segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Purson - The Circle and the Blue Door (2013)

 


É muito difícil falar de rock progressivo e suas vertentes sem mencionar as grandes bandas do passado e que se consagraram graças aos seus álbuns seminais. São eternas e precisamos enaltecê-las sob todas as formas, afinal reverenciar para eternizar a sua música tão importante para a edificação da cena. Contudo, de uns anos para cá, estamos testemunhando o surgimento de novas propostas e cenas de prog rock nas suas mais diversificadas vertentes que precisam e merecem todo o apoio dos fãs. 

São bandas como essas que revigoram e traz uma reciclagem a essa rica música, o sentido da progressão é evidente com as bandas contemporâneas. Umas seguem a cartilha do passado sem soar datado, outras trazem novos elementos, mas respeitam e se resguardam com o passado glorioso e intocável das grandes bandas setentistas que amamos e que colocamos no pedestal de nossas predileções e necessidades sonoras.

O fato é que a nova cena da música progressiva seja aliado ao heavy rock, heavy metal, melódico, stoner rock, doom metal e outros gêneros precisa ser respeitada pela competência, originalidade e qualidade. Uma dessas bandas é o PURSON. Falo de seu debut chamado “The Circle and the Blue Door”, de 2013. O Purson nasceu na Inglaterra em 2011 e é impressionante o quanto a banda dialoga bem com o passado estética e claro sonoramente, mas sem esquecer que está no século XXI com as suas tendências.

Purson

Ao buscar as minhas fontes para a construção dessa resenha, observei que a banda recebeu, com este álbum, todas as honrarias, todos os reconhecimentos possíveis e imagináveis da crítica especializada e dos adoradores da boa música. Recebeu prêmios da Metal Hammer, como um dos melhores álbuns de metal daquele ano, caiu nas graças dos exigentes puristas apreciadores de sons já esquecidos do passado, o flerte entre o passado e o futuro não mensura cronologias, o tempo parece ser irrelevante quando se ouve “The Circle and the Blue Door”.

E de fato, essas são as minhas palavras ao ouvi-lo, é um primor de qualidade o que me surpreende pelo tempo e juventude dos seus músicos e da formação enquanto banda vejam como o tempo parece ser irrelevante quando a música é boa?

O Purson com o seu “The Circle and the Blue Door” apresenta um rock n’ roll muito bem pincelado com um psicodélico ácido, com uma melodia delicada, bem produzida, uma levada hard e heavy, beirando o doom e stoner em alguns momentos, um belo progressivo obscuro com uma atmosfera densa, mas que soa acessível, comercial, mas de qualidade, quase beirando um pop rock.


Mas antes de falar, faixa a faixa, do álbum “The Circle and the Blue Door” o Purson lançou alguns EPs, onde se destacam “Rocking Horse”, de 2012, “Learning On a Bear”, de 2013 e “The Contract/Blueprint Of The Dream”, de 2013. Graças a esses materiais, a essas prévias o Purson começou a fazer alguns shows em Londres, construindo alguma reputação e trazendo algum deleite aos puritanos do occult rock e também aos mais jovens que tiveram o seu primeiro contato com esse nicho do rock.

A formação da banda neste álbum era: Rosalie Cunningham no vocal e guitarra, George Hudson na guitarra, Samuel Shove no órgão e mellotron, Barnaby Maddick no baixo e Jack Hobbs na bateria. 

O álbum começa com “Wake Up Sleepy Head” com uma sonoridade hipnotizante, uma beleza sublime, com uma boa linha de baixo. The Contract” conta com muito peso e tem uma linha de doom bem interessante, as vezes psicodélica com destaque também para o baixo e uma levada meio cigana, diria, bem interessante.

"The Contract"

A faixa seguinte, “Spiderwood Farm”, conta com esses elementos de música cigana, com um excelente trabalho de percussão e passagens progressivas, mas com muito peso e alternâncias entre o suave e o peso.

“Sailor's Wife's Lament” tem uma pegada psicodélica, ácida. Na sequência temos “Learning on a Bear” com uma pegada hard rock setentista ao estilo Uriah Heep e Deep Purple em seus respectivos inícios.

"Learning on a Bear"

Já “Tempest and the Tide” é uma faixa lenta, acústica e bem sofisticada, com arranjos elaborados. Mas com “Mavericks and Mystics” a porradaria hard retorna. Segue com “Well Spoiled Machine” recheada de psicodelia e progressivo com riffs de guitarra ácidos e seco, com teclados viajantes.

Segue com “Well Spoiled Machine” recheada de psicodelia e progressivo com riffs de guitarra ácidos e seco, com teclados viajantes. “Sapphire Ward” segue a mesma proposta da faixa anterior com lisergia e muitas influências do fim da década de 60 para o início da de 1970.

“Rocking Horse” é uma faixa excelente com uma atmosfera densa e transcendental. E para fechar o álbum, temos uma das melhores faixas chamada “Tragic Catastrophe” com uma camada melancólica, belíssimos arranjos, ela é épica, progressiva, excelente.

"Tragic Catastrophe" live at Cambridge 2016

Tudo estava lá, com o lançamento de “The Circle and the Blue Door”: a sonoridade obscura, psicodélica, pesada, com temáticas ocultistas, o apelo estético da banda que te remete aos anos 1960, 1970. A banda que não plagiou, mas homenageou uma cena, que enalteceu abnegados músicos que pereceram pelo conservadorismo no rock e na indústria fonográfica. O Purson trouxe à luz a cena obscura e mostrou que ela está cada vez mais aquecida e forte.

O Purson lançou um novo trabalho chamado “Desire’s Magic Theatre”, em 2016. Mas em 2017 Rosalie Cunnigham anuncia o seu primeiro trabalho solo, chamado “Chocolate Money”, dando fim, consequentemente ao Purson no mesmo ano.

"Desire's Magic Theatre" (2016)

A esperança é um revival e que se reúnam novamente para alguns shows e quem sabe um novo trabalho. Bandas como o Purson merece sempre estar em evidência, na ativa, mesmo que não seja um som palatável no mainstream.



A banda:

Rosalie Cunningham no vocal, guitarra, orgão, mellotron, percussão

William Cunningham no saxofone

Ed Turner no baixo, guitarra e percussão

Raphael Mura na bateria


Faixas:

1 - Wake Up Sleepy Head

2 - The Contract

3 - Spiderwood Farm

4 - Sailor's Wife's Lament

5 - Leaning on a Bear

6 - Tempest and the Tide

7 - Mavericks and Mystics

8 - Well Spoiled Machine

9 - Sapphire Ward

10 - Rocking Horse

11 - Tragic Catastrophe

 

Purson - "The Circle and the Blue Door"

 

 

 

 







 





2 comentários:

  1. Parabéns pela resenha. Gostei muito do álbum quando conheci. Abraço

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    1. Fala João Luiz! Fico feliz que tenha gostado da banda! Embora não soe datada é uma banda que nos remete os anos 1970!

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