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quarta-feira, 8 de maio de 2024

Wolmari - Wolmari (2019)

 

Há quem diga que um projeto de músicos não consiste em uma banda formada. Talvez tal argumento encontre força no fato de alguns “projetos” não ganharem a estrada, sem turnês ou até mesmo uma divulgação de seus trabalhos, limitando-se apenas às paredes frias dos estúdios.

Provavelmente essa discussão não mereça qualquer tipo de debate, mas o que me preocupa, caros leitores, é a consequência que pretensa afirmação pode gerar no que tange às audições, porque, independentemente de qualquer coisa a música precisa ser colocada em um patamar maior de importância.

As temíveis posturas conservadoras que teimam em pairar no rock n’ roll parece agir como uma cegueira nessa questão de bandas “devidamente formadas” ou projetos que reúnem músicos de outras bandas, as vezes com vibes distintas nas vertentes sonoras.

O fato é que a música precisa ser colocada em prioridade, penso, e encarar projetos, que podem trazer algo de audacioso, até mesmo de músicos estabelecidos, podem também oxigenar a cena, o rock. E é aí que as rejeições podem surgir, levando em consideração que temos cenas cada vez mais estagnadas que ouvem ou figurões ou as bandas e álbuns que flertam com o mainstream.

Sou um entusiasta dos projetos, principalmente que envolvam músicos já experientes que fogem do lugar comum ou da zona de conforto de suas bandas, trazendo, nos brindando com algo novo e arrojado para a sua carreira e consequentemente para a cena que, seja ela do heavy metal, do rock progressivo, precisa se perpetuar com o novo.

E eu, em uma das minhas inúmeras incursões pela grande rede, encontrei um álbum que, logo no aspecto visual me chamou a atenção, com a sua arte gráfica e também por ser finlandesa, acredito que isso já é um convite à audição. Falo da banda WOLMARI.

O Wolmari é um projeto de três músicos da Finlândia que tinha suas vocações musicais para o rock progressivo. São músicos estabelecidos e com longa carreira em seu país natal, tocando ou em várias bandas ou com carreiras solos bem construídos. São eles: o vocalista e tecladista Matti Kervinen que tocou em bandas como Kataya, Pax Romana e Sunhillow. O tecladista Pasi Koivu e o baixista Petri “Lemmy” Lindström que tocaram em bandas como Corvus Stone, além de seus próprios trabalhos solos que variam da música pesada e até o eletrônico.

E como todo bom projeto traz também uma grande quantidade de músicos que colaboraram para a construção de seu único álbum, lançado em 2019, chamado “Wolmari”, pelo selo Presence Records da Running Moose Production, que são: Anssi Nykänen (bateria, percussão), Samu Wuori (guitarra elétrica), Timo Rautiainen (vocal), Hannu Leidén (vocal), Esa Kotilainen (acordeão), Sonja Tiiro (saxofone alto), Anu Wuori (backing vocals) e Teijo Tikkanen (teclados).


“Wolmari” é predominantemente construído com forte atitude no rock progressivo tendo nuances bem evidentes de folk rock e cantado em finlandês. Uma música tipicamente da Finlândia: progressiva e com toques bem generosos de paganismo!

O álbum é inaugurado com a faixa “Wolmari I” traz um caráter literalmente de introdução ao álbum e entrega um instrumental melancólico, sombrio, diria, profundamente atmosférico em que todos os três membros do Wolmari tocam apenas o teclado.

"Wolmari I"

Segue com a faixa “Sarastus” que é a mais longa do álbum, com pouco mais de onze minutos e meio e é cantada em finlandês por Timo Rautiainen, bem conhecido na cena do metal melódico finlandês, com backing vocals femininos. A faixa traz um ritmo lento, contemplativo e lembra, em alguns momentos, o Pink Floyd, especialmente na guitarra de Wuori, com uma linda atmosfera melancólica típica do rock progressivo escandinavo. Não podemos negligenciar as nuances um tanto quanto experimentais nessa excelente faixa.

"Sarastus"

“Jään Tähän” (“Eu Fico Aqui”, em português), mais curta, mas não menos excepcional, com um estilo melódico e viajante, com um instrumental “temperado” por uma abordagem mais pesada com a excelente participação do saxofone e do acordeão que traz um caráter mais exótico a faixa.

"Jaan Tahan"

“Syvä Jää” traz uma introdução calcada nos sintetizadores, algo meio sombrio e soturno, com o baixo seguindo o ritmo, logo entra o piano que entrega uma atmosfera oculta, estranha, mas logo vem a bateria, marcada e pesada, e solos igualmente pesados, de guitarra, que muda o “temperamento” da música. É inegável a influência de bandas italianas como Goblin e até mesmo Antonius Rex. Sax, acordeão apenas incrementa a faixa, dando um caráter de diversidade sonora.

"Syva Jaa"

“Syksy” (“Outono, em português) traz uma “virada” na sua sonoridade, com uma pegada mais pesada e até mesmo agressiva com um vocal indulgente, rouco de Hannu Leiden, outra ilustre participação. Uma faixa de espírito forte que definitivamente deve ser apreciado, porque mostra o caráter totalmente diversificado de “Wolmari”.

"Syksy"

“Onkapannu” é um belíssimo instrumental com lindas camadas de sintetizadores, com uma atmosfera quase de catedral. “Jos Annat Aamun Tulla” é uma faixa também cantada por Timo Rautiainen, é uma música mais comercial, mais acessível para ouvintes que não apreciam tanto rock progressivo, que traz um refrão repetido que “gruda” na mente. Se isso é bom ou ruim dependerá de você, caro leitor e ouvinte. Sem contar com o belo solo de sintetizador, fechando com um belo instrumental.

"Onkapannu"

"Jos Annat Aamun Tilla"

E fecha com “Kaivon Silmä” e, mais uma vez, a introdução fica a cargo dos teclados, agora em uma pegada mais sinfônica, mais contemplativa, logo entra o piano, e assim fica, com esse “jogo” de teclas, em uma viagem intimista e, por vezes, sombria.

"Kaivon Silma"

Nada como projetos na música que vise a estimular o lado criativo e ousado dos músicos e por mais que possa parecer algo efêmero é sim o Wolmari uma banda excepcional que flerta maravilhosamente com várias vertentes do rock, que vai do grego Vangelis, a músicas com uma veia mais acessível e até radiofônica, do progressivo ao hard e heavy rock.

E por mais que o Wolmari exponha as suas inspirações para seu único rebento, mostra que tem um caráter próprio, pois traz à tona uma música contemporânea, com um frescor dos novos e bons tempos do rock. Se você, estimado leitor, aprecia prog rock, hard rock, space rock, folk, sintetizadores introspectivos e atmosferas sombrias e profundas, você terá no Wolmari a audição mais de que perfeita e adequada aos seus ouvidos. Um álbum “charmoso” e altamente recomendado.




A banda:

Petri "Lemmy" Lindström no baixo, guitarras

Matti Kervinen nos teclados, vozes, violões

Pasi Koivu nos teclados

 

Com:

Anssi Nykänen na bateria, percussão

Samu Wuori na guitarra

Timo Rautiainen nos vocais

Hannu Leidén nos vocais

Sonja Tiiro no saxofone alto

Anu Wuori nas vozes de apoio

Teijo Tikkanen nos teclados


Faixas:

1 - Wolmari I

2 - Sarastus

3 - Jään Tähän

4 - Syvä Jää

5 - Syksy

6 - Onkapannu 

























quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Kaamos - Deeds and Talks (1977)

 

Este reles e humilde blog tem me revelado, juntamente com os meus garimpos, o que hoje tem sido óbvio, muito óbvio: de que o rock n’ roll é universal, diversificado e ainda selvagem, intocável em alguns rincões do planeta.

É pensar em demasia limitado achar que países como Inglaterra, Estados Unidos, Itália e Alemanha, por exemplo, sejam o centro desta música de que tanto amamos e em nenhum outro lugar existir nada que possa ser devidamente valorizado pela sua qualidade sonora.

São tantas bandas esquecidas, raras, com seus álbuns por alguns subjugados pelo simples fato de não se adequarem à importantes mercados consumidores da música ou a “formatos” sonoros “fora de moda”.

“Fora de moda”, descolados do tempo é outro tema difícil dentro do “show business”. Essa eterna questão de o tempo “julgar” a música e de que precisamos nos adequar às novas tendências de música é outra conversa perigosa construída pelo marketing perverso da indústria fonográfica. Por que aquela música que você se identifica não pode estar presente em seus dias?

E a banda de hoje se desloca de um tempo em que o rock progressivo não estava mais em alta, mas, ainda assim, valorizando as suas verdades sonoras, decidiu, a duras penas, seguir e gravar um álbum no fim da década de 1970 na fria Finlândia. Vejam o cenário totalmente adverso: gravar um álbum de prog rock no final dos anos 1970, na Finlândia.

Era o punk em voga, música rápida e simples, de poucos acordes, era a época da disco music, da música das pistas de dança, animadinhas. Não tinha mais espaço para as músicas trabalhadas, conceituais e tudo que o valha. Mas convenhamos, o prog rock sempre foi marginalizado com exceção de alguns figurões que conseguiram se transformar em “bandas de arena” elevando um pouco o nome da cena.

Mas voltando a Finlândia, a banda KAAMOS foi formada em Turku, sudoeste da Finlândia, pelo guitarrista Peter Strelmann e o tecladista e organista Ilkka Poijärvi. O nome “kaamos”, de origem finlandesa, significa “a noite polar quando o sol nunca nasce”, algo extremamente comum naquele país escandinavo.

Os membros originais consistiam na formação de quatro músicos: além do guitarrista Strelmann e o tecladista Poijärvi, trazia Eero Valkonen, na bateria, Eero Muntarkarma no baixo e o vocalista americano Jimmy Lewman. O organista Ilkka Pojärvi logo abandonaria a banda, bem como Lewman que sairia no ano seguinte à formação da banda, em 1974.

Este último foi substituído pelo guitarrista Ilpo Murtojarvi e pelo cantor/baterista Johnny Gustafsson. O verão de 1975 vê a saída de Strelmann, que se juntou ao Exército, e foi substituído pelo tecladista Kyosti Laihi.

O tecladista Kyösti Laihi, que era membro do “Pepe & Paradise” e também da banda Hellmann's Youth Society, quando chegou no Kaamos defendeu ardorosamente que a banda deveria tocar rock progressivo ao estilo Camel, Yes e Genesis, afinal, no início da década de 1970, quando o Kaamos foi formado, era o auge do estilo e também trazia a experiência por ser um músico que havia tocado em várias bandas locais.

Mas a banda sofreu muito com as intensas e constantes mudanças em seu line up, era um entra e sai direto de músicos e isso quase desintegrou o Kaamos, principalmente após a saída de um de seus membros fundadores, o guitarrista Peter Strelmann. Então Laihi, que parece ter assumido o comando da banda, recrutou Ilpo Murtojärvi, que foi guitarrista e compositor por um tempo da banda “Karma”. Pediu a ele que escrevesse uma música para a banda. 

No final eles se estabeleceram em um quarteto, como no início, formado por Kösti Laihi, nos teclados, Ilpo Murtojärvi, na guitarra e Jonny Gustafsson na bateria e vocal e Jakke Leivo, no baixo, ambos ex-integrantes de uma banda de orientação “pop” chamado “The Islanders.Ing”.

Neste momento do Kaamos já não tinha nenhum membro da formação original, o que era um desafio e tanto manter as arestas sonoras da banda, sem uma referência de sua história. Então decidiram cair na estrada para se apresentar, divulgar a sua música.

De Turku, a cidade natal do Kaamos, até a capital, Helsinque, tocaram em clubes, apresentaram suas músicas autorais que adicionavam blues, funk e folk à música clássica, era o prog rock e a sua capacidade de se híbrido, como o rock na sua gênese.

Em 1975 o Kaamos gravou uma fita demo e negociou com várias gravadoras para gravar um álbum oficialmente, mas era meados dos anos 1970, o rock progressivo não estava na crista da onda, afinal o punk e a new wave, entre outras músicas de cunho mais radiofônico e comercial eram as pepitas de ouro da indústria fonográfica, então as portas se fechavam. Mas a luz no fim do túnel se fez e veio da sua terra natal, Turku.

A M&T Productions, gravadora fundada em 1975 pelos irmãos Matti e Teppo Ruohonen, descobriram o Kaamos que era da mesma região. Uniram o útil e o agradável, já que a jovem gravadora estava precisando de novas bandas ao seu cast e o Kaamos estava precisando de gravadora, a banda então assinou contrato em 1976 gravando o seu primeiro e único trabalho, no início de 1977, chamado “Deeds and Talks”.

"Deeds and Talks (1977)

“Deeds and Talks” é um álbum majoritariamente de rock progressivo, com forte viés sinfônico, baseado em várias texturas de teclados e guitarras líricas, solos bem trabalhados de guitarra, até em demasia, o que, pelo menos para este que vos fala, é muito prazeroso, o que o torna um álbum especial, incluindo ainda lindas passagens de sintetizadores de movimentos interessantes, bem agitados, em uma mescla bem interessante entre o progressivo britânico com nuances do típico folk rock escandinavo, outro fator extremamente interessante para mim.

É percebido no debut do Kaamos uma guitarra bluesy, mas suaves, que nos traz à lembrança de bandas como Camel, com melodias enérgicas que me lembra Wigmam tardio, diria. Embora “Deeds and Talks” não seja um álbum inovador, ele merece uma audição pelo fato de entregar exatamente essa miscelânea de vertentes sonoras que construíram o hibridismo progressivo no fim dos anos 1960 e que se constatou em seu apogeu entre 1971 e 1974, mais ou menos.

O álbum é inaugurado com a faixa “Strife” que é centrada em guitarras de blues, com solos diretos, porém bem trabalhados, límpidos e bem executados, com teclados que traz uma textura graciosa e com uma bela performance de flauta. Essa performance meio blues e o vocal do baterista, embora não seja um primor, me fez lembrar os primeiros tempos do Bad Company meio “nórdico”! Loucura, não?

"Strife", live at Wimma, Turku, 2010

“Are You Turning” segue cheia de senso melódico que tece notas de teclados bem nostálgica, algo viajante e contemplativo, diria. A guitarra é potente, enérgica, solar, com solos diretos, mas empolgantes. Os vocais, dessa vez, são bem agradáveis, bem melodiosos, algo típico dos países escandinavos, sabe? Não saberia dizer sob o aspecto técnico e/ou comportamental, mas é algo que me parece óbvio.

"Are You Turning", live at Wimma, Turku, 2010

A próxima faixa, “Delightful” é especial pois tem uma participação efetiva e competente, sob o aspecto instrumental, de todos os músicos, com destaque para uma bateria delicada, bem executada, no auge de sua simplicidade, e teclados contemplativos. Há alguns compassos deliciosamente estranhos e casuais, com elementos evidentes de jazz rock e vocais ao estilo Ian Anderson, do Jethro Tull. Bela música!

"Delightful", live at Helsinki, 2012

“Barocchi” traz também uma faixa instrumental muito bem executada, com uma pegada clássica, com um groove brilhante e bem contagiante, com o pleno uso do Moog. Na segunda metade o solo de guitarra se desenvolve muito bem, em uma versão rock, bem como do órgão.

"Barokki", live at Finland, 2012

“Isabelle Dandelion” é uma balada bem melancólica, dramática, diria soturna, ao som de violão e piano em plena e total sinergia sonora e os vocais pungentes de Gustafson são verdadeiramente emocionantes.

"Isabelle Dandelion", live at Wimma, Turku, 2010

Segue com “Moment (Now)” que imprime uma pegada mais jazz rock com teclados lindos e solares com guitarras mais poderosas, elásticas e até pesadas. As harmonias vocais e, mais uma vez, o todo instrumental são fantásticos. As guitarras se mostram afiadas, os teclados flutuantes, com o fusion protagonizando.

"Moment (Now)", live at Helsinki, 2012

“When Shall We Know” entrega uma atmosfera mais funky, algo dançante, em uma miscelânea com o blues e, claro, o rock progressivo, sendo soberbamente introduzido, sem soar “deslocado”. O piano é tanto quanto enérgico e o conjunto da obra tem um sentido de AOR.

"When Shall We Know", live at Wimma, Turku, 2010

O álbum é excelentemente encerrado com a faixa “Suit-Case” que, como o nome já sugere, trata-se de uma grande e instigante “peça” de rock progressivo que dura mais de oito minutos e tem um lindo e potente arranjo de teclado que me remeteu aos grandes e interessantes momentos do Greenslade, banda a que tenho adoração. Ele se torna, em alguns momentos, experimental, com “quedas” para improvisações, apresentando elementos de complexidade e cheio de emoções.

"Suit-Case", live at Wimma, Turku, 2010

“Deeds and Talks” é assim: um rock progressivo com forte viés sinfônico com um senso de melodia nórdica, tendo como alicerce teclados do rock progressivo britânico e guitarras incandescentes de blues e funk, com viagens jazzísticas. Ou seja, traz a plenitude da versatilidade.

O álbum ganhou alguma notoriedade, algum elogio por parte dos críticos musicais da Finlândia, sendo considerado como o melhor momento do rock progressivo daquele país desde a fundação do Wigwam, inclusive, porém a resposta do mercado foi tímida, morna, provavelmente por ter sido concebido por um selo pequeno e que ainda estava engatinhando, além das novas predileções da indústria fonográfica pelo punk rock e new wave, sendo as vendas decepcionantes.

Mas apesar de todos esses entraves o Kaamos continuou a se apresentar localmente, em sua terra natal, Turku, mas não resistiu a esses reveses e se separou em 1980. Sentiram falta, em decorrência desse cenário totalmente contra, de um público interessado e substancial para assisti-los também nas apresentações.

O tecladista Kyösti Laihi formou o Boulevard com Erki Korhonen. Em 1989 sofreu uma esclerose múltipla, mas que não o impediu de continuar ativo nesta mesma banda até os anos 2000. Como compositor escreveu várias músicas para vários cantores e, em 2002, gravou a música "Eteenpäin" com a Seitzema Seinaflua Bergesta Band.

O baterista e vocalista Johnny Gustafson se juntou a um grupo de dança “Bogart Company”, que se tornou sucesso e a mais tarde se reuniu a banda Bluebird. Depois disso, ele seguiu uma carreira solo, mas morreu em 9 de outubro de 2021.

O baixista Jakke Leivo se tornou um pioneiro no ensino do baixo na Finlândia e desde então tem sido professor titular do instrumento no no Helsinki Conservatory of Pop and Jazz, no Departamento de Educação Musical da Sibelius Academy e no Helsinki University of Applied Sciences Stadia.

O guitarrista Ilpo Murtojärvi formou o grupo new wave Pasi & Mishin no início dos anos 1980, tocando com os renomados guitarristas Anna Hansky, Aneli Thurliston e Joel Harikainen. Mais tarde, ele se tornou músico de estúdio e atuou como professor de guitarra pop e jazz no Conservatório de Turku. Em 2015, ele foi indicado como o melhor artista pela Turku Jazz Association em reconhecimento às suas realizações na composição e ensino de jazz.

Com um movimento de ressurgimento do rock na Finlândia “Deeds And Talks” foi “reavaliado” e entendido como um clássico do rock progressivo obscuro, ganhando uma reedição, limitada em vinil, em janeiro de 2016 pelo selo “Rocket Company”. Mas antes, em 2010, este álbum foi relançado em CD pela mesma gravadora.

“Deeds and Talks”, do Kaamos, apesar do seu infortúnio, se revela grandioso, mesmo não trazendo nenhum elemento de vanguardismo em seu som, mas feito com sinceridade, competência, sem se deixar rotular por uma vertente ou estilo. A prova contundente da qualidade do trabalho foi a carreira dos seus músicos pós Kaamos, extremamente prolífica, bem-sucedida, corroborando a importância deste álbum para a história do rock n’ roll finlandês e quiçá europeu, onde o prog rock reina absoluto.



A banda:

Johnny Gustafsson nos vocais, bateria e percussão

Kyösti Laihi nos teclados, moog e sintetizadores e backing vocals.

Ilpo Murtojärvi na guitarra e backing vocasl

Jakke Leivo no baixo

 

Faixas:

1 - Strife

2 - Are You Turning

3 - Delightful

4 - Barokki

5 - Isabelle Dandelion

6 - Moment (Now)

7 - When Shall We Know

8 - Suit-Case 



"Deeds and Talks" (1977)






































segunda-feira, 11 de maio de 2020

Elonkorjuu - Harvest Time (1972)


A década de ouro dos anos 1970. Sim, considero os anos 1970 o mais prolífico, o transborde de bandas foi evidente, a olhos vistos para deleite dos ouvidos e da alma. 

O seu início, com estilos embrionários, ganharam substância com o passar dos anos, fazendo com que a oferta de bandas regozijar de alegria os ávidos por uma sonoridade nova, uma juventude transviada e marginal, sem perspectivas de uma vida boa e rica, buscaram nesta revolução sonora que eclodiu nesses longínquos anos, a sua alimentação, a sua fortaleza emocional, bem antes do punk rock, amigos. 

Muitas bandas atingiram êxito, trouxeram o conceito de rock de arena, shows faraônicos, de estádios, ginásios, o rock se entrelaça ao show business. Mas há as bandas relegadas, esquecidas, que caíram no obscurantismo do rock. Contudo não se enganem, não entendam como incompetência, como bandas que falharam perante o mundo sedutor do sucesso, do dinheiro e das turnês gigantescas. 

São bandas que exatamente sintetizou a inquietude da juventude naqueles tempos de outrora, que entregaram a sua verdade sonora, a sua música na mais perfeita ingenuidade criativa, genuína, mas que, por muitos motivos, que torna a discussão tão complexa, não ganharam a luz e não chegou ao máximo de ouvidos e corações possíveis. 

Quando conhecemos uma banda, depois de tanto tempo em que fora formada, a gente sempre se pergunta: Mas como eu não havia feito a audição desta banda, deste álbum antes? Nos questionamos, inclusive, nos condenamos: Será que gostamos mesmo de rock n’ roll?

Foi o que aconteceu comigo ao ouvir tão recentemente, de uma forma tão nova a banda finlandesa ELONKORJUU que foi formada há mais de cinquenta anos atrás. A banda nasceu para mim, diante dos meus olhos, se instalou, se apossou nos meus ouvidos e me seduziu de forma arrebatadora. 

Como disse o Elonkorjuu foi formada em 1969, em Pori, na Finlândia. No início, como toda banda, com poucos recursos e estrutura, começou a ensaiar em uma adega, muito escuras, silenciosas e que irrompeu em sonoridades cruas, jovens e envoltas em estímulos calcados na música. 

Elonkorjuu

Nesse mesmo ano o Elonkorjuu conquistou o segundo lugar em uma competição na Casa de Cultura de Helsinque. Logo após essa conquista a banda ganhou um belo reconhecimento local, fazendo uma turnê pela Finlândia e ficando ainda mais conhecidos pelo país. 

Um dos seus grandes momentos à época foi a participação em um festival de rock de Turku, onde tocaram para centenas de pessoas. Finalmente o seu debut foi lançado em 1972, alvo dessa resenha, chamado “Harvest Time”, pelo selo underground Shadocks Music. 

Esse álbum foi construído graças aos infindáveis shows que fizeram na época de seu lançamento, moldando o som da banda, refletindo neste excelente trabalho. Uma curiosidade é que, quando a banda se apresentou na Europa Ocidental, eles adotaram o nome “Harvest” (equivalente ao finlandês “elonkorjuu”) que fez com que as vendas aumentassem. 

A banda, bem como o seu primeiro e grande álbum, traz uma sonoridade edificada no hard rock, psych energéticos, com pitadas generosas de rock progressivo, não permitindo, apesar dos tempos iniciais de estilos que ainda estavam crescendo na época, se estereotipar, flertando com todos eles assinando a sua identidade, seu DNA sonoro. 

É perceptível, sobretudo em “Harvest Time” influências de Cream, Black Sabbath e bandas progressivas do início da década de 1970. A formação da banda em “Harvest Time” tinha: Jukka Syrenius no vocal e guitarra, Veli-pekka Pessi no baixo, Heiki Lajunen no vocal, Ecro Raniasila no rummui e lkka Poijarvi / no urui, guitarra e flauta. 

O álbum abre com “Unfeeling” sendo enérgica, animada, solar, com riffs pegajosos e atraentes, com vocal cativante e altivo, uma música pesada e direta. 


 "Unfeeling"

“Swords” tem uma linda introdução vocal e introspectiva que explode um hard rock típico e poderoso com viradas espetaculares de bateria e riffs de guitarra fortes, com alternâncias rítmicas fazendo dessa faixa um clássico hard prog de tirar o fôlego.

 "Swords"

“Captain” traz um pouco de psicodelia, com uma camada interessante de teclado e que vai aumentando o tom graças a bateria pesada acompanhada de riffs gulosos de guitarra até se revelar um hard psych de excelência, tendo, em momentos de calmaria a flauta como protagonista. 

 "Captain"

“Praise to Our Basement” se mostra como uma linda balada com um solo simples, mas envolvente de guitarra. “Future” começa com um baixo pulsante, entregando para uma guitarra frenética e assim seguem em uma espécie de salutar duelo em prol da música, com inclinações jazzística da bateria, é de arrepiar! 

"Praise to our Basement"

"Future"

“Hey Hunter” segue com um hard mais acessível, comercial, mas que não compromete a qualidade do álbum, pelo contrário. 

"Hey Hunter"

“The Ocean Song” tem uma vertente inteiramente calcada no psicodelismo, um beat dançante, com guitarras lisérgicas e teclado arrebatador. 

 "The Ocean Song" em uma TV finlandesa no (1971)

“Old Man's Dream” começa agitada, com o protagonismo da guitarra com riffs pesados e diretos. A cozinha também se mostra muito afiada, com a bateria marcada e pesada, com um baixo pulsante, seguindo o ritmo frenético da música.

 "Old Man's Dream"

“Me and My Friend” é mais animada, solar, diria algo pagão, com destaques para o vocal, guitarra e bateria em uma sinergia incrível. 

 "Me and my Friend"

Fecha com “A Little Rocket Song” sintetizando o que foi o álbum: pesado, com riffs viscerais de guitarra, vocal de grande alcance e rasgados. 

"A Little Rocket Song"

A edição original em vinil de “Harvest Time” foi lançada apenas na Finlândia e hoje é uma raridade para colecionadores de todo o mundo. Foi relançado em CD, no ano de 2011, pela German, democratizando um pouco mais esse som fantástico. 

Em 1978 o Elonkorjuu lançou seu segundo álbum, “Flying High, Running Fast”, com o nome “Harvest”, com o intuito de atingir o mercado internacional, mas logo se separou. O guitarrista Jukka Syrenius se mudou para a Noruega e lançou vários álbuns com seu novo grupo Jukka Syrenius Band. 

A banda foi reformulada em 2003, lançando seu terceiro álbum “Scumbag”, em 2004 e, mais tarde, em 2015, lançado seu quarto trabalho, “Footprints”. Uma grande banda, um grande álbum!




A banda:

Jukka "Jusu" Syrenius na guitarra
Veli-Pekka "Hiippi" Pessi no baixo
Eero Rantasila na bateria
Ilkka "Ike" Poijavi na guitarra, órgão e flauta
Heikki "Lossi" Lajunen no vocal, na guitarra, baixo e piano


Faixas:

1 - Unfeeling
2 - Swords
3 - Captain
4 - Praise to Our Basement
5 - Future
6 - Hey Hunter
7 - The Ocean Song
8 - Old Man's Dream
9 - Me and My Friend
10 - A Little Rocket Song