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sexta-feira, 28 de março de 2025

The Ghost - When You’re Dead – One Second (1970)

 

Quando você lembra da cidade fabril britânica de Birmingham de quais bandas você lembra quase que forma imediata? Claro que o Black Sabbath em primeiro lugar e logo depois o Judas Priest! Bandas que são sinônimos de música pesada, os primórdios do heavy metal.

Mas não se enganem, estimados leitores, a cena desta cidade na Inglaterra não se resume à música pesada dos precursores e famosos Sabbath e Priest, se estendendo a uma rica e diversificada vertente sonora que vai do progressivo ao folk rock.

Evidente que a esmagadora maioria estão no submundo de sua existência, povoando a obscuridade, tendo uma efêmera vida, mas que, como cometas, passaram, causaram algum impacto e sumiram, algumas sem dar vestígios.

A minha caminhada pelo desbravar da música obscura e suas bandas tem me proporcionado a descoberta de algumas pérolas e, quando o blog foi concebido, a explosão se deu, pois, a sua essência é trazer as histórias das bandas marginalizadas pela indústria e seus audaciosos álbuns e isso é motivo de um arrebatamento impressionante, trazendo luz e realidade a cenas que jamais pensei ter um tamanho quase que descomunal.

E uma banda que conheci, há alguns anos atrás, me trouxe, diria descortinou diante da minha retina, um lado da cena rock de Birmingham que jamais esperava que fosse existir: THE GHOST.

Aos aficionados pela música rara e obscura o The Ghost talvez não esteja no patamar de uma banda rara, totalmente desconhecida, porém ainda é inegável dizer que esta banda, principalmente comparando-a aos icônicos filhos da terra, como Sabbath e Priest, esteja em uma condição de underground inclusive de sua cidade natal, quiçá do mundo.

The Ghost

Mas, a meu ver, acredito ser o mais relevante, quando se fala do The Ghost, não seja tanto o “nível” de sua obscuridade e sim a sua sonoridade, que se dispersa totalmente do óbvio que se praticava à época naquela cidade na segunda metade dos anos 1960 e início dos anos 1970. Um som híbrido que trafega no hard rock com pitadas lisérgicas, um progressivo de vanguarda, com a predominância do órgão, a onipresença dos sintetizadores que traz uma versão folk sombria, arrastada e soturna.

Uma “sopa” sonora que tem como pilar o rock psicodélico, mas nada muito experimental, pois traz exatamente o peso, por vez, visceral de riffs de guitarra, de vocais gritados e “cozinha” rítmica enérgica e animada. Nome do álbum: “When You’re Dead – One Second”, de 1970. O único, inclusive! Mas antes de entrar mais detalhadamente na história do álbum, falemos, um pouco mais, do The Ghost e seus primórdios.

O núcleo do The Ghost se formou, em 1969, em torno do ex-guitarrista do Velvet Fogg, Paul Eastment, que era primo de nada menos que Tonny Iommy, guitarrista do Black Sabbath, Charlie Grima, na bateria, Terry Guy, no órgão, piano e vocal e Daniel McGuire, no baixo e vocal. Entrando, um pouco mais tarde a multi-instrumentista e vocalista Shirley Kent. Eis a formação do The Ghost que, quando surgiu, se chamava “Holy Spirit” que, por razões óbvias, decidiram encurtar.

Quando Shirley se reuniu à banda, ainda em 1969, lançaram seu primeiro single, seguido por uma produção completa ainda naquele ano, mais precisamente no final daquele ano. Assim ganharia o mundo o “When You’re Dead – One Second”.

Antes de Shirley Kent ingressar na banda, o The Ghost tocava uma espécie de blues rock em pequenas casas de shows, tendo na figura de Kent a importância na nova concepção sonora que culminou no seu único rebento, que, embora tenho sido finalizado em 1969, foi lançado oficialmente em janeiro de 1970, pelo selo Gemini. Em 1971 o álbum foi lançado no Reino Unido e na Espanha pelos selos Exit / Ekipo Records, respectivamente.

Shirley já gozava de algum reconhecimento na cena musical e havia gravado, em 1966, duas faixas para um EP, “The Master Singers And Shirley Kent Sing For Charec 67 (Keele University 103)”, além de Eastment, o guitarrista, que havia tocado, também pelos idos de 1966, no Velvett Fogg.

Já que mencionei o Velvett Fogg, não podemos negligenciar sua interessante, porém curta história, onde além do Paul Eastment, que fundou o projeto, contou, em seu line-up com Tony Iommi, seu primo, mesmo que tenha sido em apenas um show e o tecladista Frank Wilson que se juntaria ao Warhorse.

A banda lançaria o seu álbum autointitulado, em janeiro de 1969, pelo selo Pye, com uma capa deliciosamente escandalosa, onde a banda estava fotografada juntamente com duas modelos com os seios nus, disfarçados de uma obra de pintura corporal. Será que em dias atuais ela seria “cancelada” pelos pseudo conservadores da internet.

"Velvet Fogg" (1969)

Embora Shirley Kent tenha sido determinante para a nova orientação sonora do The Ghost, percebe-se, ao ouvi-lo, que há contrastes entre as músicas que Kent canta, com uma pegada mais folclórica, mais folk, além da pegada mais ácida, com aditivos de blues rock bem generosos pelo resto da banda, fazendo com que seu único trabalho apresente algo bem diversificado, sonoramente falando.

A capa, a arte gráfica do álbum é deveras assustadora e, embora não goze de uma beleza arrojada, mostra uma imagem translúcida fantasmagórica, daí talvez o nome da banda, dos seus cinco integrantes, em torno de uma grande lápide, encabeçada por uma cruz celta. No mínimo horripilante e muito instigante para os apreciadores de occult rock.

Feitas as devidas apresentações históricas, falemos um pouco de cada faixa, a começar pela “When You’re Dead”, a faixa título, que entrega, de imediato, alguma velocidade na sua condução, algo mais calcado no hard psych, apoiada fortemente pelos teclados de Terry Guy e uma guitarra que, por mais que não soe tão sofisticada e bem elaborada nos seu timbres e solos, se mostra como tem de ser, levando em consideração a sua proposta sonora: lisérgica e áspera. As intervenções vocais têm forte conotação sombria, trazendo momentos mais agressivos, gritados, potentes. Já se revela, na sua introdução, um álbum espetacular e muito diverso em sua sonoridade.

"When You're Dead" (1970)

Segue com “Hearts and Flowers” mostra, além dos impulsos sombrios, traz os riffs ácidos de guitarra, o impulso psicodélico dos teclados e o rock métrico da seção rítmica, bem como a pegada folk de Kent, fechando uma sonoridade diversificada, diria até arrojada, mas ainda assim apresenta uma “compostura” clássica. “In Heaven” une espirais concêntricas de teclados, com coros altos, vocais tenebrosos, com um pouco de emoção perversa dando a textura da faixa. Não se enganem, amigos leitores, com o título da música!

"Hearts and Flowers"

“Time is my Enemy” segue similarmente à proposta de “Hearts and Flowers”, onde gira em torno de todos os instrumentistas, mas com o destaque, para ambas as faixas, inclusive, para o vocal de Shirley Kent, bem definida e diria, sem medo de ousar, poderosa. O destaque também fica para a guitarra igualmente poderosa de Eastment, com seus riffs psicodélicos tendendo mais para o hard rock.

"Time is my Enemy"

Na sequência temos “Too Late to Cry”, onde temos um dos episódios mais cativantes do álbum, que consiste, do começo ao fim, em viradas de guitarra espetaculares, galopantes, que aumenta, com ímpeto, uma veia mais para o occult rock. Não se pode esquecer do suporte robusto do baixo, pulsante e enérgico. Mas o melhor estaria por vir no longo solo de Eastment, na guitarra, que floresce no meio da faixa, simples e intenso, ao mesmo tempo.

"Too Late to Cry"

“For One Second” tenta, e com êxito, entrelaçar seus diferentes humores, para constatar seu viés progressivo, mesmo antes desta vertente sonora ganhar um pouco mais de visibilidade, tendo, como base, a textura dos teclados, criando uma espécie de tensão, além de leve arpejo de guitarra. “Night of the Warlock” traz um curioso country music mergulhado em ácido. Uma lisergia country bem apreciável e instigante, diria. O refrão é sombrio e até atordoante, com alguns dedilhados discretos de guitarra. Me remeteu a alguns rituais, algo pagão.

"For One Second"

“Indian Maid” é primordialmente lisérgica e se torna um tanto quanto sombria no seu refrão, pois me remete a uma invocação de uma missa negra, trazendo, ainda, algo meio teatral a sua estrutura sonora. É tenso, um pouco intenso, é cênica, é vívida. “My Castle Has Fallen” tem uma verve rítmica de sobra, que beira a perfeição, com uma boa dose de ousadia e coragem entre os vocais, mas o órgão, os teclados de Guy definitivamente iluminam a música, sendo contagiante e excitante, dispensando a leveza do que se fazia na música nos anos 1960, sendo enérgica e solar.

"My Castle Has Fallen"

E finalmente fecha com a faixa “The Storm” que traz uma síntese das diferentes peculiaridades da banda, com a voz de Shirley Kent gélida e distante. A faixa bônus, que saiu na reedição do selo Mellotron, no formato CD, “I’ve Got to Get to Know You” entrega uma versão austera, quase que arrogante, com uma pegada folk rock psicodélica bem interessante, além de uma seção rítmica calcada em uma bateria simples e comum, mas um baixo de excelente substância.

"The Storm"

“When You’re Dead – One Second” não foi um sucesso comercial e a tendência, triste e inevitável, era de que a banda pudesse se separar. Existia o interesse, por parte de alguns integrantes, de continuar com a banda, mas pelo simples fato de não ter a unanimidade para manter o The Ghost já suscitava para o início de um iminente fim.

E foi o que aconteceu! Em 1975 Shirley Kent, sob o pseudônimo de Virginia Trees, concretizaria seus desejos de uma carreira solo, gravando o seu primeiro álbum chamado “Fresh Out”. Mas ela contaria com Paul Eastment na guitarra e Terry Guy no piano e teclado em sua banda para a concepção do seu debut.

"Fresh Out" (1975)

Daniel MacGuire morreria de um ataque cardíaco em 1998, deixando em sua filha, Zennor, a herança musical. Hoje ela é um músico que atua no underground e está buscando um lugar ao sol da sua carreira. Charlie Grima, após o The Ghost, tocaria bateria em uma banda chamada Mongrel, participando da gravação de um álbum chamado “Get Your Teeth Into This”, de 1973.

"Get Your Teeth Into This" (1973)

The Ghost, com o perdão da analogia, vagou invisível e obscuramente pela cena rock, no sussurro da psicodelia e no alvorecer do hard rock no início dos anos 1970. Isso não deduz ausência da qualidade sonora que produziu com seu único álbum, afinal muitas bandas pereceram precocemente naqueles longínquos anos, deixando um ótimo trabalho que, por mais que possa parecer incoerente, serviu de referência para a transição do rock psicodélico para o hard rock e rock progressivo, servindo de norte para muitas bandas que viriam a surgir logo depois de sua repentina morte. The Ghost tornou-se necessário, mesmo que tenha sofrido na própria carne, em prol de um novo despertar de vertentes sonoras que revolucionariam o rock na prolífica década de 1970.

Em 1987 o selo Bam-Caruso relançou o álbum do The Ghost, no formato LP, com o título “For One Second”, com a adição do single que não foi lançado no LP de 1970, “I’ve Got to Get to Know You”. Em 1991 o selo UFO Records, da Inglaterra, lançaria o álbum, em CD. O icônico selo italiano Mellotron lançaria, no formato CD, o álbum “When You’re Dead” em 1991, 1999 e 2005.

O selo que lançou o álbum originalmente, Walhalla, o relançaria, em CD, em 2006, o selo espanhol Wah Wah, relançaria, em LP, em 2007, a gravadora Tam-Tam, norte-americana, lançaria, em CDr, em 2007. O Mellotron novamente faria uma série de relançamentos do álbum entre 2010 e 2024, seja no formato LP ou CD. Posteriormente a 2024 tiveram outros relançamentos pirata e outras também do selo Mellotron.

 

A banda:

Terry Guy no órgão e piano

Shirley Kent na guitarra acústica, tamborim e vocal

Paul Eastment na guitarra solo e vocal

Daniel MacGuire no baixo

Charlie Grima na bateria e percussão

 

Faixas:

1 - When You're Dead

2 - Hearts and Flowers

3 - In Heaven

4 - Time is my Enemy

5 - Too Late To Cry

6 - For One Second

7 - Night off The Warlock

8 - Indian Maid

9 - My Castle Has Fallen

10 - The Storm

11 - Me and my Loved Ones

12 - I've Got to Get to Know You




"When You're Dead - One Second" (1970)

 


 

































sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Comus - First Utterance (1971)

 

Muitas foram as bandas de folk rock que surgiram nos anos dourados da psicodelia. E tingidos de música “flower power” eram edificantes, esotéricas, mas não era como a seminal banda inglesa COMUS. O Comus era diferente! Era sim uma banda de folk psicodélico e de proto prog, mas era sombria, soturna.

O embrião do Comus começou com o encontro de Roger Wootton e Glenn Goring, ambos, muito jovens, com 17 anos de idade, no Ravensbourne College of Art em Bromley, Kent, em 1967. Os dois tocavam guitarra e compartilhavam também o mesmo gosto pelo trabalho de John Renbourn e Bert Jansch, que estavam formando o Pentagle naquela época e o Velvet Underground.

Glenn e Roger logo, claro, se identificaram e formaram uma forte amizade em torno das suas preferências musicais e começaram, com isso, a tocar em clubes folclóricos locais, fazendo covers de Velvet Underground, que à época não foram muito bem recebidos e, em uma visita ao clube local em Beckenham, o “Arts Lab”, se tornaram amigos do organizador, um certo David Bowie.

Isso era agosto de 1969, mais precisamente em um 16 de agosto, que também foi o segundo dia do épico festival de Woodstock, nos Estados Unidos, com apresentações igualmente épicas do naipe de Santana, Sly and the Family Stone, The Who etc, o “Arts Lab” contava com uma estrutura e músicos mais tímidos, simples como Bridget St. John, Keith Christas e Toni Visconti, além do próprio Bowie que estava começando sua carreira e imortalizou tal evento com a música chamada “Memory of a Free Festival”.

Mas não foram apenas essas as bandas que tocaram no “Arts Lab”, uma se apresentou por lá e que, embora poucos se lembram, os rapazes, que viriam a ser a espinha dorsal do Comus, também se apresentou, porém, no dia seguinte em um pub chamado “Three Tuns”. E os poucos testemunhos dão conta de que eles soavam como nenhuma outra banda no mundo! Bem isso realmente é verdade! Em virtude dessa incomum sonoridade que apresentavam os caras passaram a tocar com regularidade no “Arts Lab”.

Enquanto estavam em Ravensbourne Glenn e Roger conheceram um tal Chris Youle, que mais tarde se tornaria empresário do Comus e o violinista e estudante de mídia Coli Pearson, o primeiro recrutado para uma nova banda que nascia, além dos já citados Glenn e Roger.

Youle sugeriu o nome “Comus”. Na mitologia grega “Comus” é um deus que representa a anarquia e o caos. É também um poema escrito em 1643, por John Milton, celebrando a virtude da castidade ao desenrolar a história de uma senhora que se perde na floresta e é tentada pelo tortuoso personagem de “Comus” a se envolver em todos os tipos de pecados terrenos. Apesar de estar presa em seu palácio e enfrentar feitiços mágicos, a senhora defende sua posição moral e acaba sendo libertada por seus irmãos.

Comus, o deus grego

A obra literária

Quando Chris Youle sugeriu o nome, este caiu como uma luva, afinal um grupo de estudantes de arte com ideias semelhantes estava formando uma banda folk, dando a banda que nascia uma identidade.

E falando em grupo, o baixista Andy Hellaby foi a próxima pessoa a ingressar na banda, após uma abordagem de Glenn e Roger no Beckenham Arts Lab, onde Hellaby tocava em outra banda. Pouco depois a cantora e percussionista Bobbie Watson, de apenas 16 anos, também foi convidada a participar, depois de ser ouvida harmonizando algumas músicas durante uma visita à casa em Perth Road, Beckenham, onde Roger, Glenn, Andy e Chris moravam.

O sexto e último membro da banda original foi o flautista Michael Bammi Rose, que respondeu a um anúncio colocado pelo Comus no “Melody Maker”. Ele vinha ensaiar na casa de Beckenham, acompanhado por um contingente rastafári jamaicano de Brixton, que já incluía o já lendário trombonista Rico.

O tempo de Mike com a banda foi bastante curto e, ao sair, ele foi substituído por um amigo de Colin e Bobbie chamado Rob Young. Embora o primeiro instrumento de Rob tenha sido o piano, ele aprendeu flauta, oboé e bongô sozinho para tocar com Comus. 

Então no início dos anos 1970 a formação clássica do Comus trazia Roger, Glenn, Colin, Andy, Bobbie e Rob. A residência no Beckenham Arts Lab continuou dando ao Comus tempo para se desenvolverem como banda e aprimorar seu “set” ao vivo. Daí o embrião do primeiro álbum da banda, que seria lançado no ano seguinte, começou a ser formado, o “First Utterance”, alvo da resenha de hoje.


Comus, a banda

Chris Youle começou, já como empresário da banda, a trabalhar agendando shows, turnês e promoções em todo a Inglaterra. E graças a esse trabalho o público rapidamente reconheceu a paixão, a originalidade e a qualidade musical do Comus e a banda logo se tornaria uma das favoritas do circuito universitário.

Nessa mesma época o Comus fez um teste, aproveitando a popularidade que crescia, para a diretora canadense Lindsay Shonteff para escrever a trilha sonora de seu filme chamado “Permissive”. Lindsay ficou impressionada tanto com a música quanto com a maneira como Roger tocava e cantava, mesmo tendo cortado o dedo nas cordas de seu violão, respingando sangue de verdade enquanto tocava “Drip Drip”! Louco, não?

Em junho de 1970 Chris Youle garantiu um contrato de gravação com o selo “Pye/Dawn” depois que o Comus fez um show incrível no Purcell Rooms, parte do complexo Royal Festival Hall na South Bank, de Londres, apoiando, inclusive David Bowie que, na época estava gozando do sucesso de seu primeiro hit “Space Oddity”. E finalmente, em fevereiro de 1971, “First Utterance” foi lançado, precedido pelo single “Diana”, com capa original de Roger e Glenn.


Esse período a música folk e progressiva era procurada pelas grandes gravadoras. Achando difícil lidar com essas bandas como parte de suas agendas comerciais, as gravadoras criaram selos menores que se concentravam nas periferias. A “Pye” fundou o selo “Dawn”. O Comus assinou com a Dawn em outubro de 1970, sendo uma das primeiras do cast.

No início do ano de 1971, como dito, a banda entrou em estúdio. No entanto O Comus percebeu que, embora a gravadora estivesse feliz em contratá-los, eles não tinham nenhum entendimento da música e nenhum conhecimento de como gravá-los. O que não surpreende em se tratando de uma música extremamente vanguardista para o seu tempo.

O produtor que recebeu a missão de produzi-los foi Barry Murray, que até então se especializou em música pop e para a TV e trabalhou com Mungo Jerry, a banda de sucesso da gravadora. O Comus não era uma banda fácil de gravar e as técnicas tradicionais de sobreposição de faixas de ritmo e melodia não são boas nesse caso. Tudo de “First Utterance” teve de ser gravado ao vivo.

Se a música era de difícil assimilação para os fãs e para a indústria fonográfica a arte gráfica sintetizava essa estranheza no som. O desenho, à caneta, foi criado por Roger Wootton, que enquanto esteve na escola de artes foi fortemente influenciado pelos desenhos de Gerald Scarfe e MC Esher.

“First Utterance” trata de temas perturbadores como estupro, assassinato e doença mental e não se trata de um álbum majoritariamente de rock progressivo, mas de um trabalho calcado no folk rock, com nuances extremamente sombrias, um occult rock folk com um frisson de erotismo ou sadismo, fundamentado em violão, violino e a flauta. E apesar de ser encarado como um folk rock, logo algo solar e gentil, deixe suas visões pré-concebidas de lado, é algo lindamente aterrorizante, tenso e soturno.

 

O álbum é inaugurado pela faixa “Diana” que já se destaca pelo vocal melodioso de Wootton que logo são encorpados com os seus instrumentos de percussão tribais estranhos com o apoio etéreo de Bobbie Watson e o violão e violino pagão de Pearson. O tema bacanal da letra é evidente no tom da melodio e na entrega da faixa.

"Diana"

“The Herald” tem o mesmo tipo de sensação assustadora de “Diana”, com harpa sobre violão e flauta, mas logo se transforma em uma melodia calma e até agradável com o violino e o vocal agudo de Watson em total sinergia corroborando a condição da música, dando-lhe a textura necessária. O violão, a viola, o oboé e a flauta soam agradáveis e bem convergentes. Os vocais femininos me trazem a sensação de algo pop, meio sessentista, diria, mas de ótimo gosto.

"The Herald"

“Drip Drip” começa com um violão vibrante. O canto, meio perturbado de Wootton, se agita também nessa música e os bongôs também segue nessa toada, com toda a energia possível sendo a base, o sustentáculo para toda a proposta da música. A percussão nesta faixa me remete, mais uma vez, a algo tribal, algo africano e juntamente com o violão e o violão trazem algo meio feroz a música dando “adeus” a alegria e até sofisticação do folk praticado por outras bandas, digamos, mais ortodoxas do estilo.

"Drip Drip"

Segue com “Song to Comus” que começa com um belo violão e flauta repetitivos, com vocais lindamente bizarros interpretados por Wootton que lembra, em alguns momentos, com o Jethro Tull. A música segue uma linearidade, algo igual, mas novamente o violino e os bongôs são agradáveis e traz um caráter mais ousado à faixa. A letra corrobora a sua condição aterrorizante. Eis um trecho:

“Hymen caçador, mãos de aço, abra você e sua carne vermelha descasque, Procurador de dor, olhos de fogo perfuram seu ventre e empurram ainda mais alto, Comus estupro, Comus quebra, a virtude da doce jovem virgem toma, Carne nua, cabelos esvoaçantes, seus gritos de terror cortam o ar”.

"Song to Comus"

“The Bite” novamente usa vocais masculinos bem estranhos com os vocais femininos gorjeando ao fundo. Vocais bem executados, apesar de uma música mais curta e a letra é mórbida, falando sobre um mártir sendo enforcado.

"The Bite"

“Bitten” é um instrumental curto e atmosférico com linda execução de violino e talvez violoncelo e se torna uma espécie de passagem para a última e excelente faixa chamada “The Prisoner”, que fala, na primeira pessoa, sobre um esquizofrênico paranoico. É sombria, perturbadora e como sempre, em destaque, o violão e o violino, inicia a faixa, mas começa discreta, ao fundo e em seguida se torna mais otimista e até agradável por um tempo, mas a melodia diminui. O dedilhar de violão e do violino são novamente a base da música, como todo o álbum.

"The Prisoner"

Uma combinação de circunstâncias fez com que “First Utterance”, que teve a prensagem de 10.000 cópias, não conseguisse sucesso comercial e, embora o Comus continuasse em turnê pela Inglaterra, pelo Reino Unido, inclusive, parecia que o ímpeto da banda começou a diminuir.

Rob Young foi o primeiro a sair em julho de 1971 e, embora tenha sido substituído à altura por Lindsay Cooper, o Comus se separou em 1972, quando Chris Youle foi para a Polydor Records na Alemanha. Porém poucas semanas antes de deixar a Inglaterra e ir para a Alemanha, Chris Youle tentou garantir um segundo contrato de álbum para o Comus com o selo “Pye” para gravar o lendário, mas lamentavelmente nunca gravado “Malgaard Suite”.

Três dos membros originais da banda, Roger, Andy e Bobbie, no entanto, decidiram se reunir novamente em 1974, a pedido do até então recém-formado selo “Virgin” para finalmente gravar o seu segundo álbum, “To Keep From Crying”. Mais uma vez o sucesso comercial não veio e o Comus se desfez. Após o fim do Comus, os membros da banda fizeram várias trilhas para filmes subsequentes para Shonteff, como “Zapper's Blade of Vengeance” em 1973 e “Spy Story”, em 1975.

"To Keep From Crying" (1975)

Em 1995, “First Utterance” foi relançado no Reino Unido no formato CD e outros lançamentos se seguiram na Itália e no Japão, culminando no lançamento de um CD duplo em 2005 com os dois álbuns de estúdio e algumas outras faixas. Na verdade, tudo que o Comus gravou nos anos 1970 foi reunido nestes CDs. Em comemoração a esse lançamento o empresário Chris Youle conseguiu reunir todos os membros originais do Comus no final daquele verão. Alguns não se viam há mais de trinta anos!

A internet e alguns veículos de comunicação disponíveis na grande rede ajudou e muito a disseminar a história do Comus e muito ajudada também pelo guitarrista e vocalista sueco Mikael Åkerfeldt, com sua muito respeitada banda de metal Opeth, que frequentemente fazia referências e dedicatórias ao Comus nos shows do Opeth. Mikael era obcecado pela banda há muitos anos, chegando a nomear um dos álbuns do Opeth como “My Arms, Your Hearse”, uma citação da letra da música “Drip Drip” do Comus.

Mikael Åkerfeldt

E foi assim que, na primavera de 2007, Glenn Goring recebeu um e-mail do grande amigo e promotor de shows de Mikael, Stefan Dimle, outro fã dedicado do Comus da Suécia. A formação clássica de “First Utterance” foi persuadida e entusiasmada de volta a uma reformulação totalmente inesperada, diante de todas essas movimentações, embora Rob Young tenha decidido não prosseguir para a fase de ensaio.

O marido de Bobbie Watson, Jon Seagroatt, foi convocado para ocupar o lugar de Rob Young e, em um curioso eco da introdução do próprio Rob no Comus, Jon aprendeu sozinho a tocar flauta e percussão especialmente para acompanhar a banda. Chris Youle e o gerente de turnê original da banda, Will Wittingham, também retornaram para ocupar seus cargos anteriores na Comus.

O Comus tocou ao vivo novamente pela primeira vez em trinta e quatro anos no Melloboat Festival de Stefan Dimle, em 9 de março de 2008 gerando um DVD registrando sua atuação eletrizante no festival. Você pode ouvir o álbum, lançado naquele mesmo ano de 2008, aqui pelo site do "bandcamp".

Em 2012, mais de quarenta anos depois do lançamento de “First Utterance”, o Comus lançaria o seu terceiro álbum de estúdio, “Out of the Coma” e que pode ser ouvida aqui. E neste álbum foi incluída a faixa histórica e esquecida da banda, “The Maalgard Suite”, uma versão ao vivo registrada em 1972. Um clássico do folk obscuro que, por ser uma música marginalizada, será sempre lembrada por ser arrojada e um soco na cara daqueles fãs de rock conservadores. 



A banda:

Roger Wootton nos vocais e guitarra acústica

Glenn Göring nos slides, guitarra acústica, guitarra elétrica, vocais e “hand drums”

Colin Pearson no violino e viola

Rob Young na flauta, oboe e “hand drums”

Andy Hellaby no baixo, “slide bass” e vocais

Bobbie Watson na percussão e vocais

 

Com:

Gordon Caxon na bateria (faixas 8 e 10)

 

Faixas:

1 - Diana

2 - The Herald

3 - Drip Drip

4 - Song to Comus

5 - The Bite

6 - Bitten

7 - The Prisoner 






"First Utterance" (1971











 




































quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Nico, Gianni, Frank, Maurizio - Canti D'Innocenza Canti D'Esperienza (1973)

 

A essência do rock n’ roll, é claro, é a música. É o que movimenta o nosso amor, a nossa passionalidade, o nosso prazer, o nosso deleite. O que pode parecer tão óbvio que chega a ser ridículo, não é totalmente um fato que o define. Outras nuances determinam grandes eventos históricos e está basicamente ligado a dinheiro e orgulho ou diria egos feridos e inflados.

Ao longo de décadas que falamos e ouvimos rock, sempre presenciamos batalhas judiciais por brigas contratuais, pelo uso de nomes de bandas, tudo parece fundamentar a condição humana de sua fraqueza em buscar o poder, o doce veneno do glamour.

E não se enganem, estimados leitores, que eventos como esses flutuam entre as bandas milionárias e famosas, afinal, como disse, é uma condição humana de sobressair-se ao semelhante, de ser mais poderoso que o outro, então, presenciamos alguns tristes eventos destrutivos de finais melancólicos de história de bandas que poderiam entregar muito mais, porém, tiveram sua existência abreviadas por batalhas judiciais.

Mas há alguns casos que acompanhamos atentamente, como se tivesse lendo tabloides sensacionalistas de músicos pasteurizados, o rompimento de bandas e o nascimento de outras. De projetos até mais ousados que as suas matrizes musicais. E eu preciso falar de uma banda emblemática da Itália que realmente mudou o mapa do rock progressivo daquele país: New Trolls.

New Trolls

Mas não falarei diretamente dessa seminal banda, mas de desdobramentos judiciais que fizeram com que seus tarimbados músicos se separassem. Adivinhem: foi travada uma contenda judicial para quem utilizaria o nome “New Trolls”, em 1973. De um lado do ringue tinha o guitarrista e vocalista da banda e um dos líderes, o Nico Di Palo e do outro lado, também uma das figuras importantes trazia simplesmente Vittorio De Scalzi.

Nico e Vittorio

Di Palo saiu em uma pequena vantagem levando consigo a formação que havia lançado o álbum “Ut”, um ano antes da briga legal, em 1972. O juiz que analisou o caso deu o seguinte veredicto: de que os músicos fundadores da banda poderiam usar o nome “New Trolls” desde que os mesmos fizessem parte da mesma banda, no caso De Scalzi, Di Palo e Belleno.

New Trolls - "Ut" (1972)

Mas os caras estavam em pé de briga, como poderiam se juntar para fazer com que usassem o nome “New Trolls”? Evidente que isso não iria para frente, então o nome fatalmente hibernaria, não seria usado e foi o que aconteceu. Cada um permaneceu no seu lado e sem o New Trolls a tira colo.

Então o De Scalzi decidiu fundar uma banda chamada NT Atomic System com os “ex-colaboradores Rosset e D’Adamo, enquanto a ala de Nico Di Palo permaneceu sem um nome. Mas esse último já estava o contrato com a gravadora Fonit Cetra, de Milão, já estava assinado e um novo álbum pronto para ser impresso: E agora: o que o nosso amigo Nico irá fazer? Estava em uma situação difícil, ou seja, de escolher um nome para a sua banda para o trâmite de lançamento fosse feito. E todos sabem que o processo de escolha de nome de banda, embora pareça, simples, não é.

"Atomic System" (1973)

Então com uma boa dose de “polêmica” e de sarcasmo a banda, formada por Nico Di Palo, nos vocais e guitarra, Gianni Belleno, nos vocais e bateria, Frank Laugelli no baixo e Maurizio Salvi, nos teclados, órgão e teclados, lançaram um álbum com um gigantesco ponto de interrogação na capa denotando que a banda nascera sem nome.

Nico, Gianni, Frank, Maurizio

 Era uma capa misteriosa, anônima, sem sigla, nada, nenhuma informação. Aos desavisados que não acompanhou a novela judicial deve ter recebido esse lançamento com outro ponto de interrogação na cabeça e claramente se perguntou: mas que banda é essa? Foi evidentemente intencional por parte de Nico. Ele queria responder, com a sua arte, o seu descontentamento com a decisão do juiz.

O álbum com um evidente ponto de interrogação geralmente é chamado pelos primeiros nomes dos seus integrantes: Nico, Gianni, Frank, Maurizio. Mas ele tinha um nome e foi chamado de “Canti D'Innocenza Canti D'Esperienza” e lançado em 1973. O que não é inominável é o conteúdo deste único trabalho dessa banda: Um verdadeiro furacão que une hard rock, rock progressivo e música clássica. Um álbum verdadeiramente arrojado e poderoso.

Diria, sem medo de errar que “Canti D'Innocenza Canti D'Esperienza” é o lado mais rock e até mesmo visceral do New Trolls, afinal essa é a formação do New Trolls, de grande parte, pelo menos da banda. É isso que as vezes faz com que valha a pena acompanharmos algumas contendas judiciais entre as bandas e/ou os músicos, porque os projetos fluem, a criatividade voa alto.

“Canti D'Innocenza Canti D'Esperienza” traz uma gangorra sonora destacado por momentos mais acústicos e reflexivos, enquanto outros momentos são caracterizados por um som verdadeiramente massivo cujas referências chamam verdadeiramente a atenção e traz à tona coisas como Hendrix, Sabbath, Deep Purple e até Atomic Rooster em sua primeira encarnação.

As guitarras são o instrumento principal, consequentemente, apoiado por uma sonoridade potente, aliada a uma densa, enérgica mistura de teclados e coros que, além de proporcionar um timbre amplo e saturado, não deixe margens de dúvidas sobre a homogeneidade e capacidade dos instrumentistas desta banda.

O “lado A”, conhecido pelo nome de “Canti D'Innocenza”, traz a faixa inaugural chamada “Innocenza Esperienza” que já irrompe em riffs poderosos e pegajosos de guitarra. Um hard rock, um hard prog com pitadas clássicas com um ótimo drive, riffs e mais riffs e muita, mais muita energia. Os vocais são altos, quase gritados. Definitivamente é uma ótima música de entrada, que já chega tirando o fôlego dos ouvintes.

"Innocenza Esperienza"

“Signora Carolina” é uma mistura inusitada de Gentle Giant e Deep Purple. Doses interessantes de experimentalismo, folk, algo meio minimalista, barroco e pitadas mais heavy mostra uma música mais versátil e cheio de momentos distintos que a faz diversificada. Uma abertura clássica e um final har rock faz dessa balada rock especial. O “lado A” acaba com a faixa “Simona", uma balada curta, muito legal.

"Signora Carolina"

O “lado B”, chamado de “Canti D'Esperienza” surge com a faixa "L'amico della Porta Accanto", que traz novamente muito hard rock em sua abordagem. Diria, sem medo de errar, que essa música é uma espécie de prenúncio, de antecipação do heavy metal dos anos 1980, com um belíssimo uso de estrutura e órgão. Um proto prog metal que fala de uma cidade multiétnica onde marinheiros de todas as raças, nacionalidade e religiões todos os dias procuram relacionamentos de qualquer tipo e por qualquer meio.

"L'Amico della Porta Accanto"

Segue com "Vecchia Amica" que é outra epopeia sonora! Uma base pura de hard rock, mas com estrutura de rock progressivo, com viradas incríveis de bateria. A faixa tem de tudo, variação, profundidade, com ótimos e simples riffs, órgão louco, escaldante, seção rítmica animada e um final jazzístico que se torna a cereja do bolo no final.

"Vecchia Amica"

E o derradeiro fim vem com a faixa “Angelo Invecchiato” traz uma pegada meio lisérgica, psicodélica, sem tanta conexão com o hard rock e o heavy rock ou ainda o prog rock. É suave, diria com pitadas de space rock, bem sonhadoras.

"Angelo Invecchiato"

Logo após o lançamento de “Canti D'Innocenza Canti D'Esperienza” a banda tem a sua primeira baixa: o baterista Gianni Belleno deixa a banda para dedicar-se a sua banda paralela, com viés mais pop, chamada Tritons e o trio restante decide colocar um nome na banda, passando a se chamar “Ibis”. Essa decisão veio após uma enquete de leitores organizada pela revista Ciao 2001!, encontrando também uma novo baterista à banda. O nome? Ric Parnell, que tinha sido baterista do Atomic Rooster.

Ric Parnell

Com novo nome e baterista e também um contrato com uma nova gravadora, a Polydor, eles gravaram o segundo álbum que viria a se chamar “Sun Supreme”, lançado em 1974 e completamente cantado em inglês. Trata-se de um álbum de transição, com seu estilo voltado para o hard rock e letras em inglês, a ideia era principalmente atingir o mercado externo, pois se assemelhou às bandas globalizadas e, para muitos, um trabalho pouco convincente do Ibis. Se é pouco convincente é algo a se discutir, mas definitivamente está um pouco distante da inspiração que gerou o debut da banda.

"Sun Supreme" (1974)

Mas os problemas com a formação do Ibis continuariam. Salvi e Parnell foram substituídos por Renzo Tortora e Pasquale Venditto, ambos vindos da banda Formum Livii. Com a nova formação o Ibis lançaria em 1975 o seu terceiro álbum que, para muitos especialistas, seria seu melhor trabalho, o trabalho mais maduro e definitivo. Apenas duas faixas foram cantadas em inglês e o resto cantado em italiano e neste trabalho se percebe uma pegada mais hard e prog, porém bem consistente.

"Ibis" (1975)

Mesmo com três lançamentos de álbuns o Ibis decretaria o seu fim em 1975, culminando com o retorno do New Trolls em 1975, com Nico Di Palo e seu antigo companheiro de banda, o baterista Gianni Belleno, gravando o álbum Concerto Grosso número 2.

Em 2007 o tecladista Maurizio Salvi formou uma banda chamada “Ibis Prog Machine” com o objetivo de reviver o antigo nome e as antigas músicas do velho Ibis. A banda contava com outro tecladista, Renato Rosset (ex-New Trolls Atomic System e Nova), os guitarristas Corrado Rustici (ex-Cervello e Nova) e Claudio Cinquegrana, o vocalista e baixista Roberto Tiranti e o baterista Marco Canavese, mas teve vida curta e se separou em 2008.

O “ponto de interrogação” teve relançamentos ao longo dos anos e 1987 foi lançado, em CD, pelo mesmo selo da gravação original, Fonit Cetra do Japão, além de outro lançamento, também em CD, pelo mesmo selo, em 1991, na Itália. Mais um relançamento em CD, pelo selo VM, em 2004, e finalmente em LP, pelo selo Vinyl Magic, em 2009, na Itália.

Guerras judiciais, embates de egos, brigas.... Tudo isso pode acarretar em finais tristes e precoces em histórias deslumbrantes de bandas, mas pode suscitar novas empreitadas e arrojadas no mundo da música e o ponto de interrogação trouxe um envolvente e intenso álbum com um maiúsculo ponto de exclamação que personifica na qualidade que esse trabalho proporcionou aos súditos do bom e velho rock n’ roll.



A banda:

Nico Di Palo na guitarra e vocal

Maurizio Slavi no paino, órgão, teclados

Frank Laugelli no baixo

Gianni Belleno na bateria e vocal

 

Faixas:

Canti D'Innocenza:

1 - Innocenza Esperienza

2 - Signora Carolina

3 - Simona

Canti D'Esperienza:

4 - L'Amico Della porta Accanto

5 - Vecchia Amica

6 - Angelo Invecchiato 



"Canti D'Innocenza Canti D'Esperienza" (1973)