quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Cathedral - Stained Glass Stories (1978)

 

Mais uma joia perdida dos anos 1970 do rock progressivo estadunidense que, como tantos, foram vilipendiados pela indústria fonográfica que, seguindo a tendência da época por parte do público daquele país que rejeitava essa vertente do rock, chancelaram, com sua rejeição, grandes bandas que gravaram, a duras penas, trabalhos magníficos.

Há algumas explicações, alguns argumentos de formadores de opinião e/ou especialistas da música circulando pelos veículos de comunicação e redes sociais, além, é claro, da consequência, do vilipêndio pela indústria fonográfica. 

Uma das razões seria uma questão cultural, afinal o rock progressivo tem as suas arestas fortes pela Europa, principalmente a Inglaterra e que muitas dessas bandas norte americanas surgiram emulando medalhões como Yes, Emerson, Lake & Palmer, Pink Floyd entre outras.

O fato é que a rejeição existe e talvez não seja, contudo, tão relevante elencar as razões que não deixam de ser apenas visões pessoais de especialistas ou formadores de opinião. Muitas bandas sucumbiram à falta de estrutura na produção de seus shows, a poucas divulgações, a estúdios condizentes com a tecnologia, sendo acusadas, consequentemente, de incompetentes, com músicas aquém do esperado, sendo esta a razão de não vingarem.

Também é muito relativo trazer isso à tona, pois tratam-se de opiniões pessoais, mesmo se tratando de pretensas informações maturadas por especialistas, bem como seria se eu dissesse que alguns dos grandes trabalhos que este humilde apreciador de prog rock norte americano que tece essas palavras, goste e muito dessas bandas obscuras, daí a razão da existência desse também humilde e reles blog.

E, como dizia, essa joia perdida dos anos 1970 “inaugurou” as minhas predileções pelas bandas de rock progressivo norte americano dessa prolífica década para o rock n’ roll. Foi uma das primeiras bandas que ouvi, um dos primeiros álbuns que ouvi e digo, desde já, sem medo de errar, que ajudou a pavimentar em mim, a predileção pelo rock progressivo também.

Falo da banda CATHEDRAL! E não confundir essa banda com outras três de mesmo nome, incluindo uma inglesa de doom metal. O Cathedral norte americana e detentora de um “saboroso” rock progressivo, traz reminiscências de bandas como Yes, ELP e Genesis. E falando em inspirações ou influências, é claro que acabam especulando uma espécie de plágio, de cópia, principalmente por ser tratar de uma banda obscura e que não atingiu êxito comercial, mas sempre enfatizo que insucesso comercial não tem nada a ver, para mim, com qualidade e/ou criatividade criativa.

Cathedral

Os primórdios do Cathedral vem do tecladista Tom Doncourt e do guitarrista Rudy Perrone. Eles eram muito novos, ainda aspiram serem músicos de sucesso, quando Tom conheceu o baixista Ed Gagliardi em uma loja de discos. Eles dois estavam olhando alguns álbuns do Genesis e quando Ed ouviu que Tom tocava teclado, o primeiro decide marcar uma reunião com Rudy para formar uma banda e assim aconteceu, formaram uma banda. Em pouco tempo Rudy e Tom criariam uma química muito mais progressiva do que a direção que Ed queria para a banda. Assim seria o embrião da Cathedral, mas o fim da banda com Ed.

Mas a Cathedral tem as suas raízes mesmo em uma banda psicodélica chamada “Odyssey”, em Islip Terrace, em Nova Iorque. O Odissey era a banda que Tom e Fred Callan, baixista tocavam. Na realidade Tom os conheceu quando tinha apenas 15 anos de idade e aprendeu a tocar teclado os observando e em um futuro próximo tocaria com os caras.

Mas a Cathedral tem as suas raízes mesmo em uma banda psicodélica chamada “Odyssey”, em Islip Terrace, em Nova Iorque. O Odissey era a banda que Tom e Fred Callan, baixista, tocavam. Na realidade Tom os conheceu quando tinha apenas 15 anos de idade e aprendeu a tocar teclado os observando e em um futuro próximo tocaria com os caras.

A banda era boa, um expoente local, mas não demorou tanto para se separarem, isso em 1975. Fred Callan, o baixista, e o tecladista Tom Doncourt se juntaria a Mercury Caronia IV, o baterista, ao já conhecido Rudy Perrone, guitarrista e Paul Seal nos vocais para que em 1975 formasse a Cathedral.

E o processo de nascimento de seu único álbum, em 1978, surgiu originalmente de uma demo. A banda planejou fazer uma demo e os empresários dos caras tinham conexões com a gravadora “Delta Records”, um antigo estúdio da cidade de Nova Iorque no andar de cima do teatro Palace, em Times Square.

A banda de Duke Ellington estava fazendo sessões do outro lado do salão. Tiveram, contudo, uma sorte danada de ter um jovem engenheiro disposto a experimentar um pouco, claro, em termos sonoros. Basicamente a banda tocou ao vivo em um ampex de dezesseis faixas e fizeram também poucos overdubs. Isso tudo levou uma semana apenas.

A banda comprou a demo e a RCA fez uma oferta, mas os caras da Cathedral colocou todas as esperanças nos discos da Atlantic. Chegaram perto de contratá-los, mas desistiram porque, para variar as vendas de músicas de rock progressivo eram pequenas em 1978. 

A Delta Records tinha conexões de distribuição e foi decidido lançar “Stained Glass Stories” de forma independente. 10.000 cópias foram prensadas e vendidas. A ideia era alugar um espaço para a Cathedral ensaiar, além dos equipamentos para promover o álbum.

A arte da capa do álbum foi concebida pela namorada do tecladista Tom Doncourt que era artista plástica, ela se ofereceu para fazer. Ela tinha uma foto da catedral Sacre Cour em Montmartr e pintou no topo da pequena colina.

Depois que o álbum foi lançado, a banda passou alguns meses em um armazém ensaiando, compondo mais músicas para que tivessem o suficiente para um show inteiro. A banda já tinha um sistema de iluminação e um grande sistema de som o que viabilizou ensaiar toda a produção. Alugaram antigos cinemas, construíram a produção de palco e montaram a concepção de seus shows. Trabalharam muito!

E enfim, o primeiro show, a primeira apresentação! A Cathedral subiu no palco para o primeiro show na sua cidade local, diante de uma casa lotada dos fãs que os seguiam nos shows dos clubes, além de tocarem para amigos próximos e familiares. Foi épico para a banda!

Apesar da cena progressiva estadunidense não tenha tido a audiência necessária para as suas bandas prosperarem em Nova Iorque poderia encontrar um território fértil para o rock progressivo, razoavelmente fértil e caloroso, tinha um fiel e abnegado público que os seguia.

E com isso antigas salas de cinema se transformavam em salas de concerto, de shows, para receber a demanda de bandas e fãs. Mas o fim dos anos 1970 testemunhou uma diminuição da popularidade do estilo o que culminou com o vilipêndio a bandas como o Cathedral que teve muitas dificuldades para dar sequência em gravações de novos álbuns.

Embora a Cathedral, em seu trabalho, traga lembranças de Yes, ELP e Genesis, a banda era bem agressiva, diria intensa e solar, para uma banda progressiva, que geralmente entregam bandas mais introspectivas e experimentais. O que me chamou a atenção no Cathedral, antes de mais nada, foi a incrível interação entre o baixista e o baterista fazendo da cozinha algo concatenado e extremamente vivaz, dando o ritmo à banda. São grooves cheios, complexos e fortes, além do baterista Mercury Caronia IV ter plena capacidade de implementar recursos percussivos. 

Rudy Perrone, o guitarrista, é o próximo a se destacar, com muitos recursos, lembrando Robert Fripp com solos e riffs difíceis de praticar, sendo definitivamente avassalador, de tirar o fôlego mesmo. São riffs por vezes dissonantes, mas com um som vibrante e poderoso.

O tecladista Tom Doncourt também tem uma participação forte na concepção da sonoridade do Cathedral e consequentemente, claro, na feitura, na produção de seu único trabalho. Junto com seu hammond e outros instrumentos tira uma sonoridade bem singular, arriscaria.

O vocalista Paul Seal traz também algum destaque apesar de alguns apontamentos negativos dados a alguns ouvintes e formadores de opinião, dando conta que o mesmo não goza de tanto talento, tendo inclusive copiado os timbres de voz do emblemático vocalista do Yes, Jon Anderson. Confesso que há traços sim, mas não acredito em cópia, mas inspiração.

“Stained Glass Stories” está longe, no que tange a sua sonoridade, daquelas influências de bandas AOR, soando como um rock progressivo britânico típico, com uma música carregada de mellotron, com a potência do famoso baixo Rickenbacker. É uma sonoridade familiar sim, aos que, claro, apreciam o prog rock genuíno, mas que carrega personalidade, complexidade em seu som e principalmente algo orgânico, visceral, que mostra um trabalho efetivo dos instrumentos pelos músicos fazendo deste álbum, a meu ver, essencial para o rock progressivo norte americano. Mas vamos destrinchar “Stained Glass Stories”, faixa a faixa.

O álbum é inaugurado com a exuberante “Introspect”, uma faixa com intricados riffs de guitarra e baixo, poderosos, envolventes e intensos, com um som de mellotron que dita esse ritmo todo, em uma espécie de capa sonora, com uma bateria marcada e alucinante. É uma música divinamente avassaladora. O baixo de Callen é pulsante, vívido e o guitarrista Rudy Perrone soa como um híbrido de Steve Howe e Hackett, a complexidade do primeiro e o peso do segundo. Um começo suave, etéreo, mas descamba para guitarras tensas e baixo pulsante. E entre isso coloque momentos acústicos totalmente contemplativos. Uma excelente faixa para começar!

"Introspect"

Segue com a faixa “Gong” e que não baixa a guarda, que se destacam em melodias realmente ótimas e uma estrutura intrincada, complexa, cheia de alternâncias rítmicas. Nesta faixa o que se mostra atraente e revelador é também a pegada mais rock desta música e que, em dado momento, devido a essas mudanças de ritmo, se apresentam pouco polidas. Não esquecer também do vocal bem apurado e de bom alcance nesta faixa.

"Gong"

“The Crossing” e “Days & Changes” seguem basicamente com a característica apresentada em fragmentos da faixa anterior, o fragmento pouco polido, com um rock um pouco mais visceral, mas intenso, com riffs de guitarra “duelando” com o mellotron que não baixa a guarda e luta uma luta com honras, para deleite de nossos ouvidos. A complexidade do início dá lugar a um rock mais pleno e vivaz.

"The Crossing"

O álbum finalmente fecha com a faixa “The Search” e que traz à tona a “peça” remontada aos temas da música que inaugurou o álbum, a “Introspect”. Arriscaria que poderia ser uma continuidade desta, podendo ser chamada, inclusive, de “Instrospect II”, mas não se engane que se tratam de músicas com atmosferas idênticas, mas com andamentos similares, ou seja, uma bela experiência progressiva calcada em complexidade e melodias bem trabalhadas.

"The Search"

A popularidade do rock progressivo diminui drasticamente no final dos anos 1970, isso não tirou a criatividade das bandas que seguiram com a sua sonoridade, mas caíram na obscuridade. E assim o foi com o Cathedral quando lançou “Stained Glass Stories”.

Todo o material que a banda escreveu em seus ensaios e para os seus shows, depois do lançamento de “Stained Glass Stories”, nunca foram lançados oficialmente, com a tal impopularidade do rock progressivo no fim dos anos 1970. Inclui, inclusive, uma música “Plight of The Swan” que, para a banda foi o melhor trabalho que produziram. Escreveram várias músicas após os shows iniciais antes de se separarem. E falando em materiais não lançados, reza a lenda de que a Cathedral tenha lançado, em 1979, um álbum de nome "Epilogue", mas, caros amigos leitores, nunca vi e tão pouco o ouvi. acaba se tornando aquela deliciosas lendas urbanas.

Tom Doncourt depois de alguns anos após o lançamento de seu primeiro e até então único álbum, reviu algumas fitas e as colocou em suas redes sociais disponibilizando-as para os fãs da Cathedral e de rock progressivo em geral se deleitarem e pode ser acessado aqui.

Com um reaquecimento da cena progressiva nos anos 1990, a gravadora Syn-Phonic relançou, no formato CD, o álbum. Atualmente, quem diria, o álbum, seja no formato vinil ou CD, tem sido cobiçado por colecionadores, sendo valorizado e agora elogiado pela “crítica especializada”. Vejam só!

Mas ao menos com esse interesse renovado e uma nova concepção de cena progressiva que vem explodindo ao longo, não apenas dos anos 1990, mas ao longo dos anos seguintes a esta década, fazendo finalmente jus a sua bela obra, pela que representa para o rock progressivo norte americano.

Entre 1979 e 2000 houve várias tentativas de trazer a Cathedral de volta à ativa, mas sem sucesso. Alguns integrantes, especialmente o tecladista Tom Doncourt, não estava pronto para esse projeto. Em 2003 Fred chamou todos os membros originais da banda e se ofereceu para juntar a banda novamente. Tom tinha começado a escrever música progressiva novamente nesse período e finalmente se viu animado para trazer a vida ao Cathedral.

E com muita dificuldade o segundo álbum vem à tona e se chamou “The Bridge”, em 2007. Difícil porque nem todos os integrantes estavam, como em “Stained Glass Stories”, seguindo a mesma direção e muitas discussões se sucederam para conceber esse novo trabalho. Pouco depois de começar o projeto, Rudy deixou a banda. Uma guerra se estabeleceu dentro da banda, pois muitos queriam implementar as suas percepções de música, uma mistura de coisas e o mellotron particularmente sofreu como resultado, mas trata-se de um belo trabalho da banda.

"The Bridge"

Entrou no lugar de Rudy Perrone o guitarrista David Doig que entregou um bom trabalho, mas a química da formação original se perdeu um pouco. A Cathedral chegou a fazer um grande show em Nova Iorque e a turnê de nome “Catedral Curse” começou, mas com muita desorganização e não durou muito tempo, lamentavelmente.

Mac e Rudy, isso nos anos 1980, tocaram em uma banda chamada “Industry”, com Jon Carin, tecladista de Roger Waters, eterno baixista do Pink Floyd. Tom tocou no álbum sono de Rudy, lançado em 1981, de nome “Oceans of Art”. Mas o Tom começou também a sua própria banda chamada “Quiet”, contando com a vocalista islandesa Gudrun Thrainsdottir, seguindo uma vibe experimental em pleno anos 1980, lançando pouco material. Em 1991 Tom Doncourt lançou o projeto “Fauve”. Alguns instrumentos que projetou e construiu foram usados por Jerry Marrota e Susan Veja.

Uma banda clássica, mesmo que obscura, uma joia, uma pérola perdida nos confins do baú do progressivo norte americano e que precisou de décadas para ostentar, com a devida justiça, a sua condição de banda influente do estilo em seu país de origem. “Stained Glass Stories” é definitivamente uma referência para o rock progressivo norte americano.



A banda:

Paul Seal nos vocais principais, percussão

Rudy Perrone nas guitarras acústicas e elétricas, vocais

Tom Doncourt nos teclados e percussão

Fred Callan no baixo, pedais de baixo Moog, mellotron e vocais

Mercury Caronia na bateria, percussão e co-produtor do álbum

 

Faixas:

1 - Introspect

2 - Gong

3 - The Crossing

4 - Days & Changes

5 - The Search 



Cathedral - "Stained Glass Stories" (1978)































terça-feira, 25 de julho de 2023

Vôo Livre - Vôo Livre (1981)

 

Sabe aquelas percepções que você tem e que parece não fazer sentido nenhum dentro de um contexto, digamos, real, racional? Algo que percebe no universo da música e que não ter a mínima sustentação?

Tudo bem caríssimos leitores, eu explico, eu explico! Eu sempre tive a percepção de que bandas e músicos, embora não sejam conhecidos, não tenha conquistado status de algo dentro de sua cena, a desbravou de alguma forma, fez parte da sua história, de sua construção e, inclusive, a ajudou a se popularizar ou minimamente se fazer possível servindo de referência para outras bandas surgirem.

Mas como atribuir tal façanha a bandas que sequer conquistou sucesso e fama? A história, a história contada que sacramenta, que corrobora a sua importância, a sua colaboração para o rock n’ roll! E não se enganem, a sua importância não se mensura apenas para fama e os milhões de álbuns vendidos somente.

Fracasso e sucesso não se mensura pelo aspecto comercial apenas. Sucesso também é entendido e percebido quando uma banda subverte o tempo, ousa com sua música vanguardista e arrojada para o seu tempo e edifica um conceito que servirá de inspiração para o surgimento de outras tantas bandas posteriormente.

E uma banda brasileira, mais precisamente da cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, creio se adequar a esses quesitos, mesmo não sendo famosa, muito pelo contrário, extremamente obscura, rara, mas que praticamente se tornou pioneira no rock n’ roll gaúcho tão respeitado nos dias de hoje. Falo do VÔO LIVRE.

O Vôo Livre, quando ainda a palavra “vôo” era acentuada, foi formada já no final dos anos 1970, mais precisamente em 1979, em um período em que algumas vertentes do rock n’ roll estavam em declínio comercial, tais como o hard rock e o rock progressivo, dando lugar para o punk rock em uma abordagem mais suja e direta, entre outras músicas mais pasteurizadas e “animadas” que não flertavam com o rock.

O cenário não era nem um pouco favorável para o Vôo Livre que construiu a sua sonoridade com base exatamente no hard e prog rock! Mais um entrave que fez com que a banda não atingisse o sucesso comercial, caindo em um profundo ostracismo.

Mas falemos dos seus primórdios, antes de dissecar o seu único álbum lançado em 1981, homônimo. O Vôo Livre teve início a partir da reunião entre o guitarrista Luís Bento e o baterista Luís Vieira. Os caras estavam entusiasmados para fazer algo novo, queriam ousar para variar e formam a banda “Palha Mágica”, em 1979.

Mas precisavam, claro, como toda banda em seu início, de compor material para quem sabe gravar um álbum e cair na estrada para divulgar a sua arte. Pouco tempo depois o baixista Chico Castro se junto à banda, completando a formação clássica de power trio.

Os ensaios se intensificaram e com isso foram se entrosando cada vez mais e as suas influências musicais se fizeram presentes, moldando a sonoridade da banda, construindo uma identidade e que variava do Deep Purple ao Genesis, Rush e até mesmo o King Crimson. 

A banda flertava em várias vertentes dentro do rock deixando a sua criatividade aflorar sem amarras, o que lamentavelmente se torna um fator determinante para se tornar uma banda pouco conhecida, pois costumam não se adequar aos modismos da indústria fonográfica.

Eram vertentes que não estavam mais na “moda”. O punk e o heavy metal oitentista, a década está batendo na porta, estavam aflorando como as novas propostas sonoras do rock, mas os jovens músicos decidem seguir as suas verdades na música, contra tudo e todos.

Após alguns shows mais restritos, modestos no circuito universitário de Pelotas e de regiões no entorno, os caras resolvem partir para algo mais “ousado”. Ambicionavam tocar na capital Porto Alegre. E aí decidem mudar o nome da banda, talvez inspirados pelo novo momento: passaria a se chamar “Vôo Livre”. Afinal a banda estava alçando novos e altos voos para conseguir um lugar ao sol no cenário rock gaúcho, ainda embrionário.

Mas faltava grana para esse voo alto. Luis Bento, o guitarrista, bancou praticamente sozinho com todos os custos de seu sonho e dos seus companheiros de banda. Todos os seus recursos, sem pestanejar foram investidos para esse momento importante do Vôo Livre.

No ano seguinte, em meados de 1980, o Vôo Livre atrai rapidamente a atenção do público local mais ligados às correntes de rock progressivo e fusion, bem como do hard rock, que, mesmo diante de um cenário adverso, ainda mantinha interesse em composições mais ousadas e de textura sonora mais trabalhada. A banda se ancorou nesse público que a aceitou, certamente porque não tinha uma cena encorpada desse estilo na capital gaúcha. Entendem o que falei no início desse texto?

Desde sua primeira aparição o Vôo Livre apresentou uma bela estrutura profissional de alto nível, com equipamentos modernos, P.A. próprio e, até mesmo, uma equipe de produção. Mas eles não queriam ficar apenas nos shows, precisavam logo gravar um álbum.

E diante dessa nova etapa, o Vôo Livre estabelece uma parceria com o recém-criado selo independente “Pialo”, do guitarrista Fernando Bohrer, e começam a trabalhar no disco, que viria a ser lançado em agosto de 1981. A formação, além do power trio que formou a banda, trazia, como participação especial, o tecladista Paulo Dorfman que tocou na faixa “Pôr do Sol”.

Acompanhado de muitas apresentações e até mesmo uma pequena excursão de lançamento, o novo álbum, o seu debut “Vôo Livre”, surpreendeu tanto o público quanto a crítica, tomando o rock gaúcho de assalto, elevando-o. Esse trabalho do Vôo Livre é considerado por muitos o primeiro no gênero totalmente gravado e produzido em Porto Alegre.

O álbum também é considerado pioneiro também nos novos formatos de gravação, com a introdução de técnicas de estúdio modernas e inovadoras para a época, com excelentes recursos de gravação, efeitos e percussões eletrônicas.

“Vôo Livre” entrega elementos de música progressiva, com mudanças rítmicas evidentes e o peso do hard rock, com algumas “nuances” de rock experimental, se configurando como um álbum extremamente ousado e versátil para a sua época no Brasil, que tinha no “Rock Brasil” como algo mais interessante e que estava florescendo nessa época em Brasília e no Rio de Janeiro, por exemplo com viés da new wave britânica.

O álbum é inaugurado com a faixa “Hey” e tem na estrutura sonora uma “cozinha” extremamente entrosada, com baixo pulsante e pesado e bateria bem marcada, com a veia hard rock sendo representada por riffs de guitarra com alguma distorção e um vocal bem melodioso e de bom alcance. A faixa tem a predominância do hard rock sendo mais direta.

"Hey"

A sequência traz a faixa “Visão” que já traz a proposta mais progressiva lembrando bandas icônicas como O Terço, por exemplo. A introdução traz uma atmosfera mais branda, com teclados mais viajantes e guitarras mais contemplativas. O vocal é mais dramático, diria até melancólico em alguns momentos, embora a letra traga algo solar em sua mensagem. Um belo prog rock em pleno anos 1980.

"Visão"

E falando em temas e vibes mais viajantes, a próxima faixa se chama “Viagem”, mas já traz uma abordagem mais pesada, com o baixo mais pulsante e vibrante, com solos incendiários de guitarra. A música é instrumental e tem no hard rock a sua ideia central, com algumas mudanças rítmicas bem arrojadas trazendo algo como metal progressivo, dada a velocidade da faixa. Fantástico!

"Viagem"

Segue com a faixa “Chuva Forte” que já inicia com solos de guitarra mais diretos que logo abre alas para riffs mais pesados e um baixo pulsante e poderoso com uma pegada hard predominando novamente, com algo bem heavy rock dada a velocidade que é imprimida na faixa. Hard n’ heavy de excelente qualidade!

"Chuva Forte"

“PZ4429” começa meio jazzy com alguns recursos jazzísticos tendendo para algo um tanto quanto para as improvisações, ao estilo “Jam Sections”. Logo descamba para o blues rock, corroborando a sua condição de improvisação, com a criatividade e talento aflorados.

"PZ4429"

E fecha com a faixa “Pôr do Sol” que já entrega uma abordagem mais comercial, uma pegada mais radiofônica, mas que não deprecia a sua estrutura sonora. Guitarra mais dançante, vocal mais melodioso, letras mais edificantes e hippies.

"Pôr do Sol"

Depois dessa extensa, tensa e cansativa turnê, com muito trabalho para promover o seu primeiro álbum, os músicos da banda começaram a sentir o desgaste. O ritmo intenso acaba pesando no aspecto emocional e alguns desentendimentos afloraram. Resolveram interromper as atividades justamente logo após o show comemorativo chamado “Um Ano na Estrada”.

Mas não parecia ser um fim, tudo indicava que eles precisavam de um tempo de descanso, depois dessa intensa maratona de shows. Tanto que o Vôo Livre voltaria a se reunir em 1985 para a gravação de um novo álbum e a intenção era buscar uma sonoridade ainda mais progressiva.

O álbum seria chamado de “Memórias”, teria material de arquivo registrado entre maio e agosto de 1981, com novas composições, trazendo propostas mais modernas e algumas influências eletrônicas e experimentais, tendo como base, como alicerce o rock progressivo.

Mas o mercado fonográfico não estava dando a mínima para o rock progressivo e outras vertentes mais experimentais (na realidade nunca apoiou) e o projeto do Vôo Livre com o seu segundo álbum, “Memórias”, com o perdão da famigerada analogia, não alçou voo.

As gravações sequer chegaram a ser finalizadas. Reza a lenda de que as faixas só existem as bases, e mesmo as músicas em estágio mais avançado carecem de uma mixagem adequada, fazendo com que não haja condições de se lançar hoje esse registro na íntegra, na forma de um álbum inédito e completo.

O que nos restar é esperar que a banda se reúna e consiga algum selo para bancar esse lançamento, caso ainda exista. Haja vista que atualmente temos alguns bons relançamentos que estavam perdidos no fundo do baú do rock.

Mesmo com a boa receptividade da imprensa especializada e dos pequenos, mas ávido público com o debut “Vôo Livre”, além de alguns boatos sobre reuniões, a separação do trio se revelou definitiva e seus integrantes parecem ter seguido caminhos bem distintos, dispersando-se em diferentes cidades. Tudo indica não terem mais contato entre si.

Em 2011 o raro álbum homônimo da banda, foi relançado, transcritas das fitas masters originais e cuidadosamente restauradas e remasterizadas no formato digital por Lelo Nazario, trazendo três bônus especiais: duas faixas inéditas que são “Vôo Livre” e “Chamada a Cobrar”, resgatadas e selecionadas dentre as fitas das gravações inacabadas de “Memórias”, mais uma faixa que se chama “Tempo Futuro”.

A faixa “Tempo Futuro” foi incluída originalmente na eclética coletânea de nome “Porto Alegre/Rock”, que foi lançada em 1985 pela parceria dos selos Musi’sul/Pialo e que reunia músicos e bandas remanescentes dos anos 1970, como a banda Byzarro e o exímio e saudoso cantor Fughetti Luz da grande banda Bixo da Seda e do pioneiro Liverpool a novas bandas, até então, do rock gaúcho.

Um clássico obscuro, perdido no tempo, mas que resiste bravamente, por ser, mesmo diante de entraves comerciais e modistas, uma referência para a história do rock n’ roll gaúcho tão enaltecido nos dias de hoje, por ser um centro desta vertente em todo o Brasil. Altamente recomendado!


A banda:

Chico Castro no baixo, teclados e vocal

Luís Vieira na bateria, sindrum e vocal

Luís Bento na guitarra, efeitos e vocal

 

Com participação especial:

Paulo Dorfman nos teclados na faixa “Pôr do Sol”

 

Faixas:

1 - Hey

2 - Visão

3 - Viagem

4 - Chuva Forte

5 - PZ4429

6 - Pôr Do Sol 




 















 





sábado, 15 de julho de 2023

Kaleidon - Free Love (1973)

 

Final da década de 1960. A psicodelia estava em seu ápice e claro na Itália não era muito diferente, o beat italiano tomava conta das rádios e proliferava em todos os cantos do país. Algumas bandas gozavam de popularidade e algumas eram promissoras, tinham um futuro pela frente, a desbravar. Era o caso da banda Free Love.

A banda trazia em seu line up músicos jovens, mas que já tinham alguma bagagem ou até reputação na cena psicodélica italiana. As coisas realmente iam muito bem para o Free Love nos idos de 1970, tanto que em outubro daquele ano os caras são convidados para tocar no primeiro festival pop de Caravala e inclusive conseguiram um contrato com a gravadora “Vedette” que editou seus primeiros 45 rpm, “Sandy” e “Il Tempo di Pietra", ambos lançados ainda em 1970.

Free Love - "Sandy" (1970)

A formação original do Free Love apresentava os irmãos norte-americanos Carl e Steve Stogel, baixo e guitarra, respectivamente, Stefano Sabatini, nos teclados, Gianni Caia na bateria e o vocalista Tony Gizzarelli. Com essa formação a banda gravou os seus primeiros singles. Mais tarde, no final de 1969, o Free Love foi acompanhado pelo violinista canadense John Picard e, por apenas a alguns meses, pelo cantor e percussionista Ricky Cellini.

Free Love em 1972

A banda, em seus primórdios, lembrava um pouco os primeiros trabalhos do New Trolls, tanto que os seus singles chamam a atenção do maestro Piero Umiliano que recruta o Free Love para interpretar a trilha sonora de seu filme, “Roy Colt & Winchester Jack”, um “faroeste espaguete”, que foi imortalizado em 45 rpm para Cinevox, com as músicas “Roy Colt” e “Dove”, ambos de 1970.

Ainda em 1970, após a saída de Gizzarelli e Cellini, fizeram vários shows no norte da Itália, Suíça e Sardenha. Tudo ia muito bem para o Free Love, eram shows, contrato, participação em trilha sonora de filme, tanto que eles iriam participar de outra edição do festival em Caracalla em maio de 1971, ao lado de bandas como New Trolls, Osanna, Delirium e The Trip.

Mas a banda se separaria lá pelo final do ano 1971, Fábio Cammarata substituiria Stefano Sabatini e Picard sairia após o verão, mudando-se para a França. Caia e Steve Stogel, juntamente com o baixista Mauro Montaldo, se reuniriam com Sabatini para uma turnê como banda de apoio de Mia Martini. E aí a tragédia aconteceria.

Foi em fevereiro de 1972, quando regressavam de um show na Sicília, que o carro dos músicos se envolveu em um grave acidente matando Gianni Caia e Steve Stogel, enquanto Sabatini e Montaldo ficaram gravemente feridos, mas sobreviveram. Um show, quando Sabatini e Montaldo se recuperaram, foi realizado no Piper para lembrar os músicos que morreram e para arrecadar fundos para as suas famílias.

O reencontro, nessas circunstâncias, não foi fácil, foi dolorido, mas com muita coragem e esmero em prol do amor à música, Sabatini e Carl Stogel reconstruíram uma nova banda para participar do festival de Caracalla, no outono de 1972, com o baterista Giovanni Liberti e o Saxofonista Massimo Balla que substituiu Stefano Cesaroni. Nesse momento se decreta o fim do Free Love. 

Em 1973, desta formação que se apresentou no outono de 1972 no festival Caracalla, após a substituição de Carl Stogel pelo estreante baixista Franco Tallarita, nascia a banda KALEIDON, alvo de minha resenha de hoje, sendo fortemente influenciado pelo jazz rock e algumas passagens bem temperadas pelo rock progressivo, gravando apenas um álbum, pela “Fonit Records” que se intitula “Free Love”. A intenção era homenagear a sua antiga banda e os seus companheiros que perderam a vida no fatídico acidente.

Kaleidon

O título do álbum, além de uma clara homenagem a banda anterior e ao seu sonho artístico bruscamente interrompido, trata-se também de uma jóia instrumental do mais puro e genuíno jazz rock de absoluta cristalinidade ao estilo “canterburiana”, com uma “contaminação” para o jazz.

O álbum, inteiramente instrumental e gravado em um tempo recorde, em apenas três dias, de 28 a 30 de agosto de 1973), como disse, enquadra-se na veia jazz rock, ousaria dizer que mais jazz do que rock e soa fluído e compacto, livre de borrões e algo demasiadamente carregado o que logo se nota nos primeiros acordes da primeira faixa, mostrando um ótimo trabalho de equipe, de banda coesa com texturas tecidas com o protagonismo do piano e saxofone.

O álbum, como muitas vezes acontecia naquele período, não teve muita sorte sob o aspecto comercial, porém no “Ciao 2001”, de 21 de abril de 1974, Giorgio Rivieccio falou do Kaleidon como uma banda que demonstrou e desenvolveu um discurso jazzístico próprio e altamente original. 

E continuou dizendo que “Free Love” surpreendeu muito do ponto de vista técnico e estilístico e que é tanto mais apreciável quanto é o resultado de uma pesquisa pessoal intransigente de um álbum natural que para muitos são encarregados de clareza expressiva e o sentimento desta banda brota das notas de cada um dos instrumentos, envolvendo totalmente o ouvinte e conseguindo quebrar o biombo que se cria entre ele e o intérprete, para estabelecer com ele uma comunicação mais direta. Termina dizendo que cada nota, cada pausa ganha o devido valor e o justo equilíbrio até nas improvisações que, apesar disso, conservam todo o seu frescor e espontaneidade.

As impressões de Rivieccio incrivelmente convergem com a minha acerca deste trabalho do Kaleidon, com o uso carregado de piano elétrico e os efeitos psicodélicos e jazzísticos de Sabatini, o trabalho de saxofone quase que escaldante de Massimo Balla fazem a diferença, definitivamente. 

Outro detalhe importante a se ressaltar é a ausência da guitarra, o que pode reforçar a hipótese de que o Kaleidon tende mais para o jazz do que o rock n’ roll, mas o rock está lá, principalmente pelas “pitadas” progressivas e algumas doses de peso. Se fosse tentar “rotular” o som do Kaleidon em “Free Love” eu arriscaria em uma espécie de “stoner jazz”! Picardias à parte a música neste álbum transcende.

A faixa de abertura, “Kaleidon”, começa com o evidente jazz bem atmosférico que vai aumentando gradualmente até se estabelecer em uma batida bem legal de bateria, acompanhada de groove de baixo, pulsante e vivo. Saxofone misturado com teclados traz todo o acabamento da música, até que a música muda de andamento, como em uma virada prog rock e a interferência do jazz rock lisérgico continua de forma muito agradável e solar.

"Kaleidon"

A faixa “Inverno ‘43” começa com uma leve bateria tribal, acompanhada por piano e baixo flutuando suavemente sobre tudo. O sax se junta, animando um pouco, mas essa música é muito suave e espacial. É uma música fervente, taciturna, com sax e baixo enamorando-se em uma sinergia incrível, com a discreta participação de uma guitarra.

"Inverno '43"

“Dopo La Festa” segue, abrindo com uma batida de bateria, então alguma improvisação de psych-jazz. Isso eventualmente se resolve em uma boa jam de jazz sobre uma batida envolvente e mais um excelente trabalho de baixo.

"Dopo la Festa"

 A quarta música, "Polvere" começa com uma linha de baixo repetida, que logo será acompanhada pelo resto da banda, e a jam de jazz começa novamente, com pontes ocasionais conectando cada seção da jam.

"Polvere"

A próxima faixa, "Oceano", a flauta ganha protagonismo, tocada por Balla, e é uma mudança de ritmo bem-vinda, acrescentando à tapeçaria que está sendo tecida enquanto você ouve o álbum. A música é outra excelente jam de jazz rock com muita interação de todos os membros da banda.

A faixa que encerra o álbum é "Free Love", a faixa título, sendo uma música de jazz puro, com um trabalho estelar de piano de Sabatini complementado com belos solos de saxofone de Balla. Um final agradável, solar e maravilhoso de um espécime de jazz rock da melhor qualidade.

"Oceano" e "Free Love"

No dia seguinte à sua participação no terceiro festival d’Avanguardia de Nápoles, em 1973, há um importante rearranjo na formação do Kaleidon com a entrada de Francesco Bruno, um talento guitarrista, para cobrir a necessidade de maior expansão e o casal Francesco Froggio Francica e Gianni Colaiacomo para substituir o baterista Liberti (forçado a sair por motivos familiares) e o baixista Tallarita que sairia para tentar novos caminhos, novos projetos musicais, tocando em banda chamada “UT”.





A nova ala rítmica é claramente mais voltada para o rock n’ roll e o novo Kaleidon, que gira em torno do tecladista Sabatini, parecia abrir-se a novos horizontes musicais: com um guitarrista nada convencional e, ainda por cima, experimentação com outros instrumentos, como violino, vibrafone e percussão. E essa mudança se apresentou de forma latente em ensaios e festivais que a banda esteve, como em Carpineto Romano e Villa Pamphili.

Brigas internas no Kaleidon, a pouca receptividade na indústria fonográfica para com a sua sonoridade, bem como as rádios, a banda decretou seu fim em 1974. As experiências posteriores dos músicos do Kaleidon não foram de tão ruim assim. Gianni Colaiacomo entraria no Banco del Mutuo Soccorso, Stefano Sabatini fará parte do projeto Samadhi, tocaria também na banda de Tony Esposito e Form The Mediterraneo, enquanto Francesco Bruno viria a produzir vários projetos musicais.

“Free Love” do Kaleidon não é a obra-prima do jazz rock, mas sem dúvida alguma se trata de um exemplo esplêndido desta música maravilhosa que surgiu no início dos anos 1970 que poucas pessoas ouviram e as que ouviu, a sua maioria, rejeitou, inclusive a indústria fonográfica. “Free Love” é uma dose pesada e chapante de jazz rock psicodélico, um álbum e tanto que conceberam dentro de sua vertente sonora e deveriam ter sido reconhecidos por isso.

O álbum foi relançado, no formato CD, pelo selo Mellow Records e ainda assim se tornaram raros e caros e em 2014 a gravadora italiana BTF relançou “Free Love” no formato LP e as suas cópias parecem estar prontamente disponíveis em sites especializados de venda. Definitivamente uma pérola subestimada à época, mas altamente recomendada em todos os tempos.



A banda:

Stefano Sabatini nos teclados

Massimo Balla no saxophone e flauta

Franco Tallarita no baixo

Giovanni Liberti na bateria

 

Faixas:

1 - Kaleidon

2 - Inverno '43

3 - Dopo La Festa

4 - Polvere

5 - Oceano

6 - Free Love


 

"Free Love" (1973)