Fazer música em dias
pasteurizados e midiáticos se tornou um verdadeiro desafio. Um desafio para
aqueles músicos e bandas que se permitem dominar pela liberdade criativa, sem
amarras, sem filtros, sem deixar seduzir por questões comerciais, radiofônicas
e dinheiro, muito dinheiro em troca. O desafio vem com a coragem de expor a sua
arte, despida, mostrando as suas verdades, as suas percepções e visão de mundo.
O Codex Serafini retrata com fidelidade a coragem de tornar tangível a sua arte
sonora da forma mais original, arrojada e pouco ortodoxa em dias pseudo
contemporâneos trajados de fascismo, conservadorismo, entre outros campos
minados de intolerância. Eles se auto intitulam saturnianos que veio a Terra
para mostrar a todos os seus habitantes para abrirem as suas mentes. Talvez
seja essa a saída para que cada um de nós abandone uma postura tão frustrada,
que não se permite conhecer a si próprio, libertar-se. E não se enganem que
essa situação não se estenda ao rock n’ roll, tão conservador e chato a ponto
de vilipendiar, rejeitar sonoridades alternativas sem ao menos ouvir e
construir de fato seu senso crítico acerca de uma banda ou sonoridade. O
aspecto estético do Codex Serafini também é particular e obscuro. Não revelam
suas identidades, usando capas e vestimentas obscuras e soturnas, com longos
cabelos que ocultam as silhuetas de seus rostos, focando essencialmente na
música.
Como eles dizem: “Você não precisa ver rostos ou corpos para se conectar com alguém em um nível mais profundo”. Ainda no aspecto visual e no contexto histórico, o nome da banda vem de uma enciclopédia sobre um mundo imaginário com um texto indecifrável com mais de mil desenhos feitos pelo artista e arquiteto italiano Luigi Serafini entre 1976 e 1978, chamado Codex Seraphinianus. A primeira edição do livro foi publicada em 1981. Em 2006 o livro foi relançado na Itália. O livro reinterpreta a zoologia, a botânica, a mineralogia, a etnografia, a arquitetura etc.
A escrita indecifrável da língua serafiniana expressa as seções, as legendas de desenhos e a numeração. Os desenhos lembram as pinturas surrealistas do grande pintor Salvador Dali e vai de encontro com a proposta das faixas do primeiro EP lançado pela banda Codex Serafini chamado “Serpents of Eceladus”, de 2020 onde a banda define: “Uma peça saturniana de cinco formas intercambiáveis, disfarçada de fato, situada no limite desconfortável entre surreal e fantasia”. O álbum traz homenagens e referências da grandiosa, mas também pouco compreendida cena alemã, chamada, pejorativamente, de krautrock com influências de bandas como Neu! e Can, com experimentalismo, improvisações baseadas em jazz rock, progressivo, guitarras lisérgicas e um vocal estridente, gritado e perturbador. “Serpents of Enceladus” é um álbum ácido, chapante e poderoso. A banda de Saturno, que definiu seu som como “Saturnian Rock”, de uma misteriosa cidade chamada “Enceladus”, aportou em Brighton na Inglaterra e conta com a seguinte formação: Tethys Cassini, Dione Cassini, Epimetheus Cassini, Janus Cassini e Mimas Cassini. Não se sabe se os nomes são verdadeiros e que instrumentos os mesmos tocam. O álbum começa com a faixa “Liber” com um som minimalista, com um peso calcado em riffs de guitarra e um saxofone dando um tempero mais jazzístico a música.
“Cronus” começa ameaçadora e sombria com o destaque no vocal em uma espécie de ritual tendo como pano de fundo o sax lembrando a fase remota do King Crimson. “Janus” é mais chapante, lisérgica, viajante, com doses cavalares de um Pink Floyd da fase Barrett.
“Fountains of Enceladus” é a mais pesada do álbum, com uma pegada hard psicodélica que alterna com atmosferas mais sombrias, capitaneadas pelo vocal. E fecha com “Speaking in Tongues”, a mais longa e progressiva, com pitadas de hard, do álbum. Tem uma forte influência do King Crimson em uma junção de sua fase transitória das décadas de 60 e 70 com a áurea fase de meados da década de 1970: pesado e psicodélico.
O Codex Serafini pode não ser revolucionário, trazer algo novo, mas merece todas as reverências pela coragem de mostrar a sua verdade artística personificadas em sua música em tempos de músicas simples, descaracterizadas e pasteurizadas.
Codex Serafini
Como eles dizem: “Você não precisa ver rostos ou corpos para se conectar com alguém em um nível mais profundo”. Ainda no aspecto visual e no contexto histórico, o nome da banda vem de uma enciclopédia sobre um mundo imaginário com um texto indecifrável com mais de mil desenhos feitos pelo artista e arquiteto italiano Luigi Serafini entre 1976 e 1978, chamado Codex Seraphinianus. A primeira edição do livro foi publicada em 1981. Em 2006 o livro foi relançado na Itália. O livro reinterpreta a zoologia, a botânica, a mineralogia, a etnografia, a arquitetura etc.
Codex Seraphimianus
A escrita indecifrável da língua serafiniana expressa as seções, as legendas de desenhos e a numeração. Os desenhos lembram as pinturas surrealistas do grande pintor Salvador Dali e vai de encontro com a proposta das faixas do primeiro EP lançado pela banda Codex Serafini chamado “Serpents of Eceladus”, de 2020 onde a banda define: “Uma peça saturniana de cinco formas intercambiáveis, disfarçada de fato, situada no limite desconfortável entre surreal e fantasia”. O álbum traz homenagens e referências da grandiosa, mas também pouco compreendida cena alemã, chamada, pejorativamente, de krautrock com influências de bandas como Neu! e Can, com experimentalismo, improvisações baseadas em jazz rock, progressivo, guitarras lisérgicas e um vocal estridente, gritado e perturbador. “Serpents of Enceladus” é um álbum ácido, chapante e poderoso. A banda de Saturno, que definiu seu som como “Saturnian Rock”, de uma misteriosa cidade chamada “Enceladus”, aportou em Brighton na Inglaterra e conta com a seguinte formação: Tethys Cassini, Dione Cassini, Epimetheus Cassini, Janus Cassini e Mimas Cassini. Não se sabe se os nomes são verdadeiros e que instrumentos os mesmos tocam. O álbum começa com a faixa “Liber” com um som minimalista, com um peso calcado em riffs de guitarra e um saxofone dando um tempero mais jazzístico a música.
Codex Serafini - "Liber" (Clipe oficial)
“Cronus” começa ameaçadora e sombria com o destaque no vocal em uma espécie de ritual tendo como pano de fundo o sax lembrando a fase remota do King Crimson. “Janus” é mais chapante, lisérgica, viajante, com doses cavalares de um Pink Floyd da fase Barrett.
Codex Serafini - "Cronus"
“Fountains of Enceladus” é a mais pesada do álbum, com uma pegada hard psicodélica que alterna com atmosferas mais sombrias, capitaneadas pelo vocal. E fecha com “Speaking in Tongues”, a mais longa e progressiva, com pitadas de hard, do álbum. Tem uma forte influência do King Crimson em uma junção de sua fase transitória das décadas de 60 e 70 com a áurea fase de meados da década de 1970: pesado e psicodélico.
Codex Serafini - "Speaking in Tongues"
O Codex Serafini pode não ser revolucionário, trazer algo novo, mas merece todas as reverências pela coragem de mostrar a sua verdade artística personificadas em sua música em tempos de músicas simples, descaracterizadas e pasteurizadas.
A banda:
Tethys Cassini
Dione Cassini
Epimetheus Cassini
Janus Cassini
Mimas Cassini
Faixas:
1 - Liber
2 - Cronus
3 - Janus
4 - Fountains of Enceladus
5 - Speaking in Tongues
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