “Gialorgues” por quatro vezes, em 1988, 1989, 1994 e 2026.







A banda:

André Fisichella na bateria

Frédéric L'Épée – na guitarra e baixo

Didier Lustig nos teclados

 

Faixas:

1 - Le Quatrième

2 - Le Sixième

3 - Le Cinquième

 

 

 

"Giarlorgues" (1976/1977)

 

























 


sábado, 16 de maio de 2026

Laser - Vita Sul Pianeta (1973)

 

Certos temas e assuntos, com o passar do tempo, vão se tornando clichês, se estereotipam, até. Mas é preciso ser mencionado, pela urgência do tema e/ou se especializa em dizer certos assuntos ou melhor, se decide desbravar por certos temas. A razão de ser, por exemplo, deste reles e humilde bolg é falar de bandas obscuras, que trafegam ou trafegaram no underground e que, por algum motivo, que geralmente são inúmeros, dada a sua complexidade, sucumbiram.

A ideia central é trazer à tona as suas histórias, aqui neste site o fracasso compensa enaltecer. E não se enganem, nobres leitores, em associar fracasso a incapacidade musical, como, por exemplo, a trabalhos ruins ou coisas que o valham. Não! Há e muito a se aproveitar, com o digno garimpo, nas obscuridades, no underground!

E, quando me pus a refletir sobre isso, procurei buscar uma banda e um álbum que personificasse esses temas, essas questões e trazer aqui, porque, como disse, a ideia central é contar e disseminar histórias e álbuns que possa arrebatar ouvidos e corações sedentos por algo que fuja do usual, mas, sempre trazendo a qualidade como mote.

Claro que a questão da qualidade pode ser relativa, afinal, as percepções e gostos podem ser diametralmente diferentes uns dos outros. Isso não é nenhuma novidade, evidentemente. Mas acalmem-se, estimados leitores, tentarei dizer onde quero chegar dizendo com isso.

Quando eu ouvi o único álbum dessa banda pela primeira vez eu vi, ou melhor, li algumas poucas críticas acerca deste trabalho e digo que todas ou quase todas foram negativas. A rejeição foi grande, diria. Alguns atribuíram a incapacidade dos músicos, a produção aquém etc. Ouvi algumas vezes mais para tentar “achar” tais deficiências e algumas, de fato, foram notadas por mim, como a produção. Contudo, mesmo diante de alguns reveses, eu adorei esse álbum. Sim! Adorei! São percepções, são opiniões distintas e isso é salutar para a vida!

Então esse texto seria uma espécie de me posicionar contrário ao que a maioria disse a respeito dessa banda e álbum. Mas não é tão somente isso! É um texto para expor o meu apreço por este álbum e banda, afinal, neste blog irá figurar apenas o que este reles dono gostar. Sem mais delongas falarei do LASER.

As poucas referências, sobretudo da Itália, país de origem da banda, dão conta e isso me parece óbvio, é de que a mesma é considerada como obscura. Mas confesso que, ao ler isso, me encheu de alegria, pois se até em seu país é tida como obscura, merece figurar nesse blog.

Os protagonistas do Laser, um quinteto, eram nascidos entre Roma, Formello e Campagnano e eram: Riccardo Paolucci (vocais, guitarra), Valentino D'Agostino (vocais, teclados), Loris Cardinali (guitarra), Adalberto Sbardella (baixo) e Antonello Musso (bateria). O único álbum lançado pela banda foi “Vita Sul Pianeta”, de 1973.

A banda em 1973

Os primórdios do Laser, à época de sua formação, no final dos anos 1960, o nome era bem mais longo, sendo chamado de "Il Laser, di Elvezio Sbardella". Este foi, por um certo período cantor e letrista da banda. Nessa primeira formação havia um tecladista de nome Gino.

Fizeram as primeiras 45 RPM no ano de 1972, para uma pequena gravadora, de nome Mantra, que ficava em Bolonha. Os singles se chamavam "Dove Andremo" e "Lacrime di Ragazzo", sendo, claro, muito raro e feito com uma distribuição local, lançado apenas com uma capa branca genérica.

Single

No ano seguinte, 1973, após a formação ser definida, com a saída do tecladista Gino e o nome da banda abreviado para “Laser”, os cinco músicos foram contratados pelo selo Car Juke Box, de Carlo Alberto Rossi, que tinha, em seu cast, bandas icônicas como Le Orme, decidiu investir em novas bandas, em novos talentos em boa companhia com I Nuovi Corvi e o excelente músico de jazz Paolo Tomelleri. Tudo isso sob a égide tanto do Maestro Mario Bertolazzi (maestro da Rai) quanto de Renato Pareti, dos Nuovi Angeli.

"Vita Sul Pianeta" ou, em inglês, “Life on the Planet” (“Vida no Planeta”) era uma obra conceitual sobre a evolução da vida, do homem, no planeta. Uma parábola existencial do homem na Terra em forma narrada, com finais dramáticos e mensagens fortes e de grande urgência. A sonoridade da banda era principalmente a mescla do hard rock, com predominância, protagonismo dos seus guitarristas, com o rock progressivo, com interessantes mudanças de andamento.

Mas não para por aí. Neste único trabalho do Laser é perceptível o blues rock, pitadas de psych e até mesmo, muito em virtude dos primórdios do rock italiano, do beat, do pop macarrônico do país da bota. Embora traga nuances de progressivo, as faixas são curtas e em alguns momentos, mais básicas, porém viciantes e que cativa a todos os gostos que variam, claro, do hard ao prog. Acredito que o fato de ter, acerca desse álbum, certa rejeição, pelo fato de fugir um pouco do que se ouvia, à época, auge do progressivo italiano, mais voltado para o sinfônico e coisas mais complexas de bandas mais consagradas.

Mas é inegável observar que tais músicas trazem melodias cativantes, animadas, solares e muito daquele espírito do rock italiano, que absorveu o seu ápice e os seus primórdios, sem dúvida. Esse, posso dizer, sem quaisquer constrangimentos e medo, álbum do Laser traz, em sua essência sonora, a cultura underground, marginalizando-se do que se praticava na primeira metade dos anos 1970. E o interessante que até mesmo nas letras dessas músicas, dada a sua questão conceitual, também entrega elementos mais underground, diria até mais hippie.

Outro ponto de muita crítica acerca de “Vita Sul Pianeta” está nos vocais e na produção muito abaixo que, para muitos, colaborou negativamente para o resultado final deste álbum. Há uma rotação nos vocais entre três músicos: nos dois guitarristas e tecladista. De fato, as vozes podem não ser convincentes, estupendas vozes, mas compensa pelos alcances altos, em alguns momentos mais altos e gritados, o que traz algo pouco ortodoxo para a realidade dos trabalhos progressivos. Nos momentos pesados das faixas é extremamente atraente!

O álbum é inaugurado com a faixa título, “Vita Sul Pianeta” que começa com uma narração, mas logo traz uma atmosfera sombria, soturna, com os teclados psicodélicos e sinfônicos que é entrelaçado por riffs de guitarra e solos lisérgicos curtos. A bateria é marcada e pesada, baixo pulsante, o ritmo, cadenciado, tende para o hard rock e pitadas progressivas. Vocais altos e agudos entregam uma música mais pesada e me remetem, por um instante, o norte-americano Vanilla Fudgie. O final já revela aquele progressivo mais sinfônico tipicamente italiano. Música de muitos recursos!

“Non Vede La Gente” já começa cativante com uma pegada meio beat, meio psicodélica, com o hard rock dando o “tempero”. É inegável que aqui percebe-se o hard prog em sua mais fiel essência. O peso dos riffs de guitarra e as mudanças de andamento, faz da música interessante e atraente.

Non Vede La Gente

“Sconosciuto Amico” traz o vocal, praticamente à capela, apenas com um piano e teclado ao fundo, mostra a voz mais apurada, melódica e tipicamente dramática do rock italiano. Uma balada prog bem legal vai se revelando aos poucos. Uma sonoridade contemplativa e viajante que mescla o progressivo e o rock psicodélico. Backings vocals femininos me remetem a um clássico floydiano dos anos 1970. Mas quando se encaminha para o final, algo meio King Crimson se percebe com saxofone e uma pegada experimental.

“Dove Andremo” segue basicamente a mesma pegada da faixa anterior: vocal mais soturno, urgente, introspectivo e uma bateria, meio percussiva ao fundo. Mas conforme o vocal ganha alcance, a sonoridade vai ganhando mais corpo e irrompe em uma explosão de riffs e teclados enérgicos em um hard rock potente e volumoso. Mas logo retorna ao som mais sombrio do início. As mudanças de andamento, mais uma vez, se mostram evidentes, trazendo a veia progressiva que permeia todo esse trabalho.

"Dove Andremo"

“L'ultimo Canto Del Killer” introduz com a “cozinha” dando o recado: solo de bateria, baixo cheio de groove, pesado, e depois vem o peso da guitarra, de riffs mais sujos e pegajosos, entregando, de imediato, um hard rock cadenciado com o vocal gritado e rouco. Aqui se percebe também uma pegada mais bluesy, um bom blues rock com recheio progressivo, um pouco mais sutil aqui, é bem verdade. Talvez uma das mais pesadas do álbum!

"L'Ultimo Canto Del Killer

“Corri Uomo” vem trazendo o carro-chefe do álbum: o hard prog! Aqui há uma belíssima “rivalidade” entre os teclados, enérgicos, com a guitarra, em riffs pesados e solos curtos igualmente pesados. O final é de tirar o fôlego com solos de guitarra estrondosos e teclados ainda mais pesados. Pesado! “Eri Importante” já começa dançante: instrumentos de sopro animados, teclados lisérgicos, um beat solar. Vocais mais gritados e, por vezes, melódicos. A pegada pop está mais latente. O beat italiano é mais vivo nessa faixa.

E fecha com “Alla Fine Del Viaggio” já começa com o pé na porta, com uma explosão de guitarra, em um solo bem competente. O hard rock aparece aqui com veemência. A camada de teclados traz uma textura progressiva. O “duelo” entre guitarra e teclado é um espetáculo à parte e nítida sensação de um hard prog vem tocando aos ouvidos deliciosamente. Grande e derradeira faixa!

"Alla Fine Del Viaggio"

Poucas foram as cópias impressas para esse álbum, em 1973. É evidente que a produção, fruto do baixo envolvimento e investimento da gravadora para com o Laser, esteve aquém, mas não se pode atribuir a responsabilidade à banda que, mesmo contra tais adversidades, mostrou competência no que se propôs a produzir. Sim! Um som áspero, mais pesado, incomum no auge do rock progressivo italiano no início dos anos 1970 que prezava pela qualidade técnica, mas um álbum muito bom diante da sua proposta de um hard prog.

Os reveses, diante desse cenário, seriam evidentes para a trajetória do Laser. A sua trajetória foi curta, precoce e a banda, lamentavelmente, se desfez logo após o lançamento de “Vita Sul Pianeta”, em 1973. Culminou, também, com a saída do tecladista Valentino D'Agostino que foi obrigado a prestar o serviço militar. A banda se reúne, décadas depois, em 2019.

"L'Ultimo Canto Del Killer (Live, 2019)

“Vita Sul Pianeta” teve alguns relançamentos ao longo dos anos. Em 2000 o selo Akarma o relança, no formato LP. Em 2012 foi a vez do selo AMS/BTF relançar, também no formato LP. Já no formato CD o primeiro relançamento foi em 1992 pelo icônico selo Mellow. Akarma também relançou em 2000, bem como a gravadora AMS/BTF.

Capa de relançamento

Um clássico incompreendido! Um clássico obscuro marginalizado, que caiu no mais profundo ostracismo que o tempo, quem sabe, se encarregará de trazer justiça pela forma arrojada como foi concebido. Produção pobre? Inocência sonora? As percepções são variadas, mas uma coisa é fato: é único por ser simplesmente diferente.


A banda:

Riccardo Paolucci nos vocais e guitarra

Valentino D'Agostino nos vocais e teclados

Loris Cardinali na guitarra

Adalberto Sbardella no baixo

Antonello Musso na bateria

 

Faixas:

1 - Vita Sul Pianeta

2 - Não Vede La Gente

3 - Sconosciuto Amico

4 - Dove Andremo

5 - L'ultimo Canto del Killer

6 - Corri Uomo

7 - Eri Importante

8 - Alla Fine Del Viaggio 



"Vita Sul Pianeta" (1973)






 

















sábado, 9 de maio de 2026

Climax - Gusano Mecánico (1974)

 

O rock latino não goza muito de popularidade em outros continentes tidos como referência do rock n’ roll, como a Europa e a América do Norte, principalmente a terra do Tio Sam, por exemplo. E viajando por alguns países, em especial, da América Latina, o cenário, no que tange a visibilidade, fica ainda pior.

Tirando alguns países como a Argentina e o Brasil, além do México, muito citado quando lembramos dos latinos americanos, apesar de ser da América Central, os demais países sempre caem no ostracismo, sendo, claro, pouquíssimos comentados.

Embora países, como por exemplo, a Bolívia, não seja fértil para o rock n’ roll, sobretudo nas décadas de 1960 e 1970, não se enganem, estimados leitores, que não exista nada de bom nesse país e nos demais também. Querem saber o motivo de ter mencionado a Bolívia? Porque de lá surgiu a banda que eu falarei hoje: CLIMAX.

O Climax não é uma banda tão rara, até traz alguns fãs e adoradores do rock underground, talvez não pudesse até figurar em minhas linhas, mas, em se tratar de um país, como disse, tão pouco difundido para a nossa tão amada e famigerada música, vale e muito a pena falar sobre ela e lá em terras bolivianas o Climax é gigante, um verdadeiro desbravador da música pesada.

E falando em música pesada, não é tão somente pelo fator do país de origem ser pouco conhecido, vale contar a história do Climax pelo único álbum que produziu que é simplesmente sensacional. Válido principalmente para quem aprecia hard rock com nuances blueseiras. Mas acalmem-se, bons amigos leitores, não falarei agora sobre o álbum, mas de sua história e do contexto político e social a qual a banda estava inserida.

Com apenas 16 anos de idade, o baixista Javier Saldias e o guitarrista José A. Eguino formariam, em 1968, a banda “Black Birds”, que mais tarde se tornariam “The Tourtles”. Quando conheceram o prodigioso baterista Álvaro Córdova encontraram o elemento essencial necessário para dar o grande salto para um novo tipo de som e maturidade musical. Um ano depois, começaram a ouvir as novas correntes sonoras pesadas, com viés do blues, que estavam em evidência, como Cream, Steppenwolf e Jimi Hendrix.

Climax

Seria a ruptura com o beat, a psicodelia, para uma veia mais pesada e bluseira. O psicodélico “flower power” estava entediante e demasiadamente pop na transição das décadas de 1960 e 1970 e as influências mencionadas era a porta para uma sonoridade nova e mais arrojada.

A banda ficou tão envolvida nesse som poderoso que estava florescendo que decidiu ir para os Estados Unidos para conhece-lo. Quem sabe seria a chance de tingir com novidades a sonoridade da banda que haviam recentemente formado. Infelizmente na Bolívia não teria como pôr em prática tal audacioso projeto sonoro.

Eles entraram em contato com a prima de primeiro grau de Javier Saldias, que morava em Denver, no Colorado, e ela, gentilmente, ofereceu um lugar para ficarem. Assim, os três, antes de atingirem a maioridade, partiram para os Estados Unidos com a coragem de querer mudar a sua música e trilhar uma nova trajetória. Eles iriam estar dentro do movimento musical, vivendo aquilo tudo!

Denver não era o lugar ideal para respirar a cena psicodélica norte-americana, então foram para São Francisco, na Califórnia e lá puderam assistir aos shows do Jimi Hendrix Experience, The Doors e Steppenwolf e assim puderam participar, ainda como fãs, dos grandes momentos do rock na segunda metade dos anos 1960, marcado por bandas mais pesadas e viscerais. Suas visões musicais mudaram! Foi um arrebatamento sonoro!

Com essa experiência vivida adquirida nos Estados Unidos, a banda, agora com o nome de Climax, faria uma temporada na Argentina e voltaria para a Bolívia se consolidando em torno, claro, de José A. Eguino, na guitarra, teclados e vocais, Álvaro Córdova, na bateria e Javier Saldías no baixo. Os fãs ardorosos de rock n’ roll da Bolívia ficaria impressionados com a sonoridade poderosa do power trio nas suas apresentações ao vivo, onde puderam entregar a potência da guitarra, a sonoridade poderosa do baixo e a energia dinâmica da bateria como nunca antes ouvida na Bolívia.

O público reagiu muito bem, mesmo dentro de um contexto elitista foi totalmente aceito, e a fama de CLIMAX cresceu por todo o país. Já desde suas origens. Nesse sentido, o grupo tinha um estilo poderoso e muito polido, no qual cada membro soava como dois ou três músicos ao mesmo tempo, esse era o segredo do CLIMAX.

O Climax tinha tudo em suas mãos. De uma linguagem sonora muito estridente, muito mais agressiva, onde cada membro tentando impor suas habilidades musicais pessoais, perceberam que juntos eram explosivos se aprendessem os “truques” necessários para trabalharem em equipe.

E com isso logo as ofertas chegaram. A gravadora de La Paz, “Discolandia”, os contratou para a gravação de seu primeiro EP, que foi concebido em apenas três dias e lançado em 31 de março de 1969. Essa primeira obra continha versões de grupos clássicos como Steppenwolf ("Born To Be Wild"), Cream ("Sunshine Of Your Love" / "Tales Of Brave Ulyses)" e uma música tributo ao seu admirado Jimi Hendrix ("Fire").

Capa EP

Naquela época, o CLIMAX já era uma das bandas mais populares da Bolívia e seu estilo muito pessoal de interpretar os grandes do Rock os fez criar, pouco a pouco, sua própria personalidade musical. Esse primeiro EP seria seguido por um segundo, lançado em 24 de maio de 1970, que continha uma nova versão da música "Born To Be Wild", além de suas primeiras músicas originais, "The Seeker", "El Abrigo Café de Piel de Gallina" e "El Ritmo de la Vida". Com esses dois EPs a banda conseguiu ser um dos mais reconhecidos da Bolívia e recebeu ofertas de emprego por todo o país.

Naquela época, um quarto membro entrou para a banda, um fuzileiro naval dos Estados Unidos, chamado Bob Hopkins, que eventualmente ficou responsável pelos vocais e gaita, mas apenas para a gravação do segundo EP e para alguns shows ao vivo. Aqueles que ouviam a música desse trio naquela época perceberam que, em termos qualitativos, o CLIMAX estava anos-luz à frente da concorrência. Nos três anos seguintes, mais precisamente entre 1970 e 1973, os membros do Climax, se reuniram para o que seria, finalmente a gravação do seu debut, do seu primeiro álbum e, para variar, os resultados seriam simplesmente espetaculares, trabalho esse que será esmiuçado por aqui.

"Gusano Mecánico", o álbum que gravaram em 1974, se tornaria uma das primeiras obras conceituais do rock boliviano, marcando um antes e um depois na cena musical latino-americana. Ao ouvi-la, todos os críticos e fãs da Bolívia concluíram que era uma obra-prima e um esforço que até hoje não tem sido igualado em seu país. A música pulsante, majestosa e ousada da banda fala por si só. Dessa forma, o CLIMAX deu um salto gigante em sua evolução artística e musical e se estabeleceu, definitivamente, como a melhor, mais experimental e audaciosa banda do rock boliviano.

Em “Gusano Mecánico” que, em tradução livre significa “Verme Mecânico” a banda ousou explorar os terrenos complexos do rock progressivo e a fusão de elementos da música andina (bem evidente) com o rock mais inovador, mesclando a isso tudo, claro, o hard rock e a blues rock tão em voga à época. Neste álbum a banda não apenas apresentou uma evolução musical incrível, mas também como músicos. Como curiosidade, a arte da capa traz a interpretação colorida da famosa "Relativity", de M.C. Escher, que mostrava uma escadaria labiríntica com minhocas que representavam a trajetória atual da humanidade no mundo da mecanização como uma engrenagem em uma máquina maior.


Cada membro evoluiu instrumentalmente de forma incrível e isso, junto com o fato de que todos levaram o novo desafio muito a sério, os colocou em destaque. Jose A. Eguino forneceu a estrutura inicial, a parte mais clássica, porque naquela época toda a banda estudava música muito a sério, e em um estúdio de piano, um instrumento que Jose A. Eguino estudou na época, algumas melodias do novo álbum foram acopladas. Por sua vez, Javier Saldias também contribuiu com as letras das músicas.

O álbum abre com a faixa de sete minutos “Pachacuttec (Rey de Oro)”, uma composição em duas partes. Uma verdadeira demonstração de potência, começa com uma avalanche de decibéis, riffs acrobáticos e solos jazzísticos com toques de acid house, sustentados por uma batida de bateria convulsiva com influências latinas e um baixo expressivo. A princípio, tudo parece caótico, mas é perfeitamente controlado. Gradualmente, o trio então mergulha em uma sequência psicodélica e nebulosa, oferecendo um contraste marcante antes da explosão final.

"Pachacuttec (Rey de Oro)"

“Transfusión de Luz” tem o destaque da guitarra e os vocais dão um toque psicodélico inevitável, seguindo a veia inaugurada por bandas do naipe do The Who e Jimi Hendrix Experience. Aqui, Eguini faz um solo francamente memorável e o trabalho da bateria também ganha protagonismo, sendo muito cru e pesado.

"Transfusión de Luz"

“Cuerpo Electrico - Embrión de Reencarnación” é a música que encerra o primeiro lado da versão em LP e mais remete a uma estrutura mais melódica, o que, confesso, me parece um tanto quanto incomum, levando em consideração o álbum, como um todo, que traz um hard rock mais sujo, embora bem estruturado, melodicamente falando. Mas ainda assim surpreende pelo peso, pelo arrojo e pela sua importância, tendendo não apenas para o hard típico dos anos 1970, mas para um proto metal. Nada era feito assim na Bolívia!

"Cuerpo Eléctrico - Embrión de Reencarnación"

“Gusano Mecánico”, a faixa título, abre o lado B da versão em LP e pode ser, sem dúvida, a faixa mais progressiva deles, algo como um belo hard prog. As mudanças de andamento nessa música são perceptíveis e trazem lembranças de faixas progressivas pesadas como “Tarkus”, do Emerson, Lake & Palmer. O destaque fica para a bateria de Córdova. Riffs pesados de guitarra, solos “floydianos”. É um espetáculo técnico, de complexidade, mas, por outro lado, é orgânico, traz um trabalho excelente de instrumentistas de mão cheia.

"Gusano Mecánico"

“Prana – Energía Vital”, ainda traz a qualidade da bateria: pesada, seca, dura, contando com um solo que domina toda a música, sem soar enfadonho, muito pelo contrário. O que poderia ser chato e indulgente, agregou maravilhosamente, trazendo, ou melhor, corroborando a capacidade de seu baterista. É somente a cereja do bolo para exibir o típico e direto hard rock dos anos 1970. 

"Prana - Energia Vital"

“Cristales Soñadores” fecha o álbum e aqui há a adição de teclados e talvez me remete a uma pegada progressiva. Não há informações concretas acerca do músico que tocou teclado no álbum, há quem diga ter sido Nicolás Suárez, porque a banda fez turnê com ele, mas traz, repito, um agradável tempero progressivo. Traz também algo melódico, mais uma vez, como se encerrasse uma viagem. O hard rock continua ali, vivo, latente, mostrando aos ouvintes a verdadeira e genuína vocação desse brilhante álbum.

"Cristales Soñadores"

Um brilhante álbum! Toda essa magia, toda essa explosão criativa do Climax, infelizmente, foi quebrada, de forma triste e precoce. “Gusano Mecánico” marcaria o começo do fim da banda. Pouco depois os músicos se separariam. José Eguino e Álvaro Córdova decidiram deixar a Bolívia. Córdova foi para a Venezuela, onde permaneceu por longos dez anos. Em 1984 retornou à Bolívia, cumprimentou amigos e familiares e não demorou muito tempo, embarcando em nova viagem, desta vez para os Estados Unidos, onde permaneceu por mais uma década.

José Eguino, que praticamente cresceu nos Estados Unidos, estava sempre indo e voltando daquele país. O único que permaneceu na Bolívia foi Javier Saldías, que participou de um número ilimitado de bandas e projetos musicais em seu país, incluindo Mago, Mahadma, Luz de América, Años Luz, Comunidad, david Lamar Trio, entre outros. Saldías também é professor no “Conservatório Nacional de Música” e chegou a estrelar o longa-metragem “Nostalgias del Rock”, de produção boliviana.

Em 1990 o Climax teve uma breve reunião, mas passou despercebido de tão rápido e sem sequer uma difusão digna. Já em 1998 seria lançado o álbum, no formato CD, de nome “Climax, Complete Recordings”, uma reedição de todo o material de estúdio, incluindo os dois EPs gravados entre 1969 e 1970 e o LP “Gusano Mecánico”. O guitarrista José Eguino supervisionou pessoalmente a remasterização, mixagem e digitalização do álbum, garantindo que nenhuma essência musical dos primeiros anos da banda se perdesse.

Em 2002 a banda se reuniria novamente para lançar uma nova compilação, agora de nome “Climax de Colección”, que continha o LP “Gusano Mecánico”, juntamente com as músicas gravadas anteriormente a este trabalho, que estavam nos seus dois EPs, como algumas músicas originais como “El Abrigo Café de Piel de Gallina” e “Ritmo de la Vida”.

“Gusano Mecánico” seria relançado, em 2005, na Alemanha, pelo selo World in Sound, seria relançado também no Brasil, em 2018, pelo selo Retro Remasters Plus, no formato CD e o mais recente relançamento seria em 2025, na Espanha, pelo selo Munster Records.





A banda:

José A. Eguino na guitarra, teclados e vocais

Javier Saldias no baixo

Álvaro Córdova na bateria

 

Faixas:

1 - Pachacuttec (Rey de Oro)

2 – Transfusión de Luz

3 - Cuerpo Eléctrico - Embrión de Reencarnación

4 - Gusano Mecánico

a) Invasión

b) Dominio

c) Abandono

5 - Prana - Energia Vital

6 - Cristales Soñadores



"Gusano Mecánico" (1974)