quinta-feira, 21 de março de 2024

Andrew - Woops (1973)

 

A existência deste blog não efetiva meramente conteúdos de bandas obscuras e raras que caíram no mais puro ostracismo, não é apenas para seguir questões temáticas, mas para contar, primordialmente, histórias.

Histórias que, embora tragam especificidades comuns às bandas e álbuns, mas que contam momentos em comum que são, no mínimo, pitorescos: o fracasso. Ao amigo leitor que lê deve achar que eu estou um tanto quanto louco para achar interessante o fracasso.

A questão é trazer o submundo da música, que pode trazer algo de genuíno à essas bandas, algo de verdade em sua sonoridade, pois não se curvaram aos ditames comerciais, carregados de modismos que sempre perecem, cedo ou tarde.

Não há glamour sempre, não há referências de sucesso sempre, não há cases de sucesso sempre, mas o fracasso comercial que entregam histórias fabulosas, de persistência que denota pura e simplesmente o amor à música que faz, logo a crença nela.

E isso nos revela sonoridades que deveriam revolucionar, que deveriam deixar uma história indelével para o rock n’ roll e servir de referência para tantas outras bandas novas, tantos outros músicos jovens que queiram subverter o mercado e suas músicas pasteurizadas.

A missão deste humilde e reles blog que você, estimado leitor, lê é trazer o alternativo, é trazer algo arrojado, que suscite em todos o exercício do exorcismo à temível zona de conforto que parece teimar em pairar, como nuvens negras, nas nossas cabeças. Afinal o rock traz a capacidade de subverter, em todos os aspectos da vida!

E recentemente, graças às minhas incessantes aventuras desbravando a grande rede, descobri uma banda que personifica, de forma evidente e clara, tais características por mim mencionadas até agora, bem como o cerne deste blog e que, além de ser extremamente rara, apresenta um país que não tem tradição para o rock n’ roll, a Islândia.

E o que me levou a essa banda foi uma relação com outra, de mesmo país, que já conhecia a algum tempo e de que sou imensamente fã pela sua relevância sonora, que é o Icecross que, inclusive fiz um texto e que pode ser lido aqui.

O nome da banda em questão é o ANDREW surgida na fria Islândia. Um nome louco e atípico para uma banda extremamente rara até mesmo em seu país de origem e que, corroborando essa máxima, pouco se tem de informações sobre o seu passado.

Não se tem informações, para variar, do início da banda, de quando foi formada, mas tudo indica, se me permitem a “licença poética”, se tratar de um projeto de estúdio, sem maiores pretensões, tanto que lançaram apenas um álbum, de nome “Woops”, em 1973, que foi gravado no “Incognito” e remixado no Morgan & Soundtek Studios e lançado pelo selo Najö Productions, com uma tiragem privada e limitada, em torno de 500 a 600 cópias. Atualmente não se sabe se há álbuns originais disponíveis no mercado, mas os que tem e querem vender estão oferecendo, reza a lenda, em uma bagatela de US$ 600! Pasmem!

E a relação do Andrew com o Icecross de que me referi e que propiciou para que eu conhecesse o Andrew se deu porque dois integrantes do Icecross estiveram envolvidos na banda, são eles: Omar Oskarsson, baixista e vocalista e Asgeir Oskarsson, baterista e vocalista.

Mas não se enganem que em “Woops” encontrará as mesmas características sonoras do álbum homônimo do Icecross, que é predominantemente o peso do hard rock. O que podemos encontrar no único rebento do Andrew é uma miscelânea de sons, o que, lamentavelmente justifica o desdém do público e da crítica “especializada”, que certamente não entenderam a proposta que é exatamente não ter uma proposta.

Omar Oskarsson

Acalmem-se, estimados leitores, que eu me explicarei: não há proposta definida, não há estilo determinado, mas um flerte evidente à várias vertentes do rock que estavam em evidência, variando entre hard psych, pela sofisticação do rock progressivo, pela viagem lisérgica do space rock, do funky, variando entre baladas acústicas, guitarras estranhas e divagações psicodélicas instrumentais, com jams instrumentais. Tudo em uma abordagem enigmática e underground.

Não há nada de excepcional ou vanguardista, o Andrew colocou em sua sonoridade o que se ouvia no rock n’ roll em meados dos anos 1970, mas o que faz de seu único álbum especial é exatamente o flerte com tudo o que se ouvia à época, sem soar deslocado.

“Woops” é sólido, é intenso, é um álbum vívido e solar e mostra uma banda totalmente azeitada, embora traga, pelo que parecia, apenas um projeto de estúdio. Esse é o charme deste trabalho, porque é estranho, diversificado e que não se prende a estereótipos.

E já que falamos da banda, vamos elenca-los! Além dos ex-integrantes do Icecross, Omar Oskarsson, no baixo, Asgeir Oskarsson, na bateria, que tocou também no Pelican, apresenta ainda o tecladista Björgvin Gíslason, que tocou nas bandas Náttúra e Pelican, o guitarrista Julius Agnarsson, que também era responsável pela execução do moog, o vocalista Andri Clausen, o pianista e violinista Egill Ólafsson, que tocou nas bandas Thursaflokkurinn e Spilverk Þjóðanna.

“Woops”, que é cantado todo em inglês, é introduzido com a faixa “Rockin and Rollin” que explode em um hard rock potente e cheio de riffs de guitarra e solos desconcertantes e vocais de grande alcance. Nada melhor para abertura de álbum do que um “hardão” tipicamente setentista.

"Rockin and Rolling"

Segue com a faixa “Himalaya”, que muda consideravelmente o andamento, uma balada viajante com atmosfera sombria, com o teclado ditando todo a sua estrutura sonora. Solos de guitarra são igualmente viajantes e bem executados, apesar de simples.

"Himalaya"

“I Love You (Yes I do)” segue na linha mais balada, algo mais radiofônico que me remete aos beats dos anos 1960, com solos lindos de guitarra, límpidas, solares. Um exemplo típico de uma música um tanto quanto pop, mas bem executada.

"I Love You (Yes I do)"

A sequência traz a faixa “Look” que retoma ao hard rock com uma introdução típica com riffs pesados de guitarra, bem pegajosos, vocais despojados, solos diretos e bem cru. A famosa música de “festa”, bem animada e solar. Mas ainda me traz algo de lisérgico, de psych.

"Look"

“Dawning” inicia progressiva, o destaque do moog traz a sensação de viagem, de contemplação. O vocal é dramático e melódico, e entrega uma atmosfera lisérgica, que suscita a uma introspecção.

"Dawning"

“Sweetest Girl” rememora os anos 1960 e que remete a coisas do Animals ou coisa parecida. É dançante, a guitarra te lembra algo meio funky. O sax corrobora tal momento da música. Impossível não ficar parado com essa faixa.

"Sweetest Girl"

Segue com “Heathens” que retoma a “ala” mais pesada do álbum. Os riffs de guitarra são pesados, indulgentes, agressivos que faz jus a um heavy metal de vanguarda. Vocal rasgadão, de bom alcance. A “cozinha” rítmica se mostra entrosada, baixo pulsante, bateria marcada. Excelente!

"Heathens"

“Ballad of Herby Jenkins” é meio engraçada, algo de sarcástico se ouve na música e a brincadeira é para estereotipar a música sessentista. Piano alegre, vocal debochado.

"Ballad of Herby Jenkins"

“Purple Personality” é lisérgica, guitarras distorcidas e estranhas, meio aleatório, um típico som de rock psicodélico, mas com peso, sobretudo nos riffs de guitarra. Uma faixa que personifica o álbum: que flerta com algumas vertentes do rock.

"Purple Personality"

E finalmente fecha o álbum com “Age” talvez a mais progressiva de todas as faixas, mas que introduz com sons espaciais, um space rock curto e grosso, mas evidente e que vai e vem de uma forma mais discreta ao longo da música. Teclados ao estilo The Doors são percebidos e entrega uma vibe mais psicodélica e dançante. Solos traz uma textura mais complexa e corrobora o quão é prog rock essa faixa.

"Age"

Esquecido, obscuro, raro...Palavras que, no show bussiness da música podem sintetizar o fracasso, para muitos abnegados e apreciadores da música underground, isso pode ser o suprassumo do que há de melhor no rock n’ roll. O fracasso comercial não inviabiliza a qualidade do que está contido em um determinado álbum. O Andrew sintetiza fielmente tudo isso e nos revela um caminho oposto ao glamour e o equívoco de sempre o que faz sucesso ter a melhor música.

O Andrew e seu álbum único, “Woops”, corrobora a necessidade premente e urgente de que há e muito a se desbravar nessa selva intocável que é o rock n’ roll. Permitir-se desbravar significa render-se às músicas empoeiradas que, por um infortúnio comercial, caiu no ostracismo. Pérola mais do que recomendada!


A banda:

Asgeir Oskarsson na bateria

Julius Agnarsson na guitarra e moog

Omar Oskarsson no baixo

Andri Clausen nos vocais

Egil Olaffson no piano e vocais

Bjornvin Gislason no moog

 

Faixas:

1 - Rockin and Rollin

2 - Himalaya

3 - I Love You (Yes I Do)

4 - Look

5 - Dawning

6 - Sweetest Girl

7 - Heathens

8 - Ballad of Herby Jenkins

9 - Purple Personality

10 - Age



"Woops" (1973)

 









 




























segunda-feira, 4 de março de 2024

I Teoremi - I Teoremi (1972)

 

Me preocupa, em alguns momentos, fazer algumas análises das sonoridades das bandas que faço audição, pois temo que posso cair na malha fina e temível do estereótipo, do rótulo às bandas. O rock n’ roll é diverso, híbrido e assim se tornou especial e contestador, não tão somente nas mensagens de suas letras subversivas, mas também no aspecto sonoro.

Mas confesso não resistir entender determinadas vertentes sonoras, porque pode nos ajudar a entender o tempo e o motivo pelo qual algumas bandas decidiram edificar seu som.

E para direcionar um pouco o que estou dizendo, falemos um pouco, caríssimo leitor, da Itália. A Itália nos fornece um bom “caldo” sonoro, sobretudo, claro, nos anos 1970, onde além da enxurrada de bandas que havia, contava também, consequentemente, com uma diversidade de sons, até porque também aquela década gozava de um período prolífico não somente de bandas, mas de vertentes que nasciam diante de tantas experimentações.

E quando decidi fazer esse texto eu me coloquei em reflexão e refiz, mentalmente falando, a seguinte pergunta: Quais foram as primeiras bandas pesadas da Itália? E quando falo “refiz” é porque, evidente, ela povoa a minha mente a algum tempo, pois parece não se configurar em uma resposta.

Mensura anos, lançamentos, gravações de álbuns engavetados, histórias, tudo parece reforçar interrogações que teimam em prevalecer em nossas mentes e embora aparente desconforto, talvez fomente a predileção pela história que o rock n’ roll pode nos proporcionar.

A banda de hoje é especial porque é rara e por isso desponta pouco nas conversas e fóruns do estilo, mas é totalmente discutível a sua importância para o pioneirismo da música pesada italiana e mais ainda para o hard prog. Falo do I TEOREMI.

I Teoremi

Claro que quando falamos de hard rock italiano, não podemos esquecer do Il Rovescio della Medaglia, com o seu seminal “La Bibbia”, lançado em 1971, ou o grande Il Balletto di Bronzo, com o seu debut “Sirio 2222”, que nos remete ao Cream, entre tantos outros.

Mas o I Teoremi trouxe com seu único trabalho, lançado em 1972, autointitulado, algo mais calcado do hard prog e pode ser considerado como um dos primeiros trabalhos da Itália no estilo e que viria a se consolidar no mundo inteiro, em meados dos anos 1980, como “metal progressivo”.

E mesmo com esses predicados “I Teoremi” é um álbum pouquíssimo comentado, mencionado, sendo considerado como extremamente raro até mesmo em seu país natal, na Itália. Mas como aqui neste humilde e reles blog as obscuras sempre terão vez e suas histórias enaltecidas, mesmo diante de um retumbante fracasso comercial.

Para conhecermos a história do I Teoremi precisamos viajar no tempo para Roma no final da década de 1960. Após um período de shows em 1971, Tito Gallo, vocalista, Mario Schilirò, guitarrista, Aldo Bellanova, baixista, e Claudio Mastracci, bateria, entrariam em estúdio para gravar seus primeiros singles chamados “Sognare” e “Tutti Le Cose”, essa segunda um cover da música “With You There to Help Me”, do Jethro Tull, em uma roupagem mais revisitada. A banda estava acompanhada por uma banda chamada Il Numi, que também gravaria no mesmo estúdio o seu álbum “Alpha Ralpha Boulevard”.


"Sognare"

"Tutti Le Cose (With You There To)"

Mas em 1972 Gallo decide sair da banda, deixando-a sem vocalista. O I Teoremi foi em busca de um novo cantor e recrutou o napolitano Vincenzo Massetti, que já era conhecido no meio musical como “Lord Enzo” e que, pela alcunha, gozava de algum respeito e já era ativo na década de 1960 e participou do conhecido “Festival Degli Sconosciuti”, de Ariccia, em 1968.

A mudança, apesar de ser sempre difícil para uma banda, foi proveitosa, foi boa, porque a voz poderosa de Massetti se adaptou muito bem ao hard rock, ao hard prog da banda que lançaria, no mesmo ano da entrada de “Lord Enzo” o seu primeiro e único álbum por um pequeno selo chamado “Polaris”, meses depois de efetuarem a troca, isso no final de 1971, sendo lançado na primavera de 1972.

A contribuição de Massetti foi enorme para a mudança de rumo da sonoridade do I Teoremi no seu primeiro álbum e comparação, claro, com o que lançou um ano antes com os seus singles. Nos seus singles de 1971, também lançados pelo selo “Polaris”, aquela pegada psicodélica deu lugar a uma atmosfera pesada e progressiva, modernizando o som da banda e a colocando em um período em que o prog e o hard estava em voga, lá pelo ano de 1972.

Então a formação responsável por conceber “I Teoremi” trouxe Vincenzo Massetti (“Lord Enzo”) nos vocais, Mario Schilirò na guitarra, Aldo Bellanova no baixo, Claudio Mastracci na bateria e essa banda, além de ser gravada e lançada pela “Polaris”, trouxe também certo otimismo incontido por esta pequena gravadora que, nos encartes internos do disco, podia se ler “Caras realmente preparadas e instrumentistas excepcionais”. Essa frase se confirma, eram grandes músicos, mas a sorte não lhe foi justa, não tendo um prosseguimento.

E infelizmente a sua obscuridade revela o vilipêndio que a banda sofreu à época do lançamento de seu álbum, relegando esse trabalho a um miserável fracasso comercial, ainda que o seu conteúdo fosse mais digno de importância, de pioneirismo, mas foi condenado pelo ostracismo da indústria e dos fãs cegos. Teve apenas um relato lisonjeiro de Enzo Cafarilli sobre “Ciao 2001”, onde disse que o I Teoremi trouxe um hard caótico com atmosferas mais desafiadoras com uma técnica individual e de grupo incomum, oferecendo um álbum globalmente inteligente e aceitável.

E é exatamente dessa forma que temos de encarar “I Teoremi”: elementos pesados do rock progressivo, com viés exultante do hard rock com a guitarra e o baixo distorcidos de onde emerge a invejável técnica dos seus músicos. Uma sonoridade vigorosa, mas com muita estruturação, complexidade, o que se diferia das bandas pesadas italianas daquela época, o que faz desse álbum extremamente importante, apesar de raro, fugindo um pouco das “suítes” e de músicas-conceito típicas do prog rock que imperava na Itália no início dos anos 1970.

Além do ostracismo que a banda sofreu, o álbum foi esmaecido por uma mixagem que não estava à altura e isso, infelizmente, se revela perceptível, mas que de forma alguma acabou gerando um efeito reverso, mostrando um resultado final mais orgânico e analisando por esse prisma claro que é muito interessante. E essa dose de espontaneidade fez com que o I Teoremi atinja o status de uma banda de identidade própria.

Mas nada disso fez com que a banda decolasse no que diz respeito ao aspecto comercial e as tiragens modestas e a promoção pouco incisiva, fizeram de “I Teoremi” cair no mais total anonimato profundo.

O álbum é inaugurado pela faixa “Impressione” que, no auge dos seus sete minutos de duração, apresenta mudanças rítmicas interessantes, revelando-se avassaladora em sua dinâmica, com riffs e solos de guitarra poderosos, vocais rasgados e de grande alcance, faz dessa música um clássico e típico hard prog de estourar com os tímpanos dos mais sensíveis.

"Impressione"

“Mare Della Tranquillità” é a faixa óbvia de destaque para os que apreciam a música progressiva, no alto de seus nove minutos de duração e repleta de riffs. Ela é aventureira e a única que traz teclado, com momentos entre calmaria e frenesi nas teclas e uma incrível sinergia na “cozinha”, na seção rítmica, fornecem a base necessária para a guitarra despontar com solos longos e de tirar o fôlego. No meio do caminho ainda temos solo de bateria que mostra a destreza instrumental de seus músicos.

"Mare Della Tranquillità"

“Passi da Gigante” é mais um som cru, direto e despretensioso e vocais mais ásperos também, mas rivaliza com momentos mais calmos e assim vai alternando, mostrando um pouco da veia progressiva com essa dinâmica rítmica.

"Passi da Gigante"

“Nuvola Che Copri Il Sole” começa com muita calma, lenta e até um tanto quanto sombria, então os vocais mais dramáticos entram a medida que o som fica mais encorpado, cheio. Quando os vocais saem a guitarra ganha destaque, com riffs e solos avassaladores.

"Nuvola Che Copri Il Sole"

Segue com “Qualcosa D'Irreale” que se mostra poderosa, abrindo com a guitarra, tendo a textura ritmada do baixo e bateria, entrando logo o vocal limpo, mas poderoso. Mas apesar da música ser intensa se mostra contida, soturna as vezes.

"Qualcosa D'Irreale"

“Il Dialogo di Un Pazzo” é uma faixa instrumental e traz a proposta vigente do álbum, poderosa, cheia de candências e que varia do hard rock e pegadas mais progressivas.

"Il Dialogo di Un Pazzo"

E fecha com a faixa “A Chi Non Sarà Più” tem uma bela introdução de bateria e entra em ação rápida com um potente hard rock, é cru e pesada, mas as alternâncias rítmicas também se impõem e segundo minuto se acalma e em meio a solos de guitarra, logo volta ao peso inaugural.

"A Chi Non Sarà Più"

O pouco apoio da gravadora, pequena e sem recursos para uma divulgação do álbum do I teoremi e o consequente esquecimento fez com a banda finalizasse as suas atividades ainda em 1972, ano do lançamento do álbum. Mas felizmente apesar do precoce fim os músicos conseguiram dar prosseguimento em suas carreiras musicais, com algum sucesso, inclusive.

Aldo Bellanova tocaria, por um curto período, com a banda Il Punto, depois formou o Samadhi e um trio de pop rock chamado Cliché, que somente lançou um single e LP em 1981, juntamente com seu ex-colega de I Teoremi, Claudio Mastracci, além do guitarrista Franco Ventura, falecendo em 2013. Vincenzo Massetti, o “Lord Enzo”, teve, entre os músicos, maior sucesso, encontrando fortuna na Tailândia, construindo uma sólida carreira solo como cantor melódico.

Mastracci, além de ter formado o Clichê, junto com Bellanova colaboraria com Rettore e Sergio Caputo, participando em programas de TV, com orquestras e lecionando bateria, enquanto Mario Schilirò tocaria com vários artistas dos mais variados estilos, entre eles Antonello Venditti, Baglioni, Ccciante e até mesmo Zucchero.

“I Teoremi” foi relançado três vezes: o primeiro pelo selo “Vinyl Maagic”, que também lançou em CD, em uma prensagem numerada de apenas 300 cópias. Uma nova reedição foi do selo “Akarma”, adicionando as faixas dos singles do LP. Em 2011 o álbum foi reeditado novamente pela AMS com a mesma capa em uma prensagem limitada de 300 cópias. As reedições do Akarma, em CD e LP, têm as faixas dos dois lados originais na ordem inversa em comparação com as outras versões.

Longe de ser os típicos álbuns sinfônicos da Itália que, em profusão, surgiram em 1972, o trabalho do I Teoremi está em estado bruto, é orgânico, embora apresente complexidade conferido pelo rock progressivo. Um clássico raro e obscuro que ainda assim instaura na Itália o hard prog com maestria.





A banda:

Aldo Bellanova no baixo

Mario Schilirò na guitarra

Claudio Mastracci na bateria

Vincenzo Massetti (Lord Enzo) nos vocais

 

Faixas:

1 - Impressione

2 - Mare della Tranquillità

3 - Passi da Gigante

4 - Nuvola Che Copri Il Sole

5 - Qualcosa D'Irreale

6 - Il Dialogo Di Un Pazzo

7 - A Chi Non Sarà Più 



"Il Teoremi" (1972)






































segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Plus (Argentina) - No Pisar El Infinito (1976)

 

Amigos leitores hoje finalmente irei reparar um erro, que considero deveras grave, deste blog: esquecer das bandas argentinas! E não se enganem não foi reflexo de rivalidades futebolísticas ou coisa que o valha, mas talvez a falta da devida oportunidade, até pelo fato de ser ainda um blog jovem e que tem muito a progredir.

É sabido que a cena rock argentina é extremamente diversa, no que tange às vertentes sonoras, sobretudo nos anos 1970: prog rock, hard rock são os estilos mais difundidos pelas bandas e com essa prolífica qualidade, as cenas corroboram, com um público ávido em consumir esse produto desde sempre.

E a banda de hoje representou com extrema fidelidade e competência a cena pesada do rock n’ roll argentino e felizmente e finalmente escreverei algumas linhas acerca dessa seminal e pouco difundida banda. Falo do PLUS.

Plus

O nome é mais do que sugestivo para essa banda que soube honrar, com a sua curta, porém efusiva discografia, a cena hard rock sul americana, com particularidades bem visíveis, bem sentidas em sua sonoridade, a tal da latinidade é peculiar.

Mas como aqui cabe um pouco de história, falemos dos primórdios do Plus. O embrião da banda surgiu, como sempre costuma ser, da dissolução de outra banda, a “Escarcha. Três de seus integrantes, Julio Sáez, guitarrista, Hugo Racca, baixista e Cacho D’Aria, baterista, juntaram-se a Saúl Blanch, vocalista, para formar o Plus, isso em 1975.

O Plus surgiu em um momento convulsivo na política argentina, pouco antes do golpe de Estado, onde o país cairia nas mãos da ditadura militar, tirando Isabel Perón do poder, em 24 de março de 1976 chefiada pelo Tenente General Jorge Rafael Videla, Almirante Emilio Massera e o Brigadeiro General Orlando Ramón Agosti.

Um período de repressão se instauraria na Argentina e, claro, algumas expressões ou manifestações contraculturais seriam alvos de ataques e censuras e o Plus, bem como toda a cena rock, sofreria com esses reveses, tendo poucas ofertas de shows e incentivo por parte de gravadoras que, com medo, evitaria contratar e/ou financiar os “famosos subversivos” ou “hippies” que poderiam colocar à prova a harmonia do governo opressor.

E foi exatamente no turbulento ano de 1976 que o Plus lançaria seu debut intitulado “No Pisar el Infinito”, alvo de minha resenha de hoje. A Plus representaria, além dos entraves de falta de oferta de shows, o rock alternativo, cuja cena abundava em bandas progressivas, de jazz rock, fusion etc, sendo uma das principais bandas de seu estilo, juntamente com bandas do naipe de El Reloj e Vox Dei.

Essa era efetivamente a intenção quando da transição do Escarcha para o Plus. Era criar um projeto que privilegiasse a pegada de clássicas e medalhonas bandas do estilo espalhadas pelo mundo, tais como: Deep Purple e Led Zeppelin. Não sou um entusiasta das comparações, mas é inegável que o Plus traz essas inspirações em seu álbum de estreia.

“No Pisar el Infinito” foi gravado no Film Records Studios entre 20 de julho e 4 de outubro de 1976 e lançado pela “TK Discos” de uma forma quase que “artesanal”, sem um grande orçamento e também não teve o devido apoio quando a banda seguiu em turnê.

Porém mesmo com as baixas ofertas para se apresentar devido ao opressor cenário político com a censura militar, a banda conseguiu realizar alguns shows e se mostrou bastante enérgica em palco, afinal, a sua música ajuda e muito para essa condição.

O público curtiu muito “No Pisar el Infinito”, a banda, a cada show, pelo menos os poucos que teve, ganhava experiência, uma consistência e uma sinergia incrível. O álbum é primordialmente calcado no típico, porém indefectível, hard rock setentista, cru, com levadas latinas bem peculiares, sendo agressivo, pesado, mas cadenciado e radiofônico em algumas faixas. A formação do Plus para este álbum tinha: Julio Saéz na guitarra e vocal, Saúl Blanch no vocal, Hugo Racca no baixo e vocal e Horácio D'Arias na bateria.

O álbum é inaugurado com a faixa monstruosa de “Noches de Rock and Roll” que já introduz como um soco na jugular com riffs pesados de guitarra, baixo pulsante e bateria em uma batida agressiva e pesada. É um “exemplar” não apenas de hard rock, mas é perceptível o peso mais voltado para o heavy metal. A seção rítmica traz o groove, a guitarra o peso e vocal engloba tudo sendo alto e gritado. Abre o álbum dizendo a que veio e representando a sua proposta devidamente.

"Noches de Rock and Roll"

“Tomame como Soy” é mais cadenciada, suja, traz à lembrança “Master of Reality”, do Black Sabbath, diria sem medo, apesar de não ser tão taxativo, afinal essas percepções são muito particulares. O vocal soa mais melódico, mais bem trabalhado juntamente com os backing vocals. Os riffs de guitarra continuam sendo destaque juntamente com os seus solos, apesar de simples, mas diretos.

"Tomame como Soy"

“Ya Tenés por quién Luchar” muda o “humor”, o ambiente do álbum, com uma linda balada, com um lindo vocal, bem mais melódico do que faixa anterior, algo meio dramático, emocional, com um violão ao fundo, mas logo entra a seção rítmica que deixa a música mais agitada, mas que não foge à sua proposta.

"Ya Tenés por Quién Luchar"

A sequência traz “La Chance Sutil” retorna ao hard rock com a rápida introdução de bateria que abre para riffs de guitarra pegajosos e baixo mais pesado, além de pulsante. O vocal, melódico, implementa um alcance maior. Um hard rock mais ao estilo Purple e Rainbow.

"La Chance Sutil"

“Hablan de Tiempos Mejores”, com seus vinte segundos, abre com um trabalho vocal que abre para a sequência com a faixa “El Mago del Tiempo” que traz o habitual peso do álbum, com uma pegada latina e meio psicodélica que traz à memória Carlos Santana, mas mais eletrificado, com os riffs de guitarra pesados e dançantes. O mais legal é ouvir os bongôs com os solos de guitarra. Convergem maravilhosamente, apesar de atípicos.

“Lo Único que Es” é melancólico, é sombria. O violão dedilhado na introdução que traz essa nítida percepção da música, logo irrompe em uma explosão hard rock e o vocal logo se transforma, sendo gritado, esgoelado. A seção rítmica, a “cozinha” ganha, mais uma vez, destaque, entregando groove, vida à faixa.

"Lo Único que Es"

“Occúltame Hermano” traz de volta aquela sensação de uma música arrastada, algo relacionado ao doom, ao Sabbath dos primórdios. É uma faixa com a guitarra suja, que me remete ao occult rock do início dos anos 1970, a bateria marcada, bem executada. Definitivamente uma das melhores e mais versáteis do álbum.

"Occúltame Hermano"

E fecha com a faixa “Zapada Final” e não poderia fechar melhor. O retorno do hard rock típico extremamente pesado. A bateria é indulgente, arrogante, pesada e os riffs de guitarra muito agressivos. A música segue em uma velocidade incrível e lembra um heavy rock de vanguarda que entraria em qualquer álbum de uma banda de heavy metal oitentista. Exemplar perfeito do hard rock!

"Zapada Final"

As apresentações ao vivo, o impacto midiático de “No Pisar el Infinito” e o antigo, mas eficaz, trabalho de boca a boca dos novos fãs, rendeu um contrato com o RCA e o Plus para lançamento do seu segundo álbum, em 1978, simplesmente chamado de “Plus”. Ele foi renomeado pelos fãs com o nome de "Melancholic Girl", por causa de uma música que contém mais de onze minutos de duração. Neste trabalho participaram Celeste Carballo nos corais e o violinista Fernando Suárez Paz, do Quinteto Astor Piazolla.

Mas essa segunda tentativa não foi tão eficaz e o sucesso que a banda adquiriu, a duras penas, diminuiu drasticamente. Chegaram a fazer uma turnê razoavelmente grande pela América do Sul, com destaque na Colômbia, e quando já tinham um contrato novo com a gravadora “Tonodisc” para gravar o terceiro álbum intitulado “Escuela de Rock n’ Roll”, já em 1981, as diferenças internas, as brigas tornaram a vida do Plus insustentável, inclusive o guitarrista Julio Saéz tinha saído antes da gravação deste álbum, entrando em seu lugar León Vanella. A separação definitiva do Plus aconteceria um ano após o lançamento do terceiro álbum, em 1982.

"Escuela de Rock and Roll (1981)

Saéz, o baixista Hugo Racca e o baterista Cacho D’Arias posteriormente se juntaria a uma banda de nome “Dr. Silva”, do tenista Guillermo Vilas, que admirava a sonoridade do Plus. De todos os integrantes do Plus o único que conseguiu algum êxito comercial foi o vocalista Saul Blanch que se tornou com quem o Rata Blanca gravou seu primeiro álbum autointitulado, em 1988.

Hugo Racca morreu em 1988 e Julio Saéz se tornou, após a separação de Patrício Rey y Sus Redonditos da Ricota, empresário e guitarrista de Indio Solari. Em 2016 morreria o baterista Cacho D’Arias. Em 2011 o álbum “No Pisar El Infinito” foi relançado e remasterizado com duas faixas adicionais: “A Thousand Options” e “Hoy Te Wonderas”.

Um álbum monstruoso e obrigatório para qualquer fã das obscuridades do hard rock progressivo dos anos 1970. Este vai surpreender até mesmo aqueles que não são tão afeitos à música pesada. Altamente recomendado!




A banda:

Julio Sáez na guitarra e vocal

Horacio Darías na bateria

Saúl Blanch no vocal

Hugo Racca no baixo e vocal

 

Faixas:

1 - Noches de Rock and Roll

2 - Tomame Como Soy

3 - Ya Tenés por Quien Luchar

4 - La Chance Sutil

5 - Hablan de Tiempos Mejores

6 - El Mago del Tiempo

7 - Lo Unico Que Es

8 - Ocúltame Hermano

9 - Zapada Final


"No Pisar El Infinito" (1976)


































quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Sub - In Concert (1971)

 

Algumas orientações sonoras podem cair na vala comum do estereótipo, principalmente quando uma cena ganha algum destaque. E um exemplo evidente é o krautrock, proeminente na Alemanha no final dos anos 1960 e início dos anos 1970.

O kraut como conhecemos traz aquele experimentalismo, uma espécie de “resposta” psicodélica da Alemanha. Um som minimalista, viajante, chapante e repleto de improvisações.

Mas ao longo dos anos, sobretudo no início da década de 1970, a cena foi ganhando corpo, recebendo outras vertentes ou aprimorando a sonoridade, graças ao hard rock e o rock progressivo que estavam aparecendo para o mundo.

É comum ouvirmos bandas com nítidas influências de hard rock, rock progressivo e até mesmo um prog sinfônico, comum em países como a Itália, por exemplo. E lamentavelmente tudo é colocado no “mesmo saco” do krautrock, talvez por questões mercadológicas ou simplesmente uma falta de entendimento que o estilo sofreu, foi impactado por outras vertentes do rock.

Confesso que discussões como essa também se caracteriza como estereótipo, algo que talvez não fosse necessário, afinal tudo se configura, tudo se converge para o óbvio: rock n’ roll! Essa necessidade surge, penso, para entendermos minimamente o “conceito sonoro” de uma banda e isso não é nenhum crime.

Então analisando por esse prisma, hoje falarei de uma banda extremamente rara e obscura, oriunda da cidade de Munique, que, no longínquo ano de 1971 conseguiu personificar o conceito de evolução da cena krautrock. Falo do SUB.

O SUB, um nome um tanto quanto atípico para uma banda kraut, foi formado, como disse, em Munique, no ano de 1969 e lançou apenas, para variar, um álbum, em 1971, intitulado “In Concert”. Ele estranhamente foi lançado na Itália pelo selo “Help”, em uma pequena edição, com uma tiragem de apenas 1.000 cópias. Atualmente o LP original é negociado por aproximadamente € 1.000 em leilões virtuais e sites especializados! Acredite se quiser!

Reza a lenda de que o empresário da banda teria roubado as fitas máster e ido com elas para a Itália, lançando o álbum por lá. E por alguma razão foi decidido transformar as músicas contidas nessa fita em um álbum ao vivo, por isso o nome de “In Concert” com aplausos do público “overdubados”, evidenciado na primeira faixa, “Sub Theme I”. O máximo que se pode ter próximo a uma apresentação ao vivo é de que as músicas teriam sido gravadas no formato “alive in studio”, mas sequer essa informação está confirmada.

Casos como esse soam miseravelmente levando em consideração um trabalho de marketing do álbum e da banda, pois traz a informação de que as coisas foram feitas em um viés falso.

“In Concert” foi gravado no verão de 1970 no Union-Studios, famoso estúdio em Munique, por músicos com alguma visibilidade, com experiências em outras bandas, são eles: Christian Wilhelm no vocal, Klaus Kätel na guitarra, Peter Stimmel no baixo, Johannes Vester nos teclados e Lutz Ludwig na bateria. Este último, o Ludwig, foi baterista de outra banda underground muito legal, o Amos Key.

Amos Key - "First Key" (1974)

Bem se no aspecto comercial deixou um pouco a desejar, com histórico de roubos e informações falsas, no musical o Sub traz um line up com músicos extraordinários com inspirações ao estilo Deep Purple e Uriah Heep, primordialmente.

Mas o Sub se diferencia das mencionadas, pois entrega uma sonoridade calcada no rock progressivo e hard rock, com uso pleno de teclados e o tão falado Krautrock, pois flerta com improvisações e jams sections de primeiríssima qualidade.

São definitivamente abordagens composicionais bem elaboradas, bem estruturadas, focando na guitarra, corroborando no peso e os teclados que evidenciam a sua levada mais progressiva. Mas se percebe e muito elementos mais psicodélicos, com riffs de guitarras mais estridentes, ao estilo lisérgico mesmo e pegadas mais bluesy. Essas vertentes devem surgir de um passado de fusão de bandas beats locais que ajudaram a formar o Sub no final da década de 1960.

A abertura conta com a longa “Sub Theme I (Sub In Concert) ”, que, no auge dos seus dezoito minutos de duração conta uma jam section que mescla momentos pesados, selvagens, capitaneados por riffs e solos avassaladores de guitarra, com texturas bem servidas de teclado, mostrando muito virtuosismo. Uma abordagem bem arrojada para a sua época, pois entrega experimentalismos com pitadas bem generosas de hard rock. De fato, é uma atmosfera que se difere de todas as demais faixas do álbum, mostrando groove pesado e viagens chapantes de hard rock e psych rock.

"Sub Theme I (Sub in Concert)"

“Off” começa animada, com guitarra acústica bem dedilhada e baixo galopante e teclados enérgicos. Logo a guitarra lisérgica surge “rasgando” a música. Uma típica faixa que se encaixa perfeitamente às batidas beats, psicodélicas da segunda metade dos anos 1960.

"Off"

“Sub Theme II (Money Maker)” não foge muito à regra da faixa anterior. Muita lisergia, guitarra com riff ao estilo psicodélico, uma bela seção rítmica que traz algo meio dançante e teclados meio sombrio, dando um caráter mais introspectivo a música em alguns momentos.

"Gimme Some Lovin" mostra a habilidade de Stimmel no baixo e a bateria pesada e marcada, confirmando uma seção rítmica bem interessante. Os teclados ganham representatividade instrumental nesta faixa “espaçando” um pouco a música ganhando destaque, sem mostrar algo enfadonho, muito pelo contrário. São teclas enérgicas, solares.

A divertida “Ma-Mari-Huana” já escancara as predileções da banda pelos psicotrópicos típicos da transição das décadas de 1960 para a década de 1970 e mostra uma banda mais enérgica, intensa, vívida, mas não necessariamente pesada, agressiva. O destaque fica para o vocal mais rasgado, mais intenso, quase gritado, diria. Somando a esse vocal não podemos negligenciar a participação do teclado igualmente animado.

"Ma-Mari-Huana"

"Match I" começa com um vocal meio dramático, intenso, mas logo fica um tanto quanto estranho com um impulso percussivo e soma-se a estranheza os teclados que soam um tanto quanto sombrio. Depois desse momento meio apocalíptico as teclas ficam mais estelares, solares, mais animado, mais direto ao ponto.

Fecha o álbum com a faixa “Match II” que tem a presença de uma guitarra mais “funk”, algo meio grooveado, mas com toques bem generosos de psych rock, com um vocal bem destacado, dando uma tensão única à música.

O Sub existiu apenas por mais três anos após o lançamento de “In Concert” e excursionou pela Alemanha, Áustria e Itália, este último país que foi lançado seu único trabalho, após o suposto roubo das fitas máster pelo empresário da banda. Mas infelizmente o álbum não atraiu as atenções, apesar do material de excelente qualidade apresentado.

“In Concert” teve alguns relançamentos, sendo que o primeiro foi pelo selo “Garden of Delights” em 1994, no formato CD, pelo selo “Mayfair” em 2004, em LP e novamente “Garden of Delights”, em 2012, no formato LP. A esses relançamentos foram incluídas cinco faixas bônus que não acrescenta muito às faixas originais.

O Sub pode, para muitos, transparecer a ideia de ter sido apenas mais uma banda de heavy psych, mas algo o faz diferenciar-se das demais e é exatamente a sua inspiração experimental calcada na cena krautrock, mas com peças intrincadas e de peso, a junção muito boa entre prog rock e hard rock. Quando se ouve o Sub percebe-se que poderia ter uma vida mais longa. Pouco se sabe sobre o futuro dos músicos, apenas que o baterista Lutz Ludwig, como disse, tocaria na banda Amos Key. Os demais são um mistério enigmático.


A banda:

1 - Sub Theme I (Sub in Concert)

2 - Off (3:56)

3 - Sub Theme II (Money Maker)

4 - Gimme Some Lovin'

5 - Ma-Mari-Huana

6 - Match I

7 - Match II

 

Faixas:

Christian Wilhelm nos vocais

Klaus Kätel na guitarra

Peter Stimmel no baixo

Johannes Vester nos teclados

Lutz Ludwig na bateria



Sub - "In Concert" (1971)

Link para download do álbum aqui