sábado, 28 de março de 2026

Mutha Goose - I (1975)

 

Uma banda envolta em sombras! Um álbum produzido de forma artesanal, com um número incipiente de cópias! Assim se faz uma banda obscura! Ou melhor: aqui, neste reles e humilde blog, não se faz, mas dissemina, difunde! Bandas como a que eu tentarei contar a história, jamais ganharia, com exceção de um valoroso nicho de abnegados, as redes sociais ou os canais de comunicação e/ou a geração de conteúdos de quem quer que seja.

O rock n’ roll é desconhecido pelos seus ditos apreciadores. E nesse momento em que podemos dizer, com certo risco, que as bandas não são tão somente obscuras, mas as tornam obscuras. O mercado fonográfico tendência e é tendencioso, o modismo é a arma que segmenta, trazendo cenas e bandas, muitas vezes, manipuladas pelo marketing, por empresários, pseudo empreendedores da música, onde a música, a arte, é pincelada por melodias acessíveis, de fácil assimilação, com potencial de “venda”.

E assim simula e projeta as percepções de um mercado que, de joelhos, segue, como uma ovelha, o pastor fonográfico, que decide os nossos gostos musicais. Mas ainda há abnegados, persistentes que, em um nível de resistência, segue na contramão do status quo sonoro e trazem bandas como essa que, modéstia à parte, somente este e poucos blogs, podem trazer. Qual é a banda? MUTHA GOOSE.

O Mutha Goose foi uma raríssima e esquecida banda norte-americana, formada em Indiana que, dada a sua arrojada e pouco ortodoxa música, foi relegada ao ostracismo e, evidentemente, pouco se sabe dela e a grande web, tida como democrática, na difusão, em profusão, de tantas informações, reduz-se a poucas linhas para essa banda.

Foi uma banda que sequer atingiu sucesso em Indiana, mas, ainda assim conseguiu, de forma, como disse, artesanal e limitada, gravar apenas um álbum, em 1975, chamado de “I”, pelo selo Alpha Omega, gravadora de Indiana que atuou no mercado entre as décadas de 1960 e 1970. Claro que pouco se sabe quantas cópias foram lançadas, mas, diante de cenário de total obscuridade e ostracismo, reza a lenda que foi um lançamento privado, com cerca de 50 cópias, apenas, que provavelmente circulou apenas a amigos e pessoas próximas aos integrantes da banda.


A névoa densa da desinformação também circunda entre os seus integrantes que é sabido os seus nomes, mas pouco se sabe quais instrumentos tocavam. A pouco informação pode ser um entrave, mas, preciso admitir que, lá no íntimo do meu ser, a obscuridade, tema central deste reles blog, é um ponto deveras sedutor. A banda trazia Jeff Cefali que, pelo que pude apurar, em minhas pesquisas, era baixista, Dave Limeberry, bateria e Mark Hardy e Herb Hagenwald que desconheço quais instrumentos tocavam.

Em algumas fontes, apurei que Herb, além de ter sido bem ativo nas composições das cinco faixas do álbum, também foi responsável pela produção deste, ganhando certo protagonismo na sua concepção. Nessa mesma fonte pude observar que o “Copyright”, ou seja, que, por definição, é o direito exclusivo do autor de reproduzir sua obra, geralmente utilizado em obras literárias e científicas, traz o nome de “Mutha Goose Productions”, o que reforça a característica bem artesanal na produção desse álbum, único lançado pela banda.

A sonoridade de “I” traz riffs pesados e fuzz, seja de baixo, como principalmente de guitarra, com bordas duras, sujas e alucinantes de órgãos, incluindo ainda o uso de flautas e piano. Nele se percebe, se ouve um hard rock, com temperos psicodélicos que se entrelaçam com arestas de garage rock e floreios progressivos, com destaque para jams estendidos e vocais lisérgicos. A sonoridade do único álbum do Mutha Goose entrega uma energia crua underground de algumas bandas obscuras dos anos 1970, com a tipicidade do Meio Oeste estadunidense, de sua, claro, ala mais underground.

Aos apreciadores de música pesada e pouco estereotipada, bem como os bons “degustadores” do prog rock com teclados em profusão, irá se deleitar com o trabalho do Mutha Goose. É fato que muito se explica também pela condição desse álbum, pois mostra um resultado que não se rotula, trafegando por várias vertentes, tendo como espinha dorsal, o hard e o prog.

O álbum é inaugurado pela faixa “You Said Goodbye” que introduz em dedilhados viajantes de piano e uma flauta doce, dando um clima pastoral à música, mas vai ganhando corpo, consistência sonora, os riffs mais pesados e pegajosos de guitarra capitaneiam essa transição do acústico ao peso do hard rock. O vocal não pode ser negligenciado, pois, nessa transição é participante de destaque, do melódico ao quase rasgado, ao grito. É a típica faixa progressiva, repleta de mudanças rítmicas, tendo o órgão catártico, energético e que desemboca em um solo frenético de guitarra, com a camada de teclados igualmente poderosos. Uma música organicamente caótica e complexa.

"You Said Goodbye"

“I Think It's You” chega dançante, uma pegada mais sinfônica e cristalina aos ouvidos. O vocal é extremamente limpo e melódico. A faixa é solar, o piano traz o balanço, mas não se engane, a música prega uma peça e se mostra dinâmica, com riffs pesados de guitarra que a coloca em um patamar pesado típico do hard rock e que logo se revela mais acústica, com as flautas trazendo de volta um clima de balada rock mais acessível aos ouvidos. A “cozinha rítmica” ganha destaque no final da faixa, baixo galopante, bateria pesada, guitarra estridente. Excelente!

"I Think It's You"

“Exodus” traz a introdução voltada mais para o psych prog, algo mais experimental, baixo potente, vívido, bateria marcada, pesada, o órgão te manda para mares progressivos e psicodélicos. A lisergia encontra a sofisticação do progressivo. Mas o hard rock, personificado pelo riffs pesado e sujo de guitarra, traz o inusitado, a sopa sonora. Solos ácidos, lisérgicos, garageiros são ouvidos. O complexo em um casamento com o despretensioso.

"Exodus"

“Freak – Hitchhicker” me remete ao minimalismo do krautrock germânico, uma simplicidade carregada de peso, de um hard psicodélico repleto de lisergia e um experimentalismo que beira a jams sections totalmente desprovida de bons modos. É sujo, é garageiro, é louco e pouco ortodoxo. Riffs de guitarra e solos deixam a música ainda mais pesada e é nesse momento que o hard rock, típico, domina. A simplicidade se revela dura e pesada.

"Freak-Hitchhiker"

E fecha com “Being Her Friend” que traz uma introdução mais soturna, diria sombria, com um vocal distante, abafado. Algo dramático, em tom de dramaticidade traz uma camada estranha para essa música. Flautas, suaves notas de teclados corroboram a sua condição soturna e reflexiva. Mas eis que surge a surpresa: A guitarra traz um riff mais dançante, o baixo segue com um groove animado e a bateria, em uma batida marcada e pesada entrega uma pegada distinta a música e assim termina, de forma mais animada e solar.

"Being Her Friend"

A qualidade dessa sonoridade é definitivamente sólida, do seu começo ao fim, um som estranho, por vezes, sombrio, mas muito inventivo e que não se prende a rótulos e estereótipos, fazendo dele uma obra excelente de hard prog, com uma pegada garageira e suja. E quando trazemos à tona essas nuances a um álbum que tem o progressivo, pode parecer, aos ouvidos mais conservadores, improvável, mas sim, é possível associar, claro, de forma arrojada o rock de garagem, por exemplo, ao prog rock.

A edição original, pelo que pude apurar também, por intermédios das escassas fontes disponíveis, é até agora a única deste álbum e, por ter tido uma baixa tiragem, é muito difícil de conseguir, não tendo, como disse, reedições disponíveis, o que faz do único álbum do Mutha Goose e, consequentemente da banda, obscura, rara. Não duvido que esse trabalho, se tem disponibilidade de venda, deve ter cifras estratosféricas, o que faz dessa banda e álbum sedutores dentro de seu universo obscuro. Mas não é apenas por isso, também pela sua sonoridade arrojada e de profunda personalidade criativa.


A banda:

Jeff Cefali no baixo

Dave Limebery na bateria

Mark Hardy ?

Herb Hagenwald ?

 

Faixas:

1 - You Said Goodbye

2 - I Think It's You

3 - Exodus

4. Freak - Hitchhicker

5. Being Her Friend




"I" (1975)

 


















quinta-feira, 19 de março de 2026

Jenghiz Khan - Well Cut (1971)

 

Sabe aqueles países totalmente inusitados para a cena rock n’ roll? Pois é, é para eles que eu venho mirando as minhas intenções para desbravar e, não se enganem, caríssimos leitores, há muito a encontrar por aí. As cenas podem ser incipientes em quesitos quantitativos, mas qualitativamente falando a situação muda! Há muito material de altíssima qualidade nos países pouco comentados e esquecidos pelo rock!

Então vale e muito o esforço em desbravar e conhecer tais bandas e álbuns e hoje eu pousei na Bélgica e encontrei um espetacular álbum e banda que merece a sua atenção, caro leitor. Como ela se chama? JENGHIZ KHAN! Mas são aquelas bandas que, como verdadeiros cometas, surgem, como uma força da natureza, gerando impacto, mas que, de forma efêmera, sucumbem, desaparecem.

O Jenghiz Khan surgiu, em 1970, no sul da Bélgica, a partir das cinzas do "The Tim Brean Group" e do "Les Partisans". A formação da banda consistia nos seguintes músicos: Tim Brean no piano, órgão, teclados e vocais, “Big” Frisma nas guitarras base, acústica e solo e vocais, Christian “Chris Tick” Servranckx na bateria, percussão e vocal e Pierre “Peter Raepsaet” Rapsat no baixo e vocais.

Jenghiz Khan

Rapsat foi o último músico a integrar o Jenghiz Khan. Ele veio de uma banda que acabara de lançar um álbum, de nome “Laurelie”. Nos anos 1960, Pierre havia feito parte da orquestra de dança chamado “Les Ducs”, porém em sua banda seguinte, a “Tenderfoot Kids”, onde tocou em quatro singles, revelou ser um excelente compositor.

"Laurelie" (1970)

O nome “Jenghiz Khan” foi escolhido pelo terror associado ao líder mongol e, de fato, essa banda de músicos furiosos, liderado por Friswa, teve impacto no público e incendiou as placas dos festivais onde se apresentavam.

Como todas as faixas do primeiro e único álbum do Jenghiz Khan, “Well Cut”, de 1971, já estava praticamente pronta, Rapsat ficou responsável apenas em tocar o seu instrumento, o baixo. Todos os membros da banda eram compositores, então não teve espaço para Pierre demostrar seus dotes de letrista. Mas se mostrou competente empunhando o baixo, trazendo a sonoridade da banda, algo muito atual.

Além dos músicos serem compositores o seu empresário, o conhecido jornalista de rock, da revista “Telemoustic” ou “TéléMoustique”, Pierre “Piero” Kenroll, ajudou a escrever todas as letras e uma música completa.

A capa deste único trabalho do Jenghiz Khan foi desenhada por Jamic, cartunista da TéléMoustique, apresentava as cabeças dos 4 músicos decapitados brandidas por um gigante e alcançou as melhores vendas belgas, algo que nenhuma banda local conseguia fazer há muito tempo.

E diante desse cenário, “Well Cut” foi lançado até rapidamente, pelo selo “Barclay”, com um som majoritariamente pesado, porém cheio de dinâmica, ou seja, vertentes progressivas, conferindo-lhe complexidade, mas com a capacidade única de ser orgânico, mostrando músicos competentes e técnicos, mas dando tudo de si de forma corporal!

Não sou muito afeito às comparações, mas o Jenghiz Khan, reflete muito a música de seu tempo, embora traga uma sonoridade bem atemporal, rasgando as gerações com muita destreza. Ao ouvir “Well Cut” percebe-se a sonoridade de bandas, das mais famosas, claro, como Uriah Heep, Vanilla Fudgie e Iron Butterfly. Mas como coloca-la em condições de inspirada, se esta surgiu praticamente ao mesmo tempo que as mencionadas? O sucesso de algumas diz muito sobre isso, mas não quero falar sobre isso, e sim do quão importante esse tipo de sonoridade foi nas transições das décadas de 1960 e 1970.

“Well Cut” imprime uma sonoridade que é calcada no riff pesado de guitarra e o bom e velho hammond, que muito me agrada e cativa, um heavy progressivo com pitadas psicodélicas generosas, que vai do sofisticado, complexo, sujo, primitivo e áspero. Uma música que se fazia em profusão no início dos anos 1970, mas com competência, criatividade e muita ousadia, pois não se rendiam as bandas ao estereótipo, afinal, era, diria, uma sonoridade que se descobria, se abrochava em experimentalismos e o Jenghiz Khan não fugia à regra. Era uma desbravadora de seu país, pouco conhecido na cena rock, mas que tinha um radar para o mundo.

O álbum começa com a faixa “Pain” que, um vocal, à capela, dá a introdução para a “cozinha” impor seu ritmo pesado, bateria marcada, agressiva, batida poderosa, baixo pulsante, hammond cheio de vivacidade, riffs de guitarra psicodélicos, mas que dá lugar ao violão e a uma balada. Seus quase oito minutos de duração entrega uma sonoridade repleta de mudanças rítmicas, mostrando o heavy prog muito bem executado. Na metade da música os riffs são mais agressivos e sujos, talvez o momento mais pesado da faixa, que logo se sucedem com solos mais pesados ainda. Música de tirar o fôlego!

"Pain"

Segue com a curta “Campus A”, mas que anima pela pegada meio bluesy, um blues rock bem solar com um vocal cadenciado e, por vezes, um pouco rasgado. É tão somente a guitarra e voz. Simples! Para dar entrada para a próxima faixa, “The Moderate” que inicia com um hammond um tanto quanto sombrio, mas que irrompe em um belicoso som de guitarra e bateria bem agressiva. O baixo dá o groove, o balanço e a cadência. Essa música mostra um Jenghiz Khan mais sofisticado, mas não menos pesado e arrogantemente agressivo. Aqui o vocal é mais potente e gritado e conduz a faixa ao que realmente entrega: peso, mas um peso aliado ao balanço, beira o dançante. Faixa animada!

"The Moderate"

Segue com “Campus B” que, entregando a continuação de “Campus A” traz o blues mais eletrificado, com uma pegada mais gospel evocando os primórdios do rock na sua versão mais primitiva. Não podemos negligenciar, claro, a veia blues rock. “The Lighter” começa acústica, dedilhados de violão torna algo mais pastoral, viajante, dando lugar ao hammond e uma bateria mais vagarosa. Eis uma balada com uma característica inteiramente psicodélica, mostrando um produto de seu tempo, verdadeiramente. O trabalho de vocalização me remete ao Uriah Heep nos seus primórdios e também o Vanilla Fudgie. E finaliza com o lindo e direto solo de guitarra!

"The Lighter"

“Hard Working Man” introduz com um solo de bateria e que já denunciaria o peso que viria pela frente! Um solo de guitarra flamejante, mas que logo cadencia, continuando a bateria como profundo destaque. Aqui nesta faixa o hard rock dá o tom, é o carro chefe. Direta, poderosa, intensa, riffs de guitarra se misturam ao toque cavalar como o baixo é conduzido. Traz a “cama” para a sonoridade acontecer, ser tão evidentemente característica.

"Hard Working Man"

Segue com “Mad Lover” que, mais uma vez, inicia, em uma pegada meio flamenca, acústica, meio folk. Aqui percebo que a banda volta aos anos 1960 com um beat psicodélico. O trabalho de vocalização se faz presente e é bem feito. A guitarra, já no fim da faixa, traz uma sonoridade estranha e experimental.

"Mad Lover"

E fecha com a épica “Trip to Paradise” que começa, mais uma vez, com o belo trabalho de vocalização e uma camada soturna de teclados que traz as lembranças psicodélicas. Mas logo termina, porque a explosão do hard rock se faz vivo e latente! Bateria com a já famosa batida pesada, o baixo com aquele groove arrebatador, galopante, por vezes, sem contar com o hammond que me lembrou algo mais sinfônico. Nessa faixa, no auge de seus mais dez minutos, traz de volta o heavy prog, e se mostra capaz de atrair o ouvinte com as inúmeras mudanças de andamento. É no mínimo catártico ouvir essa música. Hard rock, psicodélico e progressivo em um caldeirão de ingredientes misturados, sem nenhuma cerimônia em se rotular. A criatividade ditou as regras que, sem dúvida, faz dessa faixa uma das melhores do álbum! O final, com o solo de guitarra, é simplesmente de tirar o fôlego!

"Trip to Paradise"

Em sua história relativamente curta, o Jenghiz Khan construiu uma boa reputação de banda ao vivo, tocando em muitos festivais e shows. Podemos destacar, como os mais importantes quando dividiram o palco com: "Wallace Collection" (Puzzle P em junho de 1970), "Black Sabbath" (Rock Bilzen em agosto de 1970), "Yes" (Pop Hot Show Huy em 5 de setembro de 1970), "Stray" (Festival de Ghent em 28 de novembro de 1970), "The Tremelous" (Grand Place Ciney em 11 de julho de 1971) e "Genesis" no Festival de Jemelle em 8 de agosto de 1971.

Um segundo álbum estava sendo escrito, mas problemas surgiriam para a banda, culpa de uma cena belga muito restrita, que não permitia que seus músicos ganhassem vida com sua música, bem como também da onda “glam” que varreu o mundo, com furacões como David Bowie, T-Rex, Salde, Sweet entre outros. E o inevitável aconteceu: o fim do Jenghiz Khan, em 1972. Se há resquícios de composição musical que possa ser gravado em um futuro próximo, não sabemos. O fato é que precisamos esperar uma grande novidade a esse respeito! Quem sabe...?

O baixista Pierre Rapsat lançou uma bem-sucedida carreira solo, em 1973. Ele gravou vários álbuns de ouro e platina, transitando entre o rock e a chanson, mas a maioria de suas músicas era cantada em sua língua nativa, o francês. Rapsat faleceu em 21 de abril de 2002, precocemente aos 53 anos de idade.

O vocalista e tecladista Tim Brean juntou-se a banda “The Pebbles”, tocando teclado com eles de 1974 a 1976, enquanto compunha muitas músicas a pedido do selo “Barclay”. Mais tarde tentou a sorte com uma carreira solo sob o nome de “Tim Turcksin”, mas conseguiu lançar apenas algumas músicas em álbuns de compilação.

O guitarrista e vocalista “Big” Frisma juntou-se a banda “Wallace Collection”, fazendo sucesso, posteriormente, com uma banda pop chamada “Two Man Sound”, lançando também dois singles solo. O primeiro, em especial, onde trabalhou novamente Pierre “Piero” Kenroll, recebeu boas críticas. O lado B, chamado “Big Friswa” era uma ótima faixa de rock. Se suicidou em 1988.

O Jenghiz Khan, com seu único trabalho, lançado em 1971, “Well Cut” traz nas raízes, bem como, claro, no teor de suas letras, temas históricos e belicosos, assim como tantas outras bandas de proto metal de sua época. Sim, Jenghiz Khan emulou o som que se fazia em sua época, lá pelos idos dos anos 1970, mas refletiu, com galhardia e competência, aquele rock n’ roll que, das transições das décadas de 1960 e 1970, mostrou-se criativo e catártico.

“Well Cut” teve alguns relançamentos. Além de seu lançamento original, pelo selo Barclay, em 1971, teve lançamento, pelo mesmo selo e ano, no Canadá e na França. Em 1994, teve um relançamento na Coréia do Sul, pelo selo Won-Sin Music Company, outro, dez anos depois, em 2004, pela gravadora Second Life, na Rússia. Mais dois relançamentos, em 2011, na Bélgica, pelo selo Philmarie, um novo relançamento na Coréia do Sul, pela Won-Sin Music Company e vários outros relançamentos por alguns selos europeus.




A banda:

Tim Brean no piano, órgão, teclados e vocais

“Big” Frisma nas guitarras base, acústica e solo e vocais

Christian “Chris Tick” Servranckx na bateria, percussão e vocal

Pierre “Peter Raepsaet” Rapsat no baixo e vocais

Com:

Pierre “Piero” Kenroll nas composições

 

Faixas:

1 - Pain

2 - Campus A

3 - The Moderate

4 - Campus B

5 - The Lighter

6 - Hard Working Man

7 - Mad Lover

8 - Trip To Paradise 



"Well Cut" (1971)






















 




sábado, 21 de fevereiro de 2026

Tempest - Tempest (1976)

 

Como falar de uma banda que não tem um rastro de história? Pode parecer difícil quando se tem, como essência, neste reles e humilde blog, a história como mote, como mola propulsora. Mas temos de admitir que a matéria-prima desse site são as bandas obscuras, raras. E quando falamos desses tipos de bandas, a tendência é de que não tenha tanta referência, na web, para se construir um texto de cunho histórico e informativo.

Entre fazer valer a essência e o propósito do blog e a ausência de informação para se montar um texto, claro, eu optarei sempre por apresentar a vocês, dedicados e estimados leitores, por trazer para todos as bandas obscuras e esquecidas por tudo e todos, que estão à margem, nos escombros do rock n’ roll.

E essa banda faz jus a este blog que, de forma hercúlea e desafiadora, porém prazerosa, ao tema “obscuridade” e “raridade”. O nome dela? TEMPEST. Talvez você tenha lembrado da seminal banda do icônico baterista Jon Hiseman, que se notabilizou tocando bateria no Colosseum, que se chamava “Tempest” ou ainda, aos aficionados pelo heavy metal / speed metal que lembrou do Tempest alemão, da segunda metade dos anos 1980. Não, não é!

O TEMPEST que falarei hoje por aqui veio de Houston, no Texas. Ah, queridos leitores, o que dizer da cena hard rock obscura, underground, dos Estados Unidos da América? Eu sou um enamorado por essa cena! Nem só de Aerosmith e Van Halen vive o hard rock estadunidense.

Há muito a se desbravar essa cena, é interminável. A cada descoberta parece que as suas possibilidades se expandem, tamanha é a quantidade de bandas que surgem diante de nossos olhos, onde a grande maioria, não passou de um álbum e que sequer saiu de sua cidade de origem, ou seja, bandas predominantemente regionais.

O nosso Tempest texano não foge à regra. A banda é rara, o lançamento de seu único álbum, homônimo, de 1976, também é raro e teve pouquíssimos relançamentos o que reforça a sua condição. E já que falei em relançamentos e lançamento de álbum, cabe aqui uma informação importante e uma das poucas que pude identificar, com o escasso quantitativo de informações que achei na internet sobre o Tempest.

Este álbum teve apenas duas edições ou diria um relançamento deste álbum: a original, claro, em Houston, no Texas, em 1976 e a mais conhecida, pelo menos me pareceu isso, uma da Alemanha, pelo selo Earth Records, de 1979. Por que digo que essa é a mais conhecida: Porque a segunda edição alemã, para muitos, parece ser a única. Inclusive há a confusão de que o Tempest seja uma banda alemã e que seu único trabalho tenha sido concebido, originalmente, no ano de 1979 e não em 1976 nos Estados Unidos.

Independente disso, convém aqui trazer os músicos que compuseram o Tempest, umas das poucas informações que há na web. São eles: Pat McClain / Scott Davis, no baixo, Nick Harris no baixo e vocais, Fred Drake na bateria e percussão, na guitarra solo, violão acústico e piano trazia Jeff Wells, nos vocais principais trazia Barbara Pennington e nos teclados e sintetizadores tinha Mark Richardson. A produção, sem sombra de dúvida, pela audição, caseira e caráter artesanal ficou a cargo da própria banda.

E, como disse, pelas características da produção mostra uma banda, com a permissão da “licença poética”, sem recursos e sequer apoio para a construção desse álbum em estúdio, fazendo tudo por conta própria. Isso pode não personificar ou potencializar a capacidade da banda, de sua técnica, mas por outro lado traz o charme de um trabalho despretensioso e livre de quaisquer amarras tendenciosas e modistas, rendendo-se apenas à criatividade e ao que acreditam como a sua genuína música.

E falando no único álbum do Tempest, nele predomina o hard rock volumoso, voluptuoso, pesado, agressivo, com nuances e temperos de blues rock e recheados de faixas, em um total de doze músicas, curtas, em sua maioria, corroborando a sua condição de despretensiosidade, de peso e agressividade. Então sem mais delongas, vamos às descrições de cada uma delas, para não perder o costume.

O álbum é inaugurado pela faixa “Toll” que começa sombria, com ruídos estranhos, mas isso é curto, porque entra a faixa seguinte, a “Can't Be Too Strong When You're Losing”, que se revela totalmente distinta da anterior, que é mais uma introdução do que qualquer coisa. A segunda é um hard rock forte, vibrante, com alguma cadência e é regida por riffs pesados e grudentos de guitarra e uma sessão rítmica bem dançante. Mas não se engane apenas com os riffs, há também solos, embora curtos, é extremamente pesado.

“Nothing To Lose Blues”, como o nome sugere e inspira, traz um blues rock com nuances evidentes de hard rock e ganha uma característica bem interessante com o vocal feminino predominando dessa vez, diferente da faixa anterior que revezava com um vocal masculino. É uma faixa animada, solos de guitarras mais competentes, bem elaborados, como pede um bom e velho blues rock.

Segue com “We Can Flow” que começa com um dedilhado de guitarra, meio acústica, mas que logo se engrandece, ganha corpo, com uma pegada pesada de bateria, de baixo pulsante e riffs agressivos de guitarra. Mas logo fica lenta e o vocal de Barbara ganha destaque quase cantado à capela. Mostra um vocal melódico e de grande alcance. A bateria ganha destaque também, é pesada. É um hard rock com toques de balada, uma balada poderosa regida pelo vocal competente, riffs de guitarra que apimentam e a bateria sempre pesada e agressiva.

"We Can Flow"

“Mama” começa como um som de “festa”, com riffs dançantes, a bateria segue a mesma linha, te faz balançar. Me remete a um som mais comercial, mais acessível e aqui, mais uma vez, o vocal de Barbara ganha destaque, mas a faixa não me parece ser a mais inspirada, ainda assim salva para animar. “The Lady” começa com aquele típico riff de guitarra de hard rock dos anos 1970: pesado, com um groove agressivo, arrastado, até chega a ser meio sujo. A bateria, mais uma vez, vem pesada e agressiva, bem marcada. A guitarra tem um solo rápido, simples, mas que cumpre seu papel de peso e agressividade, potencializando a sua condição de hard rock genuíno. Para os amigos leitores que apreciam peso, um proto metal essa é a faixa. Uma das melhores de todo o álbum!

"The Lady"

“This Shouldn't Happen To Me” começa diferente: ao piano, meio sedutora, dançante e que me fez lembrar da banda norte americana de occult rock Coven. Riffs ocasionais de guitarra, sintetizadores trazem uma textura misteriosa à música, solos de guitarra ao estilo psych, algo um tanto quanto lisérgico. “We Will Always Have Our Fears” também começa diferente, um tanto quanto soturna e sombria. Os vocais de Barbara ganham outra nuance e me traz à memória, o que definitivamente me agrada, um típico occult rock com pitadas generosas de psicodelia. Mas aqui há de volta o revezamento entre os vocais femininos e masculinos. Não é uma música pesada, não é tão hard rock, mas igualmente uma faixa sedutora. Não há como se deixar dançar e envolver por ela.

"We Will Always Have Our Fears"

“What You Got” continua na sequência de faixas mais dançantes e aqui o baixo ganha destaque, pulsante, cheio de balanço, de groove, me remete até mesmo a um dance music, que estava começando a ficar em voga na segunda metade dos anos 1970 e o vocal de Barbara corrobora essa condição sonora. A bateria também cheia de groove e balanço faz da sessão rítmica o grande destaque dessa faixa.

"What You Got"

“Working Band Blues” traz uma balada que me transportou diretamente para o “flower power” da segunda metade dos anos 1960. Um clima de “paz e amor” tomou conta dessa faixa. É uma música simples, psicodélica, mas traz um solo bonito de guitarra que te faz bailar ao seu som. “Feel Fine” devolve ao álbum o seu lado hard rock! Riffs inaugurais de peso, mas que não deixou de lado essa sequência mais dançante e psicodélica. Mas aqui tem a lisergia, o peso e o balanço que me fez lembrar, ao som da bateria, um pouco do rockabilly dos anos 1950. Uma faixa bem interessante!

Working Band Blues"

E fecha com “Long Way From Home” que permanece com os pés fincados no hard rock. Ela começa com o peso habitual da bateria, bate pesadamente, com os riffs grudentos e igualmente pesados da guitarra e o revezamento bem interessante e competente entre os vocais femininos e masculinos. Solos de tirar o fôlego de guitarra entregam de bandeja aos ouvintes o peso e a personificação do mais puro e genuíno hard rock. Aqui o peso domina e fecha magistralmente o álbum.

"Long Way From Home"

Nada se sabe do paradeiro dos músicos que fizeram parte do Tempest. Da mesma forma que surgiram, desapareceram, como uma força da natureza que chega e devasta, mas logo de dissipa e desaparece. Assim foi o Tempest. Uma sonoridade, comprovada pelo seu único trabalho, muito arrojada e complexa, mas por outro lado orgânica, mostrando a verdade da banda em todas as suas nuances e detalhes. Pouco se sabe sobre eles, pouco se falou sobre eles, mas graças ao advento da disseminação da informação e das grandes redes sociais que permeiam a nossa vida, abnegados divulgaram esse trabalho obscuro e que também escrevem sobre ela, como esse humilde e simples blog. O fato é que, ao ouvir esse álbum, ele se revela solar e multifacetado. Pérola altamente recomendada.

 


A banda:

Pat McClain e Scott Davis no baixo

Nick Harris no baixo e vocal

Fred Drake na bateria

Barbara Pennington no vocal principal e percussão

Mark Richardson no piano e sintetizador

 

Faixas:

1 - Toll

2 - Can't Be Too Strong When You're Losing

3 - Nothing To Lose Blues

4 - We Can Flow

5 - Mama

6 - The Lady

7 - This Shouldn't Happen To Me

8 - We Will Always Have Our Fears

9 - What You Got

10 - Working Band Blues

11 - Feel Fine

12 - Long Way From Home




"Tempest" (1976)

















 





sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Medusa - Calling You (1977)

 

Nessa minha saga desbravando os “escombros” empoeirados do rock n’ roll, por intermédio deste reles e humilde blog que você, caríssimo leitor, tem lido e que eu eternamente agradecerei pela audiência e credibilidade, tenho feito algumas loucas, estranhas e doces descobertas.

Porque a minha atual realidade, ou melhor, a minha realidade há anos nas minhas audições é exatamente trazer algo mais arrojado e pouco usual para a minha vida “sonora”. Não é tão somente a complexidade sonora que me cativa mais, mas a loucura despretensiosa e nitidamente suja. Sabe aquelas produções “artesanais” repletas de defeitos? É isso!

E mesmo diante disso tudo, ainda consigo ouvir e apresentar, em meu blog, as sonoridades de que sempre apreciei e “degustei”, como prog rock, hard rock, psych, stoner rock, entre tantos outros. É possível “harmonizar” todas essas vertentes ao que estou desbravando? Sim, caros leitores! E consegue com um prog rock, por exemplo, tido como uma sonoridade tão sofisticada? Sim, porém com nuances mais, digamos, underground, garageira mesmo.

E hoje eu gostaria de apresentar a todos os amigos leitores algo totalmente inusitado, louco e pouco, pouquíssimo normal para a realidade pasteurizada e previsível do rock, logo raro, muito rara, afinal, como que uma sonoridade como essa pode ser encarada como algo potencialmente “consumível” para um público ortodoxo do rock, de um mercado conservador. Falo da banda alemã MEDUSA.

Essa obscura banda germânica eu descobri recentemente e que, como disse, me trouxe uma doce loucura calcada na liberdade criativa e totalmente desprendida de uma projeção mercadológica. E é mais uma “Medusa”, diante de tantas outras que surgiram na mesma condição que esta banda: obscura e que, diante desse cenário, pereceram todas precocemente. Por aqui neste blog há algumas “Medusas”, como a norte americana e mexicana que valem a pena conferir.

E como tantas outras bandas raras e obscuras, o Medusa alemão percorreu um caminho no ostracismo, na escuridão e com uma caminhada efêmera e um fim esquecido e triste, mas são essas histórias fracassadas, comercialmente falando, que entregam os melhores e mais pitorescos episódios.

E como tal poucas são as informações disponíveis sobre as suas origens e sua história, mas tentarei arduamente trazer o máximo que posso sobre o Medusa. A banda, formada na segunda metade dos anos 1970, surgiu em Nordrhein-Westfalen; Parte dos músicos vieram de Wuppertal e de outras cidades mais próximas, como Velbert.

E falando nos músicos a sua formação original trazia Peter Bolling, no baixo, Detlev Orthey, na bateria e percussão, Nobert Labgensiepen, na guitarra, Ingo Klich nos teclados e Volker Kappelmann nos vocais e guitarra.

Em janeiro de 1977 o Medusa lançaria o seu primeiro e único trabalho chamado “Calling You” em uma prensagem privada e extremamente limitada, pelo selo Schnecke Records.

“Calling You” traz uma miscelânea sonora extremamente incomum e arrojada, com influências, pasmem, de punk rock e krautrock e rock progressivo, além de elementos claros de hard rock com discretas pitadas de blues rock. Um tecido psicodélico cobre toda essa sopa sonora com guitarras lisérgicas e batidas beat e pesadas.

Talvez estejam, bons e estimados leitores, se perguntando como pode ser provável ter o rock progressivo e punk rock juntos em um mesmo álbum? Bem não negarei a loucura disso, mas não nego também que é no mínimo atraente ter ouvido “Calling You”!

Claro, o ano de lançamento, 1977, era o período emergente do punk e, como toda banda alemã que se preze, tem de ter um “tempero” prog rock e krautrock e esses caras tiveram a audácia de fundir essas vertentes sonoras e fazer desse álbum estranho, louco e incomum. O prog rock não traz aquela complexidade e sofisticação, mas o que importa? É muito bom ter descoberto e feito a audição dessa sopa bem nutrida de sons arrojados e sem nenhum tipo de carimbo ou rótulo.

Então já que trouxe um pouco do que significa o álbum do Medusa, “Calling You”, vamos trazer um pouco do que cada música oferece? Vamos a elas! E começa com a faixa “Go Kids Go” que já começa com a louca mistura entre punk ou até diria um pré-punk, proto punk com um psych, bem veloz e sujo. O peso se entrelaça com o órgão, com a gaita, com a guitarra eletrificada e vocal meio gritado. O que dizer da gaita no meio do peso, do frenesi da música, dando uma cadência...?

"Go Kids Go"

Mas tudo muda um pouco, ou diria muito, com a faixa seguinte: “The Change”. A música mais longa do álbum, que conta com pouco mais de onze minutos de duração, traz um rock psicodélico, com discretas passagens de krautrock e que mostra algo mais bem elaborado, musicalmente falando, com uma introdução, embora breve, bem linda de guitarra com um solo bem viajante, mas que logo fica pesado com uma bateria marcada e agressiva com um órgão enérgico. Mas logo fica tudo mais introspectivo, trazendo também as variâncias rítmicas do rock progressivo. Há um toque épico nessa música e faz dela o destaque do álbum. É lírico, é vibrante, é viajante.

"The Change"

A sequência traz a faixa “Hey Rock 'n Roll”, já traz, até o fim do álbum, em um total de três músicas, uma pegada mais voltada para o hard rock e blues rock, além do inusitado punk rock também. E nessa música começa com o órgão dando uma camada mais sombria que logo fica mais sinfônico e depois surgem os riffs de guitarra e a bateria pesada e marcada e tudo se funde em uma psicodelia lisérgica e pesada, um hard psych cheio de voluptuosidade. E quando surge o vocal, este traz uma pegada mais proto punk. É espetacular essa faixa, porque mostra arrojo e a vocação dessa banda contra o estereótipo!

"Hey Rock and Roll"

“Medusa´s Calling You” começa com dedilhados de guitarra que me remete a uma balada de heavy metal, algo sombrio, soturno, mas, no decorrer da música, vai ganhando corpo e assumindo seu “lado hard rock”, com a bateria mais agressiva, o órgão mais energético, o baixo mais pulsante...Aqui o hard rock é mais heavy e punk, mas também progressivo, é também repleto de variâncias rítmicas, mostrando um Medusa mais encorpado, mais contundente, musicalmente falando. Mesmo com um álbum despretensioso e por vezes inocente em sua sonoridade, revelou-se complexo e arrojado. As teclas, de uma energia cativante, vão mostrando seu lado mais kraut, com alguma introspecção. O que dizer dessa faixa? Louca e vibrante!

"Medusa's Calling You"

E fecha com “QQ 10” que traz a introdução, cheia de ruídos, ao estilo hawkwind, meio psicodélico, meio space rock, que logo se mistura ao peso lisérgico, com bateria marcada e pesada, com riffs de guitarra mais sujos e viscerais e um baixo mais rasgados e potentes. Mas o peso dá lugar também a viagem progressiva do teclado mais pastoral e contemplativo, mas logo retorna ao peso que alia hard, punk e lisergia. Loucura sonora!

"QQ 10"

O Medusa, ainda em 1977, mais precisamente falando na segunda metade daquele ano lançaria um single, em maio, no Horst Burghardt – Tonstudio - Engelsmann & Burghardt em Castrop-Rauxel, com as faixas “Ocean Dream” e “Freedom”, pelo selo Life Records, da Alemanha, mas muito difícil de achar para audição.


E com essa nova gravação a banda traria também uma nova formação, trazendo a vocalista Njoschi Weber, o baterista Gerd Elsner, o guitarrista base e vocalista Peter Eckert, o baixista Pi Klein e o único membro da formação original Volker Kappelmann. A intenção era trazer novos tempos para o Medusa e gravar um novo álbum, mas não conseguiram seguir e pereceram de forma precoce.

Não se sabe se tiveram relançamentos, pouco consegui apurar a respeito dessa obscura banda, mas é informação de que a prensagem original de 1977 é disputado a tapas pelos colecionadores de vinis raros e que reza a lenda de que alguns foram colocados à venda na bagatela dos 600 euros, pasmem! O fato é que a sua sonoridade é arrojada, inusitada e louca, um doce e original loucura que é digna de audição.




A banda:

Peter Bölling no baixo

Detlev Orthey na bateria e percussão e sinos tubulares

Norbert Langensiepen na guitarra

Ingo Klich nos teclados

Volker Kappelmann na guitarra solo, vocais e gaita

 

Faixas:

1 - Go Kids Go

2 - The Change

3 - Hey Rock 'n Roll

4 – Medusa’ s Calling You

5 - QQ 10 



"Calling You" (1977)