terça-feira, 23 de maio de 2023

Zakarrias - Zakarrias (1971)

 

Já ouviu aquele ditado popular que diz: Não julgue o livro pela capa! Pois é, no universo do rock não é diferente e essa máxima vale para nomes de bandas, arte gráfica de álbuns, principalmente. Afinal, quando você, amigo leitor, já se deparou com aquela capa feia, malfeita, sem nexo algum com o contexto sonoro, aquele nome de banda esquisito que, às vezes, sequer conseguimos falar, ler.

Lembro-me que, quando, nesses meus garimpos pelas obscuridades do rock n’ roll, encontrei uma banda austríaca pensei ser de um cantor, um trabalho solo, talvez. Confesso que até achei engraçado o nome e, mergulhando fundo em um preconceito desmedido, deixei de lado, por alguns anos, inclusive.

Mas depois de mais uma de minhas incursões nos garimpos por novas bandas pela grande rede, a mesma banda ou músico, com aquela capa sem muita originalidade se revelou, mais uma vez, diante dos meus olhos.

Achei que pudesse ser algo de um desses fajutos destinos, que não sou muito afeito, e decidi, sem muitas esperanças de apreciar, ouvir o álbum. Ah como somos limitados, como somos preconceituosos! Fui simplesmente arrebatado logo nos primeiros segundos executados! Que banda! Que vocal! Uau! Yeahh!

O nome dela? Direi! ZAKARRIAS! O que dizer do nome? Feio? Estranho? Engraçado? Cuidado, meu bom e querido leitor, do que dirá sobre o nome. Sugiro que faça a audição do álbum primeiro e quando ouvi-lo esquecerão de nomes, capas e afins. O conteúdo é que vale e o desta banda simplesmente é demais.


O nome, a origem dele, eu vou ficar devendo, não sei ao certo, a origem dele, porém se trata de um pseudônimo para Robert Haumer, um músico muito talentoso da Áustria. O cara compunha, o cara tocava guitarra, tocava baixo, realmente era um multifacetado, um multi-instrumentista de mão cheia daquele frio país europeu. Ele lançou muitos singles de sucesso em seu país.

Haumer, como disse, nasceu na Áustria, na capital Viena e, no final dos anos 1960, tocou baixo na banda local de rock psicodélico “Expiration”, que lançou um single chamado “It Wasn’t Right”, pelo selo “VRC”.

Mudou-se então para a cidade de Munique, na Alemanha, onde conheceu o baterista inglês John Lingwood e, por intermédio de Lingwood, o guitarrista Huw Lloyd-Langton que havia deixado recentemente o Hawkwind. Juntos formaram a banda “Salt” e eram comandados pelo poeta e cantor israelense Samy Birnbach.

A banda ensaiou por vários meses em Munique, apresentando canções co-escritas por Haumer e Birnbach, antes de se mudar para Londres, onde gravaram um álbum de demos no “Olympic Studios”. No entanto, eles não conseguiram contrato com uma gravadora, porque Haumer e Birnbach não conseguiram permissão de trabalho na Inglaterra.

Depois desse insucesso Lloyd-Langton e Lingwood saíram da banda que formaram e Haumer conheceu o produtor Roger Watson e finalmente conseguiu um contrato de gravação solo com a Deram Records. Aquele material que não foi aproveitado foi regravado com o nome de “Zakarrias”.

A nova banda foi formada às pressas, mas contou com alguns nomes de peso do rock underground britânico, como Peter Robinson, tecladista e que passou pelo Quatermass e da Brand X, o saxofonista e flautista Geoff Leigh, que tocaria no Henry Cow, Martin Harrison na bateria, além de Don Gould, no piano e nos arranjos que tocou no Applejacks e o Robert Haumer, na guitarra, no vocal e na composição das músicas.

Haumer permanecendo impossibilitado de obter uma autorização de trabalho e assim promover o álbum lançado em outubro de 1971, homônimo, teve poucas vendas, mas teve relativamente poucas cópias feitas, sendo o processo de turnês, de shows, tudo cancelado, não sobrou nada para Zakarrias e companhia além de desfazer a banda e as suas expectativas de um sucesso comercial. A capa foi concebida por Daniel Volpeliere-Pièrrot.

Mas aqui neste humilde e reles texto e blog, “Zakarrias” tem sim o seu valor e importância. Para alguns o álbum traz uma abordagem enigmática para o rock, mas acredito que nada mais é do que um álbum que não se prendeu aos temíveis estereótipos e que flertou com vertentes que vai do folk ao jazz, blues, hard rock com um amparo do rock progressivo. Sem contar com os vocais melódicos e melancólicos construídos em uma convergência incrível com teclados e guitarra e uma excelente seção rítmica.

Além disso “Zakarrias” também usa trompas de forma bem sútil, sem aqueles solos estridentes e energéticos que traz uma atmosfera contemplativa e soturna. O rock psych é vívido, pleno e arde em uma lisergia sofisticada, com o rock progressiva que nascia e ainda gozava apenas de uma projeção em uma cena que ainda crescia.

É um álbum complexo, lindo com excelente arranjos e melodias e mostram músicos tarimbados, experientes e com uma incrível capacidade, além da técnica, invejável para a época, de ser orgânico. Mas apesar da complexidade, percebe-se neste trabalho algo inocente, original mesmo, que faz do álbum singular e a frente do seu tempo.

“Zakarrias” é inaugurado com a faixa “Country Out of Reach” que traz uma proposta mais lisérgica, psicodélica, em alguns momentos pesado, lembrando os medalhões Sabbath e Zeppelin, com uma ótima pegada de baixo, até algo meio “galopante”, pulsante até, além do excelente trabalho vocal de Haumer, mostrando uma vibe mais melódica e por vezes melancólica, mas muito bem executado, em um belo alcance vocal.

"Country Out of Reach"

“Who Gave You Love” vem na sequência e vem pesada, uma faixa soberba, volumosa, intensa, um peso mesclado com a qualidade, graças às mudanças rítmicas, tendo algumas passagens acústicas, mais leves, bem executadas, contrapondo com os fragmentos pesados. Ouso dizer que se trata de um belo exemplo de hard prog bem executado.

"Who Gave You Love"

“Never Reachin’” é o ponto alto do álbum, que mostra um Zakarrias bem complexo, multifacetado e sem amarras com estereótipos sonoros. Passagens sublimes e de tirar o fôlego de vocal, flauta e violões criam uma atmosfera extremamente interessante, com texturas progressivas, de hard rock, acústicas, de folk e tudo o mais.

"Never Reachin'"

“The Unknown Years” aparece com a base sonora da faixa anterior, mas privilegia o lado mais acústico, com muita contemplação e introspecção. É longa, é dramática, é intensa, mesmo que leve, suave, com um lado progressivo bem evidente também. Uma faixa versátil e imponente.

"The Unknown Years"

”Sunny Side” já muda a “chavinha” para um poderoso e intenso hammond tocado ao máximo, com muita energia e vivacidade, com uma “cozinha” potente e bem ritmada, o baixo contundente e pulsante e a bateria cheia de marcação e pesada e que entregam a música uma melodia instigante e até, por vezes, sombria e perigosa.

"Sunny Side"

“Spring of Fate” traz uma mudança a sequência do álbum com uma lida balada, com direito a violinos que trazem, juntamente com o vocal de Haumer, um momento mais melódico, dramático e até emotivo.

"Spring of Fate"

“Let Us Change” traz o acústico com umas “pitadas” de folk rock, privilegiando a parte instrumental, trazendo uma pegada mais progressiva também. Uma música que, embora seja simples, traz a marca registrada de “Zakarrias”: versatilidade.

"Let Us Change"

“Don't Cry” começa com instrumentos de sopro a todo vapor com um baixo pulsante pesado e um vocal meio indulgente de Haumer, mas que, em momentos mais suaves da música, ganha leveza, se torna melódico. E assim a faixa segue, entre muita energia, capitaneada pelos instrumentos de sopro e a suavidade comandada pelo vocal de Zakarrias.

"Don't Cry"

E o álbum encerra-se com “Cosmic Bride” com uma pegada instrumental pesada, poderosa, que corrobora a qualidade de seus músicos que ainda é capaz de soar atual, digamos que seja uma faixa atemporal em sua estrutura sonora. Mas por mais que entregue peso, revela sofisticação e qualidade.

"Cosmic Bride"

O álbum do Zakarrias certamente foi pouco ouvido, devido, claro, a incipiente divulgação, por conta do visto de trabalho que Haumer não conseguiu na Inglaterra, mas as poucas cópias que foram produzidas chegaram às mãos de poucos sortudos e privilegiados que conseguiram ouvir essa pérola perdida do rock n’ roll.

E por isso Haumer e sua esposa foram para a Suíça, sem a possibilidade de não levar para frente o projeto do “Zakarrias”. Mais tarde, agora na sua cidade natal, Viena, Haumer formou a Bobby Hammer Band (BHB) cuja vertente sonora flertava com a New Wave, era os anos 1980 e como músico solo, lançou uma versão de “Papa Was a Rolling Stone”, em 1987.

Para sorte de todos nós, amantes da boa música obscura, “Zakarrias” foi relançado pelo selo “Tapestry Records”, mas, como no passado, em pouquíssimas cópias, no formato CD, e ainda assim continuou a ser uma pérola do rock obscuro.



A banda:

Zakarrias (Robert Haumer) na guitarra, baixo e vocal

Peter Robinson nos teclados

Don Gould no piano

Geoff Leigh no sax e flauta

Martin Harrison na bateria         

 

Faixas:

1 - Country Out Of Reach

2 - Who Gave You Love

3 - Never reachin'

4 - The Unknown Years

5 - Sunny Sude

6 - Spring Of fate

7 - Let Us Change

8 - Don't Cry

9 - Cosmic Bride


"Zakarrias - Zakarrias (1971)"

Versão para download acesse aqui!































 




terça-feira, 9 de maio de 2023

Sperrmüll - Sperrmüll (1973)

 

Definitivamente o boom da cena krautrock alemã, aquela com veementes características experimentais e minimalistas, foi na transição dos anos 1960 e início dos anos 1970, mais precisamente entre 1968 e 1971. Aos que apreciam esse singular estilo recomendo vivamente buscar lançamentos nessa época.

Bandas surgiram em todos os cantos da Alemanha, o estilo, apesar de ter recebido uma nomenclatura pejorativa por parte da esnobe imprensa especializada britânica, realmente deixou a sua marca indelével para a história psicodélica e progressiva do rock n’ roll, apesar do curto período de tempo.

Não se enganem que toda a década de 1970 deve ser considerada como “krautrock”. Embora todas as bandas que surgiam ao longo dos anos 1970, o estereótipo, o “carimbo” do kraut é infalível. Tudo é krautrock! É claro que não.

Os anos seguintes ao auge da cena o rock progressivo, com a influência britânica, se tornou uma realidade na Alemanha com muitas bandas que, inclusive, compuseram a ala dos pioneiros do kraut, se renderam ao rock progressivo que, em meados de 1972, estava na moda. Mas os alemães tinham uma diferença essencial, diria importante: o som mais pesado.

Não sei dizer se é algo atrelado a cultura daquele país, se é algo comportamental, mas a Alemanha progressiva se notabilizou pelo peso de seus instrumentos e esse movimento dos novos contornos da cena rock alemã também ganhou todos os cantos do país e crescia de forma vertiginosa.

E uma banda, obscura, como tantas outras que não ganharam o sucesso comercial, se adequa perfeitamente a essa nova “cara” do progressivo, mas que também trazia, em suas frentes sonoras, o passado não muito distante do genuíno krautrock. Falo da banda SPERRMULL.

O Sperrmüll, termo em alemão que significa “lixo”, foi formado na cidade de Aachen, no oeste da Alemanha, em 1971 e tinha o seguinte line-up quando foi criada: o baixista Harald Kaiser, o baterista Reinhold Breuer e o guitarrista da cidade de Colônia Udo Hager, que também tocava flauta e saxofone.

A banda, nesse período, sofreu e muito com as mudanças de formação. Foi um entra e sai de músicos que foi determinante para a demora do lançamento do seu primeiro álbum que aconteceria apenas em 1973.

E no decorrer de várias mudanças na formação, o guitarrista Helmut Krieg, que já havia tocado com Breuer em uma banda chamada Oozy Brain, juntou-se ao Sperrmüll. Udo Hager e o então tecladista também deixaram a banda e após a adição do jovem tecladista Peter Schneider, a formação definitiva do Sperrmull se cristalizou.

Em vez de Hager, fora da banda, Krieg assumiria o vocal da banda. Então com a nova formação e a definição da função de cada um no Sperrmüll, o próximo passo era, enfim, gravar um novo álbum e fazer com que a “máquina” da banda finalmente engrene.

O jornalista Charles Zander-Durr tentou intermediar um contato, fazer aquela ponte, com a gravadora EMI, que mostrou algum interesse na banda e até financiou o tempo de estúdio do Sperrmüll para duas músicas para a demo: “To Be Satisfied” e “Have To Leave You”, mas a EMI não assinou com a banda para gravar um álbum de forma oficial.

Após a investida sem sucesso com a EMI o Sperrmüll conseguiu um contrato com a recém-fundada gravadora “Brain”, a icônica, de Günter Körber. E assim finalmente ganhou vida o único álbum lançado pela banda, em 1973, chamado simplesmente de “Sperrmüll”.

As vendas do álbum foram geridas e promovidas pela “Metronome”. “Sperrmüll” foi gravado nos estúdios do ícone do krautrock, Dieter Dierks, em Stommeln, perto de Colônia, que junto com outra figura icônica, Conny Plank, foram um dos engenheiros de gravação mais badalados da Alemanha naquela época. O produto final recebeu o número de catálogo 1026 da Körber e foi vendido nas lojas em 1973.

O álbum continha seis canções que foram aumentadas para oito em uma edição posterior, exatamente as faixas que a banda gravou na época em que trabalharam em estúdio financiado pela EMI. Zander-Dürr, o jornalista que tentou viabilizar a ponte da banda com a EMI, foi o produtor do LP sob a sigla “Chazadü” na capa, embora não tenha participado das gravações do álbum.

“Sperrmull” oferece uma sólida e interessante miscelânea de estilos, não absolutamente único ou experimental, mas extremamente cativante de qualquer maneira. Mostra uma mistura de riffs sombrios e pesados de guitarra e solos lisérgicos e dissonantes, trazendo à tona aquele lado psicodélico perdido do krautrock.

Os vocais em inglês não são exagerados e instrumentalmente falando a banda tem muito a oferecer. Um rock n’ roll predominantemente pesado com muitas adições de rock progressivo. É um álbum muito versátil que flertava com o genuíno krautrock e o progressivo mais moderno que esteve em voga nos idos de 1972/1973.

Apesar de a banda ser obscura foi, à época do lançamento de seu único álbum, muito bem recebido pela imprensa, pela crítica especializada. A versão LP, lançado em 1973, tem seis faixas e duas reedições digitais são conhecidas, a versão de “Second Battle” com duas faixas bônus e a “Universal Records” com as faixas originais.

O álbum é inaugurado com a faixa “Me and My Girlfriend” que traz uma sonoridade totalmente distinta do que viria a ser o resto do álbum, algo mais comercial, radiofônico, mas que oferece um ritmo um tanto quanto agitado, guarnecido com sons de bandolim e tons de moog tocado, inclusive, por Dierks. Não é das melhores faixas do álbum, mas é um tanto quanto cativante, principalmente quando temos um solo de guitarra.

"Me and My Girlfriend"

A segunda música, “Freak Out” é uma ode ao psicodélico e que vive de uma intensa e linda, diria, interação entre as duas guitarras e em uma parte intermediária brota um solo intenso de órgão que logo é substituído pelas guitarras que transbordam de energia. Essa faixa é a mais próxima que se tem do krautrock, entregando uma atmosfera alucinante e lisérgica.

"Freak Out"

“Rising Up” abre com a bateria e sons de teclados bem pesados, este último rasgando, revelando-se solar e enérgico. A guitarra entra logo se acumulando ao som já pesado e intenso, com um vocal competente. Essa é a música mais longa do álbum e com algumas mudanças rítmicas.

"Rising Up"

“Right Now”, que traz nove minutos, começa com um hard rock suingante, com a bateria se mostrando habilidoso com solos de tirar o fôlego que acontecem por cerca de pouco mais de um minuto e meio. Nesse momento a faixa fica curta e tranquila, mas que logo aumenta novamente para a vibe mais pesada, rolando até o seu final e assim é o clímax da música. Um exemplo viável de hard progressivo untuoso e poderoso.

"Right Now'

“Land of the Rocking Sun” traz uma levada meio blues com estruturas mais simples de “boogie”, além de uma pegada meio hard rock também. Uma boa “paisagem” sonora temperada com órgãos bem executados, bom trabalho de guitarra e também dos vocais.

"Land of the Rocking Sun"

E fechando o álbum “Pat Casey” mostra também uma semelhança com a faixa anterior, porém com mais peso, mais agressividade, corroborada pelo vocal mais indulgente e rasgado, inclusive.

"Pat Casey"

O Sperrmüll foi muito elogiado pela crítica especializada e logo foi contratada para abrir os shows do Birth Control para uma turnê pela Alemanha. Logo após as gravações do álbum, o tecladista Peter Schneider saiu da banda para se dedicar a carreira escolar.

A turnê foi cancelada por conta desses problemas de última hora, o que gerou alguns atritos entre os integrantes da banda, pois ficavam com dúvidas no que diz respeito aos procedimentos a serem tomados diante dos problemas.

Devido a esses problemas Helmut Kaiser também deixou a banda, no verão de 1973 e retomou seus estudos de direito. Alguns meses depois o Sperrmüll decretou oficialmente seu fim.


Posteriormente Helmut Breuer usou o apelido de Man Breuerem em vários álbuns de Franz-Josef Degenhardt, Wim de Craene, Maria Farantouri e Eckes, entre outros, e como membro permanente das bandas Headband e Sotto in Su.

Depois de estudar direito, Harald Kaiser trabalhou como jornalista para reportagens de viagens e como fotógrafo. Helmut Krieg fundou a banda de hard rock Winterkrieg e depois trabalhou como vendedor de música.

Infelizmente, o único lançamento do Sperrmüll hoje é um original, um item de colecionador muito caro e procurado. Originalmente lançado apenas na Alemanha pelo selo Brain, em uma capa dobrável totalmente laminada com o número de catálogo 1026. Várias reimpressões estão agora em circulação, algumas das quais também alcançam preços ligeiramente mais altos de colecionadores.

Um clássico obscuro que tinha tudo para obter sucesso comercial, mas que teve um caminho tortuoso e que caiu em pleno ostracismo, empoeirado e escondido dentro do fundo do baú do obscure rock. Aos apreciadores de hard rock, rock progressivo e krautrock o único trabalho do Sperrmüll é uma ode a um som sem o mínimo de estereótipo.



A banda:

Helmut Krieg na guitarra, bandolim, vocal

Harald Kaiser no baixo, vocal

Reinhold Breuer na bateria, percussão

Peter Schneider no órgão, piano elétrico, sintetizador

 

Faixas:

1 - Me and My Girlfriend

2 - No Freak Out

3 - Rising Up

4 - Right Now

5 - Land of the Rocking Sun

6 - Pat Casey


Sperrmüll - Sperrmüll (1973)






 












 






quinta-feira, 27 de abril de 2023

Witch - Salem's Rise (1985)

 

O ápice da “New Wave of British Heavy Metal” aconteceu em meados dos anos 1980. As bandas, outrora marginalizadas e temidas pelas suas indumentárias e letras ultrajantes calcadas nas mazelas comportamentais da sociedade ou temas obscuros, se tornaram “mainstream”, se tornaram populares.

Algumas cenas, algumas “células” do heavy metal como o glam metal, por exemplo, ganhou notoriedade, atingindo as rádios, a MTV, com clipes caros, atingindo status de superprodução cinematográfica, com androginia que excitam as menininhas que, revoltadas sem motivo, tentavam, a todo custo alarmar seus pais.

O heavy metal estava na moda. No Brasil rádios como Fluminense, a famosa “Maldita”, catapultava o “rock de bermuda” e, cada vez mais o público “consumia” cada vez mais as bandas estrangeiras que estavam no pedestal do sucesso, culminando no até então maior festival de música do país, o “Rock in Rio”.

Ozzy Osbourne, hedonista, se drogava, ostentava dinheiro, Iron Maiden se apresentava em palcos suntuosos, Def Leppard fazia as menininhas suspirarem, o glam metal era um tapa na cara da sociedade politicamente correta com suas roupas espalhafatosas e homens meticulosamente “femininos”.

Mas como tudo na indústria fonográfica, há também o lado “obscuro”, o lado esquecido, “empoeirado”, que, vilipendiado, formou um nicho marginalizado, longe dos olhares e ouvidos dos ardorosos fãs que trafegavam na “zona de conforto” das bandas medalhonas e é essa cena que soube, com maestria, construir uma cena intocável e genuína.

E claro, a cena não foi “setorizada”, restrita a países, mas globalizada e consequentemente algumas bandas, espalhadas pelo mundo, ostentaram o seu ostracismo. E, a partir daí, vem a pergunta: Por que algumas bandas foram relegadas a esta condição? Muitos são os fatores, logo difíceis de mensurar exatamente: maior sorte, incompetência, sonoridade “pouco digerível” etc.

O fato é que por aqui neste reles e humilde blog, essas bandas, fracassadas sob o aspecto comercial da coisa, ganha luz, ganha vez. E uma em especial é digna de contar a história, embora pouco, muito pouco mesmo se saiba a respeito dela, por isso, óbvio, é uma banda extremamente rara e obscura, falo da banda norte americana WITCH.

Witch

A banda foi formada em Dayton, Ohio, mas não se sabe exatamente em que ano os caras se juntaram. O pouco que há a respeito do Witch é de que a banda teve uma vida curta e gravou apenas um álbum de estúdio chamado “Salem’s Rise”, em 1985.

Reza a lenda que a banda gravou o álbum apenas para eles, os músicos e para alguns amigos mais próximos, enfim, trata-se de um trabalho predominantemente “artesanal” vide, inclusive, a arte gráfica do álbum, muito simples, diria inocente de tão “rudimentar”, em suma, é realmente um trabalho artesanal.

Sabe-se que o álbum teve lançamento inaugural da série OH Wax Gotta Groove Records e originalmente lançado pela gravadora “Eargasm Productions”. O produtor executivo da Eargasm Productions, Tim Grogean foi apresentado ao guitarrista do Witch, Ted George, em 1984, quando este foi ao estúdio em Dayton, Ohio, de Gorgean.

Ted Goerge

Ted foi ao estúdio de Tim Grogean para pedir para produzir um single de sua banda para ele. Ted George era conhecido por ser um avassalador guitarrista da cena de Ohio, conhecido também pela sua apresentação animalesca nos palcos. Ted ansiava em escrever um álbum e Tim estava procurando por um projeto para apresentar às grandes gravadoras em Los Angeles, onde estava borbulhando a famigerada cena glam metal, e também na cidade de Nova Iorque.

As composições e os ensaios começaram em Versailles, Ohio. Além de Ted George na guitarra e composição, a banda era formada por Dave Chappie, no baixo, Tony Chappie, na bateria e Ace Matthews no vocais. Muitas e muitas noites os caras do Witch tocaram no porão da casa dos irmãos Tony e Dave para dar existência ao seu álbum de nome “Salem’s Rise”.

A pré-produção foi feita nos estúdios do Eargasm. A gravação de “Salem’s Rise” aconteceu na “Audio Productions”, em New Carlisle, em Ohio e teve a engenharia de Tim e Mike Niklas. Tim Grogean, além de produtor executivo do álbum, ajudou também na composição das músicas e na guitarra. Foi masterizado na QCA em Cincinnati, Ohio, onde também foi originariamente fabricado os LPs. Tonny Chappie e Tim Grogean escreveram os solos de bateria e o pianista Larry “LD” Hampshire ficou ao lado de Ted para a composição dos teclados.

“Salem’s Rise” é o típico heavy metal oitentista, solos galopantes de baixo, guitarras estridentes, com riffs pegajosos, pesados e vocais melódicos e com algum alcance, mas traz algo diferente, algo inocente, algo orgânico que não se faz nos dias de hoje, onde a avidez é para atender a demandas de um público distante e que não se apega aos instrumentos.

Não é um álbum matador, um petardo sonoro, mas personifica a cena heavy dos anos 1980, trazendo todos os ingredientes para se ter um álbum de heavy rock, pois ainda traz nuances do hard rock setentista perdido e esquecido pelo tempo.

O álbum é inaugurado com a faixa “Poison”, uma faixa típica de heavy metal com riffs pesados e pegajosos, com bateria marcada, cadenciada, baixo pulsante e vocal indulgente e sombrio. “Poison” entrega algo de hard rock também, algo dos primórdios da New Wave Of British Heavy Metal em meados dos anos 1970, quando eram mais cruas e que sofriam influência das bandas setentistas.

"Poison"

“Beckon” começa cadenciada, riffs discretos de guitarra traz uma textura mais sombria, algo como occult rock, mas que logo irrompe em uma explosão heavy com um vocal mais alto, por vezes mais gritado. Música direta e poderosa!

"Beckon"

“Eyes on You” tem uma abordagem mais pop, mais comercial e radiofônica, mas não se perde do contexto do álbum com os indefectíveis riffs pegajosos de guitarra dando o ritmo. Essa música me remete a fase oitentista de Alice Cooper. Bandas como Ghost, que é notória fazendo esse tipo de música atualmente, o Witch já o fez mais de trinta anos antes.

"Eyes On You"

“Lady Medusa” vem botando o pé na porta  e traz uma miscelânea interessante entre heavy metal e hard rock, com um vocal límpido e quase falado em alguns momentos com uma “cozinha” bem entrosada, dando uma textura intensa e densa ao contexto sonoro, com um solo lindo e direto de guitarra sendo a cereja do bolo.

"Lady Medusa"

Segue com “Will I See You Again” que traz a evidência dos teclados, dando uma nostalgia sombria dos primórdios do occult rock, como o Coven, por exemplo, com um vocal de grande alcance. Uma atmosfera sombria e melancólica se arquiteta nessa música e fecha de forma excelente com um solo de bateria.

"Will I See You Again"

“Teen of Darkness” segue basicamente a mesma atmosfera da faixa anterior, uma pega mais occult rock, porém com uma diferença: peso. O peso protagonizado pela guitarra, pelos seus riffs e a intensidade da bateria que também dita o ritmo da faixa e toda a sua indulgência.

"Teen of Darkness"

“Hear the Thunder” faz jus ao nome da faixa. Traz de volta o heavy rock do álbum com a excelente dobradinha entre a bateria e a guitarra, sendo tocadas de forma intensa e agressiva. O baixo vai ganhando força e encorpando a música, dando-lhe certo groove. Uma das melhores músicas de “Salem’s Rise”.

"Hear the Thunder"

E agora segue com a faixa título, “Salem’s Rise”, que é arrastada, com algumas evidentes “pitadas” de doom metal. Traz algo de sujo e ameaçador em sua melodia. Cada nota tocada me trouxe a impressão de que a banda flertava com o despretensioso e orgânico, mas com algumas variâncias rítmicas que denota complexidade. Intrigante e fantástica faixa.

"Salem's Rise"

“Loki” é uma ode ao heavy metal, mas que, ao mesmo tempo, entrega algo complexo também, ousaria dizer que remete a bandas como Mercyful Fate, com o seu metal progressivo e todas as suas mudanças de andamento, mudanças de ritmo. Os vocais e os riffs de guitarra são os destaques da música.

"Loki"

E fecha com “Something Evil” não poderia encerrar da melhor maneira, bateria pesada, riffs pesados e agressivos, baixo pulsante e vocal alto e gritado, rasgadão mesmo. Tem uma sonoridade direta, curta e grossa, sem rodeios, mas é, por outro lado, robusta, encorpada, intensa, energética, solar.

"Something Evil"

“Salem’s Rise” teve uma festa de lançamento que foi realizada na “Hara Arena”, em Dayton, Ohio. As cópias do álbum esgotaram quase que imediatamente, foram poucas cópias produzidas. Mas nem tudo foi festa, porque diante de um mercado perverso e que ansiava pela new wave e a “big hair metal”, o famoso “metal farofa” e também com o glam metal, “Salem’s Rise” se viu deslocado de tudo que o mercado fonográfico queria e a banda não conseguiu nenhum contrato de gravação, ninguém quis assinar com o Witch.

A maioria dos músicos envolvidos com o Witch continuam tocando e gravando até os dias de hoje. Ted passou a liderar várias bandas e a trabalhar com outros artistas, incluindo Rick Derringer. Ele é conhecido hoje como “Fast Eddie” devido a sua velocidade ao tocar guitarra.

Os irmãos Chappie acabaram se tornando empresários e pouco ou nada se sabe sobre o futuro do vocalista Ace Mathews. O tecladista “LD” continuou a tocar em bandas com Tim Grogean e gravaram muito nos estúdios da área de Dayton, em Ohio. Tim passou a trabalhar com bandas como Rush, Sponge, Days of The New e Sun e até hoje grava e faz turnês com sua atual banda chamada Amplified. O álbum foi relançado, em outubro de 2018, pelo selo “Gotta Groove Records”.



A banda:

Dave Chappie - baixo       

Tony Chappie - bateria     

Ted George - Guitarras     

Ace Matthews – Vocais

Com

Larry “LD” Hampshire – Teclados

Tim Grogean – Produção, composição das músicas

 

Faixas:

1 - Poison

2 - Beckon

3 - Eyes on You

4 - Lady Medusa

5 - Will I See You Again

6 - Teen of Darkness

7 - Hear the Thunder

8 - Salem's Rise

9 - Loki

10 - Something Evil




"Salem's Rise" (1985)


Versão download clique aqui






 
























 








sábado, 15 de abril de 2023

Metropolis - Metropolis (1974)

 

Sabe aquelas bandas que você cria um vínculo afetivo? Que vai além da música? Um carinho além da sonoridade, mas que tem na sonoridade o fio condutor de tal sentimento?

Pode parecer estranho e um pouco maluco, um tanto quanto contraditório, mas a banda de que falarei hoje traz uma espécie de “pedra fundamental” do rock alemão em minha vida de audiófilo, aquelas que compõe o lado obscuro e esquecido do rock germânico.

Evidente que, como tantos outros apreciadores dessa vertente sonora, conhece a global banda Scorpions que foi e ainda é o grande “produto” de exportação alemã, mas havia e há mais a apresentar esse país que sempre respirou conta cultura e o rock sempre foi parte dessa manifestação que se insurgiu!

O Krautrock é o exemplo fiel dessa subversão toda! E não é apenas pelo aspecto político e econômico da Alemanha pós-guerra, mas pela forma arrojada que as bandas entendiam como música, que, em pleno ápice da psicodelia “paz e amor” veio com sons eletrônicos, ruídos e um minimalismo que explodia aos ouvidos e alma.

Mas essa banda era diferente da cena krautrock experimental dos idos dos anos 1960 e início dos 1970, ela trazia uma sonoridade mais calcada no progressivo britânico, com algo de sofisticado, divergindo totalmente do kraut. Foi graças a ela que as cortinas da cena se abriram diante dos meus olhos fazendo com que a névoa do desconhecimento se dissipasse.

O valor sentimental não se construiu apenas pela sonoridade, algo de mero fã, não. Essa banda me trouxe um mundo improvável e repleto de riquezas, de uma vastidão que parece não ter fim. Falo da banda METROPOLIS.

Metropolis

O Metropolis me parece, até os dias de hoje, como no passado, no período de sua concepção, uma banda rara e obscura e confesso, embora tenha as minhas suposições, não saber o motivo pelo qual está banda sempre esteve um ostracismo, afinal se verificar seu line-up perceberá músicos já estabelecidos e com alguma experiência na cena rock alemã.

Talvez seja, por conta disso, encarado como um projeto, aqueles “supergrupos” que hoje está na moda, não tendo uma projeção de carreira, de formação de uma discografia maior ou coisa que o valha.

E falando em formação a banda o Metropolis nasceu em 1972 na cidade de Berlim e era formado pelo tecladista Manfred Opitz, pelo baixista Michael Westphal, ambos da banda obscura Zarathustra, Michael Sauber no saxofone, o ex-baterista do Mythos Thomas Hildebrand e Michael Duwe, do Agitation Free, que tocava guitarra e era vocalista.

Um pouco mais tarde entraria na banda a cantora Ute Kannenberg, também conhecida como Tanja Berg nas paradas de sucesso da Alemanha com a banda Os Mundi, bem como o guitarrista Helmut Binzer.

Com a banda formada, os caras trabalham muito em sua sala de estúdio no “Wrangel Kaserne”, um antigo quartel prussiano que foi transformado em inúmeras salas de ensaio no distrito de Kreuzberg, na parte ocidental da cidade de Berlim, compondo e arranjando as músicas que fariam parte do seu primeiro e infelizmente único álbum lançado em 1974, homônimo.

O álbum começou a ser composto, concebido em dezembro de 1973 pelo selo Ariola alemã (BMG) e no inverno de 1973/1974 começaram a gravá-lo no “Studio 70”, em Munique. Esse estúdio foi indicado pelos caras do Agitation Free. Eles foram apoiados por um pequeno, mas brilhante banda clássica, dirigido pelo maestro Harmut Westphal, conhecido arranjador alemão e irmão do baixista, Michael.

E aqui vale uma curiosidade de cunho histórico! O álbum foi gravado em um rigoroso inverno alemão, durante a primeira crise do petróleo. Com o equipamento carregado no ônibus de modelo Mercedes 319, o Metropolis foi de Berlim a Munique em uma rodovia quase vazia, porque nos fins de semana era necessária uma permissão especial para dirigir nessas “autobahn” germânica.

Outro entrave que sofreram foi na prensagem das cópias do álbum, porque era necessário o vinil, feito de óleo e com a crise do petróleo, era uma missão difícil conseguir esse insumo e em vários momentos se questionou se a gravadora conseguiria suprimentos suficientes para realmente dar vida ao álbum e felizmente, para a nossa alegria, conseguiram. Coisas e agruras das bandas obscuras.

As letras de “Metropolis”, escritas e cantadas em inglês, era uma forte crítica a civilização e aos impactos socioambientais, com ocasionais influências românticas. A capa, a arte gráfica do álbum, mostra uma paisagem aparentemente intacta, sem nenhum impacto negativo, mas que é ameaçada por um monstro que se desenvolve a partir do ar poluído.

O álbum “Metropolis” traz predominantemente uma sonoridade sinfônica e ainda uma amálgama impressionante de “sobras” psicodélicas com influências krautrock, mas com consistência e um arrojo sonoro extremamente interessante e novo para a época. As orientações sinfônicas, a aproximação das influências do progressivo britânico, com viés experimental trazendo à tona algo perdido do kraut faz desse trabalho algo único, interessante e particularmente forte.

Os interlúdios clássicos, com saxofones e pegadas orquestrais, com uma vibe roqueira e psicodélica, além das guitarras duplas e teclados memoráveis, faz do álbum, faz da banda incrivelmente versáteis e pouco esteriotipado com estilos carimbados. Sem falar das paisagens sonoras contemplativas, hipnóticas, graças as inclinações jazzísticas e das flautas com vocais femininos faz da banda, além de versátil, intrigante e imprevisível. Uma sopa sonora que faz da banda um misto de eras em um compilado artístico lançado em 1974.

O álbum é inaugurado com a faixa “Birth” que, já de cara, explode com notas fantásticas de órgão, com instrumentos percussivos, como o gongo e tambores potentes, algo meio tribal, arriscaria. A flauta aparece em menos de um minuto de faixa, com a bateria, baixo e os teclados se destacando em uma miscelânea instrumental bem concatenada! Logo depois chegam os vocais masculinos e femininos, dando uma textura rítmica toda especial.Trata-se de uma ótima música, uma música de banda mesmo, pois há a participação veemente de todos os seus integrantes.

"Birth"

“Metropolis” soa incrível no início marcado por um lindo som psicodélico, seguida por um som flutuante e espacial, um space rock “volumoso” e premente aos ouvidos, seguidos de sons estranhos que vêm e vão e quando surgem os vocais, uma pegada rock assume o comando, tornando o som mais pleno, vivaz e solar. Uma faixa marcada por mudanças de ritmos, mostrando a versatilidade que define o álbum em sua totalidade.

"Superplastikclub" é uma faixa que entrega vocais masculinos e femininos teatrais em uma paisagem sonora vanguardista, outra marca que me parece veemente neste álbum. O ritmo aumenta antes de um minuto, mas o andamento muda com frequência. 

"Superplastikclub"

"Dreamweaver" abre com o órgão, a bateria e os vocais femininos se destacando enquanto os vocais masculinos se juntam a esse início acelerado. Mais uma vez, o ritmo muda muito. O violão também é destaque nesta faixa, acrescentando e muito ao som, com discretas notas de teclado. 

"Dreamweaver"

"Glass Roofed Courts" começa com oboé e guitarra íntegra e intensa enquanto vocais masculinos se juntam. Vocais femininos também é adicionado, isso soa como Jeffersron Airplane, embora não goste muito dessas comparações.

"Glass Roofed Courts"

O álbum encerra com estilo com uma das melhores faixas do trabalho, “Ecliptic”. Sons ventosos para começar, com vocais quase falados, mas intensos, juntam-se a sonoridade brevemente. Órgão e bateria assumem o controle enquanto as cordas também se juntam. Os vocais voltam e assumem um som completo e pleno. Entra um baixo mais pulsante com um rico “duelo” entre guitarra e teclados. Uma faixa linda!

"Ecliptic"

Logo após o lançamento de “Metropolis”, em 1974, Ute Kannenberg e Helmut Binzer sairiam da banda. Mas o Metropolis continuou a fazer alguns shows em Berlim e na antiga Alemanha Ocidental (A Alemanha ainda estava dividida) e estavam, os integrantes remanescentes, trabalhando em um novo projeto.

Esse projeto, com base na história “Kaleidoscope”, de “Illustrated Man”, de Ray Bradbury, eles criaram um arrojado programa multimídia que estreou na véspera do natal de 1975, no Kant Kino de Berlim.

O show de luzes foi criado pelo roadie e técnico do Metropolis, Alf Heuer, com slides, projeções de gel líquido, filme, estroboscópio, holofotes e máquinas de neblina. Foi adicionado um chamado "show de aromas" com a ajuda de placas de cozimento elétricas. Junto com novas composições eles também tocaram sua versão de “Mr. Spaceman”, a música já está sendo gravada e destinada a ser seu novo single. Mas depois de um último show ao ar livre no verão de 1976, o festival ''Sommergarten unter dem Funkturm”, o Metropolis finalmente se separou. Todos os membros começaram novos projetos diferentes.

Após o relançamento de seu primeiro álbum em 2020 pela Sony Music, o Metropolis finalmente lançou a sua versão de “Mr. Spaceman”, 48 anos depois a música ter sido gravada no verão de 1975, pelo produtor Udo Arndt.

Pérola desconhecida da cena rock alemã, que flertou, como poucas e com qualidade na cena kraut, na cena progressiva e não se rendeu ao estereótipo de estilos e vertentes do rock n’ roll mostrando vanguardista e seminal, mesmo que tenha tido uma curta passagem pela história do rock obscuro. Um trabalho altamente recomendável.



A banda:

Ute Kannenberg no vocal, percussão

Thomas Hildebrand na bateria, percussão, coro

Helmut Binzer nas guitarras, coro

Manfred Opitz nos teclados, vocal, violão

Michael Westphal no baixo, coro

Michael Duwe no vocal, guitarra

 

Músicos convidados:

Heinz Loch na flauta

Guiseppe Solera no oboé

Hartmut Westphal nos arranjos de cordas e metais

 

Faixas:

1 - Birth

2 - Metropolis

3 - Superplastikclub

4 - Dreamweaver

5 - Glass Roofed Courts

6 - Ecliptic

 

 

"Metropolis" (1974)