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sábado, 25 de abril de 2026

Lyd - Lyd (1970 - 1992/2000)

 

Os álbuns concebidos e lançados, na transição das melhores décadas do rock n’ roll, décadas de 1960 e 1970, gozam de uma peculiaridade especial: você percebe o beat, o experimentalismo do rock psicodélico e as nuances pesadas embrionárias do hard rock dos anos 1970. É pitoresco as bandas que se aventuram em sonoridades novas, experimentais, deixando simplesmente a criatividade e a liberdade musical falar mais alto.

Mas pagavam, com isso, um preço alto pela “audácia” sonora, fugindo das tendências e modas construído por um mercado fonográfico que decididamente está contra a arte manifestada como ela deve ser: pura, genuína e desprendida de estereótipos.

Claro que neste reles e humilde blog, marginal e independente, essas bandas surgem e em profusão, mostrando um lado esquecido e empoeirado do rock n’ roll que até mesmo os apreciadores do estilo desconhecem e arrisco em dizer que rejeitam. Aqui essas bandas ganham vida e tem as suas histórias contadas, por mais que elas sejam escassas de informações.

E todo esse texto introdutório, do jeito que eu gosto, é para anunciar ou melhor escrever sobre mais uma banda esquecida, engavetada pelos burocratas da música que torceram o nariz para o seu pequeno, mas significativo material lançado ou diria que não foi oficialmente lançado. Falo da banda THE LYD ou LYD.

The Lyd ou Lyd (denominado assim nos relançamentos) foi formada em Los Angeles, a meca da psicodelia e contracultura norte americana e mundial, no final dos anos 1960, mais precisamente no ápice do rock psicodélico norte americano, em 1969. A banda era formada por: Jack Linerly na guitarra e vocais, Frank Tag na guitarra, piano e vocais, Rob Weisenberg no baixo e vocais e Chet Desmark na bateria, percussão e vocais.

Reza a lenda que o The Lyd ou Lyd não era necessariamente uma banda, mas um grupo de músicos que, eventualmente eram reunidos em estúdios para gravar uma música e outra e só entrava sob efeito de alguma substância, algum psicotrópico, mais precisamente um LSD, o famoso ácido lisérgico.

E por falar em estúdios, nada da banda foi lançado, de forma oficial, àquela época, mas quando entraram no estúdio de Pat Boone, em Hollywood, Califórnia, chamado Sunset Recording Studios, algumas músicas foram concebidas, algumas músicas foram gravadas, mas apenas isso. Sim! Não passou de algumas cópias de acetatos, que totalizaram apenas 21 minutos de duração, apenas um lado utilizado, sem capas, sem arte gráfica, até mesmo os nomes das músicas não foram escritos nesses acetatos, estava apenas descrito como “faixa número um”, “faixa número dois” etc. Era como se tudo estivesse ainda em estado puro, ainda por lapidar, no início do projeto, talvez.

O ano era 1970! Outra lenda que circula é de que apenas uma cópia original desse acetato, com um total de seis músicas, foi concebida. Outras escassas fontes dão conta de que três ou quatro cópias desse material foram feitas. E, para não dizer que não havia capas ou uma arte gráfica minimamente feitas, o que teria sido feito ou melhor produzido naquela época, em 1970, era uma capa, em preto e branco, com a ilustração, adivinhem, de um cara fumando maconha no centro. O verso era completamente branco. No selo dizia: “Sunset Recording Studios, Inc 5539, Sunset Boulevard, Hollywood, Califórnia, The Lyd Side 1. Essa é a comprovação cabal de que era um trabalho ainda bruto, a ser lapidado e em processo de feitura e que, por algum motivo, não foi dada sequência.

Outra informação que circula, acerca do único trabalho produzido do The Lyd ou Lyd, os tais acetatos teriam saído ou roubados dos arquivos dos estúdios e ganhado o mundo, sendo pirateados e assim, dessa forma, lançados, mas falemos disso depois, porque precisamos falar dessa pepita de ouro no seu estado puro e brutal. Assim eu, de imediato, descreveria o álbum ou acetato do The Lyd, homônimo: sujo, brutal, selvagem para os parâmetros da época, o que, claro, me deixou entusiasmado quando fiz a primeira audição.

“The Lyd” trazia a estética dos anos 1960 em transição para a década de 1970: Um poderoso álbum, de 21 minutos, de hard psych, sujo, selvagem, um rock de garagem sensacional. Acredito que aquelas substâncias utilizadas possam ter tido, claro, além da criatividade e talento de seus músicos, influência sobre essa música tão pesada, lisérgica e poderosa do The Lyd. Aqui a atmosfera intensa, típica de porão úmido e escuro, com guitarras crocantes e pesadas, cheias de distorção, com longas excursões de fuzz é a tônica deste trabalho.

As músicas, como estavam descritas, nos seus acetatos originais, estavam apenas numeradas, os nomes destas podem ter sido alterados de acordo com os tais relançamentos, então vamos a elas! O trabalho é inaugurado pela faixa “The Time Of Hate And Struggle” ou “Part One” que inicia viajante, psicodélica, guitarras mais dedilhadas. Os vocais são dramáticos, de atmosfera sombria, seguindo a proposta sonora, mas não demora muito para se ouvir um riff mais pesado e denso e assim alterna, entre o peso e o sombrio. Uma faixa estranha, lisérgica e pesada, mostrando o melhor das décadas de 1960 e 1970.

"The Time of Hate and Struggle" ou "Part One"

“Need You” ou “Part Two” já começa animada, solar, com riffs pesados e grudentos de guitarra, solos simples e diretos faz da música algo sujo, despretensioso e garageiro. Os vocais assumem um belo alcance, algo mais alto e limpo, seguindo a tônica mais enérgica da música. Aqui o hard rock parece ganhar vida e ter certo protagonismo. Mas aquela pegada dançante, típica dos anos 1960, ainda está lá.

"Need You" ou "Part Two"

“Stay High / Fly Away Is Still Ok” ou “Part Three” me remeteu a algo como The Stooges, por exemplo. Aqui a sonoridade é mais suja e pesada e traz reminiscências do proto punk e do heavy metal. A bateria tem uma pegada mais dura e pesada e o baixo é evidentemente galopante. As nuances do heavy e punk estão aqui como se fosse uma maquete do que ganharia vida na segunda metade dos anos 1970 e início dos anos 1980.

"Stay High / Fly Away is Still OK" ou "Part Three"

“Double Dare” ou “Part Four” é uma faixa de tiro curto e vem com um vocal meio falado (seria os primórdios do hip hop?), mas forjado com um hard rock típico, com bateria dura, marcada e pesada e riffs e solos de guitarra de tirar o fôlego. “Think It Over Twice” ou “Part Five” começa estrondosa, com riffs poderosos de guitarra, solos grudentos e sujos e variavelmente com alternâncias de uma sonoridade, que vai do hard para uma música mais sulista, no mínimo intrigante e interessante. Mas aqui o peso e a audácia são protagonistas. Vocais gritados, solos bem elaborados de guitarra, em alguns momentos. Aqui o hard rock ganha vivacidade e não há sequer sinal da psicodelia. Nesta música o The Lyd mostra o seu lado mais arrojado e complexo.

"Think it Over Twice" ou "Part Five"

E fecha com “Trash Pad” ou “Part Six” que traz à tona novamente o lado psicodélico do álbum. Nessa faixa há a percepção do psych underground, mais com uma pegada mais dançante, porém os riffs de guitarra fazem questão de mostrar que o peso típico da banda ainda estava lá. Vocal meloso e mais limpo são os destaques da faixa.

"Trash Pad" ou Part Six"

Muitos apreciadores e colecionistas de vinis atribuem ao selo Akarma o lançamento oficial do álbum do The Lyd ou Lyd, em 2000, na Itália. Mas, de acordo com algumas escassas referências que há na web, o primeiro relançamento foi feito selo belga Fanny, também conhecida como Fanny Records, em 1992, especializada em lançamentos de álbuns raros, nem sempre oficiais, com capa diferente dos relançamentos posteriores. Entre 2000 e 2012 outros relançamentos aconteceram, a maioria na Itália, também, claro, outros relançamentos foram piratas.


“The Lyd” pode ser encarado como um trabalho original? Diria que não! Um marco na história do rock? Talvez. Mas não estou aqui a decidir isso, tão pouco estipular ou definir quaisquer coisas a esse respeito! Mas é inegável dizer que bandas como The Lyd trouxe ao rock o frescor da novidade, como tantas outras, que caíram no ostracismo, que trouxeram uma música arrojada, perigosamente underground e viva, latente aos ouvidos e ao coração daqueles que sempre buscaram e buscam algo novo para as suas audições.






A banda:

Jack Linerly na guitarra e vocal

Frank Tag na guitarra, piano e vocal

Rob Weisenberg no baixo e vocal

Chet Desmark na bateria

 

Faixas:

1 - The Time Of Hate And Struggle

2 - Need You

3 - Stay High / Fly Away Is Still Ok

4 - Double Dare

5 - Think It Over Twice

6 - Trash Pad 




"The Lyd" ou "Lyd" (1970)





























 


sábado, 28 de março de 2026

Mutha Goose - I (1975)

 

Uma banda envolta em sombras! Um álbum produzido de forma artesanal, com um número incipiente de cópias! Assim se faz uma banda obscura! Ou melhor: aqui, neste reles e humilde blog, não se faz, mas dissemina, difunde! Bandas como a que eu tentarei contar a história, jamais ganharia, com exceção de um valoroso nicho de abnegados, as redes sociais ou os canais de comunicação e/ou a geração de conteúdos de quem quer que seja.

O rock n’ roll é desconhecido pelos seus ditos apreciadores. E nesse momento em que podemos dizer, com certo risco, que as bandas não são tão somente obscuras, mas as tornam obscuras. O mercado fonográfico tendência e é tendencioso, o modismo é a arma que segmenta, trazendo cenas e bandas, muitas vezes, manipuladas pelo marketing, por empresários, pseudo empreendedores da música, onde a música, a arte, é pincelada por melodias acessíveis, de fácil assimilação, com potencial de “venda”.

E assim simula e projeta as percepções de um mercado que, de joelhos, segue, como uma ovelha, o pastor fonográfico, que decide os nossos gostos musicais. Mas ainda há abnegados, persistentes que, em um nível de resistência, segue na contramão do status quo sonoro e trazem bandas como essa que, modéstia à parte, somente este e poucos blogs, podem trazer. Qual é a banda? MUTHA GOOSE.

O Mutha Goose foi uma raríssima e esquecida banda norte-americana, formada em Indiana que, dada a sua arrojada e pouco ortodoxa música, foi relegada ao ostracismo e, evidentemente, pouco se sabe dela e a grande web, tida como democrática, na difusão, em profusão, de tantas informações, reduz-se a poucas linhas para essa banda.

Foi uma banda que sequer atingiu sucesso em Indiana, mas, ainda assim conseguiu, de forma, como disse, artesanal e limitada, gravar apenas um álbum, em 1975, chamado de “I”, pelo selo Alpha Omega, gravadora de Indiana que atuou no mercado entre as décadas de 1960 e 1970. Claro que pouco se sabe quantas cópias foram lançadas, mas, diante de cenário de total obscuridade e ostracismo, reza a lenda que foi um lançamento privado, com cerca de 50 cópias, apenas, que provavelmente circulou apenas a amigos e pessoas próximas aos integrantes da banda.


A névoa densa da desinformação também circunda entre os seus integrantes que é sabido os seus nomes, mas pouco se sabe quais instrumentos tocavam. A pouco informação pode ser um entrave, mas, preciso admitir que, lá no íntimo do meu ser, a obscuridade, tema central deste reles blog, é um ponto deveras sedutor. A banda trazia Jeff Cefali que, pelo que pude apurar, em minhas pesquisas, era baixista, Dave Limeberry, bateria e Mark Hardy e Herb Hagenwald que desconheço quais instrumentos tocavam.

Em algumas fontes, apurei que Herb, além de ter sido bem ativo nas composições das cinco faixas do álbum, também foi responsável pela produção deste, ganhando certo protagonismo na sua concepção. Nessa mesma fonte pude observar que o “Copyright”, ou seja, que, por definição, é o direito exclusivo do autor de reproduzir sua obra, geralmente utilizado em obras literárias e científicas, traz o nome de “Mutha Goose Productions”, o que reforça a característica bem artesanal na produção desse álbum, único lançado pela banda.

A sonoridade de “I” traz riffs pesados e fuzz, seja de baixo, como principalmente de guitarra, com bordas duras, sujas e alucinantes de órgãos, incluindo ainda o uso de flautas e piano. Nele se percebe, se ouve um hard rock, com temperos psicodélicos que se entrelaçam com arestas de garage rock e floreios progressivos, com destaque para jams estendidos e vocais lisérgicos. A sonoridade do único álbum do Mutha Goose entrega uma energia crua underground de algumas bandas obscuras dos anos 1970, com a tipicidade do Meio Oeste estadunidense, de sua, claro, ala mais underground.

Aos apreciadores de música pesada e pouco estereotipada, bem como os bons “degustadores” do prog rock com teclados em profusão, irá se deleitar com o trabalho do Mutha Goose. É fato que muito se explica também pela condição desse álbum, pois mostra um resultado que não se rotula, trafegando por várias vertentes, tendo como espinha dorsal, o hard e o prog.

O álbum é inaugurado pela faixa “You Said Goodbye” que introduz em dedilhados viajantes de piano e uma flauta doce, dando um clima pastoral à música, mas vai ganhando corpo, consistência sonora, os riffs mais pesados e pegajosos de guitarra capitaneiam essa transição do acústico ao peso do hard rock. O vocal não pode ser negligenciado, pois, nessa transição é participante de destaque, do melódico ao quase rasgado, ao grito. É a típica faixa progressiva, repleta de mudanças rítmicas, tendo o órgão catártico, energético e que desemboca em um solo frenético de guitarra, com a camada de teclados igualmente poderosos. Uma música organicamente caótica e complexa.

"You Said Goodbye"

“I Think It's You” chega dançante, uma pegada mais sinfônica e cristalina aos ouvidos. O vocal é extremamente limpo e melódico. A faixa é solar, o piano traz o balanço, mas não se engane, a música prega uma peça e se mostra dinâmica, com riffs pesados de guitarra que a coloca em um patamar pesado típico do hard rock e que logo se revela mais acústica, com as flautas trazendo de volta um clima de balada rock mais acessível aos ouvidos. A “cozinha rítmica” ganha destaque no final da faixa, baixo galopante, bateria pesada, guitarra estridente. Excelente!

"I Think It's You"

“Exodus” traz a introdução voltada mais para o psych prog, algo mais experimental, baixo potente, vívido, bateria marcada, pesada, o órgão te manda para mares progressivos e psicodélicos. A lisergia encontra a sofisticação do progressivo. Mas o hard rock, personificado pelo riffs pesado e sujo de guitarra, traz o inusitado, a sopa sonora. Solos ácidos, lisérgicos, garageiros são ouvidos. O complexo em um casamento com o despretensioso.

"Exodus"

“Freak – Hitchhicker” me remete ao minimalismo do krautrock germânico, uma simplicidade carregada de peso, de um hard psicodélico repleto de lisergia e um experimentalismo que beira a jams sections totalmente desprovida de bons modos. É sujo, é garageiro, é louco e pouco ortodoxo. Riffs de guitarra e solos deixam a música ainda mais pesada e é nesse momento que o hard rock, típico, domina. A simplicidade se revela dura e pesada.

"Freak-Hitchhiker"

E fecha com “Being Her Friend” que traz uma introdução mais soturna, diria sombria, com um vocal distante, abafado. Algo dramático, em tom de dramaticidade traz uma camada estranha para essa música. Flautas, suaves notas de teclados corroboram a sua condição soturna e reflexiva. Mas eis que surge a surpresa: A guitarra traz um riff mais dançante, o baixo segue com um groove animado e a bateria, em uma batida marcada e pesada entrega uma pegada distinta a música e assim termina, de forma mais animada e solar.

"Being Her Friend"

A qualidade dessa sonoridade é definitivamente sólida, do seu começo ao fim, um som estranho, por vezes, sombrio, mas muito inventivo e que não se prende a rótulos e estereótipos, fazendo dele uma obra excelente de hard prog, com uma pegada garageira e suja. E quando trazemos à tona essas nuances a um álbum que tem o progressivo, pode parecer, aos ouvidos mais conservadores, improvável, mas sim, é possível associar, claro, de forma arrojada o rock de garagem, por exemplo, ao prog rock.

A edição original, pelo que pude apurar também, por intermédios das escassas fontes disponíveis, é até agora a única deste álbum e, por ter tido uma baixa tiragem, é muito difícil de conseguir, não tendo, como disse, reedições disponíveis, o que faz do único álbum do Mutha Goose e, consequentemente da banda, obscura, rara. Não duvido que esse trabalho, se tem disponibilidade de venda, deve ter cifras estratosféricas, o que faz dessa banda e álbum sedutores dentro de seu universo obscuro. Mas não é apenas por isso, também pela sua sonoridade arrojada e de profunda personalidade criativa.


A banda:

Jeff Cefali no baixo

Dave Limebery na bateria

Mark Hardy ?

Herb Hagenwald ?

 

Faixas:

1 - You Said Goodbye

2 - I Think It's You

3 - Exodus

4. Freak - Hitchhicker

5. Being Her Friend




"I" (1975)

 


















sábado, 21 de fevereiro de 2026

Tempest - Tempest (1976)

 

Como falar de uma banda que não tem um rastro de história? Pode parecer difícil quando se tem, como essência, neste reles e humilde blog, a história como mote, como mola propulsora. Mas temos de admitir que a matéria-prima desse site são as bandas obscuras, raras. E quando falamos desses tipos de bandas, a tendência é de que não tenha tanta referência, na web, para se construir um texto de cunho histórico e informativo.

Entre fazer valer a essência e o propósito do blog e a ausência de informação para se montar um texto, claro, eu optarei sempre por apresentar a vocês, dedicados e estimados leitores, por trazer para todos as bandas obscuras e esquecidas por tudo e todos, que estão à margem, nos escombros do rock n’ roll.

E essa banda faz jus a este blog que, de forma hercúlea e desafiadora, porém prazerosa, ao tema “obscuridade” e “raridade”. O nome dela? TEMPEST. Talvez você tenha lembrado da seminal banda do icônico baterista Jon Hiseman, que se notabilizou tocando bateria no Colosseum, que se chamava “Tempest” ou ainda, aos aficionados pelo heavy metal / speed metal que lembrou do Tempest alemão, da segunda metade dos anos 1980. Não, não é!

O TEMPEST que falarei hoje por aqui veio de Houston, no Texas. Ah, queridos leitores, o que dizer da cena hard rock obscura, underground, dos Estados Unidos da América? Eu sou um enamorado por essa cena! Nem só de Aerosmith e Van Halen vive o hard rock estadunidense.

Há muito a se desbravar essa cena, é interminável. A cada descoberta parece que as suas possibilidades se expandem, tamanha é a quantidade de bandas que surgem diante de nossos olhos, onde a grande maioria, não passou de um álbum e que sequer saiu de sua cidade de origem, ou seja, bandas predominantemente regionais.

O nosso Tempest texano não foge à regra. A banda é rara, o lançamento de seu único álbum, homônimo, de 1976, também é raro e teve pouquíssimos relançamentos o que reforça a sua condição. E já que falei em relançamentos e lançamento de álbum, cabe aqui uma informação importante e uma das poucas que pude identificar, com o escasso quantitativo de informações que achei na internet sobre o Tempest.

Este álbum teve apenas duas edições ou diria um relançamento deste álbum: a original, claro, em Houston, no Texas, em 1976 e a mais conhecida, pelo menos me pareceu isso, uma da Alemanha, pelo selo Earth Records, de 1979. Por que digo que essa é a mais conhecida: Porque a segunda edição alemã, para muitos, parece ser a única. Inclusive há a confusão de que o Tempest seja uma banda alemã e que seu único trabalho tenha sido concebido, originalmente, no ano de 1979 e não em 1976 nos Estados Unidos.

Independente disso, convém aqui trazer os músicos que compuseram o Tempest, umas das poucas informações que há na web. São eles: Pat McClain / Scott Davis, no baixo, Nick Harris no baixo e vocais, Fred Drake na bateria e percussão, na guitarra solo, violão acústico e piano trazia Jeff Wells, nos vocais principais trazia Barbara Pennington e nos teclados e sintetizadores tinha Mark Richardson. A produção, sem sombra de dúvida, pela audição, caseira e caráter artesanal ficou a cargo da própria banda.

E, como disse, pelas características da produção mostra uma banda, com a permissão da “licença poética”, sem recursos e sequer apoio para a construção desse álbum em estúdio, fazendo tudo por conta própria. Isso pode não personificar ou potencializar a capacidade da banda, de sua técnica, mas por outro lado traz o charme de um trabalho despretensioso e livre de quaisquer amarras tendenciosas e modistas, rendendo-se apenas à criatividade e ao que acreditam como a sua genuína música.

E falando no único álbum do Tempest, nele predomina o hard rock volumoso, voluptuoso, pesado, agressivo, com nuances e temperos de blues rock e recheados de faixas, em um total de doze músicas, curtas, em sua maioria, corroborando a sua condição de despretensiosidade, de peso e agressividade. Então sem mais delongas, vamos às descrições de cada uma delas, para não perder o costume.

O álbum é inaugurado pela faixa “Toll” que começa sombria, com ruídos estranhos, mas isso é curto, porque entra a faixa seguinte, a “Can't Be Too Strong When You're Losing”, que se revela totalmente distinta da anterior, que é mais uma introdução do que qualquer coisa. A segunda é um hard rock forte, vibrante, com alguma cadência e é regida por riffs pesados e grudentos de guitarra e uma sessão rítmica bem dançante. Mas não se engane apenas com os riffs, há também solos, embora curtos, é extremamente pesado.

“Nothing To Lose Blues”, como o nome sugere e inspira, traz um blues rock com nuances evidentes de hard rock e ganha uma característica bem interessante com o vocal feminino predominando dessa vez, diferente da faixa anterior que revezava com um vocal masculino. É uma faixa animada, solos de guitarras mais competentes, bem elaborados, como pede um bom e velho blues rock.

Segue com “We Can Flow” que começa com um dedilhado de guitarra, meio acústica, mas que logo se engrandece, ganha corpo, com uma pegada pesada de bateria, de baixo pulsante e riffs agressivos de guitarra. Mas logo fica lenta e o vocal de Barbara ganha destaque quase cantado à capela. Mostra um vocal melódico e de grande alcance. A bateria ganha destaque também, é pesada. É um hard rock com toques de balada, uma balada poderosa regida pelo vocal competente, riffs de guitarra que apimentam e a bateria sempre pesada e agressiva.

"We Can Flow"

“Mama” começa como um som de “festa”, com riffs dançantes, a bateria segue a mesma linha, te faz balançar. Me remete a um som mais comercial, mais acessível e aqui, mais uma vez, o vocal de Barbara ganha destaque, mas a faixa não me parece ser a mais inspirada, ainda assim salva para animar. “The Lady” começa com aquele típico riff de guitarra de hard rock dos anos 1970: pesado, com um groove agressivo, arrastado, até chega a ser meio sujo. A bateria, mais uma vez, vem pesada e agressiva, bem marcada. A guitarra tem um solo rápido, simples, mas que cumpre seu papel de peso e agressividade, potencializando a sua condição de hard rock genuíno. Para os amigos leitores que apreciam peso, um proto metal essa é a faixa. Uma das melhores de todo o álbum!

"The Lady"

“This Shouldn't Happen To Me” começa diferente: ao piano, meio sedutora, dançante e que me fez lembrar da banda norte americana de occult rock Coven. Riffs ocasionais de guitarra, sintetizadores trazem uma textura misteriosa à música, solos de guitarra ao estilo psych, algo um tanto quanto lisérgico. “We Will Always Have Our Fears” também começa diferente, um tanto quanto soturna e sombria. Os vocais de Barbara ganham outra nuance e me traz à memória, o que definitivamente me agrada, um típico occult rock com pitadas generosas de psicodelia. Mas aqui há de volta o revezamento entre os vocais femininos e masculinos. Não é uma música pesada, não é tão hard rock, mas igualmente uma faixa sedutora. Não há como se deixar dançar e envolver por ela.

"We Will Always Have Our Fears"

“What You Got” continua na sequência de faixas mais dançantes e aqui o baixo ganha destaque, pulsante, cheio de balanço, de groove, me remete até mesmo a um dance music, que estava começando a ficar em voga na segunda metade dos anos 1970 e o vocal de Barbara corrobora essa condição sonora. A bateria também cheia de groove e balanço faz da sessão rítmica o grande destaque dessa faixa.

"What You Got"

“Working Band Blues” traz uma balada que me transportou diretamente para o “flower power” da segunda metade dos anos 1960. Um clima de “paz e amor” tomou conta dessa faixa. É uma música simples, psicodélica, mas traz um solo bonito de guitarra que te faz bailar ao seu som. “Feel Fine” devolve ao álbum o seu lado hard rock! Riffs inaugurais de peso, mas que não deixou de lado essa sequência mais dançante e psicodélica. Mas aqui tem a lisergia, o peso e o balanço que me fez lembrar, ao som da bateria, um pouco do rockabilly dos anos 1950. Uma faixa bem interessante!

Working Band Blues"

E fecha com “Long Way From Home” que permanece com os pés fincados no hard rock. Ela começa com o peso habitual da bateria, bate pesadamente, com os riffs grudentos e igualmente pesados da guitarra e o revezamento bem interessante e competente entre os vocais femininos e masculinos. Solos de tirar o fôlego de guitarra entregam de bandeja aos ouvintes o peso e a personificação do mais puro e genuíno hard rock. Aqui o peso domina e fecha magistralmente o álbum.

"Long Way From Home"

Nada se sabe do paradeiro dos músicos que fizeram parte do Tempest. Da mesma forma que surgiram, desapareceram, como uma força da natureza que chega e devasta, mas logo de dissipa e desaparece. Assim foi o Tempest. Uma sonoridade, comprovada pelo seu único trabalho, muito arrojada e complexa, mas por outro lado orgânica, mostrando a verdade da banda em todas as suas nuances e detalhes. Pouco se sabe sobre eles, pouco se falou sobre eles, mas graças ao advento da disseminação da informação e das grandes redes sociais que permeiam a nossa vida, abnegados divulgaram esse trabalho obscuro e que também escrevem sobre ela, como esse humilde e simples blog. O fato é que, ao ouvir esse álbum, ele se revela solar e multifacetado. Pérola altamente recomendada.

 


A banda:

Pat McClain e Scott Davis no baixo

Nick Harris no baixo e vocal

Fred Drake na bateria

Barbara Pennington no vocal principal e percussão

Mark Richardson no piano e sintetizador

 

Faixas:

1 - Toll

2 - Can't Be Too Strong When You're Losing

3 - Nothing To Lose Blues

4 - We Can Flow

5 - Mama

6 - The Lady

7 - This Shouldn't Happen To Me

8 - We Will Always Have Our Fears

9 - What You Got

10 - Working Band Blues

11 - Feel Fine

12 - Long Way From Home




"Tempest" (1976)

















 





sábado, 17 de janeiro de 2026

Charge - Charge (1973)

 

Alguns tesouros demoram a se revelar. As pérolas ficam escondidas sempre disponíveis para garimpo e este reles e humilde blog está aqui para fazer esse árduo, porém prazeroso trabalho, de descobrir as pepitas de ouro do rock n’ roll. E a Inglaterra, como um dos gigantes produtores de rock e, mais especificamente da música pesada, traz bandas em profusão, das mais famosas e, claro, as obscuras.

E de lá surgiu um power trio extremamente raro e underground chamado CHARGE que gravou uma demo, com apenas, pasmem, 99 cópias no início de 1973, porém não culminou em fama, fortuna e todo tipo de excesso típico das estrelas de rock. O álbum foi ignorado por várias gravadoras para quem as cópias foram enviadas. Reza a lenda que teve, não 99 cópias, mas apenas uma cópia! Isso mesmo que você, meu bom amigo leitor, leu! O que reforça, ainda mais, o conceito de raridade desta banda e seu único rebento sonoro.

Mas antes de entrar nos pormenores do álbum e suas faixas, convém falar um pouco da história da banda, que também não traz tanta informação por razões óbvias. O Charge evoluiu a partir do “Baby Bertha, uma banda de hard rock psicodélico, formada pelos idos de 1971 por membros de outra banda da Costa Sul chamada “Relative” que surgiu para o mundo em 1969 fundada por Dave Ellis. Em 1972 o Baby Bertha era formado pelo vocalista e guitarrista Dave Ellis, o guitarrista Roger “Proff” Perry, o baixista Ian McLaughlin e o baterista Des Law.

O Relative, como um nome inspirado em “Family” (que havia sido disfarçado de Relative no notório romance groupie de Jenny Fabian, foi concebido quando Ellis retornou do exterior, onde havia servido para o exército britânico, sendo membro ativo do mesmo e isso explica e muito a sonoridade, tanto do Relative quanto do Baby Bertha e futuramente do Charge, com faixas conceituais sobre guerras entre outros eventos e comportamentos ligados ao belicismo. Eram tempos de guerra e de agitação social muito grande.

A banda foi produto do “boom” do blues rock britânico, mesclado a uma lisergia pesada e ácida, trazendo o embrião do que viria a se convencionar de hard rock, mas também com pitadas do também embrionário rock progressivo com suas temáticas conceituais, sobretudo. As mudanças de formação, tanto no Relative quanto no Baby Bertha, foram constantes tendo na figura de Ellis, a criatividade sonora dessas bandas. Isso mudou quando chegou Ian MaLaughlin, onde os dois criaram relação pessoal e musical muito azeitada e perdurando uma amizade até os dias de hoje.

Creio firmemente, nobres leitores, que o Baby Bertha é o pai do Charge não apenas pelo fato de trazer grande parte dos seus músicos, mas também pelo aspecto sonoro da coisa. As músicas gravadas, lá no SRT Studios, sediada em Luton, para o único álbum da primeira banda, flerta e muito com os anseios da cena blues rock da Inglaterra, tão vívida e latente por bandas do naipe do Cream e Jimi Hendrix. Da versão dura e pesada de “Looking for Somebody”, do Fleetwood Mac, acompanhada por uma versão mais solar de “Blueberry Hill”, do Fats Domino, percebe-se, nas faixas compostas por Ellis, uma orientação do Baby Bertha para o blues pesado, corroborando a mesma condição para o Charge.

Baby Bertha - "Just the Beginning" (1972)

E agora o álbum! “Charge” é um álbum de hard rock com pitadas generosas de blues rock e garage prog muito bem executados, com reminiscências de psych rock com guitarras lisérgicas e um tempero experimental. A banda, com seu único álbum, não se rotula e revela uma versatilidade mostrando-se aberta às sonoridades que estavam em voga na primeira metade dos anos 1970.

É uma sonoridade tipicamente underground, porque não assume estereótipos, é cru, é latente, um som vivo é singular, seja em seus feitos ou em suas deficiências de produção e tudo mais. É um álbum artesanalmente concebido, sem arestas, é como ele é: autêntico!

O álbum é inaugurado com a faixa “Glory Boy From Whipsnade”, abreviada, em algumas reedições não autorizadas, que traz uma encapsulação perfeita do som da banda: um turbilhão de hard rock com riffs pesados de guitarra, ao estilo Hendrix, com aquela pitada generosa de blues rock ácido. Aqui é lisergia pura! Mas ainda é perceptível algo sombrio nessa música que a torna arrastada e por vezes introspectivas. Os solos de guitarra não ficam atrás, corroborando a psicodelia ainda viva e latente, mesmo que tenha sido concebida em 1973.

"Glory Boy From Wipsnade"

E falando em sombrio, espere até ouvir a próxima faixa: “To My Friends”. Um vocal grave, soturno e melancólico introduz a faixa com certa austeridade e dramaticidade. Um dedilhado de guitarra, que continua lisérgica, mas dá sustentação a esse tom sombrio e ameaçador, que, por vezes, me remete a algo contemplativo. O destaque fica também para baixo que, embora discreto, traz algo denso e a tão perceptível atmosfera sombria, com a bateria cadenciada. Aqui a “cozinha” se faz presente e com talento.

"To my Friends"

"Rock My Soul" começa com um balanço, uma pegada soul graças a guitarra, mas com uma marca ao estilo “beat”, algo dançante que gradativamente vem assumindo um tom mais pesado, com a guitarra assumindo uma levada mais psicodélica, os riffs lisérgicos vão ficando mais estridentes e pesados. Aqui a seção rítmica é mais pesada, o baixo é espetacularmente galopante remetendo ao heavy metal dos anos 1980. A bateria é pesada, marcada, intensa.

"Rock my Soul"

E fecha com a impressionante e incrível “Child of Nations” que traz um vocal mais rouco, mais dramático de Ellis, com um dedilhado ao fundo de guitarra contemplativo e que nos entrega solos curtos e viajantes. Aqui é o rock progressivo que se mostra relevante! A música vai ganhando, gradativamente, corpo, o vocal, antes abafado, vai ganhando alcance, os solos de guitarra, entre a lisergia e o contemplativo, mostra o salutar duelo entre o prog rock e o rock psicodélico. E como todo bom prog rock tem as mudanças rítmicas e se mostra, em uma segunda etapa (a música é fragmentada em subfaixas como: “Soldiers”, “Battles” e “Child Of Nations”) mais pesada e experimental, lembrando, inclusive um krautrock alemão: pesado e cheio de ruídos. Depois irrompe em um típico hard rock. Uma faixa que agrada a todos os gostos, extremamente complexa e versátil.

"Child of Nations"

As 99 cópias que foram feitas do álbum foram distribuídas entre os familiares dos músicos da banda, amigos próximos e as cópias que restaram foram entregues às gravadoras que, lamentavelmente, não demonstraram interesse em distribuir e consequentemente divulgar o som do Charge mundo afora. É o preço que se paga por fazer música arrojada e que não se “encaixa” a nenhuma tendência de mercado.

A tentativa vã de um contrato de gravação, segundo a banda, pode ter sido também por conta da forma breve de seu álbum, com cerca apenas de trinta minutos de duração e também por terem sido fabricados sem nenhuma capa externa, aquele formato extremamente artesanal onde a banda não tinha nenhum recurso financeiro. Foi pensado, para enriquecer o LP regravar algumas músicas do Baby Bertha, a banda que encarnou no Charge, mas, no fim das contas, os caras não optaram por isso.

Mas apesar das dificuldades de se conseguir um contrato com gravadoras o Charge construiu, com algum êxito, uma boa reputação com as suas apresentações ao vivo e abocanhou uns bons fãs com shows bombásticos na Costa Sul nos dois ou três anos em que continuaram ativos, até serem atingidos por uma tragédia.

Em meados de 1975, o baterista Pete Gibbons, ainda com apenas 25 anos de idade à época, sofrei um terrível ataque fatal de asma, morrendo precocemente. Dave e Ian, seus amigos de banda, arrasados, sequer poderiam considerar continuar a banda sem ele e, diante da morte de Pete e da frustração de não ter conseguido um contrato de gravação para divulgar a sua grande música, decidiram pôr fim a trajetória, também de forma precoce, do Charge.

Apesar do álbum demo que gravaram na juventude, lá em 1973, já estar à venda em vinil e CD, com as reedições, os membros sobreviventes do Charge, Ian MacLaughlin e Dave Ellis, permaneceram, pasmem, completamente alheios a tudo isso. Até que, um dia, no ano de 2010, Ian decidiu, por impulso, visitar uma dessas feiras de discos pela primeira vez.

E folheando distraidamente os estandes de vinil, ele ficou surpreso ao encontrar um álbum de uma banda que compartilhava o mesmo nome de sua antiga banda. Aquilo o deixou no mínimo intrigado, não é para menos. Ele ficou ainda mais surpreso ao virar a capa e descobrir, pelos títulos das músicas, que na realidade era o álbum que ele, Dave e Pete haviam gravado lá no estúdio em Luton quase quarenta anos atrás. E mesmo isso não se comparou à surpresa que tece quando, ao contar ao dono da banca que era membro da banda que o gravou, descobrindo que custaria £15 para comprar uma prensagem pirata do próprio álbum! Uma loucura!

Mas parece que tudo acontece por um motivo, dizem que é destino, algo está escrito para acontecer, não sei dizer sobre essas questões sobrenaturais, mas o fato é que, creio eu, que essa história precisou ser contada ou melhor ter acontecido para que, mais de quarenta anos depois do lançamento do álbum único do Charge, em 1973, ter sido relançado agora de forma oficial e como bônus foi incluída as músicas que compuseram na época do Baby Bertha. Um genuíno presente para os alucinados pela música obscura e esquecida nos porões empoeirados do bom e famigerado rock n’ roll.


Dave e Ian seguiram suas trajetórias na música em várias outras bandas, mas deixaram a história do Charge por aí que, do extremo anonimato de sua curta carreira, no início dos anos 1970, ganhou luz quando Ian descobriu que estavam comercializando seus álbuns de forma não autorizada. Que bom que aconteceu, não importa a forma, para que todos nós pudéssemos ter acesso a essa pérola bruta devidamente lapidada para deleitar nossos ouvidos e corações de uma música real, criativa e atemporal. Afinal, música tão boa realmente merece alcançar o maior número possível de pessoas.


A banda:

Dave Ellis na guitarra e vocal

Ian MacLaughin no baixo e vocal

Pete Gibbons na bateria

 

Faixas:

1 - Glory Boy From Whipsnade

2 - To My Friends

3 - Rock My Soul

4 - Child of Nations

           a. Soldiers

           b. Battles

           c. Child Of Nations



"Charge" (1973)